domingo, 24 de janeiro de 2021

Living Metal: mais Judas que o próprio Judas

 

Resenha por: Renato Sanson

Se muitos ainda se prendem aos anos 80 não gostando da certa modernização do Heavy Metal é porque verdade seja dita: energia, riffs “cantados” e muito feeling é o que nos chamam a atenção no glorioso e eterno Metal!

Com esta batida e o lema: “Hail the true Metal and Fuck all the Posers” nasceu em meados de 2018 a banda paulista Living Metal, capitaneada pelo guitarrista Rafael Romanelli (Zumbis do Espaço) para no mesmo ano nos brindar com o EP homônimo e trazendo muito Heavy Tradicional e os clichês que tanto amamos do estilo.

Aqui não há espaço para modernidades ou inovações, mas sim, um belo tributo ao verdadeiro Metal oitentista, soando tão ou até mais que o próprio Judas Priest ou Manowar (hahaha ouça e comprove!).

A abertura com “Are You Ready For Metal?” climatiza para o que iremos nos deparar, e o que vem a seguir poderia ser muito bem a trilha sonora da devastação de qualquer batalha do grande Conan, pois “Living For Metal” deixa o cheiro do aço da espada exalado ao final da mesma, com seus riffs pegajosos e suas belas dobradinhas de guitarras, sem contar o refrão no melhor estilo Manowar.

Mas o título desta matéria não é à toa, já que os caras conseguem ser mais true que o próprio Judas em seu começo de carreira, é ouvir “Fire On Two Wheels” e “Back To The 80'S” e ter em mente o gelo seco e jaquetas com tachinhas, já que a cada riff, melodia e refrão jogado aos céus, é um novo patch que você sente vontade de colocar em seu colete, deixando aquela sensação incontrolável de ir a algum show com todos os seus apetrechos.

Mas nem só de Judas vivem, “Hail! The True Metal (Will Never Die)” vem no melhor estilo Manowar e soa como uma batalha insana e sangrenta entre bárbaros. Vale citar as belas linhas vocais de Pedro Zupo soando agressivo, mas com ótimas melodias adicionais deixando o trabalho em si ainda mais referenciado e característico.

A produção do EP ficou a cargo do produtor Rafael Augusto Lopes que soube usar muito bem todos os timbres deixando a sonoridade datada e extremamente cativante, como se você estivesse entrado em uma máquina do tempo e retornado ao passado dourado do Heavy Metal.

Em sua gravação “Living Metal” contou com a adição do baterista Amilcar Cristófaro (Torture Squad) e Fernanda Lira (Crypta) nas vozes femininas adicionais, sendo que o baixo também ficou a cargo de Rafael.

Se você é um saudosista do Heavy oitentista e sente saudade de todo aquele clima e áurea magica, aqui está a sua banda, pois é impossível ouvir e não sair cantarolando as melodias e os refrões com os punhos erguidos a Odin. Escute sem moderação e viva ao Heavy Metal old school!  


Tracklist:

1. Are You Ready For Metal?

2. Living For Metal

3. Fire On Two Wheels

4. Back To The 80'S

5. Hail! The True Metal (Will Never Die)

6. Rocka Rolla (Judas Priest cover)

 

Formação que gravou o EP:

Rafael Romanelli – guitarra/baixo

Pedro Zupo – vocal

Amilcar Cristófaro – bateria

 Fernanda Lira – voz feminina adicional


Formação atual:

Pedro Zupo – vocal

Rafael Romanelli – guitarra

Jonas – guitarra

João Ribeiro– baixo       

Jean Praeli – bateria


Links:

https://www.youtube.com/watch?v=BxRZuNK1WV4&ab_channel=LivingMetal-Band

https://www.facebook.com/LivingMetalOfficial

https://www.instagram.com/livingmetal_official/

 

 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Therion: Yes, "Leviathan" is the Promised Album Packed With Therion's Hit Songs


 
Yes, they promised and delivered. Therion's mentor Christofer Johnsson announced that after the last two albums, what remained to be done was a hit album by the band, something requested and expected by fans. In other words, after experiences like “Les Fleurs du Mal” and the triple album with the opera “Beloved Antichrist”, a project that Christofer had been working on for years and that he wanted to carry out, “Leviathan” brings the “traditional” sound of Therion, from albums like “Vovin”, “Secret of the Runes” and “Sirius B”, for example. (Versão em Português)

Then we have Symphonic Metal with striking riffs, great orchestral arrangements and fantastic choirs and vocals, with pieces where the symphonic parts stand out, and others where the Heavy Metal side commands.

In the first auditions, our ears already identify the characteristics that enshrined this icon of symphonic metal, and soon you are fully familiar with the album, with many of the melodies and choruses already fixed in mind.

There are no discussions about the production and quality of the musicians, everything excellent, Christofer and the virtuoso Christian Vidal present an impeccable work on the guitars, Nalle Pahlsson with his technique and grip on the bass. The vocals, in charge of the versatile and experienced Thomas Vikström, who ventures, brings one of his best performances, and Chiara Malvestiti and debutant Rosalía Sairem, who are excellent. Some special guests also feature prominently, such as Johan Koleberg (drums), Marco Hietala and Snowy Shaw.


And it is not only in the sound that the album will sound familiar to the ears, the themes covered in the lyrics as well, dealing with mythology of different cultures, such as Persian, Chinese and Finnish.

Maybe some boring reviews, usually done by those who don't have much affinity with the style or the band, or even those pseudo-intellectuals, where they will say that the work doesn't bring anything new, stayed in a comfort zone or something. 

But I'm sure the band's fans will approve of the album, and after all, Therion created his own style, it's one of the most original bands on the planet, made the albums they wanted to do, and there's nothing wrong with formulating songs with the characteristics that enshrined them and still fulfill the fans' desire.

The album is very easy to hear and digest by the band's fan, with songs that do not have a long duration (the album has just over 45 minutes), and alternate more vibrant moments and Metal, with other more dense, epic and where the side symphonic stands out, and also with that balance between the two worlds, something that they have always done very well.

In this line where the Metal side stands out, we have a very well chosen track as the opening, “The Leaf on the Oak of Far”, which brings some new elements, such as the initial vocal lines and that voice effect in the megaphone. It has great riffs, with a Hard \ Heavy mood. It will certainly be one that will work very well live.


The short and angry “Great Marquis of Hell” also follows a vibrant line, with that mix of striking Heavy Metal riffs ahead and the symphonic arrangements in the background, highlighting the vocals of Thomas Vikström, who, by the way, is singing a lot! No wonder it became a very important piece in the band and it was also Christofer's great partnership in the compositions. Thomas is a multi-faceted vocalist, making vocals ranging from Hard to Metal, from smooth to aggressive, in addition to operatic ones.

“Eye of Algol”, brings that perfect balance between classic and Metal side, with Rosalía's loud vocals, showing her versatility, and even “El Primer Sol”, with Thomas balancing operatic vocals with more Metal lines, also having the company of excellent Chiara Malvestiti, and “Tuonela”, and their captivating melodies and chorus, bringing as a guest Marco Hietala. Good idea, on a song with lyrics talking about the realm of the dead in Finnish mythology, one of the metal icons of that country on guest vocals.

I would say that those mentioned above follow that line of classics like “The Blood of Kingu” and “The Rise of Sodom and Gomorra”, just to situate the reader that this is an album with which you will feel familiar.

To name a few of the most dense, dramatic, epic moments with orchestral and choral performances, we have the title track, “Leviathan”, with its weight, grand choral and fantastic vocals by soprano Chiara Malvestiti; “Nocturnal Light”, epic and loaded with great choirs, and also “Ten Courts of Diyu”, which starts with oriental melodies (Diyu is the realm of the dead or hell in Chinese mythology), and brings drama and beautiful female vocals, culminating in in a soft chorus.

In short, a dynamic album, easy to hear and that has all the characteristics that enshrined the band, and that are loved by fans, who will surely be satisfied with what they will find in "Leviathan".

Text by: Carlos Garcia

Band: Therion
Album: Leviathan (2021)
Style: Symphonic Metal
Label: Nuclear Blast

Tracklist
1. The Leaf on the Oak of Far 3:38
2. Tuonela 4:37
3. Leviathan 4:01
4. Die Welle
5. Azi Dahaka 3:06
6. Eye of Algol 4:03
7. Nocturnal Light 5:37
8. Great Marquis of Hell 2:36
9. Psalm of Retribution 5:03
10. El Primer Sol 3:37
11. Ten Courts of Diyu 5:29



 

Therion: Sim, "Leviathan" é o Prometido "Álbum de Hits"

Sim, eles prometeram e cumpriram. O mentor do Therion, Christofer Johnsson anunciou que depois dos dois últimos trabalhos, o que restava fazer era um álbum de “hits” da banda, algo pedido e esperado pelos fãs. Ou seja, depois de experiências como “Les Fleurs du Mal” e o disco triplo com a ópera “Beloved Antichrist”, projeto o qual Christofer vinha trabalhando há anos e que desejava realizar, “Leviathan” traz a sonoridade “tradicional” do Therion, de álbuns como “Vovin”, “Secret of the Runes” e “Sirius B”, por exemplo.  (English Version)

Temos então o Symphonic Metal de riffs marcantes, grandes arranjos orquestrais e fantásticos corais e vocais, com peças onde as partes sinfônicas se sobressaem, e outras onde o lado Heavy Metal comanda.

Logo nas primeiras audições nossos ouvidos já identificam as características que consagraram este ícone do Metal Sinfônico, e logo você está plenamente familiarizado com o álbum, com muitas das melodias e refrãos já fixados na mente.

Sobre a produção e qualidade dos músicos, não há discussões, tudo excelente, Christofer e o virtuoso Christian Vidal apresentam um trabalho irrepreensível nas guitarras, Nalle Pahlsson com sua técnica e pegada no baixo. Os vocais, a cargo do versátil e experiente Thomas Vikström, que arrisco, traz uma de suas melhores performances, e de Chiara Malvestiti e da estreante Rosalía Sairem, que são excelentes. 

Alguns convidados especiais também aparecem com destaque, como Johan Koleberg (bateria), Marco Hietala e Snowy Shaw. A produção também teve sua peculiaridades, devido a pandemia, com gravações sendo feitas em vários estúdios e em países diferentes.

E não é só na sonoridade que o álbum vai soar familiar aos ouvidos, os temas abordados nas letras também, versando sobre mitologia de diversas culturas, como a persa, chinesa e finlandesa.

Talvez algumas resenhas chatas, normalmente feitas por quem não tenha muita afinidade com o estilo ou a banda, ou até aqueles pseudo-intelectuais, onde dirão que o trabalho não traz nada de novo, ficou em uma zona de conforto ou algo do tipo. Mas tenho certeza que os fãs da banda aprovarão o disco, e afinal, o Therion criou um estilo próprio, é uma das bandas mais originais do planeta, fez os álbuns que queria fazer, e não há nada de errado em formular músicas com as características que os consagraram e ainda atender o desejo dos fãs.

O álbum é muito fácil de ouvir e digerir pelo fã da banda, com canções que não possuem longa duração (o álbum tem pouco mais de 45 minutos), e alternam momentos mais vibrantes e Metal, com outros mais densos, épicos e onde o lado sinfônico se sobressai, e também com aquele equilíbrio entre os dois mundos, coisa que sempre fizeram muito bem.

 Nessa linha onde o lado Metal se sobressai, temos logo uma faixa muito bem escolhida como abertura, “The Leaf on the Oak of Far”, que traz algumas novidades, como a linha inicial dos vocais e aquele efeito de voz no megafone. Possui ótimos riffs, com uma levada Hard\Heavy. Certamente será uma que funcionará muito bem ao vivo.

“Great Marquis of Hell”, curta e vibrante, com aquela mistura de riffs Heavy Metal marcantes mais a frente e os arranjos sinfônicos em segundo plano, destaque para os vocais de Thomas Vikström, que, aliás, está cantando muito! Não a toa se tornou peça importantíssima na banda e inclusive foi a grande parceria de Christofer nas composições. Thomas é um vocalista multi-facetado, fazendo vocais que vão do Hard ao Metal, do suave ao agressivo, além dos operísticos;

“Eye of Algol”, traz aquele balanço perfeito entre o clássico e o Metal, com vocais altos de Rosalia, mostrando sua versatilidade, e ainda “El Primer Sol”, com Thomas balanceando vocais operísticos com linhas mais Metal, tendo também a companhia da excelente Chiara Malvestiti, e “Tuonela”, e suas melodias e refrão cativantes, trazendo como convidado Marco Hietala. Boa sacada, em uma faixa falando sobre o reino dos mortos na mitologia finlandesa, um dos ícones do Metal daquele país.

Diria que essas citadas seguem aquela linha de clássicos como “The Blood of Kingu” e “The Rise of Sodom and Gomorra”, só para situar o leitor de que realmente, este é um álbum com o qual você se sentirá familiarizado.

Para citar alguns dos momentos mais densos, dramáticos, épicos e com as orquestrações e corais se sobressaindo, temos a faixa título, “Leviathan”, com seu peso, corais grandiosos e fantásticos vocais da soprano Chiara Malvestiti; “Nocturnal Light”, épica e também carregada de corais grandiosos, e ainda “Ten Courts of Diyu”, que inicia com melodias orientais (Diyu é o reino dos mortos ou inferno na mitologia chinesa), e traz dramaticidade e belos vocais femininos, culminando em um suave refrão.

Resumindo, um álbum dinâmico, fácil de ouvir e que possui todas as características que consagraram a banda, e que são adoradas pelos fãs, os quais com certeza ficarão satisfeitos com o que encontrarão em “Leviathan”.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Therion
Álbum: Leviathan (2021)
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

 Tracklist

1. The Leaf on the Oak of Far 3:38
2. Tuonela 4:37
3. Leviathan 4:01
4. Die Wellen der Zeit 3:46
5. Azi Dahaka 3:06
6. Eye of Algol 4:03
7. Nocturnal Light 5:37
8. Great Marquis of Hell 2:36
9. Psalm of Retribution 5:03
10. El Primer Sol 3:37
11. Ten Courts of Diyu 5:29

 



domingo, 17 de janeiro de 2021

Lalssu: enigmático, profundo e desafiador

Resenha por: Renato Sanson

A complexidade e variações não se dão apenas nos estilos menos extremos, se não de certa forma, não teríamos bandas como os noruegueses do Enslaved ou os cariocas do As Dramatic Homage. Onde expressam todo o lado progressivo e Avant-Garde ao meio do caos sonoro.

Vindo nessa vertente, temos o projeto Lalssu do multi-instrumentista paulistano Fernando Iser (Malecidction 666), que em 2020 lançou o seu segundo disco o fabuloso “The Elements”.

Tendo como base o Black Metal influenciado pela escola grega “The Elements” vem carregado de ótimas melodias, variações complexas e um conceito lírico desafiador. Já que o álbum em si, trata de uma reestruturação pessoal, através dos elementos da natureza e o poder de se reinventar.

Como temos composições maiores que o normal as alternâncias são constantes, desde vocais limpos a coros que estão presentes, mas sem perder sua característica trazendo muito feeling e momentos super marcantes. Os riffs soam intrincados e casam perfeitamente com essa dose progressiva e Avant-Garde das lacunas de cada composição, deixando o material único.

Não pense que as transmutações em si o transformam em algo cansativo, muito pelo contrário, soa autentico e viciante, quando você se dá por conta já ouviu a bolacha várias vezes e com aquele gosto de surpresa a cada ouvida, pois os elementos presentes nas composições são descobertos a cada nova audição.

Em meio a tanta qualidade não podemos deixar de mencionar a bela arte do álbum e o capricho de seu Digipack luxuoso. A produção soa milimetricamente equilibrada, limpa, mas suja ao mesmo tempo e com muito peso, não destoando dos momentos mais melodiosos.

Posso descrever “The Elements” como o melhor disco nacional de Heavy Metal de 2020. Se você dúvida, escute e tire suas próprias conclusões!

 

Tracklist:

01 Etherial

02 The Betrayer From the Ocean (Feat. Yasmin Fachinelli from Márva)

03 Volcanic Echoes (Feat. Luis Carlos Lousada from Vulcano)

04 Dancing with the Devil (Feat. Wagner Neves from Necrosound)

05 Sands of Time

06 Enlil

Bônus:

Artemis (Kawir)

The Stallion (Bathory)

 

https://www.youtube.com/user/FernandoIser/videos

 

 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Myrath: Primeiro Live Álbum do Fenômeno Tunisiano


Realmente, temos de tratar esta banda oriunda da Tunísia como um fenômeno. O Myrath obteve um crescimento e reconhecimento consideráveis nos últimos anos, com seus álbuns lançados no mundo inteiro pelo selo earMusic/Sound City, tendo excelente aceitação de público e crítica e agenda extensa de shows.

E esse sucesso da banda lhes permitiu já lançar seu primeiro álbum ao vivo, algo não tão comum nos dias de hoje. "Live in Carthage", lançado em CD e DVD, foi gravado em sua cidade natal e em um antigo anfiteatro romano, o que deu uma atmosfera incrível ao show, funcionando tudo muito bem, desde a parte visual até a sonora, pois a acústica do lugar é muito boa.

Em um show baseado principalmente nos seus dois últimos discos, o quinteto tem a plateia nas mãos em uma performance empolgante e com muita categoria técnica.

Além do local ter dado todo esse clima diferente, a parte de efeitos de palco, como as luzes, artefatos  e imagens no telão também foram muito bem pensados, trazendo essa estética da sua cultura.

A sonoridade também, com as nuances da rica cultura étnica de sua terra natal, inclui-se ai a cultura árabe e muçulmana, contribui para a originalidade e identidade do grupo.

A banda é composta por excelentes músicos, o vocalista Zaher Zorgati tem muita presença de palco e ótima voz para a música da banda, que tem essa mescla de Metal Progressivo/Sinfônico, e até Melodic Rock (os refrãos e coros são muito cativantes e marcantes), utilizando nuances da cultura oriental. Mas o grande destaque é o guitarrista Malek, exibindo muita classe e técnica.

São 19 faixas no total, sendo que algumas somente constam no DVD, como a "Madness" e o solo de bateria, e no CD a faixa exclusiva é uma nova versão de "Believer", uma das faixas mais conhecidas da banda, com Don Airey (Deep Purple), nos teclados, deixando a música com uma marca forte do tecladista com seus Hammonds dando um ar diferente. 

No DVD ainda há um making of como bônus, ou seja, um trabalho muito bem cuidado e com vários atrativos.

São vários destaques em uma performance onde os músicos não poupam esforços em dar o melhor espetáculo possível, então é impossível não se empolgar com a música com identidade e muito bem feita do Myrath. "Born to Survive", "Storm of Lies", "Get Your Freedom Back", "Believer" e o grande final com "Beyond the Stars" são algumas das que mais se sobressaem.

Excelente material de uma banda que vem crescendo cada vez mais, com uma sonoridade original e embora atualmente mais "acessível", em nada diminui a qualidade do Myrath. Ótimo material também para quem está conhecendo a banda, e claro, imprescidível para os fãs.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Myrath
Álbum: "Live Carthage" 2020
País: Tunísia
Estilo: Progressive/Symphonic Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


TRACK LIST

CD

1. Believer (feat. Don Airey)
2. Asl (Live In Carthage)
3. Born To Survive (Live In Carthage)
4. Storm Of Lies (Live In Carthage)
5. Dance (Live In Carthage)
6. Wide Shut (Live In Carthage)
7. Merciless Times (Live In Carthage)
8. Get Your Freedom Back (Live In Carthage)
9. Endure The Silence (Live In Carthage)
10. Nobody?s Lives (Live In Carthage)
11. Duat (Live In Carthage)
12. The Unburnt (Live In Carthage)
13. Sour Sigh (Live In Carthage)
14. Tales Of The Sands (Live In Carthage)
15. Believer (Live In Carthage)
16. No Holding Back (Live In Carthage)
17. Beyond The Stars (Live In Carthage)

DVD

1. Asl (Live In Carthage)
2. Born To Survive (Live In Carthage)
3. Storm Of Lies (Live In Carthage)
4. Dance (Live In Carthage)
5. Wide Shut (Live In Carthage)
6. Merciless Times (Live In Carthage)
7. Get Your Freedom Back (Live In Carthage)
8. Endure The Silence (Live In Carthage)
9. Nobody?s Lives (Live In Carthage)
10. Duat (Live In Carthage)
11. The Unburnt (Live In Carthage)
12. Sour Sigh (Live In Carthage)
13. Tales Of The Sands (Live In Carthage)
14. Madness (Live In Carthage)
15. Believer (Live In Carthage)
16. No Holding Back (Live In Carthage)
17. Drum Solo (Live In Carthage)
18. Beyond The Stars (Live In Carthage)
19. Outro (Live In Carthage)
Bonus: Making-Of





domingo, 10 de janeiro de 2021

Ruins of Elysium: Uma Odisséia Metálica/Sinfônica pelos 7 Mares

 


A Ruins of Elysium está de volta após um longo período de produção de seu novo álbum intitulado “Amphitrite - Ancient Sanctuary in the Sea”, que será lançado no dia 15 de janeiro de 2021. 

Assim como o álbum anterior, “Seeds Of Chaos and Serenity”, esse trabalho apresenta muita ousadia e desta vez eles trazem convidados muito especiais, começando com a primeira música “Alexiel - An Epic Lovestory”, um dueto absurdo entre o tenor Drake Chrisdensen e a soprano Melissa Ferlaak ( ex - Visions of Atlantis, Aesma Daeva e Echoterra, atualmente na banda Plague of Stars ), além disso um belo arranjo orquestral e coral dignos de trilha sonora de um filme épico. 

Quem já ouviu os trabalho anteriores da banda sabem o quanto suas músicas são cheias de detalhes e dessa vez não foi diferente, “Queen Of The Seven Seas” é um convite para viajar através de uma harmonia perfeita entre os arranjos clássicos e uma bateria enérgica que não te deixa cair em monotonia. 

Passando para a próxima faixa, “Belladonna”, é difícil explicar o que senti logo nos primeiros segundos da introdução, mas mais uma vez a bateria rápida e agressiva de Icaro Ravelo (que também é o responsável pelos teclados da banda) me hipnotizou e eu só consegui voltar a mim para poder prestar mais atenção aos outros elementos quando o ritmo diminuiu e o som das castanholas e o solo de violão em estilo espanhol começaram. 

Em “Leviathan” o ritmo diminui temporariamente, mas também é um dos momentos mais bonitos do álbum até aqui. Se você gosta de “viajar” na música, com certeza a instrumental “Oceanic Operetta” irá te oferecer isso por quase três minutos. Logo após, toda a teatralidade de Drake está de volta em “Atlas”. 

Melissa Ferlaak ( Plague of Stars, EUA) e Föxx Salema (Brasil), duas das convidadas especiais do álbum

Para mim, “Book of Seals” é a música mais acessível para aqueles que não estão acostumados à toda grandiosidade característica do metal sinfônico, mas nem por isso é menos trabalhada. 

Chegando em “Amphitrite” eu preciso dizer que amo a versatilidade vocal de Drake, mas seus vocais mais suaves simplesmente me derretem.

Como eu tenho acompanhado a banda nas redes sociais eu confesso que estava ansiosa para ouvir “Okami - Mother Of The Sun“, com participação de Föxx Salema, com instrumentos tradicionais japoneses e algumas partes cantadas em japonês essa música é uma das minhas favoritas. 

Rayssa Monroy da banda nordestina Vangloria Arcannus é outra das convidas especiais

Mais uma vez trazendo temáticas não habituais no  metal, em “The Ocean Is Yemanja's”, banda mostra que qualquer tema pode ser bem abordado, inclusive afro-brasileiros. Essa música ainda merece destaque pelas participações das cantoras Rayssa Monroy e Zaiiah e também pelo tema LGBT já abordado em álbuns anteriores. 

Já na reta final ainda dá tempo de levar uma porrada em “Cathedral Of Cascades” e aqui mais uma vez Ravelo rouba a cena. E para encerrar de forma épica, “Canzone Del Mare (Canção do Mar)”, que não tem nada de novo a ser acrescentado após a chuva de diversidade cultural apresentada nas músicas anteriores. 

Amphitrite - Ancient Sanctuary in the Sea” é um álbum excelente, porém pode ser difícil de digerir se você prefere músicas com arranjos mais simples.

Percebe-se que a banda preparou cada detalhe com muito cuidado e carinho, apesar de tantos elementos diferentes, a proposta grandiosa de te fazer viajar pelos sete mares é entregue durante a execução das 12 faixas.

Texto: Raquel de Avelar
Edição: Carlos Garcia

Banda: Ruins of Elysium
Álbum: Amphitrite - Ancient Sanctuary in the Sea (2021)
País: Brasil
Estilo: Epic Symphonic Metal


Track-list:
01. Alexiel – An Epic Lovestory (Ft. Melissa Ferlaak)
02. Queen Of The Seven Seas
03. Belladonna
04. Leviathan
05. Oceanic Operetta
06. Atlas
07. Book Of Seals
08. Amphitrite
09. Okami – Mother Of The Sun (Ft. Föxx Salema)
10. The Ocean Is Yemanja’s (Ft. Rayssa Monroy & Zaiiah)
11. Cathedral Of Cascades
12. Canzone Del Mare (Canção do Mar)