sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Jim Peterik & World Stage: Legado, União e Celebração da Música

 

Dentre os vários lançamentos deste final de ano da Frontiers Music, temos este novo volume do projeto de Jim Peterik (Survivor, Pride of Lions), um dos grandes compositores do AOR e Melodic Rock, criador do mega hit "Eye of The Tiger", do qual Jimi nos falou em entrevista um tempo atrás, que não tem problema nenhum em ser reconhecido principalmente por esse hit. Mas Peterik produziu, e segue produzindo, muita música de qualidade, tanto para seus projetos, como para outros artistas do meio.

No World Stage Jim Peterik reúne artistas consagrados em colaborações especiais, "River of Music - The Power of Duets, Vol I" é um álbum que funciona como uma celebração da trajetória do compositor, guitarrista e mentor musical. 

Ele combina a energia do AOR/Hard Melódico com elementos modernos, muitos teclados e arranjos refinados,  explorando a força das conexões humanas através da música, em especial os duetos, que são a tônica deste trabalho.

Sob a produção de outra lenda, Ron Nevison (Kiss, Ozzy, Thin Lizzy, Led Zeppelin, Heart e outros), o álbum soa límpido, tendo precisão no momento em que cada elemento precisa de destaque.

A abertura é emblemática, um encontro de gerações, talvez até uma "passagem de bastão", no dueto de Jim com seu filho Colin na faixa título"River of Music", e a voz mais madura e encorpada de Jim contrasta com a juventude e o timbre mais suave de Colin, criando um equilíbrio interessante. Podemos sentir a energia quase palpável entre pai e filho. 

É um Melodic Rock de melodias suaves e emocionais, que inicia cadenciado e vai ganhando em emoção, destacando o referido dueto, e a letra que fala sobre essas conexões e vivência com a música: "Drink from The River, Drink from the River of Music", como diz em um trecho, reflete muito bem o sentimento da canção.

Colin Peterik 

O encontro se repete também em mais dois momentos, "Slow Lightning", com seu embalo suave e melodias assoviáveis. 

Novamente o timbre suave de Colin contrasta com a voz madura de Jim, entre arranjos de teclado e metais e instrumental de bom gosto impecáveis; em "Everything you Need", a dupla fecha o álbum, com uma balada emocional, com leves arranjos orquestras e belos teclados.

Dentre as três, destaco "Slow Lightning" entre os momentos de destaque do álbum. Outra que se destaca entre as demais é a versão para a balada do Survivor "In Good Faith", onde temos o dueto entre o alcance e timbre poderoso de Toby Hitchcock (Pride of Lions), com a também poderosa e bela voz de Kaity Heart, um dos nomes em ascensão do estilo. 

Peterik, Kaity Heart e Ron Nevison 

Mais um dos momentos que brilham mais intensos, é o encontro de Peterik com Kevin Cronin, do REO Speedwagon, na emocionante "Between Two Fires", com um refrão marcante e arranjos de bom gosto, que por vezes flertam de leve com o country;  e com Jason Scheff (ex-Chicago), Peterik mostra que sua veia de criador de hits segue aflorada, na "radiofônica" "The Cadence of Things" e seus teclados 80's.

Outros duetos incluem a radiante “Double Rainbow” com Cathy Richardson, do Jefferson Starship, a comovente “Waiting for You”, interpretada por Dave Mikulskis e Bree Gordon

E claro, o álbum conta com um elenco estelar de músicos, incluindo os bateristas Denny Fongheiser e Ed Breckenfeld, os baixistas Tony Franklin e Bob Lizik, os guitarristas Phil X e Mike Aquino e os tecladistas Kim Bullard e Kim Peterik.


O rio da música segue fluindo, e Jim Peterik entrega um álbum que agradará os seus fãs e os admiradores de AOR e Melodic Rock feito com propriedade, feeling e produção magistral.

Texto: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 

Artista: Jim Peterik & World Stage 
Álbum: "River of Music - The Power of  Duets, Vol I"
Estilo: Melodic Rock/AOR
Selo: Frontiers Music 

Tracklist:
1. River of Music: Jim Peterik e Colin Peterik
2. Waiting For You: Dave Mikulskis e Bree Gordon
3. The Cadence of Things: Jim Peterik e Jason Scheff
4. Soul of My Being: Toby Hitchcock e Bree Gordon
5. Between Two Fires: Jim Peterik e Kevin Cronin
6. Double Rainbow: Jim Peterik e Cathy Richardson
7. Slow Lightning: Jim Peterik e Colin Peterik
8. In Good Faith: Toby Hitchcock e Kaity Heart
9. I’m a Survivor: Jim Peterik e Kaity Heart
10. Everything You Need: Colin Peterik e Jim Peterik








Jimi Jamison: O Legado de Jimi Jamison em Live Hits (1998)

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

O lançamento previsto para 12 de dezembro pela Frontiers chega como um presente de fim de ano. É daqueles discos que fazem a gente revisitar clássicos, trazer memórias à tona, sorrir, chorar e sentir uma coleção inteira de emoções em pouco mais de uma hora de música. Nada mais apropriado para o clima das festas natalinas, quando o coração costuma ficar mais vulnerável e receptivo a reencontros, inclusive musicais. Além, claro, de continuar a honrar o legado do grande Jimi Jamison.

Logo ao apertar o play, já vem aquele tremor familiar. A primeira faixa, “Burning Heart”, dispensa apresentações. Qualquer cinéfilo reconhece os primeiros segundos, graças ao impacto eterno de Rocky IV. É impossível não ser transportado para uma época em que a música carregava o mesmo peso emocional do filme. Um começo arrebatador, que prepara o fôlego para o que vem em seguida.

“High On You” aparece logo depois, trazendo o ápice do mainstream de Jimi Jamison com o Survivor. Um clássico instantâneo desde 1984, desses que todo mundo conhece, mesmo quem insiste em negar. Um verdadeiro sucesso de festa, seja no churrasco da firma ou na reunião da família headbanger tradicional. Lágrimas garantidas.

Já a belíssima “Rebel Son” surge como convite à introspecção, quase como se o disco organizasse a própria respiração emocional do ouvinte. E então chegamos a “I’m Always Here”, momento obrigatório de nostalgia pura. Não há como evitar lembrar a icônica cena de Baywatch: a figura correndo pela praia, câmera lenta, traje vermelho. Alguns torcem o nariz, mas a verdade é que todo mundo conhece, e todo mundo sente alguma coisa. Popularidade nem sempre é sinônimo de futilidade, é apenas o reflexo de uma obra que marcou uma geração inteira.

Na sequência, entram faixas que representam bem a estética melódica do Survivor na década de 1980, como “I See You In Everyone”. Em seguida, Jamison mostra sua versatilidade em números como “Rock Hard”, trazendo aquela energia direta e contagiante que caracterizou sua carreira solo. “Oceans”, por sua vez, vem como uma pérola escondida: instrumentação impecável, riffs e solos na medida, vocais precisos, tudo funcionando em harmonia. Ao vivo, a música ganha ainda mais força e merece fácil ser ouvida duas vezes seguidas.

A essa altura, o disco engrena em emoções mais densas. “The Search Is Over”, um dos grandes sucessos do Survivor, cumpre seu propósito e arrasa os corações mais sensíveis, com a profundidade e o sincronismo que só Jamison conseguia entregar. Logo depois vem “Is This Love”, que foge do óbvio ao equilibrar ritmo e emoção sem escorregar no piegas, outro momento de brilho para Jamison.

“I Can’t Hold Back” reforça a força vocal do artista, lembrando porque essa fase da banda conseguiu marcar o AOR/melodic rock de maneira tão firme. Em seguida, a escolha de incluir “Riders On The Storm”, clássico dos Doors, mostra ousadia. Jamison transforma a faixa em algo íntimo, quase narrativo, adicionando novas camadas à obra sem jamais desrespeitar o original.

“Too Hot To Sleep” aparece como aquele encontro inesperado no meio dos grandes hits — a música que, quase sem querer, nos toca de maneira pessoal. Entre tantas performances emblemáticas, ela acabou se tornando minha favorita deste lançamento. É bonito quando um disco com tantos clássicos ainda consegue surpreender.

E, claro, o encerramento não poderia ser outro: “Eye Of The Tiger”. Um clássico atemporal, reconhecido por todas as gerações, que já ultrapassou a condição de música e se tornou símbolo cultural. Encerrar com essa faixa é fechar o ciclo com chave de ouro, argumento comum? Sim, mas não há outra definição possível. É a síntese da história de Jamison, da força do Survivor e do impacto que o rock dos anos 80 teve, e continua tendo, na vida de tanta gente.

Este álbum ao vivo de 1998, agora relançado, é mais do que uma coletânea de sucessos: é uma viagem afetiva. Uma celebração da voz inesquecível de Jimi Jamison, um lembrete do poder que a música tem de nos reconectar com quem fomos, e pode nos ajudar a repensarmos os passos futuros.

“1998 Live Hits' Track List:

1. Burning Heart

2. High On You

3. Rebel Son

4. I'm Always Here

5. I See You In Everyone

6. Rock Hard

7. Oceans

8. The Search Is Over

9. Is This Love

10. I Can't Hold Back

11. Riders On The Storm

12. Too Hot To Sleep

13. Eye Of The Tiger


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

De Volta a Hollywood: Graham Bonnet Reescreve Sua História ao Vivo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

O novo álbum ao vivo “Lost In Hollywood Again”, registrado no lendário Whisky a Go Go, apresenta Graham Bonnet em plena forma. A obra não só resgata momentos essenciais de uma carreira que atravessa décadas, como também reafirma o vigor musical de uma banda entrosada e segura de seu propósito. Faixa a faixa, o disco revela um percurso emocional, técnico e histórico que faz justiça ao legado de Bonnet e suas passagens por grupos icônicos como Rainbow, Alcatrazz e Michael Schenker Group.

A abertura com “Eyes Of The World”, clássico do Rainbow, é grandiosa e irresistível. A gravação capta a atmosfera imponente da versão original, preparando o ouvinte para um espetáculo que honra a história da banda sem soar datado. É um início que cria expectativa e, de maneira justa, anuncia algo maior.

Na sequência, “All Night Long” explode em energia. As guitarras permanecem inconfundíveis e o vocal de Bonnet encontra seu auge ao vivo, entregando uma performance que pode fazer qualquer um levantar do sofá. É um clássico absoluto que reafirma a força dessa fase da carreira do vocalista.

Ainda na fase Rainbow, temos “Love 's No Friend” que mantém a linha pesada, com riffs firmes e um refrão reforçado por backing vocals sólidos. A cozinha funciona de maneira coesa e entrega uma terceira faixa lapidada, reforçando que o repertório deles continua sendo uma jóia quando interpretado por quem lhe deu vida originalmente.

Seguimos para a quarta faixa, “Making Love”, que surge como um momento mais melódico. A composição transita entre o Hard Rock e nuances de Groove, intercalando vocais e ótimos solos de guitarra. Ao vivo, a música ganha ainda mais corpo, revelando-se um acerto na construção dinâmica do espetáculo.

E então vem ela: “Since You’ve Been Gone”, a queridinha do público. A música carrega memórias e nostálgias que atravessam gerações, e a banda entrega tudo com precisão. É impossível não ser transportado para outro tempo e deixar as preocupações em pausa por alguns minutos.

O interlúdio “Keys Solo” é uma das surpresas mais agradáveis do álbum. Entre guitarras pesadas e conversas com o público, os sintetizadores criam uma viagem instrumental que merece ser ouvida com atenção. Inclusive, pular essa faixa seria um pecado. É técnica, atmosfera e brilhantismo puro.

Entretanto, chegam os respiros, com “Lazy” traz um Rock N’ Blues despretensioso, perfeito para o clima ao vivo, enquanto “Imposter” muda o ritmo e injeta uma estética oitentista, pesada, com Bonnet demonstrando vocais ainda muito potentes. Já “S.O.S.” aposta em pianos e elementos de rock clássico, sem revelar grandes surpresas, mas cumprindo bem seu papel no fluxo do show.

Convém falar em “Desert Song”, onde o álbum segue sua linha estética, mantendo coerência sem se desviar do tom Hard Rock que domina o repertório. Na sequência, o tradicional “Drums Solo”, que prepara terreno para o retorno explosivo com “Night Games”, grande sucesso da carreira solo de Bonnet nos anos 1980. É outro ponto de destaque, merecendo figurar mais uma vez no hall dos clássicos do vocalista.

Na reta final, “Into the Night” e “Assault Attack” reforçam a proposta da performance ao vivo com faixas menos conhecidas do grande público, mas que agregam peso e constância ao repertório. 

O penúltimo grande momento chega com “Too Young To Die, Too Drunk To Live”, clássico da era Alcatrazz. É, sem dúvida, um dos ápices do show — já anunciado pelo próprio Bonnet — e conduz o público a uma celebração da fase oitenta do artista.

Por fim, a obra se encerra com “Lost In Hollywood”, mais um marco do Down to Earth. Aqui, Bonnet revisita seu próprio passado com honra e perfeição. A execução ao vivo preserva o espírito original criado por Ritchie Blackmore, Roger Glover e Cozy Powell, encerrando o álbum com a dignidade que os clássicos merecem.

“Lost In Hollywood Again” é mais que um álbum ao vivo, pode ser considerado um documento histórico. Graham Bonnet revisita seus sucessos com autoridade, acompanhado por uma banda afiada e um público entusiasmado. O disco celebra a trajetória de um dos vocalistas mais singulares do Hard Rock, mantendo viva não apenas a memória de seus clássicos, mas também sua relevância contemporânea. 

Mais um presente de Natal, daqueles que não tem erro, com lançamento para o dia 12 de dezembro de 2025.

“Lost In Hollywood Again” Tracklist:

1.    Eyes Of The World    

2.    All Night Long    

3.    Love's No Friend    

4.    Making Love    

5.    Since You'Ve Been Gone    

6.    Keys solo    

7.    Lazy    

8.    Imposter    

9.    S.O.S.    

10.    Desert Song    

11.    Drums solo    

12.    Night Games    

13.    Into The Night    

14.    Assault Attack    

15.    Too Young To Die, Too Drunk To Live    

16.    Lost In Hollywood


Line Up:

Graham Bonnet – Vocals

Conrado Pesinato – Guitars

Beth-Ami Heavenstone – Bass

Alessandro Bertoni – Keyboards

Francis Cassol – Drums


Rob Moratti: “Sovereign” Eleva a Fase Madura de Rob Moratti no AOR Contemporâneo

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

Com longa trajetória no Hard Rock Melódico e com uma pitada de Progressivo, Rob Moratti retorna em 2025 com “Sovereign”, um álbum que consolida sua maturidade artística e reafirma aquilo que sempre o destacou: a capacidade de unir técnica, emoção e melodias cuidadosamente construídas. O disco apresenta produção impecavelmente limpa, instrumentação precisa e um cuidado evidente com as atmosferas que guiam o ouvinte do início ao fim.

Começamos a audição na ordem das faixas, com “Don’t Give Up On Love” que estabelece de imediato o tom do álbum. É uma canção forte, de riffs marcantes, melodia ascendente e senso de energia muito bem conduzido, sendo uma das mais eficazes portas de entrada para o universo de Sovereign.

Na sequência, “Can’t Let You Go” que puxa a sonoridade para um território mais leve, com claras referências oitentistas e uma estética pop rock que suaviza o impacto inicial, garantindo contraste sem quebrar a fluidez do disco.

Agora, uma pausa para falar de “Every Word” que surge como uma das primeiras grandes demonstrações de profundidade. Inicia tranquila, quase insinuante, e evolui organicamente até ganhar força com a entrada das guitarras. É um dos momentos em que Moratti melhor equilibra emoção e técnica, criando uma faixa memorável. Considero meu destaque do álbum.

Por outro lado, “Waiting”, assume abertamente uma vibe mais pop, apostando na leveza e na acessibilidade. A construção é bem resolvida e agradável, mesmo que mais suave do que o núcleo da obra.

Somente então, quando Sovereign parece se estabilizar em uma zona melódica mais delicada, “Locked Down” devolve o peso à obra. Com solos marcantes, riffs encorpados e vocais em excelente forma, é a faixa mais vigorosa do disco e também um dos seus pontos altos.

A seguir, “Two Hearts” entra com uma dinâmica equilibrada, mantendo a coesão do álbum e oferecendo um meio-termo interessante entre melodia e movimento. É uma faixa sólida, sem excessos, que sustenta a estrutura do conjunto. Também torna-se impossível não perceber na introdução desta música um lembrete ao filme “The Breakfast Club” (Clube dos Cinco) produção estadunidense do gênero dramédia lançado em 1985. 

A releitura de “In The Air Tonight” é uma das surpresas positivas do álbum. Inclusive, tive que ouvir algumas vezes, para ter certeza das minhas opiniões, Moratti respeita a atmosfera crescente da obra original de Phil Collins, permitindo que teclados e baixo conduzam a tensão até que os momentos finais explodam em intensidade. É uma interpretação competente, que se destaca pela sensibilidade na construção.

“I’ll Never Break Your Heart” adiciona o trecho mais emotivo da parte final, simples, direta, honesta e centrada na entrega vocal.

Por fim, “The Calling” e “Angel” reforçam o caráter melódico tradicional que permeia a obra. São faixas consistentes, com execução impecável, ainda que menos ousadas. “Angel”, especialmente, cumpre bem o papel de balada emocional, com delicadeza e clareza interpretativa.

O álbum encerra com “This Is Forever”, que aposta na grandiosidade e funciona como síntese da proposta de Sovereign: melodia, sensibilidade e produção refinada.

No conjunto, “Sovereign” é um álbum tecnicamente seguro e emocionalmente comprometido com a estética que define Rob Moratti. Não é um trabalho que busca reinventar o estilo, e tampouco acredito que pretenda ser. Inclusive, sua força reside na precisão, na elegância e na coesão, sem motivos para “reinventar a roda”.

Em conclusão, para fãs do Rock progressivo, nostálgico e cheio de melodia, é um lançamento consistente, bem produzido e capaz de entregar momentos verdadeiramente marcantes. Entretanto, para quem procura ruptura, talvez esteja mais para uma obra conservadora. Ainda assim, dentro de sua proposta, Moratti reafirma porque segue sendo um nome respeitado no cenário mundial do gênero.

“Sovereign” Tracklist:

1.    Don't Give Up On Love    

2.    Can't Let You Go    

3.    Every Word    

4.    Waiting    

5.    Locked Down    

6.    Two Hearts    

7.    In The Air Tonight    

8.    I'll Never Break Your Heart    

9.    The Calling    

10.    Angel    

11.    This Is Forever


Line Up:

Rob Moratti - vocals

Joel Hoekstra - lead guitar

Tony Franklin - bass

Felix Borg - drums 

Fredrik Bergh - keyboards

Pete Alpenborg - rhythm guitar and keyboards




Brazen Abbot: A Obra Mais Imponente e Madura do Brazen Abbot

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

“Guilty As Sin”, lançado originalmente em 2003 e com data de relançamento para 12 de dezembro de 2025, representa a fase mais madura e segura do Brazen Abbot, projeto idealizado por Nikolo Kotzev. Depois de estabelecer as bases do projeto nos anos 90, o músico chega a este álbum com total domínio de sua proposta musical. Relembrando que o Hard Rock melódico vivia um novo momento na Europa e o disco aproveitou essa fase de renovação, entregando uma obra ambiciosa, bem produzida e extremamente detalhada.

Este álbum é composto pelo poderoso e atemporal trio de vocalistas, nada mais, nada menos do que, pasmem, Joe Lynn Turner, Jørn Lande e Göran Edman. Os estrelados músicos dividem o repertório, cada um trazendo sua identidade para faixas específicas sem comprometer a unidade do trabalho. A direção de Kotzev na composição da obra, garante que todas essas vozes diferentes convivam de forma natural, fazendo com que o álbum soe como uma narrativa contínua e coesa.

Destaque para Turner, que brilha com seu vocal firme e expressivo, especialmente em “One Life to Live”, onde já fica claro o tom grandioso do disco. Ele também se destaca em “Slip Away” e na faixa-título, mostrando porque é considerado uma das vozes mais marcantes do Rock pesado, inclusive tendo passado por bandas icônicas ao decorrer das décadas. Já o furacão norueguês Jørn Lande adiciona peso e dramaticidade, contribuindo com interpretações intensas em músicas como “Eyes on the Horizon”, “Mr. Earthman” e “A Whole Lotta Woman”. Seu estilo mais forte e teatral amplia a dimensão emocional do álbum. Inclusive, o currículo do vocalista impõe respeito, ele fez parte de alguns álbuns marcantes do projeto de Tobias Sammet, o Avantasia, além de ter integrado os primeiros anos do Masterplan. Por fim, o grande Edman surge como o ponto de equilíbrio, oferecendo suavidade e melodia em faixas como “I’ll Be Free”, “Like Jonah” e especialmente em “Eve”. Sua precisão técnica ajuda a criar momentos de respiro em meio às composições mais densas.

Torna-se importante ressaltar, que a base instrumental chega para integrar a qualidade do projeto. John Levén, Ian Haugland e Mic Michaeli, conhecidos pelo trabalho no Europe, banda esta que dispensa comentários, criaram uma fundação sólida para as ideias de Kotzev. O baixo firme, a bateria enérgica e os teclados bem colocados sustentam as melodias e intensificam o impacto das canções. A produção é limpa, clara e cheia de camadas, mostrando uma preocupação cuidadosa com cada detalhe, coisa de gigantes do gênero.

Vale a pena lembrar, que o relançamento de 2025, destaca ainda mais a importância de “Guilty As Sin” na cena do início dos anos 2000. O disco surge em um momento em que o Rock Melódico e o Hard Rock voltavam a ganhar força, acompanhados pelo crescimento do Metal melódico e pelo retorno do interesse em grandes vocalistas. Inclusive, o fundador do Brazen Abbot aproveita esse cenário não apenas seguindo tendências, mas mostrando como o gênero podia soar moderno e grandioso sem perder suas raízes.

Finalmente, o excelente “Guilty As Sin” permanece como um dos pontos altos da história do Brazen Abbot e um dos trabalhos mais fortes do Hard Rock melódico de sua década. Mesmo sem material bônus no relançamento, o álbum se mantém relevante e imponente, é um disco que continua atual e essencial para quem acompanha o gênero, e também para aqueles que estão começando sua jornada no vasto mundo do Hard Rock.

Tracklist:

1.    One Life To Live (Joe Lynn Turner) 

2.    Eyes On The Horizon (Jørn Lande) 

3.    I’ll Be Free (Göran Edman) 

4.    Slip Away (Joe Lynn Turner) 

5.    Mr. Earthman (Jørn Lande) 

6.    Like Jonah (Göran Edman) 

7.    Bring The Colors Home (Jørn Lande) 

8.    Fool’s Confession (Göran Edman) 

9.    Supernatural (Joe Lynn Turner) 

10.    Eve (Göran Edman) 

11.    A Whole Lotta Woman (Jørn Lande) 

12.    Guilty As Sin (Joe Lynn Turner)


Line Up:

Nikolo Kotzev - guitars, keyboards

Ian Haugland - drums

Mic Michaeli - Hammond

John Leven - bass

Joe Lynn Turner - singer

Göran Edman - singer

Jörn Lande - singer

Matéria Especial: Passado e Futuro se Colidem nos 15 anos da NERVOSA Em Uma Coletiva de Imprensa na Galeria do Rock

Selma Alves

Por Bruno França 

Prestes a concluir uma turnê de sucesso que comemora os primeiros quinze anos de existência da banda, a NERVOSA retorna ao seu país de origem - o Brasil - para o fechamento de um ciclo, ao mesmo tempo que inicia um novo.

A Galeria do Rock, um dos maiores templos do Rock e do Metal não só do Brasil, mas da América Latina, hospedou uma coletiva de imprensa na noite que antecedeu o último show do ano da banda (marcado para o dia 5), no teatro do Sesc Bom Retiro.

A coletiva aconteceu no espaço recém-aberto da Arena Galeria, localizada no 5º andar, ao passo em que as integrantes estavam visivelmente governadas por uma animação com o evento.

Tendo iniciada precisamente às 19:27, Prika Amaral (guitarra e voz; líder), Helena Kotina (guitarra), Emmelie Herwegh (baixo) e Gabriela Abud (bateria) cumprimentaram todos os presentes e responderam várias perguntas dos jornalistas dos mais variados veículos, abordando sobre temas como a diversidade cultural ao redor do mundo, o poder da cena brasileira, o consumo da música nos dias atuais, as influências ao redor das composições dos álbuns, entre outros tópicos.

Abaixo, estão alguns dos temas abordados.


JANEIRO MARCA O ALVO: UM NOVO ÁLBUM

Passadas as devidas formalidades, a coletiva se iniciou não com um sussurro, mas sim com um estrondo: o anúncio oficial de que o próximo álbum está a caminho. A composição do sucessor de "Jailbreak" (lançado em 2023) está em níveis avançados, e é garantido que tenhamos novidades sobre ele já em janeiro do ano seguinte, na forma do primeiro single.

A canção mais recente, "Smashing Heads", foi feita como comemoração neste momento tão especial que o quinteto multinacional passa atualmente, sendo a primeira participação oficial da holandesa Emmelie Herwegh como integrante nas atividades do baixo e da brasileira Gabriela Abud assumindo a bateria, após a partida da búlgara Michaela Naydenova no começo do ano passado.

Carregando a característica de um zeitgeist, a faixa não estará presente no novo álbum, conforme confirmado pela fundadora e líder Prika Amaral.

Uma segunda bomba foi lançada em sequência: não haverá nenhuma participação especial.

Traçando um paralelo com as suas origens, o primeiro álbum da sua discografia, "Victim of Yourself", é o único que não possui participação especial de nenhum(a) outro(a) musicista. E tal característica será repetida no próximo lançamento.

Uma vez mais, a produção conta com o argentino Martin Furia, peça importante no patamar que a NERVOSA se encontra atualmente, seja pelos seus conhecimentos como guitarrista do DESTRUCTION, seja pela sua experiência como produtor que guia as integrantes enquanto mantém uma qualidade sonora mais polida do que a anterior.

Bruno França

DUAS CABEÇAS PENSAM MELHOR DO QUE UMA

Uma característica um tanto incomum que envolve a NERVOSA é o fato dela possuir duas baixistas. A grega Hel Pyre nem sempre pode estar participando dos shows por duas razões centrais: a mesma virou mãe recentemente, e as suas responsabilidades familiares entram em rota de colisão com as performances e as atividades da banda. 

Não obstante o fato dela ocasionalmente ser convidada para participar dos shows da lenda viva KING DIAMOND, como aconteceu numa turnê europeia recente, onde ela assume as tarefas de backing vocals e do teclado. Adicionalmente, a grega ainda realiza shows com a sua banda de Black Metal W.E.B., cantando enquanto também toca baixo.

A fundadora Prika se pronunciou ao se certificar de que, apesar das imagens promocionais recentes mostrarem tanto ela quanto Emmelie juntas, não é a intenção ter ambas simultaneamente no palco. Há um pouco mais de dois anos, Emmelie esteve disponível para preencher essa lacuna diante da indisponibilidade de Hel Pyre.

Considerando que não é desejo da mesma sair, e respeitando esta decisão, Prika então decidiu que ambas fazem parte da família NERVOSA, tornando Emmelie Herwegh como também uma integrante efetiva.

Selma Alves

GOSTOS PLURAIS TORNAM A VIDA MAIS PRAZEROSA

Prevendo que a Prika seria bombardeada com a maioria (quase unânime) das questões, este repórter se prontificou em providenciar uma variada para que as outras membras também pudessem se expressar. Sendo assim, a primeira das duas perguntas realizadas foi direcionada à Emmelie (a primeira pergunta realizada em Inglês na conferência). Ao ser questionada sobre a visão estreitista a qual muitos possuem de que quem gosta de Metal "só pode gostar disso", a holandesa se pronunciou (em verbatim):

"Na minha opinião, as pessoas podem gostar daquilo que preferem. Então se é apenas Metal, tudo bem. Só que para mim, a música é mais do que isso. O Metal é o meu gênero preferido, é o que mais gosto de tocar, amo a comunidade como um todo e tudo a respeito.

Mas eu também recebo inspirações de muita música Pop, especialmente de artistas femininas. Para mim, elas são muito empoderadoras. Há também mulheres no Metal, mas tenho também ídolas na música Pop, as quais eu adoro e tenho como referência.

Por mim, cada um escolhe o que preferir. Não importa em abstrato o que cada um gosta, todos são livres para apreciarem aquilo que os agradam.

Não é uma luta ou uma competição, música se trata de ouvir tudo o que existe nela".

Bruno França

AS FERRAMENTAS DO TRABALHO: UM RESUMO SOBRE COMO OCORREM AS COMPOSIÇÕES

Durante o momento para a composição de material novo, Prika deixou claro que não é interessante ficar numa visão linear de apenas um "Thrash Metal cru".

Adicionalmente, acrescentou que todas as integrantes são muito bem-vindas para darem os seus pontos de vista e que possuem boa liberdade no ato da composição em si.

"Então a gente trás outros elementos, outras ideias, outras coisas. E não se fechar, não direcionar a sua inspiração, sabe?

Fazer a arte é você liberar ali a sua expressão, a sua... é não ter medo! Se eu quero cantar limpo, eu vou cantar limpo. Se eu quero soltar uma gutural, eu vou cantar gutural", explicou a líder.

Elaborando sobre a sua parte do processo, Gabriela se manifestou (em verbatim): "Eu espero que as pessoas realmente se conectem do jeito delas - não do jeito que a gente quer -, mas que chegue nelas. A letra. Tipo... a música tá foda, mas a letra... eu acho que ela tá mais foda".

Ou seja, a própria também está fazendo parte da escrita das letras do próximo álbum.

Ato contínuo, a baterista revelou que, por vir de uma escola mais moderna, traz algumas das suas influências vindas de GOJIRA e de LAMB OF GOD, por exemplo.

Selma Alves

UMA DÉCADA E MEIA EM RETROSPECTIVA

Quando Prika Amaral foi questionada sobre o show final que fecha a atual turnê, se teremos alguma participação especial, talvez a aparição de alguma integrante antiga, a membra fundadora revela que só percebeu a chegada dos quinze anos no final de 2024.

"Fiquei muito feliz que a gente conseguiu fazer o primeiro show de comemoração de quinze anos em São Paulo" (N. da R. = na primeira edição do DARK DIMENSIONS FEST, coincidentemente no aniversário da cidade, cuja cobertura foi feita por este repórter, disponível aqui na ROAD TO METAL).

Após contar que cinco shows foram realizados no Japão com setlists diferentes e que rolou a ideia de fazer shows em ordem cronológica, ela continua, (em verbatim):

"E aí casou de a gente fazer o último show deste ano (e último show da turnê) em São Paulo. Eu falei: 'vamos fazer esse show, só que bem elaborado e tal'. A gente vai estudar melhor como que a gente vai fazer, o que vai falar e tal. A gente construiu isso... e a gente vai tocar em um teatro, né? E lá no Sesc Bom Retiro é todo mundo sentado. 

Então fez muito sentido a gente fazer esse tipo de formato. A galera não vai poder ficar agitando muito (o que é uma pena), mas eu vou estar ali para a gente tocar as músicas, fazer um 'revival' da NERVOSA e contar a história também".

Finalizando a pergunta, a natural de Bragança Paulista revela que teve um disco gravado nos Estados Unidos, além de outros pedaços de informações que o público talvez nem saiba: “vai ser meio que isso: um stand up, mas não 'comedy' [risos de todos].”

Selma Alves

A POTÊNCIA DO BRASIL DIANTE DA COMUNIDADE INTERNACIONAL

Ao ser questionada sobre a cena nacional e a importância do nosso país ao redor do globo, a resposta de Prika foi (em verbatim):

"A gente sabe que aqui tem lugares para tocar. É possível viver de música no Brasil, sim. É difícil - pra caralho - sim. Mas é possível. Porque a gente tem exemplo disso, né? Agora a gente tem festivais aqui. O BANGERS tem uma representatividade e uma importância enorme para a nossa cena. O que eles estão fazendo não é fácil, entendeu?

Eu sei que tem muitas coisas a melhorar e tal, tudo mais. Mas eu admiro todo mundo envolvido que fez isso acontecer, os que estão ali tentando segurar... Isso tem uma importância enorme, eu bato palmas e sou agradecida eternamente a eles, porque é uma coisa muito importante. É o maior festival de Metal que a gente tem atualmente no Brasil. Na América Latina, eu te digo, porque tem muitos festivais que a gente já tocou que não existem mais, sabe?

Então, assim... é muito importante isso. O Brasil tem uma importância na cena Metal enorme. Não só pelas bandas, sabe? Mas porque é referência.

Gente, o maior público do IRON MAIDEN é aonde?

[Todos]: 'No Brasil'.

Então. A gente tem um poder absurdo e a gente é admirado pelo mundo inteiro".

Selma Alves

O CONSUMO DA MÚSICA NO PASSAR DAS GERAÇÕES

Mantendo a mentalidade de fazer com que as outras integrantes possam compartilhar melhor os seus pensamentos, este repórter fez a sua segunda e última pergunta à grega Helena.

Considerando que a forma como consumimos música mudou drasticamente desde o período da adolescência (N. da R. = devido ao fato deste repórter e da guitarrista serem basicamente da mesma geração) até os dias de hoje, a grega foi questionada sobre o que ela acha deste "rito de passagem".

Helena então elaborou que existem aspectos positivos e negativos da época de outrora, assim como dos dias atuais. Poder pegar no celular e ter acesso a uma biblioteca quase interminável de discografias possui o fator "conveniente" ao entrar em determinados aplicativos para este fim, e é ótimo para poder expandir a sua biblioteca particular.

No entanto, ela admite possuir uma nostalgia de quando ia para as lojas de discos para poder interagir com outras pessoas de gostos similares, porque além de sair conhecendo uma banda nova, ela também voltava para casa com um amigo em potencial, então ela lamenta que o aspecto da socialização entre as pessoas teve uma grande queda atualmente.

Similarmente, ela confessa adorar os discos físicos. Ao estar com ele nas suas mãos, poder pegar nele, ver o encarte e a materialização do trabalho dá uma alegria diferenciada do que apenas escutar o som no seu aplicativo preferido, o que está gradualmente se tornando uma arte perdida, mas que ainda assim consegue viver na era moderna.

Bruno França 

TODAS AS COISAS BOAS NÃO PRECISAM CHEGAR AO FIM

Com a coletiva chegando ao seu fim, junto com o agradecimento vindo da Arena Galeria, pudemos perceber que a NERVOSA respeita o seu passado, seus antecessores e um amadurecimento profissional visível.

A noite estelar deixou uma leve chuva para acompanhar o terraço da Galeria do Rock, e a longa sombra do palco reflete a longa estrada a ser percorrida, ficando o desejo de que mais quinze anos sejam comemorados no futuro previsível.

Viver de banda autoral numa indústria que requer mudanças imediatas introduz o conceito do desafio constante, mas pela vivência na prática, as integrantes exalam confiança e segurança em suas falas e através da linguagem corporal, honrando o gênero que fazem parte e garantindo não só agradar quem já as acompanha, mas também fazendo com que os ouvintes novos se sintam confortáveis em casa.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Christopher Cross – 06/12/2025 – Vibra/SP

Christopher Cross emociona público no Vibra São Paulo com clássicos, precisão musical e clima de nostalgia

No sábado, 6 de dezembro de 2025, o Vibra São Paulo recebeu o retorno de Christopher Cross após nove anos longe dos palcos brasileiros. Em turnê comemorativa pelos 40 anos de carreira, o cantor e guitarrista norte-americano entregou um espetáculo pautado pela elegância, pelo repertório conciso e por arranjos impecáveis — ingredientes que tornaram a noite memorável para o público majoritariamente nostálgico.

Com mais de 10 milhões de discos vendidos e dono de prêmios como cinco Grammys, um Oscar e um Globo de Ouro, Cross consolidou-se como uma das vozes mais influentes da música romântica internacional. No Vibra, reforçou esse legado com uma apresentação que privilegiou a qualidade musical acima de grandes efeitos de produção.

O artista subiu ao palco acompanhado de uma banda afiada, composta por músicos de altíssimo nível: Kevin Reveyrand (baixo), Francis Arnaud (bateria), Jerry Leonide (pianos) e David Mann (sax), além do trio de backing vocals Julie Peters, Lisbet Guldbeck e Jess Opong. O grupo não apenas sustentou o repertório com segurança, como brilhou em momentos solo, sempre com equilíbrio e sem exageros instrumentais.

Um dos destaques da noite foi a performance de “I Know You Well”, apresentada por Cross em dueto com a vocalista Jess Opong, que surpreendeu o público com sua presença vocal marcante — um momento de rara delicadeza e sintonia no palco.

A voz suave e inconfundível de Christopher Cross manteve-se firme ao longo do show, preservando a assinatura que marcou gerações nos anos 1980. Clássicos como “Sailing”, “Ride Like the Wind” e “Arthur’s Theme (Best That You Can Do)” foram recebidos com entusiasmo e cantados em coro pela plateia, relembrando a trilha sonora de uma era. “Arthur’s Theme”, inclusive, reacendeu memórias do famoso filme Arthur, o Milionário Sedutor, protagonizado por Dudley Moore e Liza Minnelli.

O setlist também trouxe composições mais recentes, mostrando que o artista segue ativo e criativo, sem ficar preso apenas aos sucessos do passado. O público, formado por fãs que viveram o auge da carreira de Cross e por jovens que descobriram suas canções por meio de pais, filmes ou playlists, celebrou a música em sua forma mais pura.

A passagem de Christopher Cross pelo Brasil, quase uma década após sua última apresentação, ressaltou a importância de artistas que ajudaram a moldar a sonoridade de uma época e que permanecem relevantes. Para muitos presentes, o show representou a chance de revisitar capítulos importantes de suas histórias pessoais.

Ao final, a noite no Vibra São Paulo transcendeu a nostalgia e se transformou em uma celebração sincera da arte de compor, interpretar e emocionar. Christopher Cross mostrou que, quatro décadas depois de seu auge comercial, sua música continua a unir gerações e reafirmar o poder duradouro de canções bem construídas e eternas.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Opus Entretenimento 


Christopher Cross – setlist:

All Right

Never Be the Same

I Really Don't Know Anymore

Alibi

Sailing

Walking in Avalon

You

Arthur's Theme (Best That You Can Do)

Talking in My Sleep

I Know You Well

Simple

The Light Is On

No Time for Talk

Ride Like the Wind

Think of Laura

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Brazen Abbot: O Hard Rock Melódico atemporal de “Live And Learn” (2025)

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter

Este relançamento do Brazen Abbot, o precursor “Live And Learn”, agora em 2025, devolve aos holofotes um álbum que marcou uma fase importante do Hard Rock Melódico Europeu. Ainda que muitos apreciadores do gênero tenham esquecido disso ao longo dos anos. Relembrando, que quando saiu em 1995, o disco competia com um cenário musical dominado pelo Grunge e por uma indústria que já não dava tanto espaço ao Rock tradicional. 

Mesmo assim, Nikolo Kotzev decidiu apostar em uma ideia ousada para a época, a de reunir músicos experientes, criar arranjos grandiosos e dividir os vocais entre Glenn Hughes, Göran Edman e Thomas Vikström.

Essa proposta, que poderia ter sido apenas uma curiosidade dos anos 90, acabou envelhecendo muito bem. Assim que damos o “play”, surge “Extraordinary Child”, que deixa claro o estilo que Kotzev queria alcançar. A música é guiada por guitarras fortes, melodias marcantes e um clima quase teatral, como uma história tomando forma, o que define a personalidade do álbum desde os primeiros segundos.

O disco combina Hard Rock clássico, AOR (termo utilizado aqui para definir o gênero melódico sofisticado que faziam nos anos 80), além de elementos sinfônicos, resultando em uma sonoridade que ainda hoje parece moderna e bem construída. 

O grande Glenn Hughes entrega tudo, interpretações intensas e carregadas de emoção, como em “Live And Learn”, “Miracle” e “Clean Up Man”, mostrando por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do Rock. Göran Edman, com seu timbre limpo e melódico, adiciona elegância e equilíbrio em músicas como “Extraordinary Child” e “Feeling Like a Rolling Stone”. Thomas Vikström completa o trio com uma pegada mais dramática, especialmente evidente em “Russian Roulette” e “Children of Today”.

Convém ressaltar que a força instrumental do álbum também merece destaque. Mic Michaeli, John Levén e Ian Haugland, vindos do Europe, trazem um nível técnico que ajuda a transformar o disco em algo maior do que um simples projeto de estúdio. As guitarras precisas de Kotzev, somadas à produção detalhada e aos arranjos orquestrados, dão ao álbum uma identidade sólida e coesa.

Inclusive, “Live And Learn” é importante não apenas pela qualidade das músicas, mas pelo momento em que surgiu. Em 1995, ele provou que a música pesada com melodia ainda tinha espaço, criatividade e força emocional. Mostrou também que diferentes estilos vocais podiam conviver no mesmo álbum sem perder unidade. Hoje, ele continua sendo uma referência para quem gosta do gênero.

Por fim, apesar de tratar-se de um relançamento, o disco se sustenta por si só. É um trabalho completo, bem executado e cheio de personalidade. Revisitar “Live And Learn” é lembrar que o Rock pesado europeu dos anos 90 teve momentos brilhantes e que Nikolo Kotzev foi um dos responsáveis por mantê-lo vivo. É um álbum que merece ser ouvido novamente, desta vez com o reconhecimento que talvez não tenha recebido quando foi lançado. Agradecimentos à Frontiers por este presentão de fim de ano.


Tracklist:

1.    Extraordinary Child (Göran Edman) 

2.    No Way Out of Nowhere (Thomas Vikström) 

3.    Live And Learn (Glenn Hughes) 

4.    Russian Roulette (Thomas Vikström) 

5.    Clean Up Man (Glenn Hughes) 

6.    When November Reigns (Thomas Vikström) 

7.    Miracle (Glenn Hughes) 

8.    Big Time Blues (Thomas Vikström) 

9.    Feeling Like A Rolling Stone (Göran Edman) 

10.    Children Of Today (Thomas Vikström) 

11.    Shadows Of The Moon (Thomas Vikström)


Line Up:

Nikolo Kotzev – guitars and keyboards

Svante Henryson – bass

Ian Haugland – drums

Mic Michaeli – Hammond

Glenn Hughes – singer

Göran Edman – singer

Thomas Vikström - singer

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Peace Will Come: O Hard Rock Respira Madrugada

Por Paula Butter

O Peace Will Come chega a 2025 com o álbum “Rock’N’Roll City”, um trabalho que reafirma a força criativa da banda e celebra uma nova fase marcada pela união de músicos experientes. Entre eles estão Andria e Ivan Busic, nomes que carregam a história do Hard Rock brasileiro desde os anos 90, quando fundaram o lendário Dr. Sin. Ver os irmãos novamente juntos em um contexto criativo tão sólido adiciona ao disco um brilho especial, resultado da maturidade musical que ambos acumularam ao longo de décadas.

Para fins de recapitulação, o álbum surgiu quando Emerson Macedo, em 2020, durante a pandemia, decidiu registrar algumas composições muito relevantes para o mundo na época. E naturalmente, o que começou de forma despretensiosa tomou corpo quando Cesar Bottinha e Ivan Busic se juntaram ao projeto, trazendo consistência e uma base instrumental que abriu caminho para o primeiro álbum lançado em 2021. Com a entrada de Andria Busic nos vocais e no baixo, a sonoridade do grupo encontrou um novo eixo, e é justamente essa formação que sustenta o coração de “Rock’N’Roll City”, single lançado com direito a videoclipe que nos leva ao um pouco da nostalgia e da evolução dos músicos ao longo do tempo. 

A abertura com “Among The Stars” já deixa claro o caminho escolhido. A música combina a vibração clássica do Hard Rock com uma entrega contemporânea que evita qualquer sensação de repetição. Os riffs dialogam com influências de cordas acústicas e peso dos grandes precursores do gênero, mas o interessante, é que o Peace Will Come transforma essas referências em linguagem própria. A voz de Andria se destaca com força e carisma, reafirmando sua capacidade de unir técnica e identidade, algo muito presente na época do Dr. Sin e agora ainda mais evidente.

As faixas “Don’t Panic” e “Lonely” mantêm a energia firme, com grooves precisos e uma presença marcante de Ivan Busic. Para os fãs do Hard Rock nacional, ouvir Ivan novamente em um projeto desse porte é reencontrar uma sonoridade que marcou gerações, agora com ainda mais refinamento. “The Song” chega com leveza melódica e clima cinematográfico, enquanto a faixa-título se posiciona como um hino urbano, vibrante e memorável. “Time Will Heal The Pain” revela nuances sensíveis, e “Digital Pollution” aborda críticas contemporâneas com peso instrumental, mas também com elementos industriais para apimentar as coisas. Em seguida, “Get Ready”, que traz uma atmosfera oitentista contagiante e “Winds of Hope” encerra o álbum com extrema sensibilidade.

O resultado final é uma obra moderna, sem perder o vínculo com a tradição que moldou a identidade dos músicos envolvidos. O Hard Rock dos irmãos Busic, tão importante para a cultura do gênero no Brasil, renasce com identidade própria dentro deste novo projeto. Para os que ainda não conhecem os projetos e realizações desta dupla, está na hora da pesquisa.

“Rock’N’Roll City” é um álbum com alma. A obra respira madrugada, asfalto, resistência e desejo. O Peace Will Come mostra que sabe compor, arranjar e narrar um Brasil onde as guitarras continuam relevantes e necessárias. Para aqueles, que como eu, acompanharam o Dr. Sin nos anos 90 e 2000, é emocionante escutar Andria e Ivan juntos novamente em um trabalho que honra o passado e aponta para o futuro com convicção. Para novos ouvintes, é um convite direto e honesto ao universo do Hard Rock feito com excelência.

Com lançamento em 27 de novembro de 2025, o álbum se firma como um dos trabalhos mais consistentes do ano para o Hard Rock/Blues Tradicional brazuca. É daqueles que se escuta uma vez e imediatamente se quer ouvir de novo, porque discos com alma não aparecem com frequência. Este certamente é um deles. Último recado: Deixem de lado o mundo invertido, por alguns minutos, e vamos celebrar o agora, que também traz a nostalgia, mas também os rumos da atualidade.

Stephanie Veronezzi - @stephanie.veronezzi



Entrevista - Alexander Krull e Elina Siirala (Leaves' Eyes): Mitos, Mudanças e Novas Sonoridades

Divulgação

Por Fernando Queiroz

Quando a cantora norueguesa Liv Kristine deixou o Theatre of Tragedy, houve muita expectativa quanto ao que viria a seguir na carreira desta que, para muitos, é a “mãe” do estilo “beauty and beast”, onde mistura-se o agressivo gutural masculino aos doces e ao mesmo tempo sombrios vocais femininos. O que veio foi o Leaves’ Eyes, banda em conjunto com seu então marido, o alemão Alexander Krull, conhecido pelo seu trabalho com o Atrocity - tradicional banda de death metal. E não desapontou. No começo, seguiram a mesma linha sonora do “gothic metal” apresentado por seu conjunto anterior, mas com o tempo, se distanciaram, chegando ao metal sinfônico, e até ao viking metal.

Por anos, a banda continuou firme e forte, sempre evoluindo nesse gênero, mas em 2016, um choque: Liv deixou a banda. Quem entrou no lugar foi a finlandesa Elina Siirala, e em 2018, veio o primeiro disco com essa nova formação, Sign of the Dragonhead. Quase dez anos após o início dessa nova era da banda, eles seguem firmes! 

Na ocasião do primeiro show dessa encarnação da banda no Brasil, em novembro de 2025, o vocalista e fundador Alexander Krull, ao lado de Elina, falaram com exclusividade ao Road to Metal sobre o passado, o presente, seus temas, carreiras, e polêmicas da época da transição de vocalistas. Confira!

Edu Lawless - @edulawless

Como você acha que a forma e a abordagem de composição mudou de quando você compunha para a Liv para agora fazendo músicas para a voz de Elina?

Alexander Krull: Eu acho que o estilo, ou o estilo, a ideia de como o Leaves’ Eyes deve soar não é focado em uma pessoa, mas como um conjunto. Mas, claro, a voz da Elina é, vamos dizer, mais “carregada”, então temos que ter noção de como é isso, e fazer as nossas composições de uma forma que ela performe da melhor forma possível - por isso, muitas vezes quando fazemos uma música inicialmente, ela está em alguma outra escala, e acabamos ajustando isso quando realmente produzimos. Mas no geral, a música e o estilo são evoluções da banda por si. Claro, isso passa principalmente pela voz.

Pois a voz é única de cada um, afinal, não como um instrumento elétrico.

Alexander Krull: Precisamente! Por isso nas nossas sessões fazemos muitas coisas de tentativa e erro em cima disso. 

Elina Siirala: E para ser honesta, minha voz mudou muito de dez anos para cá, e isso nos deu mais possibilidades de como trabalhar em cada disco.

Edu Lawless - @edulawless

Elina, o que você acha que foi mais desafiador para você quando entrou na banda e teve que cantar as músicas antigas?

Elina Siirala: Bem, eu acho que quando o seu corpo é seu instrumento, não é como reproduzir simplesmente uma música. Minha voz é muito diferente da Liv, então nunca quis soar igual, não seria o ponto. O que eu quis foi tentar tirar o melhor de mim dentro daquele estilo e me sentir bem comigo mesma cantando as músicas.

Edu Lawless - @edulawless

Alex, quando você compõe para o Atrocity e para o Leaves’ Eyes, bandas tão semelhantes em integrantes (nota: a formação de ambas bandas é a mesma, com a exceção da presença de Elina), mas distintas em estilo, como é seu preparo para fazer cada música, para não ficar realmente uma soando parecida com a outra?

Alexander Krull: É verdade, algumas coisas podem acabar se misturando! Mas acho que você tem que separar, em primeiro lugar, o pensamento em cada estilo. É como dirigir filmagem. Eu também faço roteiros e dirijo vídeos musicais e coisas assim, e o que faço é analisar a proposta de gênero da produção - coloco minha mente em um lugar quando vou dirigir um vídeo de terror, e em outro quando faço, por exemplo, um épico medieval, ou um drama. Assim fica bem claro para mim onde quero chegar.

O Leaves’ Eyes aborda bastante a coisa da mitologia nórdica, as histórias e sagas do norte da Europa. Como é para vocês irem para lugares com culturas tão distantes, e com culturas tão diferentes - América Latina e Ásia, por exemplo - e atingirem o público? Há alguma diferença de como lidam com isso para shows na Europa e shows em outros lugares?

Alexander Krull: Pensando agora assim, é realmente complicado responder. Quero dizer, nós somos como embaixadores da cultura viking. Quando vamos ao Japão, por exemplo, temos pessoas em nossos shows que entendem disso, gostam disso, imergem nisso. No Chile também tem um grupo grande que está conosco, que até participam ativamente ali no show. Isso está por todo o mundo, da Europa à Austrália e Nova Zelândia, até à América do Sul! Mas o Leaves’ Eyes vai além disso. Temos muito foco em temas como natureza - o poder da natureza -, paisagens, coisas assim.

Mas a parte legal é que os próprios vikings, na antiguidade, foram a quase todo lugar eles mesmos! Você vai achar vestígios deles em quase todo canto, como pela América; no que hoje em dia é a Turquia; na Itália, etc.

De toda forma, hoje nos vejo como uma banda realmente internacional.

Você disse, Elina, que acha que sua voz mudou bastante nos últimos anos. Como você percebe o quanto ficou mais confortável para você cantar nesse tempo?

Elina Siirala: Eu acho que no começo eu me sentia muito confortável em uma outra forma de cantar, mas houve um período que minha voz parecia uma montanha russa de tanto que variava, então tive que entendê-la de novo, e desde então sinto que está muito, muito melhor. Sinto que estou no meu melhor momento, e que posso usar minha voz de formas muito diferentes, e isso me dá mais oportunidades de criar. Antes, eu queria fazer algo, mas sentia que não conseguia, e hoje tenho certeza que consigo de muitas formas. E a cada dia venho achando mais e mais possibilidades, e isso é ótimo! Não é como se eu fosse fazer guturais (risos), mas vejo mais possibilidades.

Alexader Krull: Deixe essa parte comigo (risos)! Mas é muito bom ver isso pessoalmente, em especial quando estamos em estúdio. É muito legal achar essas novas facetas em nossas vozes enquanto trabalhamos. Nos ajuda a criar.

Elina Siirala: Mas, claro, nossa voz é nossa voz, e ela nunca vai realmente ser muito distante daquilo.

Edu Lawless - @edulawless

Quando a nova formação foi anunciada, houve alguma desconfiança quanto à banda. Como vocês lidam com pessoas muitas vezes mal educadas, que por ventura falaram mal da Elina, ou da banda como um todo?

Alexander Krull: Essa eu sei responder bem facilmente, na verdade. Em especial, eu sei o quão acalorado isso foi no Brasil e na América Latina em geral. Haviam grupos aqui nos amando, nos odiando, e sei que é assim com outras bandas também. Bem, para mim, existe uma coisa muito importante, que é ‘família em primeiro lugar’, e o meu filho é minha prioridade número um. Bem, até um certo momento, estava tudo bem, nós só ficávamos falando “por favor, Elina, não leve isso que estão falando a sério”, pois é normal essa desconfiança. 

Enquanto houve respeito, estava tudo bem. A única coisa que realmente não gostei foi quando falaram sobre meu filho. Ele morava comigo, na verdade ainda mora. E eu não aceito que pessoa nenhuma, não importa de onde quer que ela seja, fale sobre meu filho. E foi isso que me chateou, quando pessoas entraram em contato com ele, e sem saber de nada, começaram a contar todo tipo de contos de fada para ele! Pois essas histórias que inventaram sobre (o divórcio com Liv e separação da banda) são completamente falsas. Eu entendo que algumas pessoas ficaram frustradas com a mudança, ou que simplesmente precisassem de algum tempo para se acostumar com outra pessoa cantando. Isso é bem justo, e eu concordo. Mas a causa da mudança foi completamente clara desde o começo, e nós somos muito gratos de ter encontrado a Elina para cantar conosco.

Elina Siirala: Para mim, igualmente, está tudo bem se alguém prefere uma ou outra vocalista. É perfeitamente normal! Criticar o como canto, nossa música, é perfeitamente justo. Mas há uma hora que as pessoas falam coisas que eu nem sequer consigo levar a sério, de tão ridículas que são. Mas sendo sincera, eu nunca senti tanto alguma negatividade - onde quer que eu vá, as pessoas são sempre muito legais comigo, me apóiam, me dão carinho. Quase ninguém me escreveu xingando ou algo assim. Não senti nada muito pesado.

Edu Lawless - @edulawless


Vocês ainda não têm uma gravação ao vivo oficial, um disco ao vivo, com a Elina. Isso está nos planos?

Alexander Krull: Bem, sabe que agora que você mencionou, eu acho que não tinha pensado nisso, e é verdade! Realmente, precisamos de um registro assim. Tem algumas questões contratuais com gravadoras em relação a alguns álbuns anteriores lançados por outro selo, e coisas assim. Isso é algo que precisamos resolver, mas é uma ótima ideia.

E já há alguma ideia de gravarem um novo álbum?

Alexander Krull: Sim! Na verdade, estamos trabalhando nisso agora mesmo. Saímos do estúdio direto para a América do Sul. Vamos lançar um EP novo, inclusive. Apresentaremos uma música inédita aqui, pela primeira vez! Antes mesmo de tocar na Europa, apresentaremos aqui! (nota: a música chama-se Song of Darkness, e foi apresentada pela primeira vez na Colômbia, e logo depois no Brasil).