sábado, 6 de março de 2021

Mr. Sleazy: Synth Rock e AOR de Qualidade

 


"All or Nothing" sai sob o nome do grupo Mr. Sleazy, alcunha do  baterista e multi instrumentista italiano Roberto Gambuti. Ele finalmente arregimenta uma line-up fixa com o frontman Christian Demichelis cantando de cabo a rabo as 9 faixas. Antes disso, diversos vocalistas interpretaram suas canções.

Não há mistério no conteúdo aqui. Temos uma sonoridade fundindo conceitos dos principais grupos AOR dos anos 80, nisso saem fusões inusitadas desses gigantes do rock farofa. Ainda que respeitando o formato aparado desse segmento, os artistas parecem muito à vontade na hora de atuarem. As guitarras e bateria por exemplo dentro do formato previsível evitam ao máximo a monotonia, sempre atacam aqui e ali trechos das composições.

As letras permanecem nos chavões desse tipo de música: Relacionamentos fleumáticos, versos cheios de insinuações sexuais, sem deixar de mencionar os discursos sobre a predestinação de trilhar o sinuoso caminho do rock.

Aqui vão algumas faixas importantes do disco:

Let's Go: Começa num clima calmo aos sussurros, logo explode nas guitarras e um agudo rascante inicia a música para valer. Christian Demichelis puxa elementos de Tom Keifer e Blackie Lawless acompanhado por vozes de apoio nos refrões. A bateria mantém o contratempo habitual, num momento posterior deixa apenas o bumbo destacado entre os sinos de vaca.

Kind of Love: O fraseado malemolente é logo martelado pela bateria e acordes chocantes de sétima. Bends lentos costuram-se aos riffs cavalgados. Essa faixa chega a usar um teclado similar ao do som "Rattlesnake Shake" do Mötley Crüe. 

Thrill Me: De levada rápida, já se aproxima do W.A.S.P., especificamente a canção "Wild Child". O solo enérgico casa com a bateria empolgada de Sleazy.

All or Nothing: Solos exibicionistas iniciam esta track, depois dá uma acalmada para a voz predominar. Ela é enfeitada com uns ataques no piano estilo Little Richard entre sinos de vaca.

Lonely Days for a Lonely Heart: Abriga um lado new wave tanto em harmonia quanto ideia melódica. Num dado momento é parelha ao clássico "You Give Love a Bad Name" do Bon Jovi.

Love me or Kill Me: Power ballad iniciada por solo choroso, carrega trejeitos do Skid Row. Escancaram no reverb dos pratos e o solo tenta ser mais virtuoso.

Notei uma atenção geral no papel de cada músico. Talvez pelo fato do líder ser o batera, esta parte em especial não ficou negligenciada como ocorre quando o encabeçado do projeto é um vocalista ou guitarrista. 

Todos não tentam fugir dos dogmas desse rock radiofônico, porém notei atitude quando executam as nove faixas. Do que já revisei acerca deste revival do synthrock, com certeza, Mr. Sleazy e seu "All or Nothing" merece elogios.

Texto: Alex Matos (Canal Rock Idol)
Edição: Carlos Garcia

Banda: Mr. Sleazy
Álbum: "All or Nothing" 2020
Estilo: AOR, Hard Rock/Synth Rock
País: Itália
Selo: Volcano Records






terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Entrevista: Jack Slamer - Representando o Genuíno Espírito e Atitude do Rock Clássico



Formado em 2006 na Suíça por um grupo de amigos que tinham em comum o gosto pelo Classic Rock e Hard 70's, o quinteto desde então mantém o mesmo line-up, e vêm a cada lançamento evoluindo, tanto na sua sonoridade, como no reconhecimento, pois já chega ao seu quarto álbum, o segundo pelo maior selo de Metal e Rock Pesado do mundo, a Nuclear Blast Records, e conquista novos territórios gradualmente, com sua maneira natural de criar Hard Rock inspirado nos seminais nomes que ditaram e lapidaram o estilo no fim dos anos 60 e anos 70, como Led Zeppelin e Deep Purple, mas também nomes mais recentes que beberam da mesma fonte, como o Wolfmother. (English Version)

Conversamos com o guitarrista Cyrill Vollenweider, que nos contou mais sobre a banda, influências, alguns "segredos" de sua sonoridade, expectativas e claro, sobre o novo álbum, "Keep Your Love Loud", lançado no final do ano passado, disponível aqui no Brasil via parceria Nuclear Blast/Shinigami Records. Confira a seguir.


Rtm: Olá Cyrill, aqui é o Carlos do site brasileiro Road to Metal, dedicado ao Heavy Metal e Classic Rock, parabéns pelos ótimos álbuns de Rock & Roll e Classic Rock! Agora com “Keep your Love Loud”, acredito que vocês estão buscando dar mais passos rumo ao crescimento do nome da banda no mundo. Conte-nos um pouco sobre as repercussões do álbum anterior e as expectativas para este novo.

Cyrill: Olá Carlos antes de mais nada, obrigado pela oportunidade e obrigado pelo elogio. Com o último álbum, conseguimos cruzar a fronteira do nosso país e ganhar algum renome no exterior. Nosso objetivo com este álbum é com certeza ganhar renome, e o que é mais importante para nós, fazer shows cada vez maiores e em todos os lugares possíveis. Assim que for possível novamente.

Ciryll ostentando a edição em vinil de "Keep Your Love Loud"


RTM: Vocês fazem um som inspirado no Hard e Classic Rock dos anos 70 com muita naturalidade, conte-nos como surgiu seu interesse pelo estilo e quais foram suas principais inspirações. Ouvindo o som, noto algo do Deep Purple MK III, e falando de nomes mais contemporâneos, Black Country Communion e Rival Sons.

Cyrill: Isso aconteceu há muito tempo. Todos nós começamos a ouvir clássicos antigos como Led Zeppelin ou The Doors principalmente através de antigas coleções de vinil de nossos pais. Nosso baterista tinha até uma jukebox em seu porão, onde ficava nossa primeira sala de ensaio. No começo também tocávamos muito funk e blues, mas com o passar dos anos nos tornamos uma banda de rock. Esta não foi uma decisão única, foi mais um desenvolvimento gradual que parecia natural para todos nós. Mas o rock é de longe nossa maior inspiração. Estamos ouvindo uma grande variedade de músicas e adoramos adicionar essas influências em nossas composições.


RtM: Como você vê o surgimento de várias novas bandas que seguem essa estética dos anos 70 no som e até no visual? Você vê isso como um reavival ou algo natural? Já que grandes bandas surgiram naquela época, e esse tipo de som continuará a cruzar gerações.

Cyrill: É sempre bom descobrir música nova, especialmente se tiver uma estética semelhante à nossa. E hoje em dia existem muitas bandas inovadoras por aí, que são inspiradas nos anos 70, mas adicionam seu próprio sabor, bem como outros elementos modernos. Para mim, isso é algo natural e estou curioso para saber como esse "rock dos anos 70" soará em alguns anos. E com certeza queremos fazer parte disso.


RtM: Como você vê essa fusão de rock clássico e elementos contemporâneos?

Cyrill: Em geral, por que não? Para mim a parte mais delicada dessa fusão é preservar o espírito e a atitude do Rock.

"Hoje em dia existem muitas bandas inovadoras por aí, que são inspiradas nos anos 70, mas adicionam seu próprio sabor."


RtM: E quais são os maiores trunfos de Jack Slamer para se destacar e crescer no cenário musical? 

Cyrill: Acho que nossa maior força é a nossa genuinidade e que estamos tocando o que gostamos. Não interpretamos um personagem ou tentamos o máximo que podemos para nos tornarmos famosos. Começamos como cinco amigos fazendo música e esse núcleo não mudou.


RtM: Você acredita que algum nome dessa nova geração pode se destacar a ponto de ter pelo menos parte do sucesso que os nomes dos anos 70 tiveram? Tipo, ser conhecido no mundo todo, ter uma turnê mundial como atração principal e ser o principal nome em festivais?

Cyrill: Isso seria ótimo de ver, mas sejamos realistas. Eu acho que não é possível alcançar o sucesso dessas bandas dos anos 70 hoje em dia. Eles tiveram um impacto muito maior na sociedade do que apenas estádios esgotados ou um dos primeiros sucessos. Ouvir rock era uma afirmação em si. 

E hoje eu acho que os gêneros estão mais distantes de serem tão políticos ou de transmitirem uma mensagem tão forte. Hip Hop foi talvez o último gênero a fazer isso. Fora isso, acho que o rock ainda é capaz de trazer artistas que tenham um formato internacional como o Black Keys, Wolfmother ou Muse ..


RtM: As músicas "Brother" e "Sun Soul Healer" foram as duas primeiras escolhidas para apresentar o novo álbum, "Keep Your Love Loud", gostaria que nos falassem um pouco mais sobre elas e seu conteúdo lírico.

Cyrill: "Brother" é uma música para uma pessoa muito próxima que luta pela vida. E é tentar enviar-lhe uma mensagem positiva e tentar dar outro ponto de vista, antes que ele desista. O significado de "Sun Soul Healing" é basicamente um elogio à beleza da natureza.


RtM: Qual é a perspectiva da banda a partir desse último trabalho? Vocês vão preservar esse som ou talvez arriscar em outras direções?

Cyrill: Arriscaremos em qualquer direção que quisermos, mas acho que encontramos o nosso estilo e isso é algo que queremos preservar. Gostamos de desafiar nosso som e entrar em novos territórios musicais e ver como conseguimos fazer com que soe como uma música do Jack Slamer.

RtM: Nestes tempos de COVID, o que isso trouxe para o grupo que tipo de perspectivas e sentimentos? Gerou alguma ideia musical?

Cyrill: Felizmente conseguimos terminar o processo de gravação antes do bloqueio. Portanto, estávamos mais focados em outras coisas do que em escrever músicas, como fazer videoclipes, organizar o lançamento e ensaiar as novas músicas.


RtM: Você tem algumas curiosidades para nos contar em relação aos equipamento utilizados por vocês, algo que torne seu som único?

Cyrill: Desta vez usamos em estúdio muito equipamento vintage, claro. Em todos os nossos discos usamos coisas vintage. Existe uma coisa mágica com equipamentos Vintage. É muito difícil dizer o que exatamente torna nosso som único. É uma interação de tudo, equipamento, membros, composição, produtor e mixagem. Adoramos tocar instrumentos vintage, mas nem todos estão em muito boas condições. No estúdio, pegamos uma guitarra do produtor e acho que essa guitarra foi construída em 2016, então tudo, menos vintage. Mas essa guitarra soa incrível, e por algum motivo foi a escolha perfeita para diferentes partes.

Acho que para Keep Your Love Loud, sonoramente a coisa mais original é, na minha opinião, todos esses sons saborosos de guitarra. Fuzzes na frente de um overdrive ou vice-versa. Dois delays na frente de um fuzz e no final da cadeia um terceiro delay, fuzzes que soam como um sintetizador. Estávamos procurando o som perfeito e tentamos um monte de coisas e outras mais que é melhor vocês não tentarem (risos!)

"Existe uma coisa mágica com equipamentos Vintage. É muito difícil dizer o que exatamente torna nosso som único."


RtM: Hoje o cenário é outro, a mídia física não vende mais como nas décadas de 70 e 80, a concorrência e a oferta é muito maior, a forma de consumir música mudou, então como você vê esse cenário atual e o que te move como artistas?

Cyrill: Felizmente ainda existem muitos fãs de rock que estão comprando um vinil ou um CD, mas com o streaming de mídia a música parece ser também de livre acesso. Os artistas definitivamente estão recebendo muito pouco pelos streams, mas também é uma boa promoção para shows. Então, no final, você tem que fazer shows e isso é o que mais gostamos e esperamos: poder tocar ao vivo novamente em breve.

RtM: Nós também esperamos que logo possamos ter shows e tour acontecendo! Obrigado pela entrevista, e esperamos ver vocês aqui na América do Sul!

Cyrill: Obrigado! Tudo de bom!

Entrevista: Carlos Garcia (Colaborou: Alex Mattos - Canal Rock Idol)

Jack Slamer é:
Florian Ganz: vocais
Cyrill Vollenweider: guitarras
Marco Hostettler: guitarras
Hendrik Ruhwinkel: baixo
Adrian Böckli: bateria








Interview: Jack Slamer - Personifying the Genuine Spirit and Attitude of Classic Rock



Formed in 2006 in Switzerland by a group of friends who shared a taste for Classic Rock and Hard 70's, the quintet has since maintained the same line-up, and have been evolving with each release, and released their fourth album in november of the last year, the second by the biggest Metal and Heavy Rock label in the world, Nuclear Blast Records, and gradually conquers new territories, with their natural way of creating Hard Rock inspired by the seminal names that dictated and polished the style in the late 60s and 70s, like Led Zeppelin and Deep Purple, but also more recent names that drank from the same source, as Wolfmother. (Versão em português)

We have talked with guitarist Cyrill Vollenweider, who told us more about the band, influences, some "secrets" of their sound, expectations and of course, about the new album, "Keep Your Love Loud", released at the end of last year, available here in Brazil via Nuclear Blast/Shinigami Records partnership. Check it out below.


RtM: Hello Cyrill, this is Carlos from Brazilian site Road to Metal, dedicated to Heavy Metal and Classic Rock, congratulations for very good Rock & Roll and Classic Rock albums! Now with “Keep your Love Loud”, I believe that you are looking to take more steps towards the growth of the band's name on the world. Tell us a little about the repercussions of the previous album and the expectations for this new one.

Cyrill: Hello Carlos first of all thank you for having us and thanks for the compliment.

With the last album we were able to cross the border of our home country and gain some renown abroad. Our goal with this album is for sure to gain renown and what’s most important to us play  bigger, larger and more concerts everywhere. As soon as it’s possible again.

 

Cyrill with "Keep Your Love Loud" vinyl edition

RtM: You make a sound inspired by Hard and Classic Rock 70’s very naturally, tell us how your interest in style came about and what your main inspirations were. Listening to the sound, I notice something of Deep Purple MK III, and speaking of more contemporary names, Black Country Communion and Rival Sons.

Cyrill: That happened quite a while ago. All of us started to listen to old classics like Led Zeppelin or the Doors mostly through old vinyl collections of our parent. Our drummer even had a jukebox in his cellar where our first rehearsal room was. At the beginning we also played a lot of funk and blues, but over the years we became a rock band. This wasn’t a one-time decision, it was more a gradual development that felt natural for all of us. 

But Rock is far from our sole inspiration. We are listening to a bright variety of music and love to add these influences into our songs.

 

RtM: How do you see the emergence of several new bands that follow this 70's aesthetic in their music and even visual? Do you see it as a revival or something natural? Since great bands appeared at that time, and that kind of sound will continue to cross generations.

Cyrill: New music is always great to discover, especially if it has a similar aesthetic to ours. And nowadays there are a lot of innovative bands around, who are inspired by the 70’s but add their own flavor as well as other modern elements. For me this is something natural and I’m curious to hear how this “70’s rock” will sound in a few years. And for sure we want to play a part in this.

 

RtM: How do you see this fusion of classic rock and contemporary elements?

RtM: In general, why not? For me the most fragile part in this fusion is to preserve the spirit and attitude of the rock


RtM: And what are Jack Slamer's greatest assets to stand out and grow in the music scene? Do you believe that any name of this new generation can stand out to the point of having at least part of the success that names from the 70's had? Like, being known all over the world, having a world tour as headliners and being the main name in festivals?

Cyrill: Our biggest strength I think is our genuinity and that we are playing what we like. We do not play a character or try as hard as we can to become famous. We started as five friends making music and this core hasn’t changed.

That would be great to see, but let’s be realistic. I think you can’t reach the success of these 70’s band nowadays. They had a far bigger impact on society than just sold out stadiums or top 1 hits. Listening to rock was a statement in itself. And today I think the genres are more detached from being so political or carrying such a strong message. Hip Hop was maybe the last genre to do this. Otherwise I think rock is still able to bring up acts that have an international format like the Black Keys, Wolfmother or Muse.

 

"Nowadays there are a lot of innovative bands around, who are inspired by the 70’s but add their own flavor."

RtM: The songs "Brother" and "Sun Soul Healer" were two of the first chosen to present the new album, "Keep Your Love Loud", I would like you to tell us a little more about them and their lyrical content.

Cyrill: "Brother" is a song for a very close person who struggles in live. And it is trying to send him a positive message and tries to give another point of view, before he gives up.

The meaning of "Sun Soul Healing" is basically a praise of the beauty of nature. 

 

RtM: What is the band's perspective from that last album? Will you preserve this sound or will you risk any direction?

Cyrill: We will risk any direction we like, but I think we found our style and that is for sure something we want to preserve. We like to challenge our sound and go into new musically territories and see how we manage to make it sound like a Jack Slamer song. 

 

RtM: What this COVID times bring to the group what kinds of perspectives and feelings? Did it generate any musical ideas?

Cyrill: Gladly we were able to finish the recording process right before the lockdown. So we were more focused with other things than writing music, like making video clips, organize the release and rehearsing the new songs.

"All of our records we used Vintage stuff. There is a magical thing with Vintage gear."

RtM: Do you have any curiosity to tell us about the equipment used by the band, something that makes your sound unique?

Cyrill: For this time in the Studio we used a lot of Vintage equipment of course. All of our records we used Vintage stuff. There is a magical thing with Vintage gear. It’s very difficult to say, what exactually makes our sound unique. It’s a Interplay of everything, equipment, member, songwriting, producer and mixing. 

We love to play vintage instruments but not all of them are in very good condition. In the studio we got a guitar from the producer and I guess this guitar was build in 2016 so anything but vintage, but this guitar sounds incredible and  for some reason the perfect pick for different parts.

I guess for Keep Your Love Loud, sonically the most unique thing is in my opinion all this tasty guitar sounds. Fuzzes in front a overdrive or the other way. Two delays in front of a fuzz and in the end of the chain a third delay, fuzzes who sounds like a synthesizer.  We were searching for the perfect sound and tried a bunch of things and also thing which you better not try =)

 

RtM: The current musical scenario is different, the physical media no longer sell as they did in the 70s and 80s, the competition and offer is much greater, the way of consuming music has changed, so how do you see this current scenario, and what moves you as artists ?

Cyrill: Luckily there are still a lot of rock fans who are buying vinyl or a cd, but with the streaming media music seems to be also freely accessible. Artists are definitely getting paid too few for the streams but it’s also good promotion for concerts. So in the end you have to play concerts and that’s what we like the most and we hope to be able to play live soon again.


RtM: We also hope that soon we can have concerts and tour going on! Thanks for the interview, and we hope to see you here in South America!

Cyrill: Thank you! All the best!


Interview by: Carlos Garcia (with colab of Alex Matos - Rock Idol youtube channel Brazil)

Jack Slamer are:
Florian Ganz: vocais
Cyrill Vollenweider: guitarras
Marco Hostettler: guitarras
Hendrik Ruhwinkel: baixo
Adrian Böckli: bateria






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Living Metal: entre o fogo e o aço da espada!

Entrevista por: Renato Sanson


 

Músico entrevistado: Rafael Romanelli (guitarra) – Banda: Living Metal (SP)

 

Como surgiu a ideia de criação do Living Metal? E como Amílcar e Fernanda Lira chegaram até a gravação do EP?

O Living Metal surgiu de algumas composições que eu tinha direcionado ao Heavy Metal Tradicional. Eram músicas que não encaixavam nem em minha antiga banda o Leatherfaces (que tinha uma proposta mais voltado ao Thrash Metal), e nem no Zumbis Do Espaço onde também já toco guitarra a alguns anos. Então resolvi que gravaria essas músicas e soltaria na internet, sem pretensão nenhuma de banda ou coisa do tipo. Tanto o Amilcar quanto a Fernanda já são amigos pessoais de longa data. No caso, a princípio, eu gravaria todas as guitarras, baixo e vozes e ficaria apenas a bateria, que é um instrumento que não sei tocar. Então tendo um amigo como o Amilcar, um dos melhores bateristas de Metal do mundo, foi inevitável não chama-lo para gravar, coisa que ele topou na hora, quando escutou algumas demos que eu já tinha feito. A Fernanda veio bem depois, quando já estávamos quase finalizando o disco, e o Living Metal já teria sido definido como uma banda, onde imaginei alguns backing vocals femininos nas músicas. Mas não com a voz Thrash/Death Metal dela que normalmente todos conhecem. Mas sim a voz limpa, que sempre achei maravilhosa, então ela topou e aproveitamos isso.


A ideia inicial era apenas de um projeto ou você já tinha idealizado o Living Metal como banda?

A princípio era apenas um projeto “solo”. Sem pretensão alguma de formar e atuar como uma banda de verdade.  Foi um período em que minha antiga banda Leatherfaces já tinha entrado em estado de coma e eu estava bem estabilizado com o Zumbis do Espaço, gravando discos, fazendo shows e turnês. Então eu não queria saber de mais uma banda, ainda mais começando do zero, pois é algo muito trabalhoso e que requer muita dedicação e trabalho. Na realidade eu estava meio que de saco cheio. Mas durante as gravações dessas músicas do EP, tanto o produtor Rafael Augusto Lopes do Studio CasaNegra, quanto o Amilcar, meio que começaram a martelar na minha cabeça que as músicas tinham um grande potencial para ser uma banda de verdade, fazer shows e etc... E mesmo eu insistindo que não, ao passar do tempo fui vendo que eles estavam certos! Assim acabei chamando para os vocais o Pedro Zupo, para o baixo o João Ribeiro e como para o Amilcar ficaria inviável assumir a responsa em mais uma banda, por conta do Torture Squad, chamei o Jean Praelli para assumir as baquetas. Futuramente já com a banda formada chamamos o Jonas Soares para assumir a segunda guitarra.

O EP de estreia do Living Metal – “Living Metal” (18) – de fato forjado no aço da espada e remetendo diretamente a bandas como Judas Priest e Manowar, soando mais true que os próprios em seu auge hahahaha! Uma musicalidade calcada nos anos 80 que nos transporta a este passado glorioso do Heavy Metal. Conte-nos o processo de criação das composições e as inspirações para o mesmo.

“Soando mais true que o Priest e o Manowar” é sacanagem né?! Haha. É algo inalcançável!  Mas de qualquer forma fico grato e feliz em ler isso! Apesar do Leatherfaces ter sido uma banda de Thrash Metal, e o Zumbis do Espaço ser uma banda de rock selvagem, misturando diversos estilos do Rock, de Rockabilly a Ramones. Eu sempre fui na realidade um fã do Metal Tradicional, minhas bandas favoritas sempre foram bandas como o Judas Priest (minha favorita), Saxon, Accept, Manowar, Running Wild, Satan, Metal Church e etc... Então cedo ou tarde algo em mim sairia para compor coisas do estilo. Já fiz algumas tentativas, mas acho que não era o momento certo. E uma coisa que pouca gente sabe, é que essa ideia e conceito do Living Metal, ser uma banda do jeito que é, surgiu em um show que teve do Metalucifer aqui em SP, no Hangar 110. Nessa noite eu estava quebrando um galho para uns amigos da banda MadDog, fazendo a guitarra solo, e abrimos o show para o Metalucifer. Eu fiquei tão empolgado com aquele show, vendo aquele Heavy cru e direto, com riffs marcantes e que todos cantavam as músicas, que ali me deu um estalo e pensei: eu preciso fazer algo assim! Lembro que no dia seguinte o nome Living Metal surgiu, e criei todos os títulos das músicas que tem no EP, e assim comecei a compor em casa, sozinho mesmo. Mais tarde fui para o Studio CasaNegra e o produtor Rafael Lopes me ajudou a desenvolver algumas linhas de batera eletrônica e assim demos continuidade como já falei acima.


Uma nova formação foi anunciada, agora com cinco integrantes. Um novo lançamento já está sendo planejado?

Sim! Na realidade o Jonas já está conosco desde 2018, fizemos apenas dois shows sem ele. E sim estamos em estúdio gravando o nosso primeiro full álbum que tem prévia de lançamento para o segundo semestre.

 

Além de músico você também é tatuador. Como é conciliar as duas atividades? Referente a arte, são dois mundos extremamente próximos, não?

A verdade é só uma: eu virei tatuador para poder ser musico! Antes eu trabalhava em escritório como a maioria das pessoas, e isso me impedia muito de poder correr atrás de coisas relacionadas a música. Como sempre trabalhei com ilustrações, artes gráficas e etc. Me veio à cabeça que poderia ser tatuador e assim conciliar as duas coisas, sem precisar depender de dias da semana ou horários em empresas. No caso eu faço meus horários e meus dias de trabalho e consigo administrar ambas as coisas. E com certeza tem tudo a ver uma coisa com a outra... arte é arte! Se tem uma coisa que é Metal pra caramba é tattoo! Então amo minha profissão e me ajuda na outra profissão que também amo, que é ser músico!

Quanto o Covid-19 impactou em sua vida pessoal e profissional?

Infelizmente sim. A classe artística se ferrou muito com isso, e ainda está se ferrando. Eu só faço duas coisas da vida: tatuo e toco. De repente de uma hora para outra não podia mais tatuar e nem fazer shows, e aí? Fiquei mais de 6 meses parado sem tatuar, pois não sabia o que fazer, como tratar clientes em cima disso, então foi um período terrível, agora que estou conseguindo aos poucos me recuperar. Do lado pessoal, tive amigos que pegaram o Covid, outros se foram, não está sendo fácil. Muita gente acha que está tudo bem, melhorando, mas não. Enquanto todo mundo não estiver vacinado, nada vai estar seguro.


Com todo esse caos que assolou o mundo, a indústria musical sofreu um rasgo irreparável. Em sua opinião, o que poderia ser feito a longo prazo para estancar esse ferimento?

Olha eu ainda sou pessimista e acredito que logo mais todos estarão vacinados e poderão voltar a fazer shows como era antes. Talvez a volta de tudo isso seja a única “solução” para estancar um pouco esse ferimento tão grave que a classe artística está sofrendo. E por que digo isso? Querendo ou não, todos estão sedentos para poder ir a um show, ver os seus artistas favoritos e ter um respiro de tranquilidade de que somos mais fortes que esse vírus de merda. Então talvez, com a volta dos shows tudo possa ser recuperado de uma forma até rápida, com esse fervor de tudo ter voltado, casas de shows lotadas, pessoal comprando material, roadies voltando a trabalhar. Somos uma classe muita trabalhadora, isso afeta muita gente, não é só quem está ali no palco cantando ou tocando. Existe toda uma equipe por trás que faz isso a anos. Então o modo de recuperar tudo isso é voltando com força total as turnês, lançamentos de discos e tudo mais. E digo mais, por mais merda que seja a situação atual, artistas que estão só dormindo em casa e não estão produzindo algo agora, quando voltar, talvez nunca se recupere. Então esse é o momento para todo mundo que depende e vive de música, trabalhar, compor, gravar, fazer contatos em todo mundo. Ficar o mais preparado possível, para quando “abrir a porteira” chegar com os dois pés junto, por que se não, vai ficar pra trás.


Com o passar dos anos o Heavy Metal em si vem passando por mutações, e em muitos casos se modernizando. Porém o som pesado raiz não deixa de estar cada vez mais forte e por mais que tenhamos uma onda moderna, o old school ainda prevalece com muita força. Como você enxerga estes dois momentos distintos?

Acho que tudo muda, em tudo na vida e no mundo existe uma “mutação”, é natural. Algumas coisas aparecem, explodem e ao mesmo tempo somem. Outra existiram a vários anos atrás, morrem e depois voltam. E tem outras que são muito antigas e por mais que se apaguem um pouco ao decorrer de anos, ela sempre está lá. E para mim essa coisa é o Heavy Metal Tradicional. Acho que por mais que o estilo se atualize, tenha essa mutação, vire outra coisa, seja mais experimental, mais agressiva, mais progressiva ou seja lá o que for dentro do Metal, O Metal Tradicional será sempre a base de tudo isso. O cara lá que toca o Brutal Death Metal vai sempre falar que o disco que mudou a vida dele é o Powerslave do Iron Maiden ou o Paranoid do Black Sabbath. Não tem jeito, é a base. No caso do Living Metal nós estamos aqui pra deixar esse Metal “raiz” nunca morrer. Queremos não só fazer o estilo nunca ser esquecido, como também não queremos que nos esqueçam. Então pode acontecer o que for dentro do Metal, pode mudar quantas vezes precisar, não nos importamos com isso. Nós do Living Metal vamos manter a chama do Metal Tradicional da sua forma mais pura viva, até o ultimo dia.

Quais são suas influencias fora do Heavy Metal?

Acho que minhas influencias fora do Heavy Metal são as que ajudaram a formar o Heavy Metal. Escuto muito Country Music, Rock Clássico, Blues…. Até mesmo muito Punk e Rockabilly. Se um dia você aparecer de surpresa em minha casa, é muito provável que me encontrará ouvindo Willie Nelson, John Fogerty , ZZ Top ou Neil Young. Mas claro o Heavy Metal nunca deixa de rolar, Judas Priest é algo que escuto todos os dias da minha vida rs.

 

Para finalizar, nos fale de sua playlist atual do Spotify e deixe para os leitores algumas dicas de bandas nacionais que você recomendaria. Muito obrigado pela atenção e continuem firmes na luta!

As mais tocadas recentemente no meu Spotify:
- A Hard Days Night – The Beatles


- True Metal List – Fuck The Posers (esse é um playlist que eu fiz com o mais puro Heavy Metal, sigam lá)


- Stray Cats – Stray Cats
- This Is Neil Young
- Master Of Reality – Black Sabbath
- Defenders Of The Faith – Judas Priest
- To Mean To Die – Accept
- Abbey Road – The Beatles

Atualmente as bandas nacionais de Metal que eu recomendo é o Torture Squad e o Nervosa.

Eu que agradeço a todos vocês pelo espaço e oportunidade, espero poder voltar para divulgar o nosso primeiro full álbum que em breve vai estar aí nas pistas! Obrigado a todos que nos apoiam, de verdade. HAIL THE TRUE METAL!

 

Links:

https://www.youtube.com/watch?v=BxRZuNK1WV4&ab_channel=LivingMetal-Band

https://www.facebook.com/LivingMetalOfficial

https://www.instagram.com/livingmetal_official/

sábado, 6 de fevereiro de 2021

H.e.a.t: Excelência em Hard/Melodic Rock


"H.e.a.t II" é o sexto álbum dos suecos (o título "II" a banda explicou que o processo de composição foi similar ao de estreia, então seria a "continuação espritual do primeiro, brincaram também que é muito maneiro ter um II romano na capa), e o primeiro produzido inteiramente pela própria banda. 

E se os experimentalismos do anterior, "Into the Unknown", não agradou a todos (particularmente, achei muito bom também), neste eu acredito que os fãs em geral não tem nada a reclamar! Aqui eles retornam ao estilo dos 4 primeitos. Que álbum maravilhoso de Hard, cheio de ótimas melodias e refrãos marcantes.

Melodioso, muito bem executado, polido e com canções empolgantes, daquelas que dá vontade de cantar junto.

Vou citar por exemplo os riffs e teclados marcantes, e o excelente refrão de "Dangerous Ground", que inicia com uma intro de uma ignição de carro ligando para então entrar esse Hardão acelerado e empolgante; a levada Heavy/Blues da pesada e cadenciada de "We Are Gods";  "Adrenaline" e seu jeitão de hit, de ritmo empolgante e aquele refrão explosivo, com os teclados acompanhando a melodia vocal.


Grandes baladas são praticamente praxe em um álbum de Melodic Rock/Hard, e "Nothing to Say" tem todos aqueles elementos clássicos: tocantes melodias do teclado, guitarras acústicas, vocais cheios de emoção, começa naquela levada suave e explode no refrão; 

Destaco ainda o maravilhoso Melodic Rock de "Heaven Must Have Won an Angel", naquele estilo clássico de nomes como Journey ou Europe, belas melodias e solos de guitarra, riffs marcantes, levadas criativas na bateria, grandes teclados e ótimo refrão, com direito aqueles trechinhos com "ô ô ô". 

"II" é um disco dinâmico, tendo músicas explosivas, baladas, Melodic Rocks de melodias marcantes, belo trabalho de guitarras e também um excelente uso de teclados e sintetizadores, enfim, um ótimo álbum do estilo, é o clássico Melodic Rock, que soa atual e revisitado, com a personalidade do H.e.a.t. Altamente recomendado aos fãs e amantes do gênero. Realmente, a Suécia é a atual meca do estilo.

Texto: Carlos Garcia

Banda: H.e.a.t
Álbum: "II"
Estilo: Melodic Rock, Hard Rock
País: Suécia
Selo: Sound City/ear Music/Shinigami Records


Line-up

Erik Grönwall: Vocais
Dave Dalone: Guitarras
Jona Tee: teclados
Jimmy Jay: Baixo
Don Crash: Bateria

Tracklist:

1. Rock Your Body 4:04
2. Dangerous Ground 4:07
3. Come Clean 3:44
4. Victory 4:28
5. We Are Gods 4:11
6. Adrenaline 4:26
7. One By One 3:47
8. Nothing To Say 4:08
9. Heaven Must Have Won An Angel 4:42
10. Under The Gun 3:25
11. Rise 4:18



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Accept: Lendas São "Too Mean to Die"!



A lenda germânica chega ao 16° álbum de estúdio, "Too Mean to Die", trazendo mudanças no line-up, com a saída de Peter Baltes, restou apenas Wolf Hoffmann de membro original.

Outra mudança foi a adição de um terceiro guitarrista, mas em termos de sonoridade, o Accept continua apresentando seu Heavy Metal Old School, tendo aquela roupagem mais atual e pesada vista desde o retorno com "Blood of the Nations" em 2010, mas cada vez mais próximo do Accept 80's.


A produção novamente tem a mão de Andy Sneap, sendo que as gravações inicialmente foram interrompidas devido a pandemia, e boa parte dela teve de ser finalizada a distância.

Tornillo se encaixou muito bem na sonoridade clássica da banda e Wolf é o grande maestro e mentor, então a gente já sabe o que esperar: muita rifferama tradicionais, refrãos marcantes, aqueles coros característicos, a voz ríspida e rouca, cozinha direta e pesada e muito bom trabalho de guitarras base e solos.

O trabalho das guitarras foi amplificado pela presença agora de três guitarristas, trazendo mais melodias e preenchendo ainda mais o som do grupo em alguns momentos, embora isso ainda possa ser mais explorado e por enquanto deverá ter mais efeito ao vivo.

O resultado pode ser sentido mais sensivelmente em trechos das intros e nas partes dos solos, em faixas como "Symphony of Pain", por exemplo, na hora dos solos, enquanto uma mantém o peso na base, outras duas duelam, dobram e se complementam em solos com melodia e técnica, com direito a trechinho de "Ode a Joy". Essas incursões de trechos de músicas clássicas é outra faceta tradicional da banda e de Wolf Hoffmann.

A instrumental "Samson and Delilah" é também um excelente número para que as guitarras tenham o seu destaque, e provavelmente vai ser usada nos shows ao vivo.


As músicas velozes e cheias de riffs, já tradicionais, temos várias, destacando a faixa título "Too Mean to Die" e "No Ones Master" com sua melodia principal marcante da guitarra e linha vocal mais melodiosa.

E claro, aquelas com pegada Hard/Heavy, de refrão marcante, naquela linha tipo "Love Child" ou "Midnight Mover" temos a "Overnight Sensation"; e naquele estilão mais épico, tipo "Princess of the Dawn", andamento mais cadenciado, versos com vocal sussurado, baixo e batera a frente e dedilhado ao fundo, e depois cresce, com aqueles coros tradicionais no refrão temos a "Undertaker".

Resumindo, é o Accept Clássico, que já estamos acostumados, em mais um bom álbum, repleto de Metal Old School, mas que jamais soa datado, realmente uma banda que "envelheceu bem", afinal, esta lenda germânica é "Too Mean to Die", se adaptou sem perder sua identidade, e ainda traz sensível mudança com essa adição de mais uma guitarra.


Banda: Accept
Álbum: "Too Mean to Die" 2021
País: Alemanha
Estilo: Heavy Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Wolf Hoffmann: Guitarras
Mark Tornillo: Vocais
Christopher Williams: Bateria
Uwe Lulis: Guitarras
Martin Motnik: Baixo
Philip Shouse: Guitarras

Accept site oficial

Tracklist
Zombie Apocalypse
Too Mean To Die
Overnight Sensation
No Ones Master
The Undertaker
Sucks To Be You
Symphony Of Pain
The Best Is Yet To Come
How Do We Sleep



Not My Problem
Samson And Delilah


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Dinnamarque: Experiência e Qualidade Refletida em Ótimo Debut

 


É muito bom ver promissores  novos nomes surgindo no cenário do som de peso, e o Brasil, apesar de todas as dificuldades geográficas, econômicas e financeiras, segue sendo um celeiro de bandas muito interessantes. 

O Dinnamarque teve seu início e 2002 em Minas Gerais, idealizada pelo baixista e vocalista Rafael Dinnamarque, e foi buscando seu espaço, compondo seu material e lançando em 2007 o EP “Fight”, tendo ótima repercussão, principalmente em sua terra natal, onde em 2009 foi vencedora da etapa mineira do concurso Wacken Metal Battle.

Finalmente em 2020 a banda lançou seu debut, “One Spirit of Thousand Faces”, contendo 11 músicas, mostrando seu Power Metal contemporâneo, com nuances do Metal Tradicional e Prog, tendo passagens pesadas e agressivas, mas sem descuidar das melodias, inclusive com bem dosadas linhas de teclado, que dão um clima mais grandioso a algumas faixas.  

Ao contrário de algumas bandas de Power Metal atual, não espere melodias "felizes ou festivas", o som do Dinnamarque é mais "sério" e mais pesado.

Nota-se um cuidado em criar melodias e refrãos marcantes e diversidade nas composições,  mesclando temas mais velozes, melodiosos, cadenciados e pesados, com os teclados deixando ainda mais encorpada a massa sonora do grupo, transitando por trechos sinfônicos e outros beirando o Thrash. Realmente muito boa essa diversidade e personalidade imprimida.

As letras falam desde temas de fantasia, espiritualidade, temas históricos, cotidiano e histórias de horror. Por exemplo, “Path of the Warrior”, fala sobre Xena, a guerreira (personagem de série dos anos 90),  “The Death Dresses White”, sobre uma enfermeira serial killer.

A faixa título “One Spirit of a Thousand Faces” fala sobre a controversa ideia das vidas passadas, em que uma pessoa ou uma alma pode ter várias faces no decorrer da sua eterna jornada (a ideia da capa reflete essas várias “vidas”).

Em um álbum de muito bom nível, destaco a faixa título, com suas mudanças de andamento, passando por momentos mais pesados e outros mais melodiosos, guitarras dobradas e sempre com o acompanhamento preciso dos teclados; a progressiva e de nuances épicas  "Battlefields";

"The Death Dresses White", de andamento mais cadenciado, teclado e guitarra trabalhando juntos no riff pricipal, melodias marcantes e um grande refrão; a veloz e de riffs agressivos e com cozinha pesadíssima "Krusty Eyes". 

A pandemia atrasou alguns planos, mas o grupo segue divulgando seu trabalho nas redes, inclusive lançando um novo vídeo de nova música, cantada em português, “Desordem e o Regresso”, que, assim como o álbum de estreia, está disponível nas plataformas digitais. 

Com um time de músicos experientes e talentosos, o Dinnamarque fez uma ótima estreia em full-lenght, em um trabalho que foi sendo composto e amadurecido através dos anos, muito bem feito, com músicas fortes e marcantes. 

Texto: Carlos Garcia

Dinnamarque é:

Rafael Dinnamarque (voz e baixo), Ronan Lopes (guitarra e backing vocals), Leo Lanny (guitarra e backing vocals) e Riccardo Linassi (bateria).

Tracklist:

1. Fight
2. Path of Warrior
3. The Death Dresses White
4. Revelations
5. Evil Celebrities
6. Krusty Eyes
7. Battlefields
8. Reason
9. Changes
10. Clash of Mind
11. One Spirit of a Thousand Faces




domingo, 24 de janeiro de 2021

Living Metal: mais Judas que o próprio Judas

 

Resenha por: Renato Sanson

Se muitos ainda se prendem aos anos 80 não gostando da certa modernização do Heavy Metal é porque verdade seja dita: energia, riffs “cantados” e muito feeling é o que nos chamam a atenção no glorioso e eterno Metal!

Com esta batida e o lema: “Hail the true Metal and Fuck all the Posers” nasceu em meados de 2018 a banda paulista Living Metal, capitaneada pelo guitarrista Rafael Romanelli (Zumbis do Espaço) para no mesmo ano nos brindar com o EP homônimo e trazendo muito Heavy Tradicional e os clichês que tanto amamos do estilo.

Aqui não há espaço para modernidades ou inovações, mas sim, um belo tributo ao verdadeiro Metal oitentista, soando tão ou até mais que o próprio Judas Priest ou Manowar (hahaha ouça e comprove!).

A abertura com “Are You Ready For Metal?” climatiza para o que iremos nos deparar, e o que vem a seguir poderia ser muito bem a trilha sonora da devastação de qualquer batalha do grande Conan, pois “Living For Metal” deixa o cheiro do aço da espada exalado ao final da mesma, com seus riffs pegajosos e suas belas dobradinhas de guitarras, sem contar o refrão no melhor estilo Manowar.

Mas o título desta matéria não é à toa, já que os caras conseguem ser mais true que o próprio Judas em seu começo de carreira, é ouvir “Fire On Two Wheels” e “Back To The 80'S” e ter em mente o gelo seco e jaquetas com tachinhas, já que a cada riff, melodia e refrão jogado aos céus, é um novo patch que você sente vontade de colocar em seu colete, deixando aquela sensação incontrolável de ir a algum show com todos os seus apetrechos.

Mas nem só de Judas vivem, “Hail! The True Metal (Will Never Die)” vem no melhor estilo Manowar e soa como uma batalha insana e sangrenta entre bárbaros. Vale citar as belas linhas vocais de Pedro Zupo soando agressivo, mas com ótimas melodias adicionais deixando o trabalho em si ainda mais referenciado e característico.

A produção do EP ficou a cargo do produtor Rafael Augusto Lopes que soube usar muito bem todos os timbres deixando a sonoridade datada e extremamente cativante, como se você estivesse entrado em uma máquina do tempo e retornado ao passado dourado do Heavy Metal.

Em sua gravação “Living Metal” contou com a adição do baterista Amilcar Cristófaro (Torture Squad) e Fernanda Lira (Crypta) nas vozes femininas adicionais, sendo que o baixo também ficou a cargo de Rafael.

Se você é um saudosista do Heavy oitentista e sente saudade de todo aquele clima e áurea magica, aqui está a sua banda, pois é impossível ouvir e não sair cantarolando as melodias e os refrões com os punhos erguidos a Odin. Escute sem moderação e viva ao Heavy Metal old school!  


Tracklist:

1. Are You Ready For Metal?

2. Living For Metal

3. Fire On Two Wheels

4. Back To The 80'S

5. Hail! The True Metal (Will Never Die)

6. Rocka Rolla (Judas Priest cover)

 

Formação que gravou o EP:

Rafael Romanelli – guitarra/baixo

Pedro Zupo – vocal

Amilcar Cristófaro – bateria

 Fernanda Lira – voz feminina adicional


Formação atual:

Pedro Zupo – vocal

Rafael Romanelli – guitarra

Jonas – guitarra

João Ribeiro– baixo       

Jean Praeli – bateria


Links:

https://www.youtube.com/watch?v=BxRZuNK1WV4&ab_channel=LivingMetal-Band

https://www.facebook.com/LivingMetalOfficial

https://www.instagram.com/livingmetal_official/

 

 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Therion: Yes, "Leviathan" is the Promised Album Packed With Therion's Hit Songs


 
Yes, they promised and delivered. Therion's mentor Christofer Johnsson announced that after the last two albums, what remained to be done was a hit album by the band, something requested and expected by fans. In other words, after experiences like “Les Fleurs du Mal” and the triple album with the opera “Beloved Antichrist”, a project that Christofer had been working on for years and that he wanted to carry out, “Leviathan” brings the “traditional” sound of Therion, from albums like “Vovin”, “Secret of the Runes” and “Sirius B”, for example. (Versão em Português)

Then we have Symphonic Metal with striking riffs, great orchestral arrangements and fantastic choirs and vocals, with pieces where the symphonic parts stand out, and others where the Heavy Metal side commands.

In the first auditions, our ears already identify the characteristics that enshrined this icon of symphonic metal, and soon you are fully familiar with the album, with many of the melodies and choruses already fixed in mind.

There are no discussions about the production and quality of the musicians, everything excellent, Christofer and the virtuoso Christian Vidal present an impeccable work on the guitars, Nalle Pahlsson with his technique and grip on the bass. The vocals, in charge of the versatile and experienced Thomas Vikström, who ventures, brings one of his best performances, and Chiara Malvestiti and debutant Rosalía Sairem, who are excellent. Some special guests also feature prominently, such as Johan Koleberg (drums), Marco Hietala and Snowy Shaw.


And it is not only in the sound that the album will sound familiar to the ears, the themes covered in the lyrics as well, dealing with mythology of different cultures, such as Persian, Chinese and Finnish.

Maybe some boring reviews, usually done by those who don't have much affinity with the style or the band, or even those pseudo-intellectuals, where they will say that the work doesn't bring anything new, stayed in a comfort zone or something. 

But I'm sure the band's fans will approve of the album, and after all, Therion created his own style, it's one of the most original bands on the planet, made the albums they wanted to do, and there's nothing wrong with formulating songs with the characteristics that enshrined them and still fulfill the fans' desire.

The album is very easy to hear and digest by the band's fan, with songs that do not have a long duration (the album has just over 45 minutes), and alternate more vibrant moments and Metal, with other more dense, epic and where the side symphonic stands out, and also with that balance between the two worlds, something that they have always done very well.

In this line where the Metal side stands out, we have a very well chosen track as the opening, “The Leaf on the Oak of Far”, which brings some new elements, such as the initial vocal lines and that voice effect in the megaphone. It has great riffs, with a Hard \ Heavy mood. It will certainly be one that will work very well live.


The short and angry “Great Marquis of Hell” also follows a vibrant line, with that mix of striking Heavy Metal riffs ahead and the symphonic arrangements in the background, highlighting the vocals of Thomas Vikström, who, by the way, is singing a lot! No wonder it became a very important piece in the band and it was also Christofer's great partnership in the compositions. Thomas is a multi-faceted vocalist, making vocals ranging from Hard to Metal, from smooth to aggressive, in addition to operatic ones.

“Eye of Algol”, brings that perfect balance between classic and Metal side, with Rosalía's loud vocals, showing her versatility, and even “El Primer Sol”, with Thomas balancing operatic vocals with more Metal lines, also having the company of excellent Chiara Malvestiti, and “Tuonela”, and their captivating melodies and chorus, bringing as a guest Marco Hietala. Good idea, on a song with lyrics talking about the realm of the dead in Finnish mythology, one of the metal icons of that country on guest vocals.

I would say that those mentioned above follow that line of classics like “The Blood of Kingu” and “The Rise of Sodom and Gomorra”, just to situate the reader that this is an album with which you will feel familiar.

To name a few of the most dense, dramatic, epic moments with orchestral and choral performances, we have the title track, “Leviathan”, with its weight, grand choral and fantastic vocals by soprano Chiara Malvestiti; “Nocturnal Light”, epic and loaded with great choirs, and also “Ten Courts of Diyu”, which starts with oriental melodies (Diyu is the realm of the dead or hell in Chinese mythology), and brings drama and beautiful female vocals, culminating in in a soft chorus.

In short, a dynamic album, easy to hear and that has all the characteristics that enshrined the band, and that are loved by fans, who will surely be satisfied with what they will find in "Leviathan".

Text by: Carlos Garcia

Band: Therion
Album: Leviathan (2021)
Style: Symphonic Metal
Label: Nuclear Blast

Tracklist
1. The Leaf on the Oak of Far 3:38
2. Tuonela 4:37
3. Leviathan 4:01
4. Die Welle
5. Azi Dahaka 3:06
6. Eye of Algol 4:03
7. Nocturnal Light 5:37
8. Great Marquis of Hell 2:36
9. Psalm of Retribution 5:03
10. El Primer Sol 3:37
11. Ten Courts of Diyu 5:29



 

Therion: Sim, "Leviathan" é o Prometido "Álbum de Hits"

Sim, eles prometeram e cumpriram. O mentor do Therion, Christofer Johnsson anunciou que depois dos dois últimos trabalhos, o que restava fazer era um álbum de “hits” da banda, algo pedido e esperado pelos fãs. Ou seja, depois de experiências como “Les Fleurs du Mal” e o disco triplo com a ópera “Beloved Antichrist”, projeto o qual Christofer vinha trabalhando há anos e que desejava realizar, “Leviathan” traz a sonoridade “tradicional” do Therion, de álbuns como “Vovin”, “Secret of the Runes” e “Sirius B”, por exemplo.  (English Version)

Temos então o Symphonic Metal de riffs marcantes, grandes arranjos orquestrais e fantásticos corais e vocais, com peças onde as partes sinfônicas se sobressaem, e outras onde o lado Heavy Metal comanda.

Logo nas primeiras audições nossos ouvidos já identificam as características que consagraram este ícone do Metal Sinfônico, e logo você está plenamente familiarizado com o álbum, com muitas das melodias e refrãos já fixados na mente.

Sobre a produção e qualidade dos músicos, não há discussões, tudo excelente, Christofer e o virtuoso Christian Vidal apresentam um trabalho irrepreensível nas guitarras, Nalle Pahlsson com sua técnica e pegada no baixo. Os vocais, a cargo do versátil e experiente Thomas Vikström, que arrisco, traz uma de suas melhores performances, e de Chiara Malvestiti e da estreante Rosalía Sairem, que são excelentes. 

Alguns convidados especiais também aparecem com destaque, como Johan Koleberg (bateria), Marco Hietala e Snowy Shaw. A produção também teve sua peculiaridades, devido a pandemia, com gravações sendo feitas em vários estúdios e em países diferentes.

E não é só na sonoridade que o álbum vai soar familiar aos ouvidos, os temas abordados nas letras também, versando sobre mitologia de diversas culturas, como a persa, chinesa e finlandesa.

Talvez algumas resenhas chatas, normalmente feitas por quem não tenha muita afinidade com o estilo ou a banda, ou até aqueles pseudo-intelectuais, onde dirão que o trabalho não traz nada de novo, ficou em uma zona de conforto ou algo do tipo. Mas tenho certeza que os fãs da banda aprovarão o disco, e afinal, o Therion criou um estilo próprio, é uma das bandas mais originais do planeta, fez os álbuns que queria fazer, e não há nada de errado em formular músicas com as características que os consagraram e ainda atender o desejo dos fãs.

O álbum é muito fácil de ouvir e digerir pelo fã da banda, com canções que não possuem longa duração (o álbum tem pouco mais de 45 minutos), e alternam momentos mais vibrantes e Metal, com outros mais densos, épicos e onde o lado sinfônico se sobressai, e também com aquele equilíbrio entre os dois mundos, coisa que sempre fizeram muito bem.

 Nessa linha onde o lado Metal se sobressai, temos logo uma faixa muito bem escolhida como abertura, “The Leaf on the Oak of Far”, que traz algumas novidades, como a linha inicial dos vocais e aquele efeito de voz no megafone. Possui ótimos riffs, com uma levada Hard\Heavy. Certamente será uma que funcionará muito bem ao vivo.

“Great Marquis of Hell”, curta e vibrante, com aquela mistura de riffs Heavy Metal marcantes mais a frente e os arranjos sinfônicos em segundo plano, destaque para os vocais de Thomas Vikström, que, aliás, está cantando muito! Não a toa se tornou peça importantíssima na banda e inclusive foi a grande parceria de Christofer nas composições. Thomas é um vocalista multi-facetado, fazendo vocais que vão do Hard ao Metal, do suave ao agressivo, além dos operísticos;

“Eye of Algol”, traz aquele balanço perfeito entre o clássico e o Metal, com vocais altos de Rosalia, mostrando sua versatilidade, e ainda “El Primer Sol”, com Thomas balanceando vocais operísticos com linhas mais Metal, tendo também a companhia da excelente Chiara Malvestiti, e “Tuonela”, e suas melodias e refrão cativantes, trazendo como convidado Marco Hietala. Boa sacada, em uma faixa falando sobre o reino dos mortos na mitologia finlandesa, um dos ícones do Metal daquele país.

Diria que essas citadas seguem aquela linha de clássicos como “The Blood of Kingu” e “The Rise of Sodom and Gomorra”, só para situar o leitor de que realmente, este é um álbum com o qual você se sentirá familiarizado.

Para citar alguns dos momentos mais densos, dramáticos, épicos e com as orquestrações e corais se sobressaindo, temos a faixa título, “Leviathan”, com seu peso, corais grandiosos e fantásticos vocais da soprano Chiara Malvestiti; “Nocturnal Light”, épica e também carregada de corais grandiosos, e ainda “Ten Courts of Diyu”, que inicia com melodias orientais (Diyu é o reino dos mortos ou inferno na mitologia chinesa), e traz dramaticidade e belos vocais femininos, culminando em um suave refrão.

Resumindo, um álbum dinâmico, fácil de ouvir e que possui todas as características que consagraram a banda, e que são adoradas pelos fãs, os quais com certeza ficarão satisfeitos com o que encontrarão em “Leviathan”.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Therion
Álbum: Leviathan (2021)
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

 Tracklist

1. The Leaf on the Oak of Far 3:38
2. Tuonela 4:37
3. Leviathan 4:01
4. Die Wellen der Zeit 3:46
5. Azi Dahaka 3:06
6. Eye of Algol 4:03
7. Nocturnal Light 5:37
8. Great Marquis of Hell 2:36
9. Psalm of Retribution 5:03
10. El Primer Sol 3:37
11. Ten Courts of Diyu 5:29