domingo, 12 de julho de 2020

Requiem’s Sathana: obscuro, experimental e brutal


Resenha por: Renato Sanson


O Black Metal em si é visto não apenas como um estilo musical, mas sim como uma filosofia de vida, trazendo o impacto em sua sonoridade ríspida com letras desafiadoras para muitos. Mas engana-se quem pensa que o estilo se limita, e muito já vimos o experimentalismo se aliar ao som negro e pútrido.

A Requiem’s Sathana de Novo Hamburgo do Rio Grande do Sul traz essa proposta, com a faceta do Black Metal, a velocidade do Death e o experimentalismo, com passagens intrincadas e progressivas, o que deixa o Debut autointitulado – lançado neste ano (20) – bem diversificado.

O trio gaúcho se uniu em 2017, porém experiência é o que não falta em suas lacunas já que os músicos são figurinhas carimbadas do underground extremo com passagens por bandas como: Bloodwork e Dyingbreed.

São apenas cinco faixas com o trabalho tendo a duração de um pouco mais de quarenta minutos, o que você já pode imaginar o que terá das composições ao apertar o play, pois esqueça aquele som sujo e muitas vezes tosco do Black Metal old school de meados dos anos 90, mas sim hinos longos e cheios de variações, tendo até mesmo flerte com o Heavy Metal Tradicional, mantendo a estética obscura, mas com diversificações que fazem toda a diferença em sua sonoridade que vai na contramão do estilo.

A produção do álbum é de alto nível e muito cristalina. Não deixando você perder nenhuma alternância entre as músicas, além é claro, do peso na dose certa para a proposta. A parte gráfica com uma arte em preto e branco traz essa obscuridade e intensidade que a Requiem’s Sathana mostra em sua musicalidade, casando perfeitamente com sua estética.

Fãs de Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost e afins, deleitem-se, pois é mais que um prato cheio.

Ótima estreia!


Links:

Formação:
Rex Mendax (baixo)
Rex Guture (vocal)
Rex Inferii (guitarra)

Tracklist:
01 Legion
02 Perfect Silence
03 Now It’s War
04 Mordgier
05 Requiem’s Sathana

sábado, 11 de julho de 2020

Initiate Decay: aguardando o fim de um caos para o caos sonoro continuar


 Entrevista por: Renato Sanson


Músico entrevistado: Tiago Vargas (baixo/vocal) – Banda: Initiate Decay de Esteio/RS

Dois anos já se passaram desde o lançamento do EP “Awaken the Extinction”. Teremos material novo em breve?

Teremos sim. Na verdade, antes deste imprevisto relativo ao covid-19 já tínhamos planejado para esse ano a gravação de um full-lenght, o qual estávamos com mais de 80% do material concluído. A ideia é retomar a pré-produção deste trabalho o quanto antes. Porém, estamos aguardando uma normalização deste atual cenário de pandemia, que infelizmente pegou desprevenido não apenas nós, mas também muitas outras bandas e produtores.

De quarteto a trio (a banda teve a saída do guitarrista/vocalista Diego Araújo). O que muda esteticamente no som da banda?

Esteticamente o nosso som se compõe para duas guitarras. Trabalhamos bastante com dobras intervalares, e levadas polifônicas com as guitarras trabalhando de forma bastante abrangente. Nossa ideia é adicionar novamente um quarto integrante. Durante algum tempo, o Wagner Santos da banda Revogar esteve substituindo o Diego Araújo, chegou a fazer alguns shows conosco, mas infelizmente não conseguimos conciliar as agendas.

Após a saída do Wagner chegamos a realizar alguns shows como trio, adaptamos alguns arranjos no baixo para cobrir a ausência desta segunda guitarra. Mas pretendemos em breve anunciar um novo integrante para a segunda guitarra.


Musicalmente o som do Initiate Decay é o mais ríspido Death Metal, mas com passagens altamente técnicas e estruturadas. Como funciona o processo criativo?

Parte do processo ocorre individualmente e parte em estúdio. Contudo, dentro de estúdio. Geralmente eu e o Aires trazemos uma estrutura mais maturada para as músicas e o Alexandre realiza os arranjos em estúdio. Nós gostamos muito de trazer vida e significado à música tanto nas variações rítmicas quanto riffs alternados, para moldar a música de fato, diferente do padrão convencional de composição.

2020 e a pandemia. Um ano praticamente para se esquecer – ou não – o que vocês tiraram de positivo de todo esse caos?

Como eu consigo ficar em casa sem tornar isso um problema, eu consegui me organizar para me focar de forma produtiva tanto na música quanto em outros projetos pessoais que estavam na gaveta. Musicalmente tenho trabalhando letras e composições tanto do Initiate Decay quanto do Carcinosi (que é a outra banda que eu atuo), além também de gravar áudio e vídeo de covers no molde “at home” com amigos de outras bandas. Além da música, no âmbito tecnológico sigo também trabalhando em projetos como edição de vídeos, lyric vídeos, elaboração de sites, lojas virtuais, etc. Tudo uma questão de tentar utilizar o tempo da forma mais produtiva possível.

Entre nós da banda, mesmo que a distância, seguimos conversando constantemente. O Aires e o Alexandre também seguem utilizando o tempo disponível de forma produtiva.


O EP “Awaken the Extinction” foi lançado de forma independente no formato físico. Qual a importância de ainda ter o lançamento físico ao meio das facilidades do mundo digital?

O formato físico ainda se faz necessário. Principalmente para boa parte do nosso público que ainda considera o material físico um artefato de valor. Eu particularmente vejo o CD físico como algo necessário. Estamos numa fase de transição, mas o CD físico ainda é necessário. Embora não mais como antes, ainda assim, existem números expressivos de vendas de CDs tanto em lojas físicas quanto lojas virtuais.

Em termos de repercussão, o EP alcançou o seu objetivo?

Podemos dizer que sim. Pois conseguimos dar ênfase ao nome da banda que foi formada em 2016. Conseguimos divulgar o EP em muitos países da América Latina e Europa. Inclusive o encarte do EP foi destacado como um dos melhores das bandas da américa latina. Tivemos resultados muito positivo e expressivos para uma banda com pouco tempo de vida.


Pensando lá na frente em 2021, quais os planos futuros para o Initiate Decay?

Queremos dar continuidade a composição das novas músicas e a produção deste novo full-lenght. E assim que possível divulgar novidades do nosso line up e principalmente voltar a pisar nos palcos novamente.


Links:



sábado, 4 de julho de 2020

Noldor: “Acredito que nenhum horror consegue ser tão brutal quanto os criados por nós mesmos”


Entrevista por: Renato Sanson


Músico entrevistado: Patrick Marçal (one-man-band) – Projeto: Noldor de São Paulo/SP


São cinco álbuns de estúdio e uma proposta sonora voltada ao Death Metal Melódico. Conte-nos sobre a trajetória da Noldor até o presente momento.

A Noldor desde o começo eu imaginei dentro do gênero death metal melódico, até por questões de influencias, é um gênero bem flexível, você pode adicionar riffs e grooves pesados sem deixar de lado os refrões com melodias mais “grudentas”.

Essa ideia partiu quando eu estava no colégio ainda, em 2014, não encontrava ninguém para montar uma banda, e então decidi fazer tudo sozinho mesmo, eu sempre tive contato com softwares de produção musical, então não foi algo tão complicado no inicio.

O primeiro álbum teve um feedback legal e então decidi continuar a compor, mesmo tendo algumas dificuldades com mixagem e masterização que parecia um bicho de 7 cabeças para mim na época, eu fui seguindo essa trajetória até a sonoridade que a Noldor se encontra hoje, não só na produção, mas em composição também, busquei sempre manter uma característica para não perder a originalidade da proposta inicial.


A Noldor é uma one-man-band. Quais as facilidades e dificuldades de manter o projeto sendo capitaneado por apenas um músico?

Acaba sendo mais fácil registrar as ideias quando você não depende unicamente de um estúdio, o grande problema são os equipamentos, a evolução da qualidade de gravação de cada álbum depende muito do equipamento que você tem naquele momento, muitas vezes isso compromete o resultado final e atrasa o lançamento das musicas.


“Banned from Light” é o mais recente trabalho da Noldor, trazendo grandes composições e estruturas cheias de feeling. Como se deu o processo criativo do mesmo?

Grande parte das musicas saíram de forma espontânea, eu sempre costumo tocar e gravar as ideias, eu deixo a estrutura principal pronta e vou adicionando o que falta até levar as musicas para o software de mixagem para o resultado final, compor é um processo prazeroso e de momentos, eu sempre aproveito para criar algo quando sinto vontade e então guardo as musicas para um uso futuro.


Como está sendo a repercussão do álbum em si?

Está sendo uma surpresa, eu não esperava um feedback tão incrível sobre este trabalho, isso me motiva a continuar e evoluir como musico, o apoio do público é muito importante e influencia bastante no trabalho do artista, só queria agradecer a todos que estão apoiando, divulgando e ajudando esse projeto de alguma forma, vocês são demais!


Em termos líricos a Noldor aborda em suas letras transtornos psíquicos e a complexidade mental dentro de nós. Comente mais a respeito.

Eu sempre tento trazer letras com duplo sentido, tanto oculto, quanto interno, você pode interpretar de forma apocalíptica, mas também como uma guerra interna, todos nós lutamos contra nossos demônios todos os dias, e quem tem distúrbios psíquicos passa por isso em dobro, o que eu imagino em minhas letras quando eu escrevo, são as 2 faces da destruição humana, os dois lados da moeda, o seu fim pode ser por causas externas, mas também por si próprio. Acredito que nenhum horror consegue ser tão brutal quanto os criados por nós mesmos, para muitas pessoas a mente é o próprio pesadelo.


Estamos atualmente assolados pela pandemia, o que isso implicou nos projetos musicais?

A pandemia atingiu os músicos de forma inesperada, eu tinha feito uma reserva para melhorar o home-studio, infelizmente tive que pausar e usar a reserva para outros fins.

Na questão de shows e eventos, eu tinha algumas apresentações com a Hardgainer e uma possível continuação no processo de gravação da Neshamot, ambos foram adiados e estão parados, sem shows, sem ensaios... É complicado, mas espero que fique tudo bem no final, a arte não pode parar.


Existe a possibilidade da Noldor se tornar uma banda completa para shows em um futuro próximo?

Sim, com certeza, estou amadurecendo essa ideia e fazendo mais amizades no meio musical dentro do estilo, provavelmente isso ocorra em breve.


Links:

Streamings:


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Captain Black Beard: Celebrando o Hard/AOR e Pop Rock 80's



O novo trabalho do Captain Black Beard tem sua line-up mais uma vez modificada apenas com Christian Ek (guitarra) e Robert Majd (baixo) de remanescentes. A proposta continua a de celebrar o pop rock americano dos anos 80. 

Em comparação ao último registro, a produção harmonizou melhor os arranjos, principalmente a guitarra que ficou menos abafada e pesada. Pra esse tipo de som acabava esmagando os demais instrumentos.

Outra coisa notável é a volta do vocal masculino, agora na responsabilidade de Martin Holsner, o qual lembra diversas vezes a voz de Paul Stanley.


As 10 canções compartilham baterias redondinhas repletas de reverb, brass de sintetizador e riffs no dever de pavimentar o canto de Holsner naquele clima anos 80 do KISS.

Eu poderia destacar abaixo as seguintes canções:

Headlights: Uma estranha cruza de KISS na era do "Lick It Up" enquanto os sintetizadores remetem o single "Gloria" de Laura Branigan. O solo apesar de curtinho reflete a essência oitentista usando bends expressivos e tappings.

Lights And Shadows: Apresenta melodia inspirada ao lado de múltiplas vozes no auge da música. Guitarras ganham um papel extra, elas roubam cena nos breves momentos.

Disco Volante: O cantor encarna de vez Paul Stanley. Teclados estridentes se fundem aos pratos com direito a pequenos arpejos. Na reta final a guitarra soa melódica e se sincroniza com outra.

Tonight: É uma balada potente, cria uma montanha russa sentimental de momentos tristes e revigorantes. A voz e rápidos momentos da guitarra tornam a canção poderosa. Infelizmente abusam além da conta dos sintetizadores e se prendem demais ao clichê. Apesar da qualidade, pode soar um pouco datada para a maioria, parecendo trilha de algum filme da Sessão da Tarde.

Time To Deliver: Uma das melhores canções. A voz se destaca entre as outras do trabalho. O riff pesadão cavalgado é entrecortado pela bateria pura que divide espaço com a voz. Os fraseados finais na guitarra infelizmente terminam sufocados.

Midnight Cruiser: Inicia com um baixo rugindo. Sintetizadores se fundem melhor com a guitarra para produzirem um caminho empolgante até o núcleo da música. Vale mencionar a passagem do teclado tocando uma ideia barroca antes da guitarra solar. Casaria muito bem com algum racha de carros à noite. O ponto alto do disco.


Chegando a um veredito, "Sonic Forces" reverencia totalmente o som de uma época, às vezes se aproximando de uma caricatura involuntária. O álbum também não tenta construir um papel para cada faixa. Todas soam previsíveis pela semelhança.

Na parte técnica, você nota os sintetizadores brigando com prato pelas faixas de frequência. Se por um lado, a guitarra no último registro soava incompatível e agora mais assertiva,  por outro ela termina sufocada no excesso de reverb e ganha um papel mínimo. Até em discos do Poison e Dokken elas eram imprescindíveis para a extravagância do seu som.

Numa visão geral, eu recomendaria para quem deseja revisitar uma era ou saudosistas do Hard Rock sintetizado.

Texto: Alex Mattos (Canal Rock Idol)
Edição: Carlos Garcia

Banda: Captain Black Beard
Álbum: "Sonic Forces" 2020
Estilo: Hard Rock, AOR, Pop Rock
País: Suécia
Selo: AOR Heaven/Metal Heaven

Canais Oficiais da banda:
Site Oficial
Youtube

       

       

       

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Initiate Decay: apocalipse sonoro em estado bruto


Resenha por: Renato Sanson


O ano era 2016 e quatro grandes nomes do underground extremo gaúcho se reuniram para compor juntos e trazerem à tona o que viria a ser o apocalipse sonoro chamado Initiate Decay.

Em suas lacunas os quatro cavaleiros do apocalipse: Aires Trajano (bateria – ex-In Torment e Mental Horror), Diego Araújo (guitarra/vocal – ex-Revogar), Alexandre Graessler (guitarra – In Torment) e Tiago Vargas (baixo/vocal – Carcinosi). Com um time desses já pode ter a ideia do Death Metal brutal, lapidado e insano que se moldaria.

Então em 2018 nascia o EP “Awaken the Extinction” produzido no estúdio Hurricane em Porto Alegre e trazendo três composições poderosas e dignas do currículo apresentado por seus músicos.

Com uma produção esmerada no peso a abertura com “Spreading latente hatred” mostra que o grupo não veio para brincadeiras velocidade, técnica e momentos mais cadenciados de puro peso e variações. Assim como em “Proliferation of Manipulated Perception” e a faixa que leva o nome do lançamento, mostrando ótimas dobras de vocais e estruturas de guitarras monstruosas, com o baixo seguindo insanamente as marretadas da bateria que alternam muito bem entre velocidade, cadencia e técnica apurada.

Em outras palavras: um super grupo de quem entende de Metal Extermo, com profusões técnicas e bem trabalhadas.

Agora é esperar pelo Debut, pois a certeza de qualidade é garantida!

Formação:
Aires Trajano (bateria)
Diego Araújo (guitarra/vocal)
Alexandre Graessler (guitarra)
Tiago Vargas (baixo/vocal)

Tracklist:
01 Spreading latente hatred
02 Proliferation of Manipulated Perception
03 Awaken the Extinction

Links:




domingo, 21 de junho de 2020

Estamira: “Somos uma banda de metal e também somos uma banda de mulheres, temos orgulho disso”


Entrevista por: Renato Sanson


Musicista entrevistada: Clarissa Carvalho (guitarra) – Banda: Estamira do Distrito Federal.


A Estamira está na ativa desde 2007, tendo uma breve pausa entre 2013/2015. Mas de certo modo, se mantendo ativa na cena e sendo uma banda unicamente de mulheres, sempre levantando a causa feminista e o direito da mulher, certo?

Nossa pausa começou quando Ludmila saiu do País para fazer o doutorado. Ao voltar, Maiara tinha acabado de ter filhos e neste momento só era possível nos encontrar para matar a saudade e lembrar como era bom estar juntas tocando. Em 2017 fizemos um show revival para matar a saudade, mas foi só no final de 2018 que tivemos a possibilidade de voltar com todo o compromisso que isso exige. Então foi tempo suficiente para voltarmos mudadas, mais maduras. Nesses quase 7 nos envolvemos com outros projetos de vida (uma virou mãe, outra doutora, outra se tornou professora de música e por aí vai...), outros projetos musicais (a Sara montou a Mãe Hostil e tocou na P.U.S, e a Clarissa assumiu a bateria da Soror), também tivemos outros tipos de contato com a cena (sendo público, produzindo eventos, colaborando com as bandas, fazendo participações...).

Então a gente voltou diferente, com outro gás e mais perspicácia, com outras vontades e com outras influências de som, que esperamos poder mostrar nas novas composições em breve. Mas sim, nossa essência não muda. Somos uma banda que nasceu sem a pretensão de ser uma banda só de mulheres, pois todas as integrantes originais vinham de bandas mistas, mas rolou dos contatos nos levarem a mulheres, e se nem todas se consideravam feministas na época, essa união não premeditada ascendeu um desejo de celebrar isso e assumir todas as vantagens e desvantagens de ser uma banda formada apenas por mulheres, como uma forma de arte e de luta também. Somos uma banda de metal e também somos uma banda de mulheres, temos orgulho disso. E sim, esse é um tema que perpassa várias das nossas letras e dos nossos posicionamentos, porque falamos do que vivenciamos como mulheres, inclusive no meio underground - que se diz libertário, mas muitas vezes não é.




Gostaria que nos falasse a curiosidade por trás do nome da banda, que tem um significado muito interessante.

Mais que curiosidade foi uma escolha política em reforçar a memória da mulher Estamira Gomes de Sousa, uma catadora de lixo do Rio de Janeiro, hoje já falecida, que ficou conhecida por fazer reflexões extremamente sábias sobre as hipocrisias da sociedade, mesmo sendo considerada uma mulher com “distúrbios mentais”. Aconselhamos fortemente assistir ao documentário sobre a vida dela, que se chama “Estamira” mesmo, e é de 2004. Nos identificamos com a história dela, por conta desse lugar subalterno que a sociedade insiste em colocar as mulheres, né? Ela foi uma mulher negra, pobre e considerada “louca”, um ser sem valor. De certa forma todas as mulheres são Estamiras em algum momento de suas vidas (lógico, com todo respeito e reconhecimento às diferenças existente entre este grupo nada homogêneo que são as mulheres, com muitas ressalvas às desigualdades raciais, de classe, sexualidade e identidades de gênero, entre outras que existem entre nós). 

Mas essa subalternidade está em todo lugar, na sub-representação das mulheres nos espaços de poder e tomada de decisão, na exploração do seu trabalho e do seu corpo que vem desde o seu lugar de mulher escravizada e estuprada na colonização à desvalorização do trabalho doméstico que ela dedica à família hoje. Está no lucro que não vai para ela quando vende a imagem do seu corpo para a publicidade e massa. Está nos altos índices de feminicídio e violência doméstica e muitos ouros aspectos, mas está em chamar-nos de “loucas”, como a Estamira e como as feministas em geral, quando perdemos o medo de falar.


Até o presente momento a Estamira tem duas músicas lançadas e dois videoclipes oficiais. Como está a produção e composição do Debut?

Pois é, esse é o nosso grande objetivo!! Pretendemos aproveitar o período de isolamento para disponibilizar esses sons mais antigos em uma só plataforma e gravar nosso primeiro álbum. Ele terá algumas composições antigas ainda não gravadas e novas composições. Já temos músicas inéditas desde antes da pandemia e estamos aproveitando o isolamento para compor mais.


Uma das faixas de grande destaque certamente é a poderosa “Quem Morre Sangrando Por Mim?” que traz uma letra instigante, e claro, um peso e agressividade descomunal. O vindouro lançamento seguirá está linha?

Se as pessoas estão esperando peso, raiva, porrada no som e nas letras, como foi com a “Quem Morre Sangrando Por Mim?” esperaram certo. Quanto mais conscientes nos tornamos e quanto mais vivências adquirimos, bem como solidariedade com as diferentes opressões, mais raiva imprimimos nas letras. É o que está rolando. E o som reflete isso também.


A ideia é seguir cantando em português ou em breve teremos composições em inglês?

Sim, sempre em português. Entendemos que em inglês poderíamos alcançar um público maior e respeitamos as bandas que decidem por esse caminho. Mas nós falamos de subalternidade e opressão. Não conseguiríamos exprimir em inglês a experiência de mulheres que vivem em um País colonizado. Não faria sentido pra gente.


Nesses mais de dez anos de banda vocês já tocaram em diversos festivais. Quais aqueles que vocês julgam como inesquecíveis?

Vamos listar três e os motivos: O Festival Vulva la Vida, que rolou em Salvador, em 2012, por ser um festival feminista, completamente independente no esquema: faça-você-mesma, que não apenas foi um show foda, mas nos rendeu várias amizades e parcerias com bandas do Brasil inteiro. O Festival Ferrock, que tocamos na 24° edição em 2009, que é um festival histórico da Ceilândia, a maior cidade periférica do DF, e que criou bandas e cenas importantíssimas por aqui. Foi uma honra tocar nesse festival. Por último, registramos o Festival Bruxaria, também do DF e um festival feminista: faça-você-mesma, que além de bandas, sempre tem oficinas, rodas de conversa, rango vegano, feira de produções de mulheres, e muito mais. Temos muito carinho pelo Bruxaria, porque fomos convidadas para tocar na primeira edição e depois Clarissa, Ludmila e Sara passaram a integrar a coletiva que o organiza, e tem sido uma experiência maravilhosa. Nosso revival foi lá na 2° edição, e também nosso show de retorno, na 4° edição, em 2019.


Em relação aos planos para a reta final de 2020/começo de 2021, o que a Estamira está preparando?

Bem, não podemos negar que a pandemia definirá as possibilidades e limites. Mas dentro destes, descobrimos que dá pra fazer muito. Estamos compondo, estamos soltando nosso merchan novo, estamos atualizando nossas mídias sociais, estabelecendo várias parcerias com outras bandas do underground e matutando os frutos disso: quando a pandemia permitir, queremos voltar a fazer shows, principalmente em cidades que ainda não tocamos. Estamos com saudade de dividir o palco com a Manu Castro, nossa primeira baixista que agora retorna à banda. Mas como já mencionei: nosso principal objetivo é o álbum. Se sairmos da pandemia com ele pré-produzido, será sensacional!



Confira os dois videoclipes oficiais nos links a seguir:

*Quem Morre Sangrando Por Mim?: https://youtu.be/4LSK1kYv8fY



Estamira é:
Manu Castro - Baixo
Clarissa Carvalho - Guitarra
Maiara Nunes - Bateria
Ludmila Gaudad - Vocal
Sara Abreu – Guitarra


Links de acesso:

sábado, 20 de junho de 2020

Entrevista: Grave Stompers - Psychobilly Old School até os Ossos!




O Grave Stompers foi formado em 1993, em Munique (Alemanha), uma história familiar a muitas outras, amigos que queriam montar uma banda e fazer o som que gostavam. Para os estilos underground, como o Metal e o próprio Psychobilly, não podemos dizer que é um caminho fácil, pois muitos ficam pela estrada.   (English Version)

No caso dos Grave Stompers, eles realizaram o sonho, fazendo shows e gravando álbuns, tendo conquistado fãs do estilo por todo o mundo, e seguem levando a bandeira do Psychobilly, mantendo o estilo vivo e ativo. 

Conversamos com o vocalista/guitarrista e fundador Gernot, que nos contou um pouco mais da história da banda, que se intitula "Psychobilly Old School", tendo inspiração em nomes clássicos do estilo, como The Cramps, contos de horror e até chegaram a colocar elementos do Metal em sua música. Confira:


RtM: Olá Gernot vamos começar com um pouco de história, o Grave Stompers foi formado em meados de 1993 em Munique, conte-nos um pouco mais sobre esse início da banda.
Gernot: Um amigo da escola (o nome dele era Florian) e eu queríamos formar um grupo e tocar música Psychobilly. Psychobilly era a nossa vida!! E nós queríamos fazer nosso som próprio. Nós precisávamos de um baixista e eu sabia que Holzi (um cara adepto do Psychobilly, de uma cidade perto da nossa) tinha um contrabaixo. Então, uma tarde, peguei meu violão, fui até a casa dele e perguntei se ele queria formar uma banda conosco e que deveríamos fazer uma jam session ali mesmo. 

Ele disse que sim e nós três nos tornamos amigos. Então precisávamos de um baterista, e outro cara que eu conhecia tocava bateria. Depois de alguns shows, trocamos o baterista e Martin se juntou à banda. Nesse ponto, entramos em contato com alguns promotores, então tivemos a chance de fazer shows e festivais como banda de apoio de muitas dessas grandes bandas de Psychobilly que costumávamos ouvir. Significou o mundo para nós!


RtM: A partir de quando vocês estabilizaram essa formação que segue até hoje?
Gernot: Nós fizemos nosso primeiro disco, "Rising From the Darkside" 1997). Depois disso, fizemos shows na Alemanha e na Áustria e tivemos outra mudança de formação: o vocalista Florian deixou o grupo e eu passei para o microfone também. Portanto, o Grave Stompers são: Martin (bateria), Holzi (baixo e backing vocals) e eu,  Gernot (guitarra e voz).  Desde então, a formação nunca mais mudou e estamos muito felizes com isso. Fizemos uma música, “Never Never You Go!”, em “Bone Sweet Bone”, que foi dedicada à nossa amizade e musicalidade ao longo de todos esses anos.

RtM: A  banda buscou um som mais sombrio, com contos de horror clássico como inspiração. Conte-nos que outras coisas mais lhe inspiram para compor?
Gernot: Histórias clássicas de horror gótico são os principais itens de nossas letras. Bebendo, festejando e ouvindo Psychobilly também. Para ser sincero, nós gostamos mais de groove e música do que letras profundas e sofisticadas (risos)

RtM: Falando sobre sua música, além desse rock n 'roll obscuro, você tem outros estilos musicais que lhe influenciam no processo de composição?
Gernot: Quando começamos em 1993, fazíamos o Psychobilly limpo e dançante. Então começamos a incorporar elementos de metal, guitarras pesadas e distorcidas em nossa música (Rising from the Darkside, Funeral Suite). Isso ocorreu durante um período de dois ou três anos, depois voltamos ao estilo tradicional novamente. O conceito lírico sempre foi assustador e sinistro.

RtM: O The Grave Stompers se identifica como Psichobilly Old School, mas o quanto o Metal influenciou seu estilo de tocar?
Gernot: Bem, tivemos alguns anos influenciados pelo Metal em toda a existência da banda, mas no geral não tem grande influência no Grave Stompers. Eu mesmo posso dizer que, além de Psychobilly e Rockabilly, gosto muito de Metal e ouço desde meados dos anos 80. Black Metal especialmente! E Mötley Crüe e Saxon.


RtM: Você poderia nos listar algumas bandas ou  estilos que influenciaram sua carreira?
Gernot: Eu diria que os Cramps, Meteors e todo o material psychobilly inglês dos anos 80 foram de grande influência para nós. Krewman, Batmobile, Long Tall Texans, para citar alguns. Nós estávamos totalmente interessados ​​nisso e queríamos tocar a música que estávamos ouvindo !! Também gostamos dos anos 60 e garage punk! Todo esse som também foi uma influência para nós!

RtM: Houve um episódio curioso em 1997, quando vocês lançaram seu álbum de estreia “Rising From The  Dark Side". As fotos da arte do CD foram tiradas no cemitério, certo? Parece que houve algum tipo problema com a polícia, e os seus equipamentos para a sessão de fotografia, os machados, ossos e caveiras incomodaram os oficiais? Conte-nos sobre esse episódio.
Gernot: As imagens mostradas nesse álbum não foram tiradas daquela sessão em especial no cemitério. Mas deve ter sido nessa época em que tivemos outra sessão de fotos em um cemitério local, o que causou alguns problemas com a polícia. Uma tarde, entramos no cemitério com roupas de couro, bem equipados com caveira, ossos e machados para fazer uma sessão de fotos. Se você gosta de terror e Psycho, é óbvio que você precisa fazer uma sessão de fotos como essa no cemitério local! (risos)

Após a sessão, saímos de carro, e logo que nos afastamos vimos que a polícia chegou ao cemitério e entrou com armas nas mãos. Não tínhamos ideia de que era por nossa causa. Na mesma noite, nosso baterista Martin, que dirigia o carro, foi visitado pela polícia. Algumas pessoas no cemitério que nos viram, obviamente se sentiram ofendidas com a nossa aparência, chamaram a polícia e deram o número do nosso carro. Então tivemos alguns pequenos problemas com a coisa toda e, no final, ela foi descartada porque ficou claro que o caso todo não era tão sério. Hoje é uma história engraçada do passado!!



RtM: A banda passou por mudanças de sonoridade, onde ficou mais pesada e mais dark, as turnês afetaram você pessoal e musicalmente?
Gernot: Começamos a banda em 1993 e por volta de 1996 começamos com aquele som mais pesado e mais sombrio. Martin tinha aquelas raízes orientadas ao punk e eu tinha minha paixão por Black Metal, então foi por alguns anos que esses gêneros musicais foram incorporados em nossa Psychobilly Music, mas com o álbum “Bone Sweet Bone”, voltamos ao estilo Psycho Rockabilly clássico dos anos 80 novamente. 

Os shows não tiveram nenhum efeito real sobre nós - foi divertido, adoramos tocar ao vivo e foi uma grande aventura para nós quando entramos nessa coisa de música/concertos full time!! Bem, um efeito pode ser que você começa a beber mais bebida do que provavelmente deveria - isso é porque as bebidas são de graça! (risos)

RtM: O Grave Stompers fez muitos shows na Europa, vocês têm 25 anos de trabalho duro. Para finalizar nossa conversa e sobre eu quero perguntar, é possível dizer aos seus fãs brasileiros se há alguma chance de anunciar uma turnê brasileira no futuro,  já teve algum convite? Embora sua música seja mais restrita e underground, há muitos fãs seus em todo o país.
Gernot: UAU!!! Estamos muito satisfeitos em saber que existem muitos fãs em todo o país! Nós apreciamos totalmente isso!! Sentimo-nos profundamente honrados! Infelizmente ainda não há planos de irmos ao Brasil ...

Rtm: Sinta-se à vontade para enviar uma mensagem aos fãs brasileiros.
Gernot: Então, finalizando, eu agradeço muito pelo interesse nos Grave Stompers! Desejo a você tudo de melhor para seu futuro e seu site - mantenha o ótimo trabalho! É totalmente necessário que as pessoas nunca parem para manter a cena musical viva e agitada! E  erguemos nossas garrafas de bavarian brew a todos os roqueiros, metalheads e psycho do brasil - obrigado por seu apoio - nós os saudamos!! Um Brinde!


Entrevista: Louise  C. Wagner
Tradução/Edição: Carlos Garcia

Grave Stompers Facebook

         

       

       

Interview: Grave Stompers - Psychobilly to the Bone!



Grave Stompers was formed in 1993 in Munich (Germany), a story familiar to many others, friends who wanted to start a band and make the sound they liked. For underground styles, like Metal and Psychobilly itself, we cannot say that it is an easy path, as many are on the road.  (leia a versão em português)

In the case of the Grave Stompers, they fulfilled the dream, doing shows and recording albums, having conquered fans of the style all over the world, and continue to carry the flag of Psychobilly, keeping the style alive and active.

We talked to the vocalist/guitarist and founder Gernot, who told us a little more about the history of the band, which is entitled "Psychobilly Old School", taking inspiration from classic names of the style, such as The Cramps, horror tales and even put Metal elements in your music. Check out:

RtM: The Grave Stompers were formed in mid 1993 in Munich, Gernot, would you tell us a little more about the beginning of the band.
Gernot: A school friend of mine (his name was Florian) and myself, we both wanted to form a group and play Psychobilly music. Psychobilly was our Life!! And we wanted to play the sound by ourselves. We needed a bass player and I knew that Holzi (a tall Psychobilly guy in a town near ours) had a double bass. 

So one afternoon I picked up my guitar, drove to his house and just asked him, if he wants to form a band with us and that we should do a jam session right here and now. He said yes and we three became friends. So we needed a drummer and another guy I knew from former days, did the drums. After a few gigs we changed the drummer so Martin joined the band. At this point of time we came in contact with organizers and got the chance to play concerts and festivals to support many of those big Psychobilly Bands we used to listen to. It meant the world to us!

RtM: How did this actual line-up get solid?
Gernot:  When we did our first record, “Rising from the Darkside“. After that we did concerts in Germany and Austria and another line-up change was drawing nearer: vocalist Florian left the group and I took over to the microphone as well. So the Grave Stompers are: Martin on drums, Holzi on bass and b-voice,  and me, Gerno, on guitar and singing. Since then the line-up never changed anymore and we are pretty happy about that. We did a song „Never let you go!“ on Bone Sweet Bone wich was dedicated to our friendship and musicianship throughout all these years.

                                      

RtM: The band has tried to reach a darker sound, besides, has influences as the classical horror stories. Do you have other lyrics inpiration beyond that? Tell us.
Gernot: Classic, gothic horror Stories are the main items in our lyrics. Drinking, Partying and listening to Psychobilly as well. To be honest, we are more into groove and music than into deep and sophisticated lyrics :-)

RtM: Talking about your music, beyond this obscure rock n’ roll do you have other music style that
influences you in composition process?
Gernot: When we started in 1993 we did clean and rocking Psychobilly. Then we started to incorporate metal elements, heavy distorted guitar into our music (Rising from the darkside, Funeral Suite). This was over a period of two or three years, after that we returned to the traditional style again.  The lyrical concept has always been spooky and sinister.

RtM: The Grave Stompers indentify themselves as Psichobilly Old School. How much did Metal influence your music?
Gernot:Well, we had some metal influenced years in the whole existance of the band, but all in all Metal Music has no big influence on the Grave Stompers. I for myself can say that beside Psychobilly and Rockabilly, I really like Metal a lot and I´ve been listening to since the mid 80ies. Black Metal especially! And Mötley Crüe and Saxon!!

RtM: Could you list us any bands, any styles, that influenced your carreer?
Gernot: I would say that the Cramps, the Meteors and the whole english Psycho Stuff of the 80ies where big influence for us. Krewman, Batmobile, Long Tall Texans, to name a few. We were totally into that stuff and wanted to play the music we were listening to!! We also liked 60ies garage punk pretty much!! That whole sound was also a influence to us!


RtM: There was a curious episode in 1997, when you released your debut album “Rising From The Dark Side”. Did you shoot your CD photos on a graveyard, right? Were there any events with the police? Let us know about it. The whole problem was about your gear (lol) for the
photography session? The axes, bones and skulls bothered the police?
Gernot: The pictures shown on that album were not taken from that special graveyard shooting. But it must have been around that time when  we had another fotosession on a local cemetery which caused some trouble for us with the police. One afternoon we entered the cemetery in full Leather gear, well equiped with skull, bones and axes to do a foto shoot. If you are into Psychobilly and gothic horror stuff it´s just obvious that you have to do a foto shoot like that at your local cemetery (laughs)

After the shoot we went off by car exactly when we drove away we saw that the police arrived at the graveyard and got in with guns in their hands. We had no clue that it was because of us. The same evening our drummer Martin who had driven the car got visited by the police. Some people at the graveyard who had seen us, obviously felt offended by our appearance and called the police and gave them the number of our car. So we had some minor troubles with that whole thing and at the end it was put down because it was clear that the whole case wasn´t that serious. Today it´s a funny story from the past!!


RtM: You went through musical sound changing in your carreer, where did you get heavier and
darker? Did the tours affect you personal and musically?
Gernot: We started the band in 1993 and around 1996 we started with that heavier and darker sound. Martin had those Punk orientated roots and I had my passion for Black Metal, so it was for a few years that this musical genres got incorporated in our Psychobilly Music but with the "Bone Sweet Bone" album we returned to the classic 80's PsychoRockabilly style again. The concerts had no real affect on us – it was fun, we love playing live and it was like a huge adventure for us when we got into that whole Music/Concert Thing!! Well, one affect might be that you start drinking more booze than you probably should – that´s because the drinks are for free (laughs)

RtM: Grave Stompers did a lot of shows in Europe, you have experienced from 25 years of
hardwork. At the end of our conversation I want to ask you, is it any chance to announce a brazilian tour? Have you already had any invitations? Although your restrict and underground music, we have a lot of fans of yours around the country.
Gernot: WOW!!! We are very very pleased to hear that there are lot of fans around the country!! We totally appreciate that!! We feel deeply honored!!! Unfortunately there are no plans to come to Brazil yet...

RtM: Feel comfortable to send message to the fans.
Gernot: So at the end I say a big thank you for the interest in the Grave Stompers!
I wish you all the best for your future and your website – keep up the great work!
It´s totally necessary that people never stop to keep the music scene alive and rockin!!
And at the end we raise our bottles of bavarian brew to all brazililian Rockers, Metalheads and Psychos -  thank you for your support - We salute You!!!
Cheers!!!


Interview: Louise C. Wagner (with Colaboration of Renato Sanson)
Translation and Edit: Carlos Garcia

Grave Stompers Facebook

         

       

       

domingo, 14 de junho de 2020

Noldor: Death Metal Melódico técnico e apocalíptico


Resenha por: Renato Sanson


Sempre é bom se deparar com novas bandas surgindo do underground, e também é ótimo nos depararmos com bandas que já estão a um certo tempo na estrada destilando seu veneno metálico, como é o caso do Noldor de São Paulo, capitaneado pelo multi-instrumentista Patrick Marçal.

O Noldor chega em 2020 com seu 5° álbum de estúdio o interessante e diversificado “Banned from Light”, apostando no Death Metal Melódico, mas com estruturas altamente técnicas e agressivas.

Os riffs são extremamente empolgantes e as melodias surgem no momento certo, com vociferações screams/guturais insanas! As inclusões de alguns vocais líricos femininos surgem e dão um certo tom de dramaticidade as composições, o que deixa a musicalidade mais intensa.

A produção do trabalho é muito bem-feita, produzido e masterizado por Patrick em seu home-studio, deixando os instrumentos e variações climáticas (entre vocais líricos e teclados) na medida certa, sem destoar e apostando muito no peso.

São 9 faixas que mantem a homogeneidade em temas líricos abordados sobre distúrbios e problemas psíquicos, onde cada composição apresenta o seu clima individual, mas se entrelaçando como um todo no decorrer da audição.

Poderia dizer que o Noldor é uma grata surpresa do nosso underground, mas uma banda com 5 álbuns de estúdio já mostra mais que experiência e que merece maior reconhecimento por toda sua qualidade apresentada. Confira sem medo e surpreenda-se!


Links:

Streamings:

sábado, 13 de junho de 2020

One of Them: superando obstáculos em nome do Thrash Metal


Entrevista por: Renato Sanson



Músico entrevistado: Jefferson Witt (guitarrista) – Banda: One of Them de Porto Alegre/RS

“Blind Faith” marca um novo momento para a One Of Them. Uma nova formação e a continuidade do Thrash Metal visceral apresentado em outrora. Como está este novo recomeço?

Primeiramente muito obrigado pelo espaço! Sim, tivemos alterações na formação da banda. O que fez a gente demorar um pouco para lançar material novo. Contudo mantivemos o estilo Thrash e adicionamos ainda as experiências dos novos integrantes.  Deixando o som mais agressivo eu diria. Estamos muito felizes com as composições e como estamos nos saindo nos shows. O EP teve resenhas muito boas.

Musicalmente temos aquele velho e bom Thrash oitentista. Beirando a insanidade com muito peso e agressividade. Conte-nos mais sobre o processo de composição deste novo trabalho.

É isso que querermos apresentar mesmo. É o tipo de som que a gente ama e gosta de tocar. Mesclamos umas mais antigas que fizemos umas modificações e colocamos músicas compostas com essa formação atual. Uma delas fizemos bem pouco antes de entrar no estúdio para gravar. Ou seja, pegamos bem a identidade atual da banda! Cada um trás uma ideia e nos ensaios vamos mexendo até ficar de um jeito que democraticamente a maioria aprove.


Dentre uma das novidades em “Blind Faith” temos a faixa “Pulverizados” que encerra o trabalho. Cantada em português e que caiu muito bem esteticamente para a banda. Para o futuro, teremos mais composições cantadas em língua pátria?


Eu diria que sim! Ela foi feita inicialmente em inglês pelo Jonas (batera) que sempre traz uma ideia de letra com a tradução junto. Mas na hora que começamos a tocar passou pela nossa cabeça que em português ia ficar ainda mais “cavala". Testamos, cortamos algumas palavras e fechou. Como somos fãs de Korzus e de Overdose, entendemos que seria também uma homenagem a essas bandas pioneiras no Brasil.

Foram onze anos de intervalo entre o primeiro registro – a Demo “I am One of Them” – até chegarmos no Debut. O que gerou está demora?

Justamente a troca de integrantes. Dois guitarristas e a batera. Sendo que o batera que saiu foi um dos fundadores. Então foi um recomeço. Várias músicas ficaram para trás. Resolvemos realmente gravar aquelas que entendemos representar o som atual da One of Them.


Em termos de repercussão, como está sendo a aceitação do novo material?

Está muito boa!!! Tivemos resenhas muito boas em sites e revistas. Entramos na lista de melhores álbuns de 2019 de dois colaboradores da Roadie Crew. Fora isso os shows que fizemos a galera respondeu muito bem! Comprando o CD e camisetas. Isso entendemos que representa uma boa aceitação do álbum.

Com o ano de 2020 praticamente comprometido devido ao Covid-19, quais os planos da One of Them para 2021? Claro, se tudo realmente “normalizar” (risos desesperadores).

Sim, por esse ninguém esperava... tínhamos já dois shows agendados e certamente apareceriam mais. Estava indo bem! Tinha tudo para ser um ano fantástico em matéria de shows. 2019 já tinha sido bacana. Tocamos com o Angelus Apatrida e foi muito legal. Vamos ter que esperar... não tem o que fazer. Espero que ainda de para agitar esse ano!


A arte de “Blind Faith” é realmente impactante e muito bem trabalhada. Trazendo à tona o que teremos ao apertar o play da bolacha. Como surgiu a ideia para esta arte?

Muito obrigado! O artista é um parceiro do Paraná, Jean Michel. Mandamos os sons e as letras e ele veio já com a ideia da capa. De cara achamos genial! Ele captou perfeitamente! Conseguiu botar parte de várias das letras na arte! Ficou muito THRASH!


Links:

Streaming: