sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

O Clássico "Natalino" dos Garotos Podres

 

Enquanto algumas canções abordando o tema natal versam sobre o lado mágico e poético dessa época, há também quem veja um outro lado, assim como John Lennon em "Happy Xmas (The War is Over). 

E a visão de um grupo de Punk Rock brasileiro, nascido nos anos da ditadura, os paulistas do Garotos Podres, só poderia ser sobre o lado mais comercial da data, uma crítica ao capitalismo e de como os menos favorecidos entenderiam o fato do bom velhinho ser seletivo, e só algumas crianças receberem presentes.


Lançada no álbum "Mais Podres do que Nunca" (1985), e escrita pelo vocalista Mao, originalmente composta para trilha de uma peça de teatro,  a música  "Papai Noel Velho Batuta" já no seu título traz sarcasmo, substituindo o "adjetivo" original, que seria "Filho da Puta".


O autor usou do artifício do trocadilho para ludibriar os censores e evitar que a música fosse cortada e impedida de ser lançada. Mas, para bom entendedor, meia palavra basta.


De andamento direto e clássico do Punk Rock, letras de protesto e anti-sistema, "Papai Noel Velho Batuta" é de uma simplicidade genial, e ataca o caráter consumista da data e fala sobre a desigualdade social, como podemos notar em frases como "Papai Noel velho batuta, rejeita os miseráveis, eu quero matá-lo, aquele porco capitalista, presenteia os ricos, e cospe nos pobres"


Mao também critica sem piedade o fato de o natal ser originalmente um festa de origens de outras culturas, mas que a igreja católica se apoderou e adaptou, assim como os que transformaram também a data em algo puramente consumista e comercial.


O Garotos Podres segue na ativa, e após alguns imbróglios judiciais, liderado novamente pelo vocalista original Mao, que recuperou os direitos de usar o nome da banda, apesar de um processo ainda seguir, sendo o único integrante original que restava. Durante o período em que estava impedido de usar o nome original, Mao criou o Satânico Dr Mao e os Espiões Secretos.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação/Arquivo da Banda; André Alves BG - Alquimia Rock Club 
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Formação:
Mao: vocais
Deedy: guitarra
Uel: baixo
Tony Karpa: bateria





segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Carcass: 8 Anos Depois, Mais um Álbum de Refinado Metal Extremo


8 anos de passaram depois do álbum que marcou o retorno do Carcass, com "Surgical Steel" (2013), e ao contrário de algumas bandas que ficam anos sem lançar algo, e não aproveitam praticamente em nada o tempo para criar algo relevante, Billy Steer e Jeff Walker apresentaram um álbum de excelente qualidade musical, "Torn Arteries"

Além da refinada técnica, qualidade nas composições e excelente produção, o disco traz uma apresentação gráfica curiosa e criativa, com a arte de capa e encartes trazendo um coração formado por vegetais em um fundo branco. 

Em cada folha do encarte, podemos acompanhar o coração se deteriorando. Esse tipo de arte é inspirada na técnica japonesa chamada kusôzu. Outra curiosidade é o título do álbum, que é alusão a uma antiga demo da banda nos anos 80.

Musicalmente, "Torn Arteries" traz elementos que remetem a toda a discografia da banda, e mesmo que o refino técnico e melódico seja mais evidente, a brutalidade e agressividade também dão as caras.

Na faixa título e de abertura, por exemplo, "Torn Arteries", temos uma enxurrada de brutalidade e velocidade, entrecortada por passagens com melodia, fazendo a ligação do Carcass mais extremo com o mais técnico.

Aqueles toques de senso de humor também estão aí, como nas nomenclaturas longas de algumas músicas, e na brincadeira com o título de "Eleanor Rigor Mortis", que na parte sonora traz peso descomunal e andamento cadenciado, riff graves e solos de técnica e melodia.

É bom já destacar o trabalho primoroso da gravação, onde podemos ouvir com clareza todos os instrumentos, de modo que é possível perceber minuciosamente os riffs, solos e arranjos, e claro, o trabalho impressionante da bateria de Daniel Wilding.

Difícil ir apontando destaques, mas elegi três favoritas, que creio que expressam bem a capacidade musical e técnica da banda, e "The Devil Rides Out" é, sendo clichê, uma aula de Death Metal Melódico, com variações, seus riffs galopantes, trabalho primoroso nas melodias e solos das guitarras, baixo trovejante e bateria absurdamente técnica, porém veloz e brutal quando necessário.

"Flesh Ripping Sonic Torment Limited", com seus mais de 9 minutos, seria uma peça de "Progressive Death Metal"? Cheia de variações, a faixa transita por momentos de puro peso e brutalidade, contrastando com trechos límpidos e melodiosos, e claro, uma avalanche de riffs.

"Dance of Ixtab (Psychopomp and Circumstance March Number 1)", que foi um dos singles de apresentação, tem peso e "groove", e o trabalho percussivo com trechos que se assemelham a uma marcha marcial.

"Torn Arteries" fica um pouco atrás de seu antecessor, mas não é nenhum demérito, pois a qualidade aqui é muito alta, e o trio, que tem ainda o membro honorário Tom Draper nas guitarras, concebeu mais uma peça de Metal Extremo de refino técnico, com melodia e brutalidade bem dosadas. 

Texto: Carlos Garcia

Banda: Carcass
Álbum: "Torn Arteries" 2021
País: Inglaterra
Estilo: Death Metal, Melodic Death Metal
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Confira o Álbum no site do selo

Tracklist

1. Torn Arteries
2. Dance of Ixtab (Psychopomp & Circumstance March No. 1 in B)
3. Eleanor Rigor Mortis
4. Under the Scalpel Blade
5. The Devil Rides Out
6. Flesh Ripping Sonic Torment Limited
7. Kelly’s Meat Emporium
8. In God We Trust
9. Wake up and Smell the Carcass / Caveat Emptor
10. The Scythe’s Remorseless Swing



segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Seven Spires: Aprimoramento e Surpresas no Metal Sinfônico



A banda Seven Spires é uma das bandas mais promissoras do Symphonic Metal atual. Fiquei muito animada desde que eles anunciaram seu novo álbum intitulado “Gods of Debauchery”. Lançado no dia 10 de setembro via Frontiers Records, para mim este é um dos melhores álbuns de 2021.

Em “Gods of Debauchery” é como se a banda misturasse os melhores elementos experimentados em seus dois álbuns anteriores e os transformassem em algo muito bem aprimorado. 


A introdução do álbum já impressiona com apenas 1 minuto e 42 segundos de duração. Adrienne cantando em um tom suave com um belo arranjo sinfônico nos prepara para a faixa título, “Gods of Debauchery”, apesar da introdução super sinfônica, minha expectativa foi completamente quebrada pelos vocais guturais de Adrienne e isso foi incrível!!! 

Em “The Cursed Muse” é comprovado que não é porque uma música tem um arranjo sinfônico que ela será algo suave. Em seguida temos a faixa “Ghost of Yesterday”, e é impossível não admirar a versatilidade de Adrienne, inclusive quando ela arrisca algo super pop como “Lightbringer”. 

Os conservadores irão odiar, mas eu me diverti muito com a ousadia de Adrienne ao ponto de fazer uma coreografia durante o clipe da música. 


Fiquei fascinada com “Echoes of Eternity” e recomendo fortemente para que todos ouçam!! Para mim, “Shadow on an Endless Sea” é arrepiante, principalmente no refrão quando Adrienne traz à tona toda a dramaticidade da música com seus vocais limpos. Em “Dare to Live” os arranjos orquestrais deram um toque mais requintado à música. 

Como é bom sentir que o metal sinfônico está em uma boa safra novamente!! Toda vez que eu ouço “In Sickness, In Health”, eu sinto um clima mais cinematográfico, diria até que essa música é a mais fácil de se ouvir, caso você não esteja habituado ao som da banda.

E agora nem sei o que falar sobre “This God is Dead”, pois trata-se de um dueto com um dos meus vocalistas masculinos favoritos, Roy Khan (Conception), então qualquer elogio que eu fizer será totalmente suspeito. 


Dez minutos é  pouco para eu poder apreciar essa obra prima!! Para mim a faixa “Oceans of Time” tem uma introdução tão épica e refrão tão cativante que não perde nada para bandas mais experientes como Rhapsody, Nightwish e Epica. 

Em seguida, a absurda “The Unforgotten Name”, um belo dueto entre Adrienne e Jon Pyres (Threads of Fate). Essa poderia ser só mais uma balada de metal, mas eles entregaram uma verdadeira obra dramática cheia de melancolia. 

Em seguida “Gods Amongst Men” tem um bombardeio com guturais de Adrienne e mais uma vez a quebra de expectativas, dessa vez com um coro cantando um refrão memorável. 

Os instrumentais de “Dreamchaser” por um momento me fizeram perguntar se eu ainda estava ouvindo Seven Spires ou se o Spotify havia inciado uma playlist aleatória de Black Metal. Chris Dovas espanca a bateria sem dó, enquanto os teclados me lembram um pouco o Cradle of Filth.

Ainda assim, está longe de ser uma cópia. Cada vez que ouço essa música eu percebo algo a mais e me apaixono ainda mais. 

Through Lifetimes” é a penúltima faixa do álbum e sua sinfonia dá uma sensação de encerramento, como se todos os eventos estivessem sendo concluídos e te preparando para o fim de uma incrível peça que você vai lamentar ter acabado.


Se “Gods of Debauchery” fosse um filme, provavelmente “Fall With Me” seria o momento em que subiriam os créditos e como nos filmes da Marvel você ficaria aguardando para ver se não haveria nenhuma cena após. Infelizmente não, só resta começar novamente. 

Esse álbum é tão bom, que eu realmente não consigo pular nenhuma faixa. Apesar de ambicioso, o Seven Spires chegou sem prometer a obra mais épica de todos os tempos, quebrou todas as expectativas e entregou um dos melhores álbuns do ano. 

Só não direi o melhor porque o ano ainda não acabou e ainda dá tempo para mais alguma surpresa, mas no fundo eu dúvido que haverá mais algum álbum que irá me causar o mesmo impacto.

Texto: Raquel de Avelar Lauretto
Edição: Carlos Garcia

Banda: Seven Spires
Álbum: "Gods of Debauchery" 2021
País: USA
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Frontiers


Tracklist: 

1. Wanderer’s Prayer 
2. Gods Of Debauchery 
3. The Cursed Muse 
4. Ghost Of Yesterday 
5. Lightbringer 
6. Echoes Of Eternity 
7. Shadow On An Endless Sea 
8. Dare To Live 
9. In Sickness, In Health 
10. This God Is Dead 
11. Oceans Of Time 
12. The Unforgotten Name 
13. Gods Amongst Men 
14. Dreamchaser 
15. Through Lifetimes 
16. Fall With Me






sábado, 6 de novembro de 2021

Paradise Lost: "At the Mill", um " Ao Vivo" Marcante na Era Pandemica

Durante o período da pandemia e impossibilitadas de fazer turnês, as bandas tiveram que se adaptar, e uma das alternativas foram as lives e shows em streaming, com alguns criando eventos com vários atrativos à plateia que acompanharia a distância. 

O Paradise Lost foi uma dessas bandas que experimentou a experiência de levar um show seu, com todos os preparativos de um concerto convencional. O grupo inglês montou o seu palco na boate The Mill, nas proximidades de sua terra natal, Yorkshire, e no dia 5 de novembro do ano passado transmitiu ao vivo a apresentação, que culminou neste álbum e DVD, "At the Mill".

A qualidade sonora é muito boa, e apesar de ser uma situação bem diferente, tocar em um palco, como se fosse um show convencional, mas para uma plateia que você não pode ver, a banda conseguiu transmitir emoção, sentindo os milhares de olhos que os acompanhavam e vibravam a distância, em suas casas.

O show traz músicas que englobam todas as fases do Paradise Lost, incluindo do "Host" (1999), que foi recebido com desconfiança e teve muitas críticas negativas por causa da guinada mais profunda na sonoridade, iniciada com o "One Second" (1997).

Mas é incrível como essas músicas soam uniformes, de maneira alguma parecendo como se fossem de uma outra banda. 

Isso mostra o quanto é forte a identidade dos caras, um nome do seleto grupo dos que construiram uma sonoridade bem própria, e as faixas que transitam pelo Doom, Gothic e os flertes com o Synth Pop, fluem naturalmente, assim como as que unem esses elementos todos que compoem a música dos ingleses.

O Paradise desfila com maestria músicas como "Gothic", "One Second", "As I Die", "Ember's Fire", "So Much is Lost" e inclusive  do mais recente trabalho de estúdio, "Obisidian", que pela primeira vez foram tocadas ao vivo e dessa maneira bem diferente, mas naturalmente inclusas, pois em condições "normais", este show seria da tour do álbum. Temos então as versões ao vivo das ótimas "Ghosts", "Fall From Grace" e "Darkest Thoughts".

"At the Mill" é um registro histórico, em um momento muito diferente e marcante, e somente isso seria necessário para torná-lo singular e chamar a atenção do ouvinte, mas vai além, pois é uma excelente apresentação, com um set-list primoroso.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Paradise Lost
Álbum: "At the Mill" 2021
Estilo: Doom Metal, Gothic Metal
País: Inglaterra
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records



Tracklist
1. Widow
2. Fall from Grace
3. Blood And Chaos
4. Faith Divides Us - Death Unites Us
5. Gothic
6. Shadowkings
7. One Second
8. Ghosts
9. The Enemy
10. As I Die
11. Requiem
12. No Hope In Sight
13. Embers Fire
14. Beneath Broken Earth
15. So Much Is Lost
16. Darker Thoughts



domingo, 24 de outubro de 2021

Uriah Heep: Registro Histórico, Enérgico e Orgânico no Sweden Rock 2009

 


São mais de 50 anos desta instituição do Classic Rock/Prog Rock Uriah Heep, que segue lançando material inédito de qualidade, além de muitos lançamentos especiais, como Box Sets e Live Albums como este ótimo "Official Bootleg: Live AtSweden Rock 2009".

O show no festival foi durante a tour de "Awake the Sleeper", e trazia ainda o grande Trevor Bolder no baixo, falecido em 2013. 

O som está muito bom, orgânico, capturando e transmitindo toda a energia da apresentação, um bootleg oficial justamente por ter um som muito bom, apesar da apresentação não ter sido programada para ser gravada e lançada oficialmente, e isso contribuiu para a espontaneidade do show.

Dentre as faixas presentes, estão vários dos clássicos obrigatórios nas apresentações da banda, como "Stealin'", "Easy Livin'", "Gypsy" e "July Morning".

Do álbum da época, o "Wake the Sleeper", duas faixas, "Ghost of the Oceans" e "Angels Walk With You" e   ambas soam muito bem ao lado dos clássicos, mostrando a força desses gigantes.

Os momentos de maior destaque dentro de um set maravilhoso, são as versões para "July Morning" e "Look at Yourself", que sempre dão espaço para a banda fazer versões mais longas e improvisos. Altas doses de musicalidade, com Bernie Shaw soando excelente, alcançando notas altas com naturalidade. 

Mick Box e seu estilo todo próprio, seu feeling e personalidade (provavelmente ainda um dos mais injustiçados guitarristas do Heavy/Rock), e Lanzon, sempre incrível ao Hammond. E ainda, a cozinha impecável com o saudoso Trevor e a pegada revigorante de Russel Gilbrook. Que banda!

Vale registrar também a sempre interativa "Lady in Black", que faz o público participar efusivamente de seu refrão. 

Ótimo registro ao vivo, orgânico, empolgante, mostrando toda a classe e categoria de um dos gigantes da história do Heavy Rock, e que merecia muito, mas muito mais reconhecimento. 

Texto: Carlos Garcia

Banda: Uriah Heep
Álbum: "Official Bootleg Live At Sweden Rock 2009"
País: Inglaterra
Estilo: Classic Rock, Hard Rock, Prog Rock
Selo: earMusic/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Tracklist
1. Sunrise
2. Stealin
3. Gypsy
4. Look At Yourself
5. Ghost Of The Ocean
6. Angels Walk With You
7. July Morning
8. Easy Living
9. Lady In Black



quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Kiko Shred: Guitarrista Une-se a Banda Espanhola Death Keepers

O guitar-hero brasileiro Kiko Shred foi anunciado como novo guitarrista da banda espanhola Death Keepers, que passa a contar com integrantes de três diferentes países.

A banda foi formada no final de 2011, pela fusão da experiência e talento de músicos que se conheceram em Barcelona, ​​e se empenharam em reunir o melhor do Heavy Metal em seu estilo .

A banda possui três registros de estúdio : 

- On the sacred way 2014

- Rock this world ( EP ) 

- Rock This World (Full-Lenght) 2018


Em 2018 o vocalista americano Michael Vescera ( ex Malmsteen , ex Loudness , ex Dr.Sin ) se uniu à banda . 

Após algumas mudanças de integrantes a banda Death Keepers anunciou a entrada do guitarrista brasileiro Kiko Shred, que já havia tocado com Mike Vescera em duas turnês, no Brasil em 2016 e México em 2018.

Com um reconhecimento mundial que aumenta a cada ano, Kiko tem agora mais uma oportunidade de mostrar seu talento, experiência e técnica, e com certeza somará muito no fortíssimo line-up dos Death Keepers.


Sobre a entrada de Kiko Shred, a banda se pronunciou da seguinte forma : 

"É uma honra anunciar que o virtuoso brasileiro Kiko Shred é o novo guitarrista do Death Keepers. Kiko é um dos melhores guitarristas de Heavy Metal do mundo e já tocou com lendas como U.D.O. (ex-ACCEPT) Tim Ripper Owens (ex-Judas Priest), Blaze Bayley (ex-Iron Maiden), Doogie White  (ex-Rainbow, ex-Yngwie Malmsteen, Michael Schenker, Alcatrazz Official), Michael Vescera (Death Keepers, ex-Loudness, ex-Yngwie Malmsteen), Andre Matos (Angra, Avantasia ...) e Leather Leone entre outros . 

Além de talentoso músico de palco, Kiko também possui vasta experiência em estúdio, tendo lançado 4 álbuns. O mais recente 'Kiko Shred's Rebellion' foi lançado mundialmente pelo selo alemão 'Pure Steel Records' e no Brasil pela 'Heavy Metal Rock Records'. 

Kiko Shred une forças novamente ao lado de Mike Vescera. A banda está muito feliz por poder trabalhar com um dos melhores. Bem-vindo a bordo do Death Keepers Kiko!"

Palavras de Michael Vescera : "Kiko é um grande cara e um grande guitarrista , será incrível tê-lo como parte disso."


Kiko sobre a entrada na banda: "O convite partiu do guitarrista Eddy, que me contatou e perguntou se eu gostaria de fazer parte da banda, ele me disse que o Michael Vescera tinha me recomendado, falado bem de mim. Há planos de uma turnê européia em 2022 e logo em seguida gravaremos um novo álbum."

O atual line up do Death Keepers é:

🇺🇸 Mike Vescera - vocais 

🇧🇷 Kiko Shred - guitarra 

🇪🇸 Eddy Gary - guitarra 

🇮🇹 Ivory Gentilini - Baixo 

🇪🇸 Abel Sequera - Bateria

Os Keepers seguem o estilo Heavy Metal, porém com peso e sonoridade modernos, aquele som e energia por excelência que tantos fãs se apaixonaram na década de 80 encontram os desenvolvimentos tecnológicos de nossa era, trazendo assim à vida um som, um show, uma experiência de proporções épicas.

Com este novo line-up crescem as expectativas sobre o Keepers, que possui um grande potencial a ser mostrado, com seu Heavy Metal permeado de melodias e refrãos marcantes, balanceando com maestria toques de virtuosismo e feeling.

Texto: Carlos Garcia (incluindo informações oficiais da banda DK)

Acompanhe a banda em suas redes oficiais:

Instagram

Youtube

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Kiko Shred Canais Oficiais:



domingo, 10 de outubro de 2021

Malvada: Heavy Rock Explosivo


Criada em março de 2020, no início da pandemia no Brasil, a Malvada tem na sua formação integrantes com presença frequente nos palcos da noite paulistana, como a vocalista Angel Sberse - que ganhou notoriedade nacional quando participou da edição de 2020 do The Voice Brasil da Rede Globo -, a guitarrista Bruna Tsuruda, a baixista Ma Langer e a baterista Juliana Salgado.
 
A banda lançou primeiramente dois singles e vídeo nas plataformas digitais no primeiro semestre, os quais obtiveram excelente repercussão,  e foram chamando atenção do público, ganhando cada vez mais seguidores. O próximo passo foi o anúncio  do debut para o segundo semestre de 2021,  através do selo Shinigami Records.


Chegou a hora, e a MALVADA lançou dia 05 de agosto o seu álbum de estreia ,  "A Noite Vai Ferver" , com 9 faixas trazendo letras em português, falando sobre cotidiano e experiências pessoais.  

A sonoridade apresenta um Heavy Rock e Hard Rock, com pegadas de Blues e influências 70's, com muita atitude, com direito a baladas e muita malícia e "groove". 

Confira por exemplo  a balada pesada "Cada Escolha uma Renúncia", o Hard com toques de Blues e suingado da cheia de atitude e malícia "A Noite Vai Ferver", destacando os bem colocados wha-whas na guitarra; "Quem Vai Saber", mais uma balada Rock n' Roll muito legal.



Impossível também não querer dar repeat na forte "Pecado Capital", que manda um recado bem direto aos que ainda tem preconceito quanto ao empoderamento e igualdade de direitos da mulher, principalmente no cenário Rock/Heavy. Destaque também para Rockão "O Que te Faz Bem", com seu refrão poderoso.

O tempo do disco é relativamente curto, e as músicas muito legais e fáceis de assimilar, por isso parece que acaba ainda mais rápido, e logo dá vontade de ouvir de novo. Diria que acertaram na medida, deixando aquele gosto de "quero mais".

 
A arte de capa também é muito legal, e traz as meninas no habitat natural de uma banda,  foi feita pelo renomado João Duarte, que já trabalhou com grandes bandas como Angra, Hangar, Shaman, Circle II Circle e Golpe de Estado, entre outras.

Com uma sonoridade empolgante, bem produzida, instrumentistas competentes e a voz marcante de Angel e seus "drives" já característicos, a Malvada é uma das boas notícias surgidas durante a pandemia. Todo dia é dia de "Maldade", de Rock e de Malvada! Vai ser difícil segurar essas meninas! 

"A Noite vai Ferver" está disponível via selo Shinigami Records.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Malvada
Álbum: "A Noite Vai Ferver"
Estilo: Rock n' Roll, Hard Rock, Heavy Rock
País: Brasil
Selo: Shinigami Records

Adquira o álbum direto no site da Shinigami, ou nas principais lojas do ramo, sendo que o selo distribui nacionalmente.

Canais Oficiais da banda:


Tracklist:
1. A Noite Vai Ferver
2. Prioridades
3. Quem Vai Saber?
4. Pecado Capital
5. Ao Mesmo Tempo
6. O que te faz bem?
7. Disso que eu gosto
8. Mais um Gole
9. Cada Escolha Uma Renúncia





domingo, 3 de outubro de 2021

Suck This Punch: Evolução, Doses Extras de Peso e Groove em Segundo Full-Lenght

Formada em Limeira-SP no ano de 2015, o Suck This Punch no mesmo ano já lançou seu debut, indo logo ao ponto, e o álbum é bem interessante, com uma certa crueza, e trazendo um Hard Rock/Heavy com influências clássicas e nuances Rock n' Roll, riffs tradicionais e até guittaras dobradas, remetendo a bandas AC/DC, Motörhead, Thin Lizzy e etc, e buscando agregar a isso sonoridades mais contemporâneas.  A experiência dos músicos contribuiu para que não soasse algo precipitado essa debut.

Durante esses 7 anos que separam os álbuns, o grupo passou por mudanças na formação e uma evolução natural. Agora em 2021 o grupo lança seu segundo trabalho, "The Evil on All of Us", o qual já haviam antecipado algum material, mostrando a evolução sonora, trazendo principalmente mais peso e groove, timbres mais graves e wha-whas nas guitarras, uma maior diversidade, tanto instrumental como nos vocais de Tadeu Bon Scott (que além do inconfundível timbre, que é desnecessário dizer com quem se assemelha, explora outra nuances de sua voz). Resumindo, aquela proposta musical que a banda perseguia, está aqui realizada, madura e coesa.

Não é uma comparação, mas para ajudar a situar o leitor, a banda agregou ás inspirações tradicionais, sonoridades mais contemporâneas do Metal e Thrash, além de Southern, Stoner e  Groove Metal, e citaria como referência o Black Label Society, Kyuss, Pantera e Audioslave.

O que logo nota-se é qualidade da produção, bem superior ao debut, e em seguida a evolução na sonoridade, conforme já citei, trazendo maturidade e coesão na mistura que a banda pretendia, entre as influências tradicionais com as mais atuais do Heavy Rock e Metal.

Temos que elogiar também o trabalho gráfico, com o design da capa muito legal, e a parte lírica, tratando de temas psicológicos e comportamentais, e Tadeu explicou sobre o contexto: "Trata sobre o mal que está sob o homem e também sobre o mal que ele cria para si e para as outras pessoas. Toda a angústia, mágoa, depressão, raiva e temores que são guardados e enterrados do qual acaba criando monstros, pessoas perdidas que acabam se tornando alienadas, escravas de um sistema que suga seu tempo e suas mentes, e as tornam cegas, sem direitos à pensar ou ter uma opinião sobre algo."


São 9 faixas, iniciando com "Machines", onde já salta aos ouvidos a evolução em termos de produção e sonoridade, trazendo bastante peso e groove, timbres "gordos" e vocais mais diversificados, com Tadeu utilizando drives, soando com agressividade e indo a tons mais altos quando necessário; "You're the Best Gun" tem um riff arrastadão, andamento bem quebrado, vocais agressivos e um ótimo solo com utilização precisa do wha-wha;

"Alone" traz um andamento mais acelerado, timbres robustos na guitarra e baixo, batera quebradona, riff principal marcante e um refrão forte. Tadeu varia entre vocais graves e mais rasgados e agressivos; "Just Follows" tem nuances do Stoner, inicia com uma linha do baixo para em seguida a guitarra entrar com riffs graves e cheios de groove e harmônicos, assim como a seção rítmica quebrada. Um trecho de calmaria e com o baixo em destaque abre caminho para mais um solo com técnica e melodia;

"Shout it Out" traz também um andamento mais arrastado e riffs carregados de groove, uso sempre preciso dos harmônicos e wha-wha, seção ritmica sempre técnica e com "suingue", e Tadeu mais uma vez abusando de vocais agressivos e técnicos. "We All live in a Hole" inicia em um tom nostálgico, com o ruído de um vinil ao fundo, vocais a capella e acompanhamento de dedos estalando, mas logo após entra todo o peso e groove que permeia este trabalho de ótimo nível.

"Coward", é tipo uma balada pesada, começa com arranjos de viola, com uma levada meio Southern, meio country, e vocais sussurrados, e em seguida vai crescendo,  com o peso pouco a pouco entrando, alternando com trechos mais melodiosos;

"Blindman" entra com um peso caótico e guitarras numa levada do Thrash contemporâneo, destacando os riffs carregados de wha-wha; "Sons of War" inicia com percussões e berimbau, e uma narrativa falando sobre como a religião foi "empurrada" a alguns povos, que eram impedidos de praticar suas crenças. É uma faixa com muita percussão, groove e peso, inevitávelmente lembrando o que o Sepultura fez lá atrás em discos como "Roots". Um ótimo encerramento para um belo trabalho.

Um álbum com uma excelente produção, trazendo um Suck This Punch mostrando sua personalidade, em um álbum maduro, moderno, com groove e peso, mas acima de tudo, com músicas marcantes, bem construídas e diversificadas.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Suck this Punch
Álbum: "The Evil on All of Us" 2021
Estilo: Heavy/Thrash/Stoner/Groove Metal
País: Brasil
Selo: Voice Music
Assessoria: Som do Darma

Line-up:
Tadeu Bon Scott: Vocais
Phil Seven: Guitarras
Matheus Bonon: Baixo
Giacomo Bianchi: Bateria








domingo, 26 de setembro de 2021

Burning Witches: O Círculo Trabalhou Bem na Pandemia

 


A banda suíça Burning Witches,  não muito tempo depois desde o lançamento de “Dance with the Devil”, lançado em março de 2020, já apresenta seu novo álbum, “The Witch of the North”, somando quatro álbum no período de 5 anos. 

“Winter’s Wrath” é uma curta introdução com violão enquanto um coral canta, mas não se apegue à atmosfera tranquila, pois rapidamente você será martelado com a faixa título “The Witch of the North”. Os riffs das guitarras de Romana Kalkuhl e Larissa Ernst (que entrou na vaga  de Sonia Anubis) são como uma celebração aos heróis do heavy metal dos anos 80. 

Aumentando o ritmo e a fúria dos instrumentais seguimos com “Tainted Ritual”. “We Stand as One”, é um verdadeiro hino, pesado, animado e com Laura Guldemond mostrando todo seu poder vocal. 

A faixa seguinte, “Fight of the Walkyries”, tem um início mais tranquilo, mas mais uma vez não se iluda, você logo será contagiado pela fúria nos rosnados de Laura. 

A absurda “The Circle of the Five”, é uma das melhoras faixas do álbum. A balada “Lady of the Woods” irá te tirar do transe da música anterior. E em seguida prepara-se para a veloz e cativante “Thrall”, que claramente tem todos os elementos de metal clássico e combinados com mais vocais viscerais de Laura que roubam a cena nessa música.

“Omen” é um rápido intervalo, mas acho que não dá tempo nem do pescoço descansar, porque em seguida a poderosa “Nine Worlds” e seus riffs habilidosos e um refrão cativante farão você colocar o som no último volume. 

Em seguida, temos a impactante “For Eternity” que passa muito longe da monotonia. Faltando pouco para o álbum acabar, ainda dá tempo de se surpreender com o desempenho da banda em “Dragon’s Dream” e seu refrão divertido. Essa é uma das faixas que eu faixas que eu facilmente ouviria repetidas vezes. 

“Eternal Frost” é um breve intervalo instrumental que nos prepara para a já tradicional versão, desta vez a escolhida foi “Hall of the Mountain King”, do Savatage, que encerra o disco com chave de ouro.

Sinceramente eu não esperava que fosse gostar tanto desse álbum, mas foi difícil não me sentir contagiada com a energia da banda. Considerando que já estamos no meio do ano, me arrisco dizer que “The Witch of the North” estará no meu top 10 álbuns de 2021.

Texto: Raquel de Avelar Laureto
Edição: Carlos Garcia
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o Álbum na Shinigami

Tracklist:
1.Winter s Wrath
2. The Witch Of the North
3. Tainted Ritual
4. We Stand As One
5. Flight Of The Valkyries
6. The Circle Of Five
7. Lady Of The Woods
8. Thrall
9. Omen
10. Nine Worlds
11. For Eternity
12. Dragon s Dream
13. Eternal Frost
14. Hall Of The Mountain King




 
 

sábado, 11 de setembro de 2021

Entrevista - Saeko Kitamae: De Volta e Encarando o Futuro

 


Saeko Kitamae é uma daquelas artistas que podemos chamar de guerreira, e que faz música com o coração. Nada foi simples, desde que iniciou a busca pelo seu sonho de ter uma banda de Metal, inicialmente com bandas e projetos na cena japonesa, e em seguida partiu para a Alemanha. (English Version)

Em 2002, enquanto estava nas ruas de Hamburgo distribuindo flyers em busca de músicos para formar uma banda, chamou a atenção de Lars Ratz (Metalium), que ficou impressionado com a atitude daquela jovem. A partir daí surgiu um grande parceria, com Lars produzindo os primeiros álbuns.  O debut teve boa repercussão, inclusive com Saeko indo tocar no Wacken.

Mas devido a vários percalços, logo após o lançamento do segundo álbum, "Life" (2006), Saeko teve de retornar ao Japão e interromper as atividades.

Mas a guerreira não se deu por vencida, e em 2020 era hora de retornar, e com auxílio de uma campanha de crowdfunding, gravou um novo disco. Início de 2021 a cantora teve mais um baque, a morte do grande amigo Lars Ratz em um acidente.  Era hora de reunir ainda mais forças e focar no novo trabalho, "Holy Are We Alone", lançado mês passado pelo selo Pride & Joy.

Conversamos com Saeko, que de coração aberto nos contou sobre sua carreira, as vitórias, as decepções, e claro, sobre o novo álbum, que traz uma conexão com os anteriores, e tem um belo conceito. Confira!


RtM: Você está na cena Metal há muito tempo, enfrentando altos e baixos e até se afastando dos palcos e estúdios, mas sempre ganhando força e voltando. Conte-nos mais sobre esse retorno e sobre esse novo álbum, que também contou com uma campanha de crowdfunding.
Saeko: Em primeiro lugar, obrigada por ainda se lembrar de mim depois de tantos anos. Talvez eu possa explicar mais tarde como as respostas a outras perguntas sobre o que aconteceu e como foi o sofrimento daqueles anos para mim, mas por enquanto, estou muito feliz por ter voltado com um ótimo álbum. Esse retorno foi possível graças aos patrocinadores da campanha de crowdfunding e a jornalistas solidários como você. Além disso, os grandes músicos que confiaram em mim e me ajudaram sem garantia (Guido Benedetti, Michael Ehré, Alessandro Sala e V. Santura). Sou muito grata a todas essas pessoas.


RtM: E por que você ficou tanto tempo sem lançar nada novo? Depois de realizar sonhos de tocar em um festival como o Wacken, recebendo uma boa resposta da crítica e do público com seus álbuns anteriores, você acabou suspendendo as atividades.
Saeko: Para resumir, algumas coisas aconteceram nos negócios na Alemanha e eu não consegui descobrir sozinho naquela época (2006), então não havia outra maneira a não ser interromper minha atividade musical. Quando parei minha atividade musical, minha autorização de residência expirou (eu só podia ficar na Alemanha com a condição de trabalhar para uma produtora / gravadora alemã). Então eu tive que voar de volta para o Japão. Mas no Japão, nenhum advogado japonês sabia como me resgatar do que aconteceu fora do Japão. Então, além da música, questões burocráticas e jurídicas ... Muitos obstáculos estavam por vir.



RtM: Puxa vida, tantas coisas burocráticas. E então?
Saeko: Já que todos os advogados japoneses jogaram fora meus assuntos, eu estudei e analisei por mim mesmo. Levei mais de 10 anos para descobrir os motivos e resolver os problemas. De qualquer forma, estou feliz por finalmente ter voltado, pelo menos. Aliás, a batalha mais difícil que tive dessa vez (2019) também foi com o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.
Tive de entregar muitas cartas, certificados e um grande plano de negócios para convencê-los a obter uma autorização de residência. É compreensível, no entanto. Se um estrangeiro visitar a imigração e disser: "Eu quero ficar na Alemanha para fazer heavy metal" ... presumo que a maioria dos funcionários diria "wtf", hahaha. De qualquer forma, estou na linha de partida agora e vamos ver como as coisas vão evoluir. A vida me ensinou uma lição. Agora vou enfrentar o futuro.



RtM: Quais são suas expectativas para essa nova fase com a banda?
Saeko: Antes do COVID, meus planos eram: 1. fazer o álbum, 2. encontrar uma agência de booking e 3. sair em turnê. Mesmo assim, o COVID mudou meu plano ... está normalizando aos poucos, mas ainda não encontrei uma agência de booking. No momento, estamos planejando fazer mais alguns vídeos com letras, enquanto procuramos uma agência. É uma época estranha, mas adoro fazer shows ao vivo. 

Na verdade, quero tocar no Brasil um dia, pois recebo muitas mensagens de fãs do Brasil. Enfim, nada é possível sozinho, mas muitas coisas se tornaram possíveis junto com pessoas que apoiam a mim e ao meu sonho. Então, espero que isso se torne realidade novamente. De qualquer forma, se houver alguma boa agência de shows lendo esta entrevista, entre em contato comigo.



RtM: Conte-nos sobre o conceito desse novo álbum, o lançamento diz que também teria uma conexão com os dois primeiros álbuns.
Saeko: Sim. Claro, o conceito tem conexões com esses dois álbuns, já que estou sempre escrevendo sobre o mesmo tema, a verdade eterna de nossos espíritos. Na verdade, liricamente, há várias histórias profundas acontecendo simultaneamente, mas esta entrevista é muito curta para explicar tudo.
Ainda assim, posso apontar algumas dicas interessantes aqui. Por exemplo, meu primeiro álbum (2004) foi intitulado "Above Heaven Below Heaven". Combinado com o título do próximo álbum, torna-se "Acima do céu, abaixo do céu, Holy Are We Alone".

Pessoas não asiáticas podem não reconhecer, mas alguém da Ásia certamente notará que esta é uma alteração da famosa frase de Bhudda: "Acima do Céu Abaixo do Céu, Santo Sou Eu Só". Além disso, os ouvintes que ouviram meu segundo álbum "Life" perceberão que a abertura do próximo álbum é uma alteração do final do segundo álbum, que acabou prevendo minha morte e renascimento:
"Não chore, logo te encontrarei de novo, lembre-se de mim ...". E o próximo álbum começa: "Chegou a hora, eu voltarei, Para te encontrar de novo"


RtM: Muito bom! Eu percebi a conexão na introdução do novo álbum. E muito bom que você está de volta.
SaekoEssa abertura sugere que a história continua. Mas também é a voz do SAEKO para os fãs de longa data, você sabe, para dizer que o SAEKO está finalmente de volta para você. 
De qualquer forma, o primeiro, segundo e o próximo, este terceiro, são feitos inspirados no mesmo tema.
O 1º álbum foi METAPHYSICAL, que descreveu a verdade eterna no OUTRO MUNDO. O segundo álbum foi PHYSICAL, que descreveu a verdade pessoal NESTE MUNDO, com base na minha vida real. E o novo álbum revela como esses dois mundos diferentes formam o universo juntos.



RtM: "Holy Are We Alone" traz letras em sete línguas, e também elementos da cultura japonesa, uma peculiaridade na sonoridade da banda, que até recebeu elogios em álbuns anteriores por apresentar uma identidade muito própria. Conte-nos mais sobre essas particularidades.
Saeko: Eu tenho minha filosofia: quando eu crio qualquer coisa - seja escrevendo letras ou compondo -, eu o faço com a mente vazia. Pode parecer muito oriental, mas é como uma meditação zen. Então, se há algo que você sentiu diferente do som anterior, é o resultado da minha criação e não o que eu fiz intencionalmente. Também contei essa minha filosofia para o Guido Benedetti (g), que me ajudou a compor, antes de trabalhar com ele. Então, ele disse que também é sua filosofia. Então, eu acho que nós dois tivemos sucesso em criar música, vindo do fundo de nossos corações. E acredito que tal atitude é exatamente o que dá uma identidade especial à música.



RtM: E que "surpresas" o público deve encontrar neste novo álbum?
Saeko: Que "surpresas" o público deve esperar? Hmmm, pergunta difícil, pois não pretendia surpreender ninguém, como disse acima. Mas eu mesmo me surpreendi com canções como "Índia: Farewell To You I", em que você ouve os cantos do Bhuddihism em sânscrito, e "Germany: Rebellion Mission", em que você me ouve cantando Mozart "Queen Of The Night Aria".



RtM: O primeiro single, "Russia: Heroes", foi lançado como primeiro single, gostaria que você nos contasse um pouco mais sobre essa música e sua bela letra.
Saeko: Como eu disse antes, várias histórias acontecem simultaneamente no álbum.
O conceito é que o personagem principal reencarna nos corpos de muitas pessoas ao redor do mundo, Japão, Rússia, Brasil, Índia, Alemanha ...

Mas eu queria tornar a letra o mais real possível. Então entrevistei uma pessoa desses países sobre sua vida. Com base em suas histórias de vida, escrevi as letras. Aliás, os olhos dos entrevistados também estão no encarte.

Para "Russia: Heroes", entrevistei um russo, que teve que faltar ao jardim de infância e aos primeiros anos do ensino fundamental devido a sua saúde debilitada.
Na entrevista, perguntei a ele quem era seu herói. Então, ele respondeu: "Eu considero quase qualquer pessoa que realmente realizou algo importante para si, mesmo que seja uma coisa muito pequena, um herói. Este mundo é complexo, a vida é difícil, mas eles conseguiram! Tenho orgulho deles." Essa resposta comoveu meu coração e tornou-se o refrão.


RtM: Eu sei que é difícil escolher, mas quais novas músicas você acredita que irão agradar mais aos ouvintes e por quê?
Saeko: Sim, isso é sempre difícil. Amo todas as músicas, é claro, e não consigo escolher nenhuma. No entanto, dependendo do seu gosto musical, certas canções podem agradar mais do que outras. Se você ama o power metal em geral, provavelmente vai adorar o primeiro single "Russia: Heroes". Se você ama algo mais progressivo, provavelmente vai adorar "India: Farewell To You I". Se você adora sentimentos de rock, provavelmente vai adorar "UK: Never Say Never". O ponto forte do álbum é que todas as músicas soam muito diferentes. É cheio de variedade, mas há uma sensação consistente de SAEKO ao mesmo tempo. Então, creio que você vai gostar de todos elas, afinal.



RtM: Conte-nos um pouco sobre o período com o Fairy Mirror, uma época em que você conseguiu ter uma visibilidade no cenário do Metal Japonês, mas acabou tendo que interromper as atividades.
Saeko: Oh, você quer dizer antes de 2001? Formei uma banda chamada Insania em 1997, que mudou seu nome para Fairy Mirror em 1999. Naquela época, quase nenhum selo japonês se interessava por bandas de metal japonesas, então toda a cena doméstica era chamada de 'underground', mas havia muitas boas bandas, e essas boas bandas estavam trabalhando juntas para dar suporte a toda a cena. Então, muitos músicos de metal japoneses se conheciam bem. Por exemplo, o primeiro baterista do Galneryus, Toshihiro "Tossan" Yui, estava tocando no Fairy Mirror em algum momento.
Eu também fui uma vocalista convidada no Manipulated Slaves, com quem cantei quando abriram a primeira turnê japonesa do Arch Enemy. Houve também uma compilação com Fairy Mirror, Onmyo-za (antes de ficarem grandes) e algumas outras bandas também.



RtM: E você teve bons resultados ou boas ofertas?
Saeko: Recebi ofertas de gravadoras, mas as me pediram para cantar e tocar de forma diferente para vender: Por exemplo, "por favor, cante como Tarja (Nightwish)" etc. Quase todo mundo me pressionou a fazer isso para ter sucesso, mas eu disse NÃO, o que foi o fim do meu tempo de Fairy Mirror em suma.

Enfim, fui para a Alemanha e voltei em 2006. Depois que voltei para o Japão, esses amigos músicos de metal de longa data me disseram para cantar novamente. Mesmo assim, por mais ou menos 4 anos, continuei rejeitando, pois meus problemas jurídicos não foram resolvidos e eu estava sem esperança de retomar a música na mesma escala. Lembro que na verdade não conseguia cantar, quando tentava as lágrimas rolavam.

Fairy Mirror, no Japão


RtM: E então?
Saeko: Ainda assim, em 2013, o Manipulated Slaves quase me forçou a sair em turnê como convidada com eles, colocando o anúncio em revistas japonesas. Depois disso, um projeto beneficente de heavy metal totalmente japonês, Metal Bless Japan, bem como bandas como Seventh Son e Rachel Mother Goose me convidou para participar de seus álbuns e shows.
Além disso, o cantor do Head Phones President me disse para não desistir tantas vezes. Sem eles, eu não estaria aqui agora. Não vou esquecer sua bondade.


RtM: E a opção por vir para a Alemanha? É mais difícil para um músico de metal no Japão alcançar seus objetivos? Conte-nos sobre a diferença de ter uma banda no Japão e na Europa.
Saeko: Não posso explicar todas as coisas complicadas nesta entrevista, mas publiquei um ensaio em japonês aqui, por exemplo:
https://note.com/saeko_metal/n/nc20e394c160d
Eu sei que você não sabe ler japonês, mas você pode imaginar que há uma razão muito profunda por trás disso. De qualquer forma, a indústria musical japonesa funciona de maneira completamente diferente dos países europeus. Não digo o que é melhor ou pior. Alguns músicos podem trabalhar melhor na indústria japonesa e outros na indústria não japonesa.

De qualquer forma, uma musicista como eu nunca pode trabalhar bem na estrutura da indústria musical japonesa. A mesma coisa vale para o mundo acadêmico. O tipo de pesquisador que será altamente avaliado na Europa geralmente não tem chance no Japão. O que a sociedade japonesa espera é quase o oposto do europeu. Não posso explicar mais do que isso nesta curta entrevista.

Flyer que Saeko saiu distribuindo nas ruas em Hamburgo, 2002, procurando companheiros para formar uma banda


RtM: As coisas começaram a acontecer quando você conseguiu o contato do Lars Ratz (Metalium), que acabou produzindo e, eu acho, tocando também no seu primeiro álbum com a banda Saeko, "Above Heaven - Below Heaven". Conte-nos um pouco sobre esse período, que acho que foi muito bom para vocês e apontava para um futuro promissor.
Saeko: Ele significou muito para mim, mas ele não tocou no meu álbum (o baixista do Fairy Mirror tocou o baixo no primeiro e no segundo álbum). Mas gostei de seus coros masculinos, gravados nos dois álbuns.

Você sabe como as coisas começaram com ele em 2003? Eu estava distribuindo panfletos, "Vocalista Buscando Juntar-se a Banda de Heavy Metal", sozinha na rua de Hamburgo. A maioria das pessoas talvez tenha considerado apenas uma piada, mas Lars levou a sério, e ele entendeu o quanto a música heavy metal significava para mim.
E ele me apresentou a Michael Ehre, V. Santura e tantas pessoas incríveis. Sem ele, esses 2 álbuns simplesmente não existiriam. Realmente, ele significava muito para mim.

Saeko e Lars Ratz

RtM: Um ótimo músico, tão triste que faleceu.
Saeko: Ele faleceu por acidente em abril deste ano. Quase um mês antes de sua morte, ele, eu e V. Santura conversamos novamente, para tê-lo como convidado em meu próximo álbum, para cantar alguns corais masculinos novamente. Ele ficou feliz em ouvir minha volta e gravou os backings. Foi muito divertido que eu estivesse pensando em pedir a ele para gravar meus vocais novamente no futuro. Porque ele era o melhor para mim como produtor vocal. 

Então, logo depois disso, ele partiu deste mundo. Fiquei chocada, pois provavelmente fui eu quem gravou sua última apresentação. Você entende o que isso significa? Eu senti que era o destino.
De qualquer forma, ele e eu fizemos ótimas músicas juntos. Lars e eu éramos idealistas livres, apaixonados e ousados. Tenho certeza que o encontrarei novamente na minha próxima vida. É estranho que eu tenha tanta certeza.



RtM: E o álbum "Life"? Algumas coisas não estavam indo como você esperava? Fale um pouco sobre esse álbum também.
Saeko: Não foram bem, e eu tive que voar de volta para o Japão, como expliquei acima. Além disso, usei todo o meu dinheiro e foi muito difícil para mim sobreviver no dia seguinte. Se bem me lembro, comecei a dar entrevistas de emprego um mês depois do lançamento, pois realmente tinha que sobreviver de qualquer maneira. Sem dinheiro para amanhã em mãos, eu estava muito deprimida, então recebi mensagens de fãs da América do Sul, dizendo "Por favor, venha tocar no meu país". Eu estava tipo, "Sim, eu gostaria! Mas não tenho dinheiro para isso!"


RtM: E sobre os planos após o lançamento de "Holy Are We Alone"? Assim que possível, já existem contatos para shows?
Saeko: Espero montar alguns shows, então preciso encontrar uma boa agência de booking para me ajudar. Infelizmente, não posso configurar todas essas coisas sozinha. Mas, claro, não quero terminar só lançando um álbum, como da última vez. Então, por favor, me deseje sorte em encontrar uma boa agência desta vez e fazer isso.



RtM: Obrigado pela entrevista, esperamos que o novo álbum tenha uma ótima recepção, qualidade sabemos que tem!
Saeko: Muito obrigada de minha parte também. Pessoas como você apoiando minha música. Realmente, eu agradeço.