sábado, 19 de setembro de 2020

Scars: [...]se você acredita em seu trabalho e ama o que faz, tudo é possível. Tudo!

Entrevista por: Renato Sanson



Músico entrevistado: Alex Zeraib (guitarrista) – Banda: Scars de Moóca/SP

 

Fala galera do Scars! Sou Renato Sanson do site Road to Metal e é um prazer fazer essa pauta com vocês, uma banda que acompanho desde 2008 e me agrada muito musicalmente. Abaixo segue a pauta de entrevista!

Obrigado pela oportunidade e pelo espaço, Renato e Road to Metal!

 

"Predatory" é o mais novo petardo do Scars. Trazendo a banda na melhor forma possível. Como se deu o processo criativo do mesmo?

Eu converso muito com o Régis sobre composição e arranjos, exploramos possibilidades de estruturas de músicas primeiro no âmbito abstrato e mental, imaginamos quais os tipos de riffs de guitarra que queremos e qual a velocidade da levada geral. Nos aventuramos em temas, refrãos e títulos até mesmo antes de começarmos a gravar os primeiros takes. Assim, eu monto a bateria eletrônica e começo a despejar riffs sobre diferentes esqueletos, buscando estabelecer um lugar para refrão, pré-refrão, pontes, etc... Após gravar os takes iniciais, envio para o Régis, que por sua vez organiza a música e me manda de volta com uma linha de voz. E assim vai, até o dia da gravação final, onde mudamos a música diversas vezes. Normalmente temos de 7 a 10 versões para cada faixa no período final da pré-produção. Após a música ter tomado forma, a apresentamos a banda e começamos a executa-la organicamente em ensaios, sempre experimentando mudanças e aperfeiçoamentos para chegarmos à um nível final e satisfatório para todos. Nunca perfeito, porque perfeito não existe. “Predatory” seguiu esse método e funcionou, gostamos muito do resultado final de nossos esforços.



Em relação a "Devilgod Alliance" (08), musicalmente onde vocês enxergam os pontos de evolução?

Embora grande parte do “Devilgod Alliance” tenha sido composto pela mesma formação que fez o “The Nether Hell”, somente eu gravei o álbum após uma debandada geral. Assim, apesar de um ótimo trabalho, faltou a essência do SCARS, especialmente o Régis, para soar mais fiel ao nosso legado. Já o “Predatory” tem mais a cara da banda em termos de origens, onde pudemos resgatar nossa personalidade mais fielmente.

 

O Scars passou por várias mudanças de formação ao longo de sua carreira, mas em nenhum momento o seu som se descaracterizou. Ao que devemos isso?

O SCARS sempre teve uma personalidade muito forte e uma ideia muito clara sobre sua essência e estilo musical. Até mesmo antes de eu integrar a banda eu notava isso quando via o SCARS ao vivo. Isso tudo em 1992 e começo de 93. Quando entrei na banda no final de 1993, eu já havia me identificado muito com o som e ajudei a continuar e confirmar as características que construiriam a identidade do SCARS. Tocar hoje em dia as faixas do primeiro cd de 94 ainda soa atual para mim, ou melhor, atemporal. É claro que já nos aventuramos muito em compor fora do nosso âmbito thrash. Aquilo que ficou bom, com a cara da banda, acabamos lançando em registros oficiais. E jogamos fora (literalmente) as composições que, de certa forma, desfiguravam a banda.



Pois em muitos casos as bandas acabam até mesmo mudando o seu direcionado por mudanças na formação, certo?

Sim, e perdem sua essência original. Quando músicos novos entram em uma banda, eles podem e devem contribuir com seu estilo e personalidade, mas a banda deve manter seus padrões e características pelas quais seus ouvintes se interessaram originalmente. Manter a fórmula é essencial. No nosso retorno em 2018, houve muito cuidado na escolha dos membros atuais que constituiriam o novo SCARS. Quando Régis e eu decidimos que era a hora de tomar o próximo passo, primeiro chamamos de volta o Gobo. Esta foi uma decisão lógica, uma vez que ele havia gravado o último álbum e assim daria continuidade a sua história na banda. Com três membros originais presentes, convidamos o Marcelo Mitché para o baixo e o Edson Navarrette para a guitarra solo, que sempre foram grandes amigos da banda desde o começo dela em 1991. Com esta formação, gravamos os dois singles e recomeçamos a fazer muitos shows. Hoje, o posto de guitarra solo está ocupado por Thiago Oliveira (Confessori, Warrel Dane, Seventh Seal) e foi ele quem teceu toda a incrível e, ao nosso ver, impecável teia de solos para o novo álbum. Ao total, ele compôs e gravou em dois meses mais de 60 solos para este álbum, além de uma faixa instrumental, que é inteiramente de sua autoria. O Thiago é um músico prodígio talentosíssimo, que não se atém à padrões e tem muita confiança no que faz. Como pessoa, ele é um cara muito agradável de se estar junto e se adentrou à banda com muita facilidade. Estamos muito felizes de tê-lo conosco.



Vocês tiveram um hiato de 10 anos longe dos holofotes. O que os motivou a retornar?

Com a dissolução da banda em 2009 após o lançamento de “Devilgod Alliance”, eu segui inativo musicalmente por uma década, focando minha atenção e energia na minha recém-nascida filha e carreira profissional como professor e linguista. Porém, uma vez que você é headbanger, você sempre será headbanger. No meu caso, não foi diferente. No final de 2017, o Régis entrou em contato comigo com um convite para fazer parte de uma banda de metal que ele estava montando na época. Eu agradeci, mas recusei, alegando que “se fosse para tocar em uma banda, eu voltaria o SCARS”, algo que para nós dois, em acordo, estava fora de questão. Meses após esse encontro, eu decidi trazer todo o material do SCARS para o novo mundo digital, do qual não havíamos participado antes. Assim, com gigas e gigas de músicas, vídeos, fotos, cartazes e muita coisa mais em back-up, criei um canal no YouTube e uma página tributo no Facebook, disponibilizando assim toda a discografia da banda e sua rica história para o novo mundo. A agência Distrokid, de Nova York/EUA, foi a responsável por lançar toda a discografia para streaming e vendas/downloads em todas as plataformas digitais como Spotify, Deezer, iTunes/Apple Music, Amazon, etc... Apesar de não haver planejado isso na época, toda essa movimentação teve um alcance mundial muito rápido e despertou o interesse de muitas pessoas, entre elas o Régis, que me procurou e, a partir de então, me ajudou a continuar a disseminação do material pelas redes sociais. Aliás, ele faz isso muito bem. Ele é um ótimo estrategista. Nessa nova parceria a coisa cresceu e começamos a compor juntos, online. Eu criava riffs de guitarra somados a linhas de bateria eletrônicas e mandava pra ele. Ele estruturava esses rascunhos e mandava de volta pra mim com linhas de vocais. Nesse ping-pong online, criamos 20 músicas, das quais duas soltamos em formato single/digital com um videoclipe cada, “Armageddon” em dezembro de 2018, e “Silent Force” em fevereiro de 2019.  Outras 09 faixas foram deixadas para o que viria a ser o novo álbum, “Predatory”. Devo ressaltar que a gota d’água para tomarmos a decisão de retomar as atividades foi uma campanha, a #VoltaScars, que foi lançada online por seguidores da banda. Isso nos sensibilizou muito.

 

"Predatory" teve seu lançamento feito pelo selo americano Brutal Records. Quais as vantagens de contar com um selo internacional para uma banda brasileira?

Exposição e abrangência mundial. Basicamente isso. O mecanismo de funcionamento de um selo internacional é diferente dos nacionais no que diz respeito a forma de trabalhar o produto (novo álbum + banda) e sua distribuição em todos os canais de vendas e divulgação disponíveis. Há um contrato, com cláusulas e condições a serem seguidas por ambas as partes. Há mais profissionalismo e menos “panelinhas”, o que, infelizmente, é uma realidade no nosso mercado nacional. Também há muito saudosismo na nossa cultura brasileira de seguir cultuando as mesmas bandas de sempre sem nos aventurarmos nas novas promessas - que são muitas! Por outro lado, os mercados do EUA, Europa e Japão são ávidos por novidades e querem buscar bandas diferentes de outros países, ou até mesmo de seus próprios países, incentivando o crescimento de uma nova cena mundial.



Nos últimos anos tivemos uma crescente de selos e gravadoras gringas interessadas em bandas brasileiras, porém já os selos e gravadoras do nosso país poucos realmente prestam este suporte. Na opinião de vocês seria falta de interesse ou o nosso mercado fonográfico que está quebrado?

Somos uma fonte rica de bandas e estilos em nosso território continental. A qualidade sonora de nossas bandas não deixa nada a desejar comparadas às gringas. Com isso, há profissionais da indústria musical internacional que enxergam isso e vêm no Brasil uma oportunidade de mercado de exportação, assim investindo aqui. Antes de fechar o contrato com a americana Brutal Records para o lançamento de “Predatory”, eu e nosso assessor (Johhny Z.) telefonamos para diversos selos locais para tentar fechar um contrato inicial aqui. Tivemos 95% de negativas ou indiferença, enquanto o único grande parceiro que se interessou foi o Silvio da Voice Music. A partir dai, fechamos com ambas para termos um lançamento realmente significativo e bem trabalhado e sua rede de distribuição e divulgação. Na verdade, não acho que seja somente falta de interesse do nosso mercado fonográfico, que sim, está quebrado, como o país todo está. Mas há também uma arrogância e petulância muito grande e enraizada nesse meio, onde essas tais “profissionais” realmente não têm o conhecimento e expertise necessários para poderem trabalhar adequadamente. Sāo toscos e limitados intelectualmente, em sua boa maioria. Acham que fazem um grande favor em aceitar as bandas em seu selo (leia, panela) ao invés de trabalhar em parcerias. Com isso, tais canais seguem fossilizados e desatualizados, regurgitando notícias velhas, lançando e relançando os mesmos álbuns e as mesmas bandas, e abrindo mais oportunidade para bandas internacionais em seus veículos do que para as locais. É uma pena. Mas, ao mesmo tempo não lamento. Fazemos nossa parte e focamos na nossa diretriz, com ou sem a ajuda deles. E se você acredita em seu trabalho e ama o que faz, tudo é possível. Tudo!

 

Desde o primeiro lançamento do Scars lá nos longínquos anos 90 até o presente momento, a indústria mudou bastante, principalmente em relação ao lançamento dos álbuns em formato físico. Como vocês enxergam esta questão?

O primeiro registro do SCARS foi no split “Ultimate Encore”, onde participamos com 04 faixas e foi lançado em janeiro de 1994. Esse cd foi lançado somente no formato de cd físico, não vinil - o que já representava uma mudança de cultura fonográfica na história do país. Aliás, este foi o primeiro lançamento brasileiro de metal nesse formato split em cd. Vinte e seis anos depois vemos “Predatory” ser lançado em dois formatos - cd físico e download/streaming digital. A principal diferença é a disponibilidade do material para que todos o escutem assim que foi lançado. No mesmo dia do lançamento, todo mundo pôde escutá-lo no mundo todo, o que é muito satisfatório para nós uma vez que nossa missão é espalhar nossa música aos quatro ventos, independente do formato que ela é apresentada.

 


Para 2021 o que podemos esperar do Scars?

Olha, eu já tenho o “Predatory II: A Vingança” pronto no meu home-estúdio (risos). Brincadeira, não vai chamar assim. O que eu quero dizer é que já tenho 10 faixas inéditas prontas, as “sobras” de “Predatory”. Mas quando o momento chegar, nós inevitavelmente as mudaremos, utilizando 50% do que elas são. Tivemos muita sorte de poder terminar as gravações antes da epidemia se instalar. Enquanto estávamos em isolamento, finalizamos toda a mixagem com o Wagner Meirinho online. Foi nesse período que também assinamos com a americana Brutal Records para seu lançamento mundial em 07 de agosto. É muito bizarro pensar que não podemos iniciar a tour de lançamento do cd ainda, mas vamos aproveitar o que temos - o quê é muito! Somos muito afortunados de poder estar fazendo tudo isso após anos de dormência e faremos o nosso melhor para dar sequência a isso em muito breve com mais um full-length, relançamentos do nosso catálogo, até mesmo um DVD/álbum ao vivo com esta formação.

 

Para finalizar, o que vocês têm escutado ultimamente e quais bandas recomendariam aos nossos leitores? Desde já agradecemos pelo tempo cedido!

Eu tenho escutado muito SCARS ultimamente (rsrs), claro. É que ficamos muito satisfeitos com o resultado final de “Predatory” e ainda não cansei de ouvir todas as faixas em “repeat”. Mas fora o óbvio, tenho ouvido o Forkill – “The Sound of the Devil’s Bell”, Andralls – “Bleeding for Thrash”, Savant, Hatefulmurder e Venomous. Já no âmbito internacional, mantenho alguns de cabeceira também no “repeat” - todos do Forbidden, Fight, Leeway, ainda não cansei do “Hardwired...” do Metallica e sigo descobrindo novas emoções nos três primeiros do Destruction, sempre.


 

Ouça Scars em:

Spotify: 
https://open.spotify.com/artist/4FCGqzVWLxkupz86e6bhgJ
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCVxq9GLRKzsP5CnZ8GcEisw
Soundcloud: https://soundcloud.com/scars-962703119
Bandcamp: 
https://scars4.bandcamp.com
iTunes | Apple Play | Google Play | Amazon

Mídias sociais:

Instagram: 
www.instagram.com/scars.thrash
Facebook: www.facebook.com/scars.thrash


 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Vodu: "Walking With Fire", O Heavy Metal Clássico em Sua Melhor Forma


Desde seu retorno aos palcos em 2015, os pioneiros do Vodu já haviam acenado que vinham compondo material para um novo disco, e após 27 anos lança um novo de trabalho, "Walking With Fire", marcando da melhor maneira possível os 35 anos de história da banda, comemorados neste 2020.

"Como está soando o novo disco?", alguém me perguntou após uma postagem que fiz semana passada, e a melhor resposta que posso dar é "soa Heavy Metal no que o estilo tem de melhor". São anos de experiência e maturidade que a banda colocou neste álbum, e eles já afirmavam que buscavam fazer o melhor disco do Vodu até aqui. 

Deixei passar a empolgação inicial para depois de mais algumas audições, escrever algumas linhas, e a dedicação que os caras colocaram na construção de "Walking With Fire" valeu a pena, e quem ganha é o fã de Heavy Metal em geral, pois o álbum é recheado de sérios candidatos a hinos. 

Riffs marcantes, refrãos e melodias muito bem lapidadas, instrumental impecável, com ótimo trabalhos das guitarras, a dupla Xinho e Lanfranchi conversam muito bem, com riffs, solos e melodias criativas, técnicas e marcantes, quesito imprescindível em um álbum de Metal. Sérginho mostra toda sua experiência, combinando pegada, técnica e variações certeiras, sempre bem acompanhado pelo baixo pulsante de Pomba. André Góis, da escola dos vocalistas clássicos, mostra que não é preciso notas altíssimas ou outros malabarismo, e sim imprimir personalidade, interpretação e doses de malícia!


Na parte lírica, as letras falam desde histórias de horror e ficção, até temas mais atuais e pessoais. A capa também tem uma temática que remete ao nome da banda, com um conceito estilo horror clássico, em uma ilustração fantástica de Marcelo Vasco. Já sonho com essa capa em um vinil!

Álbum que cativa de imediato, com aquele poder de já grudar na mente, trazendo de volta aquela sensação que já tem sido rara, de quando pegávamos novos álbuns de nossas bandas preferidas lá nos anos de ouro do Metal.

O álbum já abre com um dos novos hinos, e faixa título, "Walking With Fire", traz peso, melodia, velocidade, com variações de ritmo, destacando os riffs marcantes e um grande refrão, já mostrando o que espera o ouvinte! "Voodoo Doll", que conta a história do cara que perdeu a alma para uma feiticeira vodu, vem numa levada mais cadenciada e cativante, com um certo groove, numa linha mesclando o Hard/Heavy; "I Spit on Your Grave" vem carregada de energia, despejando fúrias nos riffs e refrão.

"Got to Be Free" tem um lado mais Hard, com melodias cativantes, principalmente no pré-refrão e refrão; "Say My Name", que também tem uma temática ligada ao sobrenatural, é veloz, com outro grande refrão; "Only the Brave Can Love" tem uma levada Heavy/Blues, cadenciada e com groove em seu andamento.

"Empire of Demise" vem com muito peso, às vezes com um pé no Thrash; "Enemy Inside" tem uma aura nervosa, com peso e muita pegada; "(Un) Blessed" tem um andamento mais pesado, trazendo mudanças de andamento, com trechos mais suingados e cativantes melodias. Ela fecha a série de músicas inéditas do álbum de forma brilhante, mostrando a variedade e qualidade do trabalho.

Como bônus, temos 5 faixas, releituras de músicas dos dois primeiros álbuns. Elas ganharam em qualidade de gravação e em experiência na execução, deixando ainda melhor o que já era bom! Destaque para "Seeds of Destruction", que ganhou uma roupagem mais Metal clássico, sem perder aquela pegada Thrash, e para a melodiosa "Let me Live".

Heavy Metal clássico, pesado e empolgante, com um cuidado de detalhes que vão desde a belíssima capa, passando por toda a parte de composição, produção e execução! Aqui no Road to Metal não usamos dar notas, não temos essa pretensão de colocar esse tipo de avaliação no trabalho de ninguém, mas exceção pra dar uma nota 10 acho que pode! Grande álbum Vodu, nota 10.

Texto: Carlos Garcia

Banda:Vodu

Álbum: "Walking With Fire" 2020

Estilo: Heavy Metal, Heavy Metal 80's

País: Brasil

Selo: Classic Metal Records

Vodu site oficial

Links Relacionados: Entrevista com a banda em junho 2020

Vodu é:

André Góis: Vocais

Sérgio Facci: Bateria

Xinho Gemignani: Guitarra

Paulo Lanfranchi: Guitarra

André "Pomba" Cagni: Baixo

Tracklist:

Walking With Fire

Voodoo Doll

I Spt on Your Grave

Got to Be Free

Say My Name

Only the Brave Can Love

Empire of Demise

The Enemy Inside

(Un) Blessed

Bônus Tracks (novas versões 2020)

Seeds of Destruction

Let me Live

What's the Reason

Keep on Fighting

Final Conflict




Father's Face: Literatura Clássica e Metal de Qualidade

Formada em Três Coroas (RS), o Father's Face tem suas raízes na literatura clássica, e sob esse conceito a banda nasceu e seu primeiro full-lenght trazia como inspiração em "Frankenstein", de Mary Shelley.

Capricho e cuidado com a produção sonora, lírica e visual é algo que a banda apresenta desde sua demo de estreia, e neste segundo álbum não é diferente, sob a produção do guitarrista e também responsável pelos vocais guturais, Alessandro Marques, o Father's Face lançou dia 6 de setembro, apenas nas plataformas digitais, "Herald of the End", novamente um trabalho conceitual inspirado na literatura clássica de horror, desta vez em "Drácula", de Bram Stoker. 

"Herald of the End" traz agora os vocais de Manuela Marques, tendo ainda em trechos vocais guturais, a cargo de Alessandro. As vozes estão bem conduzidas, e Manuela tem um timbre agradável, soube imprimir personalidade nas interpretações, e podemos perceber influência dos vocalistas do Metal clássico, me lembrando por vezes vocalistas como London Wylde (Chastain, WyldeStarr), pra citar uma cantora feminina.

A sonoridade tem um clima tenso, por vezes sombrio, combinando com a parte lírica, e passeia pelo Heavy Metal clássico e Power e Prog Metal, e até algumas passagens Thrash e mais extremas, com variações inteligentes e bem construídas, peso, melodia e bom gosto. Nota-se logo que é um trabalho que envolveu bastante dedicação e cuidado.

Qualidade elevada nas 10 faixas que compõem o álbum, mas vamos a alguns destaques: "Forewarn: Too Late", abre com peso e velocidade, tendo variações que vão para o neoclássico, alternando com trechos velozes e "quebrados"; "Harbinger of Chaos", inicia realmente como uma caos sonoro, com muita velocidade e peso, contrastando com o timbre suave de Manuela, as variações de andamento novamente dão um diferencial, tornando as músicas sempre interessantes, nunca soando repetitivas.

"A Puritan's Quest", até agora minha preferida, com excelentes riffs, melodias de muito bom gosto nas guitarras, bateria com pegada absurda, e um refrão bem melodioso e marcante, aliás, gostei muito das melodias vocais nesta faixa; a balada épica "Dirge for Departure", tem belos arranjos orquestrais e de piano, melodias tocantes e um interpretação com muito sentimento de Manuela; "Herald of the End", a faixa título tem aquele jeitão de épica, com andamentos mais cadenciados e pesados, melodias marcantes, grande refrão e riffs poderosos, com groove e peso.

 Enfim, mais um trabalho de muito bom gosto, com excelente produção, trazendo Heavy Metal com qualidade e criatividade, fazendo músicas que trazem o principal, que é o feeling! E afirmo que o Father's Face merece ter seu trabalho apreciado por um público mais amplo, e é impressionante, que dadas todas as dificuldades aqui no Brasil, como temos bandas de qualidade, que com uma capacidade maior de investimento, ocupariam lugares de destaque.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Father's Face

Álbum: "Herald of the End" 2020

País: Brasil

Estilo: Heavy Metal, Prog Metal

Father's Face Facebook

Youtube

Line-Up:

Manuela Marques: vocais

Ale Marques: Guitarras, orquestrações e Vocais Guturais

Rodrigo Schmitt: Baixo

Cristóvão Viero: Guitarras

Daniel Seimetz: Bateria

Faixas:

Forewarn: Too Late

Harbinger of Chaos

Those From the Far East

A Puritan's Quest

The Ultra Silvam Fortress

Soldier of the Eternal

Dirge for Departure

Serpents in the Shade

She Who Embodies Liberty

The Herald of the End



sábado, 5 de setembro de 2020

Malediction 666: Não se limitando somente a rispidez do estilo

Resenha por: Renato Sanson

Estando na ativa desde o final dos anos 90, o duo extremo do Malediction 666 vem brindando o necro underground com o seu Black Metal agressivo e muito bem trabalhado. Não se limitando somente a rispidez do estilo, mas apresentando boas doses de melodia que deixam suas composições marcantes.

Em 2019 os paulistanos lançaram o seu segundo disco oficial, “We, Demons”, com uma produção apuradíssima deixando todos os detalhes sonoramente bem equilibrados e muito peso, lembrando um pouco a fase mais atual do Varathron.

Falando nos gregos a de se mencionar a participação especial do saudoso Stephan Necroabyssious na faixa “Cursed Penumbra” e do lendário Sakis Tolis (Rotting Christ) na monstruosa “Unmasked Savior”.

O que chama muito a atenção na sonoridade do Malediction 666 é a grande diversificação de riffs e sem medo de apostar em ótimos solos, deixando seu Black Metal ainda mais grandioso, bebendo na fonte grega do estilo, mas mantendo suas características próprias.

Assim como os riffs e solos, as linhas vocais soturnas com guturais cavernosos dão aquele toque mais Doom junto as linhas de bateria que se diversificam ao meio do caos sonoro. A arte do trabalho também casa com a musicalidade apresentada, tons em cinza e preto com um layout e capa rico em detalhes.

Atualmente o Malediction 666 está trabalhando em seu novo álbum e agora se estabelece como um quarteto, e certamente teremos mais um grande lançamento assim como “We, Demons”.

 

Formação de “We, Demons”:

Fernando Iser (Vocal, Guitarra, Baixo)

Bruno Mastemas (Bateria)

 

Tracklist:

01 Before Times

02 We, Demons

03 From The Infernal Womb

04 Unmasked Savior

05 Summon The God Inside You

06 Portal

07 Forgotten Rage

08 Cursed Penumbra

09 Hail The Serpent King

10 Look Into The Eyes of Death

 

Links:

https://www.youtube.com/watch?v=HtDdFleBThU&feature=youtu.be

https://www.facebook.com/iser666/?ref=page_internal

 

Formação atual:

Fabio Falco (Baixo)

Fernando Iser (Guitarra/Vocal)

Kevin Bedra (Guitarra/Vocal)

Bruno Mastemas (Bateria)

 

domingo, 30 de agosto de 2020

Devil's Bargain: Heavy Metal Belga em Boa Estreia em Full-Lenght


Apesar de ser o primeiro álbum do Devil’s Bargain, ele apresenta o mesmo número de faixas que seu compacto inaugural lançado há três anos atrás. Este grupo belga mescla inspirações oitentistas de NWOBHM e  power metal repaginado. 

Durante as sete músicas, não economizam esforços na quantidade de riffs, passagens de guitarra e a bateria dentro do simples esbanja criatividade. Seu vocalista é bastante esforçado em proporcionar mudanças constantes no canto. As letras assemelham-se aos contos pulp, narrando guerreiros em campos de batalha, seres maléficos noturnos, rituais macabros, incluindo a história sobre uma vidente queimada como bruxa.
 
“Sign of Times”  possui algum DNA de NWOBHM na essência, apresenta boa sintonia entre os guitarristas Juan Carlos Galdos (Sint-Niklaas) e Jurgen Van Poppel ( Stekene).
 
 "Your Disposal" de caráter sofrido, usa escalas menores, e alguns modos gregos rendendo ar latino. O arpejo inicial reincide na música e lembra muito a passagem calma de Master of Puppets.
 
"Symphony of Silence" se destaca pela carga otimista, tipo um punk de levada pop, ela esbanja ideias, licks, até brincam rapidamente com o contrabaixo. Talvez seja a melhor do disco. A voz de Arthur não exige o seu máximo, porém atende ao que a música pede.
 
"Sewer Rats" parece um tributo ao grupo Metal Church, o cantor atinge bons resultados na voz, seja nos momentos em que se esgoela ou numa pseudo pregação ocorrida numa das passagens da composição.
 
"Visions" talvez nem devesse ser chamado de disco, pois apresenta somente sete faixas, logo quando o ouvinte está no auge do registro ele acaba. Se por um lado foi melhor terem evitado adicionar encheção de linguiça, por outro valeria esperarem mais para incluir outras cinco criativas.

O lado negativo de "Visions" na minha opinião ficou acerca do cantor. Ele tenta forçar sua voz ao nível do André Matos, Michael Kiske,mas falha em diversos momentos. Quando são faixas tipo Symphony of Silence ou Sewer Rats ele dá conta.


O Devil’s Bargain esforça em prestar um álbum criativo, não poupam na mudança de riffs, pulverizam solinhos, usam também essa oscilação nas músicas como moldura para o seu vocalista entoar as histórias fantásticas das suas letras. Um disco de heavy metal honesto para se ouvir nesse ano de 2020.

Texto: Alex Matos (Canal Rock Idol)

Banda: Devil's Bargain

Álbum: "Visions"

País: Bélgica

Estilo: Heavy Metal, Speed/Power Metal

Hard Life Promotion

Devil's Bargain Facebook




Cyhra: Banda de ex-In Flames e ex-Amaranthe Traz Evolução em Segundo Álbum


Formado por Jesper Strömblad (guitarras, ex-In Flames, ex-Hammerfall) e Jake E (vocais, Ex-Amaranthe), o Cyhra estreou em full-lenght em 2017 com "Letters to Myself", mostrando uma sonoridade mais acessível e de melodias de fácil assimilação, muitos teclados e efeitos eletrônicos. 

Se alguém esperava algo próximo do que Jesper fez nos primeiros discos do In Flames ou mesmo nas colaborações com o Hammerfall, certamente pode ter se decepcionado, mas se foi procurando algo na linha que Jake E fazia no Amaranthe, aí acredito que pode ter encontrado uma boa opção.

Em "No Halos in Hell" essa linha semelhante ao Amaranthe continua, mas trazendo uma sonoridade mais definida e uniforme digamos assim, e até trazendo mais guitarras, lembrando alguns momentos a antiga banda de Jesper, mas a tônica continua no Metal Moderno (Pop Metal?) e carregado de melodias e refrãos grudentos, muitos teclados e efeitos eletrônicos. 

E diferente das ex-bandas dos dois integrantes principais, aqui temos somente com vocais limpos. Achei até um ponto positivo aliás, pois esse Metal moderno e mais "pop" alternando vocais guturais estava ficando meio chato, né pessoal! "Ah, vamos fazer algo 'diferente', vamos soar moderninhos e 'originais', vamos colocar uns guturais aqui ou uns screamings"  

Temos por exemplo faixas como "Out of My Life", que mescla efeitos eletrônicos e teclados, com boas melodias de guitarra e até algum peso, por vezes lembrando algo do In Flames já do "Clayman" em diante, refrãos explosivos e grudentos; "No Halos in Hell" onde temos também bons riffs, solos e melodias nas guitarras, doses de peso e muitos teclados e melodias cativantes, sempre com ênfase nos refrãos. 

Posso citar também "I Am the One", com uma batida direcionada para tocar em arenas, mas também com as guitarras aparecendo bem mais; "Battle Within", que tem um tema interessante, tratando sobre a depressão, e na parte instrumental seguindo essa mesma linha recheada de melodias e refrãos de fácil assimilação, muitos teclados e efeitos, por vezes alguns trechos mais limpos e viajantes e batidas "dançantes", como em "Dreams go Wrong".

Basicamente seguem a mesma fórmula durante o álbum todo, mas realmente eles lapidaram melhor a sonoridade, repito, trazendo guitarras mais presentes, soando bem mais coeso, praticamente consolidando o estilo da banda neste segundo álbum.

Uma fórmula interessante para quem simpatiza com essa linha mais acessível, com esse lado mais pop, e sendo competente em criar arranjos, melodias e refrãos grudentos. Indicado a fãs de Amaranthe e afins. Pode ser digerido também por mentes mais abertas, na hora que estiver simplesmente a fim de ouvir algo mais leve, sem compromisso, e até sem assustar aqueles amigos não muitos afeitos ao Metal mais pesado ha ha ha!

 Texto: Carlos Garcia

Banda: Cyhra

Álbum: "No Halos in Hell"

Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Links

Facebook

Tracklist

1. Out of My Life

2. No Halos in Hell

3. Battle from Within

4. I Am the One

5. Bye Bye Forever

6. Dreams Gone Wrong

7. Lost in Time

8. Kings Tonight

9. I Had Your Back

10. Blood Brothers

11. Hit Me

12. Man of Eternal Rain

Lineup

Jake E – Vocals

Euge Valovirta – Lead Guitar

Alex Landenburg – Drums

Jesper Strömblad – Guitar

 




quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Blues Pills: "Holy Moly!" é Irrepreensível e Pulsante

 

Após uma edição ao vivo do seu segundo disco, sai finalmente "Holy Moly!". O Blues Pills como sempre não decepciona. Fazem uma revisitação decente apropriando-se de algumas tendências do r&b contemporâneo num psycho blues ocultista anos 70. Acresceram peso e  ampliaram as possibilidades harmônicas. "Holy Moly!" continua seguindo a risca o que apresentaram desde o início, sem perder o capricho. 

Elin Larsson ostenta versatilidade, canta com bastante garra músicas roqueiras, noutras situações assemelha-se a cantoras de soul e blues. Os instrumentistas também aparentam maior experiência, estão um passo à frente dos grupos stoner padrões. Não hesitam em mesclar o hard psicodélico a direções soul e mais pop sem diluir a força da sua música. 

As escolhas de timbres e arranjos são outro destaque de Holy Moly. Essa liberdade em cruzar certas barreiras impostas no rock psicodélico da atualidade, se assemelha muito mais ao pensamento dos grupos originais. 

Em "Proud Woman", Larsson puxa algo de Aretha Franklin e desdobra isso numa linha de spiritual. "Low Road", outra arrasa quarteirão, soa similar a uma versão metalizada de "Dignitaries of Hell" do Coven. "Dreaming My Life Away", mantém a força do disco, com Larson trazendo seu lado Jinx Dawson. 

"California" é uma balada blues cravada de power chords robustos e vibratos lacrimejantes na guitarra do novo dono das 6 cordas do BP,  Zack Anderson, enquanto Elin  puxa seu lado bluesy até soltar agudos potentes na voz. 

"Rhythm in the Blood", realça a qualidade do baterista André Kvarnström iniciando a música num ritmo marchado, depois aplica boas viradas e síncopes dentro da ideia básica. Lembra muito o Ram Jam e também entraria com facilidade no set dos seus contemporâneos Rival Sons. 

"Dust" soa um jazz blues estilo Ella Fitzgerald caso fosse coverizado pelo Black Sabbath no começo de carreira. A cantora continua a contrariar o clima lúgubre ao aplicar fúria na hora de cantar. O solinho sinistro e backing vocals sampleados dão um toque extra.   

Vale citar a balada soul "Wish I’d Known" de nuances gospel; "Bye Bye Birdie", presenteando o ouvinte com um solo muito legal e bateria potente e "Song From A Mourning Dove" um slow blues extremamente passional. 

"Holy Moly!" é um disco irrepreensível, as faixas apesar de apresentarem proximidade, valorizam algum ponto, mudam a ênfase e a vocalista mantém as faixas pulsando todo o momento com sua voz cheia de rompantes.

Texto: Alex Matos (Canal Rock Idol)

Edição\Revisão: Carlos Garcia

Selo: Nuclear Blast Records  (Lançamento no Brasil via Shinigami Records)

Tracklist:

01. Proud Woman

02. Low Road

03. Dreaming My Life Away

04. California

05. Rhythm In The Blood

06. Dust

07. Kiss My Past Goodbye

08. Wish I’d Known

09. Bye Bye Birdy

10. Song From A Mourning Dove

11. Longest Lasting Friend


 Blues Pills é:

Elin Larsson – vocals, backing vocals

Zack Anderson – guitar

André Kvarnström – drums

Kristoffer Schander – bass

 

 Blues Pills Youtube

      

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Requiem’s Sathana: “[...]para um disco com músicas tão longas e experimentais, está sendo até agora tudo muito bom e caloroso”


Entrevista por: Renato Sanson


Músico entrevistado: Rex Mendax (baixo) – Projeto: Requiem’s Sathana de Novo Hamburgo/RS

O Requiem’s Sathana tem como base o Black Metal, porém os experimentos musicais são latentes nas composições. Como surgiu esta ideia?

Da própria ideia do projeto. Ele foi concebido para ser experimental. Quando convidei Rex Inferii e Rex Gutture para este projeto, a única condição que coloquei foi justamente essa: de que não ficaríamos presos a uma fórmula, nem seriamos reféns a uma forma de tocar. Claro que houve certa desconfiança no início. Mas eu sempre soube que isso não impediria de que criássemos uma identidade própria agindo assim. E acredito que tem funcionado.

Conte-nos sobre o processo criativo da banda.

Eu componho as músicas e as letras. Quando tenho a parte instrumental pronta, passo para Rex Inferii que faz uma primeira pré-básica bem simples com pelo menos duas linhas de guitarras, baixo e bateria. Assim já podemos ter uma ideia de como será a forma da música. Ele me devolve e vejo se está tudo certo, já fazendo um pré-encaixe das letras. Na sequência, a música retorna para ele que daí começa a trabalhar nos arranjos. Essa é parte mais demorada, pois a partir desse momento começamos a dar a forma final à música. Como ele tem autonomia total no processo criativo, além de criar todas as bases melódicas, às vezes sugere algum corte ou acréscimo, uma mudança de andamento, palhetada, onde eu não havia planejado assim. Ficando legal, seguimos adiante até a finalização. Por último, nos reunimos com Rex Gutture para fazer os ajustes dos vocais. Depois é só se reunir com o produtor do estúdio, definir os timbres e as datas e iniciar as gravações. Pode-se perceber que somos meio maníacos em planejamento, mas isso é bom, pois entramos em estúdio sabendo exatamente o que queremos. Rex Inferii também contribui com música dele. No primeiro disco tivemos somente uma, mas no futuro haverá mais. Apenas as letras que são monopólio meu (risos).



O Debut autointitulado apresenta apenas cinco faixas, mas com composições longas e cheias de variações, pegando de surpresa o ouvinte. Essa era a intenção desde o início?

No início não era. Apenas aconteceu de as mesmas saírem assim. Mas depois achei que se fizéssemos desta forma, teríamos mais liberdade de trabalhar. Óbvio que não significa que temos que sempre fazer assim. Mas se acontecer, pelo menos não precisamos ficar preocupados!  “Perfect Silence”, por exemplo, na minha primeira versão era bem mais longa. Rex Inferii sugeriu mudanças que acabaram encurtando ela um pouco. Das quatro novas composições que já tenho prontas, pelo menos três possuem duração “normal”. Então, basicamente, dependerá também muito da inspiração.

Em relação às críticas do material como tem sido a recepção mediante público e imprensa?

Olha, para um disco com músicas tão longas e experimentais, está sendo até agora tudo muito bom e caloroso. Só posso dizer que estamos muito orgulhosos do que fizemos. Na verdade, até nos preparamos para eventuais críticas, mas os elogios tanto de imprensa como do público em geral estão provando que estamos no caminho certo. E quando digo que estamos orgulhosos, não me refiro somente a nós músicos do projeto, mas todo o time de caras excepcionais que trabalharam conosco como o Daniel Villanova que tocou a bateria, a Doomed Art que fez o logo e capa, o Douglas da Zabauros que cuidou de toda a parte gráfica e nos auxiliou nas mídias de streaming, o Maurício Cappel na parte fotográfica, o Mozart Leon que cuidou das filmagens na gravação, o mestre dos magos Henrique Fioravanti da From Hellcords que nos gravou, o Gil Dessoy da Cianeto Discos que nos deu todo apoio, e mais o Aires e o Tiago da Caos Extremo que tem cuidado de nossa assessoria. A todos vocês, meu profundo respeito e agradecimento.

O projeto Requiem’s Sathana será apenas de estúdio ou apresentações ao vivo fazem parte dos planos?

Apenas de estúdio. Entretanto, estou planejando fazer algumas apresentações esporádicas, bem promocionais. Como também promovo de vez em quando alguns festivais como o Old School Festival, quem sabe toquemos nele. Até para as pessoas verem que somos capazes de tocar aquelas músicas ao vivo também (risos).


A ideia é sempre lançar materiais com poucas faixas?

A ideia é essa, mas é a mesma questão como em relação às músicas longas, ou seja, depende muito de como as músicas saírem. Mas sendo sincero, de minha parte eu prefiro com poucas faixas. Até mesmo os discos de outras bandas eu prefiro aqueles não muito longos. Não tenho muita paciência para discos de uma hora de duração!

De onde nascem as influências para os temas líricos das músicas?

Depende muito o que estou lendo ou estou vivenciando no momento das composições. Sou colecionador de livros antigos e professor de história, então se não estou com meu baixo na mão estou com um livro. Tudo que é oculto me atrai. Os antigos ensinamentos são fascinantes, mas requerem estudo profundo. Geralmente gosto também de xingar as religiões kkkkkkkk, mas os xingamentos podem se aplicar tranquilamente para todas as esferas de nossa sociedade. Na verdade, a sociedade me cansa, e sinto que quanto mais velho vou ficando, mais vou me afastando dela. Trato disso em “Mordgier” e em “Perfect Silence”. Quero apenas ficar no meu silêncio perfeito!

Estamos sendo amassados pelo Covid-19. 2020 praticamente poderia ser riscado do calendário. Como vocês enxergam está situação caótica? E para 2021 – se tudo amenizar – o que Requiem’s Sathana vai preparar?

Eu prefiro não me manifestar sobre o que eu acho sobre isso tudo que está acontecendo. Simplesmente não estou a fim de comprar briga simplesmente por divergências de opinião. Por favor, apenas me deixem no meu “silêncio perfeito”. Em relação aos planos para 2021 (se porventura normalizar), tentar realizar pelo menos uma edição do Old School Festival e continuar promovendo o disco. Tentaremos fazer um clipe já este ano e quem sabe ano que vem mais um. O próximo disco ainda vai levar um tempo para ser lançado, então também vamos aproveitar para já ir trabalhando nas novas músicas.


Links:


domingo, 9 de agosto de 2020

Bandas Gaúchas participam de tributo ao Slayer

 Matéria por: Cláudia Kunst 

BRAZIL PAINTED BLOOD...THE BRAZILIAN TRIBUTE TO SLAYER será lançado no final de 2020

Que o Brasil tem uma porrada de bandas emergentes de qualidade é inquestionável; disto ninguém duvida. Mas ninguém pode negar também, que as bandas clássicas sempre serão lembradas e, sempre que possível, serão homenageadas. Exemplo disto são os inúmeros tributos que vimos pelo mundo afora. Uma sacada bem interessante passou a ser uma das alavancas do selo Armadillo Records, da extinta gravadora Secret Service do brasileiro, hoje radicado na Inglaterra, Luiz Rizzi. O produtor já homenageou pelo menos, seis grandes bandas do rock e heavy metal mundial: Motorhead, AC/DC, Iron Maiden, Black Sabbath, Kiss e o mais recente lançamento que é tributo ao Deep Purple interpretado somente com vocais femininos, o Woman from Brazil... The Brazilian Tribute to Deep Purple

E parece que a Armadillo está com mais um trabalho no forno, pois o mais recente anúncio de tributo já está causando muito fervor entre os fãs de ninguém menos que Slayer com o tributo intitulado BRAZIL PAINTED BLOOD...THE BRAZILIAN TRIBUTE TO SLAYER. Para homenagear uma das maiores bandas do cenário heavy metal de todos os tempos, Rizzi convidou 30 bandas brasileiras. Destas, cinco delas são gaúchas e, destas ainda, quatro estiveram nos palcos das duas edições do Metal Sul Festival: Carniça, Losna, Burn the Mankind e Leviaethan. Em recente postagem em suas redes sociais, Rizzi anunciou surpresas neste tributo.

Brazil Painted Blood...The Brazilian Tribute to Slayer, terá uma surpresa, terá uma bônus, e terá a participação de dois guitarristas de renome mundial. Em breve divulgarei qual banda e quais os músicos que farão participação pra la de especial, posso adiantar a versão, será The Antichrist, do álbum Show no Mercy. O tributo terá 31 versões”.

O festival que teve sua primeira edição em 2017 e depois em 2019 reuniu cerca de 30 bandas, além de apresentações da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo com repertório para heavy metal mundial, incluindo no setlist, boa parte das bandas já homenageadas pela Armadillo, como o próprio Slayer.

A produção do Metal Sul Festival quis compartilhar deste entusiasmo (e orgulho) e entrevistou as bandas gaúchas que participarão do tributo: Carniça, Losna, Burn the Mankind, Leviaethan e Patria – única das bandas gaúchas que ainda não se apresentou no Metal Sul Festival. Conversamos com as cinco bandas e também com o produtor Luiz Rizzi sobre todo este processo do tributo. A produtora do Metal Sul Festival, Cláudia Kunst, destaca o orgulho em ter, pelo menos quatro bandas que se apresentaram no festival neste lançamento. “Ter quatro bandas neste tributo tão importante só endossa a qualidade artística que o Metal Sul Festival possui. Ficamos muito orgulhosos com este anúncio e também por ter outra baita banda nesta produção que é a banda Patria. Ela ainda não esteve no festival, mas quem sabe no futuro, né?”, anima-se a produtora.

Segundo Luiz Rizzi, a escolha das bandas para os tributos é sempre muito difícil, pois considera o Brasil um pólo de grandes nomes. “O Rio Grande do Sul sempre produziu grandes bandas e no tributo ao Slayer entrou a Leviaethan, que é uma das bandas mais antigas do Brasil em atividade, um verdadeiro patrimônio do metal gaúcho”, destaca Rizzi. Ele salienta a participação da banda Patria, que tem entre seus componentes o guitarrista e artista visual Marcelo Vasco que é responsável pela arte visual do álbum que será duplo. “A Patria já participou de dois tributos; a Carniça participará pela segunda vez; a Leviaethan já participou de quatro. E teremos duas bandas novatas, a Losna e a Burn the Mankind”, acrescenta o empresário.

A veterana Leviaethan, com mais de 35 anos e que tem em sua formação, Flávio Soares, Denis Blackstone e Ricardo Ratão de estrada, esteve nas duas edições do Metal Sul Festival, sendo que na última se apresentou com a Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo, com repertório para cinco composições da banda. Para Flávio, vocalista e baixista da Leviaethan, participar de quase todos os tributos às bandas que receberam homenagens da Armadillo, mostra a confiança e também o potencial de contribuir com a divulgação destes trabalhos. “Para nós, como banda é interessante participar, pois a marca Leviaethan vai girar por todo o Brasil e por onde esses tributos passarem”, destaca Flávio.

Tendo se apresentado na primeira edição do Metal Sul Festival, a Carniça completa seus 30 anos de carreira. De acordo com o vocalista Mauriano Lustosa, que tem ao seu lado os músicos Marlo Lustosa, Parahim Lustosa e Dedé Moth's, em todos os seus lançamentos autorais, a banda costuma colocar, pelo menos uma releitura de um grande nome do metal mundial. “Começamos com Venom em nosso álbum debut, Rotten Flesh

Em 2000 participamos do Tributo Oficial ao Running Wild - Rough Diamonds com a música Mordor. Depois em 2011 homenageamos Slayer com Hell Awaits no álbum Temple's.... Em 2012 foi a vez do WASP com I Wanna Be Somebody no Nations. Em 2017 foi Sarcófago com Midnight Queen no álbum Carniça.  Em 2018 fomos convidados para participar do Brazil Rock City Tributo ao Kiss do selo Armadillo Recs com a música Love Gun. Em 2019 fomos convidados para South Americans Irons da Rotten Flesh Recs tributo ao Iron Maiden com a música Powerslave e agora novamente pela Armadillo com este Tributo ao Slayer com a música Blood Red”, contabiliza Mauriano.

Este tributo, conta com a participação da Losna, banda das irmãs Fernanda e Débora Gomes e Marcelo Pedroso, que se apresentou no Metal Sul Festival em sua primeira edição, em Caxias do Sul. Para a guitarrista Débora Gomes, é uma honra participar deste projeto com a Losna, pois Slayer é uma de suas influências. “Estaremos ao lado de grandes nomes da cena metal brasileira e também será uma forma de visibilidade. 

E, de repente, vá que o Kerry King ouça e curta”, brinca a guitarrista. Já Rafael, da banda Burn the Mankind que se apresentou no Metal Sul Festival na última edição, em 2019, Slayer é uma das inspirações do grupo formado ainda por Marcelo Nekard, Marcos Moura e Sandro Moreira. “Tô com sorrisão há dias por conta disso. Poder prestar tributo a um grupo que nos inspirou a tocar e a montar banda é fantástico. Realmente amamos Slayer e vamos tentar honrar este sentimento”, descreve Rafael.

Patria, formada por T.Sword, Mantus (Marcelo Vasco), Ristow, Vulkan r Abyssius - única banda que não se apresentou ainda no Metal Sul Festival, é mais uma das bandas gaúchas que irá participar do tributo. Além disso, o guitarrista da banda, Marcelo Vasco está incumbido de fazer a arte do álbum. Perguntado para Marcelo, sobre passar um filme de quando eram garotos e sonhavam em tocar sons pesados como Slayer ele é exatamente isto. “Com certeza. Isso é legal demais! 

O trabalho da Armadillo Records é muito bom e super profissional. A gente tem certeza que será um Tributo com muita garra e respeito ao Slayer. De fãs para fãs, sabe?! Enfim, é um registro que vai ficar guardado pra gente no lado esquerdo do peito (risos). Slayer é a minha banda favorita de todos os tempos!”, enfatiza Marcelo.

O empresário Luiz Rizzi ainda destaca as bandas gaúchas e diz se surpreender com os lançamentos de tantos grupos de qualidade. “Desde os anos 80 produzindo muitas bandas boas, e me surpreendo sempre que ouço material de bandas do Rio Grande do Sul. O Estado é o berço de uma das maiores bandas nacionais de todos os tempos, o grande Krisiun, mas destaco também, os veteranos do Leviaethan, o Rebaelliun, Rage in my Eyes, Exterminate. Meu disco preferido de banda gaucha, e o Best Before End, da Panic”, destaca Rizzi. Ele ainda descreve os elogios do baterista do Motorhead à época do tributo à banda. “Mickkey Dee, baterista do Motorhead ficou surpreso quando recebeu sua cópia do Going to Brazil...The Brazilian Tributo to Motorhead. Ficou surpreso com a qualidade do tributo”, orgulha-se.

Arte visual de BRAZIL PAINTED BLOOD...THE BRAZILIAN TRIBUTE TO SLAYER

Marcelo Vasco tem um currículo incrível, com diversos trabalhos de peso em seu portfólio. Com o próprio Slayer, Marcelo se destaca com a arte da capa do álbum Repentless. Questionado sobre como será a capa do tributo, ele comenta que ainda está em estudo. “Trabalhar em algo relacionado ao Slayer é sempre muito legal. Na realidade a capa do tributo ainda não está pronta. Estou conversando com o Luiz da Armadillo Records e desenvolvendo uma temática artística pra eu começar a criar ela em breve. 

O nome do tributo será “Brazil Painted Blood”, uma referência direta ao disco “World Painted Blood”, do Slayer, mas não acho que seguir algo tão a risca do título seja o melhor caminho, então ainda estamos tentando achar uma boa resolução pra fugir do clichê”, conta o artista. Em algumas entrevistas, Marcelo diz que poderia ter zerado a vida após desenhar a capa de Repentless. Mas parece que este zerar iniciou uma nova contagem. Perguntado se ainda tem este sentimento de ter zerado a vida, ele comenta que até hoje não acredita que tenha realizado tal trabalho. “Eu ter trabalhado pro Slayer foi um sonho que eu tinha desde muito cedo e sinceramente já achava que seria algo inalcançável. Até hoje eu meio que não acredito (risos). Acho que a ficha não caiu completamente! Agora com o Tributo vai ser bem legal por eu estar assumindo esses meus dois lados, musical e visual. A experiência vai ser bem interessante”, salienta Marcelo.

Para finalizar, Marcelo fala sobre o Metal Sul Festival e sobre um convite antecipado para que a banda possa, quem sabe, em alguma edição, participar do festival. “Seria muito bom se a gente pudesse participar da próxima edição do festival. Ouvi falar muito bem da produção inclusive. De antemão já te agradeço pelo convite”, finaliza o músico.

Sobre os novos projetos da Armadillo, Luiz comenta que este, possivelmente será o último trabalho do selo. “Infelizmente este do Slayer é o último. Eu estava organizando o tributo ao Led Zeppelin, mas desisti; fui literalmente coagido, colocado na parede, para organizar o tributo ao Judas Priest e ao Metallica, mas infelizmente não acontecerá, o tributo ao Slayer, é definitivamente o último”, justifica Luiz.

Conheça as bandas e suas respectivas homenagens participantes desse tributo:

CD1

KORZUS - War Ensemble

Vodu - Criminally Insane

Apple Sin - South of Heaven

Endrah - Repentless

Hell's Punch - Stain of Mind

Thunderspell - Tormentor

Hylidae - Chemical Warfare

Tailgunners - Dead Skin Mask

Venomous - Killing Fields

Tosco - Piece by Piece

Patria - At Dawn They Sleep

Carniça - Blood Red

Vulture - Show No Mercy

Burn the Mankind - Dittohead

Obskure - Seasons in the Abyss

CD 2

Leviaethan - Raining Blood

Armum - Postmorten

Siegrid Ingrid - Skeletons of Society

Pagan Throne - Divine Intervention

Uganga - Mandatory Suicide

Genocídio - Kill Again

Aneurose - You Against You

Macumbazilla - Expendable Youth

Andralls - Bloodline

Losna - Hell Awaits

Malefactor - Angel of Death

Bulletback - World Painted Blood

Chaosfear - Love to Hate

Matricidium - Spirit In Black