quinta-feira, 15 de abril de 2010

Resenha de Shows: Hangar, Excellence e Tierramystica em Ijuí/RS


A região noroeste do Rio Grande do Sul teve seu melhor e mais grandioso show de todos os tempos.

A cidade de Ijuí (interior do RS) ousou trazer (graças á banda Excellence e apoiadores, como a equipe do Nightfall in South Festival) dois grandes nomes do Metal nacional para se apresentarem no Teatro do SESC, local com ótima estrutura de som e localização para eventos de grande relevância.

Pessoas de todo o estado, além de Santa Catarina, estiveram presenciando no dia 02 de abril as bandas Excellence, Tierramystica e Hangar.

Os três grupos são oriundos do estado, sendo que a atração principal e mais esperada da noite era Hangar, grupo conhecido pelo baterista Aquiles Priester (que pouca gente sabe nasceu na África), que do período entre 2000 a 2008 tocou com a lendária e mundialmente conhecida banda Angra. Além disso, é um músico que realiza workshops por todo o país, lançando video aulas e sendo uma referência mundial nas baquetas.

Com bastante atraso (não justificado na noite) a banda Tierramystica sobe ao palco abrindo essa noite histórica para a cidade e região. Não desmerecendo as bandas locais que se dedicam a manter vivo o Metal nessa área onde isso é bastante dificil, mas com certeza ter grandes nomes do Metal nacional na região a coloca na rota e na possibilidade de outros nomes poderem vir tocar aqui.

O grupo de Porto Alegre fundado pelos ex-Toccata Magna (banda que se apresentou no inesquecível Live and Louder em 2005) Fabiano Müller (guitarra) e Ricardo Durán (backing vocal, violão e instrumentos de cordas andinos) está lançando seu primeiro álbum completo, “New Eldorado” (2010), sendo o grupo bastante recente, surgido no ano de 2008, mas contando com músicos experientes.

A banda passou por uma mudança em sua formação, com a entrada de Gui Antoniolli (ex-Anaxes). Completam o time Duca Gomes (bateria), Alexandre Tellini (guitarra), Rafael Martinelli (baixo) e Luciano Thumé (teclados).

O grupo tocou um set relativamente curto (apenas seis músicas, sendo duas covers), mas que pode mostrar o que vem aí no seu disco de estréia.

Tierramystica se apresentou pela primeira vez em Ijuí, mas muitas pessoas que estavam ali já sabiam o que esperar por ter visto apresentações em outras cidades. Embora a banda tenha crescido muito em termos musicais e de presença de palco, ainda assim o público pouco ou quase nada se empolgou, mesmo com as tentativas dos músicos, especialmente do simpático vocalista, membro do projeto Soulspell (que no segundo trabalho a sair este ano contará com grandes nomes, como Blaze Bayley e Tim Owens).

O grupo inicia com a melhor música já feita pela banda, a ótima “Golden Courtyard”, que abre muito bem a apresentação bastante curta. Seguiram com a faixa-título da sua primeiro demo, chamanda “New Eldorado”, gravada originalmente com a banda pelo ex-vocalista André Nascimento.

Porém, conquistaram o público ao tocarem os covers de Avantasia (com “Sign of the Croos”, cujo refrão foi cantado a plenos pulmões pelo público) e, ao término do show, “Fear of the Dark” (Iron Maiden) foi “acrescentada” o estilo próprio da banda, além do vocalista principal Gui Antoniolli e de Durán brincarem com a platéia, dividindo-a ao meio para ver qual o lado é “mais metal”, como falou o vocalista (numa clara imitação ao Edu Falaschi no ao vivo com o Angra “Live in São Paulo”).

Ainda falta ao público conhecer mais a banda. Mas com certeza após a apresentação, quem lá esteve e pode conferir a habilidade e criatividade (sem falar na ousadia) do grupo vai procurar conhecer mais o som deles. Além disso, essa foi a última apresentação deles antes da turnê como banda de abertura do Epica, grupo holandês de Metal Sinfônico que retornou ao Brasil pela terceira vez. A Tierramystica tocou com eles em Porto Alegre (resenha deste em breve), Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Ótima escolha.

O apresentador do evento retorna ao palco e anuncia a banda local Excellence, grupo de Hard Rock que está lançando nos próximos meses seu primeiro disco completo “Against the Odds” (2010) e que já conquistou a região toda, inclusive tendo músicas suas tocando numa rádio do Canadá.

Muito interessante a legião de fãs que o grupo tem na cidade e arredores, pois era bastante comum ver pessoas usando camisetas do grupo, num apoio incondicional a maior banda de região na atualidade.

O grupo começa tocando “Won't Listen to Fools”, de longe a melhor música para abrir um show, seguido de “Dirty Way” (single do álbum), o maior hit da banda e que é cantada por muitas pessoas no show. Seguem com cover dos clássico “Rock You Like a Hurricane” (Scorpions) e “Smoke on the Water” (Deep Purple). Com certeza o momento de maior agitação do público até ali.

Porém, como tudo parecia estar indo muito bem (exceto pela falha no microfone de Durán na apresentação anterior) na composição do grupo “Serves You Right” as guitarras de Valterson Wottrich (vocal e guitarra) e Lucas Prauchner (guitarra) somem, tendo o grupo que tocar a canção apenas com vocal, bateria (tocada por Marcos Rigoli) e baixo (de Robson Van Der Ham). De vez em quando o som voltava e até o solo de Prauchner foi prejudicado.

Mas foi muito legal ver o apoio do público à banda, com alguns fãs na frente gritando o nome da banda após essa falha da produção. Para fechar o show, o cover mais que perfeito para a inesperada “You Turn” do Helloween, com direito a violão acústico e tudo. Também não poderia faltar Iron Maiden, e “The Clairvoyant” é tocada, tendo a participação do vocalista Alex “Dickinson” Ximú, conhecido em seu tempo áureo como uma das promessas do Metal no Rio Grande do Sul, cantando inclusive ao lado de André Matos com o Shaman em São Paulo.

Sem demora, Hangar vem ao palco e quando o pano da bateria de Aquiles Priester cai, a galera delira e o grupo aparece logo depois.

É a primeira apresentação da banda na região, agora fazendo parte da turnê “The Infallible Tour 2009-2010”, que divulga o novo disco “Infallible” (2009) e apresenta o novo vocalista Humberto Sobrinho (ex-Glory Opera). Poucos dias antes o grupo dava inicio a turnê na capital gaúcha (você encontra resenha do show no Wiplash). Aliás, essa foi a segunda apresentação da nova turnê.

O grupo começa com uma abertura que deixa todos ansiosos. Eis que começam com a pedrada “The Infallible Emperor (1956)”, que empolga de vez. Grande parte das músicas executadas sairam do novo disco, como “Some Light to Find My Way”, tendo ótima recepção e sendo uma das mais ouvidas do novo álbum. Também em seguida desse “Color Blind”, que dá um show a parte especialmente com seu ritmo cadanceado, com os ótimos backing vocals do baixista Nando Mello.

Completando esse grande time de mestres, Fábio Laguna detonou nos teclados, sendo considerado o melhor tecladista nacional e, embora não abuse dos teclados no Hangar, deixou os fãs do instrumento muito satisfeitos na apresentação.

Deixando de lado por ora o novo disco, presenteiam os fãs com “Forgive the Pain”, do disco anterior “The Reason of Your Conviction” (2007) e que é uma das grandes músicas da banda. Interessante ver Sobrinho cantando, dando uma abordagem diferente do vocalista anterior Nando Fernandes (ex-Cavalo Vapor).

“Savior” (de “Inside Your Soul”, do ano 2001) dá continuidade às pauladas e nessas alturas a banda já havia conquistado o público. Seguem com a ótima e esperada “One More Chance”, do disco anterior e que mostra que realmente Sobrinho é um substituto à altura do outro vocalista.

Mas uma das canções mais esperadas pelos novos fãs e do novo álbum foram “Time to Forget”, que pegou o público de primeira e até quem não havia ouvido ainda se pegava curtindo, principalmente pela melodia que o mais que competente guitarrista Eduardo Martinez criou para ela. É notável, como nas demais canções, a tranquilidade de Humberto Sobrinho em cantar, sendo bastante simpático e muito à vontade com a banda que “carrego no peito”, nas suas palavras.

Seguriram o show com “To Tame a Land”, antes do solo curto de Martinez que muito agradou a galera, entretanto, talvez pelo atraso da apresentação, sentimos falta do solo de Aquiles Preister, tão conhecido que possui até nome próprio (PsychoSolo) e produtos como camisetas e baquetas.

Continuando a apresentação, “Legions of Fate” arregaça e um medley de “Last Time”(1999), disco que detona também.

Obviamente faltava a mais conhecida e considerada a melhor música da carreira da banda: “Call Me in the Name of Death”. E essa Sobrinho acertou, dispensa apresentações. Matou a pau!

Antes de sairem para o bis, mais uma do novo disco. “Dreaming of Black Waves”, single do disco, tendo inclusive um video clip gravado, com a participação de Stefanie Schirmbeck (vocalista da banda Holiness). Ao vivo, a banda tocou com Sobrinho apenas e mostra porque foi a escolhida para divulgar o álbum (ela foi o segundo vídeo mais tocado em uma semana na MTV brasileira).

Saem para o bis. Voltam e Aquiles resolve dar uma palavra com o público, reforçando que irão dizer ao mundo todo que o pessoal de Ijuí “é foda”. Esse foi um dos poucos momentos em que se podia ver o baterista, já que a bateria dele era imensa.

Também falou que, pelo adiantado da hora, até a polícia estava do lado de fora (acho que ninguém foi verificar para saber se era verdade) e que, assim, teriam que tocar apenas mais duas das seis músicas preparadas. Porém, prometeu que voltarão ainda este ano para Ijuí em mais um show. Torcemos que não estivesse falando da turnê como banda de apoio do primeiro vocalista do Iron Maiden Paul Di’anno, que voltaria ao Brasil em mais uma longa turnê e a exemplo do ano passado (quando teve o apoio dos também gaúchos Scelerata) retornaria cantando agora o primeiro disco da Donzela na íntegra. Porém, a turnê foi cancelada.

Voltando às músicas, tocam “TROYC” (do EP homônimo de 2006) e, para surpresa de muitos que não sabiam do set list do show de Porto Alegre, “Master of Puppets” (Metallica) numa suposta homenagem à passagem do Metallica pelo Brasil e o Rio Grande do Sul dois meses antes.

Assim, despedem-se, distribuindo palhetas, baquetas autografadas e peles de bateria.
Deixando a sensação de que finalmente Ijuí e região puderam presenciar apresentações de nível internacional, com uma produção que, pelo menos no show do Hangar, não deixou a desejar.

Mas, para completar a noite, a galera ainda pode tirar fotos com as bandas, pegar autógrafos e a festa continuou em uma casa de shows (ao som Punk Rock), podendo você encontrar com alguns integrantes do Tierramystica e Hangar por lá.

Todos sairam com a certeza e satisfação de que o Brasil tem bandas excelentes e que com trabalho, participação e apoio a região esquecida do noroeste do Rio Grande do Sul, bem como muitas outras do país, podem organizar grandes eventos com grandes bandas.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Fotos: Orkut e sites das bandas
Excellence: http://excellencerock.com/
Tierramystica: http://www.myspace.com/tierramystica
Hangar: http://www.hangar.mus.br/

Set list da Tierramystica

Golden Courtyard
New Eldorado
Celebration to the sun
Sign of the Cross (Avantasia)
Spiritual Song
Fear of the Dark (Iron Maiden)

Set list da Excellence

Won't Listen to Fools
Dirty Way
Rock You like a Hurricane (Scorpions)
Smoke on the Water (Deep Purple)
Serves You Right
Your Turn (Helloween)
The Clairvoyant (Iron Maiden)

Set list da Hangar

The Infallible Emperor (1956)
Some Light to Find my Way
Colorblind
Forgive the Pain
Savior
One More Chance
Time to Forget
Intro + To Tame a Land
Solo/Legions of Fate + Medley Last Time
Call me in the Name of Death
Dreaming of Black Waves
TROYC
Master of Puppets (Metallica)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Mais Um Episódio Triunfal



Que tamanho prazer ouvir um trabalho finalizado de grande beleza. É essa sensação que nos passa o quarto álbum do projeto Avantasia de Tobias Sammet (vocalista do Edguy), “The Wicked Symphony” (2010).

Ao lado de dois dos maiores nomes do rock, Eric Singer (baterista que já tocou com Kiss e Black Sabbath) e Sascha Paeth (guitarrista de inúmeras bandas, como Heaven’s Gate), Tobias Sammet (vocal e baixo) dá continuidade a essa saga que iniciou no álbum anterior “The Scarecrow” (2008), que marcou uma nova fase para Avantasia, sendo chamado oficialmente Tobias Sammet’s Avantasia.

Apesar dos fãs terem esperado dois anos para novo material da banda, a espera com certeza valeu a pena. A banda traz novamente grandes nomes do Rock e Metal mundiais, inclusive com novas e grandiosas participações.

Durante meses no site oficial do projeto, Tobias Sammet ia divulgando os nomes confirmados para esse álbum e o disco “Angel of Babylon” (2010), lançado paralelamente com o mesmo.

Assim, foi um choque positivo quando anunciou que uma das estelas a participar ao seu lado (Sammet canta e toca baixo em todas as músicas) seria o vocalista Klaus Meine (Scorpions), que canta a “dançante” “Dying For An Angel”, gravando inclusive um video clip (confira em http://www.youtube.com/watch?v=quH_vUCdy2o&feature=player_embedded). Aqui a banda pega pesado no Hard Rock e Meine se esforça (e consegue) cantar mais agressivamente do que costuma fazer no Scorpions.

Porém, não param ai as atrações. Também foi marcante o anúncio que Tim Owens (Beyond Fear, ex-Judas Priest, ex-Iced Earth, Malmsteen) estaria cantando na música “Scales of Justice”, uma das mais pesadas (era de se esperar) da história da banda e, para este que escreve, uma das melhores que já ouvi. É de não ficar com a cabeça parada e o refrão é matador.

A faixa-título dá um show e de cara apresenta dois dos maiores vocalistas do Power Metal, Russel Allen (Symphony X) e Jorn Lande (ex-Masterplan, carreira solo), que aliás canta em quatro das 11 faixas neste disco e mais várias outras no outro disco. Como curisidade, os dois vocalistas gravaram juntos dois discos anos atrás e parecem se completar muito bem.

Mas é a “Wastelands” que nos dá uma nostalgia dos infernos, pois ninguém menos que o imortal Michael Kiske (ex-Helloween), que retorna ao projeto depois de anos, traz sua inconfundível voz numa música puro Helloween na sua fase áurea. É de dar saudade mesmo e também uma das melhores do álbum e a mais Power Metal também.

Falando em Kiske, ele participa também numa das mais belas baladas que já foram feita, “Runaway Train”, ao lado de Lande, Sammet e a maior atração da canção Bob Catley (Magnum).

Como não podia deixar de faltar, o maior vocalista brasileiro de Heavy Metal Andre Matos (Viper, Angra, Shaman, carreira solo) volta ao projeto e dá uma palinha em “Blizzard on a Broken Mirror”, não sendo sua melhor atuação no projeto.

Obviamente que não foram convidados apenas estrelas que sabem cantar. Por exemplo, um dos grandes nomes na guitarra ao lado de Paeth é Bruce Kulick (ex-Kiss), que inclusive lançou disco solo cantado todo pelo Sammet, tamanha a admiração mútua entre eles. Interessante que na já citada “Runaway Train” os dois ex-integrantes do Kiss se reencontram novamente.

Além do renomado guitarrista, temos a surpresa do novato no ramo Oliver Hartmann, mais conhecido pelo seu trabalho com o At Vance e carreira solo do que como guitarrista (passou a tocar seriamente recentemente). Ele também participara, mas como vocalista, do outro projeto de Sammet pouco conhecido AINA.

Eric Singer, embora membro efetivo, divide as músicas com os outros dois bateristas: Felix Bohnke (Edguy) e Alex Holzwarth (Rhapsody of Fire).

Não apenas as músicas já citadas são ótimas, o disco todo é. Na verdade, não há uma só música fraca. “Crestfallen” traz um Lande nervoso e Sammet esguaniçado, sem falar nos solos perfeitos de Sascha. “Forever is a Long Time” é mais Hard e Lande mostra tudo que aprendeu cantando covers de Whitesnake (seu vocal lembra demais David Coverdale).

Ralf Zdiarstek (Warrior) participa do projeto cantando na música “Black Wings”, dando uma atmosfera mais “obscura” e muito interessante.

Em “States of Matter” traz novamente Allen usando o que sabe e o que aprendeu cantando na cena do Metal Progresivo como frontman da ótima Symphony X. Mas, claro, o som aqui é mais Power Metal que Progressivo.

Fechando o disco, nada mais correto que uma faixa apenas cantada por Sammet. A bela e bastante parecida com o que o Edguy tem feito (já que Tobias é seu principal compositor) “The Edge” finaliza bem esse que com certeza é o melhor álbum do projeto desde que lançam o primeiro EP “Avantasia” (2000).

Falaremos mais adiante do quinto disco, “Angel of Babylon” (2010), que sai paralelamente e acompanha com a saga iniciada em 2008, mas posso dizer que “The Wicked Symphony” é o melhor disco do projeto, superando seu sucessor que também surpreende na primeira audição. O álbum nos faz não sentir tanta falta de grandes nomes que já passaram por aqui, como Kai Hansen (ex- Helloween, Gamma Ray), Alice Cooper, Rudolf Schenker (Scorpions) e Roy Khan (Kamelot).

Esses dois lançamentos, o time dos sonhos que o executa, além de todos os grandes nomes que já participaram dos três discos anteriores, fazem do Avantasia absolutamento o maior projeto do Metal e, talvez, do Rock, pois seu Metal Opera idealizado pelo agora muito conhecido Tobias Sammet é perfeito!

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Tobias Sammet’s Avantasia
Álbum: The Wicked Symphony
Ano: 2010
Tipo: Power Metal/Metal Opera
País: Vários


Formação

Tobias Sammet (Vocal e baixo)
Sascha Paeth (Guitarra e produção)
Eric Singer (Bateria e Percursão)
Miro Rodenberg (Teclados e Orquestração)

Participações

Bruce Kulick (Guitarra nas faixas 6, 11)
Oliver Hartmann (Guitarra nas faixas 2, 8)
Feliz Bohnke (Bateria nas faixas 1, 5, 9 11)
Alex Holzwarth (Bateria nas faixas 3, 7, 8, 10)
Simon Oberender (Órgão nas faixas 6, 8, 11)
Jorn Lande (Vocais nas faixas 1, 6, 7, 8)
Michael Kiske (Vocais nas faixas 2, 6)
Russel Allen (Vocais nas faixass 1, 10)
Bob Catley (Vocais na faixa 6)
Klaus Meine (Vocais na faixa 4)
Tim Owens (Vocais na faixa 3)
Andre Matos (Vocais na faixa 5)
Ralf Zdiarstek (Vocais na faixa 9)



Tracklist

1.The Wicked Symphony
2.Wastelands
3.Scales of Justice
4.Dying for an Angel
5.Blizzard On a Broken Mirror
6.Runaway Train
7.Crestfallen
8.Forever is a Long Time
9.Black Wings
10.States of Matter
11.The Edge

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Grandioso Fim de Carreira


Num mundo do show bussines, em que muitas bandas ensaiam o término de suas carreiras apenas como modo de atrair a atenção que sua música já não consegui por si mesma. É o caso do Kiss, que por duas vezes encerraram a carreira para voltar logo depois com shows ainda mais produzidos e muito mais caros e com menos energia do que outrora.

Em 2010 é a vez do Scorpions, grupo alemão que tomou o mundo em assalto nos anos 80 e início dos 90, criando os maiores clássicos do Hard Rock. Para a tristeza dos fãs, a banda anunciou que encerra as atividades este ano, com seu disco “Sting in the Tail” (2010), cujas composições já estavam quase prontas quando resolveram entregar as chuteiras.


O álbum é de uma grandiosidade que poucas bandas conseguiram produzir no seu disco derradeiro. Ao contrário da maioria que encerra a carreira na decadência, Scorpions nos brinda e deixará saudade com um álbum simplesmente perfeito.

Foram necessários três anos, desde “Humanity: Hour I” (2007), para que o grupo decidisse que era a hora de sair de cena em alto estilo.

“Sting in the Tail” traz 12 faixas de puro Hard Rock, abandonando o peso excessivo do disco anterior, voltando-se ao som clássico, embora com uma produção bastante contemporânea.


O disco começa com a ótima “Raised in Rock”, que abre a homenagem a esse som que tantas coisas boas traz. Segue a faixa título com uma levada dançante de se admirar.

“Slave Me” continua sem deixar cair o nível, com a dupla de guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs detonando seus riffs. As, além do Hard Rock com riffs e refrões grudentos, a banda como nenhuma outra sabe fazer baladas. Músicas como “The Good die Young” (com a participação como vocal de fundo de Tarja Turunen, ex-Nightwish), “Lorelei” (que conta uma lenda alemã) e “SLY” trazem a mesma banda, pelo menos sonoramente, que gravou clássicos do rock “romântico” como “Winds of Change” e “Still Loving You”.


Mas o disco é tomado principalmente pelo Hard Rock simples e claro da banda, como nas espetaculares “Spirit of Rock”, “Rock Zone” e “Turn You On”. Mas, para este que escreve, é de arrepiar a última música da banda, “The Best is Yet to Come”, uma música que parece ter sido composta como uma despedida aos fãs.


Klaus Meine (Vocal) está melhor que nunca e já não precisa comprovar sua capacidade, sendo o principal convidado do novo trabalho do Avantasia (em breve resenha no blog). O baterista James Kottak mostra porque é o melhor que já tocou com a banda e um dos melhores do Hard Rock de todos os tempos, assim como o membro mais recente polonês Pawel Maciwoda (baixo), que entrou na banda em 2004, não decepciona.

“Sting in the Tail” (2010) é forte concorrente a melhor disco do ano e com certeza será lembrado pelos fãs como um dos seus melhores trabalhos e o melhor desde a década de 1980. Vai deixar um gosto de nostalgia, nos fazendo ficar na torcida de que a banda faça como outras que retornam, mas em grande estilo. Até lá, cantemos os versos de despedida...


"Atravessamos uma outra estrada
E enfrentamos mais um dia
Soldados nunca morrem
Eles só se apagam
Como podemos envelhecer
Quando a trilha sonora de nossas vidas é o rock and roll?" (trecho de "The Best is Yet to Come" traduzido)



Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Scorpions
Álbum: Sting in the Tail
Ano: 2010
Tipo: Hard Rock
País: Alemanha

Formação

Klaus Meine (Vocal)
Rudolf Schenker (Guitarra)
Pawel Maciwoda (Baixo)
Matthias Jabs (Guitarra)
James Kottak (Bateria)




Tracklist

01 - Raised on Rock
02 - Sting in the Tail
03 - Slave Me
04 - The Good Die Young (apresentando Tarja Turunen)
05 - No Limit
06 - Rock Zone
07 - Lorelei
08 - Turn You On
09 - Sly
10 - Spirit of Rock
11 - Best Is yet To Come

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Resenha de Shows: A Primeira Vez do Dream Theater em Porto Alegre e Uma Apresentação Perfeita, 16/03/10


Costuma-se dizer que a primeira vez a gente nunca esquece. Com certeza os cerca de 5 mil fãs que compareceram no Pepsi On Stage em Porto Alegre no último dia 16 sabem que isso é a pura verdade.

Com uma espera de mais de uma década (desde que a banda passou a vir ao Brasil regularmente), a capital gaúcha pode ver os norte-americanos do Dream Theater, mestres do Metal Progressivo, na sua turnê Latina Americana do álbum “Black Clouds and Silver Linings” (2009).

A banda já havia tocado no México e Argentina quando chegou no dia 15/03 em Porto Alegre, para fazer na noite seguinte a primeira de quatro apresentações no Brasil.


Havia muita expectativa quanto ao set list do show, afinal, a banda também é conhecida por variar bastante seu set list de show para show. Boatos circulavam na fila de espera (este que escreve estava lá desde as 08:00 da manhã) de que a banda daria mais atenção ao novo lançamento, fazendo um set list mais curto que de costume (quem foi nos shows em Buenos Aires disse que não durou mais de 90 minutos cada).

Mas, antes do Dream Theater subir ao palco, a atração local de abertura Richard Powell chega com sua guitarra e virtuosismo (afinal, aquele era a noite do Progressivo). Tocando sozinho (utilizando playback dos outros instrumentos), já que por causa da outra atração de abertura não havia espaço para a banda completa, agradou satisfatoriamente aos fãs, especialmente ao dos chamados Guitar Heroes, lembrando a sonoridade de Joe Satriani. Para animar mais a apresentação, Powell fecha com Van Halen, para delírio dos fãs de plantão.

Pouco depois de sair, Bgelf entra no palco. Logo chamam atenção pela presença no palco de instrumentos antigos, incluindo um órgão e teclados de distorção.

Bgelf foi convidada especialmente pelo Mike Portnoy (baterista do Dream Theater) para essa turnê, sendo a primeira vez do lendário (mas pouco conhecido) grupo de Rock progressivo montado ainda na década de 80 na Califórnia, EUA.

Muitas pessoas não conheciam a banda, mas saíram satisfeitas e
impressionadas com a presença de palco especialmente do vocalista e instrumentista Damon Fox, que, além de cantar com uma vocalização forte e bem pegada, também “viajou” com a psicodelia que conseguiu produzir no palco (sem falar na cartola que usou durante o inicio e fim do show).

Mas o restante da banda não deixa a desejar e tocam clássicos da carreira, como “Evil Rock and Roll” e “Blackball” (essa pedida em coro por quem conhecia a banda).

Se mostraram bastante receptivos e ganham a platéia, inclusive o vocalista brincando com as meninas e filmando as 5 mil pessoas gritando o nome da banda. Com certeza, depois dessa noite, uma grande parcela que não conhecia a banda irá tentar ouvi-la em casa.


É chegada a hora quando a Bgelf sai do palco. Depois de alguns minutos enquanto a equipe do Dream Theater desmontava os instrumentos da banda de abertura, começou-se a ouvir uma artista cantando acusticamente “As I Am” e “Pull Me Under”, clássicos do grupo que estava para subir ao palco. Foi de arrepiar os fãs cantando junto frase por frase, para espanto dos rodies e da segurança.

Começa a rodar uma abertura com música clássica, e quando podíamos ver a sombra dos músicos e seus instrumentos atrás do pano do palco, a galera vai a loucura quando este cai e a banda toca “A Nightmare to Remember”, primeira faixa do último álbum. O som do público estava ensurdecedor, enquanto Portnoy ficava de pé e cumprimentava o público.


Outro estouro quando da chegada de James LaBrie (vocal) cantando os primeiros versos. Com a disposição já conhecida da banda, John Myung (baixo) estava à esquerda do palco, à frente de Jordan Rudess (teclados), enquanto John Petrucci (guitarra) ocupava o lado oposto e James corria pelo palco, chegando muito perto do público várias vezes.

Enquanto os telões (um da cada lado do palco e outro ao fundo) mostravam a banda e cenas da produção, o grupo continua com “A Rite of Passage”, seguindo o previsto de que a banda estaria tocando mais músicas do novo álbum.

Interessante como o público em geral sabia cada letra dessas músicas, mesmo o álbum sendo recente, o que demonstra o carinho e admiração que os músicos tem aqui no Brasil.


Quando as caixas de som começam a tocar os sons saídos do teclados de Rudess e um solo atmosférico de Petrucci, muitos sentem que aí vem um dos maiores clássicos da banda: “Hollow Years” (do álbum de 1997 “Falling Into Infinity”) ecoa por todo o Pepsi On Stage, e James retorna ao palco com seu banquinho enquanto canta.

Vi gente chorar nessa canção e que com certeza foi um dos pontos altos do show, inclusive com o grupo mudando alguns acordes e o pré-refrão, em relação ao original do disco. Com essa, começa a enxurrada de surpresas.

A banda entra quebrando tudo com “Constant Motion” (do álbum “Systematic Chaos” de 2007), mostrando que o Pepsi On Stage tem estrutura para suportar o show do grupo, já que o áudio estava perfeito, todos os instrumentos eram audíveis.


Quando Rudess novamente puxa (após um solo curto e intenso, seguindo uma animação nos telões do “Mago Jordan”) para mais um clássico, seu teclado anuncia “Erotomania”, uma das grandes surpresas da noite, canção essa instrumental do disco “Awake” (1994). A galera enlouquece e não é pra menos. Uma parada na parte final da música dá um clima de expectativa, eu acreditando que o grupo iria realizar apenas um Medley de clássicos. Mas me engano e eles continuam com a canção, emendando com “Voices”. Assim, tivemos uma dobradinha do disco de 1994, o que foi uma grande surpesa, mesmo a banda já tendo tocado elas nessa ordem em outras turnês.

O vocal de James está impecável e a impressão que tínhamos era de estar vendo um DVD do grupo, tamanha a técnica de seus membros e qualidade de som e imagem do show.


O teclado de Rudess denuncia que mais uma grande surpresa se fará. James começa a cantar “Where did We Come From?”, e foi de arrepiar o dueto entre os dois e a interpretação emocionante do vocalista nessa bela canção do álbum “Scenes From a Memory” (1999). “The Spirit Carries On” não era esperada por ninguém e um clima calmo toma conta de todos, pessoas com as mãos levantadas, balançando de uma lado para o outro, enquanto um jogo de luzes azuis tomava todo o lugar, e o telão passava cenas de um céu azul.

Após essa, um mini-trecho inicial de “Metropolis” e a banda começa “As I Am”, música que se tornou um dos clássicos da banda (do disco “Train of Thought”). Incrível como o público em geral queria essa canção, mas muitos acreditavam que não veriam a banda tocando-a, já que em Buenos Aires optaram por “In The Name of God”, do mesmo álbum.

O público cantando a canç
ão era ensurdecedor, e no refrão a voz de James simplesmente sumia perante as milhares de vozes que critavam “Take Me As I Am”.

Outra surpresa foi a banda tocar um medley de “Pull Me Under” e “Metropolis”, ambas do segundo álbum da banda, “Images and Words” (1992), primeiro com o atual vocalista. Aqui o Pepsi On Stage foi ao chão, afinal, dois dos maiores clássicos do Metal Progressivo de todos os tempos eram executados pela primeira vez em Porto Alegre.

Ao fundo, cenas de uma cidade, de alguma metrópole enquanto a banda mostra que sabe fazer um show eletrizante, calando a boca de quem esperava calmaria.

Sabíamos que o show estava chegando ao fim e o desejo de que a banda voltasse para um bis tomou conta de todos quando estes de despedem e saem do palco.


Logo, a banda retorna e os dedilhados inicias de “A Count of Tuscany”, faixa que fecha o álbum de 2009 é ouvida. Foi de arrepiar e os seus mais de 19 minutos (a versão ao vivo foi maior devido aos solos mais extensos), afinal, trata-se de mais um clássico e, para este que escreve, a melhor faixa do último trabalho do Dream Theater.

Repete o fato de todos estarem cantando a música e, certo momento, tudo se apaga e Rudess traz a atmosfera seguida de Petrucci que com sua guitarra prepara o terreno para a passagem acústica da música, de arrepiar e ali posso dizer que me emocionei, tamanha a majestade que estava vendo ao vivo.


Ao término da canção, a banda se despede, sendo muito ovacionada, assim como eles ovacionam ao público, numa clara demonstração de humildade e gratidão nessa terra em que tocam pela primeira vez e que só sabe agradecer a oportunidade de tê-los nessa noite que será para lembrar a vida toda.

Stay on a Dream

Texto: EddieHead

Fotos: site POA Show

Set List Dream Theater

A Nightmare to Remember
A Rite of Passage
Hollow Years
Constant Motion
Erotomania
Voices
The Spirit Carries On
As I Am
Pull Me Under/Metropolis
A Count of Tuscany

Black Metal com Pitadas Folk


Rotting Christ nunca foi uma banda de Folk Metal, mas no seu mais recente disco se aproximou bastante disso.

“AEALO” (2010) é o décimo álbum que traz a banda grega com seu conhecido Black Metal carregado, ora com melodias, ora mais parecido com o Black Metal oitentista norueguês, agora com algumas passagens que lembram o Folk Metal, estilo esse que tem ganhado muitos adeptos nos últimos anos.


O álbum conta com 10 faixas, além de um bônus com o cover de “Orders From the Dead” da pianista e cantora Diamanda Galás (norte-americana filha de gregos). Como se trata de um disco conceitual, as faixas seguem uma linha bastante semelhante, mas que não torna o disco enjoativo, pelo menos nas primeiras audições.

Faixas como “Fire, Death and Fear”, “Noctis Era”, “AEALO” e “Santa Muerte”
são admiráveis, cuja união desses dois estilos de se fazer Metal traz um grupo que tem ousado em seus discos, e para melhor, na medida em que se diferencia das bandas que, em vários aspectos, assemelham-se umas com as outras em ambos os gêneros.

Aos apreciadores de Folk e Black Metal, eis um presente para vocês. Aos fãs da do Rotting Christ, admire essa banda em seu potencial total.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica

Banda: Rotting Christ
Álbum: AEALO
Ano: 2010
Tipo: Black Metal/Folk Metal
País: Grécia

Formação

Sakis (vocais e guitarra)
Themis (Bateria)
Andreas (Baixo)
George (Guitarra)




Tracklist

01 – AEALO
02 - Eon Aenaos
03 - Demonon Vrosis
04 - Noctis Era
05 - dub-sag-ta-ke
06 – Fire, Death And Fear
07 - Nekron Lahes...
08 - ...Pir Threontai
09 - Thou Art Lord
10 - Santa Muerte
11 - Orders From The Dead (Cover de Diamanda Galas)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Matéria Especial: Black Sabbath Completa 4 Décadas- Parte I


Este ano que está quase chegando na sua metade é muito especial para o Heavy Metal e o Rock em geral, afinal, fazem exatamente 40 anos desde que quatro ousados músicos de Blues Rock resolveram inovar criando um estilo de música e uma filosofia de vida que iria mudar o mundo da música nas próximas décadas.

Em 1970, o Black Sabbath, antes conhecido como Earth (mas abandonam o nome e o Blues pois havia um grupo com o mesmo nome e som semelhante), lançam o álbum homônimo, mostrando primeiramente para toda a Inglaterra e depois o mundo o que Tony Iommi (Guitarra), Geezer Butler (Baixo), Ozzy Osbourne (Vocais) e Bill Ward (Bateria) eram capazes.


Nascia, oficialmente, o Heavy Metal. Os caras se intitulavam antes de mais nada como uma banda de Rock ‘n Roll, mas isso estava mais para modéstia do que qualquer outra coisa, pois a sonoridade da banda trouxe algo que jamais alguém fez: colocar um peso absurdo para a época nas guitarras, um baixo tocado com agressividade, uma bateria rápida e um vocal cantando sobre temas outros que aqueles costumeiros da época, oriunda ainda do movimento Hippie.

Não imaginavam que seus crucifixos pendurados no peito se tornariam uma marca registrada no mundo do Rock, nem que teriam várias de suas músicas regravadas pelos maiores ícones do Rock e Metal anos depois, nem que alcançariam fama e dinheiro, tendo como membros muitos dos melhores músicos do mundo.


O álbum “Black Sabbath” (1970) causou furor no cenário, mesmo que não um sucesso propriamente dito (que viria a acontecer anos depois). A capa, uma “bruxa” a frente de uma casa num bosque. Conta a lenda que essa foto foi tirada apenas da casa e ela apareceu, outra lenda conta que ninguém abe quem tirou a foto e nem nunca mais se viu a mulher da capa.

Em termos musicais, é desse disco os clássicos absolutos do Heavy Metal: “Black Sabbath” (um verdadeiro hino), “N.I.B.” (“cantada” por Lúcifer cuja introdução de Geezer Butler ainda tira suspiros dos amantes de baixo), “The Wizard” (com uma gaita de boca fenomenal) e “Behind the Wall of Sleep” (canção baseada no conto de Horror de H.P. Lovecraft).

O contrato com uma pequena gravadora os leva a fazer poucos shows e nenhuma turnê propriamente dita para divulgar o álbum. Assim, no mesmo ano, sob pressão, sai o segundo disco do grupo que viria a alcançar maior sucesso imediato, inclusive com um dos maiores clássicos do Rock ficando entre os primeiros lugares na parada britânica: Paranoid.

O álbum de mesmo nome sai em 1970 e mantêm e até intensifica a atmosférica pesada e obscura que caracterizaria a banda para todo o sempre. O álbum começa com nada menos que “War Pigs”, canção essa de absoluta perfeição que é difícil não sentir suas entranhas se mexerem. A música faz uma critica a guerra, mas de um modo mais realista e forte do que os Hippies costumavam fazer.


Segue a faixa-título, escrita em 30 minutos no próprio estúdio de gravação. Uma curiosidade interessante se refere novamente à capa do disco. A banda conta que a banda iria chamar o disco de “War Pigs”, inclusive você pode perceber que se trata de um soldado na capa, porém a gravadora queria uma música mais direta para ser single, criando assim então “Paranoid”, cujo riff de guitarra de Iommi é tão conhecido quanto o de Ritchie Blackmore em “Smoke on the Water” do Deep Purple.


Assim, a música é criada, com uma letra meio maluco, reflexo da pressão de criar um som mais rápido e direto. A gravadora resolve apostar e muda o nome do disco, sem mudar a capa.

É desse álbum também outro clássico absoluto chamado “Iron Man”, canção sobre o personagem de quadrinhos de mesmo nome.


“Eletric Funeral” também é do disco em questão, além da engraçadíssima e “chapada” “Fairy Wears Boots”, cuja história fala de um cara que vê fadas usando botas e vai ao médico e esse lhe recomenda parar de fumar. Anos mais tarde Iommi conta que a música foi uma sátira com os Skinheads, cujos quais usam botas de cano longo. Certa vez, antes ainda de gravarem qualquer coisa, Iommi teve seu braço quebrado numa briga com os Skinheads e conta a lenda que do outro lado estava Ozzy Osbourne (se careca, não sei).

Como dá para perceber, a banda é cheia de mistérios e lendas.

Com o álbum puderam fazer alguns shows em cidades da Inglaterra que não esperavam conhecer, e a legião de fãs de show a show, bem como problemas com as autoridades locais serviram a banda para serem cada vez mais vistas e o papo de que um quarteto estava fazendo a música mais pesada e obscura de todos os tempos atraia em muito o interesse dos jovens.


Em 1971 o disco terceiro “Master of Reality” sai e de cara a música de abertura conta um case de amor com a maconha (“Sweet Leaf”, “Doce Folha” é um nome bem apropriado). É desse disco também um clássico que os caras nunca deixaram de tocar, independente da formação que estavam: “Children of the Grave”. Essa é de certa forma uma continuação de “War Pigs”, na medida em que faz novamente um alerta sobre a possibilidade de nova Guerra Mundial e atômica. Deveriam passar esse som para as crianças na escola.


É do mesmo disco “After Forever” que embora não sendo um dos maiores clássicos, é perfeita. O mesmo acontece com “Lord of This World” e “Into the Void”, essa última sendo tocada por muitos anos, inclusive como abertura de shows.

O grupo dá uma guinada no seu som, para muito evoluindo, outros questionam o novo rumo tomado. Mas mesmo assim ainda era Black Sabbath. Falamos do disco “Vol. 4”, que, novamente, sem ideias da gravadora para um título (a banda queria chamá-lo de “Snowblind”), ficou assim mesmo.

Nessa altura a banda já estava até fazendo shows nos EUA, e desse disco sai seu primeiro registro ao vivo, alguns anos mais tarde, “Live at Least”, porém, foi uma jogada do antigo empresário da banda e o disco só é oficializado há poucos anos atrás.

Interessante que o maior clássico do disco é a balada “Changes”, que conta com um teclado fraco, um piano e a voz esquisita do Ozzy apenas. Porém, “Supernaut” também se torna um semi-clássico, ao lado de “Snowblind” e “Under the Sun” (até mesmo Soulfly regravou essa música).

Como se pode perceber, a cada álbum os clássicos foram diminuindo e isso os fãs perceberam.

O Começo do Fim


No ano seguinte, “Sabbath Bloody Sabbath” (1973) mantêm o ritmo do disco anterior, abusando mais dos teclados de Geof Nichols (músico contratado), trazendo apenas a caixa-título como seu maior clássico.

Porém, o disco marca a maior turnê até então da banda e também o fim da fase áurea da banda que, a partir de 1975 passa a declinar.


E nesse ano que sai o sexto disco do grupo, “Sabotage” (1975), que embora tenha mais sons interessantes que os dois últimos, foi o de menor sucesso comercial desde “Paranoid”.

Mas para quem não liga nisso, é desse disco as ótimas “Hole in the Sky” (uma das melhoras músicas da banda), “Symptom Of The Universe” também se torna um grande petardo da banda. As demais trazem uma banda quase psicodélica, isto é, com sons estranhos e letras seguindo na mesma linha, falando por exemplo sobre a loucura.


Mas as coisas começam a decair realmente no disco seguinte, lançado em 1976 chamado “Technical Ecstasy”. O disco é até então o mais estranho e diferente da carreira da banda. Sendo uma clara interferência da gravadora, além da banda estar no ápice da relação entre os músicos, além do abuso de drogas.

Aqui já não se encontra mais a atmosfera sombria da banda, nem temas “macabros”. As oito faixas estão mais para um Hard Rock, com muita percussão e teclados, deixando o som bastante artificial, além da grande maioria das músicas não empolgarem nada. “It’s Alright” é cantada pelo baterista Bill Ward e ficou interessante, mas não para um disco do Sabbath. Único destaque fica para “You Won’t Change Me”.


A turnê desse álbum é um fracasso, com a banda tocando para públicos irrisórios e em muitas apresentações sendo a banda de abertura de grupos como Blue Öyster Cult. Esse parecia o fim da banda, e Ozzy Osbourne anuncia sua saída d abanda, após brigas com Iommi, ao acusar este de querer sempre fazer longos e enjoativos solos de guitarra nos shows.

Porém, a gravadora pressiona para mais um álbum e eis que sai “Never Say Die” (1978), último disco dessa formação que jamais gravaria outro álbum inédito.

O disco segue a linha do anterior, descaracterizando a banda completamente. Porém, para este que vos escreve, o disco é muito melhor que o anterior, trazendo o grupo mais voltado para o Rock e com passagens de Blues, influência direta de Iommi.


A faixa-título é a melhor do disco, inclusive sendo regravada magistralmente pelo Megadeth muitos anos depois. Também destaca-se “Johnny Blade”, com muitos teclados mas um clima legal. É de curtir “Junior’s Eyes” e “A Hard Road”, faixa essa que recebeu um vídeo clipe e que marcou o último material gravado com Ozzy Osbourne.

A banda resolve dar um tempo e Ozzy finalmente sai e seu futuro é incerto, até que em 1980 inicia sua carreira solo que colocaria inveja em termos de sucesso no Sabbath, banda essa que passaria ao longo da década seguinte por muitas mudanças na formação, no som, almejando ora sucesso, ora anonimato. Mas essa é outra história que continuaremos na segunda parte dessa homenagem aos pais do Metal.

Stay on the Road

Texto: EddieHead