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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Entrevista - Sunflower Fox & the Chicken Leg: Resgatando a Alma 70's

 

Por: Carlos Garcia (com colaboração de Raquel de Avelar)
Fotos: Divulgação e Arquivo da banda 


Criada por músicos experientes em Minneapolis, e "surgindo das cinzas da pandemia" em 2021, a SUNFLOWER FOXX & THE CHICKEN LEG nasceu com o propósito de resgatar a alma do Rock 70's e trazer de volta aquele poder do Rock & Roll, com sonoridade orgânica e carregada de feeling, trazendo os elementos e nuances que moldaram aquela época.

E realmente, eles trazem de volta aquela essência dos anos 70, com instrumentos que soam reais, passando longe da música "pasteurizada" e "perfeita" produzida nos dias de hoje, e é sem dúvida uma das melhores bandas desse estilo "Retro Rock". 

Seu primeiro full-lenght teve mixagem da lenda RON NEVISON (The Who, Zeppelin, UFO, Ozzy e muitos outros), e com um potencial para se tornarem um dos próximos grandes nomes do Rock & Roll atual, a banda vem lançando novos singles, excursionando pelos USA e buscando levar sua música à mais pessoas.

Conversamos com a incrível vocalista Kaity Heart, que achou um tempinho para nos atender em meio à sua agenda caótica, contabilizando já mais de 200 shows no ano! Kaity nos contou um pouco mais sobre a banda, sua carreira e planos. Confira!



RtM: Oi Kaity, obrigado por reservar um tempo para nos conceder esta entrevista, me tornei um grande fã seu e da banda Sunflower Fox.
Kaity Heart: Olá! Obrigada. Muito legal o interesse de vocês, temos tido muitos streamings no Brasil.


RtM: Eu (Carlos, editor/redator) e a Raquel (redatora) achamos o nome da banda muito legal! "Sunflower Fox and the Chicken Leg" — um dos nomes mais legais de todos os tempos! Então, para começar, eu gostaria de saber como surgiu a ideia para o nome, bem como as inspirações e os significados por trás dele para vocês.
Kaity: Bem, existem muitas histórias por trás desse nome — na verdade, por um tempo, toda vez que dávamos uma entrevista, inventávamos alguma coisa para ver o quão ridícula a história ficaria antes que alguém percebesse! (Risos) 

A história real é que estávamos compondo no porão do nosso baterista, Kyle. Eu sugeri o nome "Sunflower Fox", mas achei que soava muito "indie" ou "feminino", e o James, nosso líder de fato, ficava dizendo "and the chicken leg"... Não faço ideia de por que ele insistia tanto nisso. Um apelido que ele usava para um amigo. 

Ele não parava de falar, hahaha, então eu disse: "TÁ BOM. É Sunflower Fox and the Chicken Leg!!! Cala a boca!!" hahaha.


RtM: Com tanta música hoje em dia que, digamos, carece de "alma", é uma grata surpresa encontrar uma banda como a Sunflower Fox. Vocês capturam aquela vibe e a energia das grandes bandas dos anos 70, com aquele som orgânico e real. Gostaríamos de saber como surgiu a ideia de formar a banda e seguir esse caminho — e, claro, quais são suas principais inspirações.
Kaity: Somos todos músicos profissionais e, quando a covid aconteceu, todos perdemos nossos shows. Essa foi a primeira vez em MUITO tempo que tivemos tempo para compor! Inclusive eu: e meu gênero FAVORITO, sem dúvida, é o rock dos anos 70. É tão cru. É cheio de coração e magia, e eles nunca deixaram de lado a humanidade — principalmente pela ausência de tecnologia. 

Então, tive a ideia de formar um grupo que compusesse nesse estilo, com pouca ou nenhuma tecnologia, sem Melodyne ou Auto-Tune, e que gravássemos todos juntos em um estúdio. Foi bem fácil encontrar músicos que topassem isso. Porque agora... tudo é tão polido e perfeito. Falta humanidade.


RtM: E você tem "Heart" no seu nome! Kaity Heart — uma cantora que faz música e canta com o coração. 
Kaity: Ah! É verdade! Na verdade, mudei meu nome para esse depois que minha mãe faleceu, há uns 20 anos. Nossa banda favorita é Heart — foi uma mudança fácil.


RtM: Descobri seu trabalho — e o da banda — pela primeira vez através da sua participação no álbum *River of Music - The Power of Duets Vol. I*, de Jim Peterik. Conte-nos como surgiu essa oportunidade e como foi a experiência.
Kaity: Primeiramente, ADOREI que você tenha me encontrado, e ao Sunflower, por meio disso. Porque o Jim me encontrou através do Ron! Literalmente, como na maioria das coisas, foi o lugar certo na hora certa. 

Eu estava gravando os vocais para o terceiro álbum em Portland com o Ron e o Sunflower, e o Ron perguntou se eu gostaria de cantar com o Jim, e eu disse que sim! Tivemos uma reunião, e no outono eles me levaram para Chicago!


RtM: Quais foram os seus momentos mais memoráveis das sessões de gravação?
Kaity: Eles são tipo... OS CARAS MAIS LEGAIS. É estranho ouvi-los te elogiando enquanto você está na sala, especialmente sabendo o que eles já fizeram. Eu fiquei tão desconfortável - eu simplesmente não sabia como reagir. O Jim me mostrou a casa dele e ele tem centenas de guitarras. 

Ele me mostrou qual gravador usou para gravar "Vehicle" do Ides of March (uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos). Ele disse que comprou na Sears há muito tempo. E o significado da música é tão doce! É sobre a esposa dele!! Terrivelmente fofo.


RtM: Vocês têm lançado vários singles após o full-lenght; há planos para um novo álbum completo em breve? Ou a estratégia é continuar lançando singles junto com material físico esporádico, como os compactos/EPs que vocês disponibilizaram no seu Bandcamp?
Kaity: Uma das coisas que eu não gosto nessa nova indústria musical é a falta de atenção de todo mundo. Então, é claro que temos que lançar tudo aos poucos. Já lançamos o primeiro álbum completo, que leva o nome da banda. 

E para variar um pouco, vamos lançar o segundo álbum em formato de dois singles de 7 polegadas que eventualmente estarão disponíveis como um conjunto! Só para dar uma variada! O terceiro álbum, que será lançado no ano que vem, provavelmente será um álbum normal novamente.


RtM: Sobre os singles, os mais recentes são linda e emocionante "Wishing Well" e aquela versão incrível de "Hair of the Dog". Eu toquei a última para um amigo que adorou; ele disse que imaginou se Janis Joplin fizesse um cover, soaria muito parecido com a sua versão.
Kaity: Nossa, que elogio! Sobre "Wishing Well", eu não sou muito de baladas, sou mais do tipo que curte músicas animadas. Tenho energia demais. Então, quando escrevo letras/melodias, geralmente é sobre algo peculiar. Escrever canções de amor melosas não é a minha praia.


RtM: Dos singles lançados em 2025, meu favorito é "The Watcher", uma música muito intensa; seus vocais são incríveis e profundos — me lembram um pouco o Heart. Você poderia falar um pouco sobre essa música e sua letra?
Kaity: Foi muito legal gravar essa música com o Ron Nevison. Principalmente porque ela é tão estranha, e a história por trás dela também é peculiar. Uma grande amiga minha estava sendo perseguida por um cara que morava no mesmo prédio que ela. 
A situação tomou um rumo estranho e descobrimos que ele era suspeito de uma série de assassinatos. 


RtM: Que situação assustadora! E o que houve com o sujeito?
Kaity: Minha amiga não pode dar muitos detalhes porque, até onde eu sei, o caso ainda está em aberto. Mas eu escrevi a música para ela… curiosamente, ela diz que a usa em suas sessões de terapia em grupo. Eu acho incrível!


RtM: Quais são as principais mensagens que vocês buscam transmitir através da música? E existe alguma música da banda que tenha um significado especial para vocês?
Kaity: Há muita coisa sobre recuperar o poder, justiça, raiva… existe uma forte influência punk nas letras. Por exemplo: “Naughty Little Girl” não é a musiquinha sexy que parece ser. É sobre vingança. 

Também gosto muito de usar contos populares como alegorias para o que está acontecendo agora — isso fica bem evidente em Siren Song, Wishing Well, The Watcher, Selling Lies, Shadow Girl… Eu poderia falar sobre isso para sempre!


RtM: "Breath it in" é a música de vocês que possui mais streamings, e é uma das minhas favoritas. Acho que é uma ótima maneira de mostrar a personalidade da banda, com feeling, groove, aquela parte incrível do teclado e um refrão memorável. Gostaria que você comentasse um pouco mais sobre ela.
Kaity: Bem, é o seguinte: "Breathe It In" foi a música que enganou o Ron Nevison quando a enviamos para ele (risos). Quando eu estava compondo e esboçando a música, escrevi as versões para os refrãos e pontes. Quando enviei para os caras, em vez de uma ponte normal, eu tinha esboçado uma ponte instrumental, que não era necessariamente complicada. Porque nos anos 70, existem muitas músicas que possuem essas pontes estranhas, que parecem não ter nada a ver com a música, e geralmente instrumentais. Uma das minhas favoritas é a música "I Could Be Good for You" do 707. 


RtM: Eu também adoro esse tipo de coisa meio inusitadas que os artistas criavam nos amos 70.
Kaity: É completamente aleatório. Por que está ali? Não tem nada a ver com o resto da música, mas está lá. Então, eu queria fazer algo parecido, e aí o nosso tecladista, Al Berg, simplesmente pegou a ideia e a desenvolveu. E depois, tem uma parte mais adiante em que é um compasso 5/4 em vez de 4/4. E quando tocamos ao vivo, eu ainda preciso literalmente contar nos dedos para não errar! (risos) Eu ainda erro o tempo todo. Mas enfim, é isso aí. 

É muito divertido. E no nosso processo, quando é uma música que eu escrevo, eu faço um esboço e depois, sabe, os acordes, os acordes básicos, a letra e a melodia, e aí eu mando para os caras, e aí a gente compõe junto. Então, enfim, é assim que a gente faz. Foi assim que fizemos "Breathe It In".



RtM: Falando um pouco sobre sua carreira e trajetória: como começou seu interesse por música e quais artistas mais influenciaram seu desenvolvimento como cantora?
Kaity: Ah, eu sempre cantei. Meu pai dizia que eu cantava na garupa da bicicleta dele quando tinha três anos. As maiores influências foram Ann Wilson, Stevie Nicks, Grace Slick, En Vogue, Diana Ross, Aretha Franklin… Eu me sentia dividida entre rock, blues e soul. Era o que eu mais ouvia.


RtM: Em que momento você percebeu que a música poderia ser uma carreira para você? E quais foram os principais desafios que você enfrentou ao longo do caminho?
Kaity: Bom, você precisa ter um milhão de pequenos trabalhos para fazer disso uma carreira. Tenho a sorte de ter muitos shows, mas também sei editar vídeos, montar um sistema de som completo sozinha, montar estruturas de cortina e palco, montar treliças (com ajuda), operar o som do palco, cantar em estúdio, fazer locuções, tocar teclado, dar aulas, orientar e arrumar um trailer impecável. Isso é... literalmente o que 95% dos músicos fazem para se sustentar.


RtM: E quanto à representação das mulheres na cena musical hoje? Você ainda vê muitas barreiras?
Kaity: Está melhor. Temos igualdade? De jeito nenhum. Eu tenho que fazer, tipo, 10 vezes mais trabalho do que meus colegas de banda para ser levada a sério, e mesmo assim, muitas vezes, sou reduzida à minha aparência. Isso pode ser extremamente frustrante quando você tem um corpo e um rosto normais como eu. 

Não sou uma supermodelo, nem quero ser. Eu só quero cantar: acho que é por isso que idolatro tanto os anos 70… eles realmente NÃO se importavam com a aparência de ninguém (homens ou mulheres)… o importante era a qualidade da música. Eu realmente queria que fosse assim de novo.


RtM: Se você pudesse cantar uma música com qualquer artista da história, quem você escolheria e qual seria a música?
Kaity: "Gimme Shelter", dos Rolling Stones. Que música incrível. Eu adoraria ser a cantora que cantava ao lado de Mic Jagger nessa. A letra, a melodia. Perfeição.
Essa ou "Great Gig in the Sky", do Pink Floyd – eu já cantei ao vivo… adoraria ter sido eu a criar toda aquela loucura.


RtM: Eu adoraria ouvir uma versão sua de "Great Gig in the Sky". Bom, além da música, quando sobra um tempinho, quais hobbies ou atividades você gosta de fazer no seu tempo livre? 
Kaity: Tempo livre??? O que é isso? (Risos), gosto de livros de terror e Harry Potter (sem julgamentos), Os Simpsons e curtir meus gatos,  Scrambles e Lil' Ral.


RtM: Você conseguiria citar somente cinco álbuns que você considera essenciais para a sua vida?
Kaity: Hum...Vamos lá:
1. Rumors - Fleetwood Mac
2. Dreamboat Annie - Heart
3. 13 Tales of Love and Revenge - The Pierces
4. 8 Arms to Hold You - Veruca Salt
5. Jagged Little Pill - Alanis Morissette


RtM: Kaity, obrigado mais uma vez, adoramos saber um pouquinho mais sobre você e seu trabalho, fica o espaço para sua mensagem final.
Kaity: Queremos muito tocar no Brasil, estamos muito focados nisso. Atenção produtores, e também gravadoras e distribuidoras, pois também queremos lançar nosso álbum aí.



Sunflower Fox & the Chicken Leg é:
Kaity Heart (vocals), James Gross (guitar), Mike Schmidt (guitar), Craig Holets (bass), Kyle Primus (drums), and Al Berg (keys)

Adquira o álbum e merchandising no Bandcamp 









sábado, 24 de agosto de 2024

Richie Onori: Mantendo Vivo o Legado do Sweet e Steve Priest

 


A banda britânica  “The Sweet” ganhou fama mundial na década de 1970 como um dos três principais nomes do Glam Rock de sua era, influenciando inúmeras bandas mas décadas seguintes, como Kiss, Poison, Guns & Roses e muitos outros.


A banda alcançou enorme sucesso com 39 singles #1 ao redor do mundo, incluindo "Ballroom Blitz", "Fox On the Run", "Love Is Like Oxygen", "Little Willy", "No You Don't", "Blockbuster", "Action", "Teenage Rampage" e "AC/DC".


Mas ao fim dos anos 70, os quatro integrantes originais, Connoly, Tucker, Andy e Priest,  acabaram seguindo caminhos separados, e com exceção de Tucker, se mantiveram ativos em períodos distintos com suas versões do Sweet e esporádicas reuniões entre os quatro.


Connoly faleceu em 1997, Tucker em 2002, Priest em 2020, restando do quarteto original somente o guitarrista Andy Scott, que prossegue com sua versão da banda.


STEVE PRIEST montou sua versão de como ele queria que seu legado fosse apresentado e preservado no futuro.


De 2007 até seu falecimento o baixista contou com o baterista Richie Onori e o tecladista Stevie Stewart, e ambos, com a benção da família de Steve e seguindo a ideia e vontade do lendário baixista, decidiram manter o legado vivo.


A atual formação conta com Richie na bateria, Stevie no baixo, o vocalista Patrick Alan Stone, o guitarrista Jimmy Burkard e o tecladista Dave Schulz e o The Sweet retornou apresentando o novo single “Little Miracle” e agendando shows para seguir levando uma experiência mágica e explosiva, mantendo a essência desse clássico nome do Glam Rock.


Conversamos com RICHIE ONORI, que nos contou um pouco mais sobre a continuidade do legado, e também sobre sua incrível carreira na música, inspirações e boas histórias!

English Version

RtM: Richie, aqui é Carlos Garcia do site Road to Metal (Brasil), obrigado por reservar um tempo para responder a esta entrevista.

Para começar, conte-nos um pouco sobre como surgiu essa ideia de continuar o legado do Sweet após a morte de Steve Priest em 2020. E acredito que a morte de Steve deve ter sido um duro golpe para você.

Richie Onori: Steve Priest estava orgulhoso da banda que montamos - Independentemente dos músicos que mudavam de tempos em tempos, havia um padrão. Ele nos chamava de perigosos! Após sua morte e com a benção de sua viúva e filhas, todos nós decidimos manter o legado vivo conforme a visão de Steve.


RtM: E como você sentiu a aceitação dos fãs? Já que há uma versão do Sweet também ativa com Andy Scott, e vocês estão continuando sem Steve, vocês já receberam ou sentiram alguma reação contrária a essa continuidade?

RO: Claro que recebemos reações e emoções variadas de fãs dedicados. Nós amamos fãs apaixonados. O que é incrível é que, quando um fã ou cético vai a um dos nossos shows, ele nos agradece efusivamente depois de nos ver e que apreciamos manter o legado dos "Sweets" vivo. A maré virou e é tudo sobre entregar um show emocionante e divertido.



RtM: Com tantas bandas clássicas encerrando suas carreiras, ou quase parando em definitivo, como você vê o futuro do Classic Rock e o que podemos fazer para manter seus legados?

RO: Bem, isso é verdade, a era de ouro dos anos 60 e 70 está diminuindo. Quando você vê bandas cover agora assumindo o controle para entregar as músicas clássicas que mudaram o mundo, percebe-se que as demandas estão lá.


Quando Steve reformou a banda conosco em 2007, fomos parceiros como parte da marca e da banda, e vivemos e respiramos a música como temos feito por quase duas décadas. Tocamos centenas e centenas de shows ao redor do mundo, que incluíram uma turnê pela América do Sul com o Journey em 2011, sim, São Paulo, Chile, Argentina e Peru... Ótima turnê!


RtM: E nos anos em que tivemos as duas versões do Sweet, com você com Steve e Andy com sua banda, pelo que pude ver não houve atrito algum. Conte-nos um pouco sobre essa coexistência, se houve algum acordo sobre em quais países tocar e como você se sentiu sobre a reação dos fãs a isso.

RO: Sim, sem atrito porque é tudo sobre manter o legado vivo,  com a música que mudou o mundo e influenciou as maiores bandas do mundo, do Rock ao Punk, do Glam ao Hair Metal.


Steve Priest e o quarteto fundador do Sweet 


RtM: O Sweet com Steve Priest estava ativo desde 2007, mas nunca lançou um álbum com novas músicas. Por que vocês não lançaram canções inéditas?

RO: Na verdade, estávamos no meio de finalmente chegar a isso antes de Steve falecer.


RtM: A banda agora lançou um single e um vídeo, "Little Miracle" - que eu pessoalmente gostei muito - e tem muitas características do som clássico do Sweet. Conte-nos um pouco sobre essa música e como tem sido o feedback dos fãs?

RO: O feedback dos fãs e das estações de rádio tem sido simplesmente incrível, para dizer o mínimo. Todos na nossa banda escrevem e temos um ótimo material, mas Stevie e eu sabíamos que precisávamos da música certa para começar a festa. Nosso produtor Dave Jenkins co-escreveu "Little Miracle" e sabíamos que essa seria a música para continuar o legado no século XXI.


RtM: Esse novo single é um sinal de que vocês pretendem agora lançar um novo álbum em um futuro próximo?

RO: Sim, uma série de singles saindo a cada 6 a 10 semanas é o plano.


RTM: O lançamento do álbum vai depender de como as novas músicas serão recebidas? E até mesmo da demanda por seus shows?

RO: Estamos com muita demanda por shows ao vivo... e agora "Little Miracle" é um sucesso retumbante e está crescendo a cada dia!



RtM: E para o repertório dos shows, quais músicas vocês acham que não podem ficar de fora do set list, caso contrário os fãs ficariam decepcionados? E você tem planos de incluir músicas que não foram tocadas com tanta frequência pelo Sweet ao vivo? Há alguma em particular que você gostaria de incluir nos sets?

RO: Fazemos de tudo, um fã nunca sai decepcionado - nosso objetivo é agradar enquanto arrasamos no local!


RtM: Acredito que um novo público está surgindo, novas bandas inspiradas no rock clássico dos anos 70, e também vimos um aumento nas vendas de vinil e um interesse crescente de pessoas mais jovens que "descobriram" ou redescobriram o rock clássico. Você também sente que há um momento de crescimento e percebe novos fãs nos shows?

RO: Sim, semelhante à invasão do blues britânico, onde os jovens vasculharam o passado em busca das lendas do blues que criaram o gênero. Os jovens precisam da nossa música, não apenas para elevá-los, mas também para inspirá-los a criar música de verdade que ajude a guiar a sociedade com mensagens positivas.


RtM: Falando um pouco sobre sua grande história na música e gostos pessoais, conte-nos como você começou essa jornada, quem o encorajou e o inspirou quando você começou na música.

RO: Minha família italiana amava música, minha mãe dançava com Judy Garland e Mickey Rooney. Ela sabia que eu nasci para ser um artista. Meu irmão era guitarrista e meu pai era como um musicólogo. Então veio a era das bandas de garagem e não havia como olhar para trás.



RtM: Se você tivesse que  listar 5 álbuns que considera essenciais na história do Classic Rock, quais escolheria e por quê?

RO: The Beatles "White album" - Meu primeiro álbum duplo; Jethro Tull “Stand Up” - Baterista Clive Bunker * Ian Anderson. Originalidade fora das paradas;  Freddy Hubbard “Red Clay” trouxe uma nova audição para o Jazz; Jimi Hendrix "Are you Experienced" Explosivo!! ;The Mahavishnu Orchestra "Inner Mounting Flame" de outro planeta! e Cream "Wheels of Fire", uma jornada de como tocar!


RtM: Você tocou com muitos grandes músicos em sua carreira, como Steve Lukather, Ronnie Dio, Keith Emerson, Paul Rodgers, Slash e muitos outros. Conte-nos alguns fatos interessantes sobre como foi trabalhar com algumas dessas lendas e o que você diria que foi seu maior desafio.

RO: Por causa da minha educação musical e dedicação ao meu ofício, nunca me senti particularmente desafiado, mas recebi uma ligação do cantor do Toto, Bobby Kimball. Ele me perguntou se eu conseguiria aprender um set completo de músicas do Toto em três dias.


Eu disse: “claro, mas quando é o ensaio?” Bobby disse “sem ensaio.” Fiquei pensando comigo mesmo "Caramba!”

Nós voamos para um show de 10.000 lugares em Illinois.

Eu consegui sem problemas, mas sim, eu estava nervoso pra caramba, pode apostar que sim!



RtM: Sobre sua carreira solo, gostaria que você comentasse sobre seus álbuns "Days of Innocence" e "Three Wishes", onde você também mostra seus talentos como vocalista e guitarrista, para que nossos fãs no Brasil possam conhecer um pouco sobre esses trabalhos. E claro, sobre Heaven and Earth e seu incrível som dos anos 70.

RO: Obrigado! E meus dois esforços solo lançarei em breve. O Blues Angel está vivo e forte e mal posso esperar para mostrar ao público todos os meus trabalhos. Eu coloquei meu coração e alma para criar tudo e estou muito orgulhoso.


O Heaven & Earth foi uma jornada por si só e eu adoro as faixas que toquei com Richie Sambora e Joe Lynn Turner, que realmente se destacam.


RtM: Richie, obrigado mais uma vez pela entrevista, e esperamos ter a oportunidade de vê-lo na América do Sul e no Brasil.

RO: Eu amo meus irmãos e irmãs da América latina e temos tempo de sobra para poder agitar com vocês.



Entrevista: Carlos Garcia

Agradecimentos: Richie Onori; Chip Ruggieri - Chipster P.R & Consulting, Inc.


The Sweet