quarta-feira, 29 de março de 2023

Angra Fest – 26/03/23 – Araújo Vianna – Porto Alegre/RS

Cobertura por: Renato Sanson

Fotos: Glauco Malta

Um belo domingo de sol e um grande festival para ir dando adeus ao mês de março. Assim foi o domingo do dia 26/03 na capital gaúcha com a chegada do ANGRA FEST e sua última data da tour com as bandas: VIPER, MATANZA RITUAL e claro o próprio ANGRA, que está celebrando os seus 30 anos de carreira.

O local escolhido para o show foi o fantástico Araújo Vianna, e ao chegar ao local já nos deparamos com uma fila gigantesca o que mostrou que teríamos casa cheia! Nada mais justo para o calibre do evento e das bandas que estariam no palco em seguida.

A primeira banda a subir ao palco foi a lenda VIPER apresentando a sua nova formação, que além dos eternos Felipe Machado (guitarra), Pit Passarell (baixo/vocal) e Guilherme Martin (bateria) tiveram a adição do guitarrista Kiko Shred e o do excelente vocalista Leandro Caçoilo.

Under the Sun” – música que estará presente no novo álbum – abre os trabalhos e já mostra a força do “novo” Viper, e o que podemos ver foi uma banda entrosada e acima de tudo extremamente feliz em cima do palco.

A trinca que viria a seguir foi de tirar lágrimas: “Knights of Destruction”, “A Cry from the Edge” e “Evolution”, mostrando a grande versatilidade de Caçoilo com ótimos duetos com Pit e com Kiko mostrando toda a sua destreza e técnica apuradíssima.

O carisma do Viper é incrível em palco, Pit é uma figuraça e a banda num geral encanta a todos com sua simplicidade e carisma. Era chegada a hora do maior clássico da banda, Caçoilo fala da importância do eterno Maestro Andre Matos e pede para um dos fãs da plateia levantar a camiseta que estava em mãos com o rosto de Andre e disse que nada disso seria possível sem ele, a sua obra e sua influência. E que agora queria ajuda de todos para cantarem para o Andre Living for the Night”, onde o vocalista desceu do palco e cantou junto com os fãs na grade, sensacional!

Tivemos ainda a música preferida de Pit a incrível “Prelude to Oblivion”, assim como “Coma Rage”, “To Live Again”, “Rebel Maniac” e o encerramento com o cover de “We Will Rock You” do Queen.

Uma apresentação maravilhosa e que deixou os fãs encantados e sedentos por mais Viper na capital gaúcha!

Após uma breve troca de palco era hora das mesas de bares quebrarem, de cadeiras voarem e muita cerveja rolar! Estou falando do MATANZA RITUAL e o super time que acompanha Jimmy London. Pois após a sua saída do Matanza, Jimmy montou a sua versão com músicos consagrados da cena nacional, tendo em suas lacunas: Antônio Araújo do Korzus na guitarra, Amílcar Christofáro do Torture Squad na bateria e Felipe Andreoli do Angra no baixo. Mas para as datas do Angra Fest, quem assumiu os graves foi baixista Juninho do Ratos De Porão.

Nada mal hein, esse time do Jimmy não é?  

Para iniciar o Matanza Ritual não poupou esforços e “O chamado do bar”, “Meio psicopata” e “Remédios demais” transformaram o Araújo Vianna em um verdadeiro pandemonium. É incrível como a figura de Jimmy traz energia e a sonoridade do Matanza Ritual contagia, pois era impossível ver alguém parado no show dos caras, e olha, que eu não sou fã de Matanza, mas dou o braço a torcer pela energia que entregam aos fãs. Fazendo um show empolgante e sim, pesado e agressivo, já que os músicos que o acompanham dão aquela pequena “envenenada” na sonoridade, e trazem um pouco mais de agressividade.

Eu não gosto de ninguém” também deixou todos ensandecidos, assim como “Mulher diabo” e o seu maior clássico: “Ela roubou meu caminhão”. Se não fossem as cadeiras da casa de show, certamente teríamos uma roda gigante com muito headbanging.

Ao total foram 19 músicas, mais o solo de bateria do monstro Amilcar. Lavando a alma dos fãs de Matanza e de Jimmy London, que teve a plateia em mãos a todo o instante.

Passados das 22h era hora do ANGRA entrar em cena e nos trazerem o show de comemoração de 30 anos de sua carreira.

As luzes se apagam e “Newborn Me” ecoa nos PA’s e o Angra está ali presente mais uma vez em Porto Alegre! Fabio Lione é um Maestro e o “novo” Angra se mostra tão bom quanto as versões anteriores. Pois, a adição de Fabio nos vocais, Bruno na bateria e Barbosa na guitarra mostra todo um novo potencial e novas possibilidades sonoras a serem exploradas pela banda.

O que chama a atenção é que a cada novo lançamento novos fãs chegam e as músicas parecem já clássicas quando executadas ao vivo. O setlist transitou entre clássicos inesquecíveis como “Nothing To Say”, “Angels Cry” e “Rebirth”, assim como novos clássicos: “Travelers of Time”, “Black Widow's Web” e “Magic Mirror”.

A interação da banda com o público foi incrível e Lione muito carismático e comunicativo com todos, sempre brincando e instigando os presentes. Ao meio do show tivemos o momento acústico, onde Rafael subiu ao palco sozinho e tocou a composição mais antiga do Angra conforme o mesmo falou, a bela “Reaching Horizons”. Para em seguida falar da importância de todos os membros que já passaram pela banda e que eles não existiram se não fossem todos eles, mas em especial uma pessoa, que já não está mais entre nós o nosso eterno Andre Matos.

Rafael ressaltou a importância do Andre e do Viper, pois se não fosse ambos, o Angra jamais existiria e a próxima música era pra ele, chamando ao palco Lione e executando uma versão lindíssima de “Make Believe” (a música favorita desse que vós escreve) um momento muito emocionante e intimista com todos. No mínimo maravilhoso!

O set ainda contou com algumas músicas que não figuram costumeiramente em seu setlist, como “Ego Painted Grey” – que Lione ressaltou que é um som incrível e não entende o porquê de não estar sempre no set –, “Lisbon”, “Late Redemption” – em uma versão muito boa com Fabio cantando em português – ,“Lease of Life” e “Bleeding Heart” uma das baladas mais lindas do Heavy Metal mundial.

A finaleira como já é de costume: “Carry On” e “Nova Era”. Clássicos absolutos de eras diferentes, mas que trazem toda a essência do seu sucesso.

Antes de finalizar, Rafael chamou o Viper e o Matanza Ritual ao palco para uma jam e tivemos “Wasted Years” do Iron Maiden e uma homenagem ao eterno baixista do Raimundos o grande Canisso, onde o clássico “Quero ver o oco” foi executado com Jimmy e Antônio Araújo nos vocais.

Único ponto de ressalva fica para o som nesta noite que em muitos momentos o grave tomava conta e escondia alguns instrumentos em determinados momentos. O que aconteceu mais vezes no show do Angra, assim como também alguns problemas técnicos na guitarra de Bittencourt que foi sanado no decorrer do show.

Porém, nada que tirasse o brilho desta grande noite em nome do som pesado nacional. A capital gaúcha agradece e espera ansiosamente as novas edições do Angra Fest!

 

 

 

 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Kamelot: "The Awkening" traz grandes momentos em meio a cancões "mais do mesmo"

 


Em seu novo álbum o Kamelot traz uma continuidade do que vinha fazendo nesta era com Tommy nos vocais, porém com um plus de qualidade com relação aos dois últimos trabalhos, com composições muito boas, mas peca por alguns excessos, o que torna certos momentos repetitivos, e cansativos, e não conseguiu manter a régua alta em todas as músicas de "The Awakening".

O início é excelente, com a grandiosa e empolgante "The Great Divide", precedida pela intro "Overture". Dinâmica, com melodias marcantes e base pesada, variações bem estruturadas e remete aos melhores momentos do Kamelot, com a dramaticidade característica.


A sequência com "Eventide" é ainda melhor, trazendo ótimas expectativas para o restante. Ela traz peso nos riffs e cozinha, destacando as belas melodias no teclado e um refrão marcante e melodioso. Tommy está mostrando mais de sua personalidade, parecendo mais solto. Esta é um bom exemplo de que valorizar mais as melodias e não encher demais as canções de elementos, pode ser bem mais positivo.

A seguinte, "One More Flag on The Groud" dá uma freada na empolgação, não que seja uma má composição, mas não traz nada muito memorável, e soa meio repetitiva.

"Opus of The Night (Ghost Réquiem)" eleva a régua novamente, com belos arranjos sinfônicos, grandes melodias vocais (inclusive backing vocais femininos que encaixaram muito bem no dramático refrão). Temos aqui a convidada Tina Guo (violoncelista talentosa, já conhecida por seus vídeos no YouTube, indicada a Grammy e elogiada por Hans Zimmer), que contribui com a dramaticidade da música,trazendo um algo a mais nos arranjos. Tina também participa da balada "Midsummer's Eve", que vem na sequência. Com arranjos suaves, mas que carece de ganchos memoráveis. 

Tina Guo, convidada especial, com seu talento destacado no cello

"Blood Moon" e "Nightsky", são ok, mas sem muito brilho, seguindo a linha Power Sinfônico. mas aquele porém de pecar em alguns elementos repetitivos, e não ter grandes ganchos. A primeira ainda traz uma batida e refrão bem "acessíveis".

"The Looking Glass" vem para trazer o sorriso novamente para o rosto, com uma melodia de teclado muito bonita e marcante, traz ótimas linhas de Tommy, cantando com muita personalidade e emoção. Ótimo exemplo de que os caras são ainda capazes de construir canções com melodias memoráveis.

Na sequência, "New Babylon", com Melissa Bonny (Ad Infinitum) como convidada nos vocais, chega com grandiosas orquestrações e arranjos vocais. Traz aquele ar de trilha sonora, dramaticidade e boas variações, inclusive tendo um trecho mais pesado e com vocais guturais. Instrumental intrincado, mas valorizando as melodias.


"
Willow" é uma balada sem grandes atrativos, outra que falta ganchos marcantes. "My Pantheon (Forevermore)" é a música com mais peso e agressividade do álbum, trazendo intervenções sinfônicas e melodias, certa dramaticidade, mas também carecendo de momentos memoráveis. Em contra partida, gostei da variação nos vocais de Tommy 

Fazendo um trocadilho infame, o novo álbum pode ter sido um despertar para o que a banda pode produzir de melhor, como em "The Black Halo" ou "Silverthorn", os destaques de "The Awakening" mostram isso. Creio que é um álbum que deixa os fãs, mesmo que alguns parcialmente, satisfeitos, e até gerando novamente interesse dos menos aficionados pela banda.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Lançamento Napalm Records/Shinigami Records 

Kamelot é:
Tommy Karevik: vocais
Thomas Youngblood: guitarras
Oliver Palotai: teclados
Alex Landenburg: bateria
Sean Tibbetts: baixo


TRACKLIST


1. Overture (Intro)

2. The Great Divide

3. Eventide

4. One More Flag In The Ground

5. Opus Of The Night (Ghost Requiem)

6. Midsummer's Eve

7. Bloodmoon

8. Nightsky

9. The Looking Glass

10. New Babylon

11. Willow

12. My Pantheon (Forevermore)

13. Ephemera (Outro)





quarta-feira, 22 de março de 2023

Entrevista - Leo Mancini: 62 shows em 31 datas!


Leo Mancini é aquele tipo de músico que não para de produzir, estando envolvido em diversos projetos ao mesmo tempo. Essa característica parece vir desde seu início na música, pois aos 9 anos já aprendia violão, inclusive tendo aulas com sua irmã, e depois o próprio ensinando amigos e colegas de escola.

Leo foi desenvolvendo sua técnica, construindo uma bela carreira, como músico, compositor e produtor, tendo trabalhos com bandas como Tempestt, Shaman, Noturnall, Spektra, Wizards e um projeto solo com releituras acústicas de clássicos do Rock e Pop, além de acompanhar artistas como Jeff Scott Soto e no momento desta entrevista estava fazendo o 19° show da tour de Paul D'ianno pelo Brasil, tocando com o Noturnall e na banda de apoio do ex-vocal do Iro Maiden.

Aproveitamos a passagem de Leo pelo RS para falar sobre essa extensa tour de 31 shows por vários estados do Brasil, e claro, sobre os seus demais projetos. Confira!

RtM: Fala Leo! Só tenho a te agradecer por essa oportunidade de te entrevistar. Você é um músico que já está há muito tempo na estrada, tocando com várias bandas. Spectra, Wizards, essa tour com o Noturnall e está também com o Jeff Scott Soto. Como é pra ti lidar com tudo isso em termos de agenda, tuas aulas e carreira solo?

Leo Mancini: Fala irmão, tudo bom cara? É assim, o Wizards eu voltei pra banda na pandemia que a gente estava ali enclausurado, né? Então estávamos fazendo o álbum. Cada um fez na sua casa. Foi uma coisa bem remota mesmo, mas a gente se falava direto e tal. E aí, quando passou tudo, pintou uns convites de shows. Eu já tinha gravado com eles há muito tempo atrás, né? Em 2010. Lançamos o álbum “The Black Night”, mas não chegamos a tocar ao vivo naquela época.

Só agora que comecei a fazer shows com o Wizards, e temos o Abril Pro Rock logo mais, então, por enquanto a agenda não está muito complicada. Estou com o Spektra também. Já estamos gravando e compondo o álbum novo. E já temos algumas coisinhas de shows para fazer agora no começo do ano. A agenda não está muito complicada. 

Eu tenho o meu trabalho autoral, autoral não né, são de releituras dos anos 80 e 90, que são acústicos, que eu faço bastante eventos em São Paulo.

Vira e mexe, pinta eventos assim para empresas ou eventos sociais. Estou bastante movimentado em relação a isso. E é isso aí irmão (risos), tem a agenda com o Jeff também. Às vezes pinta uma turnê, porque tipo, ele tem vários trabalhos pra gente tentar acertar tudo durante o ano, então por enquanto tá rolando.


RtM: E agora essa tour com o Noturnall, com vários shows em pouco tempo. 

LM: O Noturnall, o Thiago me chamou para fazer essa turnê. Como o meu começo de ano estava bem tranquilo, eu aceitei fazer a turnê com eles. Não é uma volta, a gente está conversando, mas no primeiro momento eu estou como uma participação especial na banda. 

Eu já fui do Noturnall, já fiz três álbuns, DVD dos caras e fiquei super feliz de fazer um som de novo com o Thiago, que fazia tempo que a gente não tocava junto com os meninos. 

RtM: Um ponto que eu não poderia deixar de citar foi o que eu conversei contigo pessoalmente, que eu te vi ao vivo pela primeira vez com o Shaman, na segunda formação da banda, onde não tínhamos um público tão grande no evento. Mas tu tocou com uma alma, uma garra absurda. 

Aí depois te vi agora na turnê com Paul Di'Anno, com a casa lotada e tu estava na mesma garra, na mesma fissura, na mesma emoção. Cara, como surge isso em ti? Como é pra ti lidar com isso, sabe? Porque é visível para quem está te olhando, que não importa se tem 20 pessoas ou 5000.

LM: Ah, cara, música pra mim é uma coisa que transcende. O lance do público, que, na verdade não é quantidade de público para mim, é o que o público está passando pra gente. 

Então às vezes você tem poucas pessoas que estão tão felizes de estar lá e que é só olhar na cara e saber que o pessoal tá curtindo. Cara, isso aí já é o máximo! Muito bacana isso. E quando tem muita gente é muito bacana também é muito legal. Mas entre poucas pessoas curtindo muito e muitas pessoas curtindo pouco, eu prefiro a primeira opção (risos).

RtM: Sem demagogia e deixando de lado aqui a minha imparcialidade como jornalista, mas na minha humilde opinião você é um dos melhores guitarristas do mundo! Técnica absurda, criatividade, melodia... Aí eu te pergunto: como é viver da música no Brasil? 

LM: Pra mim foi uma escolha muito cedo. Quando eu era bem molequinho, comecei a estudar guitarra. Eu já tocava violão desde os nove. Minha irmã me dava aula. Aí depois peguei a guitarra e eu amava aquilo. Não tinha internet, não tinha nada. Ficava escutando as músicas, tirando as coisas de ouvido, Ramones, Van Halen... Ficava tentando tirar as manhas em uns trechinhos que eu conseguia. Ali não tinha muita acessibilidade técnica. 

E como eu desenvolvi muito, ficava muito tempo a guitarra na mão eu comecei a ensinar alguns amigos de escolas. Então eu comecei a ensinar com 13 anos! As mães dos meus amigos de colégio me chamavam para dar aula para os próprios filhos. Comecei então a dar aula particular. Com 13, 14 anos eu ganhava um dinheirinho já e comecei a trabalhar com isso. Aí fui crescendo. Quando terminei o terceiro colegial eu já estava com uns 26, 27 alunos. Eu dava muita aula e comecei a trabalhar com isso muito cedo.

Mas também fiz vários cursos, fiz cursos com maestros e comecei a trabalhar. Dei aulas de música já muito cedo em escolas de música. Para mim trabalhar com música foi algo que foi acontecendo, foi vindo. 

Eu ganhava muito bem, eu morava com os meus pais, e eu só tinha que dar aula e ajudar em casa, já tinha dinheiro pra pagar as minhas coisas. Comprei um carro à vista. Depois comecei a tocar na noite e hoje em dia eu faço de tudo. Então eu canto, faço releituras, faço shows meus, eu tenho shows com as bandas de heavy metal, eu sou produtor musical.

RtM: E é possível ainda viver da música? Ou é um tabu muito grande?

LM: Bem, na música praticamente tenho cinco vertentes ali que me possibilitam bastante campo de trabalho. Por exemplo, pandemia dei aulas on line de percepção de violão, de guitarra porque tinha bastante aluno. Não passei perrengue, graças a Deus. Agora tenho muitos amigos que trabalhavam na noite e ficaram com muitos respaldos. O que eu sugiro para o pessoal é ampliar realmente o campo de trabalho na música, que é possível sim.

RtM: Atualmente você está numa turnê mega extensa com o Noturnall e o Paul Di'Anno. Como surgiu esse convite? 

LM: Cara. Sim, o Thiago no final do ano passado me chamou, perguntou se eu não queria fazer essa turnê de 31 shows. E eu com vontade de voltar à ativa no rock, porque eu estava tocando muito, fazendo muitos eventos fora do rock/metal, e estava com a minha mão meio parada para fazer shows, estava com a técnica meio esquecida ali, né? Eu falei poxa, uma oportunidade de eu voltar a tocar guitarra e desenferrujar, estudar. Aí ele me passou que iam tocar algumas coisas novas, né? E aí era a fase com o Mike Orlando. O Orlando é um monstro, muito técnico!

Então para tocar aquilo lá, eu comecei a estudar muito. Fiquei muitas horas estudando durante as férias. Minha esposa é argentina, eu fui para a Argentina e fiquei estudando lá umas quatro horas por dia, todo dia, porque eu tenho tendinite nos dois braços. Tenho tendinite crônica. Para chegar ao nível de tocar ao vivo as músicas antigas da Noturnall também, que não são fáceis e as novas tive que preparar muito minha mão para não travar. 


RtM: E Como foi o combinado para participarem da tour e serem a banda de apoio de Paul? Porque vocês pegaram essa situação meio que em cima da hora e o Paul não estava aqui para ensaiar também, o que dificulta um pouco.

LM: Sobre o Paul, eu já escutava os álbuns e a gente já era muito fã, e acabou sendo mais fácil tirar e fazer as coisas do Paul do que as coisas com o Noturnall. Até aí tudo bem. Aí quando foi chegando próximo da data dos ensaios e tal, a gente começou com uns problemas de ele pegar o avião pra vir pra cá. O Paul acabou perdendo dois voos nesse período. Estávamos preocupados se conseguiríamos ensaiar ou não. 

Foi bem complicado. No começo foi bem tenso mesmo, porque como a gente não tinha ensaiado e realmente ele não chegou em um estado de saúde muito bom tivemos alguns problemas lá no comecinho da turnê e a gente foi resolvendo ao longo dos shows. Nosso primeiro show foi tenso demais, deu muita coisa errada, tanto de parte técnica, como parte médica para ele.

RtM: Imaginamos mesmo que foi tenso, e logo após o primeiro show muitos comentários surgiram, até  temendo a continuidade da tour.

LM: Nossa! foi bem tenso, mas depois começou a melhorar e agora ele está bem! No começo nos perguntávamos se ele ia conseguir fazer metade da turnê pelo menos ou então a gente achava que não ia passar da primeira semana. E aí, cara, aqui no Brasil ele começou a ter mais atenção dos médicos e ele começou a melhorar de saúde. E ele está cada vez melhor!


RtM: Claro que alguns erros eles vão acabar acontecendo, ainda mais quando se pega uma turnê tão grande e tendo que ensaiar dois sets. Um do Iron Maiden e um set da banda que tu estás agora. Assim como os outros integrantes tem essa dificuldade. O set deles, mais o set do Paul Di'Anno e entrosar tudo isso. Nesse momento da turnê tu acha que estão no ponto ideal do entrosamento?

LM: Agora está tudo certo. Às vezes dá uma rateada porque você não está escutando muito bem a parte de retorno. Nesse último show eu senti algumas coisas de volumes para mim não estavam muito boas. Então você depende, por exemplo, do outro guitarra para escutar o que ele está fazendo para você fazer um duo ou nos grids, para todo mundo estar fazendo exatamente a mesma coisa. 

A única coisa que pode acontecer é ter que dar alguma modificada e uma passadinha de som, melhor, quem sabe? Mas de resto a banda tá muito legal, o Paul está super feliz, a gente também está super tranquilo. O Paul está cantando cada vez melhor, né? A gente fica muito feliz por isso. No começo foi muito tenso, mas agora está tudo certo. (Nota: Foi confirmada nova tour do D'ianno no Brasil ano que vem. Ele também permanecerá mais um tempo no país em tratamento de saúde.")


RtM: Finalizando, te agradeço pelo teu tempo. Sei que não é fácil estar ao meio de uma turnê e se disponibilizando a responder essa entrevista. Muito obrigado mesmo. Pra nós é uma honra ter as tuas palavras em nosso site e o espaço final é seu!

LM: Ahhh legal irmão, Obrigado! Eu que agradeço o espaço e a oportunidade de mostrar um pouco do meu trabalho. Cara, esse ano tem um álbum novo da Spektra que a gente vai terminar. Acho que até setembro finalizamos. 

Em relação ao Wizards também. O Christian fica compondo e está querendo gravar um outro álbum. Vamos ver aí como é que vai ser. A Noturnall está sendo uma experiência muito boa agora para voltar à técnica. De volta aos palcos com meu irmão Thiago, que eu gosto muito de fazer um som com ele, meu irmãozinho. E, cara, eu tenho meu trabalho de releituras os acústicos. 

Eu vou lançar um show ao vivo que eu fiz com orquestra Baccarelli na pandemia. Fizemos uma live na época e eles gravaram todos os canais. Eles me passaram tudo e eu produzi. O álbum será o “Acústico Hits In Concert”, com a orquestra de Baccarelli que é a orquestra de Heliópolis, que é muito bacana.

Logo mais vou lançar tudo isso aí e com o Jeff Scott Soto vou fazer algumas coisas também. É isso aí mano. Vamos trabalhando e te agradeço pelo belo espaço aí. Um abração para todos!


Entrevista conduzida por Renato Sanson
Edição e Revisão Final: Caco Garcia
Fotos: Divulgação e Arquivo Pessoal do Artista





segunda-feira, 20 de março de 2023

Sonata Arctica – 15/03/23 – Bar Opinião – Porto Alegre/RS

Cobertura: Renato Sanson

Fotos: Uillian Vargas

Três anos se passaram após o primeiro anuncio da tour de 25 anos dos finlandeses do Sonata Arctica. Isso devido ao Covid-19 e seus impactos globais. Porém, finalmente em 2023 a banda conseguiu desembarcar para a sua turnê Sul-Americana e Porto Alegre não ficou de fora.

Mas antes, tivemos como open act a banda paulista Firewing, que está acompanhando o Sonata nesta tour e divulgando o seu Debut “Ressurrection” (21). A proposta é um Metal Melódico com bons toques de Prog e Heavy Tradicional, com linhas bem marcantes e melodias que grudam. A banda como um todo é extremamente competente no que se propõe e deixaram uma ótima impressão aos gaúchos.

O som do Firewing também estava ótimo, uma produção bem profissional o que deu ainda mais impacto para a apresentação.

21h em ponto as luzes se apagam e a intro clássica do Sonata Arctica ecoa nos PA’s ao som de “Bright Side of Life” do Monty Phyton, com uma ambientação belíssima na cor azul, um a um dos músicos vão subindo ao palco e despejam logo de cara “The Wolves Die Young” para o público ir a loucura.

Mesmo se passando três anos desde a primeira data marcada, o Bar Opinião recebeu um excelente público, mostrando o quanto os fãs do Sonata são fieis e deixando a banda mais que contente ao ver a casa cheia.

Mantendo os clássicos da atualidade, tivemos em sequência “The Last Amazing Grays” e “Storm the Armada” e mostra o quanto os finlandeses se renovaram com o passar dos anos, não se prendendo mais ao Power Metal do passado, mas adicionando diversos elementos a sua musicalidade e angariando novos fãs pelo mundo.

O tempo acaba sendo implacável e é visível na banda que aqueles jovens despretensiosos de outrora estão com traços avançados da idade e de sua rotina intensa de shows, mas é nostálgico quando Tony Kakko joga suas linhas vocais e me remete aos meus anos áureos de adolescência, e se torna emocionante estar ali podendo reviver mesmo que por alguns instantes momentos tão bons.

Atualmente o Sonata Arctica é formado por: Tommy Portimo (bateria), Henrik Kingenberg (teclado), Pasi Kaupinen (baixo), Elias Viljanen (guitarra) e Tony nos vocais. Uma formação já estabilizada a alguns anos o que traz maior segurança e entrosamento ao vivo.

Porém, não posso deixar de mencionar um ponto em questão, que foi a qualidade sonora da apresentação, que estava nítida, mas extremamente alta e com os teclados sobrepondo as linhas de guitarra. Por algum momento ficou claro o desconforto de Elias, pois parecia que nem ele mesmo estava se ouvindo.

Não sei o que acontece nos shows da banda, mas é a segunda vez que os vejo ao vivo e o mesmo problema persiste. Pois vamos concordar, um dos grandes destaques do Sonata sempre foram os riffs e os solos que se diferenciam ao meio de toda a camada sinfônica e que levou os caras a ganharem o mundo. Quando iniciaram “Kingdom for a Heart” e “Black Sheep” (surpresa no setlist) ficou aquela sensação de vazio, pois não conseguíamos ouvir os riffs e os solos incríveis destes dois clássicos.

Mas momentos marcantes não faltaram como em “Fullmoon”, “I Have a Right”, “The Cage” e a belíssima “Tallulah”.

Ao final Tony falou sobre toda essa questão da pandemia e esses três anos de espera que não foram fáceis para eles também. Seja pela duvida de como o mundo artístico seguiria e pela questão de saúde dos fãs e familiares. Se demonstrou muito emocionado e feliz pelos fãs não terem desistido e segurado os seus ingressos até o momento de revê-los. No mínimo sensacional as palavras, o que arrancou ainda mais aplausos. Por mais que não seja o melhor vocalista do mundo ao vivo ou tenha a melhor das performances, Tony é extremamente carismático e ganha os fãs pela sua simplicidade e simpatia.

Mais um show do Sonata é concluído em solo gaúcho e deixa claro que aqui é parada obrigatória dos finlandeses em suas próximas turnês. Um ótimo show, um ótimo público e mais uma bela noite de Heavy Metal na capital gaúcha.

Setlist:

01 The Wolves Die Young

02 The Last Amazing Grays

03 Storm the Armada

04 Paid in Full

05 Sing in Silence

06 Kingdom for a Heart

07 Caleb

08 Closer to an Animal

09 Black Sheep

10 Broken

11 I Have a Right

12 Tallulah

13 FullMoon

14 The Cage

15 Don't Say a Word

 

 

sábado, 11 de março de 2023

White Skull: Renovado e Autobiográfico

 


Fundado em 1988, a banda italiana White Skull tem em sua dupla central Tony Fontò e Federica De Boni a sua grande força motriz, com o grupo tendo excelente repercussão com seus terceiro e quarto álbuns, "Tales From The North" e "Público Glory, Secret Agony", lançados em 1999 e 2000 respectivamente.

Por questões pessoais Federica teve que mudar-se para os EUA em 2001, deixando o WS, que seguiu lançando bons álbuns, tendo nesse período de 2001 até final de 2010 o Argentino Gus Gabarrò (2001 a 2007) e a italiana Elisa de Palma (2007 a 2010) nos vocais.

Apesar dos bons trabalhos sem Federica, com ela parece que a energia é outra, e o White Skull lançou 3 álbuns desde seu retorno, tendo um hiato relativamente grande entre os muito bons "Under This Flag" (2012) e "Will of The Strong" (2017). 

O terceiro álbum após o retorno de Federica foi lançado ano passado, "Metal Never Rusts",o primeiro pelo selo ROAR. O disco foi sendo concebido durante o período em que a banda estava trabalhando no livro sobre a sua história, o que inspirou-lhes a compor as músicas.

Portanto, após álbuns conceituais falando sobre os vikings, império romano, santa inquisição e outras lendas e fatos históricos, "Metal Never Rusts" tem como conceito a história da banda e devoção pelo Metal, e o título é muito adequado, demonstrando esse amor que eles possuem pelo Heavy Metal.

Na capa uma bela homenagem a frontwoman da banda, trazendo-a personificada como uma shield-maiden, afinal é uma guerreira do Metal e a figura central do White Skull, pois sem a voz dela a banda perde muita identidade.

"Metal Never Rusts" traz uma banda com energia renovada, e coloco o álbum logo abaixo dos seus dois melhores discos, o "Tales..." e o "Públic Glory...". A sonoridade traz as características que mais agradam aos fãs do grupo, e acredito que também agrade aos aficionados pelo Heavy Metal naquele estilo dos álbuns mais épicos do Grave Digger, por exemplo 

Liderado pela voz marcante, por vezes áspera, mas que também sabe andar por caminhos mais limpos, e cheia de energia de Federica, o White Skull nos apresenta um Heavy Metal com nuances épicas e sinfônicas e doses de Power Metal, tendo um uso bem dosado dos teclados, que neste álbum aparecem bem mais, e claro, o que não pode faltar num disco de Metal, um bom trabalho das guitarras, com riffs marcantes e bons solos, tendo boas doses de virtuose quando necessário. 

Nota-se o cuidado de ter riffs, melodias e refrãos marcantes, além de corais de vozes que dão aquele ar épico em várias passagens, juntamente com as melodias do teclado, que em alguns momentos traz uma característica mais sinfônica. 

Como ressaltei antes, "Metal Never Rusts" me remeteu aos melhores álbuns da banda, com um Metal que dosa muito bem velocidade, melodia e trechos épicos, com aqueles refrãos que ficam na mente. Bom, e a letra, assim como em todo o álbum, é de declarações de amor ao Metal, e de situações que a banda passou nesses anos de estrada. E o que Federica prega nesta letra é a pura verdade, quando tudo está uma porcaria, basta apertar o play e colocar um bom heavy metal pra rodar que a mente alivia.

"Skull in The Closet" é veloz, com os teclados aparecendo bastante e trazendo um ar bem sinfônico; "Black Ship", alterna peso e melodia entre passagens mais velozes e outras mais cadenciadas, com nuances épicas e medievais, e um refrão bem melódico e com aqueles coros de vozes, estilo Accept.

"Pay to Play" é um Metal direto e que dá uma cutucada num fato corriqueiro, que muitas bandas iniciantes ou que buscam se colocar melhor no cenário, se deparam, que é ter de pagar pra tocar abrindo algum show ou tour de bandas maiores. Tem até uma citação ao tema principal de "O Poderoso Chefão".

"Scary Quiet", alternando velocidade e melodia, traz a participação de Chris Boltendahl, que se tornou um grande parceiro da banda, inclusive produzindo e participando do "Tales From The North". Aqui ele e Federicam bradam que a vida no Metal é sempre alta e nos faz sentir completos. E fechando, a balada pesada e épica "Weathering The Storm".

O autobiográfico "Metal Never Rusts" traz o White Skull em uma excelente forma, tendo como leve diferença uma presença maior dos teclados, e traz ótimos momentos em um álbum carregado de energia metálica, com muito bom trabalho nos riffs e refrãos, e claro, e os vocais marcantes de Federica, que trazem muito do estilo de Boltendahl. Particularmente, amei o álbum, tendo o colocado na minha lista de melhores de 2022.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação e arquivo da banda

Banda: White Skull
Álbum: "Metal Never Rusts" (2022)
Estilo: Heavy Metal, Epic Metal, Power Metal
País: Itália
Selo: Rock of Angels Records

Tracklist

"Hammer On Thin Ice”

“Metal Never Rusts”

“Skull In The Closet”

“Black Ship”

“Heavily Mental”

“Scary Quiet”

“Ad Maiora Semper”

“Jingle Hell”

“Pay To Play”

“Weathering The Storm” 


White Skull é:

Federica Sister De Boni – Vocals

Tony Mad Fontò – Rhythm Guitar

Valentino Francavilla – Lead Guitar

Alexandros Muscio – Keyboards

Jo Raddi – Bass

Alex Mantiero – Drums


Convidados no Álbum:

Chris Boltendahl (Grave Digger) – Special Guest vocal em “Scary Quiet”

Marzia Fontana, Francesca Battistini, Irene Trinca, Fabio Simonato, Rossano “Ross” Casarin, Dario Cisotto, Edoardo “Dodo” Fusaro (background vocals)