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| Maycon Avelino |
Em entrevista, Friggi e Jairo Vaz fazem um balanço de 2026, comentam a participação no Bangers Open Air, antecipam detalhes do próximo álbum e falam sobre a turnê brasileira ao lado do Six Feet Under.
Por Stephanie Ferreira – @instephanie
Vinte anos de história, uma agenda
que voltou a ganhar fôlego e a vontade de seguir fazendo aquilo que sempre
moveu a banda: tocar, compor e pegar a estrada. Para o Chaos Synopsis, 2026 tem
sido um ano de retomada e novas conquistas, marcado pelo relançamento da
primeira demo do grupo, por uma sequência de shows que incluiu uma passagem
pelo Nordeste e pela participação no Bangers Open Air. Agora, a banda se
prepara para apresentar Perfect Recipe, single inédito que chega às
plataformas em 23 de outubro, enquanto avança na produção de seu próximo álbum.
Em meio à renovação da formação e ao
trabalho de composição, o grupo também se prepara para dividir os palcos com o
Six Feet Under em quatro apresentações no Brasil, a partir de 30 de outubro. O
momento representa a oportunidade de ampliar o contato com o público e retomar
o ritmo de atividades que marcou boa parte da trajetória da banda.
Em entrevista, Friggi (bateria) e Jairo Vaz (vocal e baixo) revisitam os acontecimentos do ano, contam como a relação construída com os fãs ao longo de duas décadas se manifesta nos shows, explicam como diferentes influências se encontram no processo de composição e antecipam o que vem pela frente. Entre reflexões sobre a trajetória e histórias de bastidores, a conversa também revela um aspecto que permanece central para o Chaos Synopsis: a amizade entre os integrantes e o prazer de viver o heavy metal para além do palco.
Olhando para tudo o que aconteceu
até aqui, como vocês definiriam 2026 para o Chaos Synopsis?
Friggi e Jairo: Foi um ano
muito bom, porque, desde a pandemia, a gente estava fazendo poucos shows,
comparado com o que fez a vida inteira. Sempre fizemos muitos shows, mas,
quando voltamos depois da pandemia, estávamos fazendo bem menos do que
estávamos acostumados.
Este ano já começamos com tudo,
relançando nossa primeira demo no aniversário de 20 anos, exatamente no mesmo
dia em que ela saiu, em 2006. Depois, fomos para o Nordeste, fizemos oito
shows, voltamos e já fomos tocar no Bangers. E continuamos fazendo outros
shows.
É muito trabalho, e eu sentia falta
de fazer tanta coisa. É o que a gente vive para fazer, nosso futebol de final
de semana.
Com essa movimentação, acabamos nos
animando e pensamos que precisávamos lançar uma música nova antes dos shows com
o Six Feet Under. Também voltamos a compor o álbum novo. Estamos animados e
agora é só não deixar esfriar de novo. A pandemia deu aquela esfriada, mas
voltamos com tudo, como sempre trabalhamos.
Vocês começaram o ano com uma
turnê pelo Nordeste. Como foi essa passagem por lá e o que mais marcou vocês
nessa experiência?
Friggi e Jairo: Todos os
shows foram massa! A gente sempre teve muito apoio no Nordeste desde o começo
da banda. Nossa primeira demo foi lançada por um selo de Fortaleza, então
sempre tivemos uma boa divulgação por lá. Mesmo assim, ficamos espantados com a
quantidade de pessoas que realmente são fãs da banda.
Teve gente que foi a mais de um show
porque queria ver de novo, além de pessoas que esperaram muito tempo para nos
assistir. Acho que fomos à Bahia apenas muitos anos atrás e nunca tínhamos
voltado. Então, havia muita gente com vontade de ver a banda que ainda não
tinha tido essa oportunidade.
Também foi interessante ouvir as
histórias do público. Como são 20 anos desde o lançamento da demo, vários
contavam que, quando eram adolescentes, ouviam nossas músicas com os amigos,
reunidos para tomar cachaça e escutar a banda.
A galera chamava as músicas pelos
nomes e cantava junto. Eu sabia que esse material tinha chegado lá, mas a
realidade superou a expectativa. Esperava muito essa viagem, mas não tinha
noção de que as pessoas no Nordeste esperavam ainda mais pela nossa chegada.
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| Luca Apperti |
Depois dessa passagem pelo
Nordeste, vocês chegaram ao Bangers Open Air. Como foi subir ao palco do
festival e o que isso representou para a banda?
Friggi e Jairo: O lance do
Bangers começou bem antes do show. Quando o festival foi anunciado, no ano
passado, já mudou muita coisa, inclusive na turnê do Nordeste. Todo mundo sabia
que a gente ia tocar e veio falar com a gente, porque conhece nosso corre e sabe
que, ao longo desses 20 anos, construímos uma relação muito boa com o pessoal.
Todo mundo ficou muito feliz com o
anúncio. Para mim, isso foi mais legal até do que o show em si. A galera veio
escrever para a gente e vibrou junto, então esse reconhecimento foi muito
importante.
Também tem a realização de um sonho.
A gente luta há muito tempo por isso e vive o heavy metal. Lembro de tocar
baixo sozinho na casa dos amigos e pensar: “Cara, um dia eu vou estar num
festival, vou tocar num lugar legal, vou tocar com uma galera”.
Se o meu eu adolescente olhasse para
mim hoje, eu falaria: “Caralho, mano, vocês conseguiram fazer uns bagulhos
foda, hein?”. Que massa!
O novo single, Perfect Recipe,
chega às plataformas em 23 de outubro. Por que vocês escolheram este momento
para lançar a música?
Friggi e Jairo: Liricamente
falando, essa foi a primeira música em que escrevi a letra. A gente sempre
segue um tema, e escolhi um para o álbum novo há algum tempo. Essa foi a
história que mais me chamou a atenção dentro dessa temática. Como foi a
primeira letra que escrevi, acabei encaixando na primeira música que compusemos
para o álbum. As coisas se casaram.
Tem muitas outras coisas novas
vindo, com bastante riff legal, mas acho que essa música é a cara do Chaos
Synopsis. Ela tem nossos riffs, nossa identidade e meu tipo de cantar. Também
traz algumas novidades que o Darc trouxe, mas continua representando o que é o
Synopsis. É uma forma de mostrar a formação nova e coroar este ano com um som
muito característico nosso.
Em todo álbum, a gente procura
incluir coisas novas sem abrir mão do nosso estilo, da energia, do peso e dos
riffs. Quando o Diego entrou, incorporamos mais as melodias dele. Agora, com o
Darc, também buscamos incluir as características de cada um para somar coisas
diferentes, mantendo a identidade da banda. Essa música tem tudo isso.
Com dois guitarristas de
características distintas, Darc e Diego, como vocês integram as ideias de cada
um para construir uma sonoridade que preserve a identidade do Chaos Synopsis?
Friggi e Jairo: Depois de
todo esse tempo, a gente já tem uma maneira própria de compor. Sempre trabalhei
com estúdio, então algumas coisas facilitam o processo, como trabalhar
remotamente ou começar alguma coisa por aqui.
Essa música seguiu o padrão que
usamos nos últimos anos. Gostamos de incorporar as influências e o estilo de
cada integrante, mas geralmente começamos com alguma ideia minha e vamos
incluindo as outras aos poucos.
A música começou comigo e com o
Jairo. Estávamos aqui, eu na guitarra e ele no baixo, e fizemos o começo da
composição. Depois, separamos as partes dos solos. Quando decidi a base do solo
do Diego, por exemplo, já sabia que ele faria algo melódico, que é uma
característica dele de que gostamos muito. Então, construí aquela parte
pensando nisso.
A parte do Darc também foi pensada
para ele, com um solo no começo e um arranjo no meio. O estilo dele é um pouco
diferente do nosso, com influências de death e black metal e outras abordagens
melódicas. Queríamos trazer essa identidade para a música.
Nesse caso específico, o Diego
estava presente no dia da composição. O Friggi estava chato para caramba, tive
que expulsá-lo do estúdio porque ele não aceitava nada. Depois, ele voltou, já
tinha tomado uma cerveja, veio abraçando e falando: “Pô, ficou bom para
caralho!”. Na hora de gravar, ele mudou várias coisas.
Mas é assim, sempre foi. Funciona,
graças a Deus.
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| Luca Apperti |
Em que etapa está a produção do
próximo álbum? Já existe uma previsão de lançamento?
Friggi e Jairo: A previsão é
entre março e abril. A gente já tem várias músicas, mas ainda precisa terminar
de compor algumas. Todas as letras, a capa e as ideias do álbum já estão
encaminhadas. Agora, precisamos sentar e finalizar tudo.
Também tem a questão da agenda e de
reunir a banda para trabalhar nas músicas. Tenho várias composições que fiz
meio que sozinho há bastante tempo, então precisamos chamar os caras para
finalizar tudo juntos. O álbum tem que sair, porque já temos um monte de coisa
programada dependendo dele.
E o que vocês podem adiantar
sobre a temática do álbum?
Friggi e Jairo: Para quem
gosta de churrasco, está bom! (risos)
Em Perfect Recipe, trouxe a
história do Armin Meiwes, que é o canibal de Rotemburgo. Ele é bem conhecido.
Várias bandas escrevem sobre ele. Acho que o Rammstein tem uma música sobre
essa história, entre outras bandas. É um pouco dessa temática que a gente vai
trazer, e ela já começa com essa história.
A partir de 30 de outubro, vocês
participam da turnê brasileira do Six Feet Under, com apresentações em Belo
Horizonte, Limeira, São Paulo e Curitiba. Como surgiu essa oportunidade e o que
significa para vocês dividir essa sequência de shows com a banda?
Friggi e Jairo: Gosto
bastante da ideia porque lembro que, quando entrei na banda, os meninos ouviam
muito Cannibal Corpse, principalmente na época do Chris Barnes.
É a primeira vez do Six Feet Under
aqui, então é mais uma daquelas coisas que são sonhos de adolescente. É pensar:
“Pô, vou conhecer o cara, vou estar ali junto”.
Hoje, talvez eu já não sinta a mesma
emoção de conhecer alguém que fez parte da minha adolescência, mas continua
sendo algo muito legal. É algo que fica para a história: a primeira vez que os
caras vieram para o Brasil, o Chaos Synopsis estava junto.
Também é uma oportunidade de tocar
para um público maior, conhecer mais gente e encontrar pessoas que já conhecem
a banda nessas cidades. A gente sempre curte estar na estrada,
independentemente de qualquer coisa. Estar com uma banda grande, com uma banda
underground ou sozinho é algo que vivemos para fazer.
Quando tem outra banda junto,
dividindo essa experiência, sempre rolam coisas legais. Vai ser massa:
curtição, novas amizades, falar besteira, dar risada e fazer os shows. Quando
você passa mais tempo junto, vive experiências muito legais.
O que o público pode esperar do
setlist desses quatro shows?
Friggi e Jairo: No Bangers,
já atualizamos o setlist. Voltamos a tocar algumas músicas bem antigas, do
primeiro álbum, que não tocávamos havia mais de 15 anos. Também começamos a
tocar Coronavírus, que lançamos em 2020, mas nunca tínhamos apresentado
ao vivo até este ano.
Agora tem essa música nova, mas
ainda não sabemos exatamente o que vamos fazer. Vamos chegar e tocar.
Falamos bastante sobre o passado
e o presente. E o futuro? Pensando nos próximos cinco anos, o que vocês ainda
querem realizar com o Chaos Synopsis?
Friggi e Jairo: A gente quer
continuar fazendo o que sempre fez. Esse álbum está vindo depois de um tempão
sem lançar nada, então queremos retomar de vez o ritmo que tínhamos antes da
pandemia, com força total. Continuar lançando álbuns, fazendo turnês e lançando
clipes. Estar na estrada e se divertir.
O que a gente mais gosta de fazer é
estar na estrada junto. Somos amigos, gostamos de estar juntos e dar risada. É
como se fosse uma excursão de escola.
Você entra no carro, dirige 24 horas
para chegar a outro lugar, toca, já vai direto para o próximo e continua dando
risada e curtindo. Acho que a maioria das bandas vive isso, mas o Chaos
Synopsis vive muito intensamente: dirigir, dar risada, tocar, fazer amizade e
curtir. Acho que isso é o principal para viver o heavy metal.
Também temos algumas coisas que
queremos fazer e ainda não fizemos. No ano que vem, vamos tocar em um lugar
onde nunca tocamos. Existem tipos de lançamentos que temos vontade de fazer e
nunca fizemos. Acho que no ano que vem, ou no próximo, dá para desenvolver
essas ideias.
Para finalizar, que mensagem
vocês deixam para os fãs que acompanham a trajetória do Chaos Synopsis?
Friggi e Jairo: Esse som vai
vir com tudo. Está muito massa. A gente meio que fez a sinopse do caos mesmo
nessa música, juntando tudo o que geralmente fazemos.
Ela já começa com os dois pés no
peito, então tenho certeza de que vocês vão curtir. Espero ver vocês nos shows
que vamos fazer este ano aqui no Brasil.
Toda vez que encontrarem a gente, é
só colar. Quem conhece sabe que gostamos de trocar ideia e nos divertir. Quero
ver todo mundo no mosh, até porque, nesse som novo em São Paulo, a gente vai
fazer um negócio bem legal. Espero todo mundo curtindo, se matando lá no meio,
sem machucar o amiguinho.
E vão ao show do Hangar, que vai ser
foda. Tem uma novidade lá que vai acontecer.
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