segunda-feira, 30 de abril de 2018

Dimmu Borgir: Ligando Novamente a Máquina Criativa




A rotina de ficar dentro do estúdio gravando um disco e fazer uma turnê como parte do trabalho lançado gera diferentes ações e reações. partindo desde o trabalho de composição, gravação e promoção e longas viagens, o fatídico cansaço pela longa estadia na estrada. É claro que o descanso para repor esses gastos é de total necessidade, mas quando o prazo é largamente estendido, surgem muitas especulações. Ms, finalmente, depois de 8 anos em hiato, o Dimmu Borgir estabelece sua volta com o tão aguardado novo disco, “Eonian”.


Tratando-se de um álbum inédito após longo tempo, a expectativa por “Eonian” é quase obsessiva, pois à distância dele entre o “Abrahadabra” é bastante assombrosa, e sondando todo contorno das músicas, percebemos que no novo álbum predominam dimensões mais diretas, e não tão técnico e polido quanto o antecessor, apresentando mais peso, agressividade e outros cursores – bases que fundem seu poder sinfônico com a crueza do Black Metal no mais perfeito equilíbrio.


Na parte de produção, o grupo demonstra uma sonoridade mais contemporânea, trabalhando ao lado do respeitado Jens Bogren pra dar o conselho final na engenhosidade da banda. E tudo aqui está sublime, zelando por todo o conjunto de elementos da sonoridade do grupo, os arranjos orquestra, melodia, coros e rispidez típica do estilo. A arte faz referência ao contexto das letras, que é baseado no conceito filosófico da ilusão do tempo.

É certeza que “Eonian” irá surpreender muitos, pois algo que a banda não abre mão, é de buscar evolução a cada trabalho, e na opinião deste autor, trata-se do álbum mais rico em questão de harmonia e melodia da banda, atingindo o ápice de criatividade e ousadia, onde a experiência de 25 anos conspirou a favor de Shagrath, Silenoz, Galder, Daray e Gerlioz, valendo a espera (de muitos anos) por esta maravilha vir à tona.


Certas canções nos remetem aos discos “Enthroned Darkness Triumphant” e “Spiritual Black Dimensions”, mas o ponto mais fértil aparece em “Interdimensional Summit”, que emana peso, ótimas melodias e grandes arranjos orquestrais e de corais, além do trabalho rítmico volumoso. A enérgica “ÆTheric” se mostra homogênea, intercalando timbres destrutivos e acessíveis nas guitarras. Traços atmosféricos aparecem na melódica e soturna “Council of Wolves and Snakes” (prestem atenção nos elementos percussivos), enquanto “Lightbringer” acata nuances obscuras e um peso absurdo vindo dos riffs. Os vibrantes corais e orquestras dão uma forte luz na carregada “I Am Sovereign”, seguindo as derradeiras etapas com a tirânica “Archaic Correspondence” e da harmoniosa “Alpha Aeon Omega”.

Grande retorno desta lenda do Metal norueguês, não restando dúvidas que “Eonian” estará presente, não só minha, mas na lista de melhores do ano de muita gente.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

 Ficha Técnica
Banda: Dimmu Borgir
Álbum: Eonian
Ano: 2018
Estilo: Symphonic Black Metal
País: Noruega

Gravadora: Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Formação
Shagrath (Vocal)
Silenoz (Guitarra)
Galder (Guitarra)
Daray (Bateria)
Gerlioz (Teclado)

Track-List
1.    The Unveiling
2.    Interdimensional Summit
3.    ÆTheric
4.    Counci of Wolves and Snakes
5.    The Empyrean Phoenix
6.    Lightbringer
7.    I Am Sovereign
8.    Archaic Correspondence
9.    Alpha Aeon Omega
10. Rite of Passage


Contatos



     


     

terça-feira, 17 de abril de 2018

Appice: Irmandade de Peso



O projeto Appice é a junção dos dois irmãos e influentes bateristas, Carmine e Vinny Appice. Carmine, o mais velho e experiente, é uma referência no instrumento, criando muitas técnicas e possuindo um estilo bem marcante, tendo no currículo bandas e artistas como Cactus, Rod Stuart, Vanilla Fudge, King Kobra, além de projetos como Beck, Bogert & Appice. Vinny, não menos importante, com sua pegada e técnica, tem em sua história grupos como Black Sabbath, Dio e Heaven and Hell, o que bastaria para ter um lugar de destaque no hall da fama do Rock pesado.

O álbum “Sinister” não traz surpresas em termos sonoros, felizmente! Pois o que ouvimos é Classic Rock, Hard e Heavy Metal clássico de qualidade, na veia de Whistesnake, Dio, Blue Murder e outros. As novidades ficam mesmo por conta dos irmãos se dividindo entre as músicas e também em algumas tocando juntos, sendo que podemos ouvir cada um deles em um canal diferente. Dessa forma fica muito legal perceber o estilo de cada um deles, que embora praticamente sigam a mesma escola, possuem suas personalidades, com Carmine mais clássico, rápido e técnico, e Vinny com mais pegada e muito groove, embora também muito técnico.

Carmine e Vinny
Outro atrativo são os convidados que aparecem durante as 13 faixas do álbum, como Craig Goldy, Joel Hoekstra, Paul Shortino, Tony Franklin, Erick Norlander e Phil Soussan. A cada faixa temos então sempre um time de músicos de categoria, e todos esses pontos culminam em um álbum de Hard/Heavy muito bom, e ainda com algumas faixas que se sobressaem. A capa também ficou muito legal, com um lado de cada face dos irmãos costurada, no melhor estilo “Frankenstein”.

A faixa título abre o álbum com muito peso e pegada, e, principalmente, quebradeira "baterística". Carregada de energia, alternando trechos cadenciados e rápidos. Para falar já sobre as faixas de destaque,  a segunda faixa, “Monsters and Heroes” merece ser citada, pela bela homenagem a Ronnie James Dio, amigo pessoal dos irmãos. Um Hard/Heavy com groove e com um grande refrão. E claro, uma letra repleta de citações. Destaque para os vocais de Paul Shortino e o vídeo bem legal, em que os irmãos ficam fazendo alguns malabarismos, como trocar baquetas um com o outro.

Sobra groove na cadenciada "Killing Floor", e aqui os irmãos contam com Craig Goldy na guistarra e Chas West nos vocais. Nestas 3 primeiras os brothers se dividem na bateria, e podemos ouvir Vinny  canal esquerdo e Carmine no direito; em "Danger", Vinny assume a batera, destacando os vocais de Jim Crean, neste Heavy clássico, numa linha bem Dio.


Em "Drum Wars", faixa praticamente instrumental, destaca o  "duelo" dos irmãos, onde podemos ouvir mais claramente cada um mostrando suas habilidades, com Carmine podendo ser ouvido no canal direito e Vinny no esquerdo; Carmine assume as baquetas solo em "Riot", que relembra os tempos de Blue Murder, nesta faixa composta por John Sykes e que abriu o álbum homônimo do grupo de Carmine e Sykes. Os vocais aqui ficaram a cargo de Robin McAuley. 

"Suddenly" é bluesy e cheia de groove, numa linha bem Whitesnake clássico, com Shortino lembrando bastante o estilo de Coverdale. Aqui Vinny inicia e Carmine assume depois, para em seguida se alternarem na bateria; O Heavy/Hard de "In the Night" tem uma pegada contagiante, com refrão pegajoso, e traz Ron Bumblefoot esmerilhando a guitarra. A bateria aqui ficou por conta do irmão mais velho; Em "Future Past" Vinny assume a bateria, em uma faixa cadenciada, pesada, com teclados ao fundo, que segue uma linha bem Dio. Craig Goldy marca presença nas guitarras e algumas linhas de baixo.


"You Got Me Running" Carmine, além da bateria, assume os vocais, mostrando bastante competência. Classic Rock com suingue; "Brother in Drums" soa bem setentista, destacando a voz rouca de John Carridi; em "War Cry" a classe de Joel Hoekstra se faz presente, neste Hard 70's composto em parceria com os irmãos Appice e Paul Shortino. Os irmãos novamente se alternam, e temos vários momentos com muito groove; fechando o álbum, "Sabbath Mash", que como o nome dá pistas, é uma homenagem a um dos pais do Rock pesado, onde Vinny e banda, tendo Jim Crean nos vocais, apresenta um mash up com clássicos do Sabbath.

Um álbum onde além de mostrarem sua técnica e estilo, os irmãos Appice proporcionam excelentes momentos de prazer aos ouvidos, com "Sinister" trazendo Hard/Heavy e Classic Rock bem feito, contando com um time de grandes músicos convidados, nos dando momentos bem interessantes semeados entres as 13 faixas. Parece ter sido feito em um clima de descontração, o que traz uma atmosfera muito boa.

Texto: Carlos Garcia



Tracklist
1. Sinister
2. Monsters And Heroes
3. Killing Floor
4. Danger
5. Drum Wars
6. Riot
7. Suddenly
8. In The Night
9. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros In Drums
12. War Cry
13. Sabbath  Mash      

Canais Oficiais:
Carmine Appice
Vinny Appice


     

sábado, 14 de abril de 2018

Entrevista: Guilherme Costa: A Próxima Etapa da Jornada



O Guitarrista mineiro Guilherme Costa começou seu interesse na guitarra aos 15 anos, quando descobriu o Black Sabbath e Tony Iommi, o qual cita como sua maior influência. Foi construindo sua trajetória tocando não só em projetos voltados ao Heavy Metal, o que certamente lhe trouxe uma bagagem e visão mais abrangentes dentro da música, forjando sua personalidade musical.

Em 2016, Guilherme parte para sua primeira empreitada solo, o EP "The King's Last Speech", o qual só corrobora a expectativa criada em torno do seu potencial. O que mais chama atenção nas músicas, são as melodias marcantes e bem construídas, valorizando a composição acima da técnica, ou seja, não é do tipo de álbum instrumental direcionado somente para músicos ou guitarristas. 

Agora Guilherme já está em fase de composição do full-lenght, que também trará músicas com vocais. Conversamos com Guilherme para que este nos contasse mais de sua carreira, do EP de estreia, informações sobre o novo trabalho e muito mais. Confira e saiba mais sobre esta grande revelação da guitarra e do Metal nacional:


RtM: Olá Guilherme, obrigado por tirar um tempo para nos responder esta entrevista, e parabéns pela excelente primeira amostra de seu trabalho solo.
Guilherme Costa: A honra é toda minha em poder bater esse papo com vocês galera!

RtM: Para iniciar, nos fale um pouco sobre o seu início na música, quando é que você começou a se interessar por tocar um instrumento e quem foram suas principais influências e incentivadores?
GC: Eu comecei a me interessar pelos estudos de música aos 14 anos quando meu avô começou a ensinar violão. Aos 15 eu comecei a ouvir Black Sabbath e daí foi quando eu me interessei de fato a estudar guitarra, na verdade desde pequeno eu tinha um sonho de seguir uma carreira artística e eu comecei a correr atrás disso depois que entrei na aula de guitarra. Posso dizer que tive bastante incentivo da família também, mas a iniciativa no início foi por minha própria conta.

“ 'The Beginning of a Journey' foi minha primeira música composta, ela possui esse nome por ser realmente o início da minha jornada como compositor solo."
RtM: E quando você decidiu que queria entrar definitivamente nesse mundo e fazer música profissionalmente?
GC: Com poucos dias de aula de guitarra eu já havia tomado essa decisão, pois eu me sentia super realizado em poder tocar minhas músicas favoritas. Depois tocando em bandas e desenvolvendo minhas habilidades esse desejo foi aumentando cada vez mais.

RtM: E como foi o início de seu aprendizado? Onde você começou a buscar informações e quais formas buscou para evoluir no instrumento?
GC: No início meu avô me ensinava sertanejo de raiz no violão, essa era a maior vivência dele. Quando entrei na aula de guitarra eu já comecei a voltar meus estudos para o heavy metal e o rock N’ roll, estudei bastante Iron Maiden, Guns N’ Roses, Black Sabbath, Metallica e muitas outras bandas. Eu sempre estudava músicas de bandas de várias vertentes do Rock para evoluir no instrumento, usava muito a internet para assistir vídeo aulas de um assunto que me interessava e para baixar as tablaturas das músicas que eu gostaria de aprender. Outra forma que busquei para evoluir no instrumento também foi estudar com vários professores diferentes, isso me ajudou principalmente na minha forma de ensinar aos meus alunos de guitarra e violão.

RtM: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória até aqui, principais trabalhos e bandas que você passou.
GC: Com poucos meses de aula de guitarra eu montei minha primeira banda com alguns amigos, nosso repertório era bem variado, tínhamos rock nacional e internacional de várias vertentes, essa banda nunca chegou a fazer nenhum show. Aos 19 anos eu entrei na banda de heavy metal Seawalker, meu primeiro show inclusive foi com eles num evento com a banda Nervosa de São Paulo. No início de 2014 comecei a trabalhar ao lado do cantor de MPB Walter Cicarini, com ele fiz um show e gravei um DVD.

RtM: Muito bom, várias vertentes diferentes, o que certamente traz uma visão mais abrangente!
GC: No final de 2014 me juntei ao D.A.M, banda de death metal melódico, e permaneci na banda até o primeiro semestre de 2015. Logo após minha saída da banda, comecei a trabalhar mais nas minhas próprias composições resultando então na gravação do meu EP. Hoje eu trabalho também na cena cover de Belo Horizonte com bandas que prestam tributo à bandas consagradas, sempre faço shows na cidade e tem sido algo muito gratificante e um aprendizado único.

"Com poucos dias de aula de guitarra eu já havia tomado essa decisão (de ser músico profissional), pois eu me sentia super realizado em poder tocar minhas músicas favoritas."
RtM: E sobre suas principais influências como guitarrista, que músicos você citaria?
GC: Minha principal influência como músico é Tony Iommi, de fato eu não seria músico se não fosse por ele. Como compositor eu tenho como maior influenciador Joe Satriani. Outras influências que tive ao longo do tempo também posso citar Glenn Tipton e Synyster Gates.

RtM: Falando sobre o EP, o que mais gostei é que dá para perceber que você valoriza muito a composição, as melodias, tornando um trabalho agradável de ouvir, e não somente algo direcionado a outros músicos, pois muitos guitarristas acabam se preocupando em mostrar o quão rápido podem tocar ou mostrar capacidade técnica, mas esquecem de fazer música com sentimento. Gostaria que você comentasse a respeito, e falasse sobre sua maneira de compor.
GC: Eu sempre gosto de fazer primeiramente a harmonia das músicas, depois disso eu canto a melodia da música enquanto eu toco as bases que criei. Assim posso ter uma ideia melhor de como quero que a música soe. Eu posso dizer que as composições são também uma forma que eu encontrei de expressar meus sentimentos, é de fato uma grande terapia pra mim me expressar através das minhas músicas.

RtM: Falando um pouco sobre as faixas, gostaria que falasse da “The King’s Last Speech”, de onde surgiu a inspiração para ela, a qual me lembra algo do estilo clássico e neoclássico do Blackmore e Malmsteen, por exemplo.
GC: “The King’s Last Speech” nasceu de uma ideia que tive de criar uma introdução utilizando arpejos e escala menor harmônica, no primeiro momento me baseei nas frases de Paulo Schroeber, no final da introdução me baseei nas construções melódicas de Yngwie Malmsteen que costumam ser extremamente rápidas e eu quis reproduzir isso na música também. No decorrer da música eu já utilizei bastante as melodias do Malmsteen como referência, principalmente no uso de arpejos e escala menor harmônica. Em um determinado tempo da música antes de repetir a introdução no final, eu utilizei uma harmonia que Ritchie Blackmore usa na música “Burn” do Deep Purple, que inclusive é um clichê harmônico muito utilizado pelas bandas de rock e heavy metal.

 "As composições são também uma forma que eu encontrei de expressar meus sentimentos, é de fato uma grande terapia."
RtM: As outras duas, acredito que seguem por um caminho mais contemporâneo, e me lembraram algo de mestres como Satriani. Gostaria que comentasse um pouco sobre as músicas “Come on and Play” e “The Beginning of a Journey”. Os títulos parecem bem sugestivos, como se você estivesse apresentando esse seu início de trabalho solo mesmo.
GC: “The Beginning of a Journey” foi minha primeira música composta, ela possui esse nome por ser realmente o início da minha jornada como compositor solo. É uma música que eu tive a intenção de causar emoções nos ouvintes e fazê-los cantarem mesmo ela não possuindo letra. Durante o processo de composição do EP eu pensei em compor uma música que alguém pudesse tocar em harmonia comigo, sendo em um show ou um workshop. Essa música foi nada mais nada menos que “Come on and Play”, ela inclusive possui esse nome como se fosse um convite para outra pessoa vir tocá-la comigo. Eu pensei bastante em melodias com duetos no decorrer dos temas, e na hora dos solos eu fiz como se houvessem dois guitarristas revezando improvisos.

RtM: E o que você tem observado de novo dentro do rock e metal, em termos de guitarristas e novas tendências, como bandas com sonoridade mais moderna, como o djent. E o que você prefere? Os estilos mais clássicos ou os mais modernos? Há muitos puristas, mas acredito que sabendo mesclar com inteligência estilos e tendências, pode-se agradar públicos de gostos distintos.
GC: Eu percebo que existem muitas bandas atuais que conseguem se destacar positivamente utilizando mesclas de elementos dos anos 70 e 80 com elementos utilizados a partir dos anos 2000. Eu particularmente prefiro os clássicos, mas gosto e admiro bastante muitas bandas modernas que tem se destacado ultimamente. Uma das bandas atuais que mais tenho ouvido recentemente inclusive é o Black Veil Brides, acho muito interessante a mescla que eles fazem dos elementos das bandas glam dos anos 80 com elementos utilizados no Metalcore.


RtM: E quanto aos planos para um full-lenght? O que você pode nos adiantar? Você pretende incluir músicas com vocais?
GC: O que posso adiantar é que terão bastante músicas com melodias marcantes, desde baladas até músicas mais agressivas, muitas influências diferentes e alguns elementos de outros estilos musicais fora do rock e do heavy metal. Vão ter músicas cantadas também e convidarei alguns cantores para fazerem participações especiais nas músicas.

RtM: Guilherme, obrigado pela atenção, esperamos voltar a conversar em breve e ficamos no aguardo do seu full-lenght.
GC: Eu que agradeço a vocês de coração pelo convite e será um prazer poder bater um papo novamente com vocês após o lançamento do full-lenght!

Entrevista: Carlos Garcia

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Assessoria de Imprensa: Rômel Santos

Confira resenha do EP


       

terça-feira, 10 de abril de 2018

Bruno Sutter: Diversas Facetas e Metal de Qualidade



Versatilidade, que palavra definiria melhor Bruno Sutter? O cantor e humorista que foi revelado pelo programa Hermes e Renato, exibido pela MTV entre o final dos anos 90 e começo de 2000, já mostrou que seu talento vai muito além do humor. Vale lembrar também que há mais de 3 anos Bruno apresenta o bem sucedido “Bem que se Kiss”, na rádio Kiss FM de São Paulo.

Recentemente Sutter lançou seu primeiro álbum ao vivo, “Alive in Hell”A capa do disco foi feita por Eduardo Francisco (artista que já fez trabalhos para Marvel e Hi-Rez), que já havia trabalho nas capas do EP “Detonathor” e de seu auto-intitulado álbum solo. 

As músicas foram capturadas de shows ao vivo em casas como Tom Brasil e Tropical Butantã, durante o ano de 2016. Ao lado de Bruno, músicos de grande capacidade, como Attílio Negri (guitarra), Guilherme Mateus (guitarra), Christian Oliveira (bateria) e dividindo o baixo, Gustavo Mateus e o experiente (e ícone) Luís Mariutti (About to Crash, ex - Angra e ex - Shaman).

A sonoridade do repertório é variada, logo de cara o show começa com “Stalker”, uma canção bem heavy metal, onde Bruno mostra sua “verdadeira voz”, sem os gritos e exageros do personagem Detonator. Em seguida “Grattitude” com uma ótima introdução, ficou ótima ao vivo. Os arranjos bem construídos de “Facing Temptation” me chamaram muito a atenção. 


Em seguida, “My Boss is a Corpse”, uma das músicas mais pesadas do repertório. Destaque para “Socorro” que Bruno diz ser “uma poesia que seu pai fez”. A seguir, a música "Troll", mais uma faixa com uma temática bem atual, aliás, nada é clichê no trabalho solo de Bruno. Na impactante “Rebuilding Destruction”, Sutter agita a galera e impressiona com a versatilidade vocal. Dando continuidade, a cativante “I Bloody Love to Love You” e em seguida a animada “Haters Gonna Hate”. A faixa “Hipócrita” agitou o público que cantava com muita energia. 

Já quase no fim do disco, “Provoke Yourself” me faz imaginar que não dá pra ficar parado em um show do Bruno Sutter. Sem perder a agitação é a vez de “The Best Singer in The World”, primeiro single do primeiro álbum. E para dividir opiniões, a divertidíssima versão heavy metal para a música “Galopeira”. Teoricamente este seria o fim do disco, mas Bruno nos presenteia com a impecável faixa bônus de “The Evil That Man Do” (presente somente para aqueles que adquirem o CD), cover do Iron Maiden. Particularmente eu achei o resultado do registro ao vivo melhor do que do álbum de estúdio.


Muita gente pode até torcer o nariz para Bruno Sutter, mas conseguir vender mais 20.000 cópias ( contando trabalho solo e Detonator ) de forma totalmente independente, são frutos de um trabalho árduo operacionalizando desde o marketing, até a logística de entrega dos produtos da loja virtual. Sutter tem nos surpreendido sempre, agora nos resta aguardar qual será sua próxima faceta.

Texto: Raquel de Avelar
Edição/Revisão: Carlos Garcia


"Alive In Hell" Tracklist:

01- Stalker
02- Gratittude
03- Facing Temptation
04- My Boss Is A Corpse
05- Socorro
06- Troll
07- Rebuilding Destruction
08- I Bloody Love To Love You
09- Haters Gonna Hate
10- Hipócrita
11- Provoke Yourself
12- The Best Singer In THe World

13- Galopeira

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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Decapitated – Modernidade com agressividade


 

Antes de mais nada, esqueça o Decapitated de ‘Winds of Creation’ ou ‘Nihility’. Aquele Death Metal de outrora ficou no passado. Muito embora a qualidade daqueles álbuns, mesmo com seus integrantes ainda adolescentes, aquele som poderoso não se ouve em seus discos posteriores e muito menos neste ‘Anticult’.

Com o passar do tempo e o normal amadurecimento do ser humano, bem como a agregação de novas experiências e influências, tanto musicais como pessoais, propiciam novos estágios evolutivos. Em bandas isso é mais do que normal.

Se destas evoluções se obterão resultados satisfatórios ou não é questão de gosto pessoal. Ouvindo este álbum, percebemos uma banda que alcançou o status que tem não à toa, dado o talento de seus músicos e qualidade de suas composições.


Anticult’ apresenta um Decapitated antenado no Metal mais moderno, ou podemos dizer também, ‘grooveado’, em que as mudanças de andamento dão a tônica em todos os sons, às vezes apostando em partes mais trampadas e pesadas, outras em partes com apelo à melodia, mas nem por isso deixando de exalar riffs poderosos; os vocais estão mais urrados e menos guturais; o baixo faz malabarismos e ‘riffa’ juntamente com a guitarra; enquanto a batera é severamente surrada com uma pegada bastante crua.

São oito sons que lançam mão de uma variedade interessante, ponto favorável à banda e que sempre foi uma de suas particularidades. Algum ouvinte pode torcer o nariz pelo fato de ter, sim, partes que remetem ao ‘Alterna Metal’, como já referido acima nos ‘grooves’, riffs ‘pula-pula’, o que, pessoalmente, não posso discordar, muito embora o ora apresentado aqui seja bem mais pesado que o tal ‘Alterna’.


Percebe-se que a partir da quinta música, ‘Anger Line’, o disco passar a ficar mais denso e brutal, essencialmente pela qualidade e peso de seus riffs e o uso correto de blast-beats. Aqui podemos lembrar do ‘antigo’ Decapitated. Parece uma volta ao passado; ‘Earth Scar’ é outro baita som, com ótimos solos e vocalizações; na sequência ‘Never’ abre nervosa e com uma pegada até Hardcore e riffs quase Thrash; por fim, ‘Amen’ é o epílogo do disco, a faixa mais curta, climática e arrastada.

Evidentemente, que ‘Anticult’ é um bom disco, onde ouvimos uma banda no auge de sua forma técnica e criativa. Pode não soar essencialmente Death Metal, como de fato, não se pode incorrer no erro de dizer que lhe falta peso e agressividade. Longe disso.
Vale a pena conferir e tirar suas próprias conclusões. As minhas foram favoráveis.

Texto e edição: Marcello Camargo

Ficha Técnica:
Banda: Decapitated
Álbum: "Anticult"
Estilo: Death Metal/Groove Metal
País: Polônia
Lançamento: Nuclear Blast Records/Shinigami Records

Line-Up:
Rafal Piotrowski – vocals
Vogg – guitar
Hubert Wiecek – bass
Mlody – drums

Tracklist: 

1. Impulse 
2. Death Valuation 
3. Kill the Cult 
4. One-Eyed Nation 
5. Anger Line 
6. Earth Scar 
7. Never 
8. Amen


       

segunda-feira, 2 de abril de 2018

H.E.A.T: Sem receio de Novos Caminhos


Já antes do lançamento do seu quinto álbum, "Into the Great Unknown", os suecos do Heat anunciavam que trariam algumas novidades em sua sonoridade, e realmente, o disco apresenta um Melodic Rock com roupagem mais contemporânea, onde podemos notar um maior uso de teclados e alguns efeitos de estúdio.

Talvez alguns fãs possam não ter digerido muito bem, principalmente os mais conservadores, e eu mesmo estranhei um pouco no início, mas logo fui contagiado pela energia e qualidade da banda, que novamente entrega um álbum cheio de grandes melodias e refrãos, mergulhando em alguns caminhos diferentes, mas que funcionaram muito bem. 

Com certeza isso irá atrair outros ouvintes além do tradicional fã de Hard Rock e Melodic Rock. Méritos para o grupo, que conseguiu evoluir, mas de nenhuma maneira soa como se fosse uma nova banda, ou seja, não se desfigurou.


Não se assuste se ouvir comentários como "Melodic Rock moderno" para definir o que o H.E.A.T fez em "The Great Unknown", pois é somente uma tentativa de traduzir que a sonoridade foge um pouco dos caminhos mais tradicionais, e principalmente da sonoridade dos seus primeiros 2 discos. A produção é excelente, a ilustração de capa estilo ficção científica também é linda (concebida pelo russo Vitaly Alexius), espelhando essa roupagem mais contemporânea, e porque não, futurística, além de também fazer uma conexão com o título do álbum.

Mergulhando um pouco nas faixas, para tentar levar para vocês o que o álbum traz, balanceando de forma bem dinâmica composições mais enérgicas e Rocker, com outras mais Melodic Rock, sendo que você notará a diferença na produção mais moderna, a utilização de efeitos e flertes com o Pop Rock contemporâneo. E a abertura com os riffs de guitarra à frente em "Bastard of Society", já dá a largada com muita energia, unindo a veia mais tradicional com essa roupagem mais atual.


Em "Redefined", você vai sentir mudanças um pouco mais profundas, já com maior uso de teclados e efeitos, mas com melodias e refrão extremamente cativantes. Dá para fazer um parâmetro com bandas de Hard/Melodic Rock que são pioneiras nessa roupagem mais moderna, e até mais comercial, atingindo outros públicos, como o Mr. Big e o Aerosmith, se olharmos para a fase a partir de discos como "Permanent Vacation" e "Pump", por exemplo. Aliás, "Shit City" me lembrou demais a banda de Steven Tyler.

"Time on Our Side" é uma das que a banda arrisca mais esses novos elementos, com muitos efeitos no teclado e até no vocal. Foge da linha tradicional, digamos um Hard Pop moderno bem "radiofônico".

Na ótima "Best of the Broken" temos um refrão bem na linha conhecida do H.E.A.T; Classe e inspiração também marcam o trabalho, como em "Eye of the Storm", balada moderna, com um refrão e melodias que grudam de imediato. É ouvir e ficar com o refrão na cabeça direto! Grande música!


"Blind Leads the Blind" traz alguns efeitos, mas segue uma linha mais enérgica, com uma batida contagiante e um refrão explosivo! Na bela "We Rule", destacam-se as linhas de teclado e os vocais inspirados de Erik. E que grandes melodias! Um Melodic Rock moderno, com toques sinfônicos, que me lembram algo de Queen em alguns arranjos.

Finalizando, temos a batida moderna de "Do you Want It", com vários efeitos no teclado, e linhas vocais bem diferentes, mas que funcionaram legal, com melodias cativantes. Provavelmente a faixa em que mais inseriram elementos diferentes. A faixa título fecha, e segue a linha mais tradicional, principalmente nos riffs de guitarra, e tem um andamento mais cadenciado, um grande e melodioso refrão e bastante presença dos teclados.

O H.E.A.T mantém a qualidade em alta neste quinto álbum, trazendo uma roupagem mais contemporânea, uma excelente produção sonora, e acima de tudo, excelentes melodias, em composições cativantes e criativas. Perfeita amostra de que é possível evoluir e criar novos caminhos sem se desfigurar. Um álbum que pode agradar facilmente um público além dos tradicionais fãs de Hard Rock e Melodic Rock, ou seja, o grupo viu necessidade de arriscar, fazer algo diferente para expandir seu território.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: H.E.A.T
Álbum: "Into the Great Unknown" 2017
Estilo: Hard Rock, Melodic Rock
País: Suécia
Produção: Tobias Lindell
Selo: earMusic/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

     

Line-up
Sky Davids: Guitarra
Jimmy Jay: Baixo
Jona Tee: Teclados
Crash: Bateria e Percussão
Erik Grönwall: Vocais

Tracklist
1. Bastard Of Society
2. Redefined
3. Shit City
4. Time On Our Side
5. Best Of The Broken
6. Eye Of The Storm
7. Blind Leads The Blind
8. We Rule
9. Do You Want It?
10. Into The Great Unknown