sexta-feira, 12 de abril de 2024

Cobertura de Show: Orphaned Land – 07/04/2024 – Carioca Club/SP

A banda israelita de Heavy Metal Orphaned Land, com forte influência da música oriental, voltou ao país para uma apresentação única, em São Paulo, no último dia 07/04 em um domingo ameno na cidade e a Sociedade Esportiva Palmeiras conquistando mais um título paulista – o terceiro consecutivo – em cima do Santos Futebol Clube. 

Com a abertura da casa às 17hrs, a apresentação teve início por volta das 18h30 quando o vocalista Kobi Farhi saudou o público com um Salaam Aleikum. A performance contou com apenas quatro membros – Chen Balbus e Idan Amsalem (guitarras) e Matan Shmuely (bateria). O baixista Uri Zelcha, um dos integrantes originais, estava ausente devido a problemas na coluna, o que afetou a qualidade sonora.

O show teve alguns problemas técnicos, com uma das guitarras apresentando volume mais baixo que a outra na primeira música. O técnico de som demorou um pouco, mas ajustou o volume e tudo fluiu bem. 

Na falta de alguns instrumentos característicos, como violão ou cítara, a substituição foi feita por playback, assim como as partes dos coros e vocais femininos na primeira música, "The Cave"

Kobi não deixou a desejar em termos de presença de palco, técnica e voz, mesmo sendo o membro que está a mais tempo na banda. Os guitarristas, Chen e Idan, se saíram bem, enquanto o destaque foi o baterista Matan, que tocou com muita energia e cantava as músicas, assumindo também às funções de roadie ao ajustar os seus microfones em alguns momentos.

O repertório foi diversificado, com o uso de telão para exibir clipes das músicas durante suas performances. As luzes estavam perfeitas, os fotógrafos tiveram uma sorte grande para esses registros. Kobi, mais uma vez, interagiu bastante com a plateia, ensinando ritmos e trechos de músicas em hebraico para o público fazer o coro. 

Não houve discursos políticos durante o show, enfatizando que a apresentação é uma celebração de amor e paz. Essa união, carregada tanto no conceito lírico e na vida pessoal de cada um dos músicos, pode ser notada numa família que estava presente no show: uma mãe, com o braço em uma tipoia; um pai, com uma mochila de porquinho cor de rosa; e uma criança, que corria para lá e para cá, chamaram a atenção de algumas pessoas.

Antes de começar a música "All Is One", Kobi destacou a importância de comunicar essa mensagem ao mundo, independentemente da situação difícil em Israel. O tal pai com a criança, mencionado a pouco, agitou em “Sapari” com ela nos seus ombros. A última música, “Norra el Norra (Entering the Ark)”, emendada com “Ornaments of Gold”, foi cantada em hebraico.

Ao em vez de se juntarem para agradecer, os membros da banda fizeram gestos de oração e saíram do palco após o encerramento. Eles também atenderam os fãs que permaneceram até o final do show.


Texto: Ingrid Evelin

Fotos: Paula Cavalcante

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta

Mídia Press: Lex Metalis Assessoria e Agenciamento


Orphaned Land

The Cave

The Simple Man

All Is One

The Kiss Babylon (The Sins)

Ocean Land (The Revelation)

Brother

Like Orpheus

Let the Truce Be Know

Birth of the Three (The Unification)

In Propaganda

All Knowing Eye

Sapari

In Thy Never Ending Way (Epilogue)

***Encore***

The Beloved’s Cry

Norra el Norra (Entering the Ark) / Ornaments of Gold


terça-feira, 9 de abril de 2024

Cobertura de Show: Exciter & BAT – 06/04/2024 – Jai Club/SP

A banda canadense Exciter voltou ao Brasil, dessa vez para celebrar os 40 anos do lançamento do seu álbum de estreia “Heavy Metal Maniac”. O evento, que ocorreu no dia 6 de abril na Jai Club, em São Paulo, contou também com as bandas Inferno Nuclear, Hellway Train e BAT. Anteriormente, o Exciter também passou por Belo Horizonte e Brasília, nos dias 4 e 5 de abril, respectivamente.

A banda paraense de Thrash Metal Inferno Nuclear subiu ao palco às 17:30 e apresentou um set curto e coeso. Sua sonoridade remete aos monstros do Thrash oitentista como Exodus, Testament, Sodom e Destruction. O diferencial da banda é que tem toda essência do Thrash, mas com letras em português. Embora o público ainda estivesse chegando, quem conferiu o show da Inferno Nuclear certamente não se arrependeu de ter chegado mais cedo.

Às 18:30, era a vez do Hellway Train. A banda mineira de Heavy Metal tradicional estava celebrando o lançamento do seu primeiro álbum, “Borderline”, que saiu no dia anterior. Aqui já havia metade da ocupação da casa, muitos já conheciam a banda e cantavam as letras fervorosamente. Tanto a sonoridade quanto o visual remetem bastante as bandas de metal dos anos 80, como Judas Priest e Accept. O set mesclou músicas do novo trabalho e dos EPs anteriores, que cativou o público e apresentou ótima recepção.

Pontualmente às 19:30, os norte-americanos do BAT assumem o palco. O trio formado por Ryan Waste (baixo/vocal), Nick Poulos (Guitarra) e Chris Marshall (Bateria), apresenta um som “heavy primitivo veloz”, como o seu vocalista define. O set começou com “Ritual Fool”, “Master of the Skies” e “Code Rude”. Apesar da casa não ser muito grande, foi na apresentação do BAT que começaram os primeiros ‘moshes’ da noite.

As músicas, que são rápidas e curtas, levantaram o público e Ryan, que interagiu o tempo todo, fazendo com que o público respondesse à altura. Em “Wild Fever”, Ryan disse: 'está ficando quente aqui e nós vamos tornar um pouco mais quente', levando a um mosh e ao público cantar com os braços erguidos. Na metade da apresentação, a casa já estava lotando. “Wings of Chains” e “Streetbanger” tiveram uma excelente recepção.

O BAT tem dois trabalhos lançados, sendo um álbum e um EP. Seu próximo trabalho será lançado no próximo dia 17 de maio via Nuclear Blast. O show acabou às 20:14, e algo muito bacana foi que, imediatamente após o término, dezenas de pessoas seguiram à mesa de merch para garantir sua camiseta da banda. Uma excelente surpresa.

Com apresentação do Exciter marcada para às 21 horas, por volta de 20:30 uma breve aparição do vocalista/baterista Dan Beehler foi suficiente para deixar o público enlouquecido. A casa estava em lotação máxima quando as luzes baixaram, somente o backdrop do Exciter permaneceu iluminado. Nesse momento, vários celulares já se preparavam para gravar a entrada da banda, mas ainda não era a hora. Enquanto isso, era possível ver muitos fãs usando coletes com patches, camisetas e jaquetas com o logo do Exciter.

Às 20:52, Dan, Allan Johnson (Baixo) e Daniel Dekay (Guitarra), tomam seus lugares no palco e o Exciter finalmente começa sua apresentação. “Stand Up and Fight” abriu o show, com alguns corajosos stage diving e crowd surfing – embora o segurança da banda estivesse de prontidão para tirar qualquer um que pisasse no palco. Em seguida, “Heavy Metal Maniac” e mesmo com pouco espaço, formou-se um mosh tímido à beira do palco.

Nesse momento, Dan Beehler saúda o público, lembrando que o Exciter e São Paulo têm uma longa história juntos. “Break Down the Walls”, do álbum “Unveiling the Wicked”, fez o público cantar em uníssono. “Iron Dogs”“Evil Sinner”, do álbum aniversariante, também tiveram excelente recepção. O set passou principalmente pelos álbuns dos anos 80, agradando os presentes, principalmente músicas como “Die In the Night”, “Pounding Metal” e “Violence & Force”.

Fechando com “Iron Fist” do Motörhead, o Exciter fez com que essa noite com certeza fique gravada nas memórias dos fãs de metal para sempre. Com muita interação com o público, excelente presença de palco e hinos atemporais, só se espera que num próximo show a banda possa se apresentar em um local um pouco maior para que mais fãs possam apreciar uma das lendas do Speed/Thrash metal.


Texto: Jessica Tahnee Valentim

Fotos: Pri Secco


Produção: Xaninho Produções / Caveira Velha Produções

Mídia Press: LP Metal Press

 

BAT

Ritual Fool

Master of the Skies

Code Rude

Wild Fever

You Die/ LEWD

Rite for Exorcism

Bloodhounds

Wings of Chains / Rule

Ice

Streetbanger

Cruel Discipline

Total Wreckage/BAT

 

Exciter

Stand Up and Fight

Heavy Metal Maniac

Breakdown the Walls

Iron Dogs

Evil Sinner

Feel the Knife

Die In the Night

Living Evil

Pounding Metal

Beyond the Gates of Doom

Violence & Force

Long Live the Loud

Iron Fist (Motörhead cover)

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Resenha: Dry Aged – Dry Aged (2024)

Por Gabriel Arruda

Nota: 09/10

O estigma do primeiro trabalho sempre traz uma certa pressão, sendo ele bom ou ruim. No caso do Dry Aged, esses obstáculos não causaram nenhum tipo de medo diante da experiência do trio – formado por Nando Vieira (baixo e vocal), Fulvio Oliveira (guitarra) e o premiado Ivan Busic (bateria, Platina, Taffo, Dr. Sin e Nite Stinger) – neste primeiro trabalho, que além do cuidado na parte musical, traz um excelente material físico em slipcase e uma arte gráfica perfeita que alude, se eu não estiver enganado, o conceito de tempo.

O ‘debut’, homônimo, traz uma experiência musical fabulosa, magnífica e pasmosa. O Hard Rock tradicional estabelece as ordens nas dez faixas do álbum, que até quem não é muito chegado ao estilo, vai se surpreender com a qualidade das composições. Tal pressentimento é notado logo no começo com as excelentes “Not to Blame” e “Sinkin Down”: a primeira temos um belo contratempo de guitarra e baixo, enquanto o ritmo e o swing dita as regras na segunda, trazendo bem as referências de Talisman e Extreme.

A audição evolui sem repetir formula, o que faz o álbum ser versátil em vários momentos, é o caso da melódica “Hide” (que também tem uma versão acústica), a moderna “The City is a Lie”, a balada “That Same Old Song” e a instrumental “Fulvio’s Nightmare” (com elementos de música pop). Destaque também para a pesada “Dopamine” e as excelentes linhas de guitarra que deixaria o eterno (e mestre) Eddie Van Halen com orgulho.

Para quem gosta de uma pegada mais clássica, “Way Out” vai de encontro às influências do Deep Purple graças às linhas de teclado, além de te convidar a cantar o refrão junto com a banda (BREAKDOWN!); “Let it Go Away” também vem da mesma escola com traços mais calmos, principalmente na voz do Nando – também responsável pela produção, mixagem e masterização –, que abusou do driver neste trabalho, lembrando o saudoso Steve Lee, do Gotthard.

De bônus, um cover excelente de "Gimme Shelter", dos Rolling Stones, que está disponível no canal do Youtube. Vale a pena conferir e ouvir! 

Siga a Dry Aged no Instagram: @dryagedband



domingo, 7 de abril de 2024

Entrevista - Alchemia: Despontando para o cenário mundial

 Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Victor Piiroja (vocal)

Em 2021 chegava ao mercado nacional “Inception”. Com um som bem peculiar e recheado de influencias de horror. Musicalmente teatral. Como foi construir esta ideia?

O desenvolvimento do “ Ïnception” foi um processo meticuloso. Eu sempre fui fascinado por filmes de horror, as trilhas sonoras com atmosferas sombrias e orquestrações grandiosas, isto me inspira como compositor, o impacto sonoro com o impacto visual. o Alchemia é uma mistura de muitas influências dentro do heavy metal com a dramaticidade da música clássica. Essa busca por um som único nos levou ao conceito de Horror Metal.

Teatral não só musicalmente, mas ao vivo também. Soando bem impactante visualmente. O que engrandece a apresentação. Mostrando que o Alchemia é uma banda de palco, certo?

Sim, somos uma banda de palco, acreditamos que um show deve ser uma experiência completa, envolvendo os sentidos do público. Por isso trabalhamos com elementos cênicos, figurinos e efeitos visuais que complementam a música e criam uma atmosfera.

Vocês foram anunciados para a segunda edição do Summer Breeze Brasil. Qual a expectativa para este grande evento?

Estamos extremamente entusiasmados, tocaremos no maior festival de heavy metal do Brasil, mostrando nossa música para milhares de pessoas, este é um ano muito especial para o Alchemia!

Seguindo o ótimo momento, vocês também estarão no Summer Breeze alemão. Como foram as negociações para o mesmo?

Recebemos um convite para tocarmos na edição de 25 anos do Summer Breeze Germany, o que nos deixa extremamente honrados, ambos festivais são referências no mundo do heavy metal e esses shows são marcos importantes na trajetória do Alchemia. 

Após o anúncio do show no Summer Breeze Brasil começamos a receber mais atenção por parte da imprensa local e internacional e dos promotores de eventos. Eu moro atualmente na Alemanha e estamos desenvolvendo a banda na Europa, participando mais ativamente da cena musical local.

Já existe a ideia de um sucessor para “Inception”?

Já estamos na fase final da pré-produção do sucessor que se chamará “Become Human”, escrevi mais de 70 músicas novas para escolhermos as 10 melhores que estarão no álbum, posso adiantar que este álbum será mais pesado, mais orquestral e mais rápido do que o nosso primeiro.

Ainda sobre as participações em ambas as edições do Summer Breeze, teremos alguma surpresa ao vivo ou o set vai ser totalmente baseado no debut?

Vamos tocar o debut e o show de São Paulo será gravado em vídeo na íntegra, estamos preparando apresentações especiais para ambas às edições do Summer Breeze.

Seria exagero dizer que algumas influências da banda seria King Diamond, Rob Zombie e Judas Priest?

São grandes influências, King Diamond teve um grande impacto na minha vida, quando eu era adolescente fui ao Monsters of Rock e ali descobri que ele sozinho cantava as linhas agudas e os vocais graves em drive, antes eu achava que eram duas pessoas cantando e que aquilo não era possível, eu tinha feito aulas de canto com professores eruditos que me falavam que eu deveria escolher entre cantar limpo ou cantar rasgado, a partir deste show decidi que queria fazer aquilo também e passei a estudar formas de desenvolver minha voz, hoje eu misturo muitos timbres e formas distintas de cantar.

Judas Priest pra mim é uma grande referência, considero “Painkiller” a música que define a essência do Heavy Metal, Rob Zombie tem um peso sonoro e visual que influencia nossa música, além de Dimmu Borgir com suas orquestrações, Cradle of Filth, entre muitos outros.

Quais os planos do Alchemia pós Summer Breeze Alemanha? 2024 já está planejado?

No segundo semestre estamos com uma agenda pesada, teremos tour na Europa e na sequência tocaremos na China e na América Latina. Estamos em negociação com vários festivais para a temporada 2024/2025 e em paralelo vamos gravar o novo álbum, muita estrada pela frente, Road to Horror Metal pelo mundo!

 






sexta-feira, 5 de abril de 2024

Entrevista – Accept: Ambição ainda correndo pelas veias

Por Gabriel Arruda, junto com Marcos Lopes, do After do Caos

Fotos: Christoph VohlerPaula Cavalcante

Desde que voltou aos holofotes com o excelente “Blood Of The Nations” (2010), o Accept não para de compor ótimos trabalhos e fazer shows calorosos que fazem o público a cantar os solos de guitarra, como disse o guitarrista e fundador Wolf Hoffmann.

Antes de lançar o novo álbum – “Humanoid” – e embarcar para uma série de shows pela América Latina e Brasil, Wolf conversou rapidamente conosco, falando um pouco sobre os fãs brasileiros, o novo álbum e o que podemos esperar da banda nos próximos anos.

O Accept estará voltando à América Latina e ao Brasil, especificamente, para uma sequência de shows. Toda às vezes que a banda esteve aqui os shows foram lotados e, a maioria, com ingressos esgotados. Há algum momento ou lembrança especial quando estiveram aqui?

Wolf Hoffmann: Os fãs brasileiros são um público incrível, nossos fãs brasileiros do Accept são os melhores do mundo. Eu diria que temos ótimas lembranças deles cantando junto conosco. Sabe como é? cantando junto partes das músicas ao vivo. Às vezes, eles cantam junto com solos de guitarra, e é como se fosse uma recepção calorosa em casa toda vez que estamos no Brasil.

No ano passado a banda se apresentou na primeira edição do festival Summer Breeze, que também acontece todo ano na Alemanha. Como foi a experiência de tocar em mais um grande festival em São Paulo, já que, em 2015, vocês também tocaram no Monsters Of Rock?

Wolf Hoffmann: Sim, quero dizer, nós amamos tocar em festivais porque você consegue alcançar um público maior e você consegue alcançar fãs que você normalmente não consegue atrair quando faz shows como atração principal. Mas é sempre uma bela ocasião para conhecer novos fãs, e tenho lembranças fantásticas de tocar em ambos os tipos de eventos, como eu disse. O público brasileiro é incrível e nós os amamos.

Em paralelo aos shows de maio, o Accept estará lançando seu novo álbum, “Humanoid”, o primeiro com a gravadora Napalm Records. As duas músicas que foram lançadas mostram que será mais um grande disco. O que mais podemos esperar deste trabalho e como foi o processo de composição?

Wolf Hoffmann: Eu acho que você pode esperar um álbum típico do Accept, que realmente vai te surpreender assim que você o colocar. Vai soar 100% como o Accept que você conhece, mas ao mesmo tempo são novas e excitantes músicas que realmente se encaixam nos tempos em que vivemos, principalmente a faixa-título "Humanoid",  fala sobre inteligência artificial e o tema do homem versus máquina. 

Mas mesmo as outras 10 faixas ou mais que temos no álbum, elas são típicas músicas de metal que os fãs vão adorar. Temos uma ótima música lenta neste álbum também, é uma espécie de balada chamada "The Ravages of Time", e você sabe, é impossível descrever o álbum inteiro. Eu acho que no fim você terá que esperar até tenha lançado, só vai demorar mais algumas semanas. 


E já está definida a data não é? Acredito que estejam ansiosos.

Wolf Hoffmann: 26 de abril, o novo álbum será lançado mundialmente pela Napalm Records, e estou realmente  muito animado para os fãs  ouvirem este álbum. Tocaremos músicas novas quando formos ao Brasil, então com certeza apresentaremos algumas delas ao vivo já pela primeira vez em estreia mundial.

Nesse começo de ano, o Saxon e o Judas Priest lançaram álbuns incríveis, e o Accep não será diferente, já que desde o "Blood of the Nations" (2010) lançam discos que sabemos que, quando estivermos ouvindo, é um disco do Accept. Ao lado dessas bandas, vocês sentem que estão à frente do Iron Maiden em questão de compor novas músicas, já que eles não lançam um trabalho convincente há anos?

Wolf Hoffmann: Acho que em poucos segundos você ouvirá e vai perceber que este é um novo álbum do Accept. Quando você colocá-lo, parecerá muito familiar, e é isso que realmente estavamos procurando. E tenho que dar muito crédito ao Andy Sneap por sempre trazer a certeza de que estávamos no caminho certo. E sim, eu acho que os fãs vão adorar esse novo álbum. Então temos que esperar e ver quando isso acontecer, mas acho que será muito emocionante.

Você é o único membro da formação original a permanecer na banda. Aqui no Brasil, principalmente, as pessoas têm uma certa resistência em não querer ver a banda se ciclano ou fulano não estiver nela. Mas o Accept não sofreu com esse tipo de situação, pois tanto os fãs mais novos e ‘old school’ abraçaram a atual formação. Como você resumiria esse novo capítulo do Accept e se podemos esperar por muito mais coisas nos próximos anos?

Wolf Hoffmann: Sim, você pode esperar muito mais nos próximos anos porque ainda estamos no meio disso. Acho que ainda vamos fazer muitos mais álbuns, e pessoalmente eu digo para mim mesmo toda vez: o melhor show ainda não foi tocado e a melhor música ainda não foi lançada. Acho que ainda estamos querendo melhorar, e ainda estamos, você sabe, tocando em cada show com todo nosso coração. Em geral, tenho que dizer que conseguimos um pequeno milagre mudando de vocalista e realmente iniciando um novo capítulo de muito sucesso na história do Accept. Quero dizer, ninguém poderia realmente ter previsto tudo isso, porque todo mundo sabe que uma das coisas mais difíceis de se fazer na história de uma banda é mudar de vocalista, porque um cantor é a voz da banda e a identidade dela. Mas realmente fizemos o impossível com Mark, nós realmente quase superamos nosso antigo período do Accept, você sabe, há muitos fãs que diriam que sempre gostarão, você conhece, "Balls to the Wall" e "Princess of the Dawn", mas eles realmente gostam tanto das coisas novas ou talvez até mais do que alguns dos antigos clássicos, e é uma grande honra para nós que isso significa que realmente, sim, alcançamos o impossível. Isso também me deixa muito feliz.

Agradecimentos a Dark Dimensions e a JZ Press pelo agendamento desta entrevista!





quarta-feira, 3 de abril de 2024

Cobertura de Show: Brujeria – 31/03/2024 – City Lights/SP

O Brujeria voltou ao Brasil, pouco menos de um ano após sua última passagem, dessa vez para promover seu mais recente trabalho, “Esto Es Brujeria”, lançado em 2023. Em apresentação quase “surpresa” (o show foi anunciado há cerca de duas semanas antes do evento), a banda fez duas apresentações no país, sendo a primeira no festival Abril Pro Rock em Recife, no dia 30; e a segunda no dia 31, no City Lights, em São Paulo.

Com a casa prevista para abrir às 19 horas, perto das 18 já haviam fãs aguardando ansiosamente a banda de Death Grind mexicana/norte americana. Pouco após às 19 horas a casa abriu e, logo em seguida foi possível ver a banda chegando e acenando aos fãs, ao entrar pela porta lateral. Aos poucos o público foi lotando o local e já podia se ver muitos com bandanas cobrindo metade do rosto – elemento típico da apresentação do Brujeria – e também alguns usando máscaras de lucha libre.

Às 20:10 a banda formada por Juan Brujo (primeiro vocal), Fantasma (segundo vocal), Pinche Peach (terceiro vocal), Hongo (baixo), Podrido (bateria) e El Criminal (guitarra), sobe ao palco do City Lights abrindo o show com “Esto Es Brujeria”, faixa título do último álbum. Vale dizer que somente os Juan Brujo e Fantasma dividiram os vocais na primeira música do set. 

Em seguida, Pinche Peach foi anunciado e ovacionado pelos fãs, chamando a todos para a música “Colas de Rata”, que quase colocou o local abaixo. E foi assim durante toda a apresentação: mosh, stage diving e público cantando a plenos pulmões.

Apesar dessa tour celebrar o último álbum, a banda mesclou o set com músicas de todos os seus trabalhos, o que agradou aos presentes. 

“Hechando Chingasos”, “Mexorcista” e “Cruza La Frontera” conseguiram manter o clima caótico de rodas e pancadaria. Enquanto isso, aproveitando o palco baixo, os que conseguiram ficar (e se manter) mais próximos do palco, abusaram de selfies e vídeos, inclusive uma fã conseguiu que quase todos integrantes da banda assinassem seus braços para que, segundo ela, pudesse tatuar os autógrafos de seus ídolos mais tarde.

Em “Desmadre” foi possível notar que o baterista teve um pequeno problema técnico com uma de suas estantes de pratos, então logo após a música, houve uma breve pausa e os vocalistas interagiram ainda mais com o público. Inclusive há muitos momentos de interação, movimentos coreografados, mesmo se você não é fã da banda, é impossível ficar parado e não responder aos comandos do Brujeria.

Seguindo o set com “Mochado”, “Angel de la Frontera”, “Vayan Sin Miedo” (cantada por quase todos presentes), “La Ley del Plomo” (talvez o mosh mais enérgico), o Brujeria parece que fez o tempo passar muito rápido, pois mesmo com um set longo e diverso, a apresentação é cativante e poderosa. Talvez o único momento em que se possa dizer que o show “amornou”, foi durante “Castigo del Brujo”, única música sem mosh até então.

Mas isso não durou muito… Com o show chegando ao fim, a sequência de músicas escolhidas colocou a energia lá em cima novamente. “Marcha de Odio”, o clássico “La Migra”, “Brujerismo” e “Consejos Narcos” fizeram o público agitar e cantar até o último segundo. Em mais um momento de interação, os integrantes da banda solicitaram aos presentes marijuana e não demorou muito a conseguirem.

Para encerrar a noite, “Matando Güeros”, clássico do álbum de estreia, a banda empunhando machetes, convida alguns sortudos para dividirem o palco com eles. Ao encerrar o show, o som mecânico traz as primeiras notas de uma canção muito conhecida na América Latina, a “Macarena”, mas aqui a versão do Brujeria onde se canta: “eh, Marijuana, ay!”

E foi assim, nesse clima de festa, maconha e energia, que o Brujeria mais uma vez fez uma apresentação inesquecível em São Paulo.     


Texto: Jessica Tahnee Valentim

Fotos: Sabrina Ribeiro para o Cultura em Peso

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Kool Metal

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Brujeria

Esto Es Brujeria

Colas de Rata

Hechando Chingasos

Mexorcista

Cruza La Frontera

Chingo de Mecos

Culeros

Cristo de La Roca

Desmadre

Mochado

Angel de La Frontera

Vayan Sin Miedo

La Ley del Plomo

Pito Wilson

Desperado

Castigo del Brujo

Marcha de Odio

Revolución

La Migra

Brujerismo

Consejos Narcos

Matando Güeros

Entrevista - Alchimist: “Painkiller” do Judas Priest é o álbum que mais traduz o que é heavy metal

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: João Lobo (baixista)

A ideia sonora do Alchimist vai além do Thrash Metal em si. Tendo uma linha bem tênue com o Heavy Metal mais tradicional. O que deixa a sonoridade bem interessante. A ideia sempre foi essa?

Primeiramente, obrigado pela oportunidade dessa conversa e sim, a ideia inicial era mesclar várias vertentes do heavy metal fazendo com que o nosso sonho fosse o mais autêntico possível. Para que pudéssemos criar uma identidade forte e até hoje essa identidade ela é bem reconhecida pelos fãs e tem dado bons frutos.

Quais influências tiveram para criar a arquitetura sonora?

Nossa influência não foge muito das bandas mais tradicionais de heavy metal. Adicionado claro, as bandas do metal nacional e musicalmente nós temos muita influência da música brasileira na parte melódica e em outros elementos, que giram em torno do metal.

Em 2016 nascia o debut “The Wisher”. Com uma gama sonora forte e marcante. Conte-nos a respeito da parte criacional do mesmo.

Na época nós não tínhamos tanta experiência em composições e gravações então estávamos à procura desse formato, dessa identidade, dessa forma de compor e dessa forma de expressar. Desde lá até aqui fomos criando experiência e fomos também gravando com outras bandas, tocando com outros projetos e ampliando a nossa gama sonora.

Como foram as críticas do trabalho na época? Acredito, que até hoje repercute positivamente para a banda.

Em geral positivas! A análise girou em torno do que realmente parece ser o “The Wisher” como trabalho que é: uma mistura entre metal progressivo e power metal. Então na época essas não eram as nossas influências mais presentes, mas temos muito orgulho de ter feito dessa forma. 

Na época próxima ao lançamento saímos em muitos sites e atendemos a muitas entrevistas então a repercussão foi bem positiva e logo após o lançamento nós fizemos muitos shows, principalmente no ano seguinte em outras cidades perto da nossa cidade Natal.

Oito anos se passaram do primeiro álbum. Existe uma previsão de lançamento para o sucessor?

Durante todos esses anos estivemos compondo e fazendo músicas novas. Nosso próximo trabalho sairia durante a pandemia ali em 2020, no entanto, pelo próprio acontecimento da pandemia nós tivemos que postergar tudo isso e só agora em 2024 temos previsão para lançar um novo álbum. Com single novo saindo durante o mês de abril. 

Tivemos também algumas mudanças de formação na banda e tudo isso leva bastante tempo para reestruturar e consolidar o que já tem como trabalho. O próximo álbum será um trabalho conceitual muito robusto e que traduz verdadeiramente o momento atual da banda.

Em 2023 foi lançado o live “The Ritual”. Tocando na integra “The Wisher” com a adição da composição “Obsessed”. Comentem sobre a ideia de lançar um disco ao vivo. Eu particularmente sou muito fã dos lives.

O disco ao vivo sempre expressa bem o som de uma banda e eu também sou muito fã de trabalhos ao vivo, e a ideia foi justamente aproveitar o momento de lives e shows ao vivo pela internet para fazermos um registro e deu muito certo! O material ficou com uma qualidade decente (não ficou extremamente profissional), mas o registro é muito válido e a ideia é fazer com que todos os álbuns tenham álbum ao vivo após o lançamento em estúdio.

 Eu particularmente gostei bastante do resultado e acho que mostrou bem a pegada do Alchimist. A faixa “Obsessed” já era tocada ao vivo e estará presente no próximo álbum e decidimos colocar no trabalho ao vivo por mostrar esse nosso lado mais atual.

Em relação aos shows, vocês tocarão com o Angra em breve. Como está a expectativa? O que estão planejando para este grande momento?

A expectativa é a melhor possível! Vamos tocar duas músicas novas e além de trocar experiência com a equipe do Angra e experimentar um novo setlist nesse segundo show com um novo baterista o Pedro Isaac. Vai ser um grande show e esperamos fazer isso mais e mais vezes.

Finalizando, gostaria de saber os próximos passos da banda e se pudesse criar um ranking dos cinco melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos, quais seriam? Obrigado pela participação!

É difícil criar um ranking dos 5 melhores álbuns, mas vale a tentativa: Iron Maiden (The Number of the Beast), Black Sabbath (Paranoid), Sepultura (Beneath the Remains), Angra (Temple of Shadows) e em primeiro lugar tem que ser o “Painkiller” do Judas Priest que em minha opinião é o álbum que mais traduz o que é heavy metal.



 

 

domingo, 31 de março de 2024

Farpado: Thrash/Death Mineiro Promissor

 


O Farpado é um daqueles tantos novos nomes que surgem na cena e merecem ser "descobertos". O faz um Thrash/Death Metal e foi fundado em Campos Gerais (MG), em fevereiro de 2023. Contando com a dupla Eduardo Oliveira no vocal e Clayton Ferreira nos demais instrumentos, eles contam que o Farpado surgiu da vontade de compor e gravar material autor

E sem contar com capital para investir a dupla conta em seu release: "Nós mesmos demos nosso sangue pra aprender o que era necessário para gravar e produzir o álbum, além de criar a arte da capa."


A banda foi criada e já iniciou trabalhando firme, lançou inicialmente os singles “Autofagia” e “Invasão” com videoclipes criados pelo coletivo Motim Underground, e em dezembro de 2023 foi lançado o primeiro álbum: “Devorador de Sí”.

O álbum contém nove faixas e o grupo enfatiza que seu foco é o peso e crítica social. Com letras todas em português, eles contam que elas tratam "da destruição causada por nós ao meio ambiente e as nossas escolhas egoístas e cruéis que mantém tantos em miséria."

E o que ouvimos é exatamente isso, peso e crítica social com letras bem elaboradas, sonoridade Thrash, às vezes com nuances mais contemporâneas e passagens com riffs bem Death, além de Flertes com o Crossover, destacando a criatividade do trabalho de Clayton, criando bases e riffs que empolgam e convidam ao headbanging. Além claro, de ser responsável por gravar os demais instrumentos.


Falando um pouco sobre algumas das faixas desta muito boa surpresa vinda de Minas, destaco já a "Lamaçal", que alterna momentos mais velozes a outros com mais "Groove" e andamentos mais lentos. O vocal alterna o gutural com trechos mais berrados e "discursados" e limpos.

"Autofagia" alterna trechos mais compassados com outros mais diretos e mais rápidos, inclusive trechos com riffs e cozinha Death Metal, além do solo áspero e cortante; "Invasão", cuja letra fala sobre a subjugação histórica de povos sobre outros, tentando inclusive impor seus costumes e não respeitando as culturas diversas. Thrash porrada, que termina flertando com o Punk/Hardcore.

"Estrutura Biológica" é Thrash/Death, alternando trechos meio tempo com outros mais arrastados, numa levada Doom Metal de riffs soturnos e pesadíssimos. Tem também participação de Francieli Oliveira nos vocais, médica e musicista mineira, que mandou muito bem, alternando vocais agressivos e mais limpos.

"Discriminação", o título já fala por si só, então você já sabe que a letra trata de um assunto que infelizmente ainda a humanidade precisa muito evoluir. Com seu andamento arrastado e peso esmagador, nos incita a bangear de punhos cerrados contra todos os tipos de discriminação.


"Acrobata da Dor" , poema de Cruz e Sousa aqui recebendo uma musicalidade Metal, mais um dos pontos altos, com suas variações e peso, unindo o Thrash e Death. Lembrando de destacar as variações vocais de Eduardo Oliveira no álbum, alternando vocais guturais, limpos e mais "berrados", bem Thrash tradicional.

Resumindo, uma boa surpresa, Thrash/Death pesado e direto, mas ainda assim com variações que mantém o interesse do ouvinte e convidam a bater cabeça.  Em pouco mais de meia hora apresenta credenciais de assumir o posto de uma das boas revelações do cenário Metal nacional. Confira!!

Texto: Carlos Caco Garcia 
Banda: Farpado
Álbum: "Devorador de si Mesmo" 2023
Pais: Brasil - Minas Gerais
Estilo: Thrash/Death


Tracklist:
01-Revolta Regente
02-Autofagia
03-Lamaçal
04-Mendigagem
05-Discriminação
06-Acrobata da Dor
07-Estrutura Biológica
08-Invasão
09-Natureza Morta




quinta-feira, 28 de março de 2024

Entrevista - Mistheria: A Música é o Objetivo Final da Nossa Expressão e das Nossas Emoções

 


Maestro Mistheria iniciou cedo na música, sendo pianista, tecladista, tecladista e organista, produtor e compositor, envolvido tanto nos gêneros clássico quanto no rock/metal.  (Read The english version here)

Após a formatura - com partitura integral - no Conservatório de Música no curso "Órgão e Composição", Mistheria iniciou sua carreira como artista solo, músico de sessão e produtor.

Possui inúmeras e prestigiadas colaborações, tanto em estúdio como ao vivo, com muitos artistas e grupos internacionais, entre eles sensações como Bruce Dickinson (Iron Maiden), Roy Z (Rob Halford), Rob Rock (Chris Impellitteri), Mike Portnoy, Steve Di Giorgio (Testamento), Jeff Scott Soto, Mike Terrana, Joel Hoekstra (Whitesnake), Mark Boals (Ring of Fire), Edu Falaschi (Angra, Almah).

Mistheria vem ao Brasil na turnê do novo álbum de Bruce Dickinson, e aproveitamos a ocasião para conversar a respeito do seu trabalho com o lendário vocalista do Iron Maiden, e claro, um pouco sobre sua carreira solo, o fantástico Vivaldi Metal Project e muito mais.


RtM: Olá Maestro, obrigado por reservar um tempo para esta entrevista. E em breve você estará aqui no Brasil junto com Bruce Dickinson na turnê do álbum "The Mandrake Project". Acredito que suas expectativas devem ser altas com a turnê e a visita à América do Sul.

Mistheria: Olá e obrigado por me convidar para a entrevista. Teremos 7 shows no Brasil. Eu sei que Bruce tem uma base de fãs enorme, muito leal e entusiasmada. Estou realmente ansioso para compartilhar alguns momentos emocionantes com o público brasileiro. Não vejo a hora!


RtM: Acredito que também ajudará mais pessoas a conhecerem o seu trabalho aqui. Haverá algum espaço no show para um solo de teclado, talvez? Você planeja algo especial para as apresentações?

Mistheria: Sim, também há alguns espaços para meus solos de teclado, o show é cheio de momentos interessantes.


RtM: Você tocou em outros dois trabalhos de Bruce, "Tyranny of Souls" e "Scream for me Sarajevo", conte-nos um pouco sobre como surgiram essas oportunidades, e como você se sente fazendo parte do trabalho solo de Bruce novamente tantos anos depois?

Mistheria: Em 2003 fui contactado por Roy Z com quem já tive o grande prazer de trabalhar no álbum “Eyes of Eternity” de Rob Rock. Roy estava trabalhando em “Tyranny of Souls” de Bruce e me pediu para gravar os teclados daquele álbum. Continuamos a colaborar nos álbuns “Holy Hell” e “Garden of Chaos” de Rob Rock.

Começamos a trabalhar no “The Mandrake Project” de Bruce em 2012 e finalmente o temos em mãos agora. O processo de gravação foi intenso, criativo e emocionante. Estou muito feliz que esta nova obra-prima esteja agora disponível para todos ouvirem.




RtM: E como é trabalhar com uma lenda como Bruce? Você teve espaço para colaborar nas composições? Vejo que nesse novo álbum o teclado tem muito mais participação.

Mistheria: No “The Mandrake Project” tive a oportunidade de gravar muitos teclados e trabalhar em algumas orquestrações, além de dar vazão a muitas ideias. Me inspirei em músicas tão lindas, e quando as demos incluíram os vocais de Bruce, finalizei todas as minhas partes.

Roy Z e Bruce me pediram para gravar o máximo possível, então eles trabalhariam nisso durante o processo de mixagem. Gosto muito deste processo de trabalho, é profundamente estimulante para mim. Eles também me deram algumas dicas e orientações a seguir. Foi fabuloso trabalhar com eles no álbum.


RtM: E sobre esse álbum, que tem uma atmosfera mais sombria, o que você poderia dizer sobre ele e quais músicas dele você mais gostou e gostaria de tocar ao vivo?

Mistheria: Difícil de responder :) Adoro todas as faixas! Gosto de adicionar um pouco de “cor” às músicas, ambientes sombrios, sons espaciais, órgãos e coros góticos, etc. Na verdade, tive a oportunidade de gravar muitos deles neste álbum, então estou muito satisfeito e feliz com o resultado. Eu adoraria tocar uma das minhas músicas favoritas ao vivo, “Afterglow of Ragnarok”, e de fato vamos tocar!


RtM: Agora falando sobre sua carreira em geral. Você começou na música muito jovem, segundo sua biografia, graças ao seu pai e a um amigo da família. Conte-nos um pouco sobre esse início e como era sua rotina.

Mistheria: Correto. Meus pais adoram música e meu pai me apresentou o acordeão que foi meu primeiro instrumento. Tive 7 anos de aulas particulares antes de ingressar no Conservatório de Música, e dez anos depois me formei em “Órgão e Composição”.

Minha rotina era praticar todos os dias, inclusive feriados e feriados, valeu a pena. Quando decidi me tornar músico profissional, abençoei todas as milhares de horas gastas no instrumento e nos livros.


RtM: E quais compositores mais te inspiraram naqueles primeiros anos?

Mistheria: Bach, Chopin, Vivaldi, Beethoven, Mozart, Liszt, para citar alguns.


RtM: E o interesse pelo Heavy Metal? Quando você começou e quais foram as principais influências que te inspiraram a se aprofundar no estilo?

Mistheria: Durante meus estudos acadêmicos comecei a ouvir Jon Lord e Keith Emerson, e claro suas bandas. Posteriormente Pink Floyd, Genesis, King Crimson, Yes e muitas outras bandas de rock progressivo dos anos 70 e 80.


RtM: Conte-nos um pouco sobre suas primeiras experiências no palco e quais foram suas primeiras aventuras com uma banda.

Mistheria: Minha primeira banda foi o Mirage, seguindo as influências da época, escrevemos rock progressivo também seguindo os passos de grupos da cena italiana como Il Banco e Le Orme.

Com o Mirage tive as minhas primeiras experiências em palco tocando em concertos de verão e competições para grupos emergentes. Uma primeira experiência de turnê, porém, foi com uma orquestra de entretenimento com a qual geralmente tocávamos música pop italiana e internacional. Eu tinha cerca de 18 anos.


RtM: Algumas pessoas mais puristas não gostam da mistura de música clássica e Heavy Metal, eu pessoalmente adoro e acho que os estilos têm muito em comum. Qual é a sua opinião sobre isso? E quais artistas ou bandas, além de você - que é mentor do maravilhoso projeto "Vivaldi Metal Project" - uniram melhor esses dois mundos?

Mistheria: Sou um músico clássico, mas sempre vi a música como uma expressão de 360 graus de sentimentos e emoções. A música não é um fim em si mesma, mas é o objetivo final da nossa expressão e das nossas emoções. Minha filosofia musical e minha criação, o Vivaldi Metal Project, são baseadas nisso.

Existem grandes bandas que combinam muito as duas esferas de um mesmo mundo musical, bandas que gosto muito como Epica, Rhapsody of Fire, Delain, Nightwish, Xandria, Yngwie Malmsteen, Beyond The Black, Adagio, e outros grupos da sinfônica -cena metálica.

RtM: Aproveitando a oportunidade, conte-nos um pouco como surgiu a ideia do “Vivaldi Metal Project”.

Mistheria: Já ouvia "As Quatro Estações" de Vivaldi quando frequentava a escola obrigatória. Coloquei esta maravilhosa obra-prima em loop durante meu dever de casa da escola.

Durante os meus estudos no Conservatório, nos momentos de descanso, gostava de fazer arranjos rock/metal das peças que estudava e trazia para as aulas, como os Prelúdios de Bach, as Danças Húngaras de Liszt, os Nocturnos de Chopin, etc.

Depois comecei a criar peças deste tipo a pedido, até que, numa noite de inverno, enquanto tocava piano no meu quarto, disse para mim mesmo: porque não arranjar toda a ópera “As Quatro Estações” de Vivaldi? Dito e feito...


RtM: Em 1998 você lançou sua primeira Rock Opera, "Imperator", gostaria que você nos contasse um pouco sobre ele, o seu conceito e processo criativo. Um álbum difícil de encontrar para ouvir, inclusive músicas deste álbum você rearranjou e gravou em álbuns posteriores. Quais foram os principais motivos que o levou a regravá-las?


Mistheria: "Imperator" foi uma coleção de músicas que eu escrevi, concebi e colecionei para um show meu chamado "Metamorphosis", no qual combinei vários artistas e diferentes formas de arte: música, dança, teatro, gráficos e vídeo .

A maioria eram músicas que estavam, portanto, ligadas a partes visuais, como vídeos e dança, ou que funcionavam como trilha sonora de partes narrativas. Por isso ouvir é um pouco “difícil”, porque falta uma parte fundamental, que é a visual. De qualquer forma, queria reunir estas músicas num álbum para relembrar este meu trabalho, quase um precursor do que seria o Vivaldi Metal Project cerca de 13-14 anos depois.

 

RtM: E sobre o álbum “Messenger of the Gods” (2004), que reuniu um time de estrelas e foi gravado em vários lugares diferentes. Conte-nos um pouco sobre como foi fazer esta produção e, claro, sobre o seu conceito.

Mistheria: Eu poderia dizer que “Messenger of the Gods” foi a sequência natural, depois de 3-4 anos, do show e álbum “Imperator”. A diferença foi que mudei meu caminho musical para caminhos mais difíceis, portanto Rock e Metal, e assim comecei oficialmente minha carreira como artista solo nos gêneros Neoclássico, Prog-Metal e Symphonic-Metal.

Para "Messenger of the Gods" tive cerca de 30 grandes músicos (Rob Rock, Mark Boals, Anders Johansson, Barry Sparks, Jeff Kollman, Matt Bissonette, Tommy Denander, George Bellas, só para citar alguns). Minha ideia de música é baseada na colaboração entre músicos e na troca de ideias para fazer vibrar as cordas da emoção.

 

RtM: Em 2010 temos "Dragon Fire", que eu pessoalmente gosto muito, e acho que é um álbum maravilhoso para quem gosta dessa mistura de Metal e música clássica com muita pompa e arranjos bombásticos! Conte-nos um pouco sobre esse álbum e como foi o impacto dele na época.

Mistheria: “Dragon Fire” é um álbum que solidificou minha presença no mundo do Metal, teve um grande impacto quando foi lançado e me deu a oportunidade de ser chamado para trabalhar com outros artistas e grupos que queriam meu tipo de som e arranjo , especialmente no teclado e no nível orquestral

Um trabalho com o qual tive o grande prazer e honra de ampliar minhas colaborações e escrever músicas com cantores fantásticos como John West, Rob Rock, Mark Boals, Lance King e Titta Tani. As músicas têm aquela combinação e equilíbrio ideal para mim entre Metal, Prog e Sinfônico. Eu estou muito satisfeito com isso. Fico feliz em saber que você também gostou.


RtM: Em relação aos seus projetos instrumentais destaco “Gemini” (2017), onde você traz composições próprias e versões de obras de Beethoven e Vivaldi, onde novamente você traz essa união da música clássica e do Metal; e os álbuns "Dreams" (2020) e "Solo Piano" (2021) têm foco mais clássico. Gostaria que você fizesse um breve comentário sobre cada uma dessas obras.

Mistheria: “Gemini” é um álbum instrumental, então pude dar rédea solta às minhas intenções como pianista, tecladista e instrumentista. As formas das músicas permanecem, para mim, quase as mesmas de uma música cantada, gosto de estruturas claras e compreensíveis até para obras instrumentais. Este álbum também reúne músicas de diferentes anos, algumas gravadas novamente (por exemplo "My Dear Chopin") e outras finalizadas após muitos anos em que apenas as toquei ao vivo.

Reúne meu repertório instrumental de Metal de 1992 a 2017. "Solo Piano" e "Dreams" fazem parte da minha esfera "Clássica", na qual gosto de me deixar levar pelo suave, intimista, new age, ambiente, clássico atmosferas e sons. Há também um terceiro álbum nesta categoria, "Keys of Eternity". Eu executo essas três obras frequentemente ao vivo em meus concertos solo.


RtM: E citando experiências diversas, como você é um músico que está sempre em busca de desafios e criando coisas novas, um trabalho muito interessante foi a homenagem a Whitney Houston. Gostaria que você falasse um pouco sobre isso e se já pensou em fazer outros na mesma linha, talvez abordando vários ícones Pop. Elton John, por exemplo, acho que por ele ser pianista também seria muito interessante.

Mistheria: Muitos trabalhos que publiquei são pedidos de algumas produtoras e gravadoras, foi o caso também da homenagem a Whitney Houston (uma artista que adoro). Pediram-me especificamente para arranjar cerca de dez músicas e tocá-las principalmente com o Keytar (um instrumento que adoro igualmente :) Também fiz arranjos e gravei outras compilações de músicas pop internacionais, principalmente no piano, então, em parte, já realizei a ideia que você sugere.


RtM: São dezenas de trabalhos que você já gravou entre álbuns  solo e participações pois não poderemos cobrir todos aqui, então  gostaria que você destacasse os mais recentes como os álbuns com Chaos Magic, Kattah e Nova Luna, por exemplo. Quais você mais gostou de participar e se teve algum que foi mais desafiador para você.

Mistheria: Gosto de todas as colaborações que faço, caso contrário não as faria. É claro que existem colaborações que têm mais sucesso do que outras, por diversas razões, e eu pessoalmente prefiro algumas a outras, novamente por diversas razões.

Em todo caso, também porque você mencionou, certamente a colaboração, tanto em estúdio quanto ao vivo, com a fantástica cantora chilena e amiga Caterina Nix e seu projeto “Chaos Magic” é um dos mais queridos para mim. Excluo da lista, porque estamos falando de uma lenda viva, a colaboração com Bruce Dickinson e Roy Z que, tanto a nível artístico como humano, é parte integrante e inseparável da minha carreira e vida.

RTM: Claro! O trabalho com Bruce e Roy é hors concours. Bom, para finalizar, gostaria que você definisse o que a música significa para você e o que você acha importante para um artista, para que você não perca a paixão por criar coisas novas e se torne obsoleto.

Mistheria: Acredito que já respondi amplamente esta última pergunta nas anteriores :)

Em qualquer caso, e resumindo o que foi dito antes, para mim a Música é uma finalização e forma última dos sentimentos e emoções do ser humano, e só a interação entre diferentes músicos (portanto diferentes personagens, personalidades e mentes) pode ser expressa na melhor forma e integridade possíveis.

Esta abordagem torna a criação musical sempre viva, emocionante, nova, excitante, projetada no futuro.


Entrevista: Carlos Garcia


Mistheria Site Oficial