sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Cobertura de Show: Esquenta RockFun Fest – 13/07/2024 – Centro Esportivo Tietê/SP

No último dia 13 de julho, São Paulo viveu um dia memorável no Centro Esportivo Tietê com a realização do Esquenta RockFun Fest. Este evento não só antecedeu o renomado RockFun Fest, mas também se transformou em uma celebração do Dia Mundial do Rock, reunindo uma multidão de aproximadamente 15 mil pessoas, beneficiadas com ingressos gratuitos.

Com produção da Funlive Concerts, o festival - anteriormente conhecido como Rock na Praça -, acontece desde 2015 na capital paulista. Reunindo milhares de pessoas, o evento sempre se destacou por promover a música de forma gratuita, agregando culturalmente e dando oportunidade de todos participarem do evento. Esse ano marca a entrada do festival no calendário oficial de São Paulo, sendo o único evento de rock no mesmo.

Apesar do tempo frio e as ameaças de chuva, nada impediu que os fãs comparecessem em massa desde cedo. Os portões abriram pontualmente às 10:30, e os presentes se acomodaram estrategicamente próximos à grade, em busca de conseguir um bom lugar para receber o destaque da noite: Suicidal Tendencies.

A estrutura contava com praça de alimentação, algumas mesas e bancos, food trucks e, o problema relatado ano passado da falta de caixas para compra de créditos, dessa vez foi solucionado com “caixas ambulantes”. Além disso, haviam não somente pontos fixos de bar como também ambulantes.

Rockfun Legends

A primeira banda a subir ao palco, às 11 horas, foi a Rockfun Legends, formada pelo line up fixo de Dino Verdade na bateria, Alexandre Fabbri na guitarra e vocal e Rey Sky no baixo. O diferencial desta banda é a participação de convidados especiais a cada apresentação, e desta vez não foi diferente. Com Mayara Puertas (Torture Squad), Ciça Moreira (Six Continents Band) e Mi Vieira (Gloria) ao microfone, a Rockfun Legends fez jus ao seu nome, entregando uma apresentação arrebatadora que revisitou clássicos do rock e do metal. No repertório, sucessos de bandas icônicas como Rage Against the Machine, System of a Down e, é claro, Sepultura, levaram o público à euforia.

Corja!

Às 12:30 era a vez da Corja!, banda vencedora do concurso No Corre. O concurso tinha como principais regras a presença de pelo menos uma mulher em sua formação e ter músicas autorais e, além disso, os jurados se basearam em criatividade, originalidade e técnica. Foram 16 bandas escolhidas pelos jurados e nas etapas seguintes, a escolha foi por votação popular.

Vindo de Fortaleza, a Corja! é formada por Haru Cage (vocal), Pedro Felipe Leal (baixo) - na ocasião substituído por Rob do Inraza -, Helder Jackson (bateria) e Silvio Romero (bateria). Com letras que “exploram conflitos humanos, autocrítica e política”, unidos a riffs pesados e um vocal gutural impressionante da vocalista Haru, a banda que, já tem seunome consolidado na cena nordestina, provou com sua performance que não vai demorar muito para seu nome ecoar pelos quatro cantos do mundo.

Inocentes

O Inocentes, representante do punk rock paulistano, subiu ao palco às 13:50. Com muitos fãs presentes, o setlist trouxe clássicos como “Pânico em S.P.”, “Cala a Boca”, “Pátria Amada” e o cover do 365, “São Paulo”. Aqui já começaram a surgir, ainda que tímidas, as primeiras rodas. Apesar de alguns problemas técnicos no som, a apresentação foi leve e descontraída, com direito a uma homenagem ao grande Nelson Brito, da banda Golpe de Estado, falecido na última sexta-feira (12/07).

Enquanto muitos se perguntavam porque a escolha do Inocentes de tocar tão cedo no festival e, não ter um local de maior destaque no line up, o próprio Clemente afirmou - em encontro rápido - que teria outros compromissos durante o dia e que teria ainda mais um show a fazer mais tarde com a Plebe Rude.

Cali

Na sequência, o supergrupo Cali, subiu ao palco às 15:20. A banda, formada em 2017, possui dois álbuns de estúdio lançados e surgiu com a proposta de inserir seu toque em clássicos do rock nacional e internacional. O setlist teve vários momentos marcantes, incluindo músicas autorais, mas foram os covers, como as músicas do Tihuana (que inclusive acabou de anunciar seu retorno), “Pula”, “Tropa de Elite” e “Que Ves”, e também covers de Sepultura, Turnstile, Rage Against the Machine, Charlie Brown Jr, que animaram os presentes. A recepção do show foi ótima, com alguns moshes e bastante nostalgia.

Korzus

Com seus bem sucedidos 40 anos de carreira, a lenda do thrash metal, Korzus, trouxe peso ao dia. Em aproximadamente uma hora de apresentação, a banda passou por seus maiores clássicos, como “Never Die”, “Respect” e “Correria”, levantando completamente o público e até conquistando novos fãs. Aqui, voltaram a aparecer falhas técnicas no som, mas nem isso desanimou os headbangers, que abriam cada vez mais - e maiores - moshes. Assim como o Inocentes, o Korzus fez uma homenagem ao baixista Nelson Brito.

Oitão

Antecedendo os headliners da noite, o Oitão, banda do agora sócio da Funlive Concerts, Henrique Fogaça, subiu ao palco com seus integrantes mascarados e, com os problemas de som voltando. Para quem estava mais ao fundo do local, principalmente passando da torre de controle, era bastante difícil de entender as letras e até mesmo, a nitidez do som dos instrumentos. Isso impactou diretamente na performance da banda, que pediu para que o público interagisse mais e não obteve resposta. A iluminação também impactou na resposta do público, visto que o palco estava tão escuro que, certos aspectos podem até ter passado despercebidos. O cover de “Vida Ruim” do Ratos de Porão conseguiu alguma reação do público, que se quebrava em rodas como se não houvesse amanhã.

Em outro momento, parte do motoclube Insanos, o qual o músico e chef Fogaça faz parte, adentrou ao palco, onde permaneceu de braços cruzados enquanto a música “Tiro na Rótula” foi executada. Entretanto, o combo luz e som ruim + insatisfação dos músicos gerou uma receptividade negativa, o que ecoaria mais tarde, com vaias e risos ao fim da apresentação.

Suicidal Tendencies

Na sua turnê exclusiva no Brasil intitulada "Nós Somos Família", o Suicidal Tendencies realiza sua 10ª visita ao país. Além de São Paulo, a turnê inclui paradas em outras quatro cidades. A formação atual da banda apresenta Mike Muir nos vocais, o único membro original, além de Dean Pleasants e Tim Stewart – esse último substituindo Ben Weinmann, que não veio por conta de outros compromissos –nas guitarras. No baixo, Tye Trujillo, filho de Robert Trujillo do Metallica, e recentemente adicionado à formação, Jay Weinberg na bateria, ex-membro do Slipknot, no lugar de Greyson Nekrutman, que foi para o Sepultura.

Exceto por Mike, os outros membros realizaram a passagem de som, o que empolgou o público, que pensou que o show estava prestes a começar. No entanto, houve um engano, pois este foi o primeiro atraso do dia.

Com "You Can’t Bring Me Down", a banda deu início ao seu set, levando os fãs ao delírio. Rapidamente, os primeiros mosh pits se formaram e, sim, apesar da rigorosa revista na entrada, houve sinalizadores nas rodas.

O Suicidal Tendencies tem uma enorme base de fãs, muitos usando a bandana azul característica do vocalista Mike Muir. Ele corre incansavelmente de um lado para o outro do palco, incentivando o público a agitar e cantar sem parar, sempre recebendo uma resposta entusiástica. Contudo, nem mesmo a atração principal escapou de problemas técnicos, principalmente o guitarrista Dean, que enfrentou dificuldades com seu retorno e, posteriormente, com seu amplificador durante as primeiras músicas.

“Lost Again”, “I Shot the Devil”, “Send Me Your Money” e “War Inside My Head” mantiveram o clima caótico. Passando por outros clássicos de sua carreira, o auge foi em “Nós Somos Família”, música recém-lançada que conta com a participação de grandes nomes do rock nacional, na ocasião cantada por Alex Palaia (La Raza), Mayara Puertas (Torture Squad), Haru Cage (Corja), Egypcio (Cali), Antonio "Novato" Marques (Lado Direito do Palco), Yasmin Amaral (Eskröta), entre outros.

Outros clássicos como "Cyco Vision" e "How Will I Laugh Tomorrow" mantiveram o público completamente envolvido. Ao se aproximar do final com "Pledge Your Allegiance", Mike Muir chamou uma criança do público para subir ao palco, o que resultou em uma situação que rapidamente saiu do controle, com centenas de pessoas invadindo o palco e até mesmo impedindo os músicos de se moverem, ocorrido também nos shows do RJ e Curitiba. Lógico que em SP foi mais caótico pela quantidade de pessoas, mas é algo já "esperado" e "organizado" pela banda. 

Devido ao atraso inicial de 20 minutos e à necessidade de cortar duas músicas do setlist, a banda concluiu sua apresentação. O horário limite do Centro Esportivo Tietê era às 22 horas e precisava ser rigidamente respeitado.

O Suicidal Tendencies, veterano de estrada, mostra que ainda tem a mesma energia e apelo a seu público e segue sendo referência do thrash metal crossover.

O Rockfun Fest está agendado para o dia 31 de agosto no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Diferentemente das edições anteriores, neste ano haverá cobrança de ingresso, embora a produtora tenha afirmado que haverá edições gratuitas no futuro. O Esquenta serviu como um excelente ensaio, e espera-se que as críticas do público sejam consideradas na organização do festival principal. Questões como problemas de som, falta de bebedouros sinalizados e, principalmente, a escassez de banheiros adequados para atender à grande quantidade de pessoas são aspectos cruciais a serem resolvidos. No entanto, além desses desafios, o festival possui todos os elementos para continuar sendo um sucesso.


Texto: Jessica Tahnne Valentim 

Fotos: André Santos (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda / Antonio "Novato" Marques (Lado Direito do Palco)


Realização: FunLive Concerts 


Rockfun Legends

Não Viva em Vão (Charlie Brown Jr. cover)

Tarde de Outubro (CPM 22 cover)

Minha Paz (Gloria cover)

Eu Quero Ver o Oco (Raimundos cover)

Toxicity (System of a Down cover) (feat. Ciça Moreira)

Man in the Box (Alice in Chains cover) (feat. Ciça Moreira)

Enter Sandman (Metallica cover) (feat. Ciça Moreira)

Aces High (Iron Maiden cover) (feat. Ciça Moreira)

Bring Me to Life (Evanescence cover) (feat. Mayara Puertas)

Walk (Pantera cover) (feat. Mayara Puertas)

Roots Bloody Roots (Sepultura cover) (feat. Mayara Puertas)

Killing in the Name (Rage Against the Machine cover) (feat. Ciça Moreira)


Corja!

Alter Ego

O Jogo

Muros Altos

Insulto

Segunda Pele


Inocentes

Nada pode nos Deter

Nada de novo no Front

A cidade não Pára

Rotina

Expresso Oriente

Garotos do Subúrbio

Ele disse Não

Eu vou ouvir Ramones

São Paulo (365 cover)

Aprendi a Odiar

Medo de Morrer

4 segundos

Miséria e Fome

Restos de nada (Restos de Nada cover)

Desequilíbrio

Cala a Boca

Pátria Amada

Pânico em SP


Cali

Tarantino Vibe's

Hardcore e Festa

Sobre Nós

Que Ves? (Tihuana cover)

Eu Vou Olhar Pro Céu

A Cera (O Surto cover)

Longa Estrada

Bulls On Parade (Rage Against the Machine cover)

Quebra-mar (Charlie Brown Jr. cover)

Liberdade acima de tudo (Charlie Brown Jr. cover)

Holiday (Turnstile cover)

Refuse/Resist (Sepultura cover)

Pula (Tihuana cover)

Tropa de Elite (Tihuana cover)

Bella Ciao (Giovanna Daffini cover)

Céu azul (Charlie Brown Jr. cover)


Korzus

Guilty Silence

Raise Your Soul

You Can't Stop Me

Never Die

Vampiro

Catimba

Discipline of Hate

Respect

Agony

The World Is a Stage / P. F. Y. L. / Lost Man

What Are You Looking For

Correria

Guerreiros do Metal


Oitão

Borderless

Pobre Povo

Trevas

4º mundo

Proteste

Podridão Engravatada

Doença

Vida Ruim (Ratos de Porão cover)

Instinto sujo

Tiro na Rótula

Chacina


Suicidal Tendencies

You Can't Bring Me Down

Lost Again

I Shot the Devil

Send Me Your Money

War Inside My Head

Memories of Tomorrow

Freedumb

Subliminal

Possessed to Skate

Lovely

Nós Somos família

Cyco Vision

I Saw Your Mommy

How Will I Laugh Tomorrow

Pledge Your Allegiance

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Entrevista: Evil Sense

 





- Imensa honra, guerreiros! Acompanhamos desde muito tempo a carreira da EVIL SENSE, e é com imensa felicidade que os recebemos aqui neste humilde portal...

Muito obrigado pelo prestígio e apoio, meu amigo! É uma honra para nós participar desta entrevista.


- “Drink from Hell” é um álbum simplesmente do caralho, mas porque ele demorou tanto pra ser lançado?

Acreditamos que na verdade se deu por alguns fatores como por exemplo a alta aceitação do público para com o nosso primeiro play, o Fight for freedom. Tivemos pós lançamento do FFF, um hype que nos fez tocar em lugares que não imaginávamos. 

Além disso, houve uma mudança na banda, com a entrada do Guilherme, nosso baixista, em 2021. Por fim, a construção de um CD nunca é simples e sempre foge do cronograma. Mas a verdade é que mesmo que tenha demora mais do que esperávamos, estamos mega feliz com o resultado e aceitação do público.


- “Edge of Colapse” já passou de mais de 5.000 audições no spotify. A que vocês atribuem tamanha aceitação?

A Edge é uma música direta, sem massagem, from hell!! E isso, meu amigo, é o que mais sentimos que o público gostou. Esperamos em um futuro breve termos músicas nesta pegada!
Além disso, é cantada pelo Suco (guitarra solo/vocal), que possui um gutural bem rasgado, puxado para um Death Metal, acreditamos isso ser um dos fatores contribuintes da aceitação do público.



- A faixa título receberá em breve uma versão em videoclipe. O que vocês podem nos falar a respeito?

Nosso clipe será lançado 05/08, com a Premiére no The Metal Bar, em São Paulo, dia 01/08. Estamos extremamente felizes pelo clipe, que cá entre nós ficou fantástico!! Aguarde e verá hahaha Aproveitamos para agradecer o Maycon da Starship Videos, que fez tudo com muita leveza e muitas risadas
 

- Achei a produção bem orgânica, foi algo proposital?! Tudo aqui soa bastante old school, caras! Parabéns por manterem essa chama sempre acesa...

Sempre! O que nos move é o que nos criou e formou, que é a cena Thrash 80’s. Claro que não somos fechados a novas bandas, novas músicas, novos plays, mas claramente somos direcionados a isso.


- Impossível passar despercebido pela arte da capa, novamente dentro de uma roupagem bem da velha escola! Ela foi desenhada a mão? Quem a compôs? Ficaram felizes com o resultado?

Foi criada pelo grande Thiago Boller, da FUG Design. O Thiago captou exatamente o que imaginávamos e colocou ainda mais detalhes que tornou a capa do nosso play um dos fatores que mais chamam atenção do play.  


- “Bargain with the Devil” é outra música que vem sendo bem reproduzida nas plataformas. Particularmente achei ela insana. Como seu deu o seu processo de composição?

A Bargain é uma música que fizemos e ficamos na dúvida quanto à aceitação do público hahaha ela possui uma harmonia diferente do que usualmente criamos, lembra até um pouco um punk/hc, por ser mais seca e direta. Felizmente a aceitação foi boa e ficamos extremamente felizes quando a galera se joga no mosh com ela!


- O vocalista e guitarrista Capú voltou recentemente para a banda. Como seu deu essa reaproximação? Fiquei muito feliz com a notícia!

A volta do que nunca foi, essa é a verdade hahaha o Capu é nosso irmão e esse fato nunca mudou. Infelizmente ele passou por algumas situações pessoais que motivaram ele a buscar diferentes rumos, mas que rapidamente notou que os diferentes rumos não tinham relação com a banda e com nossa irmandade. 

Capu e Evil Sense são praticamente uma coisa só, não da pra ser diferente.


- Imagino que vocês estão intensificando os shows pelo Brasil. Como anda o planejamento da atual turnê? Algum show já marcou vocês nesta atual fase?

A ideia é cair na estrada, tocar, tocar, tocar e tocar. Incentivado pelo lançamento do CD e clipe, esperamos poder passar por diferentes cidades no Brasil! Claramente já temos algumas ideias para um futuro não tão distante de um novo CD, mas isso é papo para mais tarde hahaha

- Algo ficou a ser dito, irmãos?! Caso tenha ficado, fiquem completamente à vontade...

Agradecemos o apoio e abertura, contem conosco sempre! Vamos juntos, pois o underground precisa ser ainda mais unido! Abraço.


segunda-feira, 29 de julho de 2024

Cobertura de Show: Odin's Krieger Fest – 21/07/2024 – Carioca Club (SP)

O Odin's Krieger Fest é um evento anual esperado ansiosamente pelos fãs de metal e da cultura viking. Este ano, o festival não decepcionou, trazendo uma mistura de música e performances impressionantes.

A organização do evento foi muito boa. Desde a entrada, que contou com uma fila organizada e rápida, até a disposição dos expositores e áreas de alimentação, tudo foi pensado para proporcionar conforto e facilidade aos presentes. 

A seleção de bandas foi um dos pontos altos do festival, que incluiu atrações nacionais como Eldhrimnir e Yön, além das internacionais Dogma e Wind Rose. Todas elas subiram ao palco e entregaram performances memoráveis.

A banda Eldhrimnir abriu a sequência de apresentações da noite, com uma explosão de energia e interação com o público. Um dos pontos fortes da apresentação foi a conexão intensa entre a banda e o publico, que responderam com entusiasmo a cada chamado. A vibração do público atingiu seu auge quando o vocalista pediu para abrir um círculo, onde ocorreram lutas 1x1, masculinas e femininas, criando um espetáculo único e cheio de adrenalina. A música "Ode à Cerveja", levantou todos os presentes, transformando o show em uma celebração contagiante.

O show da banda Yön é uma experiência completamente imersiva, transportando o público para as terras nórdicas através das histórias em cada uma de suas músicas. Os tambores, em sincronia com a batida do coração dos espectadores, criaram uma conexão poderosa que mantém todos hipnotizados. No palco do Odin's Krieger Fest, a banda tocou pela primeira vez duas músicas autorais, "Gestaþáttr" e "Att vi Ses Igen", que foram recebidas com entusiasmo.

Dogma entregou uma performance além do esperado no palco, com suas integrantes mostrando como a presença de palco pode contagiar o público. O show atingiu seu ápice durante as músicas "Pleasure from Pain," "Feel the Zeal," e "Free Your Self," com cada canção levando a multidão as alturas. A forma como as integrantes interagem com o público fez com que todos gritassem e cantassem cada vez mais alto. 

O show da banda Wind Rose foi incrível com o público animado do início ao fim. Mesmo quando o som do microfone do vocalista Francesco Cavalieri falhou, a multidão seguiu cantando. Esse espírito se destacou ainda mais durante as músicas "Rock and Stone" e "Diggy Diggy Hole," onde todos cantaram como uma só voz, mostrando para a banda o poder de seus fãs. Foi uma verdadeira festa de metal e  demonstração de espírito coletivo. 

Além dos shows, o Odin's Krieger Fest ofereceu uma variedade de atividades. Entre os shows da banda Eldhrimnir e Yön, aconteceu uma demonstração de combate medieval feito pelo grupo Espada de Prata. Os stands de venda de produtos temáticos também atraíram muitos visitantes, proporcionando uma experiência completa incluindo tatuagens feitas no estilo nórdica 

A variedade gastronómica também merece destaque. Com opções mais convencionais, havia algo para todos os gostos. Apesar de não  haver uma variedade para vegetarianos e veganos, a qualidade e o sabor dos alimentos servidos foram elogiados por muitos participantes, principalmente em relação aos brigadeiros de hidromel e as pizzas vendidas no local. As filas para os stands de comida eram rápidas e eficientes.

O público presente estava claramente entusiasmado e em sintonia com o espírito do evento, muitos participantes vestidos a caráter, contribuindo para a atmosfera temática e única do Odin's Krieger Fest.

O Odin's Krieger Fest de 2024 superou todas as expectativas. A combinação de uma organização bem feita, atrações musicais de alta qualidade e um ambiente imersivo fez deste evento uma experiência inesquecível para todos os presentes no local. Para os amantes do metal e da cultura viking, este festival é, sem dúvida, um evento imperdível. Ao final, foi feito um anúncio sobre um show extra da banda Dogma em São Paulo.


Texto: João Gabriel Rodrigues Santos

Fotos: Roberto Sant'Anna (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: OKF Produções

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Wind Rose

Army of Stone

Fellows of the Hammer

Drunken Dwarves

Mine Mine Mine!

Gates of Ekrund

The King Under the Mountain

The Battle of the Five Armies

The Art of War

Rock and Stone

Together We Rise

Diggy Diggy Hole

Tomorrow Has Come

I Am the Mountain


Dogma

Forbidden Zone

Feel the Zeal

My First Peak

Made Her Mine

Carnal Liberation

Free Yourself

Bare to the Bones

Make Us Proud

The Tribute

(Walk, The Trooper, Master of Puppets, Symphony of Destruction, South of Heaven, Laid to Rest)

Pleasure From Pain

Father I Have Sinned

The Dark Messiah

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Cobertura de Show: Cobra Spell – 05/07/2024 – Jai Club (SP)

A Caveira Velha Produções, em parceria com a Som do Darma, teve a satisfação de realizar a primeira turnê do Cobra Spell, grupo estabelecido na Europa e composto exclusivamente por mulheres. Antes de dar início à série de shows pelo Brasil e América Latina, a banda realizou um encontro aberto ao público na loja London Calling, na Galeria do Rock, e concedeu entrevistas à imprensa no The Metal Bar, em Pinheiros.

A equipe do Road To Metal marcou presença no terceiro show da turnê, ocorrido em 05/07 (sexta-feira), na Jai Club. O evento contou com uma boa presença de público, que estava ansiosa pela estreia das talentosas musicistas na capital paulista. Além disso, a noite teve apresentações das brasileiras Vingança Suprema, Alefla e Wolfpire, que iniciaram suas performances de maneira pontual, com um ritmo acelerado e com problemas técnicos.

O Vingança Suprema foi a primeira subir no palco, trazendo toda sua influência do Speed e Thrash Metal. Infelizmente, não foi possível pegar o começo da apresentação da banda, composta por Alason Roar (vocal), Everton e Leandro Wild (guitarras), Rubão (baixo) e Luizão (bateria). Com letras em português, o repertório abordou os principais momentos dos vinte anos de trajetória, desde a primeira demo até o recente lançamento, "Real X Digital". Apesar do som ter prejudicado o show, os músicos não deixaram a peteca cair, demonstrando alegria – principalmente da parte do Rubão – por compartilhar o palco com excelentes artistas.

Logo em seguida, chegou a vez dos pindamonhangabenses do Alefla esquentar ainda mais a noite e atrair algumas pessoas que estavam do lado de fora. Também com duas décadas de atividade, a banda apresenta composições muito bem elaboradas, que combinam elementos do Power Metal mais contemporâneo com nuances progressivas. Assim como no primeiro show, os problemas no som persistiram, sendo difícil ouvir as guitarras do Renan Lucena e Alexandre Nascimento. Sobrou para a vocalista Fla Moorey, que cativou o público com sua bela voz e carisma em "Unbrekable", "Battle Field" e "End of the World".

Coube ao Wolfpire encerrar a trinca de bandas de abertura. Entre os três, foi a que casou uma leve atenção pelo visual e as músicas de seu até então primeiro trabalho, “Naughty and Hungry” (2017), que mescla a energia do Power Metal clássico com um pouco de Hard Rock. A qualidade do som melhorou um pouco, embora ainda tenha enfrentado problemas, principalmente com o microfone do vocalista Doug Muratore, que ficou inaudível em alguns momentos. Além das composições originais, o setlist incluiu covers poderosos de “Rebel Maniac” (Billy Idol) e “Here I Go Again” (Whitesnake), essa última dedicada a Carlos “Nenê” Monteiro, dono do Malta Rock Bar, que há um mês foi brutalmente assassinado em seu estabelecimento.


Finalmente, após um atraso que durou vinte minutos, o Cobra Spell assumiu o pequeno palco da Jai Club e resolveu todos os problemas que haviam ocorrido nos shows anteriores. As garotas conseguiram capturar toda a energia dos que aguardaram ansiosamente com seu Hard 'N Heavy explosivo logo nas primeiras nas primeiras músicas, executadas com maestria e eficiência. A banda também não economizou carisma e carinho durante o show, com destaque para a vocalista Kristina Vega, que, além de uma excelente cantora, demonstrou uma presença de palco magnética e uma beleza deslumbrante.

Sonia Anubis e a brasileira Noelle dos Anjos, dupla de guitarras, também se destacaram pelos incríveis riffs e solos, que balançaram intensamente a casa . A baixista Roxana Herrera – que captou toda a reação da plateia com o seu smartphone desde o início – e a baterista Hale Naphtha demonstraram um domínio rítmico preciso e envolvente.

As canções do full-length de estreia,"666", tomou conta do set-list, incluindo “The Devil Inside of Me”, a icônica “Satan Is a Woman”, “S.E.X”, “You’re a Cheater” e “Warrior From Hell”, que foram calorosamente recebidas, com todos entoando-as juntamente com a banda. Já dos EPs “Love Venom” e “Anthems of the Night”, foram selecionadas apenas Poison Bite, Accelerate e Addicted to the Night.


Em síntese, foi um show que ultrapassou as expectativas, marcado pela excelente harmonia, presença de palco e encanto de cada uma delas. A Cobra Spell vem demonstrando que estão se amadurecendo cada vez mais, revelando que pode chegar em patamares cada vez mais elevados e se consolidar como uma das principais bandas femininas ao lado de nomes do cenário atual como Burning Witches, Nervosa, Crÿpta, Thundermother, e diversas outras.


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless / Leandro Almeida (Vingança Suprema)

 

Realização: Caveira Velha Produções / Som do Darma

Mídia Press: Som do Darma

 

Cobra Spell

The Devil Inside of Me

Satan Is a Woman

Bad Girl Crew

S.E.X.

Love Crime

You’re a Cheater

Poison Bite

Accelerate

Warrior From Hell

High on Love

***Encore***

Addicted to the Night

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Cobertura de Show: Discharge – 21/06/2024 – Carioca Club/SP

Noite Insana no Carioca Club: Show Inesquecível com Discharge, Midnight e Havok

No dia 21 de junho, o Carioca Club, em São Paulo, foi palco de um dos shows mais aguardados pelos amantes do som extremo underground. O evento reuniu os ingleses do Discharge, lenda do hardcore punk; os americanos do Midnight, com seu Black/Speed Metal; e o Havok, banda de thrash metal, além da banda de abertura de death crust Manger Cadavre?.

A noite começou com a banda Manger Cadavre?, do interior de São Paulo, divulgando seu álbum “Imperialismo”. Apesar do público ainda estar chegando, a vocalista Nata de Lima e sua banda conseguiram entregar uma performance energética, com letras provocativas que ecoaram pela casa, deixando uma forte impressão nos presentes. A presença de palco da banda foi marcante, com Nata de Lima cativando o público com sua energia feroz, garantindo que cada nota fosse sentida intensamente por todos que tiveram o privilégio de assistir ao início desta noite de caos sonoro.

Com o público já aquecido, foi a vez da banda Havok subir ao palco. Abrindo com "Point of no Return", a banda de thrash metal levou a plateia à loucura. Hits como “Fear Campaign” e “Intention to Deceive” fizeram o Carioca Club tremer, enquanto a energia da banda e a reação dos fãs culminaram em um show memorável. David Sanchez, vocalista da Havok, comandou a noite com maestria, apresentando também faixas como “Phantom Force” e “Give me Liberty”, deixando os headbangers e punks exaustos e extasiados. O poder dos riffs e a intensidade das letras fizeram de cada música um momento único, transformando o Carioca Club em um verdadeiro reduto do thrash metal.

O grande momento da noite chegou com a entrada dos americanos do Midnight, antecipando seu show em dez minutos. Com a casa cheia, a banda encapuzada iniciou com “Black Rock’n’Roll”, uma mistura feroz de Venom e Motörhead, executada brilhantemente pelo vocalista Athernar. A sequência de músicas como “Lust Filth and Sleaze” e “Endless Slut” manteve a energia lá em cima. O setlist contou com faixas de diversos álbuns, incluindo “Fucking Speed and Darkness” do álbum Rebirth by Blasphemy, e clássicos como “Evil Like a Knife” e “Satanic Royalty”, fazendo o público delirar. A agressividade e velocidade da banda, aliadas à resposta eletrizante do público, criaram uma atmosfera incendiária que transformou o show em uma verdadeira celebração do speed metal.

Fechando a noite, os ingleses do Discharge subiram ao palco um pouco mais tarde do que o previsto, mas não decepcionaram. Com uma entrada poderosa ao som de “The Blood Run Red”, a banda entregou um show intenso e cheio de clássicos. Faixas como “Fight Black” e “Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing” incendiaram a plateia, que respondia com rodas de mosh frenéticas. A turnê intitulada "A Hell on Earth" foi representada pela faixa homônima, além de outros sucessos como “Protest and Survive”, “Hatebomb” e “War Is Hell”. O encerramento com “The Possibility of Life's Destruction” e “Decontrol”, com a participação especial do Midnight, foi o ápice de uma noite inesquecível.

O público, composto por headbangers e punks, fez jus à expectativa do evento, respondendo com energia e entusiasmo a cada apresentação. O Carioca Club, com sua acústica impecável e estrutura acolhedora, mostrou-se o cenário perfeito para uma noite de pura adrenalina musical. Ao final, ficou claro que cada banda, com seu estilo único e performance avassaladora, contribuiu para fazer deste evento um marco na cena underground paulistana.

 

Texto: Matheus Morbus

Fotos: Leca Suzuki (Whiplash.net)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda

 

Realização: GIG Music

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia

 

Havok

Point of No Return

Fear Campaign

Hang 'Em High

Prepare for Attack

D.I.A.I.

D.O.A.

Intention to Deceive

Phantom Force

From the Cradle to the Grave

Covering Fire

Give Me Liberty...or Give Me Death

Time Is Up

 

Midnight

Funeral Bell

Black Rock'n'Roll

Lust Filth and Sleaze

Endless Slut

Expect Total Hell

Mercyless Slaughtor

F.O.A.L.

Fucking Speed and Darkness

Szex Witchery

Evil Like a Knife

Satanic Royalty

Violence on Violence

All Hail Hell

You Can't Stop Steel

Who Gives a Fuck?

Unholy and Rotten

 

Discharge

The Blood Runs Red

Fight Back

Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing

The Nightmare Continues

A Look at Tomorrow

Drunk With Power

A Hell on Earth

Cries of Pain

Ain't No Feeble Bastard

Protest and Survive

Hype Overload

New World Order

Corpse of Decadence

Hatebomb

Never Again

State Violence/State Control

Realities of War

Accessories by Molotov

War Is Hell

You Deserve Me

The Possibility of Life's Destruction

Decontrol

domingo, 14 de julho de 2024

Nightwolf: O Blackmore’s Night com distorção

Por: Renato Sanson

O Rio Grande do Sul sempre foi um celeiro de excelentes bandas de Rock e Metal. Sendo que por muito tempo, Porto Alegre era considerado a capital do Rock no Brasil. Bons tempos...

Muitas bandas aportaram com excelentes materiais, umas continuaram e outras infelizmente não resistiram. Mas hoje vamos falar de uma pérola do underground gaúcho que segue ativo e destilando o seu bom Heavy Metal.

Os porto-alegrenses do Nightwolf lançaram em 2018 o seu EP de estreia – “Insane Moonlight” – trazendo aquela veia mais setentista de Rainbow, Sabbath e Whitesnake. Com influências celtas, deixando sua musica mais peculiar. 

Podemos dizer que o Nightwolf é um Blackmore’s Night com distorção. Devido à sua paixão pelo Folk e trazendo elementos muito bem dosados em sua musicalidade. Tanto que, a banda é referencia em feiras medievais, sempre sendo convidada, pois, casam muito bem com essa tendência.

“Insane Moonlight” vem embalado em bonito digipack com uma ilustração bem em volta do nome do grupo. Com uma produção simples, mas satisfatória. Em termos de destaque posso mencionar a excelente “Live Rock” que poderia estar fácil no álbum “Rising” do Rainbow e a enigmática e instrumental “Jardins Suspensos da Babilônia”. Mostrando toda a técnica e influencia celta em suas lacunas.

O Nightwolf segue tocando e esperamos que em breve possamos ter um novo material desta banda, que, resistiu ao teste do tempo e que continua brindando o underground gaúcho com suas notas.