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sábado, 10 de maio de 2025

Cobertura de Show: Uriah Heep – 11/04/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Formada no final da década de 1960, o Uriah Heep se destacou como um dos grandes nomes do Heavy Rock – termo utilizado antes de ser substituído por Heavy Metal. Nos anos 1970, período em que ganhou fama, o grupo lançou álbuns marcantes como Look at Yourself, Demons and Wizards, The Magician’s Birthday e Sweet Freedom. Embora nunca tenha alcançado o mesmo nível de reconhecimento de nomes como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin, o Uriah Heep ocupa um papel fundamental na história do Rock e, após 55 anos de carreira, continua influente até os dias de hoje.

Sob a liderança do guitarrista Mick Box (único membro que está desde o começo de tudo), a banda retornou ao Brasil para uma série de cinco shows em abril, passando por Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. 

As apresentações, que também ocorreram em outros países da América Latina, fazem parte da The Magician’s Farewell Tour, que, como o nome indica, marca a despedida do grupo das grandes turnês. Apesar disso, o vocalista Bernie Shaw e os demais integrantes – Dave Rimmer (baixo), Russell Gilbrook (bateria) e Phil Lanzon (teclados) – já adiantaram que a banda pretende continuar compondo novas músicas e realizando shows pontuais, descartando qualquer possibilidade de encerramento definitivo.

A noite começou por volta das 20h53 com a apresentação da Allen Key, banda que recentemente integrou o line-up da última edição do Lollapalooza. Com um set de cerca de 40 minutos, o grupo – formado por Karina Menasce (vocal), Pedro Fornari e Victor Anselmo (guitarras) – apresentou músicas de seu único álbum, The Last Rhino. Entre os destaques, a empolgante “Straw House” e a melódica “Illusionism”, ambas recebidas com entusiasmo pelo ainda tímido público. A Allen Key também mostrou alguns singles do próximo álbum, ainda sem previsão de lançamento, como “Sleepless” e “Death From Above”, que surpreendeu com um início mais intimista antes de ganhar peso. Para encerrar com estilo, a banda apresentou a inédita “Get In Line”.

Apesar da diferença sonora em relação à atração principal, a Allen Key conseguiu aquecer e conquistar o público que chegou cedo. Com fortes influências de Hard Rock e Heavy Metal, o grupo recebeu elogios não apenas pelas composições, mas também pela presença de palco. Karina Menasce, como sempre, se destacou com uma performance magnética e vocalizações precisas. Foi, sem dúvida, mais uma abertura memorável na trajetória da banda, que já dividiu o palco com nomes como Angra, Tarja Turunen e Roland Grapow.

Allen Key – setlist:

Granted

Apathy

Straw House

Illusionism

Sleepless

Death From Above

Easy Prey

Get in Line





Com a arte da nova turnê projetada ao fundo e os equipamentos prontos, o Uriah Heep subiu ao palco pontualmente às 22h, abrindo o show com a poderosa “Grazed by Heaven”, do álbum Living the Dream (2018). O repertório de 14 músicas teve como foco os clássicos da década de 1970, mas incluiu também faixas mais recentes, como duas do disco Chaos & Colour (2023): “Save Me Tonight” – impactante, mesmo com o volume da guitarra de Mick um pouco baixo – e a vigorosa “Overload”, que encerrou essa primeira trinca com maestria.

Os clássicos vieram cedo. “Shadows of Grief”, do álbum Look at Yourself – “o disco do espelho grande”, como brincou Bernie – evidenciou a técnica apurada da banda, especialmente do tecladista Phil Lanzon, ovacionado logo nas primeiras notas. A seguir, “Stealin” levantou o público, que cantou em uníssono cada verso, deixando Bernie impressionado: “Que coral temos aqui esta noite!”.

Quem já viu o Uriah Heep ao vivo sabe que Bernie Shaw, prestes a completar 40 anos de banda, tem uma presença de palco cativante e uma empatia contagiante. Ano após ano, esse homem continua cantando como nunca! Entre uma música e outra, ele interage com o público e faz questão de valorizar os seus colegas de banda. Durante a apresentação de “Hurricane”, por exemplo, destacou o baterista Russell Gilbrook, responsável pela composição da faixa, e ainda fez piada sobre o seu kit de bateria.

A partir da metade do setlist, a banda mergulhou de vez nos clássicos. “The Wizard” emocionou o público logo nos primeiros acordes, marcando o primeiro ponto alto da noite. Na sequência, “Sweet Lorraine” trouxe um clima mais descontraído – “é sobre uma mulher que adora festas”, explicou Mick Box. Já “Free ‘n’ Easy” trouxe a energia crua do Heavy Metal dos anos 70, com Bernie chamando Mick à frente do palco para executar os riffs, colocando a casa abaixo.

Mick Box, que merecia estar entre os maiores guitarristas do Classic Rock, brilhou especialmente em “The Magician’s Birthday”. Com cerca de 10 minutos de duração, a música tem uma parte instrumental impressionante, culminando em mais um ponto alto da noite. Antes do tradicional bis, a banda ainda presenteou o público com duas joias: a poderosa “Gypsy” e a deslumbrante “July Morning”, que levou todos à catarse com o público cantando junto os característicos ‘la, la’ do refrão.

Sem demora, a banda retornou ao palco com a intensa “Sunrise” e finalizou a noite com a empolgante “Easy Livin’”, hit que costuma fechar as apresentações da banda. Um clássico que muitos já ouviram sem saber que é do Uriah Heep.

O show durou cerca de uma hora e meia, curto para alguns fãs que sentiram falta de músicas como “Lady in Black”, “Look at Yourself” e “Return to Fantasy”, que mais uma vez ficou só no desejo. Afinal, são 55 anos de história e um catalogo de 26 álbuns, o que torna qualquer setlist um desafio. Ainda assim, quem esteve no Tokio Marine Hall no último dia 11 de abril presenciou uma apresentação memorável de uma banda que ajudou a moldar os alicerces do Heavy Metal.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Uriah Heep – setlist:

Grazed by Heaven

Save Me Tonight

Overload

Shadows of Grief

Stealin'

Hurricane

The Wizard

Sweet Lorraine

Free 'n' Easy

The Magician's Birthday

Gypsy

July Morning

Bis

Sunrise

Easy Livin

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Cobertura de Show – Ghost – Espaço Unimed/SP – 21/09/2023

Depois de seis anos da última vinda ao Brasil e a São Paulo, especificamente, os suecos do Ghost retornaram ao país na penúltima semana de setembro com a RE-IMPERATOUR no Espaço Unimed, localizado na zona oeste de São Paulo, com duas datas ‘sold-out’. Na ocasião estivemos presente no último dia (21) para conferir a tão aguardada apresentação do noneto.

Com uma década e meia de atividade, o grupo progrediu ainda mais seu espaço no ‘mainstream’ e no mercado americano após o lançamento do “Impera” (2022), disco que enriqueceu ainda mais o bakground musical da banda puxando elementos do Hard Rock, AOR e da música Pop conquistando não só novos fãs, mas também os que rejeitavam no passado e passaram a olhar (e ouvir) a banda com mais razão e atenção.

A ansiedade já tomava conta desde cedo com os fãs dominando todo quarteirão em baixo de um calor insuportável. Conforme as horas passava, a fila se estendia cada vez mais até o horário da abertura dos portões, aberta por volta das 18h40. Com os ingressos esgotados, dito logo acima, era de se esperar a assustadora presença dos fãs, onde boa parte deles estavam fantasiados de Papa Emeritus e a com a imagem criada pelo líder do grupo pintada no rosto.

Os cantos gregorianos indicavam os últimos preparativos para o começo do show por de trás do pano branco. A euforia logo tomou conta quando a intro “Imperium” soou nos PAs, às 21hrs, antes da banda aparecer no palco – que faz referência a um templo católico – para mandar uma sequência arrebatadora com “Kaisarion”, “Rats, “From the Pinnacle to the Pit”, (trocada por “Faith”, executada na noite anterior) e “Spillways”, que teve os primeiros dizeres de Tobias com um rápido “Olá São Paulo, como vocês estão?”.

O repertório visitou toda discografia da banda, que mesclou bem os momentos mais atemporais e pesados. Os fãs, que ajudou o espetáculo a ficar ainda mais marcante, vibraram e cantaram com “Cirice”, “Absolution” (por exemplo) e com todas as músicas no set-list que quase atingiu duas horas. Nem o calor, que também habitava dentro do local, tirou o ânimo de quem esperou muito tempo para o show que foi além da perfeição.

A música mais festejada da noite, “Ritual” – presente no primeiro álbum “Opus Eponymous (2010)” – funcionou melhor ao vivo do que em estúdio. Além do público ter feito a sua parte (cantando fervorosamente), Tobias mostrou todo bom humor e empatia com a dupla de guitarristas e com os demais da banda, os chamados Nameless Ghouls, que aliado ao talento do vocalista, deixou o espetáculo com mais pressão e peso em cada música executada.

A teatralidade da noite apareceu em “Call Me Little Sunshine” e “Con Clavi Com Dio” – a última com destaque ao turíbulo com incenso – para deixar o clima infernal no jeito após a pesada “Watcher in the Sky”. Nas duas primeiras, o líder da banda encarnou seu personagem principal, Papa Emeritus – que desde 2020 vem apresentando a sua quarta feição –, deixando as quase sete mil pessoas ainda mais exaltadas para o que viria a seguir.

O espirito maligno já rondava o palco nas canções anteriores, só que ela esteve bem mais presente quando “Year Zero” manifestou os demônios que introduz a clássica faixa do álbum “Infestissumam (2013)”: a iluminação toda vermelha, as fumaças brancas e a banda imobilizada para receber novamente o Papa Emeritus IV – dessa vez bem mais satânico e diabólico do que da primeira aparição – deu a sensação para um começo de missa, como vários fãs gostam de definir.

Quem acompanha a banda desde cedo sabe que eles exploram diversas nuances, não ficando somente fixos ao Heavy Metal e ao Rock com influências do progressivo e psicodélico. “He Is”, que deixou muita gente emocionada, é a prova perfeita disso; a instrumental “Miasma” trouxe a participação ilustre do Papa Nihil fazendo solo de saxofone após ter sido eletrocutado de seu caixão enquanto Tobias fazia seu merecido descanso.

De volta ao palco, Tobias pediu para que todos cantassem junto com ele a próxima música, a nada menos que a radiante (e maior sucesso comercial do grupo) “Mary on a Cross” – com direito a capela no final –, presente no EP “Seven Inches of Satanic Panic” (2019), que rapidamente foi emendada com a visceral “Mummy Dust”.

Antes da épica “Respite on the Spitalfields”, Tobias não só agradeceu pela presença do público, mas também pela presença das brasileiras da Crypta, que não poderam se apresentar na noite anterior por motivos logísticos, e que vamos falar sobre o show delas no final deste texto.

Chegando a hora de voltar para casa (usando as palavras do Tobias), o vocalista perguntou qual música queriam ouvir para o final do show. Ensurdecedoramente responderam “Twenties”, porém não foi possível atender o pedido, deixando para uma próxima oportunidade. Mas o ‘front-man’ prometeu encerrar a noite com duas músicas, ou melhor dizendo, três músicas: “Kiss the Go-Goat”, “Dance Macabre” e “Square Hammer” teve a mesma agitação das três primeiras, onde todos cantaram e pularam como se o show estivesse começando novamente.

Muita gente, com certeza, deve ter saído do Espaço Unimed realizado e de ter visto o melhor show internacional de 2023 de uma banda que só tende a ganhar mais e mais destaque nos próximos anos, que depender de Forge – o maior gênio da música na atualidade (na minha opinião) –, o sucesso do Ghost está garantido até o fim dos tempos.

 

Sobre o show da CRYPTA

Um dos fortes nomes da música extrema brasileira (porque não mundial?) e elogiada pela atração principal da noite, enfim, a Crypta pode fazer a abertura para o Ghost depois dos problemas logísticos que impediram delas abrirem na noite anterior. O respeito e a admiração pelas meninas é tanta que, por incrível que pareça, alguns pediram a devolução do ingresso porque queriam somente ver elas.

Na ocasião, a banda – liderada por Fernanda Lira (vocal/baixo), Luana Dametto (bateria), Tainá Bergamaschi e Jéssica Di Falchi (guitarras) – fez o primeiro show da turnê de divulgação do seu novo álbum, “Shades Of Sorrow”, lançado no mês passado que vem ganhando elogios da mídia especializada e dos fãs.

Das nove músicas presente no repertório, sete foram do mais recente lançamento, com destaque para “The Outsider”, “Lullaby for the Forsaken” e “Lord of Ruins”, primeiro single do álbum. Mas o show como um todo foi bem assertivo, onde ambas foram ovacionadas do começo ao fim e esbanjando brutalidade num espaço curto de tempo.

Outro ponto interessante do show foram as espadas e o pano vermelho fixado no meio do pedestal da Fernanda – que ame ou odeie, vem mostrando a cada dia ser uma das melhores ‘front-woman’ do Metal nacional – e das velas acessas em volta do kit de bateria da Luana, elementos que estão presentes na capa do mais recente disco. Já Tainá aproveitou uma das extensões que o Ghost colocou no palco para esbanjar a sua técnica e os riffs pesados na parte mais alta.

Do álbum de estreia, “Echoes of the Soul”, só tocaram “Under The Black Wings” e a mais conhecida da carreira da banda, até então, “From The Ashes”.

 

Texto: Gabriel Arruda

Edição/Revisão: Renato Sanson

Fotos: André Tedim, gentilmente cedidas pelo Metal na Lata

 

Produção: Move Concerts

Mídia Press: Midiorama

 

Crypta

The Aftermath / Lift the Blindfold

Stronghold

The Outsider

Lullaby for the Forsaken

Poisonous Apathy

Under the Black Wings

The Other Side of Anger

Lord of Ruins

From the Ashes

 

 

Ghost

 

Imperium / Kaisarion

Rats

From the Pinnacle to the Pit

Spillways

Cirice

Absolution

Ritual

Call Me Little Sunshine

Con Clavi Con Dio

Watcher in the Sky

Year Zero

Spöksonat / He Is

Miasma

Mary on a Cross

Mummy Dust

Respite on the Spitalfields

***Encore***

Kiss the Go-Goat

Dance Macabre

Square Hammer

 

terça-feira, 27 de junho de 2023

Cobertura de Show – The Sisters Of Mercy – 18/06/2023 – Tokio Marine Hall (SP)

São Paulo se encheu de pontinhos pretos na noite fria de 18 de junho (2023): muitas expectativas, looks elaborados e música alta. Esse era o clima que cercava a casa, mesmo horas antes do espetáculo se iniciar.

Hoje vou contar um pouco do que foram os shows do 3 Pipe Problem e The Sisters of Mercy, que aconteceram recentemente. Então se você é amante de rock nacional, alternativo ou faz parte da subcultura gótica, fique por aqui para saber mais sobre esses shows e as opiniões divergentes que eles geraram.

Vamos lá!

Esquentando a noite e estreando o palco, a banda nacional e autoral, 3 PIPE PROBLEM, chegou com seu som autêntico e único, que tem como inspiração para suas composições as bandas Nirvana, Radiohead, Faith no More e até a pura nata do Rock brasileiro: Titãs, Legião Urbana e Sepultura, não deixaram de fazer jus às bandas que correm em suas veias.

A banda, criada em 2017, surpreendeu muitos ali presentes nessa oportunidade única de se apresentar para um público maior e mostrar seu som para pessoas que talvez nunca tivessem ouvido falar da banda antes. E eles não decepcionaram: com sua energia contagiante e suas músicas cativantes, a 3 Pipe Problem conquistou o público desde o primeiro acorde.

A banda se mostrou muito animada com a entrega do público, que com certeza se sentiram muito satisfeitos com seu setlist – músicas como Elephant in The Room, Silver Girl e Too old To Rave nos deram uma das melhores execuções que o gênero pode oferecer. E ali deixaram clara a sua versatilidade, que consegue criar músicas mais pesadas quanto baladas emocionantes.

Se você é fã de Rock e ainda não conhece o 3 Pipe Problem, está perdendo uma das melhores experiências sonoras que o gênero pode oferecer. A banda é composta por quatro integrantes, todos eles músicos talentosos que se dedicam a criar um som autoral e original, que mistura elementos do Rock clássico com influências modernas.

Tenho certeza de que todos aproveitaram muito essa noite e já estão ansiosos pelo próximo show.

Parabéns à banda pela performance espetacular e obrigado por nos proporcionar essa experiência.

Até a próxima!

Finalmente eles chegaram, às 20hrs.

Os fãs do Sisters of Mercy estavam ansiosos para o início do show. Afinal, a banda não se apresentava aqui no Brasil e na América Latina há muito tempo e a expectativa era grande. Muitos deles chegaram cedo ao local do evento, esperando ansiosamente pela abertura dos portões.

Alguns fãs comentavam sobre as músicas que esperavam ouvir, enquanto outros estavam mais preocupados com a performance em si. Todos, no entanto, estavam unidos pela paixão, pela música do Sisters Of Mercy.

O clima era de animação e expectativa. As pessoas conversavam entre si, compartilhando histórias de como descobriram a banda e de seus shows anteriores. Com certeza todos estavam prontos para uma noite inesquecível.

 

O show

Finalmente as luzes se apagaram e o público começou a gritar. O Sisters Of Mercy entrou no palco ovacionado pelos fãs. Clássicos como Don’t Drive On Ice e Ribbons aqueceram a galera para os hits tão esperados. O vocalista Andrew Eldritch, sempre de um lado para o outro no palco, com seu jeito “à la” vampirão.

Mas como nem tudo são flores. Quando se trata de bandas lendárias, os fãs esperam ansiosamente pelo momento de verem suas estrelas favoritas se apresentando ao vivo. Uma das bandas mais icônicas da cena gótica dos anos 80 e 90 é o Sisters Of Mercy, Andrew Eldritch é o vocalista e líder da banda e, embora seja um ícone respeitado, há uma grande crítica por parte dos fãs em relação à sua pouca interação com o público.

A falta de interação do Sisters of Mercy com o público é um problema que vem sendo discutido há anos. Muitos fãs confessam que a banda sempre evita encontros com fãs, não realizam meet and greet, e poucas são as vezes que eles se comunicam em suas apresentações. Tal atitude dos integrantes tem gerado uma grande irritação por parte dos fãs.

Além da falta de interação em shows, os fãs apontam que a banda tem uma presença mínima em redes sociais, dizendo ser algo quase “inadmissível”.

Em um mundo dominado pelas redes sociais e pelo contato direto com o público, é importante que um artista esteja disposto a se conectar com sua base de fãs, deixando claro que eles são fundamentais para o sucesso da carreira.

Embora o Sisters of Mercy tenha resistido a essa tendência, ainda existem muitos fãs que os admiram, independentemente de sua falta de interação. Ainda assim, é possível que a manutenção dessa postura afete a capacidade de criar uma nova geração de fãs.

Ainda que os membros da banda demonstrem pouco interesse em interagir, muitos fãs se sentem desapontados e frustrados, uma vez que esperam conhecer de perto aqueles que são suas inspirações.

Os fãs dos britânicos estavam ansiosos para o show em São Paulo, mas a apresentação não correspondeu às expectativas. Muitos saíram irritados com a falta de hits, o som ruim e a ausência do baixista na banda.

Com instrumentos desencaixados e microfones mal regulados e baixos, muitos dos presentes se queixaram da acústica do local, mas outros disseram que já foram a shows na mesma casa e nunca tinham ouvido um som tão ruim.

Outro fator que contribuiu para a desilusão dos fãs foi a falta de Craig Adams, baixista icônico da banda, que é essencial nas apresentações. Eldritch justificou sua ausência dizendo que ele estava lidando com questões pessoais, mas muitos dos presentes acharam que isso deveria ser inadmissível e que a banda deveria ter se esforçado para conseguir um substituto à altura.

No decorrer do show, a banda apresentou muitas músicas novas, o que não agradou muito seu público, uma vez que pareciam desanimados ao tocar os clássicos – muitas vezes cortando as músicas – iniciando direto do refrão, fazendo uma canção de 7 (sete) minutos ser executada em menos de 2 (dois).

Chegando ao fim da apresentação, a banda deu uma pequena pausa e voltou com tudo emendando os hits Lucretia My Reflection, Temple of Love e This Corrosion, que levantou completamente os presentes (que nem parecia estar ali) no restante do show. Porém, como tudo que é bom dura pouco – sem aviso e nem um “thank you” –, o show acaba sem precedentes.

Um silêncio tomou conta do salão e, aos poucos, as vozes foram surgindo com frases do tipo: “Já acabou?”, “Sério?”, “Nossa, dois minutos de show... Extremamente curto”, “Deixaram de tocar muitas, vou ouvir quando chegar em casa” – fora o lembrete constante dos nomes das músicas e álbuns que ficaram de fora da apresentação e que são vistas como essenciais, como First And Last and Always, Walk Away, e No Time to Cry.

O After

Do lado de fora da casa, só se falavam dos “afters” e, principalmente, do Madame Club, que apresentaria uma banda cover de Sisters na mesma noite do espetáculo e com a expectativa de ouvir as músicas clássicas “melhor executada”, e posso afirmar que grande parcela das pessoas que estavam no Tokio Marine foram para o Madame.

A banda (cover) que leva o nome de Sisters of Monster estava na casa para finalizar a noite. Porém, vale ressaltar que (os músicos) possuem uma banda cover e têm a liberdade de interpretar as músicas da maneira que quiserem, adicionando sua própria energia e personalidade. Isso fez com que a apresentação seja mais envolvente e emocionante para o público.

Se tratando de uma banda cover é comum que haja uma interação mais intensa entre os músicos e o público, e uma das razões para isso é que os integrantes da banda cover têm maior liberdade para interagir e improvisar do que a própria banda original. Isso significa que as apresentações podem ser mais espontâneas e imprevisíveis, e os músicos podem se deixar levar pelas emoções que as músicas da banda provocam. Portanto, essa conexão com a música pode ser percebida pelo público, levando a uma maior empatia e até uma identificação maior com a banda cover.

Bem, depois de assistir à banda do “after”, podemos dizer com certeza que eles foram melhores que a banda original em termos de áudio, entrega, interação e até animação – jamais tirando a posição extremamente importante da banda original –, mas a energia e a paixão que a banda cover colocou em cada música foi simplesmente incrível. Foi uma noite inesquecível e mal podemos esperar pelo próximo show da banda cover.

Quanto ao Sisters of Mercy, bem, talvez eles precisem de uma banda cover para realmente dar vida às suas canções. Mas, no final das contas, o que importa é a música e a diversão que ela nos proporciona. E isso, definitivamente, foi entregue pela banda cover.

Esperamos que, caso o Sisters Of Mercy volte a se apresentar por aqui, possam entregar um show mais satisfatório aos seus fãs, esse acabou com gosto de quero “More, More, More”.

 

Texto: Mayara Dantas - @tmoon.png

Edição/Revisão: Gabriel Arruda / Renato Sanson

Fotos: André Tedim - @andretedimphotography

 

Realização: Top Link Music

Assessoria de Imprensa: Isabele Miranda

 

The Sisters Of Mercy

Don’t Drive on Ice

Ribbons

Alice

I Will Call You

But Genevieve

Dominion / Mother Russia

Summer

Show Me

Marian

More

Instrumental 86

Doctor Jeep / Detonation Boulevard

Eyes of Caligula

I Was Wrong

Crash and Burn

On the Beach

When I’m on Fire

***Encore***

Lucretia My Reflection

Temple of Love

This Corrosion

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Avatarium: A Hora e a Vez do "Dark Gospel"


A Suécia é um dos mais aclamados produtores de Metal e Heavy Rock deste século, apresentando excelentes e originais bandas, algumas alcançando um status maior de popularidade, como é o caso do Ghost, por exemplo, que já esteve por aqui, inclusive tocando em um Rock in Rio, e só não volta em 2020 - faria tour junto com o Metallica – por estar envolvido na produção de novo álbum.

Um desses novos nomes surgidos na cena sueca, e que cada vez ganha mais seguidores, é o Avatarium. Inicialmente surgiu como um projeto paralelo de Leif Edling e Marcus Jidell (ambos do Candlemass), mas foi ganhando status, principalmente após o elogiado álbum de estreia, “Avatarium” (2013).


Um dos grandes diferenciais do grupo desde seu surgimento, a voz cheia de sentimento e profunda de Jennie-Ann Smith, continua em destaque, e parece se superar a cada trabalho.

Neste quarto álbum a banda, "The Fire i Long For", agora com a parte criativa mais a cargo de Marcus e Jennie, traz várias das características que permearam os álbuns anteriores, mas com menos ênfase no peso e mais nas sonoridades limpas e melodiosas.

Os elementos 70's, que vão de Purple, Sabbath e Floyd até o Occult Rock estão espalhados em doses generosas e criativas pela sonoridade.

O grupo mostra uma personalidade única, com uma música que traz peso, melodia, com elementos acústicos, psicodélicos e progressivos, adicionando doses de melancolia e toda a paixão da voz de Jennie-Ann Smith.

O maior distanciamento de Leif Edling, pelos seus demais compromissos e questões de saúde, poderia causar certo temor quanto a qualidade final, mas o Avatarium mostrou um trabalho ainda superior ao álbum antecessor. A banda utilizou o rótulo Dark Gospel para descrever a sua sonoridade, afirmando que seria o que melhor traduz os sentimentos que a sua música passa.


Em um álbum com qualidade acima da média, intenso e carregado de emoção, ainda é possível apontar canções que se sobressaem, como “Rubicon” e seu riff principal e melodias marcantes, instrumental naquela veia 70's e às vezes beirando o Doom, ou seja, uma peça com a personalidade Avatarium.

Jeannie procura diversos caminhos em suas interpretações, como em "Stars They Move", onde a voz e o piano estão em primeiro plano, e em “Lay Me Down”, balada melancólica, com nuances psicodélicas e algumas melodias estilo "western"; para quem espera ouvir algo mais de peso, as raízes  Doom estão bem presentes em  “Voices”. 

E vale um parágrafo, ou mais, para a fantástica faixa título, “The Fire I Long For”, que traduz perfeitamente o que a banda quis dizer com "Dark Gospel", uma "balada dark", digamos assim, carregada de emoção.


Destaque absoluto para a interpretação de Jennie, que provoca arrepios. O instrumental denso, mas ao mesmo tempo melódico, com a guitarra trabalhando riffs graves e melodias com slides, e ora com notas mais limpas, e ainda trechos com Hammonds e vocais gospel ao fundo. Espetáculo!

O Avatarium merece logo estar em um patamar elevado, com sua sonoridade cheia de personalidade, transitando pela aura 70's, indo do Heavy e Classic Rock, ao Occult, psicodélico e progressivo. E claro, os riffs, solos e melodias criativos de Marcus e as maravilhosas interpretações de Jennie-Ann Smith, uma cantora realmente acima da média! Nota 10!!

Texto: Carlos Garcia

Banda: Avatarium
Álbum: "The Fire I Long For" (2019)
País: Suécia
Estilo: 70's Heavy Rock, Occult Rock, Doom, Dark Gospel
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Line-Up:
Jennie-Ann Smith: Vocais
Marcus Jidell: Guitarra, Piano
Lars Sköld: Bateria
Mats Rydström: Baixo
Rikard Nilsson: Órgão

Tracklist:
01. Voices
02. Rubicon
03. Lay Me Down
04. Porcelain Skull
05. Shake That Demon
06. Great Beyond
07. The Fire I Long For
08. Epitaph Of Heroes
09. Stars They Move