O Vlad V é uma banda de hard rock progressivo fundada em Blumenau (SC) em 1986. Liderado pelo multi-instrumentista Jean Carlo, o grupo é considerado um dos pioneiros e a banda de rock autoral mais antiga em atividade no estado de Santa Catarina.
Com letras em português e uma fusão de Hard e Classic Rock/ Progressivo, Blues, Folk e MPB, o Vlav V apresenta uma personalidade musical marcante.
Mesmo com diversas alterações na formação, a identidade musical e resiliência da banda se manteve através dos anos, sempre com a liderança e talento de Jean a frente.
Com uma formação consolidada como trio desde o início de 2024, quando Seco Mafra (baixo e backing vocals) e Clifton Macnamara (bateria) - músicos que cresceram acompanhando os passos do Vlad V - juntam-se a Jean Carlo para uma nova fase, e continuar a escrever capítulos importantes dessa história.
Completando 40 anos de história, o Vlad V prepara novidades, enquanto segue na estrada, seu habitat natural, e levará ainda muita música produzida com alma aos fãs!
Conversamos com a banda, para falar um pouquinho sobre essa história e os planos futuros.
RtM: A banda Vlad V já tem uma trajetória consolidada no cenário catarinense e no sul do país. Como vocês definem a identidade musical do grupo desde a formação até os dias atuais?
Jean Carlo: O Vlad carrega uma identidade forte ligada ao hard rock, ao rock clássico e ao progressivo, mas também dialoga com a MPB. Somos bem ecléticos. As letras fazem parte desse contexto, assim como a nossa sonoridade característica. Em mais de 30 anos de trajetória, construímos uma marca própria, que começa pelo próprio nome da banda.
RtM: O nome "Vlad V" carrega uma carga simbólica forte. Qual o significado por trás do nome da banda e como ele se conecta com a proposta artística da banda?
Jean Carlo: Na minha adolescência, encontrei uma revista com histórias do Drácula, e havia ali um príncipe da Valáquia chamado Vlad. Achei o nome muito legal para uma banda de heavy metal.
Acabou que fomos tocar em um festival e ainda estávamos sem nome, então adotamos Vlad. No fim, viramos uma banda de hard progressivo com nome de banda de heavy metal.
RtM: O que representa para vocês o álbum de estreia da banda, “Vlad V” (1993)? Certamente sentimentos, muitos diferentes, mas para o Jean, que é o fundador e único remanescente, tem um significado mais profundo e pessoal. Inclusive há o detalhe no selo do LP, que está escrito “Jean Carlo”, e nunca tive oportunidade de perguntar antes: o Vlad nasceu como um projeto solo?
Jean Carlo: O álbum de 1993 é, na verdade, um disco solo, por isso aparece apenas o nome Jean Carlo nos créditos. Depois de uma breve estada em São Paulo, voltamos para Santa Catarina e a banda se desfez.
Como as composições e o nome da banda eram meus, resolvi gravar um primeiro disco com músicos de estúdio, para deixar o caminho preparado para uma nova formação, que viria no trabalho seguinte.
RtM: E vamos falando um pouco mais sobre a história do Vlad V, como o também clássico segundo álbum, a “Espada e o Dragão” (1997), que tem essa aura mais épica, com temas medievais, mas claro, ainda sim com músicas poéticas e que falam de sentimentos humanos. Gostaria que vocês comentassem um pouco sobre ele.
Jean Carlo: O “Espada e o Dragão” foi meticulosamente planejado antes da gravação com a nova formação da banda. Essa nova formação estava afiada e com muita vontade de registrar aquele trabalho naquele momento.
É um álbum muito importante para a carreira do Vlad, com grandes composições que se tornaram clássicos na trajetória da banda.
RtM: Um álbum que adoro demais é o “Viagens Acústicas”, que deixa mais nítido esse lado folk, intimista e poético da banda. Gostaria que comentasse sobre esse trabalho, que também rendeu apresentações especiais.
Jean Carlo: “Viagens Acústicas” surgiu em uma fase em que eu estava me dedicando mais à flauta e aos violões. Naturalmente, o trabalho veio com uma pegada mais suave, voltada para o folk e a MPB.
RtM: Quebrando um hiato, pois desde 2017 o Vlad V não lançava uma música inédita, tivemos em 2025 a primeira amostra do que virá por aí com a atual formação, o single “O Tempo Cansou de Esperar”, que traz as características marcantes da banda, e soando revigoradas. Gostaria que vocês comentasse sobre essa canção.
Jean Carlo: “O Tempo Cansou de Esperar” é uma canção que resume bem as pretensões da banda. Ela começa com elementos de música clássica na introdução, com vocais melódicos, e vai evoluindo até se transformar em um hard rock poderoso. É, de certa forma, um retrato da característica do Vlad.
RtM: E para vocês, Clifton e Seco. Como foi o processo de integração à Vlad V? O que mais chamou a atenção de vocês na proposta da banda e como se deu essa conexão musical?
Clifton: Foi um processo bem natural na verdade. Nós já conhecíamos o Jean há muito tempo. Já éramos fãs e frequentávamos os shows do Vlad.
Eu até já havia promovido um show deles em um dos festivais que organizo. Mais tarde nós passamos a tocar juntos no formato “Máquina Seca & Jean Carlo”.
A Máquina Seca é um projeto paralelo que eu tenho com o Seco há mais de dez anos. Então juntamos forças com o Jean e fizemos vários shows há alguns anos atrás. Tocamos alguns covers e também canções do Vlad. Foi meio que um pré Vlad com essa formação.
O projeto deu uma esfriada e há cerca de dois anos acabamos entrando pro Vlad. E hoje aqui estamos! Muito felizes e honrados em fazer parte dessa lendária banda que sempre nos influenciou e nos marcou na nossa trajetória musical.
RtM: Vocês chegaram trazendo novas influências para o som da Vlad V? Como têm contribuído criativamente nos novos projetos e o que o público pode esperar dessa nova fase?
Seco: Nossas influências são muito parecidas: todos gostamos do bom rock progressivo dos anos 70. Nas novas composições participamos ativamente em todas as partes do processo, afinal somos uma banda e é importante ter características individuais de cada integrante nas canções. O público pode esperar o Vlad V voltando às suas raízes nessa nova fase!
RtM: Como vocês avaliam o papel das plataformas digitais na difusão da música da Vlad V? O que mudou na relação com o público desde a ascensão dessas tecnologias?
Jean Carlo: O maior problema é a grande mídia, como rádio e TV, que muitas vezes ignora a boa música. Somando isso às dificuldades de um país subdesenvolvido, temos um pacote completo de desafios. Mas o rock alivia tudo isso, então nem pensamos em parar.
Entrevista: Caco Garcia
Fotos: Divulgação







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