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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Motionless In White: Vinte anos de evolução sem abrir mão da própria identidade (Also In English)

Roadrunner Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Celebrar duas décadas de carreira é um privilégio reservado a poucas bandas dentro do metal moderno. Desde sua formação em 2005, na Pensilvânia (EUA), o Motionless In White construiu uma identidade própria ao combinar metalcore, industrial, nu metal, metal alternativo e elementos eletrônicos sob uma estética inspirada no horror, no gótico e na cultura pop sombria. Ao longo dos anos, o grupo liderado por Chris Motionless refinou sua sonoridade sem abandonar a agressividade que conquistou sua base de fãs. Em Decades, lançado pela Roadrunner Records para celebrar os 20 anos da banda, o quinteto apresenta um trabalho que revisita sua trajetória enquanto aponta para o futuro, reunindo peso, melodias marcantes e participações especiais que ampliam ainda mais a experiência do álbum.

O conceito de Decades funciona como uma homenagem à própria história do Motionless In White. O encarte reforça esse caráter comemorativo com uma direção artística impecável, repleta de referências visuais à estética sombria que acompanha a banda desde seus primeiros lançamentos. É um material que dialoga diretamente com os fãs de longa data, mas que também serve como porta de entrada para quem está conhecendo o grupo.

Na parte técnica, a produção assinada por Drew Fulk e Justin DeBlieck é um dos grandes triunfos do álbum. Ambos encontram um equilíbrio admirável entre brutalidade e acessibilidade, entregando uma mixagem extremamente limpa, poderosa e moderna. Cada instrumento ocupa seu espaço sem comprometer a intensidade das composições, enquanto os elementos eletrônicos são incorporados de forma orgânica, enriquecendo as músicas sem jamais ofuscar o peso das guitarras.

Chris Motionless vive um dos melhores momentos de sua carreira. Sua interpretação é intensa e convincente, transitando naturalmente entre vocais limpos extremamente melódicos e guturais rasgados carregados de emoção e agressividade. A dinâmica vocal acrescenta dramaticidade às composições e reforça o caráter cinematográfico presente em boa parte do repertório.

As guitarras entregam riffs encorpados, grooves impressionantes e uma quantidade generosa de camadas que tornam cada faixa rica em detalhes. São aqueles grooves que fazem qualquer headbanger bater cabeça naturalmente. O baixo aparece firme, preenchendo a sonoridade com profundidade e sustentação, enquanto a bateria alterna precisão técnica, peso e criatividade, acompanhando perfeitamente as constantes mudanças de atmosfera do disco.

O grande mérito de Decades está justamente em sua capacidade de fundir diferentes estilos sem soar exagerado. Nu metal, industrial, metal alternativo, metalcore e música eletrônica convivem em perfeita harmonia, resultando em um álbum extremamente envolvente, energético e moderno. Os refrões são explosivos, memoráveis e fáceis de assimilar, tornando o trabalho acessível inclusive para quem normalmente não acompanha o metalcore. O Motionless In White demonstra maturidade artística ao refinar sua técnica sem sacrificar a essência que definiu sua carreira.

A faixa-título, "Decades", sintetiza perfeitamente a proposta do álbum. Combinando peso, melodias marcantes e uma atmosfera grandiosa, ela funciona como uma verdadeira declaração de identidade da banda e representa com competência o espírito comemorativo do trabalho.

Em "R.I.P.", a participação de Skylar Grey acrescenta uma dimensão emocional impressionante. A introdução conduzida por sua voz delicada cria um contraste marcante antes da explosão instrumental comandada pelo Motionless In White. O resultado é uma das músicas mais cinematográficas do álbum, alternando momentos de vulnerabilidade e intensidade com enorme eficiência.

"Fight Like Hell" aposta fortemente na influência do nu metal, trazendo grooves pesados, refrão explosivo e uma energia contagiante. Chris Motionless conduz a faixa com autoridade, transformando-a em um dos momentos mais empolgantes do disco.

"Playing God", com a participação especial de Corey Taylor, certamente figura entre os grandes destaques de Decades. A química entre os dois vocalistas é impressionante. As alternâncias entre vocais limpos e guturais elevam ainda mais a intensidade da composição, enquanto Corey entrega uma performance agressiva, raivosa e extremamente carismática, acrescentando ainda mais peso ao resultado final.

Em "Blood Rave", com participação de Anthony Martinez, a banda surpreende ao explorar uma atmosfera de balada gótica moderna. Hipnótica, envolvente e bastante diferente do restante do repertório, a música aposta em sintetizadores, batidas eletrônicas e um refrão dançante que permanece na memória após poucas audições. Aqui, os elementos eletrônicos assumem o protagonismo, demonstrando a versatilidade do grupo.

"Love At First Bite" mergulha de vez na temática vampiresca que sempre permeou parte da estética do Motionless In White. A composição incorpora influências da música dos anos 1980 sem abrir mão da produção moderna, criando uma atmosfera elegante, sedutora e divertida.

Em "Afraid Of The Dark", a banda entrega um dos momentos mais emocionantes do álbum. A abertura com guturais rasgados estabelece imediatamente um clima dramático que logo dá lugar a passagens melódicas extremamente marcantes. O refrão é envolvente, grandioso e reforça o equilíbrio entre agressividade e sensibilidade que caracteriza o disco.

A atmosfera retrô retorna em "Sunglasses At Night", que flerta com o AOR e o synth rock dos anos 1980 sem perder o peso contemporâneo. O resultado é uma faixa divertida, nostálgica e surpreendentemente dançante, capaz de agradar tanto aos fãs de metal quanto ao público que aprecia a estética das tradicionais baladas góticas.

Fechando a edição com uma energia extra, a bonus track "Fight Like Hell", desta vez com participação do Outlier, oferece uma nova leitura para uma das músicas mais fortes do álbum, encerrando Decades com a mesma intensidade que acompanha toda sua execução.

Decades não é apenas uma celebração dos 20 anos do Motionless In White, mas também uma demonstração clara de maturidade artística. A banda encontrou um equilíbrio raro entre agressividade, melodia, experimentação e apelo comercial, entregando um álbum que respeita sua identidade enquanto amplia seus horizontes musicais. Com produção impecável de Drew Fulk e Justin DeBlieck, performances inspiradas e composições repletas de refrões marcantes e grooves irresistíveis, o disco reafirma por que o Motionless In White continua sendo uma das principais forças do metal moderno.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

Celebrating two decades of a band's career is a privilege reserved for only a handful of acts in modern metal. Since forming in 2005 in Pennsylvania, USA, Motionless In White has forged a distinctive identity by blending metalcore, industrial, nu metal, alternative metal, and electronic elements under an aesthetic inspired by horror, gothic culture, and dark pop culture. Over the years, the band led by Chris Motionless has refined its sound without sacrificing the aggression that won over its loyal fanbase. With Decades, released through Roadrunner Records to commemorate the band's 20th anniversary, the quintet delivers a record that honors its past while looking firmly toward the future, combining crushing heaviness, memorable melodies, and high-profile guest appearances that elevate the listening experience.

The concept behind Decades serves as a tribute to Motionless In White's own legacy. The album booklet reinforces its commemorative nature through impeccable artistic direction, packed with visual references to the dark aesthetic that has accompanied the band since its earliest releases. It is a package that speaks directly to longtime fans while also serving as an inviting gateway for newcomers.

From a technical standpoint, the production by Drew Fulk and Justin DeBlieck stands as one of the album's greatest strengths. The duo achieves an admirable balance between brutality and accessibility, delivering a mix that is exceptionally clean, powerful, and modern. Every instrument occupies its own space without compromising the intensity of the compositions, while the electronic elements are seamlessly integrated, enhancing each track without ever overshadowing the crushing guitar work.

Chris Motionless delivers one of the finest vocal performances of his career. His interpretation is both powerful and convincing, moving effortlessly between soaring clean vocals and raw, emotionally charged screams. This dynamic vocal approach adds dramatic weight to the compositions and reinforces the cinematic atmosphere that defines much of the album.

The guitars unleash thick riffs, infectious grooves, and multiple layers that make every song feel rich and detailed. These are the kind of grooves that naturally make every headbanger bang their head with a smile. The bass provides a solid and commanding foundation, adding depth and fullness to the overall sound, while the drums combine technical precision, power, and creativity, perfectly complementing the album's constant shifts in mood and intensity.

Decades truly shines in its ability to merge different musical styles without ever sounding forced or excessive. Nu metal, industrial, alternative metal, metalcore, and electronic music coexist in remarkable harmony, resulting in an album that feels energetic, immersive, and refreshingly modern. The choruses are explosive, instantly memorable, and highly accessible, making the record appealing even to listeners who are not typically fans of metalcore. Motionless In White demonstrates remarkable artistic maturity by refining its craft without sacrificing the essence that has defined its career.

The title track, "Decades" perfectly encapsulates the album's overall vision. Combining crushing heaviness, memorable melodies, and a grand cinematic atmosphere, it serves as a powerful statement of identity while capturing the celebratory spirit of the record.

On "R.I.P." Skylar Grey brings an impressive emotional dimension to the song. Her angelic vocal introduction creates a striking contrast before Motionless In White unleashes its instrumental intensity. The result is one of the album's most cinematic moments, effortlessly balancing vulnerability and sheer power.

"Fight Like Hell" fully embraces its nu metal influences through heavy grooves, an explosive chorus, and infectious energy. Chris Motionless commands the song with confidence, turning it into one of the album's most adrenaline-fueled highlights.

"Playing God" featuring Corey Taylor, is undoubtedly among the standout tracks on Decades. The chemistry between both vocalists is undeniable. Their interplay between clean vocals and guttural screams elevates the song's intensity, while Corey delivers a fierce, aggressive, and emotionally charged performance that adds even more weight to the final result.

On "Blood Rave" featuring Anthony Martinez, the band surprises listeners by exploring the atmosphere of a modern gothic ballad. Hypnotic, immersive, and unlike anything else on the album, the song relies on lush synthesizers, electronic textures, and a danceable chorus that lingers long after it ends. Here, the electronic arrangements take center stage, highlighting the band's impressive versatility.

"Love At First Bite" fully embraces a vampiric atmosphere that has long been part of Motionless In White's artistic identity. The song incorporates clear influences from 1980s music while maintaining a thoroughly modern production, resulting in an elegant, seductive, and highly entertaining composition.

With "Afraid Of The Dark" the band delivers one of the album's most emotionally impactful moments. The opening guttural screams immediately establish a dramatic tone before giving way to soaring melodic passages. Its captivating chorus reinforces the balance between aggression and emotion that defines the record.

The retro influences return on "Sunglasses At Night" a track that flirts with AOR and 1980s synth rock without sacrificing contemporary heaviness. The result is an irresistibly fun, nostalgic, and danceable song that is likely to appeal not only to metal fans but also to listeners who appreciate the atmosphere of classic gothic club anthems.

Closing the special edition with an extra burst of energy, the bonus version of "Fight Like Hell" featuring Outlier, offers a fresh interpretation of one of the album's strongest tracks, bringing Decades to an intense and satisfying conclusion.

Decades is far more than a celebration of Motionless In White's twenty-year career; it is a compelling demonstration of artistic maturity. The band has achieved a rare balance between aggression, melody, experimentation, and mainstream appeal, delivering an album that remains faithful to its identity while confidently expanding its musical horizons. Backed by the outstanding production of Drew Fulk and Justin DeBlieck, inspired performances, unforgettable choruses, and irresistible grooves, Decades reaffirms why Motionless In White continues to stand among the leading forces in modern metal.



sexta-feira, 12 de junho de 2026

Strigah: Quando o Metal Vira Arte

Coffinjoe Records (Nac.)

Zoetia: O álbum que vai mudar o que você pensa sobre o metal brasileiro  

Por Paula Butter

Confesso que, após pesquisar sobre a proposta da banda paulistana Strigah, me peguei ansiosa para iniciar a audição cuidadosa de Zoetia, pois a qualidade dos músicos e a proposta disruptiva das faixas é interessante demais para gerar comparações.  

Vamos lá: antes de mais nada, vale elogiar todo o processo de lançamento da obra, com interações dos artistas com o público e explicações a respeito dos conceitos das músicas, a fim de não gerar especulações errôneas por parte dos haters de plantão.  

O som da banda é de uma qualidade excepcional, com destaque para a coesão perfeita entre letras e instrumentos. As composições em português são cuidadosamente elaboradas, com mensagens e gritos direcionados à realidade extrema que a sociedade está vivenciando. Entretanto, existem momentos de calma e pacificação da alma, com melodias de pura musicalidade brasileira. A dicotomia de Zoetia deu muito certo e conseguiu fugir do “lugar comum” com muita facilidade.  

A explicação que encontrei para esta perfeita viagem musical foi: "é como ser a Alice no País das Maravilhas". Em meio ao caos necessário, encontram-se a beleza, a força interior e o misticismo levado a sério. Atualmente, no cenário nacional, este álbum é uma preciosidade, diferente de tudo o que já estamos acostumados a ouvir. São aquelas obras que podemos apreciar mil vezes e sempre encontraremos nuances antes não percebidas, pérolas escondidas, acordes que falam sem palavras.

É necessário destacar também a arte do álbum, da artista Jennifer Erny. Em meio ao mundo ditado pelas inteligências artificiais, o talento humano ecoa ainda mais forte.   

Por fim, é uma obra necessária para o cenário nacional atual e uma lição de casa para todos os amantes de boa música, pesada ou não. Acredito que os paulistanos do Strigah já estão mais do que prontos para voos maiores. 

A banda é formada por Kaio Felipe nos vocais, Samanta Tica no baixo, Eleonardo de Paula na bateria e Matheus Figueredo na guitarra. O álbum foi lançado pela CoffinJoe Records.

João Miguel - @_jmiguelr_


quinta-feira, 17 de abril de 2025

Cobertura de Show: 13 Fest – Grunge is Dead, Psicodosy, Treze Black e Praga – 05/04/2024 – Tequila Bar, Caçapava do Sul/RS

 


Na sexta-feira, 5 de abril, Caçapava do Sul foi palco de mais uma edição do 13 Fest. O Tequila Bar recebeu um bom público, mostrando que, mesmo no corre diário, o underground do interior ainda tem sangue correndo. 

Organizado pela Treze Black, banda da cidade, o festival trouxe mais uma vez a mistura de música pesada, arte independente, tatuagem, piercings e merchandise, tudo feito no esquema DIY, sem patrocínio grande, só na força que o underground sabe.

Quem abriu a noite foi a Grunge is Dead, tributo ao grunge dos anos 90. Tocando clássicos como "Breed", "Come As You Are" e "Black Hole Sun", a banda conseguiu trazer o público para perto logo no começo. Muita gente cantava junto, aumentando o clima da casa já nas primeiras músicas.

Grunge is Dead

Na sequência veio a Psicodosy, de Santa Maria. A banda mandou um metal progressivo, mas sem deixar o peso de lado, com sons como "Depois do Limbo", "Manipulação" e "Ninguém Vai Nos Salvar", que fizeram o pessoal prestar atenção. O que podia ter virado aquele momento morno entre bandas acabou surpreendendo, tendo até roda rolando em algumas músicas mais agressivas.

Psicodosy

Quando a Treze Black subiu no palco, o 13 Fest virou de vez. A banda que mistura metalcore com nu metal não deu tempo pra respirar: riffs afiados em músicas como "Submerso", "Antivírus" e "Efeito/Caos" (música inédita, apresentada em primeira mão no Fest), vocais absurdos e aquela energia que a gente sabe. 

A resposta do público foi como sempre é com a Treze Black, com moshpit começando já nas primeiras músicas. Diandro Dymme, que iniciou usando uma máscara,  comandava o público, com muito domínio do seu espaço, não deixando que o pique caísse em momento algum. 

A formação atual, já estabilizada há algum tempo, mostra um entrosamento invejável. 



Treze Black 

A banda também aproveitou para mostrar em primeira mão novos sons, como a já citada ", Efeito/Caos" e "Mal Natural". O pessoal conhecia as letras, cantava junto e dava para sentir que muita gente ali acompanha a banda faz tempo. Ainda teve participação especial do vocalista Pedro, do Präga, em um dueto com Diandro.



Fechando a noite, a Präga entrou destruindo tudo. Hardcore rápido, sujo e direto, daquele tipo que não pede licença. Tocando pedradas como "Submissão", "Nova Ordem" e "Sem Anistia", a banda trouxe o discurso político pra dentro do pit. 

"Sem Anistia", música que manda a real sobre a tentativa de anistiar os crimes do governo Bolsonaro, virou grito coletivo em meio do caos. 

Präga

Quem já estava cansado ganhou gás e o pit voltou a abrir, com gente se empurrando até a última nota. A Praga entregou uma apresentação absurda que fechou a noite com a intensidade que o 13 Fest merecia.

O mosh não poderia faltar.

Entre uma apresentação e outra, o som ficava responsável pelas DJ’s Hammer e Spitz, que tocaram desde o emo até o metal extremo. E não vamos esquecer que enquanto tudo isso rolava, tinha um pessoal se tatuando, aplicando piercings e visitando as exposições presentes no evento. 

Foi um evento bem sucedido e plenamente aprovado pelo público, e que com certeza acontecerá mais vezes.



O Fest contou com vários expositores 

No final, ficou claro: o 13 Fest não é um grande festival cheio de estrutura, mas é verdadeiro. É feito pra quem realmente vive e apoia o underground, seja no palco, no pit ou atrás de uma banca vendendo arte independente.

Texto: Mellissa Freitas 
Edição/revisão: Caco Garcia 
Fotos: Mellissa Freitas e Fotos Oficiais do Evento

Instagram das Bandas:


Confira vídeo oficial Aqui

Setlist Grunge is Dead

1 - Breed
2 - In Bloom
3 - Aneurysm
4- Drain You
5- Floyd The Barber
6- School
7- Come as you are
8 - Would
9- Junkhead
10- We Die Young
11- Then Bones
12 - Hunger Strike
13 - Black Hole Sun


Setlist Psicodosy:

1. Depois Do Limbo 
2. Sujando Minhas Mãos
3. Enquanto Existir
4. Meus Demônios
5. Mesmo Nas Sombras 
6. Manipulação
7. Uma Dose
8. Meus Demônios 2
9. Ninguém Vai Nos Salvar


Setlist Treze Black

1- intro 13613
2- homicídio solar
3- sentidos
4- alma órfã
5- passos cegos
6- o mal natural
7- efeito/caos
8 - s.o.n.o
9- submerso
10- antivírus 
11- blind
12- psychosocial


Setlist Präga:

1- Submissão
2- Quem vai lembrar
3- Enxame de vermes
4 - Juízo final
5- Humanidade
6- Em nome do sofrimento 
8- Anseios de Libertação 
9- Nova ordem
10 - Sem anistia



segunda-feira, 14 de abril de 2025

Cobertura de Show: The Amity Affliction – 06/04/2025 – Carioca Club/SP

The Amity Affliction apresenta show enérgico em única apresentação no Brasil

Australianos trás show recheado de hits e emoção para fãs brasileiros.

A banda australiana The Amity Affliction fez sua segunda, rápida e porém marcante passagem por São Paulo no domingo, 6 de abril de 2025. Com um setlist já conhecido dos fãs brasileiros, o grupo não economizou na entrega e realizou um show memorável no Carioca Club.

Sem banda de abertura, o público se concentrou em peso na casa, aguardando com ansiedade o início da apresentação, que começou pontualmente às 20h, conforme prometido. O local estava lotado, com a grade disputada e uma plateia fervorosa — foi esse o cenário que Joel Birch (vocal), Dan Brown (guitarra), Joe Longobardi (bateria) e Johnathan Reeves (baixo) encontraram ao subir no palco. Logo no início, o vocalista recebeu e posicionou no palco uma bandeira do Brasil com o nome da banda, preparada pelos fãs — um gesto que já demonstrava o carinho mútuo entre artista e plateia.

A abertura ficou por conta de “Pittsburgh” (Let the Ocean Take Me, 2014), o hino mais conhecido da banda, que incendiou a casa e deu o tom da noite. Na sequência, “Drag the Lake” (Misery, 2018) emocionou e fez o público cantar em uníssono. Desde os primeiros acordes, dava pra sentir que aquela noite seria especial.

A conexão entre banda e público foi intensa: cartazes, sorrisos, olhares e gestos de carinho dominaram o ambiente, suavizando a atmosfera pesada das guitarras e dos vocais guturais. Joel, sempre atento, interagia com os fãs o tempo todo e, entre uma música e outra, pedia para abrirem espaço para o mosh, que era atendido de imediato, com a pista se abrindo como um mar em meio ao caos.

Clássicos como “Chasing Ghosts” (Chasing Ghosts, 2012) agitaram ainda mais a plateia, e um dos pontos altos da apresentação foi a execução da nova “All That I Remember”, que mostra que a banda segue firme, evoluindo sem perder a carga emocional característica das suas melodias. “Death’s Hand” (Let the Ocean Take Me, 2014) foi entoada como um verdadeiro hino, com o público — em sua maioria jovem — matando a saudade da banda, que havia se apresentado no Brasil pela primeira vez em 2017.

Já às 21h05, o show se encaminhava para o fim. No encore, a banda voltou ao palco com “Soak Me in Bleach”, encerrando com chave de ouro sua passagem pelo país. Joel agradeceu ao público em português, em mais um momento de afeto genuíno, e deixou claro o quanto a banda valoriza os fãs brasileiros. Ao fim da apresentação, enquanto tocava “Girls Just Want to Have Fun”, de Cyndi Lauper, os integrantes ainda interagiram com o pessoal próximo à grade, dando atenção e sorrisos — o tipo de detalhe que fica na memória de quem esteve lá.

Foi uma noite incrível. Tomara que voltem logo!


Texto & Fotos: Raíssa Campos 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: GIG Music

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


The Amity Affliction – setlist: 

Pittsburgh

Drag the Lake

The Weigh Down

Like Love

Don't Lean on Me

Open Letter

All My Friends Are Dead

Chasing Ghosts

All That I Remember

Death's Hand

I See Dead People

My Father's Son

It's Hell Down Here

Give It All

Bis 

Soak Me in Bleach

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Cobertura de Show: Slaughter To Prevail – 29/03/2025 – VIP Station/SP

A estreia da banda russa Slaughter To Prevail no Brasil foi nada menos que apoteótica. Em uma noite marcada por brutalidade sonora e energia insana, o grupo liderado pelo carismático vocalista Alex Terrible incendiou o palco da VIP Station, em São Paulo, diante de uma casa completamente lotada. O evento, realizado em 29 de março de 2025, representou não apenas um marco para os fãs brasileiros de metal extremo, mas também um capítulo importante na trajetória da banda, que há anos era aguardada com ansiedade no país. O evento ainda contou com a participação dos brasileiros do Axty.

A noite foi aberta com um show eletrizante da banda brasileira Axty, que soube aquecer o público com maestria. Iniciando com a pesada "Take Me Down", a banda logo mostrou seu poderoso e moderno metalcore, fazendo com que a plateia se entregasse ao seu som. "Fragile" trouxe uma dinâmica diferente, com momentos melodias vocais mais leves que contrastavam com a agressividade das guitarras, preparando o terreno para a explosão de "Fade Away", que levou os fãs ao delírio. O clímax do set veio com "You'll Find Me", quando Axty incitou o público a formar um wall of death, transformando a pista em um verdadeiro campo de batalha. Encerrando com "Six Feet Under", a banda deixou o palco com a certeza de que havia preparado o terreno para a brutalidade que viria a seguir e demonstrando ser um nome promissor do estilo. 




Formada em 2014, o Slaughter To Prevail rapidamente ganhou notoriedade na cena extrema com sua sonoridade agressiva, breakdowns avassaladores e a impressionante capacidade vocal de Alex, cujos guturais se tornaram febre nas redes sociais. Acompanhado por Jack Simmons e Dmitry "Dima" Mamodov nas guitarras, Mikhail "Mike" Petrov no baixo e Evgeny Nokilav na bateria, os russos entregaram tudo o que o público esperava em uma apresentação memorável.

A introdução foi uma música eletrônica que parecia não ter fim. Foram quase 10 minutos até que, finalmente, o show começou. O público gritava por Alex. A banda subiu ao palco e o guitarrista Jack Simmons surgiu erguendo a bandeira do Brasil. Iniciaram com "Bonebreaker", e o nome da faixa não poderia ser mais apropriado para a abertura. As luzes vermelhas e o som ensurdecedor já anunciaram o que estava por vir. O público, tomado de euforia, abriu rodas desde o primeiro riff. Em seguida, "Baba Yaga", um dos maiores sucessos da banda, levou os fãs à loucura. A performance vocal de Alex foi monstruosa, literalmente — com sua máscara dourada icônica, ele parecia uma entidade saída de um pesadelo eslavo.

A sequência com "Conflict" e "Koschei" manteve o clima intenso, com destaque para a habilidade técnica dos guitarristas Jack Simmons e Dmitry "Dima" Mamodov, cujos riffs pesados e precisos mantiveram a energia em alta. Esta última, anunciada como uma faixa nova que será lançada no próximo trabalho da banda em julho de 2025, trouxe todo o peso característico do grupo. Antes de "Viking", Alex foi ovacionado novamente. A atmosfera ganhou tons ainda mais sombrios com "Viking" e trouxe um dos momentos mais esperados da noite, quando Alex cantou fora do microfone para deleite dos fãs. "Bratva" veio na sequência e evocou o peso da ancestralidade e da violência histórica, temas recorrentes na estética do grupo. No ar, doses cavalares de testosterona e adrenalina instigavam a plateia transformar a pista em um verdadeiro pandemônio com um wall of death violentíssimo.

Na reta final, a tríade "Grizzly", "Hell" e "1984" trouxe momentos de pura catarse. "Hell" teve um dos breakdowns mais pesados da noite, levando o público ao delírio. "I Killed a Man" e "Behelit" mostraram o lado mais técnico e experimental da banda, mesclando velocidade e atmosferas densas. Com o público nas mãos, Alex pediu para que todos se abaixassem antes de "Kid of Darkness". Prontamente atendidos, os fãs se abaixaram e, ao iniciar a música, culminaram numa explosão de pulos em uma comunhão brutal. Se tivessem parado por aí, já teriam proporcionado uma noite inesquecível, mas os fãs estavam sedentos por mais.

O encore, com o devastador hino "Demolisher", coroou a noite. O guitarrista Jack Simmons se jogou na galera no meio da música, e o breakdown final arrancou as últimas gotas de suor do público, que deixou o local ensopado, exausto, mas com a alma lavada com tamanha entrega e brutalidade. Foi uma noite histórica na qual o Slaughter To Prevail não apenas entregou um show impecável, mas proporcionou uma troca de energia absurda como há tempos não presenciava. Saíram do palco maiores do que entraram, e agora nos resta torcer para que esse seja apenas o primeiro de muitos encontros com os fãs brasileiros. 



Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Gabriel Eustáquio (Sonoridade Underground)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Xaninho Discos



Axty – setlist: 

Take Me Down

Fragile

Relaxing Nature Sounds

Fade Away

Fall Again

Dismay

Flowers and Butterflies Lullaby

You'll Find Me

Six Feet Under


Slaughter To Prevail – setlist:

Bonebreaker

Baba Yaga

Conflict

Koschei

Viking

Bratva

Grizzly

Hell

1984

I Killed a Man

Behelit

Kid of Darkness

Bis

Demolisher

terça-feira, 25 de março de 2025

Cobertura de Show: Atreyu – 20/03/2025 – Carioca Club/SP

 Atreyu em São Paulo: Um show que valeu 25 anos de espera (com suor e donuts!)

Se você estava no Carioca Club na última quinta-feira, 20 de março, sabe que o Atreyu não veio ao Brasil apenas para tocar — veio para fazer história. E, cá entre nós, eles fizeram isso com direito a suor escorrendo “rego abaixo”, donuts voando pelo ar, e uma energia que deixou claro: o metalcore ainda tem muito fôlego (e fãs apaixonados).

A noite começou com um “pré-show” inusitado. Enquanto o público ainda chegava, Brandon Saller, o vocalista que parece ter sido feito para liderar multidões, subiu ao palco e anunciou que, como não havia banda de abertura, a equipe técnica da banda faria um “esquenta” com alguns covers. E não foram covers qualquer: Pantera e Metallica deram o tom, com um fã sortudo cantando “Sad But True” no palco. Para fechar com chave de ouro, Brandon mandou um “I Believe In A Thing Called Love”, do The Darkness, porque, claro, por que não?

Às 21h, com o Carioca Club ainda longe de lotar (culpa da quinta-feira e da agenda cheia de shows em março), o Atreyu entrou no palco ao som de “Sandstorm”, do Darude. Sim, aquela música que todo mundo já ouviu em algum meme ou festa aleatória. E, de repente, o clima de “Summer Eletrohits” deu lugar a um tsunami de metalcore com “Drowning”. A galera já estava cantando no topo dos pulmões, e a energia só aumentou com “Becoming the Bull”, um clássico que fez todo mundo reviver os anos 2000, quando a gente ainda usava MySpace e achava que emo hair era o ápice da moda.

Brandon, que parece ter sido abençoado por algum deus do rock com carisma infinito, não perdeu tempo. Em “The Time Is Now”, ele desceu para a pista, cantou no meio da galera, deu uma passadinha no bar para tomar um drink (sim, isso aconteceu) e ainda voltou para o palco como se nada tivesse acontecido. O cara é um show à parte.

Um dos momentos mais nostálgicos da noite foi quando Brandon reassumiu seu antigo posto na bateria para “Bleeding Mascara”, enquanto o baixista Marc “Porter” assumiu os vocais. A troca de papéis foi tão natural que deu até vontade de pedir bis só para ver mais dessa dinâmica. E falando em nostalgia, o cover de “Like a Stone”, do Audioslave, foi um dos pontos altos da noite. Simples, emocionante e com um ar de despedida, a música fez todo mundo cantar junto, mesmo que com um nó na garganta.

Mas não pense que o show foi só emoção e lágrimas (de suor, claro). O Atreyu mostrou que sabe brincar com o público. Brandon tentou aprender a falar “filha da p***” em português (e quase conseguiu), Travis Miguel mostrou que seu português está afiado (ou pelo menos suficiente para elogiar a galera), e ainda teve parabéns para uma fã aniversariante, que subiu no palco para tirar foto com a banda. Ah, e não podemos esquecer dos donuts que foram arremessados para a plateia — porque, aparentemente, metalcore e donuts são uma combinação perfeita.

O setlist foi uma viagem no tempo, com clássicos como “Ex’s and Oh’s”, “The Crimson” (minha favorita) e “Lip Gloss and Black”, que fechou o encore com chave de ouro. A banda prometeu que não vai demorar 25 anos para voltar ao Brasil, e, depois de um show desses, a gente só pode torcer para que eles cumpram a promessa.

No final das contas, o Atreyu não só fez sua estreia no Brasil, mas também deixou claro por que ainda é uma das bandas mais relevantes do metalcore, que apresentou um dos shows mais divertidos do ano. Com energia, carisma e um setlist que misturou nostalgia e modernidade, eles provaram que, mesmo depois de 25 anos de carreira, ainda sabem como fazer um show inesquecível. E, cá entre nós, a gente já está contando os dias para a volta deles. Atreyu, por favor, não nos façam esperar tanto dessa vez! 



Fotos: Gustavo Diakov (Sonoridade Underground)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload



Atreyu – setlist:

Drowning

Becoming the Bull

Right Side of the Bed

Save Us

The Time is Now

When Two Are One

(i)

Bleeding Mascara

Gone

Ex’s and Oh’s

Like a Stone (Audioslave cover)

Battles Drums

Falling Down

The Crimson

Blow

Encore

Lip Gloss and Black

sábado, 15 de março de 2025

ATREYU: A JORNADA DE UMA DAS MAIORES BANDAS DO METALCORE - O INÍCIO, O AUGE, A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL

Por Guilmer Costa da Silva

O Atreyu é uma das bandas mais icônicas e influentes do metalcore, gênero que combina a agressividade do metal com a intensidade emocional do hardcore. Desde sua formação em 1998, na Califórnia, o Atreyu ajudou a moldar o cenário do metal moderno, influenciando uma geração de bandas como Bring Me The Horizon, A Day to Remember e Asking Alexandria. Com uma carreira repleta de altos e baixos, experimentações sonoras e um retorno triunfante, o Atreyu se consolidou como uma das bandas mais importantes do gênero. Vamos mergulhar na história dessa formação lendária, desde seus primórdios até os dias atuais.


O INÍCIO: OS PRIMEIROS PASSOS E A DEFINIÇÃO DO SOM - Visions E Suicide Notes and Butterfly Kisses 

Tudo começou em 1998, em Orange County, Califórnia, quando o vocalista Alex Varkatzas, o guitarrista Dan Jacobs, o baixista Marc McKnight, o baterista Brandon Saller e o guitarrista Travis Miguel se uniram para formar o Atreyu. Inspirados por bandas como Metallica, Pantera e The Misfits, eles buscaram criar um som que misturasse a agressividade do metal com a energia crua do hardcore.

Seu primeiro álbum, Suicide Notes and Butterfly Kisses (2002), lançado pela Victory Records, foi um marco inicial para o metalcore. Com faixas como "Ain't Love Grand" e "Lip Gloss and Black", o álbum trouxe uma combinação única de vocais guturais, melodias cativantes e letras emocionalmente carregadas. A dualidade entre os vocais agressivos de Alex e os vocais limpos de Brandon Saller se tornou uma das marcas registradas da banda.

Curiosidade: O nome "Atreyu" foi inspirado no personagem de A História Sem Fim, um clássico da literatura e do cinema. A escolha reflete a conexão da banda com temas de fantasia e superação, que permeiam suas letras.


O AUGE: A CONSOLIDAÇÃO NO METALCORE - The Curse E A Death-Grip on Yesterday


Com o lançamento de The Curse (2004), o Atreyu alcançou o sucesso mainstream. O álbum trouxe hits como "Right Side of the Bed" e "The Crimson", que se tornaram hinos do metalcore. A combinação de riffs pesados, solos melódicos e letras introspectivas conquistou fãs ao redor do mundo. O videoclipe de "The Crimson" foi amplamente exibido na MTV, ajudando a banda a ganhar visibilidade.

Em 2006, veio A Death-Grip on Yesterday, outro marco na carreira da banda. Com faixas como "Ex's and Oh's" e "Creature", o álbum mostrou uma evolução sonora, com uma produção mais polida e uma abordagem mais melódica. "Ex's and Oh's" se tornou um dos maiores sucessos do Atreyu, sendo tocada incessantemente em rádios e programas de TV.

Curiosidade: O Atreyu foi uma das primeiras bandas do metalcore a incorporar elementos visuais e estéticos mais elaborados em seus shows, como pirotecnia e iluminação dramática, elevando a experiência ao vivo do gênero.



O APOGEU: A DOMINAÇÃO DO MAINSTREAM - Lead Sails Paper Anchor E Congregation of the Damned


Em 2007, o Atreyu lançou Lead Sails Paper Anchor, um álbum que marcou uma guinada mais acessível e experimental. Com influências de rock clássico e metal alternativo, o disco trouxe faixas como "Becoming the Bull" e "Falling Down", que alcançaram grande sucesso comercial. A banda explorou novos territórios sonoros, incorporando elementos de rock sinfônico e até mesmo country, o que dividiu a opinião dos fãs, mas ampliou seu público.

Em 2009, veio Congregation of the Damned, que retomou um som mais pesado, sem abrir mão da abordagem melódica. Com músicas como "Storm to Pass" e "Gallows", o álbum consolidou o Atreyu como uma das bandas mais versáteis do metal moderno. No entanto, após anos de turnês intensas e mudanças no cenário musical, a banda decidiu fazer uma pausa em 2011.



A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL - Long Live E In Our Wake


Após um hiato de dois anos, o Atreyu anunciou seu retorno em 2014, para a alegria dos fãs. Em 2015, lançaram Long Live, um álbum que marcou o renascimento da banda. Com faixas como "Do You Know Who You Are?" e "So Others May Live", o disco mostrou que o Atreyu ainda tinha muito a oferecer, mantendo sua essência enquanto explorava novas sonoridades.

Em 2018, veio In Our Wake, outro álbum aclamado pela crítica e pelos fãs. Com músicas como "The Time Is Now" e "Super Hero", o disco trouxe uma abordagem mais madura e emocional, refletindo as experiências pessoais dos integrantes. A turnê de In Our Wake consolidou o retorno do Atreyu ao topo, com shows lotados e performances energéticas.



A SAÍDA DE ALEX VARKATZAS: UMA MUDANÇA DE CAPÍTULO


A saída de Alex Varkatzas, vocalista e um dos fundadores do Atreyu, em setembro de 2020, marcou um momento significativo na história da banda. Alex foi uma peça fundamental na identidade do Atreyu, contribuindo não apenas com seus vocais guturais característicos, mas também com suas letras emocionalmente carregadas e profundamente pessoais. Sua presença no palco e sua conexão com os fãs eram inegáveis, o que tornou sua saída um choque para muitos.

Em um comunicado oficial, Alex explicou que sua decisão de deixar a banda foi motivada por uma combinação de fatores pessoais e profissionais. Ele mencionou que, após mais de duas décadas de turnês intensas, gravações e dedicação quase integral ao Atreyu, sentiu a necessidade de priorizar sua saúde mental, sua família e outros projetos pessoais. Alex também destacou que sua paixão pela música e pela arte permanecia intacta, mas que ele precisava de um novo rumo para expressar sua criatividade.

Por outro lado, os membros restantes do Atreyu respeitaram a decisão de Alex e expressaram gratidão por sua contribuição ao longo dos anos. Em entrevistas, Brandon Saller, que assumiu os vocais principais após a saída de Alex, mencionou que a mudança foi desafiadora, mas também uma oportunidade para a banda se reinventar. Ele ressaltou que o Atreyu sempre foi uma entidade em evolução, e a saída de Alex foi mais um capítulo nessa jornada.

Curiosidade: Apesar da saída, Alex e os membros do Atreyu mantiveram um relacionamento amigável. Em várias ocasiões, Alex expressou apoio à banda e ao álbum Baptize (2021), o primeiro sem sua participação. Ele também continuou envolvido em projetos musicais e artísticos, explorando novas formas de expressão criativa.

A saída de Alex Varkatzas representou o fim de uma era, mas também o início de uma nova fase para o Atreyu. A banda provou que, mesmo sem um de seus pilares originais, poderia continuar evoluindo e mantendo sua relevância no cenário do metalcore. Para os fãs, Alex sempre será lembrado como uma voz icônica que ajudou a definir o som e a identidade do Atreyu durante seus anos mais influentes.



O QUE ESPERAR DO FUTURO?

O Atreyu continua ativo, com uma formação que inclui Brandon Saller (vocais e bateria), Dan Jacobs (guitarra), Travis Miguel (guitarra), Marc McKnight (baixo) e Kyle Rosa (bateria). A banda segue tocando em festivais e turnês ao redor do mundo, levando sua música a novas gerações de fãs.

Com mais de duas décadas de carreira, o Atreyu é uma das bandas mais importantes do metalcore. Sua influência é sentida em todas as gerações do gênero, e sua música continua a inspirar milhões de fãs. Enquanto estiverem no palco, o espírito do Atreyu viverá, provando que o metalcore é, de fato, eterno.

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SOBRE O SHOW

Os californianos do Atreyu finalmente desembarcam no Brasil para um show único e imperdível! A banda, que mescla metalcore e hard rock, se apresenta no Carioca Club, em São Paulo, no dia 20 de março de 2025.

A turnê “25 Years in the Making” celebra os 25 anos de estrada do grupo e também marcará sua estreia em países como Argentina, México, Colômbia e Chile.

Com uma carreira sólida, o Atreyu já passou pelos maiores festivais do mundo, dividiu palco com nomes como Slipknot, Avenged Sevenfold e Linkin Park, e continua inovando sem medo de soar pesado demais ou acessível demais.

O último álbum da banda, “The Beautiful Dark of Life”, foi lançado de maneira inovadora em três EPs antes de ser reunido em um disco completo.

Agora, os fãs brasileiros terão a chance de conferir essa potência sonora ao vivo.

Serviço:
Data: 20 de Março de 2025 (quinta-feira)
Abertura da casa: 19h
Local: Carioca Club Pinheiros
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros – São Paulo, SP
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/atreyu-sp
Classificação: 18 anos

sábado, 30 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Bring Me The Horizon – 28/11/2024 – Audio/SP

A banda de metalcore britânica, Bring Me the Horizon, voltou ao Brasil para duas apresentações, promovendo seu mais recente trabalho “POST HUMAN: NeX GEn”, lançado em maio desse ano. A primeira das apresentações aconteceu na quinta-feira, dia 28 de novembro, na Audio em São Paulo. Com uma proposta mais intimista, o show foi anunciado há cerca de um mês e teve todos seus ingressos vendidos em menos de dois dias. Isso mostra o quanto a banda é querida pelo público brasileiro.

Sem banda de abertura e com fãs que acamparam desde a noite anterior, a fila da Audio percorria quarteirões. O tempo oscilatório de São Paulo, que pela tarde estava ensolarado e extremamente seco e abafado, teve pancadas de chuva ao final do dia, mas isso não desanimou o público, que aguardava ansiosamente para entrar na casa.

Com um atraso insignificante, por volta das 21 horas as luzes se apagaram e a animação temática no “nex gen” foi exibida no telão. Essa talvez foi uma das maiores intros que já presenciei, cerca de 7 minutos… Na imagem, víamos um menu de jogo de videogame, aqueles onde você ao iniciar o jogo precisa clicar em “press start”. O público, que estava mega ansioso, tentou de tudo: bater palma, gritar START, gritar o nome da banda… Em seguida, uma animação que mostra a personagem E.V.E (que participa dos shows e faz parte da Genxsis, uma igreja ou culto formada pelos seguidores de NexGen) nos pergunta: “vocês estão preparados para a melhor noite de suas vidas?”.

Às 21:10 a banda, formada por Oliver Sykes (vocal - e praticamente brasileiro), Lee Malia (guitarra), Matt Kean (baixo) e Matt Nicholls (bateria) sobe ao palco, ovacionados pelo público. A primeira música, “DArkSide’, do último álbum, foi cantada em uníssono. Oliver, que é casado com a modelo e artista brasileira Alissa Salls, interage o tempo todo em português, sempre ressaltando o quanto ama o Brasil e suas pessoas.

Sem tempo para respirar, o hit “Mantra” foi executado. Esse é um daqueles shows que só reuniu fãs, então não houve nenhum momento de calmaria ou que grande parte das pessoas não conhece alguma música. A energia foi a mesma do início ao fim. “Happy Song” e “Teardrops” vieram na sequência e Oliver pediu o primeiro mosh pit da noite. Apesar da casa estar cheia, é óbvio que ele teve seu pedido atendido.

“AmEN!” e “Kool-Aid”, ambas do “NeX GeN”, mostraram que os presentes realmente fizeram a lição de casa e ouviram o último trabalho da banda (que inclusive está indicado a álbum do ano em diversas premiações).

Seguindo com “Shadow Moses”, o set estava bem equilibrado, com músicas dos álbuns mais apreciados pela maioria. Então a banda tocou “n/A” pela primeira vez ao vivo. Oliver, sempre em português, demonstrava o quanto estava impressionado com o público.

“Sleepwalking”, “Kingslayer” (que conta com a participação do Baby Metal na gravação - aqui representada pelo próprio público que, cantava mais alto que a banda nas partes em que elas cantam) e “Parasite Eve” mantiveram a energia lá em cima.

Em “Antivist”, como de costume, Oliver escolheu alguém do público para dividir os vocais. O escolhido impressionou com seu gutural. Mais tarde descobrimos que ele é conhecido como Mister Chuck (Kauê Ferraz) e realmente faz parte de uma banda, a Overbrain. Em entrevista à rádio 89FM, o vocalista e tatuador contou que esperou por esse momento por 11 anos.

O set continuou com “Follow You”, “LosT” e o super hit “Can You Feel My Heart”, que encerrou a primeira parte.

Durante a semana os fãs manifestaram nas redes sociais as músicas que queriam ver no setlist, apresentando opiniões dividias. Muitos gostariam de ver um show apenas de músicas lado B, já outros esperavam hits. Sem dúvidas, o show agradou por mesclar diversas fases. Para os fãs dos álbuns mais antigos, o encore foi um presente.

“Doomed”, “Drown” e “Throne”, todas presentes no álbum “That’s the Spirit” (lançado em 2015), encerraram com chave de ouro a apresentação.

Embora ainda existam fãs mais tradicionais do metal que torcem o nariz, o Bring Me The Horizon segue firme na estrada há mais de 20 anos, com uma legião de admiradores ao redor do mundo, sendo o Brasil provavelmente o país com a maior base de fãs. A qualidade e o talento de sua discografia são inegáveis, e a apresentação na Audio confirmou que a banda entrega tudo ao vivo, seja para um público de 3 mil ou 50 mil pessoas.

Além disso, a banda movimentou a cidade com o lançamento de uma pop-up store, em parceria com a marca Lobo Bobo, instalada no Hangar 110, que funcionou exclusivamente nas quinta e sexta-feira, dias 28 e 29 de novembro.

Considerada uma das maiores bandas de metal da atualidade – se não, a maior –, o Bring Me The Horizon se prepara para o maior show de sua carreira, marcado para sábado, 30 de novembro, no Allianz Parque, ao lado de outras grandes atrações do metalcore, como Motionless In White, Spiritbox e The Plot in You.

“Brasil, eu amo vocês demais.”, disse Oli durante o show. E pode ter certeza, Oli, que os fãs brasileiros retribuem esse carinho com a mesma intensidade.


Texto: Jessica Tahnne Valentim 

Fotos: Flashbang Co.

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: 30ebr

Mídia Press: Trovoa Comunicação


Bring Me The Horizon – setlist:

DarkSide

MANTRA

Happy Song

Teardrops

AmEN!

Kool-Aid

Shadow Moses

n/A (primeira vez ao vivo)

Sleepwalking

Kingslayer

Parasite Eve

Antivist (com um fã)

Follow You

LosT

Can You Feel My Heart

Bis

Doomed

Drown

Throne