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sexta-feira, 23 de maio de 2025

Cobertura de Show: Fabio Lione – 18/05/2025 – Teatro APCD/SP

Fabio Lione encerra turnê com casa cheia e entrega noite de nostalgia e potência vocal

Encerrando a primeira etapa da turnê Symphony of Enchanted Lands, o vocalista italiano Fabio Lione passou por São Paulo com três apresentações no Teatro APCD, na zona norte da cidade. Foram dois shows no sábado, 17, e o terceiro e último no domingo, 18 de maio. Com ingressos esgotados em todas as sessões, o espetáculo celebrou um dos álbuns mais marcantes do power metal sinfônico, executado na íntegra, além de incluir outros sucessos do Rhapsody of Fire e alguns covers. A realização foi da Estética Torta.


Dogma: visual provocativo, presença morna

Não conhecia a Dogma até o barulho recente nas redes após sua apresentação no Bangers Open Air, no início de maio. Foi justamente esse buzz que despertou a curiosidade para ver o que a banda formada por cinco mulheres que se apresentam com figurinos de freiras e corpse paint tinha a oferecer no palco. A proposta visual é clara: provocar, romper com códigos religiosos, causar estranhamento. Mas ali, no palco do Teatro APCD, no último show da turnê de Fabio Lione em São Paulo, essa estética ousada não encontrou a mesma força na performance.

A Dogma passou a integrar a turnê de Fabio Lione na semana seguinte ao Bangers, acompanhando o vocalista em várias datas pelo Brasil até a reta final, em São Paulo. No show de domingo, a impressão foi de que a banda ainda buscava firmar sua presença ao vivo dentro desse novo contexto. A estética chamou atenção, mas não sustentou sozinha a conexão com a plateia, que parecia mais curiosa do que empolgada.

Num primeiro momento, a apresentação soou morna. A presença de palco era calculada, quase ensaiada demais, o que tirava parte da espontaneidade que esse tipo de show demanda. Musicalmente, a Dogma aposta em um hard rock com elementos góticos e melódicos. Embora tecnicamente bem executadas, as faixas carecem de impacto ao vivo, especialmente diante da promessa visual transgressora.

A produção da banda, que mistura elementos teatrais com simbologias religiosas e provocação sexual, chama mais atenção que o som em si. E isso acaba jogando contra, porque se cria uma expectativa de intensidade que não se cumpre plenamente no repertório nem na performance.

Ainda assim, houve evolução ao longo da apresentação. Aos poucos, o público foi entrando no clima, reagindo melhor às últimas faixas e aplaudindo com mais entusiasmo. Para quem viu a banda pela primeira vez, como eu, ficou a impressão de que ainda há um caminho a ser trilhado entre a proposta imagética e a entrega musical, algo que pode amadurecer nos próximos shows, especialmente se a banda souber usar o interesse que vem crescendo desde o festival.


Dogma – setlist:

Forbidden Zone

My First Peak

Made Her Mine

Banned

Carnal Liberation

Like a Prayer (Madonna cover)

Bare to the Bones

Make Us Proud

Pleasure From Pain

Father I Have Sinned

The Dark Messiah


Fabio Lione – Symphony of Enchanted Lands em São Paulo

O espetáculo com lotação esgotada nos dois dias em que tocou em São Paulo — dois shows no sábado, 17, e o terceiro no domingo, 18 — trouxe a turnê do álbum Symphony of Enchanted Lands cantado na íntegra, além de outros sucessos do Rhapsody of Fire e alguns covers.

Em conversas com amigos, comentamos que, embora a voz do Fabio Lione no Angra não fosse ruim, muitas vezes faltava aquele alcance e potência que ele demonstra no Rhapsody of Fire. Nesta turnê, fica claro que a voz de Lione continua impressionante. Eu, fã desde os meus 12 anos, me senti várias vezes transportada para aquelas sessões de RPG e encontros com amigos embalados por músicas de dragões e terras médias.

Fabio Lione, um front man muito simpático e comunicativo, usou todo o seu bom português durante a apresentação que durou quase duas horas. A empolgação do público foi constante do início ao fim, sem queda de ritmo ou desânimo, demonstrando a força do repertório e a conexão entre artista e fãs. Em diversos momentos, Lione interagiu e pediu ajuda do público em refrões e palmas, até desceu ao meio da plateia para cantar e interagir diretamente com os fãs, fortalecendo essa troca que deixou a noite ainda mais especial.

A banda de apoio estava afiada e empolgada, acompanhando com precisão e energia cada música, o que só elevou o nível da apresentação. O entrosamento entre os músicos era evidente, o que garantiu uma performance técnica e cheia de vigor do começo ao fim.

No entanto, uma questão que merece reflexão foi a escolha do teatro como palco para a apresentação e o estímulo, em alguns momentos, do Fabio Lione para que o público se levantasse. Muitos atendiam ao convite, mas logo se sentavam novamente. Na segunda parte do show, ficou evidente que essa empolgação vinha dos fãs, mas que infelizmente não condiz com o formato do espetáculo proposto para um teatro. Quando compramos um ingresso para um show nesse tipo de espaço, há uma expectativa por um formato que permita a todos aproveitar o espetáculo da melhor forma possível. Além disso, muitas pessoas frequentam esses locais por questões de acessibilidade ou mobilidade, o que torna essa situação ainda mais importante para reflexão.

Ainda assim, isso não diminuiu a magnitude do show, que foi magnífico e cumpriu com excelência o que prometia: uma celebração da obra do Rhapsody of Fire em uma apresentação técnica, emocionante e cheia de significado para os fãs que acompanharam o vocalista nessa turnê especial. Foi uma noite para se elogiar.

Fabio Lione encerrou a apresentação com agradecimentos calorosos e a promessa de novas turnês trazendo outros clássicos do Rhapsody of Fire cantados na íntegra. Fica a expectativa para que em breve possamos reviver essas jornadas épicas ao som da banda, em mais uma celebração da música e da fantasia.

Aguardaremos ansiosos por esses próximos encontros e novas oportunidades de mergulhar nesse universo tão particular e cativante criado por Fabio Lione e seus músicos.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Estética Torta



Fabio Lione – setlist:

Epicus Furor (Rhapsody of Fire)

Emerald Sword (Rhapsody of Fire)

Wisdom of the Kings (Rhapsody of Fire)

Heroes of the Lost Valley (Rhapsody of Fire)

Eternal Glory (Rhapsody of Fire)

Beyond the Gates of Infinity (Rhapsody of Fire)

Wings of Destiny (Rhapsody of Fire)

The Dark Tower of Abyss (Rhapsody of Fire)

Riding the Winds of Eternity (Rhapsody of Fire)

Symphony of Enchanted Lands (Rhapsody of Fire)



Set 2
In Tenebris (Rhapsody of Fire)

Knightrider of Doom (Rhapsody of Fire)

Land of Immortals (Rhapsody of Fire)

The Wizard's Last Rhymes (Rhapsody of Fire)

Rain of a Thousand Flames (Rhapsody of Fire)

Lamento Eroico (Rhapsody of Fire)

Holy Thunderforce (Rhapsody of Fire)

We Are the Champions (Queen cover)

Dawn of Victory (Rhapsody of Fire)


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Cobertura de Show: Fabio Lione – 02/02/2025 – Vip Station/SP

No final da tarde do dia 02 de fevereiro de 2025, a capital paulista recebeu Fabio Lione, a icônica voz das bandas Rhapsody, Visions Divine, Kamelot e Angra no Vip Station com a sua “Epic Tales Tour Brazil 2025”. Produzido pela Caveira Velha Produções em colaboração com a Underground Produções, a turnê finalmente chegava a São Paulo para seu décimo sétimo espetáculo após passar por diversos estados, incluindo Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraná.

Por volta das 16hrs, as portas do Vip Station se abriram, recebendo um público que, devido a uma repentina mudança climática - da ensolarada manhã para uma chuvosa tarde - chegava lentamente ao local.

Horas antes, pela manhã, a produção do evento havia atualizado suas redes sociais sobre a alteração no horário, inicialmente previsto para um pouco mais tarde, com a abertura da casa programada para às 17 horas. A mudança de plano de última hora e o congestionamento causado pelos alagamentos em função das intensas chuvas da tarde surpreenderam o público.

Por volta das 16h30, o Vip Station estava quase deserto quando a primeira banda convidada, Marenna – originária do Rio Grande do Sul e representando o Hard Rock e AOR –, subiu ao palco. Eles proporcionaram um show à altura, mesmo para um público reduzido. Às 17h30, foi a vez dos cariocas do Innocence Lost, que trouxeram seu Heavy Metal autoral com influências de Power metal e Metal Progressivo para animar aqueles que começavam a chegar.

Um pouco depois das 18h30, a tão esperada Enorion, banda de Power Metal oriunda de Tatuí, subiu ao palco e proporcionou uma apresentação bastante intensa. O grupo é composto por Rafael Bras nos teclados, Felippe Castello nos vocais, Gabriel Oliveira e Christopher "Dragon" Lopes nas guitarras, Thiago Caieiro na bateria e Pablo Guilarducci no baixo. 

Em função de alguns atrasos na troca de bandas, do evidente cansaço da equipe devido à longa turnê e do tempo restrito, o setlist da banda acabou sendo reduzido para apenas quatro faixas: duas originais – “Enorion” e “Time to Understand”– e dois covers – “He-man”, uma música do Trem da Alegria que a banda regravou recentemente e a icônica “Pegasus Fantasy”, tema de abertura do clássico anime Os Cavaleiros do Zodíaco. Apesar dos contratempos, a banda conseguiu oferecer uma performance enérgica para o público presente.

Finalmente, chegou o momento mais aguardado. Já passava um pouco das 20hrs quando as luzes do local se apagaram e a introdução de Lux Triumphans começou a tocar. Com o retorno das luzes, os primeiros acordes de “Dawn of Victory” cortaram o ar de forma intensa, levando o público à euforia, que cantou o refrão em uníssono. Após algumas interações de Fabio com a plateia, a magnífica “Land of Immortals” dominou o ambiente, seguida pela deslumbrante “Winds of Destiny”. Logo depois, o primeiro convidado da noite, Kiko Shred, guitarrista do Viper, subiu ao palco e se juntou aos membros da Enorion, que estavam atuando como banda de apoio para Fabio naquela noite, proporcionando uma apresentação impecável com seus solos impressionantes na envolvente “Holy Thunderforce”, que animou a multidão.

Subsequentemente, Kiko impressionou com sua guitarra em uma performance solo que deixou o público em êxtase. Dando continuidade, as composições “Emerald Sword”, “The Magic of the Wizard’s Dream”, “Wisdom of the Kings” e “Unholy Warcry” destacaram-se em uma execução primorosa. Entre as faixas, Fabio envolvia o público com relatos de eventos e curiosidades de sua era junto ao Rhapsody, promovendo uma interação íntima. Antes de interpretar "Emerald Sword", fez uma observação bem-humorada, mencionando que a banda havia concebido essa canção quase como uma brincadeira, que acabou conquistando o público a ponto de se tornar um clichê, assim como "Carry On" para o Angra. Para concluir o repertório musical do Rhapsody no primeiro ato do setlist durante a apresentação, "Lamento Eroico", "Sea of Fate" e "The Village of the Dwarves" dominaram o ambiente com seu encanto e magia, sendo executadas de forma esplêndida. 

Logo após, Juliana Rossi subiu ao palco ao lado de Fabio, encantando a todos com uma linda interpretação de “Bleeding Heart”. Durante a performance, Fabio também se juntou à apresentação cantando um trecho da versão em português do grupo Calcinha Preta, chamada “Agora Estou Sofrendo”. Na sequência, continuaram com as músicas “Send me an Angel” e “Violet Lonliness”, que foram escolhidas para marcar sua passagem pelo Visions Divine.

Entre as canções, Fabio interagiu com o público, compartilhando algumas histórias engraçadas. Ele ainda cantou um pedaço da famosa “The Call” dos Backstreet Boys, mencionando sua apreciação por outros estilos musicais. Em um momento divertido, brincou com um casal na plateia, expressando seu desejo de presenciar um beijo romântico e confessou que gostaria de estar com sua amada. Para descontrair ainda mais a atmosfera, ofereceu uma pequena aula de vocal de apenas 30 segundos para os presentes.

Em seguida, ele convidou Felippe Castello, o vocalista da Enorion, para se juntar a ele e Juliana na performance da famosa "Time to Say Goodbye" (Con te Partiró), resultando em uma apresentação impressionante do trio. Finalmente, foi a vez de "Forever", uma das notáveis composições do Kamelot, brilhar, seguida pela clássica "Still Loving You" dos Scorpions e "Carrie" da banda Europe. Antes de entoar sua música de encerramento, Fabio rendeu uma homenagem a um amigo ao cantar a capela "Una Furtiva Lacrima". 

Para encerrar a noite de forma esplêndida, após cerca de 22 canções e mais de duas horas de show, "Wasted Years" do Iron Maiden ressoou nas vozes de todos os presentes, acompanhando Fabio e fechando com êxito mais um capítulo da Epic Tales Tour Brazil 2025. 


Texto: Guilherme Freires

Fotos: Anderson Hildebrando (Heavy Metal Online/Metal no Papel)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Underground Produções / Caveira Velha Produções


Fabio Lione – setlist: 

Dawn of Victory

Land of Immortals

Wings of Destiny

Holy Thunderforce

Emerald Sword

The Magic of the Wizard's Dream

Wisdom of the Kings

Unholy Warcry

Lamento eroico

The Village of Dwarves

Rebirth

Nova Era

Bleeding Heart / Agora estou sofrendo

Send Me an Angel

Violet Loneliness

Still Loving You (Scorpions cover)

Time to Say Goodbye (Con te partirò) (Andrea Bocelli cover)

Forever (Kamelot cover)

L'elisir d'amore (Gaetano Donizetti cover)  

Carrie (Europe cover)

Wasted Years (Iron Maiden cover)

sábado, 16 de abril de 2016

Rhapsody Of Fire: Trazendo de Volta Seus Melhores Elementos



Quando do lançamento dos seus primeiro álbuns, os italianos do Rhapsody também eram parte de uma nova safra de grupos de Metal que surgiam no final dos anos 90 e início dos anos 2.000, mais uma geração que surgiu para continuar propagando a chama do Heavy Metal, e com seu Symphonic Metal pomposo (ou "Hollywood Metal", como eles mesmos chegaram a se auto-denominar) caracterizado por grandes arranjos orquestrais, refrãos e coros grandiosos e temperos barroco e medievais, é reconhecido com um dos criadores e principais nomes do estilo.


O tempo passou, a fórmula pareceu desgastar, o nome mudou (adicionaram o "Of Fire")....e a banda dividiu-se em duas, em 2011 Luca Turilli deixou a banda de forma amigável, levando também o baixista Patrice Guers, formando então o LUCA TURILLI'S RHAPSODY, e Staropoli e demais continuando como RHAPSODY OF FIRE (O baterista Alex Holzwarth colaborou com ambas as bandas de início, estando atualmente somente com o Rhapsody of Fire).

Ambos já estão com o segundo álbum após a separação, e se o Rhapsody de Turilli saiu em vantagem, pis "Dark Wing of Steel" foi um álbum aquém do esperado,  e a estreia da banda de Turilli foi bem mais empolgante com "Ascending to Infinity", agora o Rhapsody of Fire apresenta um álbum à altura dos primeiros trabalhos da banda, e o que é melhor, os fãs possuem duas ótimas bandas do estilo, e sem que uma seja uma cópia da outra.


É uma questão de gosto pessoal, mas encontrei em "Into the Legend" um álbum mais atrativo do que o "Prometheus..." do Turilli's Rhapsody, provavelmente porque o Rhapsody of Fire trouxe aqueles elementos que tanto fascinaram os fãs, fazendo com que a banda ganhasse notoriedade, e ainda tem a voz de Fabio Lione. que sem dúvida nenhuma é elemento essencial e marcante, portanto, fica um pouquinho do sentimento de que o Rhapsody of Fire é a continuação natural do que iniciaram lá no final dos anos 90.

O tempo e o trabalho investidos na composição e produção do álbum valeram a pena, e se "Dark Wings of Steel" pareceu oscilante, "Into the Legend" vem para derrubar quaisquer dúvidas que pairavam sobre o futuro da banda. Os elementos sinfônicos e medievais estão com força total e magistralmente conduzidos, e o uso de corais e instrumentos reais nos arranjos de orquestra valorizam ainda mais as músicas, soando mais orgânicas, e consequentemente com muito mais feeling! 

São diversos músicos envolvidos, com um conjunto responsável pelos instrumentos barrocos (harpa céltica, cembalo, oboé, etc), solistas de flauta e cello, a soprano Manuela Kriscak e Luca Balbo no grand piano.
Então, percebe-se aí todo um investimento e suporte que foi dado para que se alcançassem os melhores resultados, chegando onde a banda desejava. E não foi tempo e grana jogados fora, pois "Into the Legend", que teve sua saga escrita por Fabio Lione, apresenta uma qualidade de produção e composição acima da média, com músicas bombásticas, refrãos e coros grandiosos, com momentos que realmente causam arrepios, e aquilo que digo sempre, ouviu, arrepiou o pelo do braço, e já deu vontade de ouvir de novo, sinal que é bom mesmo!


A intro "In Principio", por ser até um pouquinho longa, causa um suspensa, trazendo já aquele ar de trilha sonora que a banda sempre primou, e "Distant Sky" surge arrebatadora, faixa de abertura clássica, dinâmica e com refrão grandioso, aliás, eles voltaram a investir pesado em refrãos super pegajosos, sem medo de serem felizes! Os elementos sinfônicos e medievais em casamento perfeito com a bateria veloz e a classe e técnica de Roby de Micheli na guitarra, mostrando que não veio somente para ser coadjuvante doas orquestrações e dos teclados de Staropoli (embora os elementos orquestrais sempre tiveram ênfase na banda); "Into the Legend" não deixa cair o nível, corais e orquestrações esmagadoras, soando um pouco mais agressiva, com velocidade e um pré-refrão e refrão absolutamente marcantes, destaque para Fabio Lione, que já nesta segunda faixa mostra que está numa forma incrível! 

Depois desse início que praticamente não deixa o ouvinte respirar, vem outra sequência que na minha opinião, é a parte mais empolgante e criativa do álbum, iniciando com "Winter's Rain", que tem uma levada mais cadenciada, cativantes fraseados de Micheli, e esse andamento mais lento imprime uma dramaticidade à música, reforçada pelos arranjos orquestrais cinematográficos, mas arrepiante mesmo é a parte dos corais, que iniciam ali pelos 4 minutos, grandioso trabalho de vozes, e com o trecho da letra em latim, reforçando ainda mais esse ar cinematográfico e dramático; em seguida é a vez do ar medieval e barroco tomar conta, e "A Voice in the Cold Wind" com seus elementos folk envolve o ouvinte nessa aura, em ritmos cativantes e mais "alegres", depois da tensão da sua antecessora; "Valley of Shadows" traz como destaque os vocais da soprano Manuela Kriscak, mas Fabio não deixa por menos, em uma grande demonstração da sua classe, técnica e feeling, e quase desnecessário falar das orquestrações magníficas e os corais, variações de andamento, além de um refrão magnífico, talvez o melhor dentre tantos deste álbum.


A balada "Shining Star", é até simples, e bem agradável, com belas orquestrações, e o detalhe do gran piano ao final não a deixou ser apenas mais uma, um momento de respirar, para em seguida "Realms of Light" vir com riffs de guitarra marcantes e vocais mais agressivos de Fabio, variando trechos mais dramático e cadenciados com passagens mais rápidas; "Rage of Darkness" também traz riffs mais pesados, destacando os teclados e melodias cativantes nos vocais e coros, destacando as intervenções de baixo e guitarra, em mais um solo de técnica e melodia de Roby de Micheli, mas que Staropoli não deixa por menos, emendando com um belo solo em seus teclados.

Os 16:45 minutos do épico "The Kiss of Life" fecham este ópus, em uma viagem sinfônico-metálica-medieval, passando por diversos climas. Um jornada que traz um resumo de todas essas nuances musicais do grupo, com Fabio interpretando magistralmente e abusando de sua técnica e possibilidades vocais, em trechos mais teatrais, agressivos ou melódicos. Instrumental impecável, a trilha é tão intensa e com tantas variações que mal percebemos passar esse mais de 16 minutos. Nesta edição nacional lançada pela Shinigami Records ainda temos o bônus "Volar Sin Dolor", balada com elementos acústicos e orquestrações, mais uma vez com Luca Balbo no gran piano, letra em espanhol, com um clima bem interessante, e Fabio imprimindo muita emoção,e  assim como na "Shining Star", esses elementos não permitem que sejam somente mais um balada para preencher espaço.


São os melhores elementos do Rhapsody Of Fire, remetendo ao seu início, e se era uma banda que gerava desconfiança um tempo atrás, inclusive há muito tempo eu não curtia de verdade um álbum deles, e parece que as mudança foram benéficas, e agora Staropoli, Lione e os demais estão seguros e cientes do querem para o grupo, maturidade e talento possuem de sobra, e traduzem essa nova fase em Metal Sinfônico e Cinematográfico grandioso (valorizado pelo uso de instrumentos reais nas orquestrações), criativo, renovado e um Lione brilhando! Que a partir daqui a evolução continue,e quem sabe, distribuindo um pouquinho mais o protagonismo das partes de orquestra e corais, com os demais instrumentos.
Rate: 9/10

Resenha: Carlos Garcia

Banda: Rhapsody Of Fire
Álbum: "Into the Legend"! 2016
País: Itália
Estilo: Symphonic Power Metal
Produção: Alex Staropoli
Selo: AFM/ Shinigami Records

Adquira o álbum AQUI
"Into the Legend" Vídeo Oficial

Canais Oficiais da Banda



Rhapsody of Fire é:
Fabio Lione: Vocais
Alex Staropoli: Teclados
Alex Holzwarth: Bateria
Alessandro Sala: Baixo
Roby de Micheli: Guitarras


Track-List
In Principio
Distant Sky
Into the Legend
Winter's Rain
A Voice in The Cold Wind
Valley of Shadows
Shining Star
Realms of Light
Rage of Darkness
The Kiss of Life
Volar Sin Dolor (bônus track)


terça-feira, 17 de março de 2015

Angra: Expondo Seus Segredos




Quando nos prendemos a uma confabulação sobre o Heavy Metal nacional, é difícil deixar escapulir o nome do Angra. Afinal, com 23 anos de estrada, a banda é uma das fiadoras em alastrar o Metal do Brasil ao redor do globo, sendo, ao lado do Sepultura, um dos principais nomes do gênero de origem tupiniquim. E mesmo quem não os veneram ou não gostam, o respeito é sempre grandioso, já que, só de nome, possui status fortes. E usando uma frase do ex-vocalista da banda, Edu Falaschi: “Pode mudar a formação toda que, se tiver o logotipo, o pessoal vai comparecer nos shows.” Mas vários problemas, tanto interno e externo, estorvou a banda a ir muito mais além do que está, e a nuvem negra apareceu novamente em 2010, logo após o lançamento do "Aqua", e que se agravou em 2011, na vexatória apresentação no Rock In Rio, que acabou se resultando, no ano seguinte, a saída do Edu do posto de ‘front-man’.

De um 2012 “sabático” e um 2013 de lavar a alma, o Angra teve que arregaçar as mangas e resolver várias pendências antes de voltar aos palcos. Um imaginável desfecho sempre foi um fantasma que incomodou os integrantes depois de tudo que passaram entre 2010 e 2011, principalmente do fundador-membro Rafael Bittencourt, que possui um carinho enorme com seus fãs. E graças às músicas impactantes, e de fãs que carrega uma paixão desde a fundação da “deusa do fogo”, a banda aniquilou qualquer dúvida de quem achava que o Angra deveria acabar, independente de quem estaria cantando, já que o posto de vocalista foi cenicamente mudado mais uma vez, tendo as importantes passagens de André Matos e Edu Falaschi.


A reconstrução começou no início de 2013, a começar pelo posto de vocalista, que se encontrava vago desde a saída do Edu. A intenção, desde o começo, sempre foi montar um ‘reality-show’ para escolher quem seria a nova voz do Angra, dando-se em conta que a prioridade era dar atenção ao talento dos brasileiros, mas, no mesmo ano, com um convite para tocar no cruzeiro “70000 Tons Of Metal”, a banda teve que achar um vocalista urgentemente, e através dos organizadores do cruzeiro, foi sugerido o italiano Fabio Lione (Rhapsody Of Fire, Vision Divine), com a intenção apenas de cumprir esse compromisso. Mas devido aos comentários positivos, acabaram resolvendo recrutá-lo para participar da “Angels Cry - 20th Anniversary Tour”, que foi documentado em DVD com o show gravado em São Paulo. E a estabilização do Fabio no Angra não foi só apenas pelo profissionalismo dele, a simpatia e a boa comunicação com o público, já que ele tem o espirito latino, foi essencial pra que ele caísse na graça dos fãs e tê-los na palma da mão facilmente. Na minha visão, respeitando o André Matos e o Edu, Fabio Lione é o que mais se encaixa no perfil da banda.

A “Angels Cry – 20th Anniversary Tour”, turnê de celebração aos 20 anos de lançamento do ‘debut’ álbum “Angels Cry” (1993), foi à oportunidade dos fãs poderem ver o Angra ao vivo novamente, que teve passagens por diversos cantos do Brasil, América Látina e com shows super lotados. A turnê também não seria o que foi devido a uma grande pessoa, o nada menos que Paulo Baron, um dos nomes mais importantes no mundo do ‘show-business’, empresário da banda há dois anos e que faz as coisas de maneira correta e com seriedade. A volta do Angra se deve muito a ele também, considerando uma espécie de 6º membro.


Passados quatro anos sem apresentar nenhum material inédito, era hora de todos se juntarem para compor músicas novas, e a projeção de como o novo Angra iria soar em estúdio foi muito intensa, lembrando que os dois últimos lançamentos ("Aqua" e "Aurora Consurgens") ficaram bem abaixo do esperado. E, claro, como o Lione iria se comportar diante de seu primeiro trabalho na banda? Na certa, os fãs do Rhapsdoy, imaginavam, de maneira escancarada, que o novo álbum ia ser voltado ao que o Lione está acostumado a trabalhar na sua banda. Já os fãs do Angra tiveram mais perseverança, confiabilidade de seria um trabalho inovador e diferente do que foi produzido nos últimos anos. E é bem isso que encontramos em “Secret Garden”, que além de marcar a estreia do Lione em um ‘Full-Lenght ‘, também traz o jovem baterista Bruno Valverde assumindo as baquetas.    

Passagens sombrias, obscuras, melodiosas e até elementos de música Pop, fazem do “Secret Garden” um disco moderno e contemporâneo, quem ouvir pela primeira vez irá querer escutar com mais frequência, até porque, em partes, o disco foge dos clichês do Power Metal Melódico, mas nunca deixando o DNA do Angra de lado, que é colocar ritmos brasileiros aqui e ali, e um pouco da influencia do Prog Metal também, fatores esses que tornaram a banda referência mundial. E pra quem já gosta dos trabalhos nas guitarras do Kiko Loureiro e do Rafael Bittencourt passará a gostar mais ainda, pois, na minha visão, “Secret Garden” é o trabalho mais rico na parte guitarrística, com riffs indomáveis e repugnantes.

Como aconteceu em trabalhos como “Rebirth” (2001) e “Temple Of Shadows” (2004), o Angra voltou novamente pra Europa para gravar o “Secret Garden”, e a ungida pessoa pra assessorar a produção foi o sueco Jens Bogren, que conseguiu decifrar muito bem a intensão da banda, retribuindo com uma mixagem esplendorosa. O resultado não podia ser outro, é só consultar o currículo dele pra saber toda a diferença; e na pré-produção a banda ganhou um extra especial, que foi gerenciado pelo renomado produtor Roy-Z, o qual prioriza as principais características do artista e sabe tirar o melhor de cada um. Nas partes de composição e elaboração de arranjos, a presença dele foi fundamental.


Logo que adquiri o álbum, já fui pulando para terceira faixa, devido à relevância das duas primeiras. A faixa na qual eu me refiro é a “Final Light”, uma das minhas preferidas, com direito a riffs bem insanos e assombrosos. Vale ressaltar o trabalho do baixista Felipe Andreoli, que segura bem à bronca com um som bem grave e agudo, acolitado pela luxuosa voz do Lione. Caso alguém se interessa em descobrir o conceito das letras, especialmente desta faixa, irá deparar o que a banda estava passando no passado. O refrão reflete isso com clareza: “All the answers only led us to the edge/A final light never came and never will/So we fall and rise and walk again/The matter still prevails/The final light is the path and not the end.” Traduzido pro português: “Todas as respostas só nos levaram até o limite/Uma luz final nunca veio e nunca virá/Então nós caímos e levantamos e andamos de novo/A questão ainda prevalece/A luz final é o caminho e não o fim/Não é o fim.”


“Newborn Me” possui um “QI” de Prog Metal e um refrão magistral, prevalecendo novamente o trabalho das guitarras do Kiko e do Rafael, que é um dos momentos mais singulares durante a execução da faixa. Os ritmos brasileiros, o maracatu, por assim dizer, aparecem de forma rápida na ponte final da música vinda de passagens de música latina, também. E quando nos deparamos com o título da faixa, da pra perceber o relato de uma nova fase do Angra; “Storm Of Emotions” é uma ‘power-ballad’, que começa de forma amigável e maciça. Ela vai se construindo aos poucos até chegar no refrão explosivo e titânico, que ganha um bônus com o ótimo trabalho vocal do Rafael e do Lione cantando muito, como sempre.

E falando do fundador-membro, no “Secret Garden” o guitarrista Rafael Bittencourt aproveitou a oportunidade de apresentar os seus dotes como vocalista em um disco do Angra. “Bittencourt Project” foi o seu primeiro trabalho como músico solista onde há linhas vocais do próprio, e na faixa “Violet Sky” mostra um timbre de voz bem mais maduro e aperfeiçoado, que vai desde o mais grave e até alcançando notas mais altas. Em suma, a faixa tem riffs bem distorcidos e grooveados, mas que ganha melodia conforme o andamento; “Upper Levels” da uma economizada no peso para aprimorar a parte técnica dos músicos, englobando mais equilíbrio e feeling, com o Felipe dando um show nas seis cordas de seu baixo, não esquecendo, claro, do talentoso baterista Bruno Alverde, que além de tocar Thrash, Power e Death Metal, consegui imprimir as suas influências de Jazz e Fusion dentro do Heavy Metal. E uma coincidência legal: o baterista reside na mesma cidade deste que vos escreve.


As participações especiais femininas são um dos momentos mais engomados no álbum, começando pela ditame participação da rainha do Heavy Metal, Doro Pesch, em “Crushing Room”. Quando a voz da alemã está presente em qualquer trabalho, ou em algum show, não há erros pra serem apontados. O dueto bem caprichado com o Rafael, a mescla de música Pop com Heavy Metal e solos marcantes, são os pontos mais soberbos na canção; a outra participação é a da bela cantora Simone Simons (Epica), que canta inteiramente a faixa título, enfocando passagens mais épicas e sinfônicas.
Demais destaques ficam por conta de “Black Hearted Soul” (rápida e certeira, com solos bem trincados do Kiko) e “Perfect Symmetry” (tendo belas orquestrações), segue um pouco dos padrões que o público estava acostumado a ver da banda; e o disco fecha a tampa com a bela balada acústica, “Silent Call”, onde o Rafael volta ao vocal principal. Pra mim, ela já virou clássica e é indispensável na lista de melhores músicas do Angra.

Se o “Secret Garden” poderá vir a  ser considerado uma obra-prima eu não sei, mas que o disco vai ser lembrando por muitos não só pelo renascimento do grupo, mas também pelas mudanças que trouxe, sejam na formação ou na sonoridade.
O convite está feito pra você entrar nesse jardim secreto! 

Texto: Gabriel Arruda
Edição/revisão: Carlos Garcia
Fotos: Henrique Grandi

Ficha Técnica
Banda: Angra
Álbum: Secret Garden
Produção: Jens Bogren
Pré-produção: Roy-Z
Ano: 2015
Estilo: Power e Progessive Metal
País: Brasil
Selo: E-ar Music

Formação:
Fabio Lione (vocal)
Kiko Loureiro (guitarra)
Rafael Bittencourt (guitarra/vocal)
Felipe Andreoli (baixo)
Bruno Valverde (bateria)

Track-List
01. Newborn Me
02. Black Hearted Soul
03. Final Light
04. Storm Of Emotions
05. Violent Sky
06. Secret Garden (feat. Simone Simons)
07. Upper Levels
08. Crushing Room (feat. Doro Pesch)
09. Perfect Symmetry
10. Silent Call






segunda-feira, 30 de junho de 2014

Angra: Assista Apresentação da Banda no Hellfest na França


Banda apresentou clássicos diante do público francês e de todo o mundo

Recentemente a banda brasileira Angra se apresentou no mundialmente aclamado Hellfest Open Air Festival na França, juntamente com bandas como Iron Maiden, Black Sabbath, Aerosmith, Soulfly e dezenas de outras.

O festival que aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de junho reuniu milhares de pessoas e entrou para a história por reunir os mais variados nomes do Metal mundial junto com as maiores lendas em atividades.

Fabio Lione, em destaque, segue em turnê como vocalista e volta a se apresentar no Brasil ainda em 2014

Na ocasião, o Angra se apresentou no palco secundário, executando sete músicas clássicas da carreira, como "Angels Cry", "Nothing to Say" e "Nova Era", dentre outras.

Este é um dos primeiros shows com o novo baterista Bruno Valverde, que substitui Ricardo Confessori e ainda tem um caminho longo pela frente para obter a confiança dos fãs. Além dele, segue nos vocais o italiano Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Vision Divine), efetivado na banda e que estreará com faixas inéditas no vindouro álbum que começou a ser gravado este ano.

Primeira foto da nova formação com Bruno Valverde (segundo da esq.p/dir.)

Confira apresentação completa da banda abaixo!


Tracklist
01. Angels Cry
02. Nothing to Say
03. Wainting Silence
04. Lisbon
05. Spread Your Fire
06. Rebirth
07. Carry On/Nova Era

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Acesse outras matérias sobre a banda
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Entrevista com Rafael Bittencourt

domingo, 12 de janeiro de 2014

Rhapsody of Fire: Mantendo os Fãs Após Mudança de Formação

10º álbum é o primeiro sem Turilli, principal compositor
 
Já há alguns lançamentos o Rhapsody of Fire, provavelmente o maior nome italiano do chamado Power Metal Sinfônico, não tem agradado da mesma forma que em discos clássicos como “Symphony of Enchanted Lands” (1998) e “Symphony of Enchanted Lands II: The Dark Secret” (2004).

Sem Turilli, Lione escreve todas as letras
Porém, isso não quer dizer que os últimos discos tiveram má aceitação ou repercussão, mas apenas que a sonoridade do grupo, já não mais novidade, estava precisando de uma guinada, renovar-se. Mas aí veio o baque: o guitarrista e principal compositor Luca Turilli deixou a banda, com certa animosidade, lançando o “seu” Rhapsody (fraquíssimo, diga-se de passagem) e o real Rhapsody se via sem uma das peças centrais.

Em novembro de 2013, chegou o décimo disco “Dark Wings of Steel”, destes, o primeiro sem Turilli, o que estava gerando grande expectativa nos fãs. Assim, nele conhecemos o novo guitarrista Roby De Micheli e o baixista Oliver Holzwarth, conhecido principalmente por ter sido baixista contratado por muitos anos do Blind Guardian.

A grande questão era: será que a banda, apesar de não ter mais o talentoso Turilli, seria capaz de compor um disco que, ao menos, mantivesse o interesse dos fãs na banda? A resposta é afirmativa, se você der uma chance ao álbum.

Em breve, estreará primeiro vídeo clipe com a nova formação

“Dark Wings of Steel” está longe de marcar história na carreira consagrada do grupo, porém, conseguiu fazer a banda coloca mais os pés no chão, sem grandes abusos sinfônicos (como vinha acontecendo), mas é inegável que Turilli está fazendo falta. É aquele álbum que precisa de várias audições, pois dificilmente chamará atenção de cara.

Estreia novo baixista ex-Blind Guardian
São boas composições, agora com as letras todas de Fabio Lione (vocal), que dispensa apresentações e, quem sabe, é o que consegue salvar o disco, já que sua belíssima voz está num patamar já inegável e agora, tendo a liberdade de compor (algo que não acontecia, como deu a entender em entrevista exclusiva par ao Road to Metal).

Há ótimos momentos que valem o álbum, como “Silver Lake of Tears” (bem Power), “Angel of Light” (minha favorita, com refrão grudento), “Fly to Crystal Skies” (grande composição, outra com refrão viciante), “My Sacrifice” (aqui Roby mostra que foi uma escolha acertada) e a faixa-título.

Embora tentando manter a sonoridade clássica da banda, quem sabe este seja um começo para uma mudança, pois toda evolução exige adaptação e a “troca de comandos” na banda poderá render bons frutos futuros, já que o primeiro e tímido passo foi dado neste álbum. Os fãs podem conferir sem medo, mas ainda com o fantasma de Turilli.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Rhapsody of Fire
Álbum: Dark Wings os Steel
Ano: 2013 
País: Itália
Tipo: Power Metal Sinfõnico

Formação
Fabio Lione (Vocal)
Roby De Micheli (Guitarra)
Oliver Holzwarth (Baixo)
Alex Staropoli (Teclados)
Alex Holzwarth (Bateria)




Tracklist
01. Vis Divina
02. Rising From Tragic Flames
03. Angel Of Light
04. Tears Of Pain
05. Fly To Crystal Skies
06. My Sacrifice
07. Silver Lake Of Tears
08. Custode Di Pace
09. A Tale Of Magic
10. Dark Wings Of Steel
11. Sad Mystic Moon

Ouça samplers do álbum


Acesse e conheça mais sobre a banda

sábado, 30 de novembro de 2013

Entrevista Angra - Rafael Bittencourt: "Estamos Recuperando o Gás do Começo da Banda."



Lançando um novo DVD e já se preparando para o ano de 2014, o guitarrista Rafael Bittencourt atendeu a nossa equipe para também falar do ótimo momento que o Angra está vivendo neste derradeiro ano de 2013. Nesta conversa, que se soma à entrevista que fizemos com Fabio Lione, Rafael Bittencourt (guitarra) conta tudo sobre os 20 anos de "Angels Cry" e planos para o próximo ano.  (English Version Here)

Road to Metal: Esse ano de 2013 está sendo muito especial na carreira do Angra, com a presença de um novo vocalista e de shows acontecendo em todos os cantos do Brasil e América Latina – isso tudo por causa dos 20 anos de lançamento do "Angels Cry". Conte-nos um pouco das lembranças que você tem do inicio da carreira da banda e do primeiro registro em estúdio? 

Rafael: Em outubro de 1991 eu batizei a banda com o nome Angra. 22 anos se passaram cheios de altos e baixos, e graças a Deus estamos celebrando este momento com muita alegria e vontade. Em 2011, o Angra fez 20 anos de carreira e, por vários fatores, não pudemos comemorar de maneira apropriada. Em 2013, o disco "Angels Cry" completa 20 anos de seu lançamento, então aproveitamos o gancho para celebrarmos essa história. Hoje, o Angra é uma referencia mundial neste estilo e contribuiu muito para a profissionalização da cena no Brasil. Tenho muito orgulho de fazer parte disto e viver de uma paixão que é tocar e fazer música. Todos no grupo estão motivados e na mesma sintonia. 


RtM: Dito na pergunta anterior, o Angra visitou alguns estados do nosso Brasil para poder compartilhar todo esse clima de festa e comemoração juntos com os fãs, inclusive também contou com shows em alguns países na América Latina. Como tem sido essa maratona de shows? 

Rafael: A turnê pelo Brasil e América Latina tem sido um sucesso de público e crítica, juntamente com a celebração está a nossa saudade dos fãs e dos palcos. O pretexto principal é se divertir e compartilhar esta diversão com o público. Receber a aprovação dos fãs nesta nova fase foi uma benção.

Salvador, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo sempre nos receberam com o maior carinho e desta vez não foi diferente. Hoje com a internet, o fã acompanha de perto os dramas do artista e muitas vezes se compadece e apoia. Eles nos trouxeram a inspiração e entusiasmo que hoje nos motiva.


RtM: Desde o inicio de 2012, vocês tiveram que encarar a triste saída do vocalista Edu Falaschi, mas com o convite para a banda tocar no 70000 Tons Of Metal, tinham que chamar um vocalista às pressas, que acabou sendo o italiano Fabio Lione (Rhapsody Of Fire, Vision Divine, Hollow Haze). O que o fizeram para chegar até ele? 

Rafael: Recebemos um convite para tocar no cruzeiro 70000 Tons Of Metal com várias outras bandas de Metal e público do mundo inteiro. Na época estávamos sem vocalista e o produtor disse que a falta de um vocalista fixo não era um problema e sugeriu o Fabio. Foi uma enorme surpresa!

Pessoalmente casou na hora. Ele é muito tranquilo, contrapondo com as várias personalidades intensas de todos nós. Musicalmente, nem se fala. A química foi impressionante já no primeiro ensaio. E foi uma oportunidade de tocar para pessoas que não conheciam o Angra e fãs de outros estilos também, que se impressionaram com o resultado e deram um excelente feedback. Lá no barco, o público e os artistas se misturam constantemente e temos a chance de saber diretamente deles o que acham. Conversamos muito entre nós nos dias de cruzeiro. Tudo aquilo animou a todos do grupo e deu uma enorme vontade de armar uma turnê, disco e voltar a fazer planos com o grupo.


RtM: Lione já esteve no Brasil algumas vezes, é conhecido pelo seu trabalho com Rhapsody, Vision Divine e outros, mas no palco mesmo, até então, aqui no país tivemos poucas oportunidades de conferi-lo. A resposta do público é muito importante se tratando nesse assunto. A recepção dele com os fãs foi o que vocês esperavam? 

Rafael: Os fãs do Angra se sentiam um pouco órfãos na época, e os fãs do Fabio de certa forma também, porque o Rhapsody of Fire também perdeu um membro importante, Luca Turilli. Este sentimento deixou os fãs meio melancólicos. Quando chegamos animados e cheios de tesão, surpreendemos a todos com uma vibração de otimismo que se espalhou de maneira geral. Como vocalista, o Fabio é um fenômeno e isto foi uma "chapuletada" para o público. A cada show vemos os queixos caindo na plateia com o carisma e a musicalidade dele.


RtM: O último show da tour não poderia ser em outro local senão a cidade natal da banda (SP), o que acabou culminando na gravação de um novo DVD, tendo convidados especiais, para que os fãs possam entender todo esse momento que o Angra está vivendo. Qual foi a ideia de vocês quererem registrar isso com um material oficial? 

Rafael: Sentimos que este momento precisava ser documentado e mostrado para todos. Este DVD está sendo um divisor de águas na história da banda. Estamos recuperando o gás do começo da banda. Foi um momento mágico de interação total com os fãs e com os convidados. Tivemos a Tarja Turunen (ex-Nightwish), A Família Lima, Uli Jon Roth (ex - guitarrista do Scorpions) e Amílcar Christófaro (baterista do Torture Squad) – abrilhantando ainda mais a performance. Tocamos algumas músicas que há anos não tocávamos, como Stand Away e Gentle Change. Na Galeria do Rock, a primeira leva esgotou em poucas horas. Foi lançado no Brasil, América Latina, Europa e Ásia, e já está revigorando o prestígio que o Angra teve nos seus melhores anos. 

RtM: Praticamente, todos já sabem que a banda já tem planos para compor material inédito, já com o Fabio Lione nos vocais. Esse material pode carimbar a presença integral dele no Angra? 

Rafael: Pretendemos gravar o próximo CD com o Lione e queremos que ele fique o tempo que pretender. Ele é muito requisitado e já tem um nome construído na cena, de maneira que ele já participa de outras bandas e projetos. Não pretendemos exigir que ele seja exclusivo nosso, mas queremos que ele fique o máximo possível conosco. Parafraseando Vinícius de Morais: "Que Seja Eterno Enquanto Dure". Sabemos que está muito bom o clima e energia da banda, e vamos trabalhar para isto se permanecer.


RtM: Fora do Angra, você montou um projeto solo em 2008 - Bittencourt Project -, que só teve um disco gravado. Você pretende retomar as atividades com o projeto? 

Rafael: Meu projeto solo, Bittencourt Project, eu fiz em 2008 como uma espécie de desabafo. Não tem uma moldura comercial, fiz por necessidade pessoal. Foi quase uma diarreia emocional. E eu amo fazer. Por outro lado, gasta-se muita energia e dinheiro para pouco retorno. E é um pouco frustrante, às vezes. Fazer tudo sozinho é bem mais difícil que em grupo. Eu quero retomar assim que as coisas com o Angra se acalmarem. Quem sabe o ano que vem...

RtM: Em paralelo, o que podemos esperar do Angra para 2014? 

Rafael: Já estamos compondo as novas músicas para um disco de estúdio, tendo o Fabio Lione nos vocais. Temos convites para alguns festivais na Europa e América Latina. Faremos mais alguns shows divulgando o DVD e no segundo semestre estaremos lançando o CD de inéditas.


Entrevista: Gabriel Arruda/Eduardo Cadore
Revisão: Carlos Garcia