domingo, 27 de agosto de 2023

Cobertura de Show – Danny Vaughn – Legends Music Bar/SP – 20/08/2023

 


Os amantes do Hard Rock norte americano tiveram um final de semana que ficara marcado na memória e em seus corações. A voz do Tyketto, Danny Vaughn, 15 anos após sua primeira vinda ao Brasil, retornou para relembrar os hits do álbum mais aclamado da banda, “Don’t Come Easy” (1991).

Os shows foram marcados para Curitiba (18/08) e São Paulo (19/08), que teve seus ingressos esgotados faltando dois meses para o show. Mas a pedido dos fãs, o Legends Music Bar – local que recebeu o show –, junto com a Onstage Agency, abriu uma data extra para quem não tinha conseguido comprar ingresso para o dia anterior. 

Pequena parte do público já estava encostada no Legends faltando uma hora para abertura da casa, aberta por volta das 19h. Quem chegou cedo teve a oportunidade de ficar cara a cara com o simpático vocalista, que atendeu os poucos que haviam chegado com abraços, fotos e perguntando se todos estavam ansiosos para o show.

Por conta de tê-lo entrevistado e de ter estado num meet & greet privado, este que vos escreve foi surpreendido com um ‘Hey Gabriel’ na hora que ele veio me cumprimentar. Se eu falar que não fiquei emocionado estou mentindo. 

Diferente das casas de shows de maior capacidade, o Legends mostra ser mais simples, mas sem deixar a qualidade de lado. Mas Danny, que se familiarizou demais com os fãs brasileiros, pouco ligou para isso.

O poder que vinha do seu carisma fez com que o espaço ganhasse uma ambientação de arena, onde todos cantaram e vibraram com as dezesseis músicas selecionadas para o repertório.  
O set, como mencionado, teve “Don’t Come Easy” tocado na integra, mas não de forma cronológica. Para quem achava que o show iria começar com “Forever Young” teve que esperar até o final para vê-la ao vivo.

O bom disso é que ninguém reclamou dessa intenção, e o público até que reagiu bem na música que abriu o show, “Reach”, faixa título que abre o último álbum do Tyketto. Mas a intensidade só veio mesmo quando emplacou a clássica “Wings”, a Hard “Burning Down Inside” e a pesada “Walk On Fire”.

Algumas canções do segundo álbum do Tyketto, “Strength In Numbers” (1994) – que ano que vem vai completar trinta anos –, estiveram presente no set. A primeira executada foi justamente a faixa título, dona de um refrão chicletoso e festejada pela maioria.

Porém o público, a maioria na casa dos 30 anos, se entusiasmou mais com as músicas do ‘debut’ da banda, ovacionando todas elas. E não foi diferente quando chegaram a vez de “Strip Me Down” (introduzida pelo ótimo som de gaita do Danny), “Seasons”, “Nothing But Love” (a preferida deste que vos escreve) e “Lay Your Body Down”, seguida da pouco lembrada “Rescue Me”.

Danny, agora com os cabelos grisalhos, é mais um daqueles veteranos que não sente o peso da idade. Ele não só cantou muito bem como também vibrou, pulou e até dançou sem nenhum resquício de cansaço, o que é ótimo para um senhor de 62 anos de idade.

Ele também fez questão de elogiar, durante e após o show, os músicos que estiveram ao seu lado: Bruno Luiz (guitarra, Command 6, StormSons), Bento Mello (baixo, Sioux 66, Nite Stinger), Gabriel Haddad (bateria, Sioux 66) e Bruno Sá (teclado, Geoff Tate) – quarteto formado só por brasileiros – fizeram por merecer os elogios, tocando com perfeição todas as músicas com pouco tempo de ensaio. 


Os violões do Danny prestaram os seus serviços na linda balada “Standing Alone”, “Catch My Fall” e “Sail Away”. A primeira música é muito especial para ele, que relembrou de tê-la composta em apenas quinze minutos (N.R.: essa história também é contada na entrevista que ele concedeu aqui no Road); a última, antes de partir para o Bis, ganhou bônus especiais com o refrão de “Listen to the Music”, do The Doobie Brothers, e de um rápido ‘Oh-Oh-Oh’ que ia do médio ao mais alto. 

Quem segue os vocalistas Jack Fahrer (Nite Stinger e que também esteve presente no show) e o BJ (Tempestt, Jeff Scott Soto, Spektra) nas redes sociais notaram que os dois estiveram em um jantar particular – organizado por uma amiga deles – e que teve, claro, a presença do Danny.

Após ou durante o jantar, não sei, teve uma jam acústica com Danny e o BJ cantando “Heaven Tonight”, do Waysted, A química foi tão boa que os dois repetiram o feito (com a banda completa, claro) nos shows daqui de São Paulo.

Não só eu como muitos devem ter ficado emocionados de ter visto essa canção ao vivo, a qual considero como o maior clássico da carreira do Danny. 

Chegando quase no fim, Danny pediu para que o meu xará fosse a frente do palco para agitar todo mundo com o barulho do seu meia lua enquanto tocava e cantava a ‘bluesy’ “Last Sunset” antes de pôr o ponto final com a marcante “Forever Young”, que encerrou o show com a sensação de início por conta de ela ser peculiarmente perfeita para abertura de shows.


Não há dúvidas que essa passagem mais recente do Danny aqui no Brasil, especialmente na terra da garoa, ficará marcada para o resto de sua carreira. E que fiquemos na torcida para que ele volte o mais breve possível, assim como Johnny Gioelli, que também esteve aqui no Brasil acompanhado dos mesmos músicos no começo desse ano. 


Texto: Gabriel Arruda | Instagram: @gabrielarruda07
Fotos: André Tedim | Instagram @andretedimphotography
Edição / Revisão: Carlos Garcia
Produção: Onstage Agency
Assessoria de Imprensa: ASE Music Press

Danny Vaugh
Reach
Wings
Burning Down Inside
Walk On Fire
Strength In Numbers
Strip Me Down
Seasons
Nothing But Love
Lay Your Body Down
Rescue Me
Standing Alone
Catch My Fall
Sail Away
Heaven Tonight (Waysted, feat. BJ)
Last Sunset
Forever Young


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Dr. Sin, Medjay e Armiferum compartilham as surpresas que terão no show em SP em coletiva de imprensa realizada no The Metal Bar

No dia 18/08 (sábado) ocorreu a apresentação do Dr.Sin, banda lendária do Hard Rock nacional, ao lado das novatas Medjay e Armiferum no Fabrique Club, em SP. E para entrar no clima desse show, o The Metal Bar, localizado na região de Pinheiros, organizou, na última quinta-feira (09), um meet & greet com as três bandas, que também reuniu outras personalidades do Metal nacional como Jack Fahrer (vocalista do Nite Stinger), Anderson Bellini (diretor e produtor do documentário Andre Matos – O Maestro do Rock), Amilcar Christofaro (baterista do Torture Squad) e Alexandre Grünheidt (Ancesttral).

Antes de rolar o encontro, que aconteceu às 20hrs, houve uma coletiva de imprensa organizada pela Som Do Darma. A coletiva teve seu início às 18hrs, mas por conta da forte chuva em SP, eu, Gabriel Arruda, não consegui chegar a tempo para pegar as primeiras palavras dos irmãos Andria e Ivan Busic e do guitarrista Tiago Melo, trio do Dr. Sin. Mas cheguei a tempo para pegar os primeiros dizeres do Samuka, da Medjay, e do Augusto Cardozo, do Armiferum.

Vários assuntos foram abordados durante a coletiva. O primeiro a revelar as surpresas do show foi Samuka, baixista/fundador da Medjay, que prometeu um show completo com as participações da cantora Ana Mafra e da Mayara Puertas (vocalista do Tortures Squad), que estão no último trabalho da banda, “Cleopatra VII” (2022) e das bailarinas da Tribo de Dana, que faz uma mistura com a dança do ventre tradicional com a tribal fusion.

Vai ser um show com a proposta da Medjay, que é a ideia de áudio visual com a música e o visual carregado nessa questão do Egito”, falou sobre o show, que será o segundo em SP depois que abriram para o Angra, ano passado, no Tokio Marine Hall. “A gente devia um show aqui em São Paulo trazendo o que a gente oferece, que é essa imersão na música, no Power Metal e da cultura egípcia. Então podem esperar que vai ser um show completo”.

A banda, que além do Samuka conta com Phil Lima (vocal/guitarra), Freddy Daniels (guitarra) e Riccardo Linassi (bateria), ganhou destaque por carregar a cultura egípcia nas suas músicas. Essa influência é muita vinda do fundador. “Sou um historiador de profissão e professor de história há vinte anos. O Egito sempre esteve presente na minha vida e no meu corpo”, explicou Samuka, que também aproveitou para explicar sobre a sonoridade, que traz um Power Metal mais simples, direto e mais palatável. O conceito lírico vem do Egito antigo e de suas mitologias. “A nossa base é o Power Metal, diferente do Myrath, por exemplo, que é uma banda árabe fazendo Metal. Nós somos uma banda de Metal trazendo a influência. O nosso som é mais direto, valorizando muito a questão dos riffs em nossas músicas. Mas a intensão é ser uma banda que, em tudo que ela trabalha e fala nas letras, remete a história do Egito antigo”.

A jovem cantora carioca Ana Mafra, de apenas 16 anos, ao lado da Mayara Puertas – que também chegou atrasada para a coletiva – também estiveram presentes para responder as perguntas dos jornalistas. A Ana, que vem tendo seu nome muito ventilado no Heavy Metal nacional, contou como conheceu a banda e falou sobre a felicidade de poder participar do show.

Eu conheci a Medjay através de um festival, e depois disso eu fui querer conhecer um pouco mais sobre a banda. Eu adoro conhecer tudo que é ligado ao Heavy Metal nacional, a gente tem muita banda boa por aqui. Eu me apaixonei pelo “Sandstorm” (2020), gravei uma música desse disco, fiz um vídeo e marquei a Medjay. Estou muito feliz de estar participando desse show, porque vai estar trazendo toda essa imersão do Egito antigo”.

A cantora também aproveitou para falar sobre a nova geração de cantoras da sua idade que estão surgindo e que estão tendo grande ascensão por cantarem Rock e Heavy Metal. “Tem muitas meninas e meninos da minha idade que ama Rock N’ Roll e ama Heavy Metal. Eu acho que, quanto mais tiver pessoas da minha idade colocando o Rock e o Heavy Metal para frente, será melhor”, comentou.

Depois que o baterista Ivan Busic respondeu uma pergunta sobre a falta de bandas brasileiras em grandes festivais, Samuka lembrou da importância de as bandas estarem fazendo seus próprios festivais, coisa que já acontecia há muito tempo na Europa e no Sertanejo Universitário. “Recentemente tocamos no festival chamado Into The Dark, que até aconteceu aqui em São Paulo e depois foi para Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Eles juntaram três bandas, que também leva uma outra banda convidada, e faz seu próprio festival com uma estrutura legal e tudo mais. E a gente vem começando a fazer isso com as bandas headliner também. E para gente é uma oportunidade imensa estar participando de um evento onde o Dr.Sin está”, falou o também produtor de shows, Samuka, que está cuidando de toda a produção do show com a sua produtora, BH Hell’s Produções.

O guitarrista Augusto Cardozo falou da honra de dividir o palco ao lado de uma banda lendária que é o Dr. Sin e de outra que está caminhando para se tornar uma lenda que é a Medjay com o Armiferum, que fara o primeiro show da carreira. “O show não terá uma megaestrutura, mas iremos entregar um show bom com elementos cenográficos”.

Recentemente a banda, formada em 2020, passou por um processo de reformulação, que agora conta com seis integrantes na formação. Por conta disso, a dificuldade de conseguir espaço devido à grande quantidade de membros aumentou. E sobre a questão do retorno, Augusto foi realista ao dizer que não espera muita coisa por agora. “É um pensamento que estamos tendo a longo prazo. Foi um investimento para fazer esse show do dia 18 em questão de merchandising, estrutura de palco e equipe que vamos levar. Então não será um show que vai ser rentável agora, mas que estamos plantando nossos frutos para mais frente colher”. 

O Dr. Sin também prepara grandes surpresas com um repertorio que vai remeter as músicas do primeiro álbum – que esse ano completou 30 anos de lançamento – e que poucas vezes foram tocadas ao vivo. Além, claro, de outros lados B da carreira da banda.

E já que será um show comemorativo ao lançamento do primeiro álbum, Andria e o Ivan relembram a época que tiveram que largar tudo o que tinham aqui no Brasil para poder ir ao Estados Unidos conseguir contrato com uma grande gravadora e gravar o disco, que para o Ivan, é “revolucionário”. “Pela opinião de todo mundo, e do nosso sentimento, é o trabalho mais importante da nossa vida. Quem viveu aquela época com a MTV, rádios como a 89 e das pessoas de fora da banda, viu que é um disco que mudou o jeito de outras bandas a encarar a carreira musical”, dize Ivan, que também revelou uma grande novidade a respeito desse trabalho que vai deixar os fãs e os colecionares felizes.  “Vai ter relançamento do álbum, na versão original, da Warner, em CD e LP, ainda esse ano”.

Recentemente o trio lançou CD/DVD acústico, que foi gravado ano passado, no Teatro J. Safra, em SP, com as participações do ex-guitarrista, Edu Ardanuy, Rafael Bittencourt, guitarrista do Angra, e também do vocalista/guitarrista Bavini, a orquestra regida pelo maestro Bartolomeu Vaz e da pianista Juliana D’Agostini.  O Edu [Ardanuy] tinha que participar de qualquer jeito, ele fez parte da banda durante vinte e cinco anos. Não tinha como negar a participação dele. Então isso foi importante e vital para o DVD existir de uma forma correta”, falou Andria sobre a participação do Edu. “Quanto ao Rafael Bittencourt, ele foi um dos caras que ajudou muito na volta do Dr. Sin. Inclusive ele que deu o nome do nosso último disco de estúdio, “Back Home Again” (2019). É um cara que mora no coração da gente também”, falou Andria sobre o membro/fundador do Angra.

O Andria também fez questão de falar sobre como foi o processo de ter que arranjar os principais clássicos da carreira da banda em formato acústico. O mesmo se inspirou muito nos acústicos do Kiss e do Alice In Chains para que o do Dr. Sin ficasse bem feito. “Quando fizemos os arranjos, eu quis tocar baixolão. Poderia fazer uma coisa só com violão, mas eu quis fazer um formato que conversasse com tudo o que a gente estava pensando, tendo uma pessoa a mais para cantar e tocar – que foi o Bavini – enquanto eu estivesse solando, e algumas músicas com orquestra e piano”, explicou Andria.

Chegando ao final, os membros de cada banda relembraram os tempos difíceis que tiveram na pandemia. Samuka falou que as bandas devem valorizar muito o trabalho da imprensa, que ajudou muito na questão de divulgação e resenhas no momento em que a Medjay não poderia fazer shows para promover seu primeiro trabalho, “Sandstorm”, que foi lançado no período que começou a pandemia. A banda também passou por um momento desagradável com o lançamento do “Cleopatra VII”, que teve a distribuição sendo feita na Ucrânia, mas que todas as cópias foram perdidas por conta da guerra contra a Rússia.

Em breve a banda vai começar a gravar o terceiro disco junto com o produtor/baterista do Korzus, Rodrigo Oliveira, no Dharma Studios, localizado em SP. O disco irá abordar sobre a trajetória do rei do Egito, “Saladino”, título do vindouro trabalho. 

Os membros do Dr. Sin, que vieram de uma outra geração e que estão acostumados a tocar ao vivo, também tiveram que lidar com os novos hábitos durante os tempos de pandemia. “Quando chamaram a gente para fazer um collab da música “Lost In Space”, eu gravei com fone do Iphone”, riu Ivan. “Cada show que temos feito depois da pandemia tem sido inigualável, porque teve um momento que a gente achou que não ia mais voltar. E graças a Deus a gente está podendo pisar nos palcos novamente, que é aonde a gente se sente mais vivo do que nunca”.

O Ivan e o Samuka também apontaram que o momento pandêmico foi uma oportunidade dos artistas mais jovens a se juntarem para fazer trabalhos com músicos e bandas que já tem um grande nome no mercado e apoio que tiveram delas. Sintetizando tudo o que o Ivan e o Samuka falaram, a Mayara falou das coisas positivas que aconteceram na sua carreira durante essa fase. “Se não houvesse a pandemia, talvez eu não tivesse tido a chance de gravar com o Sepultura, Luis Mariutti, Aquiles Priester... Só que foi uma situação que os músicos, de certa forma, precisaram se unir para produzir conteúdo não apenas por entretimento, mas de manter a esperança nas pessoas de que a música não ia morrer”.

 

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Bel Santos @bel.santosfotografia

Edição/Revisão: Renato Sanson

 

Agradecimentos: Eliton Tomasi e Susi dos Santos, da Som Do Darma, pelo convite.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Entrevista – Danny Vaughn: a voz do Tyketto de volta ao Brasil

 


Depois de 15 anos da sua última vinda ao Brasil, a voz do Tyketto, Danny Vaughn, irá retornar ao pais em breve para três apresentações, uma delas, em SP (19/08), com ingressos esgotados. Mas para quem não conseguiu ingresso para essa primeira data na capital paulista poderá adquirir ingresso para o show do dia seguinte (20/08) com um setlist totalmente diferente. 

(Read The english version here)


Danny Vaughn começou a ganhar fama mundialmente após o lançamento do primeiro álbum do Tyketto, “Don’t Come Easy”, que será executado na integrada em todos shows aqui no Brasil.


Antes de integrar o Tyketto, Danny foi vocal do Waysted, banda que foi liderada pelo saudoso e lendário baixista do UFO, Pete Way. Destaque também para os álbuns com o From The Inside e o solo "Myths, Legends & Lies". Quando não há compromissos com o Tyketto, Danny investe na sua carreira solo e em shows acústicos pela Europa e na Espanha, pais em que reside desde 2009.


Antes de desembarcar para o Brasil, o vocalista disponibilizou um pouco do seu tempo para nós do Road To Metal para falar como foi o período da pandemia, os primórdios do Tyketto a expectativa para os shows aqui no Brasil e algumas outras curiosidades.


RtM: Obrigado Danny por disponibilizar um pouco do seu tempo para conversar conosco e responder algumas perguntas. Para começar, gostaria de saber como foi a sua vida durante a pandemia da Covid-19? 

Danny: Oi Gabriel! Que bom falar com você. A pandemia foi uma longa história para todos nós... Primeiro foi um pouco assustador, mas também houve algo libertador sobre isso. Na Espanha ficamos trancados em nossas casas por 47 dias. Tudo ficou difícil rapidamente. Então teve a hora da crise real, ambos nacional e pessoal, mas também teve um renascimento. 


RtM: Faz um tempo que você está morando na Espanha, o que te motivou a deixar Cleveland para conviver com a atmosfera espanhola?

Danny: Eu nasci em Cleveland, mas meus pais mudaram de lá quando eu tinha menos de um ano. A gente teve que morar em muitos lugares, mas eu sempre penso em mim mesmo como um nova iorquino, porque nos mudamos para lá quando eu tinha sete anos e vivi lá até os meus vinte.


Eu já morei em vários lugares nos Estados Unidos, mas me mudei para Irlanda em 2004 e depois, em 2009, para a Espanha. Eu adoro aqui. 



RtM: Lembramos também que você gravou um álbum com a banda espanhola Burning Kingdom, do guitarrista Manoel Seoane (Delalma, e que também tocou com o Mago de Oz). Conte para a gente como foi essa experiência, e fale um pouco sobre esse trabalho. 

Danny: Adorei trabalhar com Manoel. Ele é uma das almas mais gentis que já conheci. É um musico brilhante e talentosíssimo. Me chamaram para este projeto porque o cantor deles havia pegado muito dinheiro e sumiu com a grana. Um amigo em comum me perguntou se eu estava disponível para ir a Madrid e ajudar o Manoel.


A pior parte foi que todo o trabalho já estava gravado, então muito pouco poderia ser mudado. Tive que escrever as letras e melodias para encaixar em um trabalho pré-existente. Foi bem difícil, mas fiquei feliz com o resultado das canções. Não muito feliz com a produção e gravadora.


RtM: Um grande vocalista brasileiro, que lançou disco pela Frontiers Records há dois anos atrás, Alirio Netto, está morando na Espanha também. Por conta do Hard Rock estar mais presente na Europa do que nos Estados Unidos também foi um dos motivos da mudança para Europa? 

Danny: Sim, muito. Soube que poderia continuar minha carreira na Europa, mas não nos Estados Unidos. Sempre achei que na Europa e na América do Sul os fãs têm uma grande memória, e não te esquecem quando a moda musical muda.


RtM: Estava pesquisando sobre ti e vi que temos semelhança em algumas coisas... E tanto eu, Gabriel Arruda, quanto você, nascemos no mês de julho. Eu costumo dizer que as pessoas boas nascem nesse mês (risos). E a outra coincidência é que você tem a mesma idade do meu pai.

Danny: Então eu tenho a mesma idade que seu pai?  Não sei o que sinto sobre isso (risos).

Sério, obrigado pelas palavras gentis. 




RtM: Mês passado você completou sessenta e dois anos de idade. Fãs seus aqui no Brasil falam que você está cantando muito mais e parece em melhor forma do que quando era mais jovem. Ter se tornado vegano ajudou a manter a aparência jovem, além, claro, de manter sua saúde vocal em forma? 

Danny: Não sei se pareço mais saudável do que antes no começo do Tyketto, mas eu sei que me sinto bem para minha idade. Me tornei vegano sete anos atrás e teve muitos efeitos positivos na minha vida. Definitivamente sinto que sou um cantor mais forte por causa da minha dieta.


Ano passado comecei a comer peixe de novo, então não me intitulo vegano mais. Mas ainda não como carne vermelha ou lacticínios. Não digo as pessoas o que comer, mas essa mudança funcionou para mim. Também estou em um maravilhoso casamento que dura 14 anos e quando você tem apoio total do seu (a) parceiro (a), isso tira um grande peso dos seus ombros.

E por nascer em julho (nos Estados Unidos), nossas mães nunca nos perdoarão por nascermos no mês mais quente do ano.(Risos!)


RtM: “Don’t Come Easy”, disco de estreia do Tyketto, está já com mais de 30 anos. Só que o álbum saiu em uma época onde o grunge estava dominando o mercado da música. Você acredita que se o álbum tivesse sido lançado nos anos oitenta a repercussão teria sido melhor?

Danny: Acredito que sim. O lançamento do álbum foi atrasado pela gravadora Geffen Records porque eles estavam em um processo de venda para a Universal, então tudo que estava na lista de lançamento foi sendo adiado. Isso nos custou muito.


RtM:O tempo fez bem para "Don't Come Easy", pois o disco continua soando atual nos dias de hoje e é considerado um dos melhores trabalhos da história do Hard Rock. Quais foram as melhores lembranças nessa época em que lançaram o álbum? 

Danny: Bem, isso foi há muito tempo. Tenho vaga lembrança sobre isso. Mas me lembro que, no dia que o álbum foi lançado, algumas garotas que já eram fãs da banda e sabiam onde morávamos – e todos morávamos na mesma casa na Ilha Staten naquela época – seguiram Brooke, tocaram a campainha e pediram para que assinássemos seus álbuns. Adoramos aquilo.


RtM: “Forever Young” e “Wings” são as músicas que abrem o trabalho e as que fizeram – e fazem até hoje – mais sucesso entre os fãs. O disco como um todo é espetacular, mas a maioria o associa por conta dessas duas músicas. Após o lançamento você imaginava que elas iriam fazer tanto sucesso? E aproveitando, conte para a gente como foi o processo de composição das duas? 

Danny: Quando você é um músico jovem, quase se tornando um rock star, seu ego te diz que tudo que você fizer será um tremendo sucesso e que todo mundo vai adorar. Mas também tem a voz interna que te diz quanto do seu sucesso vem da pura sorte.


Eu discutiria que “Standing Alone” seria mais impactante para as pessoas ao passar dos anos do que “Wings” ou “Forever Young”. Enfim, tudo que sabíamos é que tínhamos feito um álbum forte. Um que teríamos comprado se alguém tivesse feito.


Escrevemos todas as músicas com muita concentração e tempo, ensaiamos quase todos os dias e compomos e compomos, até que tivéssemos o que achávamos ser as melhores ideias que pudéssemos alcançar. Algumas foram rápidas, como “Wings”. “Forever Young” levou uma eternidade. Todos tinham ideias e opiniões para usar.



RtM: A forma de se consumir música mudou nas últimas décadas, tendo as plataformas de streaming seus lados positivos e negativos. Como você avalia essa questão? Muitos artistas dizem que os valores repassados são injustos, tendo isso como um dos principais pontos negativos. Por outro lado, essas plataformas fizeram com que o Tyketto e, claro, você, ganhassem uma nova base de fãs ao redor do mundo?

Danny: Você nunca tem certeza. O streaming em todo o cenário musical é uma faca de dois gumes. Artistas podem atingir um alcance maior, mas não fazer dinheiro algum com isso. Ocasionalmente, isto prejudicará nossa qualidade musical. 


RtM: Dentro de alguns dias os fãs de Curitiba e São Paulo irão assistir e ouvir “Don’t Come Easy” na íntegra. As músicas que estou, e creio que a maioria também, mais aguardando para assistir e ouvir ao vivo é “Lay Your Body Down”, “Nothing But Love” e “Strip Me Down”. Há alguma música em especial desse álbum que você goste de cantar ao vivo? 

Danny: Nenhuma em particular, embora eu me divirta muito com “Sail Away”. Depende do público. Gosto quando as pessoas vêm e cantam, batem palmas, dançam e deixam rolar. Um grande show é uma parceria entre a banda e o público.


RtM: “Seasons”, “Standing Alone” – música que tem uma de suas mais elogiadas performances vocais – e “Walk On Fire” são outras que estou ansioso para ouvir ao vivo. E elas remetem muito a influência do Led Zeppelin e do The Eagles, bandas que fizeram parte da sua formação musical. Comente para a gente um pouco a respeito delas.

Danny: Eles realmente foram uma influência. Acho que foi parte da mágica do primeiro álbum. Nós todos temos gostos diferentes. Michael e eu somos mais setentistas, gostamos de Led Zeppelin, Rolling Stones, Montrose e Grand Funk Railroad.


Brooke era o especialista em grandes guitarristas como EVH e George Lynch. E ainda nós escutávamos bandas recém-formadas como Night Ranger. De alguma maneira nós misturávamos tudo aquilo. 


RtM: Não será a primeira vez que o “Don’t Come Easy” será tocado na íntegra. Um desses acontecimentos está registrado no CD/DVD ao vivo “Live from Milan”, só que sendo tocado de forma invertida. Esse feito será repetido aqui no Brasil – para que ninguém vá embora depois de “Forever Young “ e “Wings” – ou dessa vez será de forma cronológica? 

Danny: Bom, há um tempo atrás, o Eagles aprendeu da maneira mais difícil que eles não deveriam abrir o show com Hotel Califórnia. O interesse de muita gente foi sumindo depois da música favorita deles já ter sido tocada. Não sei a ordem que iremos tocar, mas você pode ter certeza que “Forever Young” não será a primeira. 



RtM: A última vez que você e o Tyketto estiveram aqui no Brasil foi em 2008 no Hard In Rio, no Rio de Janeiro. Uma vez você falou que tinha o desejo de se apresentar em São Paulo, e esse desejo se concretizará em breve graças ao Carlos Chiaroni, da Animal Records, junto com o pessoal da On Stage Agência. Como foram as negociações para esse show? 
Danny: Foram fáceis. Sim, o Carlos sempre está em contato e sempre falamos sobre fazer isso acontecer. Mas o Rodrigo [Scelza] é o cara que nos trouxe da última vez e ele é um ótimo promotor. Então, quando ele entrou em contato a conversa foi simples.
"Rodrigo: Eu quero que você faça 3 shows no Brazil esse verão. Eu: absolutamente!"


RtM: O último disco do Tyketto é o “Reach”. Em entrevistas você diz que tem um apreço maior por ele do que com o “Don’t Come Easy”. O álbum seria uma evolução perfeita (e natural) se caso tivesse vindo após o “Don’t Come Easy”. Comente a respeito.

Danny: Na verdade, eu acho que este é o melhor álbum do Tyketto. Nós éramos mais velhos, mais espertos e também muito animados, porque tínhamos Chris Green, Chris Childs e Ged Rylands em um estúdio pela primeira vez.


Já havíamos estado em turnê juntos e, naquele momento, já estávamos prontos para gravar. Foi muito emocionante fazer um álbum a moda antiga, viver em um estúdio em Gales e sem distrações. O estúdio Rockfield nos ajudou a fazer um álbum tão bom.


RtM: Agora um pouco sobre seu início na música, nos conte quem foram suas principais inspirações e quando foi e como você se sentiu na sua primeira experiência no palco.

Danny: Me inspiro em qualquer coisa a todo tipo de música. Adoro a criação do som. Isso me hipnotiza. Meus pais tinham uma enorme e estranha variedade de discos, então eu fui exposto à música bem cedo. Minha primeira vez em um palco foi com 11 anos no coral da escola.


Eu era uma criança barulhenta e ocupada e eles tentavam me focar em algo. Depois de 2 meses estando no coral eu fiz um solo. Nos apresentamos na igreja na frente da minha família e amigos, foi apresentação de Natal. E quando meu solo chegou, de repente todos olhavam ao redor para saber de onde vinha aquela voz, Tive a atenção de toda a igreja e eu me emocionei!!



RtM: Que história legal Danny, obrigado por compartilhar. Bom, para finalizar, podemos esperar por um novo álbum do Tyketto para um futuro próximo? E que projetos mais você tem em andamento?

Danny: Agora que o Tyketto está voltando mais forte do que nunca, nós começaremos a trabalhar em músicas novas e logo em um novo álbum.  Fico ocupado enquanto faço shows solo acústicos e estes shows privados ao redor do mundo. É uma experiência completamente diferente do que tocar com uma banda, mas estou curtindo. Estou com vários shows marcados no outono na América.

RtM: Muito obrigado por nos disponibilizar o seu tempo conosco. Te vejo em breve aqui em São Paulo...

Danny: Obrigado Gabriel! Não vejo a hora de tocar no Brasil.


Entrevista: Gabriel Arruda (com colaboração de Carlos Garcia)

Edição / Revisão: Carlos Garcia

Fotos: Divulgação e arquivo do artista

Agradecimentos: Ricardo Batalha (editor-chefe da revista Roadie Crew / ASE Music Press), Rodrigo Scelza e Filipe Barcelos (On Stage Agency) 







Interview - Danny Vaughn: The Voice of Tyketto talks about The Band, career, and gigs in Brazil

 


After 15 of his last visit to Brazil, the voice of Tyketto, Danny Vaughn, will return to the country soon for three presentations, one of them, in SP (19/08), with tickets sold out. But for those who couldn't get a ticket for that first date in São Paulo, you can buy a ticket for the show the next day (20/08) with a totally different setlist. (acesse aqui a versão em português)


Danny Vaughn began to gain worldwide fame after the release of Tyketto's first album, "Don't Come Easy", that will be played in full in all concerts here in Brazil.


Before joining Tyketto, Danny was lead singer of Waysted, a band formed by the late and legendary bassist of UFO, Pete Way. When there are no commitments with Tyketto, Danny invests in his solo career and in acoustic shows in Europe and Spain, countrie where he has lived since 2009.

Before leaving for Brazil, the vocalist made some of his time available to us at Road To Metal to talk about the pandemic period, the beginnings of Tyketto, expectations for the shows here in Brazil and some other curiosities.



RtM: Thank you Danny for taking the time to talk to us and answer some questions. To begin with, I would like to know how his life was during the Covid-19 pandemic?
Danny: Hi Gabriel! How nice to talk to you. The pandemic has been a long story for all of us... At first it was a little scary, but there was also something liberating about it.

In Spain, we was locked in our homes for 47 days. Everything got difficult quickly. Then there was the time of real crisis, both national and personal, but there was also a renaissance.



RtM: You've been living in Spain for a while, what motivated you to leave Cleveland to experience the Spanish atmosphere?

Danny: I was born in Cleveland, but my parents leave there when I was less than a year old. We had to live in many countries, but I always think of myself as a New Yorker, because we moved there when I was seven and lived there until my twenties. I have lived in various places in the United States, but I moved to Ireland in 2004 and then, in 2009, to Spain. I love it here.



RtM: We also remind you that you recorded an album with the Spanish band Burning Kingdom, with guitarist Manoel Seoane (Delalma, who also played with Mago de Oz). Tell us how this experience was, and talk a little about this work.

Danny: I loved working with Manoel. He is one of the kindest souls you will ever meet. He is a brilliant and talented musician. They called me for this project because their singer had taken a lot of money and disappeared with the money. A mutual friend asked me if I was available to go to Madrid and help Manoel.

The worst part was that all the work was already recorded, so very little could be transformed. I had to write the lyrics and melodies to fit in with pre-existing work. It was very difficult, but I was happy with the result of the songs. Not very happy with the production and label.



RtM: A great Brazilian vocalist, who released an album on Frontiers Records two years ago, Alirio Netto, is also living in Spain. Because Hard Rock was more present in Europe than in the United States, was that also one of the reasons for moving to Europe?
Danny: Yes, a lot. I knew that I could continue my career in Europe, but not in the United States. I've always thought that in Europe and South America fans have a great memory, and they don't forget you when music scenary changes.


RtM: I was researching about you and I saw that we have similarities in some things... And both I, Gabriel Arruda, and you, were born in the month of July. I usually say that good people are born in this month (laughs). And the other coincidence is that you are the same age as my father.

Danny: So I'm the same age as your father? I don't know how I feel about it (laughs). Seriously, thanks for the kind words.


RtM: Last month you turned sixty-two years old. Fans of yours here in Brazil say you're singing a lot more and looking in better shape than when you were younger. Has going vegan helped keep you looking young, as well as, of course, keeping your vocal health in good shape?

Danny: I don't know if I look healthier than I did starting Tyketto, but I do know that I feel good for my age. I became vegan seven years ago and it has had many positive effects on my life. I definitely feel like I'm a stronger singer because of my diet.


Last year I had started eating fish again, so I don't call myself a vegan anymore. But I still don't eat other types of meat dairy products. I don't tell people what to eat, but this change worked for me. I am also in a wonderful marriage that has lasted 14 years and when you have your partner's full support it takes a huge weight off your shoulders.

And for being born in July (in the United States), our mothers will never allow us for being born in the hottest month of the year! Ha ha ha!


RtM: “Don’t Come Easy”, Tyketto’s debut album, is already over 30 years old. But the album came out at a time when grunge was dominating the music business. Do you believe that if the album had been released in the eighties the repercussion would have been better?

Danny: I believe so. The release of the album was delayed by Geffen Records because they were in the process of selling to Universal, so everything on the release list was pulled back. It cost us a lot.



RtM: Time was good for "Don't Come Easy", because the record still sounds current nowadays and is considered one of the best works in the history of Hard Rock. What were the best memories from that time when you released the album?

Danny: Well that was a long time ago. I have a vague memory of that. But I do remember that the day the album came out, some girls who were already fans of the band and knew where we lived – and we all lived in the same house on Staten Island at the time – went to Brooke, rang the bell and asked us to sign your albums. We love it.


RtM: “Forever Young” and “Wings” are the songs that open the work and the ones that made – and still make – more success among the fans. The album as a whole is spectacular, but most associate it with these two songs. After the launch, did you imagine that they would be so successful? And taking the opportunity, tell us how was the composition process of this two songs?

Danny: When you're a young musician, on the verge of becoming a rock star, your ego tells you that everything you do will be a huge hit and everyone will love it. But there's also that inner voice that tells you how much of your success comes from your luck.


I would argue that "Standing Alone" would be more impactful to people over the years than "Wings" or "Forever Young". Anyway, all we knew was that we had made a strong album. One we would have bought if someone else had made it.

We wrote all the songs with a lot of concentration and time, rehearsed almost every day and wrote and wrote until we had what we thought were the best ideas we could come up with. Some were fast, like “Wings”. “Forever Young” took forever. Everyone had ideas and opinions to use.



RtM: The way of consuming music has changed in recent decades, with streaming platforms having their positive and negative sides. How do you rate this issue? Many artists say that the values passed on are unfair, having this as one of the main negative points. On the other hand, have these platforms gained Tyketto, and of course you, a new fan base around the world?
Danny: You're never sure. Streaming across the music scene is a double-edged sword. Artists can achieve greater reach, but not make any money from it. Occasionally this will degrade our music quality.


RtM: In a few days, fans from Curitiba and São Paulo will watch and listen to “Don’t Come Easy” in its entirety. The songs that I am, and I think most are also, waiting to watch and hear live are “Lay Your Body Down”, “Nothing But Love” and “Strip Me Down”. Is there a particular song from this album that you enjoy singing live?

Danny: None in particular, although I had a lot of fun with “Sail Away”. It depends on the audience. I like it when people come and sing and clap and dance and let it all roll. A great show is a partnership between the band and the audience.


RtM: “Seasons”, “Standing Alone” – song that has one of your most praised vocal performances – and “Walk On Fire” are others that I'm looking forward to hearing live. And they refer a lot to the influence of Led Zeppelin and The Eagles, bands that were part of their musical formation. Tell us a little about them.

Danny: They really were an influence. I think that was part of the magic of the first album. We all have different tastes. Michael and I are more 70's, we like Led Zeppelin, Rolling Stones, Montrose and Grand Funk Railroad. Brooke was the expert on great guitarists like EVH and George Lynch. And yet we listened to newly formed bands like Night Ranger. Somehow we mixed it all together.



RtM: It won't be the first time that "Don't Come Easy" will be played in its entirety. One of these events is recorded on the live CD/DVD “Live from Milan”, only played in reverse. Will this feat be repeated here in Brazil – so that no one leaves after “Forever Young” and “Wings” – or will this time be chronologically?Danny: Well, a while ago, the Eagles learned the hard way that they shouldn't open with Hotel California. Many people's interest waned after their favorite song had already been played. I don't know what order we'll play it, but you can be sure that “Forever Young” won't be the first.


RtM: The last time you and Tyketto were here at Brazil was in 2008 at Hard In Rio, in Rio de Janeiro. You once said that you had the desire to perform in São Paulo, and that desire will come true soon thanks to Carlos Chiaroni, from Animal Records, together with the people from On Stage Agência. How were the negotiations for this show?

Danny: It was easy. Yes, Carlos is always in touch and we always talk about making it happen. But Rodrigo [Scelza] is the guy who brought us in last time and he's a great promoter. So when he got in touch the conversation was simple:

"Rodrigo: I want you to do 3 shows in Brazil this summer."

"Me: Absolutely!"


RtM: Tyketto's last album is “Reach”. In interviews you say that you have a greater appreciation for it than with “Don’t Come Easy”. The album would be a perfect (and natural) evolution if it had come after "Don't Come Easy". Comment about it.

Danny: Actually, I think this is the best Tyketto album. We were older, we were smarter and we were also really excited because we had Chris Green, Chris Childs and Ged Rylands in a studio for the first time.


We had already been on tour together and at that point we were ready to record. It was very exciting to make an album the old-fashioned way, living in a studio in Wales and having no distractions. Rockfield Studio helped us make such a great album.



RtM: Now a little about your beginnings in music, tell us who were your main inspirations and when and how you felt in your first experience on stage.
Danny: I'm inspired by anything and every kind of music. I love sound creation. It hypnotizes me. My parents had a huge, weird assortment of records, so I was exposed to music pretty early on. My first time on stage was at the age of 11 in the school choir.

I was a noisy, busy kid and they were trying to focus me on something. After 2 months of being in the choir I did a solo. We performed in church in front of my family and friends, it was Christmas performance.

And when my solo came, suddenly everyone was looking around to see where that voice was coming from, I had the attention of the whole church and I was moved!!


RtM: What a cool story Danny, thanks for sharing. Well, finally, can we expect a new Tyketto album in the near future? And what other projects do you have going on?

Danny: Now that Tyketto is coming back stronger than ever, we'll start working on new music and soon on a new album. I keep busy doing acoustic solo shows and these private shows around the world. It's a completely different experience than playing with a band, but I'm enjoying it. I have several shows booked in the fall in America.


RtM: Thank you very much for giving us your time with us. See you soon here in São Paulo...

Danny: Thanks Gabriel! I can't wait to play in Brazil.


Interview: Gabriel Arruda (with the collaboration of Carlos Garcia)

Editing / Proofreading: Carlos Garcia

Photos: Disclosure

Thanks: Ricardo Batalha (Editor-in-Chief of Roadie Crew magazine / ASE Music Press), Rodrigo Scelza and Filipe Barcelos (On Stage Agency)