quinta-feira, 14 de maio de 2026
Entrevista - Vlad V: Quatro Décadas de Rock & Roll
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Indira Castillo (Malvada): “Mais do que a sonoridade, o que nos define é a mensagem.”
Por Paula Butter
A cantora Indira Castillo, conhecida por uma trajetória de mais de uma década transitando entre Blues, Jazz e Rock, vive um momento de consolidação à frente da Malvada, banda feminina que se firmou como um dos nomes mais expressivos do Hard Rock nacional dos últimos anos. Desde que assumiu os vocais em 2023, Indira passou a integrar também o processo criativo de produção e composição, muito presente no trabalho mais recente do grupo, lançado pela gravadora italiana Frontiers Music, que reforça ainda mais a identidade musical e o posicionamento artístico da banda.
Em entrevista à Road to Metal, a artista fala sobre os desafios da transição, a construção de uma identidade vocal dentro do Hard Rock, os cuidados com a voz, o trabalho visual no palco, a participação no Bangers Open Air 2026, a turnê europeia em fevereiro e seus planos para o futuro.
Paula Butter: Você já tem uma longa carreira na música, sendo que já passou por gêneros como Blues, Jazz, Soul e Rock. Como foi assumir os vocais da Malvada em 2023 e quais foram os maiores desafios dessa transição?
Indira Castillo: Toda entrada em um projeto novo exige adaptação, principalmente quando a proposta tem uma pegada diferente. Era algo próximo do que eu fazia, mas ainda assim tinha particularidades. E eu já cheguei em um momento de produção de álbum, então entramos direto no processo criativo e de composição. Isso foi muito positivo, porque cada uma conseguiu trazer referências próprias para o som. Algumas coisas são muito intrínsecas em nós. No meu caso, por exemplo, na voz não foi algo totalmente “intencional”, do tipo “vou deixar mais rock and roll”, o instrumental já pedia isso por ser Hard Rock. Foi muito intuitivo, muito gostoso, e essa fase de produção foi rápida.
![]() |
| Edu Lawless / @edulawless |
Paula Butter: Além da banda, você também atua como mentora e preparadora vocal. Como esse conhecimento técnico impacta suas performances no palco e no estúdio?
Indira Castillo: Eu brinco que isso nos deixa mais autocríticos, porque da mesma forma que a gente orienta alguém, também se auto analisa. Mas isso é bom: você vai ajustando o que precisa ser ajustado. A gente não para de aprender. Cada show ensina algo sobre você mesma. Você percebe pela reação do público quando canta do jeito que queria, intencionalmente, e entende o que consegue fazer. E quando não está no melhor dia, também percebe. Mesmo depois de mais de 10 anos cantando, sinto que cada show traz um aprendizado novo.
Paula Butter: A Malvada sempre teve uma identidade forte dentro do rock nacional. O que define a banda hoje, em termos de som, discurso e postura artística?
Indira Castillo: Antes até do som, eu diria que é a mensagem. É como a gente quer se posicionar na sociedade e como isso pode ser transformador, especialmente em um contexto em que a mulher ainda enfrenta dificuldades sociais constantes. Esse é o grande propósito por trás de tudo. A música é o meio para desenvolver isso, seja nas letras, seja no peso do som também. Existe aquela máxima que a gente já ouviu muitas vezes, com homens dizendo: “Elas não vão tocar tão pesado”, “Não vão tocar tão bem…”. Então tudo isso está no que fazemos. A sonoridade define, sim, mas mais do que isso, a mensagem por trás de tudo.
![]() |
| Edu Lawless / @edulawless |
Paula Butter: O álbum mais recente traz letras em inglês e português e uma mensagem bem direta. Agora vocês estarão no Bangers Open Air 2026. Como foi receber esse convite e o que o público pode esperar do setlist?
Indira Castillo: A expectativa é enorme! Nós estamos muito animadas, porque vieram novidades na banda, não só o convite para o Bangers, mas outras coisas que deixaram tudo muito próximo, mais vivo. Isso nos empolga a construir um show cada vez melhor. Para o Bangers, a ideia é levar músicas do álbum mais novo e também do primeiro, mas direcionando o público para a trajetória da banda. Eu acredito muito em apresentar a banda por completo: tudo o que ela foi e tudo o que ela é hoje. Mostrar desde as primeiras músicas, a transição e as faixas novas em inglês e português, porque isso define muito o momento atual.
Paula Butter: Em fevereiro vocês partem para uma turnê europeia. O que você já pode adiantar?
Indira Castillo: Antes eu não podia falar, agora eu posso! (Entusiasmada) É uma honra, a gente vai abrir para o Michael Schenker, e eu tenho certeza de que vai ser uma experiência única para muitas de nós. Algumas já foram para fora, outras não. E agora é diferente, porque estamos levando nosso som autoral, em português e em inglês. É muita gratidão. Na Europa, a gente vai dar um foco maior nas músicas em inglês também por uma questão de comunicação com o público, e porque isso conversa com o som do álbum. A ideia é levar um show bem próximo do que faremos no Bangers. Vamos passar pela Alemanha, França e Países Baixos, entre outras datas.
Paula Butter: Como você concilia shows, mentorias e aulas. Quais cuidados você mantém para preservar a voz, especialmente com viagens e mudanças de clima?
Indira Castillo: Sempre aparece uma novidade, um “remedinho”, uma coisa nova, mas eu acredito muito no básico, que é descanso. Dormir bastante e descansar a voz. Cuidar da voz antes de show e gravação, e fazer aquecimentos e pré-aquecimentos direcionados ao objetivo. Vai ser sempre um desafio, mas o básico funciona: se alimentar bem, se hidratar muito, dormir e dar descanso para a voz.
Paula Butter: A presença de palco e a identidade visual da Malvada são marcantes. Como vocês pensam toda essa produção, figurino, maquiagem, estética, e ainda lidam com o calor e a correria de palco?
Indira Castillo: A gente aprende muito com a experiência, vê o que funciona e o que não funciona. Às vezes uma maquiagem, por exemplo, pode atrapalhar na hora, mas existem técnicas. Antes de trabalhar com música eu também trabalhava com maquiagem, então aprendi algumas coisas que ajudam, e ajudam as meninas também. Em termos de visual, a gente tenta manter uma identidade geral, se a paleta de cores é preta e vermelha, por exemplo, todo mundo conversa com isso. Isso cria identidade visual e comunica melhor! A gente brinca com isso nos clipes e vídeos. Inclusive “Veneno” foi totalmente verde, outros trabalhos foram vermelho e preto… . A gente gosta de explorar essa parte visual.
![]() |
| Edu Lawless / @edulawless |
Paula Butter: E sobre sua carreira fora da banda, existem planos para material solo em 2026?
Indira Castillo: Sim! Estou desenvolvendo novamente um material solo, com uma linguagem um pouco diferente da Malvada. Provavelmente isso ganha continuidade depois da turnê, porque agora a atenção está toda voltada para esse momento. Mas eu vou retomar, provavelmente com um EP. Vamos ver.
Paula Butter: Para finalizar, qual conselho você daria para mulheres que tentam ganhar espaço no Metal e no Rock, ainda em um mercado ainda muito masculino?
Indira Castillo: Vou tentar falar sem parecer “Papo de coach”, mas o que eu sinto, vivendo isso, vendendo mentorias e shows, é que a persistência precisa ser diária. Aquele “Vocês vão me ouvir” tem que ser uma tecla batida o tempo todo. Seja com material, com vídeos, com presença. Muita gente vê a rede social como um inimigo, mas ela pode trabalhar a favor, é uma ferramenta gratuita para marcar nosso nome, nossa imagem e nossa presença na música. Então o clássico é esse: Não desistam! Persistam até dar certo.
![]() |
| Edu Lawless / @edulawless |
Paula Butter: Recado ao público e aos fãs:
Indira Castillo: “Estão todos convidados para os shows! Agradeço o espaço da Road to Metal. Espero ver todos vocês em breve, seja no Bangers, ou na turnê lá fora, seja aqui em São Paulo e em outros estados. A gente se encontra.”
Em tempo, o show da banda no festival Bangers Open Air 2026, será no dia 24 de Abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. E ainda, entre fevereiro e março de 2026 a Malvada será a banda de abertura da turnê europeia “My Years With UFO”, liderada pelo lendário guitarrista Michael Schenker, ícone do rock mundial e ex-integrante do UFO e Scorpions.
Os shows passarão pela Alemanha, Holanda e França, com apresentações em casas e teatros renomados da cena europeia. A participação da Malvada como opening act da turnê mundial marca um passo decisivo na consolidação internacional da banda.
Datas confirmadas da turnê:
18.02.2026 – Plauen (DE), Festhalle
19.02.2026 – Bremen (DE), Modernes
20.02.2026 – Oberhausen (DE), Turbinenhalle II
22.02.2026 – Hamburg (DE), Große Freiheit 36
23.02.2026 – Cologne (DE), Kantine
24.02.2026 – Tilburg (NL), 013
26.02.2026 – Heerlen (NL), Parkstad Limburg Theater
27.02.2026 – Paris (FR), Le Trianon
28.02.2026 – Amneville (FR), Seven Casino
01.03.2026 – Ingolstadt (DE), Eventhalle Westpark
domingo, 13 de julho de 2025
Hard Power no Divina Comédia: O Retorno dos Gigantes!
![]() |
| Hard Power & Lamarquez aqueceram a gelada noite do dia 27/06 |
segunda-feira, 19 de maio de 2025
Arde Rock: Hard Rock e Rock & Roll Inclusivo
Com essa chamada a Arde Rock lançou seu o vídeo para a música “Encontrar as Respostas” - que está no seu mais recente álbum, “Seguir em Frente” - e não por acaso o clipe foi disponibilizado no dia 02/04, dia nacional de conscientização sobre o autismo.
Seguindo a característica marcante da banda em construir letras com mensagens positivas e de superação, usando experiências pessoais e da vivência do dia a dia, “Encontrar as Respostas” em seu enredo conta uma história em que o personagem, mesmo com suas dificuldades e limitações, vai perseguindo o seu sonho, buscando se encaixar.
Todos temos algum tipo de dificuldade ou limitação, alguns mais que os outros, temos nossas lutas internas, e creio que cada um verá algo de si na história que se passa no vídeo,ou pelo menos lembrará de alguém próximo.
A metáfora da máscara que o personagem usa, ficou bem interessante, e deixa a abertura para interpretações. Pode ser uma proteção que ele criou ao seu redor, e a busca ainda da sua identidade e onde se encaixa no mundo.
Ele está procurando respostas, e chegamos então ao que diz a letra da música, e destaco aqui o refrão “Atos são fatos e falam à alma, para encontrar as respostas é preciso ter calma.”
Música é remédio para a alma, e na bula não tem contra indicações. Use Rock & Roll e Arde Rock sem moderação! (Bom, de volume talvez, dependendo da ocasião hahahaha).
Confira o vídeo no canal do YouTube da Arde Rock, lembrando também que os três álbuns da banda estão nas principais plataformas.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
Entrevista: Connecting Pieces - Hard Rock e Temas Ligados ao Horror
- Rafael, grande satisfação ter este papo contigo. Como andam as atividades da CONNECTING PIECES?
O prazer é meu!! O Connecting Pieces lançou recentemente a música Falling Down, seu primeiro single com a nova formação, que conta com o Leandro Caçoilo nos vocais. Em paralelo continuamos trabalhando na divulgação do álbum Your Soul Dies First, que ganhou sua versão física no segundo semestre deste ano.
- Como está sendo a aceitação do novo álbum, “Your Soul Dies First”?
A melhor possível ! O trabalho foi extremamente bem recebido tanto no Brasil quanto no Exterior. Temos tido um feedback que evidencia a evolução da banda, caminhando para um estilo próprio, um pouco mais pesado e sombrio, sem deixar de lado as raízes AOR e Hard Rock do primeiro álbum.
- O Single “Falling Down” foi lançado já com o seu novo vocalista, Leandro Caçoilo. Como se deu a entrada dele na banda? Como este material vem sendo recebido?
A recepção foi surpreendente. A música é uma composição minha e trata-se de algo autobiográfico. É impressionante como você pode ir a lugares obscuros dentro da sua cabeça quando não cuida da sua saúde mental.
A interpretação do Leandro foi a peça que faltava para transmitir essa sensação ao ouvinte. Conheço o Leandro há algum tempo, fizemos alguns shows com o Journey Cover no qual eu tocava, tive aulas de técnica vocal com ele, portanto o convite para que ele fizesse parte do Connecting Pieces foi algo natural.
- “Spank Wire” eu gostei muito. O que você pode nos falar sobre ela e sua veia de Rock Clássico?
Spank Wire é uma grande composição do Thiago Cicilini ! É um típico Hard Rock, bem sacana, com muita lascívia! Quem é fã do Hard Rock oitentista certamente vai se deliciar com esta música. Todos nós temos nossas raízes musicais calcadas no Rock e Metal Clássicos.
Obviamente com o passar do tempo vamos assimilando novas referências e adquirindo novos gostos, mas é impossível tirar aquilo que está tão enraizado desde que somos moleques.
- A versão em CD de “Your Soul Dies First” ficou excelente, e nela ainda temos o EP “Reconnecting” como bônus. Como você enxerga a importância deste formato para uma banda underground?
Num mundo cada vez mais virtual creio que a mídia física traz o fã mais para perto da banda. É uma experiência sensorial completamente diferente.
Na mídia física vc tem o tato, vc tem o olfato, vc tem a visão e, finalmente, vc tem a audição. Pegar o CD, abri-lo, sentir o cheiro do material novo, ler o encarte, ver as fotos e ouvir o material com uma qualidade muito superior, é algo que fez parte da vida de muita gente e é algo que as novas gerações estão começando a apreciar. O CD materializa a banda, torna palpável, torna verdadeira, isso não tem preço.
- Como foi que surgiu a ideia para a concepção de “Reconnecting”? Foi complicada a tarefa de escolher a track list?
Foi extremamente divertido gravar este álbum ! Com a entrada do Carlos Alfano e do Thiago Cicilini precisávamos de material novo para apresentar a nova formação. Começamos pela regravação das músicas Army Of Viruses e Zombie Tsunami, que também ganharam vídeo clipes.
Em seguida fomos pensando em algo inusitado, que fugisse do óbvio, para mostrar que o Connecting Pieces era único, que não tinha medo de inovar e de escancarar as referências musicais dos integrantes fora do Metal. Foi assim que fomos apresentando idéias e chegamos nas músicas e versões que estão no álbum. É algo que eu faria novamente com todo prazer !
- João Duarte assinou a arte da capa de “Your Soul Dies First”, e o resultado ficou matador, porém um tanto quanto pesado para uma banda de Hard Rock. Essa foi a real intenção de vocês?
A intenção, desde o início, foi chocar. Mas não de uma maneira simplista, chocar somente por chocar. A capa tem um simbolismo e ao mesmo tempo uma mensagem.
Ela segue um tema que abordamos desde o clipe da música Zombie Tsunami, que pode ser encontrado em nossa página do YouTube. Trata-se de uma crítica ao tempo que as pessoas perdem presas aos seus dispositivos eletrônicos enquanto o mundo real está esvaziado e a vida está escorrendo entre nossos dedos.
Na capa temos o personagem com um celular em mãos tendo seu cérebro corroído por uma armadilha feita de celulares, tablets e afins.
O Visual foi baseado nos pôsteres promocionais da série “Jogos Mortais” (SAW). Your Soul Dies First e retrata estas pessoas, que só se mantém vivas com seus aparelhos em mãos, enquanto sua alma vai se apequenando cada vez mais. Podemos fazer uma analogia de que a tecnologia é o novo demônio e que a maioria das pessoas já vendeu sua alma para ele.
- “Your Soul Dies First” tem canções que se baseiam na série “Jogos Mortais”. Você é fã de filmes de horror? Quais outras franquias você poderia indicar para os nossos leitores que amam este gênero?
Sou um grande fã do gênero ! Consumo filmes de Terror quase que diariamente ! Com a enorme popularização do gênero nos últimos tempos temos muita coisa descartável hoje em dia, mas ainda temos excelentes produções mais atuais.
Em se tratando de franquias é complicado uma constante na qualidade dos filmes, mas sou um grande entusiasta das franquias clássicas Halloween, Michael Myers encheria o Jason de porrada (risos), A Hora do Pesadelo, Sexta Feira 13, os filmes sobre Zumbis de George Romero, Evil Dead, Hellraiser (a versão da música do Motorhead é MUITO MELHOR que a do Ozzy, julguem-me, risos), a mais recente Invocação do Mal, as franquias derivadas de filmes japoneses como O Chamado e O Grito, Jogos Mortais (Claro!).
Uma trilogia atual que eu gostei bastante foi Rua do Medo da Netflix .... enfim, tem muita coisa boa se você tiver paciência para garimpar.
- Um novo álbum já está sendo escrito? Leandro terá participação ativa nele, Rafael?
Sim, estamos em fase de pré produção de um novo álbum. O Leandro permanece firme e forte nessa empreitada. Estamos realmente empolgados com o rumo que as novas músicas estão tomando. Este novo trabalho será o retrato da evolução que a Banda vem tendo, caminhando em direção a um estilo próprio, e temos certeza que o público e a crítica irão adorar o resultado !
- Rafael, ficamos imensamente gratos por apoiar o nosso trabalho na Road to Metal. Agora este espaço é inteiramente seu, para suas considerações finais...
O apoio é mútuo, vocês não sabem o quanto é importante este espaço para que as bandas nacionais possam apresentar seu trabalho. O Connecting Pieces tem muita lenha para queimar e 2025 será um ano repleto de novidades. Os fãs podem esperar por muita coisa boa. Mal podemos esperar para encontrar a todos nos palcos por aí !
Entrevista: Alternative Sound
Edição Final/Revisão: Carlos Garcia









.jpeg)



.jpeg)


























