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terça-feira, 29 de julho de 2025

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 05/07/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Em clima de muita nostalgia, Edu Falaschi trouxe novamente a São Paulo, no último dia 5 de julho, o show da Temple of Shadows In Concert, celebrando 20 anos do aclamado Temple of Shadows, do Angra. Junto com ele, o renomado vocalista norueguês Roy Khan relembrou sua bem-sucedida passagem pelo Kamelot, tocando boa parte do incrível The Black Halo. 

O clima nostálgico estava no ar, pois seriam executados 2 dos grandes álbuns que estavam completando seus 20 anos, ano em que o Heavy Metal Progressivo estava em alta entre os fãs do estilo. Se notava isso pela enorme quantidade de faz usando camisetas do Angra e do Kamelot, antigas bandas dos dois vocalistas principais da noite. 

A abertura dessa noite mágica ficou por conta da banda baiana de metal Auro Control. O primeiro trabalho da banda, The Harp, foi lançado em maio de 2024 e contou com participações de peso, como Aquiles Priester e Jeff Scott Soto. A banda fez uma apresentação curta, com apenas cinco músicas, que foram muito bem executadas, apesar de algumas falhas técnicas, que voltariam a se repetir no show seguinte. 

Mesmo com o público ainda chegando ao Tokio Marine, eles conseguiram esquentar a galera para o que ainda estava por vir. Um show curto, direto ao ponto, que com certeza rendeu novos fãs para a banda.

Logo em seguida, tivemos o show da Noturnall, que já nos primeiros momentos demonstrou muita personalidade e experiência de palco. Infelizmente, a banda enfrentou sérios problemas técnicos, que voltaram a acontecer com mais intensidade. Logo no início, o vocalista Thiago Bianchi teve dificuldades com o microfone, chegando a precisar trocar o equipamento em alguns momentos.

Esses contratempos acabaram impactando diretamente o setlist, que precisou ser reduzido e adaptado com improvisos. Ainda assim, a banda se manteve firme, contando com o carisma e a bagagem de Thiago para manter o público conectado.

Vale também destacar o guitarrista Guilherme Torres, novo integrante da banda, que mesmo sendo jovem demonstrou grande maturidade ao lidar com os problemas que, infelizmente, recaíram sobre ele.

No final, a banda mostrou carisma e bom humor para lidar com a situação, e o público reconheceu o esforço com muitos aplausos e gritos de apoio. Apesar das dificuldades, foi uma apresentação marcante, que deixou a galera ainda mais animada para o que viria nessa noite especial em São Paulo.

Quando os músicos da ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM DE ARTUR NOGUEIRA começaram a se posicionar no palco, já era possível perceber que estávamos prestes a presenciar uma noite muito especial.

Eis que surge Roy Khan, abrindo o show com a poderosa “When the Lights Are Down”. Já nas primeiras estrofes, ficou claro o quanto sua voz continua impactante e como o tempo longe dos palcos parece ter feito bem ao vocalista. Vale lembrar que Edu Falaschi foi o principal responsável por essa nova fase da carreira de Roy - incentivando-o a lançar-se em carreira solo -, e São Paulo foi a cidade escolhida para esse recomeço.

Roy esteve impecável nas sete músicas escolhidas para compor o setlist, todas retiradas do aclamado álbum The Black Halo. O mais impressionante foi ouvi-las ao vivo com acompanhamento orquestral, o que deu um peso e uma grandiosidade ainda maiores ao show. A orquestra, regida pelo maestro Adriano Machado, teve papel fundamental nessa atmosfera épica. Também é preciso destacar a excelente performance da banda brasileira Maestrick, que acompanhou Roy durante todo o espetáculo, executando com maestria - fazendo jus ao nome da banda - cada canção do Kamelot. Mencionamos aqui os vocais de apoio de Juliana Rossi e do vocalista do Maestrick, Fabio Caldeira, que brilharam especialmente em diversos momentos da apresentação. 

Os arranjos orquestrais para “Moonlight”, “Soul Society” e “The Haunting (Somewhere in Time)” foram de tirar o fôlego – com destaque para essa última, que contou com a participação da versátil vocalista Adrienne Cowan, que também se apresentaria mais tarde com Edu Falaschi. Adrienne interpretou com perfeição as partes originalmente cantadas por Simone Simons (Epica).

O show seguiu com os belíssimos duetos de Adrienne e Roy em “Abandoned”, “Memento Mori” e, para fechar com chave de ouro, “March of Mephisto”. Essa última evidenciou por que Adrienne é considerada uma das vocalistas mais versáteis do heavy metal atual, executando com maestria os vocais guturais originalmente gravados por Shagrath, da banda de black metal sinfônico Dimmu Borgir. Nessa música, tivemos ainda a participação especial do guitarrista brasileiro Bill Hudson.

Roy Khan prometeu e cumpriu. Escolheu a dedo o repertório para entregar exatamente aquilo que os fãs desejavam ouvir. O show só reforçou que ele é um artista completo, pronto para desbravar sua carreira solo, assim como Edu fez em 2017 ao revisitar seu legado no Angra. Que Roy não se esqueça de nós, fãs brasileiros, nas próximas turnês que certamente virão.


22h30 em ponto, a Orquestra Sinfônica Jovem de Artur Nogueira, juntamente com seu maestro Adriano Machado, volta ao palco e se posiciona. As luzes se apagam e a introdução "Deus le Volt" anuncia o início do show e do disco Temple of Shadows.

Logo em seguida, com a empolgante "Spread Your Fire", Edu surge no palco e o Tokio Marine Hall vem abaixo. "Glorious" é cantada em uníssono por todos os fãs no refrão, como se estivessem lavando a alma. "Angels and Demons" dá sequência à catarse nostálgica e mostra que Edu está na sua melhor fase vocal – muitas críticas negativas e problemas com a voz no passado cairam por terra.


Em "Waiting Silence", Edu coloca o lugar inteiro para pular. Os excelentes arranjos para orquestra, executados sob a regência de Adriano Machado, caíram perfeitos na balada "Wishing Well".

O primeiro convidado – e um dos mais esperados da noite – sobe ao palco na apoteótica "Temple of Hate": Mr. Kai Hansen, o "inventor do Power Metal", como o próprio Edu o apresentou.


O que incomodou parte do público foi o fato de Kai ter ficado preso a um canto do palco, lendo a letra em quase toda a música. Alguns comentaram que parecia um karaokê. Como sua participação foi curta, muitos acharam que ele poderia, ao menos, ter decorado a letra. Puxões de orelha à parte, a presença de um ícone como ele numa noite tão emblemática foi a cereja do bolo.


A apresentação seguiu com a maravilhosa "Shadow Hunter", em que se notou certa dificuldade do guitarrista Victor Franco nas partes de violão: muitas notas não saíram e os dedilhados soaram atravessados e fora do tempo. Talvez pela falta de experiência com violão, nervosismo (ele está na banda há apenas quatro meses), ou ambos. Ainda assim, Edu brilha, mostrando uma voz poderosa e empolgante aos 53 anos.

"No Pain for the Dead", uma das músicas mais bonitas de toda a carreira de Edu e do Angra, contou com a participação de Adrienne Cowan, que interpretou as partes originalmente gravadas por Sabine Edelsbacher. Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Adrienne colocou sentimento e técnica nas partes solo, mostrando 100% de profissionalismo com toda a letra decorada. Ela permaneceu no palco para cantar as partes de Hansi Kürsch em "Winds of Destination".


Mais uma vez, "Sprouts of Time" teve problemas técnicos nas partes de violão, com notas que insistiam em não sair, mas isso não tirou o brilho dessa música incrível. A sequência continuou com "Morning Star", que teve pequenos desencontros de andamento entre os músicos, prontamente corrigidos pela competência da banda.

O disco se encerra com a emocionante "Late Redemption", em que Edu convida o público a cantar as partes originalmente gravadas por Milton Nascimento. Um lindo coro tomou conta do Tokio Marine, um grande acerto de Edu.

Temple of Shadows finalizado, Edu apresenta sua nova era com “The Ancestry”, do excelente disco solo Vera Cruz. Infelizmente, a música ainda é pouco conhecida entre os presentes, que estavam lá principalmente para celebrar o álbum lançado há 20 anos.

Um dos momentos mais surpreendentes do show foi a execução de "Bleeding Heart", música originalmente composta para o Angra, que foi regravada em português pela banda de forró Calcinha Preta. Edu cantou alguns trechos da versão nordestina em português, que foi entoada em alto e bom som pelo público.

Durante uma pausa no show, Edu agradeceu aos fãs que vieram de várias partes do mundo para assistir à apresentação – Japão, Guatemala, Chile, Estados Unidos, Argentina e Peru –, mostrando que esse foi realmente um show lendário.

Na hora de apresentar Pegasus Fantasy, Edu fez uma pegadinha com o público: “Vamos tocar uma música nova para vocês. Sempre bom tocar música nova ao vivo.” Quando a introdução começou, o público veio abaixo. Para quem não sabe, essa é a música de abertura do anime japonês Cavaleiros do Zodíaco, na qual Edu é a voz da versão brasileira.

Perto do final, não poderiam faltar os clássicos "Rebirth" e "Nova Era", hinos absolutos da fase de Edu no Angra.


A maior surpresa ficou para o encerramento: Edu chamou todos os convidados para tocar um clássico do Heavy Metal mundial: "I Want Out", do Helloween. Subiram ao palco Kai Hansen, Adrienne Cowan, Roy Khan e o próprio Edu nos vocais. Bill Hudson também retornou para dividir as guitarras com Kai, Diogo Mafra e Victor Franco.

Edu Falaschi levou o Tokio Marine Hall de volta à era de ouro do Power Metal no Brasil. Uma noite que ficará para sempre na memória dos fãs. Foi uma verdadeira viagem no tempo até 2005, com certeza.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Live Stage / Agência Artistica 

Press: TRM Press


Edu Falaschi – setlist: 

Spread Your Fire

Angels and Demons

Waiting Silence

Wishing Well

The Temple of Hate (com Kai Hansen)

The Shadow Hunter

No Pain for the Dead (com Adrienne Cowan)

Winds of Destination (com Adrienne Cowan)

Sprouts of Time

Morning Star

Late Redemption

The Ancestry

Bleeding Heart

Pegasus Fantasy

Bis

Rebirth

Nova Era

I Want Out (com Roy Khan, Kai Hansen, Adrienne Cowan, Bill Hudson)

domingo, 29 de junho de 2025

Entrevista: Roy Khan – Redescobrindo O Seu Amor Pelo Metal

Por Amanda Vasconcelos

Fotos: Amanda Vasconcelos (Roy Khan) e Caike Scheffer (Roy Khan e Edu Falaschi)

Roy Khan é um daqueles vocalistas que merecem uma posição de destaque no cenário do Metal – e de forma mais do que merecida –, sendo capaz de conquistar até os menos sensíveis com seu timbre angelical e elegante.

Afastado dos holofotes desde sua saída do Kamelot, em 2011, o norueguês vem reconquistando espaço desde que se reuniu novamente com o Conception. No entanto, foi após sua participação no show de Edu Falaschi, em janeiro do ano passado, em São Paulo, que Khan percebeu o quanto ainda pode ir além. A partir dessa experiência, decidiu investir em uma promissora carreira solo.

Essa nova fase começa oficialmente no próximo dia 5 de julho, com um show imperdível em que ele apresentará o clássico The Black Halo na íntegra, acompanhado por uma orquestra sinfônica.

Em meio aos ensaios, o vocalista conversou com o Road to Metal sobre esse novo momento da carreira. Confira a entrevista!


O que te levou a voltar a compor e cantar? Foi mais como um insight, um chamado interno ou você sentia falta da música no geral?  

RK: Bom, mesmo durante a minha pausa, eu ainda tocava um pouco de piano e compunha algumas músicas. Mas só quando me reconectei com o pessoal do Conception, em 2016, que realmente senti que era algo que eu queria muito fazer de novo, que é voltar à cena do metal.

Acho que foi uma combinação de um chamado interior e de sentir falta disso tudo. Ainda sou muito apaixonado por isso. Eu sou um pouco como um cavalo de circo. No fim das contas, eu meio que sabia que isso acabaria me puxando de volta. Então, aqui estou eu.

A sua forma de cantar através dos anos se transformou, e hoje além de transmitir mais leveza, é tão pessoal que dá a sensação de que você está conversando diretamente com quem te ouve. Esta transformação foi intencional considerando quem você é hoje ou ocorreu naturalmente com o tempo?

RK: Obrigado! Eu realmente aprecio o fato de que as pessoas percebam o meu canto e a minha performance como algo pessoal. Sempre foi importante para mim que tudo o que eu canto e escrevo seja algo que tenha um significado para mim. Acho que isso torna muito mais fácil interpretar de forma convincente. E, claro, minha voz muda com o tempo, minha mente também muda com o tempo – e tudo isso se reflete na forma como eu canto e me apresento.

Em relação ao seu processo criativo, há algum contexto que o favoreça a inspiração (momento, hora do dia, ambiente, humor)? Ele passou por mudanças ao longo de cada projeto?

RK: Ah, boa pergunta. Às vezes, as ideias simplesmente surgem do nada enquanto estou fazendo algo totalmente diferente, aí eu preciso tomar cuidado para anotar ou gravar. Mas quando marcamos uma sessão de composição, sempre tentamos nos afastar da vida cotidiana. A gente se isola numa cabana nas montanhas para garantirmos que não haja distrações e que estejamos em um ambiente que proporcione espaço para a criatividade. E isso sempre foi assim, basicamente.

Suas composições de forma geral, são com base em coisas que você acredita, vivências pessoais, histórias que te marcaram ou apenas é conduzido pela sua inspiração momentânea?

RK: Como eu disse, tudo o que eu escrevo e canto é muito mais fácil de interpretar de forma convincente se eu realmente acreditar naquilo ou tiver algum tipo de conexão pessoal com o tema. Ao mesmo tempo, a inspiração do momento é importante, mas isso não é algo com o qual se possa contar sempre. Então, o ideal é estar em um ambiente, em uma situação, que seja inspiradora de alguma forma.

Tem algo muito bonito na forma como suas músicas acolhem. Você pensa nisso – em quem vai ouvir – quando compõe? Já ouviu algum relato de fã que te emocionou?

RK: Obrigado! É, eu realmente penso em como tudo que eu escrevo pode ser percebido pelo ouvinte. E eu tenho várias experiências de fãs que ouviram minhas músicas e elas realmente significaram algo em suas vidas. Tenho várias cartas em casa de pessoas dizendo que minhas músicas salvaram suas vidas e que também significaram algo em relacionamentos com outras pessoas. E isso, realmente, faz todo esse trabalho duro valer muito a pena.

Como você enxerga sua relação com os palcos? Sentiu que houve mudança de significado em relação à sua performance e entrega emocional?

RK: Sim, como em tudo na vida, acho que a idade e a experiência realmente te deixam mais confiante no que você está fazendo. E isso também se aplica a mim. Eu não sinto que o significado de se apresentar ou a entrega emocional – que sempre foram importantes para mim – tenham mudado. Tudo gira em torno de estar totalmente presente no momento e criar uma conexão especial com o público.

Como você sente o público neste retorno? Os fãs antigos conseguiram caminhar com você até aqui ou você acha que está trazendo um novo público nessa nova fase?

RK: O público é realmente o fator X, ele significa tudo quando se trata de fazer um show de sucesso. Se você não tem o público com você é meio difícil estar lá em cima, embora eu seja profissional e tudo mais, mas isso me afeta de alguma forma. Eu encontro muitas pessoas que me acompanham durante toda a minha carreira – ou pelo menos há muito tempo. E algumas delas trazem amigos, filhos… E é muito legal ver pessoas novas e jovens na plateia. Talvez a coisa mais legal seja ver todas as pessoas que descobriram o Kamelot depois que eu saí e achavam que nunca teriam a chance de me ver ao vivo. Ver que elas tiveram essa chance de me ver no palco me deixa feliz.

Sua parceria com artistas brasileiros como o Edu Falaschi e a banda Maestrick foi algo pontual ou você sente que pode ser o início de algo maior? Podemos esperar mais colaborações suas com músicos daqui?

RK: Sim, é meio engraçado eu ter essa conexão com o Brasil agora. Depois do show no Tokio Marine Hall no ano passado com o Edu Falaschi, a gente começou a conversar sobre fazer algo assim de novo em conexão com o 20º aniversário do The Black Halo.

O Edu é um cara incrível, um grande músico, um excelente compositor e uma pessoa super bacana e gentil. O mesmo vale para o pessoal do Maestrick. Na verdade, neste momento, estou em São José do Rio Preto ensaiando com o Maestrick, porque eles vão ser a minha banda nesse show do dia 5 de julho.

E sim, acho que vem mais coisa por aí. Talvez a gente componha algumas músicas juntos, talvez façamos mais shows juntos. Já tem alguns marcados para este outono. Então, sim, as coisas estão indo muito bem.

Sobre a sua carreira solo, tem algo que você gostaria que a gente, como fãs, soubéssemos desde já sobre esse projeto? E o que podemos esperar do que vem por aí?

RK: Esses primeiros shows em que estou apresentando músicas do Kamelot são, de certa forma, o pontapé inicial da minha carreira solo. E vem mais por aí! Haverá material novo, mais colaborações e... bom, quem sabe o que mais? Estou muito empolgado com tudo isso, e o meu conselho é: fiquem ligados, porque tem mais vindo aí.

O que você gostaria de dizer para quem vai estar na plateia te esperando no dia 05/07, ansiosos por esse reencontro – não só como o artista, mas como o Roy Khan em essência?

RK: Eu, pessoalmente, estou extremamente empolgado com isso. Estou muito feliz por ter essa chance de subir ao palco e cantar essas músicas que significam tanto para mim. Também sei que isso significa muito para muitos fãs, e sou muito grato ao Edu Falaschi por me dar essa oportunidade de tocar para um público como esse. Agora, espero que a gente grite junto, ria junto, chore junto e se divirta o máximo possível. Com certeza vou dar o meu melhor! E espero ver vocês lá no dia 5 de julho, no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Aí vou eu!


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Cobertura de Show: Fabio Lione – 02/02/2025 – Vip Station/SP

No final da tarde do dia 02 de fevereiro de 2025, a capital paulista recebeu Fabio Lione, a icônica voz das bandas Rhapsody, Visions Divine, Kamelot e Angra no Vip Station com a sua “Epic Tales Tour Brazil 2025”. Produzido pela Caveira Velha Produções em colaboração com a Underground Produções, a turnê finalmente chegava a São Paulo para seu décimo sétimo espetáculo após passar por diversos estados, incluindo Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraná.

Por volta das 16hrs, as portas do Vip Station se abriram, recebendo um público que, devido a uma repentina mudança climática - da ensolarada manhã para uma chuvosa tarde - chegava lentamente ao local.

Horas antes, pela manhã, a produção do evento havia atualizado suas redes sociais sobre a alteração no horário, inicialmente previsto para um pouco mais tarde, com a abertura da casa programada para às 17 horas. A mudança de plano de última hora e o congestionamento causado pelos alagamentos em função das intensas chuvas da tarde surpreenderam o público.

Por volta das 16h30, o Vip Station estava quase deserto quando a primeira banda convidada, Marenna – originária do Rio Grande do Sul e representando o Hard Rock e AOR –, subiu ao palco. Eles proporcionaram um show à altura, mesmo para um público reduzido. Às 17h30, foi a vez dos cariocas do Innocence Lost, que trouxeram seu Heavy Metal autoral com influências de Power metal e Metal Progressivo para animar aqueles que começavam a chegar.

Um pouco depois das 18h30, a tão esperada Enorion, banda de Power Metal oriunda de Tatuí, subiu ao palco e proporcionou uma apresentação bastante intensa. O grupo é composto por Rafael Bras nos teclados, Felippe Castello nos vocais, Gabriel Oliveira e Christopher "Dragon" Lopes nas guitarras, Thiago Caieiro na bateria e Pablo Guilarducci no baixo. 

Em função de alguns atrasos na troca de bandas, do evidente cansaço da equipe devido à longa turnê e do tempo restrito, o setlist da banda acabou sendo reduzido para apenas quatro faixas: duas originais – “Enorion” e “Time to Understand”– e dois covers – “He-man”, uma música do Trem da Alegria que a banda regravou recentemente e a icônica “Pegasus Fantasy”, tema de abertura do clássico anime Os Cavaleiros do Zodíaco. Apesar dos contratempos, a banda conseguiu oferecer uma performance enérgica para o público presente.

Finalmente, chegou o momento mais aguardado. Já passava um pouco das 20hrs quando as luzes do local se apagaram e a introdução de Lux Triumphans começou a tocar. Com o retorno das luzes, os primeiros acordes de “Dawn of Victory” cortaram o ar de forma intensa, levando o público à euforia, que cantou o refrão em uníssono. Após algumas interações de Fabio com a plateia, a magnífica “Land of Immortals” dominou o ambiente, seguida pela deslumbrante “Winds of Destiny”. Logo depois, o primeiro convidado da noite, Kiko Shred, guitarrista do Viper, subiu ao palco e se juntou aos membros da Enorion, que estavam atuando como banda de apoio para Fabio naquela noite, proporcionando uma apresentação impecável com seus solos impressionantes na envolvente “Holy Thunderforce”, que animou a multidão.

Subsequentemente, Kiko impressionou com sua guitarra em uma performance solo que deixou o público em êxtase. Dando continuidade, as composições “Emerald Sword”, “The Magic of the Wizard’s Dream”, “Wisdom of the Kings” e “Unholy Warcry” destacaram-se em uma execução primorosa. Entre as faixas, Fabio envolvia o público com relatos de eventos e curiosidades de sua era junto ao Rhapsody, promovendo uma interação íntima. Antes de interpretar "Emerald Sword", fez uma observação bem-humorada, mencionando que a banda havia concebido essa canção quase como uma brincadeira, que acabou conquistando o público a ponto de se tornar um clichê, assim como "Carry On" para o Angra. Para concluir o repertório musical do Rhapsody no primeiro ato do setlist durante a apresentação, "Lamento Eroico", "Sea of Fate" e "The Village of the Dwarves" dominaram o ambiente com seu encanto e magia, sendo executadas de forma esplêndida. 

Logo após, Juliana Rossi subiu ao palco ao lado de Fabio, encantando a todos com uma linda interpretação de “Bleeding Heart”. Durante a performance, Fabio também se juntou à apresentação cantando um trecho da versão em português do grupo Calcinha Preta, chamada “Agora Estou Sofrendo”. Na sequência, continuaram com as músicas “Send me an Angel” e “Violet Lonliness”, que foram escolhidas para marcar sua passagem pelo Visions Divine.

Entre as canções, Fabio interagiu com o público, compartilhando algumas histórias engraçadas. Ele ainda cantou um pedaço da famosa “The Call” dos Backstreet Boys, mencionando sua apreciação por outros estilos musicais. Em um momento divertido, brincou com um casal na plateia, expressando seu desejo de presenciar um beijo romântico e confessou que gostaria de estar com sua amada. Para descontrair ainda mais a atmosfera, ofereceu uma pequena aula de vocal de apenas 30 segundos para os presentes.

Em seguida, ele convidou Felippe Castello, o vocalista da Enorion, para se juntar a ele e Juliana na performance da famosa "Time to Say Goodbye" (Con te Partiró), resultando em uma apresentação impressionante do trio. Finalmente, foi a vez de "Forever", uma das notáveis composições do Kamelot, brilhar, seguida pela clássica "Still Loving You" dos Scorpions e "Carrie" da banda Europe. Antes de entoar sua música de encerramento, Fabio rendeu uma homenagem a um amigo ao cantar a capela "Una Furtiva Lacrima". 

Para encerrar a noite de forma esplêndida, após cerca de 22 canções e mais de duas horas de show, "Wasted Years" do Iron Maiden ressoou nas vozes de todos os presentes, acompanhando Fabio e fechando com êxito mais um capítulo da Epic Tales Tour Brazil 2025. 


Texto: Guilherme Freires

Fotos: Anderson Hildebrando (Heavy Metal Online/Metal no Papel)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Underground Produções / Caveira Velha Produções


Fabio Lione – setlist: 

Dawn of Victory

Land of Immortals

Wings of Destiny

Holy Thunderforce

Emerald Sword

The Magic of the Wizard's Dream

Wisdom of the Kings

Unholy Warcry

Lamento eroico

The Village of Dwarves

Rebirth

Nova Era

Bleeding Heart / Agora estou sofrendo

Send Me an Angel

Violet Loneliness

Still Loving You (Scorpions cover)

Time to Say Goodbye (Con te partirò) (Andrea Bocelli cover)

Forever (Kamelot cover)

L'elisir d'amore (Gaetano Donizetti cover)  

Carrie (Europe cover)

Wasted Years (Iron Maiden cover)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 27/01/2024 – Tokio Marine Hall/SP


A sombra do sucesso vem sendo o melhor amiga do Edu Falaschi. A sua carreira, com a proposta de revisitar os clássicos de sua fase com o Angra, rendeu não só shows com ingressos esgotados, mas também dois grandes álbuns (“Vera Cruz” e o novato “Eldorado”) e dois DVDs (“Temple Of Shadows In Concert” e o “Vera Cruz – Live In São Paulo”) marcados na história do Heavy Metal nacional.

Quem já teve a experiência de assisti-lo ao vivo nos últimos 2/3 anos sabe que os shows vão muito mais além do que a própria música. O vocalista, que não se contenta com o simples, traz uma produção visual que nenhum artista/banda do gênero jamais fez aqui no Brasil, e não foi diferente no último dia 27 de janeiro, proporcionando mais um mega espetáculo que ficou marcado pela nostalgia, participações especiais e gravação de vídeoclipe.

A abertura dos portões, prevista para abrir às 20hrs, teve um pequeno atraso de cinco minutos. O setor que teve grande recepção foi a pista premium, que teve os ingressos esgotados faltando poucas semanas para o show. A pista comum, que tinha poucos ingressos disponíveis, recebeu uma ótima quantidade de pessoas também.

Não bastou somente a presença massiva do público (a maioria vinda de longe) como também de grandes ícones do Rock e Metal nacional, entre eles Guilherme Isnardi, vocalista de uma das bandas que fez muito sucesso nos anos 80, Zero; Guilherme Hirose e Bill Hudson, ambos vocalista e guitarrista da NorthTale, e do Victor Emeka, atual voz do Hibria.

Assim como nas últimas vezes, Edu e seu staff não colocaram banda de abertura. Porém, no lobby da casa, a Santíssima Trindade, conhecida por tocar nos principais bares de São Paulo, fez um excelente esquenta com os clássicos do Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin e de projetos que vieram dessas bandas, como Rainbow, Whitesnake e Dio. 

A banda tem como vocalista o respeitado Nando Fernandes (Sinistra) que, como sempre, recebeu muitos elogios pelo seu timbre impressionante. Fernando Piu (guitarra, Virus), Fabio Guedes (baixo) e Ivan Scartezini (bateria) completam a formação.

Edu e banda entraram no palco, às 22h05, a todo vapor com “Live And Learn”, do EP “Hunters And Prey (2002), antecedido pelos gritos de “Edu, Edu, Edu”. Logo de começo demos de cara com duas mudanças, a primeira do Victor Franco, que cobriu a ausência do Roberto Barros no seu primeiro “grande show” da carreira. Com apenas 23 anos, o ainda moleque (ovacionado em vários momentos) tirou de letra as linhas do Kiko Loureiro e do Roberto em apenas 20 dias.

Em vídeo, exibido no telão da casa, Barros falou que teve um pequeno furúnculo no seu joelho, descoberto na virada do ano, causando uma infecção séria. O guitarrista, que está internado desde o dia 2, começou o tratamento de recuperação faltando uma semana para o show, o que descartou qualquer possibilidade dele estar presente. Mas, felizmente, o pior já passou, e vamos torcer para que ele se recupere logo.

A segunda baixa foi da cantora Raissa Ramos, que anunciou seu desligamento da função de backing-vocal faltando poucos dias para a apresentação por motivos, segundo ela, pessoais. Juliana Rossi, que fez participação no ShamAngra há pouco tempo, foi recrutada para unir forças ao lado do gênio Fabio Caldeira, do Maestrick. De resto é a mesma formação de sempre com os lendários Aquiles Priester (bateria), Fabio Laguna (teclados) e os já veteranos Diogo Mafra (guitarra) e Raphael Dafras (baixo), que sempre dispensam comentários.

O repertório focou mais nas músicas dos álbuns “Rebirth” (2001) e “Temple Of Shadows” (2004), intercalando com algumas de sua carreira solo, principalmente do mais recente “Eldorado”. “Acid Rain”, “Waiting Silence”, “Millennium Sun”, “The Temple Of Hate” e entre outras pérolas do passado deixaram os fãs enleios.

“Sacrifice”, a primeira do Eldorado, Edu jogou o sugestivo refrão para a plateia cantar com extrema força. “Land Ahoy”, a única do “Vera Cruz” e um dos ‘high-lights’ do álbum, teve como destaque a participação do renomado violinista Fábio Lima e dos jatos de faísca e de fumaça que eram ejetados na parte frontal do palco durante o épico refrão.

O palco teve os mesmos elementos da turnê passada, com os dois soldados de seis metros de altura, dois canhões em volta da bateria e outros itens que faz referência a uma caravela junto com as ilustrações referentes ao trabalho mais recente, que retrata sobre o México antigo. Tais ilustrações apareceram na rápida “Tenochtitlán”, com uma estátua asteca se inflamando atrás do Aquiles, lembrando muito ao que a Donzela faz quando o Eddie aparece na música Iron Maiden.

Antes de mandar mais duas do “Eldorado”, Edu pediu, como de costume, para ascender a lanterna dos celulares em “Bleeding Heart”, que virou hit nacional graças a releitura do Calcinha Preta (em português) e da saudosa Marilia Mendonça. Há pouco tempo, ele cantou ela para trinta mil pessoas na gravação do novo DVD da banda de forró cearense.

Em “Señores Del Mar (Wield the Sword)” contou novamente com a presença do Fabio Lima, que a introduziu da mesma forma como está no disco. O público puxou um maravilhoso ‘Oh, Oh, Oh’ após os versos cantados em espanhol. A intenção, desde que foi feito o anuncio, era ter a participação do José Andrëa, ex-Mägo de Oz, mas, infelizmente, ele anunciou que também não poderia estar presente na véspera do show em suas redes sociais.

A tão aguardada gravação do vídeoclipe, conforme mencionado no começo, veio na “Eldorado” (a música), tocada pela primeira vez ao vivo.  E para o futuro material ficar bonito, Edu, junto com o Aquiles, pediu para que todos aplaudissem durante as batidas que introduz a música, que é uma das melhores da carreira solo do Edu. O gesto, rapidamente atendido, remeteu a icônica “We Will Rock You”, do Queen.

A participação mais aguardada da noite apareceu em “Heroes Of Sand” com o Roy Khan, ex-vocalista do Kamelot, que a cantou perfeitamente bem. Assim que pisou no palco, Edu não poupou elogios ao cantor, que declarou ser uma de suas influencias nos drives. 

E ele, claro, não poderia deixar de cantar uma música da banda que popularizou seu nome para o mundo, e a escolhida (mais do que certa) foi a clássica “Center of the Universe”, a qual não cantava desde que se desligou da banda há quatorze anos. Antes dela teve uma palinha de “Cry” para galera sentir como serão os shows do Conception, que estará aqui no Brasil na primeira semana de março.

As derradeiras ficaram por conta das tradicionais “Spread Your Fire”, “Rebirth” e “Nova Era”. Mas não acabou por ai! Alguns, como este que escreve, acabou se retirando do local após a trinca. Quem ficou por mais alguns minutinhos teve a oportunidade de ver um medley acústico entre Fabio e o Edu com “Wish You Were Here” (Pink Floyd) e “Pegasus Fantasy” (Os Cavaleiros do Zodíaco).

Mais uma noite e mais um show histórico em que os fãs e o próprio Edu não vão esquecer nem tão cedo e alimentando a expectativa para a próxima turnê, onde o vocalista irá “voltar no tempo”. Vamos aguardar pelas novidades, que promete surpreender todos.


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Caike Scheffer

 

Produção/Realização: Agência Artística

Assessoria de Imprensa: TRM Press

 

Edu Falaschi

Live and Learn

Acid Rain

Waiting Silence

Sacrifice

Millennium Sun

Land Ahoy

The Temple of Hate

Tenochtitlán

Bleeding Heart

Señores Del Mar (Wield The Sword)

Eldorado

Heroes of Sand (feat. Roy Khan)

Cry / Center of the Universe (feat. Roy Khan)

Spread Your Fire

Rebirth

Nova Era

***Encore***

Wish You Were Here (by Pink Floyd)

Pegasus Fantasy (by Cavaleiros do Zodíaco)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Kamelot: "The Awkening" traz grandes momentos em meio a cancões "mais do mesmo"

 


Em seu novo álbum o Kamelot traz uma continuidade do que vinha fazendo nesta era com Tommy nos vocais, porém com um plus de qualidade com relação aos dois últimos trabalhos, com composições muito boas, mas peca por alguns excessos, o que torna certos momentos repetitivos, e cansativos, e não conseguiu manter a régua alta em todas as músicas de "The Awakening".

O início é excelente, com a grandiosa e empolgante "The Great Divide", precedida pela intro "Overture". Dinâmica, com melodias marcantes e base pesada, variações bem estruturadas e remete aos melhores momentos do Kamelot, com a dramaticidade característica.


A sequência com "Eventide" é ainda melhor, trazendo ótimas expectativas para o restante. Ela traz peso nos riffs e cozinha, destacando as belas melodias no teclado e um refrão marcante e melodioso. Tommy está mostrando mais de sua personalidade, parecendo mais solto. Esta é um bom exemplo de que valorizar mais as melodias e não encher demais as canções de elementos, pode ser bem mais positivo.

A seguinte, "One More Flag on The Groud" dá uma freada na empolgação, não que seja uma má composição, mas não traz nada muito memorável, e soa meio repetitiva.

"Opus of The Night (Ghost Réquiem)" eleva a régua novamente, com belos arranjos sinfônicos, grandes melodias vocais (inclusive backing vocais femininos que encaixaram muito bem no dramático refrão). Temos aqui a convidada Tina Guo (violoncelista talentosa, já conhecida por seus vídeos no YouTube, indicada a Grammy e elogiada por Hans Zimmer), que contribui com a dramaticidade da música,trazendo um algo a mais nos arranjos. Tina também participa da balada "Midsummer's Eve", que vem na sequência. Com arranjos suaves, mas que carece de ganchos memoráveis. 

Tina Guo, convidada especial, com seu talento destacado no cello

"Blood Moon" e "Nightsky", são ok, mas sem muito brilho, seguindo a linha Power Sinfônico. mas aquele porém de pecar em alguns elementos repetitivos, e não ter grandes ganchos. A primeira ainda traz uma batida e refrão bem "acessíveis".

"The Looking Glass" vem para trazer o sorriso novamente para o rosto, com uma melodia de teclado muito bonita e marcante, traz ótimas linhas de Tommy, cantando com muita personalidade e emoção. Ótimo exemplo de que os caras são ainda capazes de construir canções com melodias memoráveis.

Na sequência, "New Babylon", com Melissa Bonny (Ad Infinitum) como convidada nos vocais, chega com grandiosas orquestrações e arranjos vocais. Traz aquele ar de trilha sonora, dramaticidade e boas variações, inclusive tendo um trecho mais pesado e com vocais guturais. Instrumental intrincado, mas valorizando as melodias.


"
Willow" é uma balada sem grandes atrativos, outra que falta ganchos marcantes. "My Pantheon (Forevermore)" é a música com mais peso e agressividade do álbum, trazendo intervenções sinfônicas e melodias, certa dramaticidade, mas também carecendo de momentos memoráveis. Em contra partida, gostei da variação nos vocais de Tommy 

Fazendo um trocadilho infame, o novo álbum pode ter sido um despertar para o que a banda pode produzir de melhor, como em "The Black Halo" ou "Silverthorn", os destaques de "The Awakening" mostram isso. Creio que é um álbum que deixa os fãs, mesmo que alguns parcialmente, satisfeitos, e até gerando novamente interesse dos menos aficionados pela banda.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Lançamento Napalm Records/Shinigami Records 

Kamelot é:
Tommy Karevik: vocais
Thomas Youngblood: guitarras
Oliver Palotai: teclados
Alex Landenburg: bateria
Sean Tibbetts: baixo


TRACKLIST


1. Overture (Intro)

2. The Great Divide

3. Eventide

4. One More Flag In The Ground

5. Opus Of The Night (Ghost Requiem)

6. Midsummer's Eve

7. Bloodmoon

8. Nightsky

9. The Looking Glass

10. New Babylon

11. Willow

12. My Pantheon (Forevermore)

13. Ephemera (Outro)





sábado, 8 de agosto de 2015

Kamelot: Denso, Belo, Pesado e Mais um Passo à Frente



Com a saída de Roy Khan (vocalista que inegavelmente, após sua entrada, marcou novos rumos para o Kamelot) até temeu-se que a estrutura da banda poderia ser abalada, mas Thomas Youngblood e os demais encontraram em Tommy Karevik o substituto ideal, e embora tenham surgido críticas de que a banda teria procurado um vocalista semelhante a Roy, não vi problema algum em quererem manter as características em sua sonoridade. Para que mudar radicalmente se encontraram uma identidade? E Tommy, assim como Roy, é um vocalista que imprime muita emoção em sua interpretação, e sim, tem um timbre e certas nuances vocais muito semelhantes ao de seu antecessor, mas não soa como uma mera "cópia", e em "Haven", mostra mais de sua personalidade, transitando muito bem por vocalizações mais emocionais a mais dramáticas e até agressivas.


Em Haven, o Kamelot mantém várias de suas características, como as melodias bem elaboradas e cativantes, pesado, intrincado e emocional, sendo uma banda que está incluída naquele rol das que imprimiram sua identidade. Além de manter sua identidade, o grupo segue evoluindo, e neste novo trabalho adicionaram ainda mais peso e densidade, além de composições ainda mais intrincadas, onde podemos nos deparar com uma diversidade de elementos e texturas que conferem ainda mais beleza à sonoridade do grupo, e admito, foi um álbum que tive que ir digerindo devagar, pois pareceu um tanto "arrastado" às primeira audições, mas após mais algumas outras, percebe-se o ótimo trabalho em arranjos e melodias, o que torna o álbum atraente e instigante do início ao fim.

As texturas, nuances, e a densidade e peso, aliadas aos climas criados pelos teclados, servem de forma perfeita para envolver a temática do álbum, que são os tempos escuros que a sociedade atual vive. Essa trilha resulta em um álbum bem uniforme e sempre instigante (com algumas faixas com uma leve vantagem), seja em belas melodias, riff marcante e refrão, digamos "pomposo" de "Fallen Star", uma canção que segue uma linha bem conhecida da banda, com o peso das guitarras e cozinha mais ao fundo ou na pesadíssima e climática, quase teatral, "Citizen Zero", com seus riffs carregados de harmônicos, um coro de vozes que dão um clima claustrofóbico.


"Veil of Elysium", imprime mais velocidade, com orquestrações grandiosas e refrão melodioso; "Under Grey Skyes" tem belíssimas melodias, com o reforço das uilleann pipes de Troy Donockley (Nightwish) e a adição da voz doce de Charlotte Wessels, assim como "End of Innocence" também é mais melodiosa, caracterizando aquele Metal Melódico classudo da banda, enquanto que em "Revolution" a banda apresenta peso cavalar, arriscando alguns elementos meio "industriais", e Tommy aqui tem a companhia de outra vocalista, Alissa White-Gluz, que despeja fúria, sendo que Alissa ainda se faz presente em "Liar Liar",  aqui utilizando-se, além dos vocais agressivos, de vozes limpas, e a faixa alterna partes mais velozes, comandadas pela cozinha, com trechos mid-tempo e mais climáticos, sempre destacando as texturas e dramaticidade dos teclado de Palotai, que faz novamente um grande trabalho.

Um grande trabalho, para ser apreciado com atenção, denso, pesado, melódico repleto de detalhes e climas, demonstrando toda a capacidade  e a criatividade da banda, formada por músicos de alto nível, que, além de manter suas principais características, conseguiu dar um passo à frente, e não foi por acaso que chegaram a figurar na primeira posição em charts da Billboard.

Rate: 9/10


Resenha por: Carlos Garcia
Revisão: Man with the axe

Ficha Técnica:
Banda: Kamelot
Álbum: Haven (2015)
Gravadora: Napalm Records
Official Site




Line-Up
Tommy Karevik - Vocals
Thomas Youngblood: Guitars
Sean Tibbetts: Bass
Casey Grillo: Drums
Oliver Palotai: Keyboards


 Track List

01. Fallen Star
02. Insomnia
03. Citizen Zero
04. Veil of Elysium
05. Under Grey Skies
06. My Therapy
07. Ecclesia
08. End of Innocence
09. Beautiful Apocalypse
10. Liar Liar (Wasteland Monarchy)
11. Here's to the Fall
12. Revolution
13. Haven