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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Kamelot: Grandioso Por Natureza (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Depois de mais de três décadas de carreira, o Kamelot já não precisa provar que sabe construir mundos. Dark Asylum, seu 14º álbum de estúdio, apenas leva essa habilidade a um território ainda mais sombrio, teatral e cinematográfico. 

Ambientado no fictício RavenHill Asylum, o disco mergulha em temas como identidade, loucura, fé e transformação, combinando narrativa conceitual, orquestrações grandiosas e o power metal melódico que se tornou a assinatura da banda. Mais do que reinventar sua fórmula, o Kamelot a refina — e, em vários momentos, parece reencontrar justamente os elementos que fizeram de sua música uma referência dentro do metal sinfônico.

A introdução “Sanctorium” estabelece o cenário antes mesmo que a primeira música propriamente dita comece. Narração e piano constroem uma atmosfera inquietante, preparando a entrada de “Ashen World”, primeiro single e uma das faixas que melhor resumem a proposta do álbum. A guitarra veloz abre caminho para a entrada de Tommy Karevik, que novamente demonstra por que se tornou uma das vozes mais importantes do metal contemporâneo. 

Seu registro é simultaneamente poderoso e teatral, enquanto as orquestrações ampliam a dimensão épica da composição. A participação de Ignacia Fernández, com seus vocais guturais, introduz um contraste agressivo que ajuda a estabelecer desde cedo a atmosfera mais obscura de Dark Asylum.

A faixa-título aprofunda essa sensação. “Dark Asylum” começa pesada e sombria, mas progressivamente incorpora melodias mais marcantes e mudanças de andamento que acrescentam uma discreta dimensão progressiva à composição. O trabalho de Thomas Youngblood, particularmente no solo, encontra excelente contraponto nos teclados de Oliver Palotai. É uma composição que reúne praticamente todos os elementos que o público espera do Kamelot sem soar como mera repetição de fórmulas.

“Sanctuary” reduz o andamento e amplia consideravelmente o peso dramático. Com Karevik, Clémentine Delauney e Ignacia Fernández dividindo os vocais, a música explora diferentes registros e perspectivas dentro da narrativa. A alternância entre voz limpa, vocais guturais e os efeitos vocais utilizados pela banda cria um dos momentos mais sombrios do álbum, enquanto o refrão devolve à composição sua característica melódica. É um exemplo particularmente eficiente de como o Kamelot utiliza seus convidados para ampliar a paleta sonora sem perder a própria identidade.

Depois da breve e enigmática “Nocte Veritas”, “One Last Masquerade” coloca Tobias Sammet ao lado de Karevik. A combinação funciona naturalmente: o peso dramático de Sammet encontra a versatilidade do vocalista do Kamelot em uma composição de power metal melódico, sustentada por um refrão amplo e repleta de nuances vocais. A produção de Sascha Paeth, que retorna ao comando do Kamelot, também se faz sentir aqui. Há uma textura ligeiramente mais áspera e orgânica nos arranjos, acrescentando personalidade a uma produção que, de modo geral, é extremamente limpa e detalhada.

“Ivy, My Dear” representa uma mudança significativa de atmosfera. Construída sobre instrumentos acústicos, a balada introduz uma dimensão quase medieval que ainda não havia aparecido com tanta força no álbum. Karevik aproveita o espaço para explorar sua faceta mais teatral, alternando delicadeza e potência e alcançando regiões de sua voz pouco exploradas nas faixas anteriores. A composição é particularmente rica em detalhes e, dentro do conceito de Dark Asylum, funciona quase como uma peça de trilha sonora.

Se existe uma música que resume o Kamelot em sua forma mais imediatamente reconhecível, é “Godlike Alchemy”. Segundo single do álbum, a faixa reúne velocidade, melodias marcantes, orquestrações e um refrão construído para permanecer na memória depois da primeira audição. As linhas vocais e instrumentais caminham praticamente em uníssono, criando um daqueles momentos em que a grandiosidade da banda não depende do excesso, mas da eficiência da composição.

“The Sleeping Mind (Orphic Paradigm)” acelera novamente o ritmo. Mais direta e menos ornamentada, a faixa aproxima-se do Kamelot mais tradicional e oferece a Alex Landenburg uma oportunidade de mostrar seu trabalho de bateria, especialmente nos dois bumbos. O piano que antecede o solo de Youngblood é outro detalhe bem resolvido em uma composição que privilegia velocidade e impacto.

“Kaleidoscope” retoma as orquestrações e os grandes coros, funcionando como uma síntese bastante eficiente do lado power metal melódico da banda. As mudanças de andamento são acompanhadas por uma base instrumental extremamente coesa, enquanto teclados, guitarras e vocais se encaixam sem que nenhum elemento pareça deslocado. Karevik novamente brinca com diferentes possibilidades vocais, mantendo a música acessível mesmo quando sua estrutura se torna mais elaborada.

“Enigma (Think of Me)” surpreende pela dinâmica. Uma introdução que parece anunciar uma balada dá lugar a uma passagem pesada e quebrada, antes de a música reduzir novamente sua intensidade para piano e voz. O resultado é um dos momentos mais interessantes do álbum justamente por trabalhar com contraste. E, apesar das mudanças, há uma constante: em nenhum momento o Kamelot deixa de soar como Kamelot. Para alguns ouvintes, essa familiaridade poderá ser interpretada como falta de ousadia; para outros, é exatamente o que torna Dark Asylum tão convincente.

“Cassandra's Disease” reforça essa capacidade de alternar atmosferas. Piano e guitarra pesada dividem espaço em uma composição de andamento quebrado e forte caráter teatral, permitindo que Karevik explore novamente toda a extensão de sua interpretação. O refrão extremamente melódico, reforçado por backing vocals bem posicionados, acrescenta uma nova camada à narrativa e mantém a sensação de mistério que percorre todo o álbum.

Um dos maiores pontos de ruptura vem com “Beneath the Moon (Tunglið)”. Cantada em islandês por Rannveig Sif Sigurðardóttir, com a participação vocal de Sólveig Sara Leupold e violino de Lea-Sophie Fischer, do Eluveitie, a faixa abandona momentaneamente o núcleo mais tradicional do Kamelot para mergulhar em uma atmosfera folk-gótica. 

A presença de Rannveig tem ainda um significado especial para os seguidores antigos da banda: a soprano islandesa já havia participado de The Fourth Legacy, de 1999, na faixa “The Inquisitor”. Quase três décadas depois, seu retorno estabelece uma inesperada ponte com o passado do Kamelot. O resultado é uma das experiências mais particulares do álbum.

“The Puppet King” recoloca a banda em terreno familiar, mas sem abandonar as nuances construídas ao longo do disco. Guitarras rápidas, mudanças rítmicas, teclados cuidadosamente integrados e uma base extremamente coesa servem de suporte para outra grande interpretação de Karevik. O solo é econômico e eficiente, e o momento em que a instrumentação desaparece para deixar apenas a voz prepara adequadamente a chegada do último refrão.

“Sanctum Requiem” encerra o álbum de maneira coerente com seu conceito. Instrumental e dominada pelo piano, a composição abandona a velocidade e deixa no ar uma atmosfera sombria e contemplativa. Mais do que um simples encerramento, funciona como o último capítulo de uma história que começou a ser construída antes mesmo da primeira faixa.

"Dark Asylum" não é um álbum que procura reinventar o Kamelot — e talvez essa seja justamente sua maior força. A banda parece compreender que sua identidade já é suficientemente poderosa para não precisar ser constantemente desconstruída. O que existe aqui é um trabalho mais maduro e complexo, mas também surpreendentemente acessível, no qual o power metal melódico, as orquestrações e a teatralidade são utilizados com precisão.

As 15 faixas podem, à primeira vista, sugerir uma experiência excessivamente longa, mas a variedade de atmosferas e a quantidade de detalhes impedem que o álbum se torne cansativo. Algumas composições são curtas e funcionam como elementos de transição dentro do conceito, enquanto outras assumem proporções mais épicas. A sequência é cuidadosamente construída e recompensa audições repetidas.

Também merece destaque a produção de Sascha Paeth, responsável por recuperar uma sonoridade ligeiramente mais orgânica sem abrir mão da clareza característica das produções modernas, enquanto Jacob Hansen garante uma mixagem e masterização que permitem que cada camada encontre seu espaço. Guitarras, teclados, orquestrações, coros e bateria formam um conjunto monumental, mas nunca excessivamente congestionado.

Acima de tudo, porém, Dark Asylum pertence a Tommy Karevik. Sua interpretação atravessa todo o álbum, passando da delicadeza à dramaticidade, do registro mais melódico aos momentos de maior intensidade, sempre com controle e personalidade. Se a intenção do Kamelot era construir uma experiência conceitual capaz de unir narrativa, atmosfera e grandes canções, encontrou em seu vocalista o intérprete ideal.

No fim, Dark Asylum é menos uma reinvenção do que uma reafirmação. O Kamelot conhece profundamente a linguagem que ajudou a consolidar e demonstra aqui que ainda é capaz de utilizá-la com inteligência, riqueza de detalhes e, sobretudo, boas canções. É um álbum que deve satisfazer plenamente os fãs de longa data, mas que também oferece uma excelente porta de entrada para quem procura power metal melódico com ambição sinfônica e teatral. Depois de tantos anos, o Kamelot não precisa abrir um novo caminho. Basta mostrar, com a segurança de quem conhece o território, por que continua sendo um dos nomes mais relevantes dentro dele.


***ENGLISH VERSION***

After more than three decades of career, Kamelot no longer needs to prove that it knows how to build worlds. Dark Asylum, the band’s 14th studio album, simply takes that ability into darker, more theatrical and cinematic territory. Set within the fictional RavenHill Asylum, the record delves into themes of identity, madness, faith and transformation, combining a conceptual narrative, grand orchestral arrangements and the melodic power metal that has become the band’s trademark. Rather than reinventing their formula, Kamelot refines it — and, at several points, seems to rediscover precisely the elements that made the band such an important name in symphonic metal.

The introduction “Sanctorium” establishes the setting before the first proper song even begins. Narration and piano create an unsettling atmosphere, preparing the arrival of “Ashen World”, the first single and one of the tracks that best summarizes the album’s concept. Fast guitars pave the way for Tommy Karevik’s entrance, once again demonstrating why he has become one of contemporary metal’s most important vocalists. His voice is both powerful and theatrical, while the orchestral arrangements expand the song’s epic dimension. The contribution of Ignacia Fernández, with her guttural vocals, provides an aggressive contrast that helps establish the darker atmosphere of Dark Asylum from the outset.

The title track deepens that feeling. “Dark Asylum” begins heavy and ominous, but gradually incorporates more prominent melodies and tempo changes that add a subtle progressive dimension to the composition. Thomas Youngblood’s work, particularly on the solo, finds an excellent counterpart in Oliver Palotai’s keyboards. It is a composition that brings together virtually every element listeners expect from Kamelot without sounding like a mere repetition of old formulas.

“Sanctuary” slows the pace and considerably increases the dramatic weight. With Karevik, Clémentine Delauney and Ignacia Fernández sharing vocal duties, the song explores different registers and perspectives within the narrative. The alternation between clean vocals, gutturals and the vocal effects employed by the band creates one of the album’s darkest moments, while the chorus restores its trademark melodic character. It is a particularly effective example of how Kamelot uses its guests to expand its sonic palette without compromising its own identity.

After the brief and enigmatic “Nocte Veritas”, “One Last Masquerade” brings Tobias Sammet together with Karevik. The combination works naturally: Sammet’s dramatic presence meets the versatility of Kamelot’s vocalist in a melodic power metal composition built around a broad, anthemic chorus and filled with vocal nuances. The production of Sascha Paeth, who returns to the helm of Kamelot, is also evident here. There is a slightly rougher, more organic texture to the arrangements, adding character to an album whose production is otherwise exceptionally clean and detailed.

“Ivy, My Dear” represents a significant change of atmosphere. Built around acoustic instrumentation, the ballad introduces an almost medieval dimension that had not appeared with such force earlier in the album. Karevik uses the space to explore his more theatrical side, moving between delicacy and power and reaching areas of his voice that had not been explored in the preceding tracks. The composition is particularly rich in detail and, within the concept of Dark Asylum, almost functions as a piece of soundtrack music.

If there is one song that sums up Kamelot in its most immediately recognizable form, it is “Godlike Alchemy”. The album’s second single brings together speed, memorable melodies, orchestration and a chorus designed to stay in the listener’s head after the first spin. The vocal and instrumental lines move almost in unison, creating one of those moments where the band’s grandeur depends not on excess, but on the efficiency of the songwriting.

“The Sleeping Mind (Orphic Paradigm)” picks up the pace again. More direct and less ornate, the track brings Kamelot closer to its traditional sound and gives Alex Landenburg an opportunity to showcase his drumming, particularly his double-bass work. The piano leading into Youngblood’s solo is another well-executed detail in a composition that prioritizes speed and impact.

“Kaleidoscope” brings back the orchestration and huge choirs, working as a highly effective synthesis of the band’s melodic power metal side. The tempo changes are supported by an exceptionally tight instrumental foundation, while keyboards, guitars and vocals fit together without any element feeling out of place. Karevik once again plays with different vocal approaches, keeping the song accessible even as its structure becomes more elaborate.

“Enigma (Think of Me)” surprises through its dynamics. An introduction that initially appears to announce a ballad gives way to a heavy, broken section before the song once again strips down to piano and vocals. The result is one of the album’s most interesting moments precisely because it works through contrast. And despite all the changes, there is one constant: Kamelot never stops sounding like Kamelot. For some listeners, that familiarity may be interpreted as a lack of adventurousness; for others, it is precisely what makes Dark Asylum so convincing.

“Cassandra’s Disease” reinforces the band’s ability to shift atmospheres. Piano and heavy guitar share the spotlight in a composition built around a broken rhythm and a strong theatrical character, once again allowing Karevik to explore the full range of his performance. The extremely melodic chorus, reinforced by well-placed backing vocals, adds another layer to the narrative while maintaining the sense of mystery that runs throughout the album.

One of the biggest departures comes with “Beneath the Moon (Tunglið)”. Sung in Icelandic by Rannveig Sif Sigurðardóttir, with vocal contributions from Sólveig Sara Leupold and violin by Lea-Sophie Fischer of Eluveitie, the song temporarily abandons Kamelot’s more traditional core to delve into a folk-gothic atmosphere. Rannveig’s presence carries an added significance for longtime followers of the band: the Icelandic soprano previously appeared on The Fourth Legacy, from 1999, on “The Inquisitor”. Almost three decades later, her return creates an unexpected bridge to Kamelot’s past. The result is one of the album’s most distinctive experiences.

“The Puppet King” brings the band back onto familiar ground without abandoning the nuances developed throughout the record. Fast guitars, rhythmic shifts, carefully integrated keyboards and an extremely tight rhythm section provide the foundation for another powerful performance from Karevik. The solo is economical and effective, while the moment when the instrumentation drops away to leave only the voice appropriately sets up the arrival of the final chorus.

“Sanctum Requiem” closes the album in a way that is entirely consistent with its concept. Instrumental and dominated by piano, the composition leaves behind the speed and creates a dark, contemplative atmosphere. More than simply an ending, it functions as the final chapter of a story that began taking shape even before the first track.

Dark Asylum is not an album that seeks to reinvent Kamelot — and perhaps that is precisely its greatest strength. The band seems to understand that its identity is already powerful enough that it does not need to be constantly dismantled and rebuilt. What we have here is a more mature and complex work that is also surprisingly accessible, in which melodic power metal, orchestration and theatricality are used with precision.

The 15-track running time may initially suggest an overly long experience, but the variety of atmospheres and sheer amount of detail prevent the album from becoming tiring. Some compositions are short and work as transitional elements within the concept, while others take on more epic proportions. The sequencing is carefully constructed and rewards repeated listens.

Sascha Paeth’s production also deserves special mention, bringing back a slightly more organic sound without sacrificing the clarity associated with modern productions, while Jacob Hansen’s mixing and mastering ensure that every layer finds its place. Guitars, keyboards, orchestration, choirs and drums form a monumental whole without ever becoming excessively congested.

Above all, however, Dark Asylum belongs to Tommy Karevik. His performance runs through the entire album, moving from delicacy to drama, from melodic passages to moments of greater intensity, always with control and personality. If Kamelot’s intention was to create a conceptual experience capable of bringing together narrative, atmosphere and great songs, they found the ideal interpreter in their vocalist.

In the end, Dark Asylum is less a reinvention than a reaffirmation. Kamelot knows the language it helped establish intimately, and here the band demonstrates that it can still use it with intelligence, attention to detail and, above all, strong songwriting. It should fully satisfy longtime fans, while also providing an excellent entry point for anyone looking for melodic power metal with symphonic ambition and theatrical flair. After all these years, Kamelot does not need to forge a new path. It only needs to show, with the confidence of a band that knows the territory inside out, why it remains one of the most relevant names within it.

Natalie Enemede


terça-feira, 29 de julho de 2025

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 05/07/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Em clima de muita nostalgia, Edu Falaschi trouxe novamente a São Paulo, no último dia 5 de julho, o show da Temple of Shadows In Concert, celebrando 20 anos do aclamado Temple of Shadows, do Angra. Junto com ele, o renomado vocalista norueguês Roy Khan relembrou sua bem-sucedida passagem pelo Kamelot, tocando boa parte do incrível The Black Halo. 

O clima nostálgico estava no ar, pois seriam executados 2 dos grandes álbuns que estavam completando seus 20 anos, ano em que o Heavy Metal Progressivo estava em alta entre os fãs do estilo. Se notava isso pela enorme quantidade de faz usando camisetas do Angra e do Kamelot, antigas bandas dos dois vocalistas principais da noite. 

A abertura dessa noite mágica ficou por conta da banda baiana de metal Auro Control. O primeiro trabalho da banda, The Harp, foi lançado em maio de 2024 e contou com participações de peso, como Aquiles Priester e Jeff Scott Soto. A banda fez uma apresentação curta, com apenas cinco músicas, que foram muito bem executadas, apesar de algumas falhas técnicas, que voltariam a se repetir no show seguinte. 

Mesmo com o público ainda chegando ao Tokio Marine, eles conseguiram esquentar a galera para o que ainda estava por vir. Um show curto, direto ao ponto, que com certeza rendeu novos fãs para a banda.

Logo em seguida, tivemos o show da Noturnall, que já nos primeiros momentos demonstrou muita personalidade e experiência de palco. Infelizmente, a banda enfrentou sérios problemas técnicos, que voltaram a acontecer com mais intensidade. Logo no início, o vocalista Thiago Bianchi teve dificuldades com o microfone, chegando a precisar trocar o equipamento em alguns momentos.

Esses contratempos acabaram impactando diretamente o setlist, que precisou ser reduzido e adaptado com improvisos. Ainda assim, a banda se manteve firme, contando com o carisma e a bagagem de Thiago para manter o público conectado.

Vale também destacar o guitarrista Guilherme Torres, novo integrante da banda, que mesmo sendo jovem demonstrou grande maturidade ao lidar com os problemas que, infelizmente, recaíram sobre ele.

No final, a banda mostrou carisma e bom humor para lidar com a situação, e o público reconheceu o esforço com muitos aplausos e gritos de apoio. Apesar das dificuldades, foi uma apresentação marcante, que deixou a galera ainda mais animada para o que viria nessa noite especial em São Paulo.

Quando os músicos da ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM DE ARTUR NOGUEIRA começaram a se posicionar no palco, já era possível perceber que estávamos prestes a presenciar uma noite muito especial.

Eis que surge Roy Khan, abrindo o show com a poderosa “When the Lights Are Down”. Já nas primeiras estrofes, ficou claro o quanto sua voz continua impactante e como o tempo longe dos palcos parece ter feito bem ao vocalista. Vale lembrar que Edu Falaschi foi o principal responsável por essa nova fase da carreira de Roy - incentivando-o a lançar-se em carreira solo -, e São Paulo foi a cidade escolhida para esse recomeço.

Roy esteve impecável nas sete músicas escolhidas para compor o setlist, todas retiradas do aclamado álbum The Black Halo. O mais impressionante foi ouvi-las ao vivo com acompanhamento orquestral, o que deu um peso e uma grandiosidade ainda maiores ao show. A orquestra, regida pelo maestro Adriano Machado, teve papel fundamental nessa atmosfera épica. Também é preciso destacar a excelente performance da banda brasileira Maestrick, que acompanhou Roy durante todo o espetáculo, executando com maestria - fazendo jus ao nome da banda - cada canção do Kamelot. Mencionamos aqui os vocais de apoio de Juliana Rossi e do vocalista do Maestrick, Fabio Caldeira, que brilharam especialmente em diversos momentos da apresentação. 

Os arranjos orquestrais para “Moonlight”, “Soul Society” e “The Haunting (Somewhere in Time)” foram de tirar o fôlego – com destaque para essa última, que contou com a participação da versátil vocalista Adrienne Cowan, que também se apresentaria mais tarde com Edu Falaschi. Adrienne interpretou com perfeição as partes originalmente cantadas por Simone Simons (Epica).

O show seguiu com os belíssimos duetos de Adrienne e Roy em “Abandoned”, “Memento Mori” e, para fechar com chave de ouro, “March of Mephisto”. Essa última evidenciou por que Adrienne é considerada uma das vocalistas mais versáteis do heavy metal atual, executando com maestria os vocais guturais originalmente gravados por Shagrath, da banda de black metal sinfônico Dimmu Borgir. Nessa música, tivemos ainda a participação especial do guitarrista brasileiro Bill Hudson.

Roy Khan prometeu e cumpriu. Escolheu a dedo o repertório para entregar exatamente aquilo que os fãs desejavam ouvir. O show só reforçou que ele é um artista completo, pronto para desbravar sua carreira solo, assim como Edu fez em 2017 ao revisitar seu legado no Angra. Que Roy não se esqueça de nós, fãs brasileiros, nas próximas turnês que certamente virão.


22h30 em ponto, a Orquestra Sinfônica Jovem de Artur Nogueira, juntamente com seu maestro Adriano Machado, volta ao palco e se posiciona. As luzes se apagam e a introdução "Deus le Volt" anuncia o início do show e do disco Temple of Shadows.

Logo em seguida, com a empolgante "Spread Your Fire", Edu surge no palco e o Tokio Marine Hall vem abaixo. "Glorious" é cantada em uníssono por todos os fãs no refrão, como se estivessem lavando a alma. "Angels and Demons" dá sequência à catarse nostálgica e mostra que Edu está na sua melhor fase vocal – muitas críticas negativas e problemas com a voz no passado cairam por terra.


Em "Waiting Silence", Edu coloca o lugar inteiro para pular. Os excelentes arranjos para orquestra, executados sob a regência de Adriano Machado, caíram perfeitos na balada "Wishing Well".

O primeiro convidado – e um dos mais esperados da noite – sobe ao palco na apoteótica "Temple of Hate": Mr. Kai Hansen, o "inventor do Power Metal", como o próprio Edu o apresentou.


O que incomodou parte do público foi o fato de Kai ter ficado preso a um canto do palco, lendo a letra em quase toda a música. Alguns comentaram que parecia um karaokê. Como sua participação foi curta, muitos acharam que ele poderia, ao menos, ter decorado a letra. Puxões de orelha à parte, a presença de um ícone como ele numa noite tão emblemática foi a cereja do bolo.


A apresentação seguiu com a maravilhosa "Shadow Hunter", em que se notou certa dificuldade do guitarrista Victor Franco nas partes de violão: muitas notas não saíram e os dedilhados soaram atravessados e fora do tempo. Talvez pela falta de experiência com violão, nervosismo (ele está na banda há apenas quatro meses), ou ambos. Ainda assim, Edu brilha, mostrando uma voz poderosa e empolgante aos 53 anos.

"No Pain for the Dead", uma das músicas mais bonitas de toda a carreira de Edu e do Angra, contou com a participação de Adrienne Cowan, que interpretou as partes originalmente gravadas por Sabine Edelsbacher. Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Adrienne colocou sentimento e técnica nas partes solo, mostrando 100% de profissionalismo com toda a letra decorada. Ela permaneceu no palco para cantar as partes de Hansi Kürsch em "Winds of Destination".


Mais uma vez, "Sprouts of Time" teve problemas técnicos nas partes de violão, com notas que insistiam em não sair, mas isso não tirou o brilho dessa música incrível. A sequência continuou com "Morning Star", que teve pequenos desencontros de andamento entre os músicos, prontamente corrigidos pela competência da banda.

O disco se encerra com a emocionante "Late Redemption", em que Edu convida o público a cantar as partes originalmente gravadas por Milton Nascimento. Um lindo coro tomou conta do Tokio Marine, um grande acerto de Edu.

Temple of Shadows finalizado, Edu apresenta sua nova era com “The Ancestry”, do excelente disco solo Vera Cruz. Infelizmente, a música ainda é pouco conhecida entre os presentes, que estavam lá principalmente para celebrar o álbum lançado há 20 anos.

Um dos momentos mais surpreendentes do show foi a execução de "Bleeding Heart", música originalmente composta para o Angra, que foi regravada em português pela banda de forró Calcinha Preta. Edu cantou alguns trechos da versão nordestina em português, que foi entoada em alto e bom som pelo público.

Durante uma pausa no show, Edu agradeceu aos fãs que vieram de várias partes do mundo para assistir à apresentação – Japão, Guatemala, Chile, Estados Unidos, Argentina e Peru –, mostrando que esse foi realmente um show lendário.

Na hora de apresentar Pegasus Fantasy, Edu fez uma pegadinha com o público: “Vamos tocar uma música nova para vocês. Sempre bom tocar música nova ao vivo.” Quando a introdução começou, o público veio abaixo. Para quem não sabe, essa é a música de abertura do anime japonês Cavaleiros do Zodíaco, na qual Edu é a voz da versão brasileira.

Perto do final, não poderiam faltar os clássicos "Rebirth" e "Nova Era", hinos absolutos da fase de Edu no Angra.


A maior surpresa ficou para o encerramento: Edu chamou todos os convidados para tocar um clássico do Heavy Metal mundial: "I Want Out", do Helloween. Subiram ao palco Kai Hansen, Adrienne Cowan, Roy Khan e o próprio Edu nos vocais. Bill Hudson também retornou para dividir as guitarras com Kai, Diogo Mafra e Victor Franco.

Edu Falaschi levou o Tokio Marine Hall de volta à era de ouro do Power Metal no Brasil. Uma noite que ficará para sempre na memória dos fãs. Foi uma verdadeira viagem no tempo até 2005, com certeza.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Live Stage / Agência Artistica 

Press: TRM Press


Edu Falaschi – setlist: 

Spread Your Fire

Angels and Demons

Waiting Silence

Wishing Well

The Temple of Hate (com Kai Hansen)

The Shadow Hunter

No Pain for the Dead (com Adrienne Cowan)

Winds of Destination (com Adrienne Cowan)

Sprouts of Time

Morning Star

Late Redemption

The Ancestry

Bleeding Heart

Pegasus Fantasy

Bis

Rebirth

Nova Era

I Want Out (com Roy Khan, Kai Hansen, Adrienne Cowan, Bill Hudson)

domingo, 29 de junho de 2025

Entrevista: Roy Khan – Redescobrindo O Seu Amor Pelo Metal

Por Amanda Vasconcelos

Fotos: Amanda Vasconcelos (Roy Khan) e Caike Scheffer (Roy Khan e Edu Falaschi)

Roy Khan é um daqueles vocalistas que merecem uma posição de destaque no cenário do Metal – e de forma mais do que merecida –, sendo capaz de conquistar até os menos sensíveis com seu timbre angelical e elegante.

Afastado dos holofotes desde sua saída do Kamelot, em 2011, o norueguês vem reconquistando espaço desde que se reuniu novamente com o Conception. No entanto, foi após sua participação no show de Edu Falaschi, em janeiro do ano passado, em São Paulo, que Khan percebeu o quanto ainda pode ir além. A partir dessa experiência, decidiu investir em uma promissora carreira solo.

Essa nova fase começa oficialmente no próximo dia 5 de julho, com um show imperdível em que ele apresentará o clássico The Black Halo na íntegra, acompanhado por uma orquestra sinfônica.

Em meio aos ensaios, o vocalista conversou com o Road to Metal sobre esse novo momento da carreira. Confira a entrevista!


O que te levou a voltar a compor e cantar? Foi mais como um insight, um chamado interno ou você sentia falta da música no geral?  

RK: Bom, mesmo durante a minha pausa, eu ainda tocava um pouco de piano e compunha algumas músicas. Mas só quando me reconectei com o pessoal do Conception, em 2016, que realmente senti que era algo que eu queria muito fazer de novo, que é voltar à cena do metal.

Acho que foi uma combinação de um chamado interior e de sentir falta disso tudo. Ainda sou muito apaixonado por isso. Eu sou um pouco como um cavalo de circo. No fim das contas, eu meio que sabia que isso acabaria me puxando de volta. Então, aqui estou eu.

A sua forma de cantar através dos anos se transformou, e hoje além de transmitir mais leveza, é tão pessoal que dá a sensação de que você está conversando diretamente com quem te ouve. Esta transformação foi intencional considerando quem você é hoje ou ocorreu naturalmente com o tempo?

RK: Obrigado! Eu realmente aprecio o fato de que as pessoas percebam o meu canto e a minha performance como algo pessoal. Sempre foi importante para mim que tudo o que eu canto e escrevo seja algo que tenha um significado para mim. Acho que isso torna muito mais fácil interpretar de forma convincente. E, claro, minha voz muda com o tempo, minha mente também muda com o tempo – e tudo isso se reflete na forma como eu canto e me apresento.

Em relação ao seu processo criativo, há algum contexto que o favoreça a inspiração (momento, hora do dia, ambiente, humor)? Ele passou por mudanças ao longo de cada projeto?

RK: Ah, boa pergunta. Às vezes, as ideias simplesmente surgem do nada enquanto estou fazendo algo totalmente diferente, aí eu preciso tomar cuidado para anotar ou gravar. Mas quando marcamos uma sessão de composição, sempre tentamos nos afastar da vida cotidiana. A gente se isola numa cabana nas montanhas para garantirmos que não haja distrações e que estejamos em um ambiente que proporcione espaço para a criatividade. E isso sempre foi assim, basicamente.

Suas composições de forma geral, são com base em coisas que você acredita, vivências pessoais, histórias que te marcaram ou apenas é conduzido pela sua inspiração momentânea?

RK: Como eu disse, tudo o que eu escrevo e canto é muito mais fácil de interpretar de forma convincente se eu realmente acreditar naquilo ou tiver algum tipo de conexão pessoal com o tema. Ao mesmo tempo, a inspiração do momento é importante, mas isso não é algo com o qual se possa contar sempre. Então, o ideal é estar em um ambiente, em uma situação, que seja inspiradora de alguma forma.

Tem algo muito bonito na forma como suas músicas acolhem. Você pensa nisso – em quem vai ouvir – quando compõe? Já ouviu algum relato de fã que te emocionou?

RK: Obrigado! É, eu realmente penso em como tudo que eu escrevo pode ser percebido pelo ouvinte. E eu tenho várias experiências de fãs que ouviram minhas músicas e elas realmente significaram algo em suas vidas. Tenho várias cartas em casa de pessoas dizendo que minhas músicas salvaram suas vidas e que também significaram algo em relacionamentos com outras pessoas. E isso, realmente, faz todo esse trabalho duro valer muito a pena.

Como você enxerga sua relação com os palcos? Sentiu que houve mudança de significado em relação à sua performance e entrega emocional?

RK: Sim, como em tudo na vida, acho que a idade e a experiência realmente te deixam mais confiante no que você está fazendo. E isso também se aplica a mim. Eu não sinto que o significado de se apresentar ou a entrega emocional – que sempre foram importantes para mim – tenham mudado. Tudo gira em torno de estar totalmente presente no momento e criar uma conexão especial com o público.

Como você sente o público neste retorno? Os fãs antigos conseguiram caminhar com você até aqui ou você acha que está trazendo um novo público nessa nova fase?

RK: O público é realmente o fator X, ele significa tudo quando se trata de fazer um show de sucesso. Se você não tem o público com você é meio difícil estar lá em cima, embora eu seja profissional e tudo mais, mas isso me afeta de alguma forma. Eu encontro muitas pessoas que me acompanham durante toda a minha carreira – ou pelo menos há muito tempo. E algumas delas trazem amigos, filhos… E é muito legal ver pessoas novas e jovens na plateia. Talvez a coisa mais legal seja ver todas as pessoas que descobriram o Kamelot depois que eu saí e achavam que nunca teriam a chance de me ver ao vivo. Ver que elas tiveram essa chance de me ver no palco me deixa feliz.

Sua parceria com artistas brasileiros como o Edu Falaschi e a banda Maestrick foi algo pontual ou você sente que pode ser o início de algo maior? Podemos esperar mais colaborações suas com músicos daqui?

RK: Sim, é meio engraçado eu ter essa conexão com o Brasil agora. Depois do show no Tokio Marine Hall no ano passado com o Edu Falaschi, a gente começou a conversar sobre fazer algo assim de novo em conexão com o 20º aniversário do The Black Halo.

O Edu é um cara incrível, um grande músico, um excelente compositor e uma pessoa super bacana e gentil. O mesmo vale para o pessoal do Maestrick. Na verdade, neste momento, estou em São José do Rio Preto ensaiando com o Maestrick, porque eles vão ser a minha banda nesse show do dia 5 de julho.

E sim, acho que vem mais coisa por aí. Talvez a gente componha algumas músicas juntos, talvez façamos mais shows juntos. Já tem alguns marcados para este outono. Então, sim, as coisas estão indo muito bem.

Sobre a sua carreira solo, tem algo que você gostaria que a gente, como fãs, soubéssemos desde já sobre esse projeto? E o que podemos esperar do que vem por aí?

RK: Esses primeiros shows em que estou apresentando músicas do Kamelot são, de certa forma, o pontapé inicial da minha carreira solo. E vem mais por aí! Haverá material novo, mais colaborações e... bom, quem sabe o que mais? Estou muito empolgado com tudo isso, e o meu conselho é: fiquem ligados, porque tem mais vindo aí.

O que você gostaria de dizer para quem vai estar na plateia te esperando no dia 05/07, ansiosos por esse reencontro – não só como o artista, mas como o Roy Khan em essência?

RK: Eu, pessoalmente, estou extremamente empolgado com isso. Estou muito feliz por ter essa chance de subir ao palco e cantar essas músicas que significam tanto para mim. Também sei que isso significa muito para muitos fãs, e sou muito grato ao Edu Falaschi por me dar essa oportunidade de tocar para um público como esse. Agora, espero que a gente grite junto, ria junto, chore junto e se divirta o máximo possível. Com certeza vou dar o meu melhor! E espero ver vocês lá no dia 5 de julho, no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Aí vou eu!


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Cobertura de Show: Fabio Lione – 02/02/2025 – Vip Station/SP

No final da tarde do dia 02 de fevereiro de 2025, a capital paulista recebeu Fabio Lione, a icônica voz das bandas Rhapsody, Visions Divine, Kamelot e Angra no Vip Station com a sua “Epic Tales Tour Brazil 2025”. Produzido pela Caveira Velha Produções em colaboração com a Underground Produções, a turnê finalmente chegava a São Paulo para seu décimo sétimo espetáculo após passar por diversos estados, incluindo Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraná.

Por volta das 16hrs, as portas do Vip Station se abriram, recebendo um público que, devido a uma repentina mudança climática - da ensolarada manhã para uma chuvosa tarde - chegava lentamente ao local.

Horas antes, pela manhã, a produção do evento havia atualizado suas redes sociais sobre a alteração no horário, inicialmente previsto para um pouco mais tarde, com a abertura da casa programada para às 17 horas. A mudança de plano de última hora e o congestionamento causado pelos alagamentos em função das intensas chuvas da tarde surpreenderam o público.

Por volta das 16h30, o Vip Station estava quase deserto quando a primeira banda convidada, Marenna – originária do Rio Grande do Sul e representando o Hard Rock e AOR –, subiu ao palco. Eles proporcionaram um show à altura, mesmo para um público reduzido. Às 17h30, foi a vez dos cariocas do Innocence Lost, que trouxeram seu Heavy Metal autoral com influências de Power metal e Metal Progressivo para animar aqueles que começavam a chegar.

Um pouco depois das 18h30, a tão esperada Enorion, banda de Power Metal oriunda de Tatuí, subiu ao palco e proporcionou uma apresentação bastante intensa. O grupo é composto por Rafael Bras nos teclados, Felippe Castello nos vocais, Gabriel Oliveira e Christopher "Dragon" Lopes nas guitarras, Thiago Caieiro na bateria e Pablo Guilarducci no baixo. 

Em função de alguns atrasos na troca de bandas, do evidente cansaço da equipe devido à longa turnê e do tempo restrito, o setlist da banda acabou sendo reduzido para apenas quatro faixas: duas originais – “Enorion” e “Time to Understand”– e dois covers – “He-man”, uma música do Trem da Alegria que a banda regravou recentemente e a icônica “Pegasus Fantasy”, tema de abertura do clássico anime Os Cavaleiros do Zodíaco. Apesar dos contratempos, a banda conseguiu oferecer uma performance enérgica para o público presente.

Finalmente, chegou o momento mais aguardado. Já passava um pouco das 20hrs quando as luzes do local se apagaram e a introdução de Lux Triumphans começou a tocar. Com o retorno das luzes, os primeiros acordes de “Dawn of Victory” cortaram o ar de forma intensa, levando o público à euforia, que cantou o refrão em uníssono. Após algumas interações de Fabio com a plateia, a magnífica “Land of Immortals” dominou o ambiente, seguida pela deslumbrante “Winds of Destiny”. Logo depois, o primeiro convidado da noite, Kiko Shred, guitarrista do Viper, subiu ao palco e se juntou aos membros da Enorion, que estavam atuando como banda de apoio para Fabio naquela noite, proporcionando uma apresentação impecável com seus solos impressionantes na envolvente “Holy Thunderforce”, que animou a multidão.

Subsequentemente, Kiko impressionou com sua guitarra em uma performance solo que deixou o público em êxtase. Dando continuidade, as composições “Emerald Sword”, “The Magic of the Wizard’s Dream”, “Wisdom of the Kings” e “Unholy Warcry” destacaram-se em uma execução primorosa. Entre as faixas, Fabio envolvia o público com relatos de eventos e curiosidades de sua era junto ao Rhapsody, promovendo uma interação íntima. Antes de interpretar "Emerald Sword", fez uma observação bem-humorada, mencionando que a banda havia concebido essa canção quase como uma brincadeira, que acabou conquistando o público a ponto de se tornar um clichê, assim como "Carry On" para o Angra. Para concluir o repertório musical do Rhapsody no primeiro ato do setlist durante a apresentação, "Lamento Eroico", "Sea of Fate" e "The Village of the Dwarves" dominaram o ambiente com seu encanto e magia, sendo executadas de forma esplêndida. 

Logo após, Juliana Rossi subiu ao palco ao lado de Fabio, encantando a todos com uma linda interpretação de “Bleeding Heart”. Durante a performance, Fabio também se juntou à apresentação cantando um trecho da versão em português do grupo Calcinha Preta, chamada “Agora Estou Sofrendo”. Na sequência, continuaram com as músicas “Send me an Angel” e “Violet Lonliness”, que foram escolhidas para marcar sua passagem pelo Visions Divine.

Entre as canções, Fabio interagiu com o público, compartilhando algumas histórias engraçadas. Ele ainda cantou um pedaço da famosa “The Call” dos Backstreet Boys, mencionando sua apreciação por outros estilos musicais. Em um momento divertido, brincou com um casal na plateia, expressando seu desejo de presenciar um beijo romântico e confessou que gostaria de estar com sua amada. Para descontrair ainda mais a atmosfera, ofereceu uma pequena aula de vocal de apenas 30 segundos para os presentes.

Em seguida, ele convidou Felippe Castello, o vocalista da Enorion, para se juntar a ele e Juliana na performance da famosa "Time to Say Goodbye" (Con te Partiró), resultando em uma apresentação impressionante do trio. Finalmente, foi a vez de "Forever", uma das notáveis composições do Kamelot, brilhar, seguida pela clássica "Still Loving You" dos Scorpions e "Carrie" da banda Europe. Antes de entoar sua música de encerramento, Fabio rendeu uma homenagem a um amigo ao cantar a capela "Una Furtiva Lacrima". 

Para encerrar a noite de forma esplêndida, após cerca de 22 canções e mais de duas horas de show, "Wasted Years" do Iron Maiden ressoou nas vozes de todos os presentes, acompanhando Fabio e fechando com êxito mais um capítulo da Epic Tales Tour Brazil 2025. 


Texto: Guilherme Freires

Fotos: Anderson Hildebrando (Heavy Metal Online/Metal no Papel)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Underground Produções / Caveira Velha Produções


Fabio Lione – setlist: 

Dawn of Victory

Land of Immortals

Wings of Destiny

Holy Thunderforce

Emerald Sword

The Magic of the Wizard's Dream

Wisdom of the Kings

Unholy Warcry

Lamento eroico

The Village of Dwarves

Rebirth

Nova Era

Bleeding Heart / Agora estou sofrendo

Send Me an Angel

Violet Loneliness

Still Loving You (Scorpions cover)

Time to Say Goodbye (Con te partirò) (Andrea Bocelli cover)

Forever (Kamelot cover)

L'elisir d'amore (Gaetano Donizetti cover)  

Carrie (Europe cover)

Wasted Years (Iron Maiden cover)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 27/01/2024 – Tokio Marine Hall/SP


A sombra do sucesso vem sendo o melhor amiga do Edu Falaschi. A sua carreira, com a proposta de revisitar os clássicos de sua fase com o Angra, rendeu não só shows com ingressos esgotados, mas também dois grandes álbuns (“Vera Cruz” e o novato “Eldorado”) e dois DVDs (“Temple Of Shadows In Concert” e o “Vera Cruz – Live In São Paulo”) marcados na história do Heavy Metal nacional.

Quem já teve a experiência de assisti-lo ao vivo nos últimos 2/3 anos sabe que os shows vão muito mais além do que a própria música. O vocalista, que não se contenta com o simples, traz uma produção visual que nenhum artista/banda do gênero jamais fez aqui no Brasil, e não foi diferente no último dia 27 de janeiro, proporcionando mais um mega espetáculo que ficou marcado pela nostalgia, participações especiais e gravação de vídeoclipe.

A abertura dos portões, prevista para abrir às 20hrs, teve um pequeno atraso de cinco minutos. O setor que teve grande recepção foi a pista premium, que teve os ingressos esgotados faltando poucas semanas para o show. A pista comum, que tinha poucos ingressos disponíveis, recebeu uma ótima quantidade de pessoas também.

Não bastou somente a presença massiva do público (a maioria vinda de longe) como também de grandes ícones do Rock e Metal nacional, entre eles Guilherme Isnardi, vocalista de uma das bandas que fez muito sucesso nos anos 80, Zero; Guilherme Hirose e Bill Hudson, ambos vocalista e guitarrista da NorthTale, e do Victor Emeka, atual voz do Hibria.

Assim como nas últimas vezes, Edu e seu staff não colocaram banda de abertura. Porém, no lobby da casa, a Santíssima Trindade, conhecida por tocar nos principais bares de São Paulo, fez um excelente esquenta com os clássicos do Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin e de projetos que vieram dessas bandas, como Rainbow, Whitesnake e Dio. 

A banda tem como vocalista o respeitado Nando Fernandes (Sinistra) que, como sempre, recebeu muitos elogios pelo seu timbre impressionante. Fernando Piu (guitarra, Virus), Fabio Guedes (baixo) e Ivan Scartezini (bateria) completam a formação.

Edu e banda entraram no palco, às 22h05, a todo vapor com “Live And Learn”, do EP “Hunters And Prey (2002), antecedido pelos gritos de “Edu, Edu, Edu”. Logo de começo demos de cara com duas mudanças, a primeira do Victor Franco, que cobriu a ausência do Roberto Barros no seu primeiro “grande show” da carreira. Com apenas 23 anos, o ainda moleque (ovacionado em vários momentos) tirou de letra as linhas do Kiko Loureiro e do Roberto em apenas 20 dias.

Em vídeo, exibido no telão da casa, Barros falou que teve um pequeno furúnculo no seu joelho, descoberto na virada do ano, causando uma infecção séria. O guitarrista, que está internado desde o dia 2, começou o tratamento de recuperação faltando uma semana para o show, o que descartou qualquer possibilidade dele estar presente. Mas, felizmente, o pior já passou, e vamos torcer para que ele se recupere logo.

A segunda baixa foi da cantora Raissa Ramos, que anunciou seu desligamento da função de backing-vocal faltando poucos dias para a apresentação por motivos, segundo ela, pessoais. Juliana Rossi, que fez participação no ShamAngra há pouco tempo, foi recrutada para unir forças ao lado do gênio Fabio Caldeira, do Maestrick. De resto é a mesma formação de sempre com os lendários Aquiles Priester (bateria), Fabio Laguna (teclados) e os já veteranos Diogo Mafra (guitarra) e Raphael Dafras (baixo), que sempre dispensam comentários.

O repertório focou mais nas músicas dos álbuns “Rebirth” (2001) e “Temple Of Shadows” (2004), intercalando com algumas de sua carreira solo, principalmente do mais recente “Eldorado”. “Acid Rain”, “Waiting Silence”, “Millennium Sun”, “The Temple Of Hate” e entre outras pérolas do passado deixaram os fãs enleios.

“Sacrifice”, a primeira do Eldorado, Edu jogou o sugestivo refrão para a plateia cantar com extrema força. “Land Ahoy”, a única do “Vera Cruz” e um dos ‘high-lights’ do álbum, teve como destaque a participação do renomado violinista Fábio Lima e dos jatos de faísca e de fumaça que eram ejetados na parte frontal do palco durante o épico refrão.

O palco teve os mesmos elementos da turnê passada, com os dois soldados de seis metros de altura, dois canhões em volta da bateria e outros itens que faz referência a uma caravela junto com as ilustrações referentes ao trabalho mais recente, que retrata sobre o México antigo. Tais ilustrações apareceram na rápida “Tenochtitlán”, com uma estátua asteca se inflamando atrás do Aquiles, lembrando muito ao que a Donzela faz quando o Eddie aparece na música Iron Maiden.

Antes de mandar mais duas do “Eldorado”, Edu pediu, como de costume, para ascender a lanterna dos celulares em “Bleeding Heart”, que virou hit nacional graças a releitura do Calcinha Preta (em português) e da saudosa Marilia Mendonça. Há pouco tempo, ele cantou ela para trinta mil pessoas na gravação do novo DVD da banda de forró cearense.

Em “Señores Del Mar (Wield the Sword)” contou novamente com a presença do Fabio Lima, que a introduziu da mesma forma como está no disco. O público puxou um maravilhoso ‘Oh, Oh, Oh’ após os versos cantados em espanhol. A intenção, desde que foi feito o anuncio, era ter a participação do José Andrëa, ex-Mägo de Oz, mas, infelizmente, ele anunciou que também não poderia estar presente na véspera do show em suas redes sociais.

A tão aguardada gravação do vídeoclipe, conforme mencionado no começo, veio na “Eldorado” (a música), tocada pela primeira vez ao vivo.  E para o futuro material ficar bonito, Edu, junto com o Aquiles, pediu para que todos aplaudissem durante as batidas que introduz a música, que é uma das melhores da carreira solo do Edu. O gesto, rapidamente atendido, remeteu a icônica “We Will Rock You”, do Queen.

A participação mais aguardada da noite apareceu em “Heroes Of Sand” com o Roy Khan, ex-vocalista do Kamelot, que a cantou perfeitamente bem. Assim que pisou no palco, Edu não poupou elogios ao cantor, que declarou ser uma de suas influencias nos drives. 

E ele, claro, não poderia deixar de cantar uma música da banda que popularizou seu nome para o mundo, e a escolhida (mais do que certa) foi a clássica “Center of the Universe”, a qual não cantava desde que se desligou da banda há quatorze anos. Antes dela teve uma palinha de “Cry” para galera sentir como serão os shows do Conception, que estará aqui no Brasil na primeira semana de março.

As derradeiras ficaram por conta das tradicionais “Spread Your Fire”, “Rebirth” e “Nova Era”. Mas não acabou por ai! Alguns, como este que escreve, acabou se retirando do local após a trinca. Quem ficou por mais alguns minutinhos teve a oportunidade de ver um medley acústico entre Fabio e o Edu com “Wish You Were Here” (Pink Floyd) e “Pegasus Fantasy” (Os Cavaleiros do Zodíaco).

Mais uma noite e mais um show histórico em que os fãs e o próprio Edu não vão esquecer nem tão cedo e alimentando a expectativa para a próxima turnê, onde o vocalista irá “voltar no tempo”. Vamos aguardar pelas novidades, que promete surpreender todos.


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Caike Scheffer

 

Produção/Realização: Agência Artística

Assessoria de Imprensa: TRM Press

 

Edu Falaschi

Live and Learn

Acid Rain

Waiting Silence

Sacrifice

Millennium Sun

Land Ahoy

The Temple of Hate

Tenochtitlán

Bleeding Heart

Señores Del Mar (Wield The Sword)

Eldorado

Heroes of Sand (feat. Roy Khan)

Cry / Center of the Universe (feat. Roy Khan)

Spread Your Fire

Rebirth

Nova Era

***Encore***

Wish You Were Here (by Pink Floyd)

Pegasus Fantasy (by Cavaleiros do Zodíaco)