quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Paul Gilbert – 08/09/2026 – Fabrique Club/SP

Após a despedida do Mr. Big dos palcos, Paul Gilbert retornou ao Brasil para mostrar que o fim de sua ex-banda está longe de significar uma diminuição em sua atividade musical. Na terça-feira, 8 de setembro, o guitarrista norte-americano subiu ao palco do Fabrique Club, em São Paulo, para uma apresentação baseada principalmente em sua carreira solo e no recém-lançado álbum "WROC". Diferentemente de outras passagens pelo país, desta vez o público foi modesto, mas isso não impediu que aqueles que estavam presentes recebessem uma verdadeira aula de guitarra. Com Doug Rappoport na segunda guitarra, Timmer Blakely no baixo e Jeff Martin na bateria, o mesmo Jeff que já cantou no Racer X e tocou com nomes como Michael Schenker, Gilbert encontrou uma banda extremamente entrosada para reproduzir um repertório que transita pelo hard rock, blues, pop e pelo seu conhecido virtuosismo.

Já no início, com "Crazy PG Medley", ficou evidente que a noite seria dedicada àquilo que Gilbert sabe fazer como poucos: transformar a guitarra em protagonista sem deixar que a técnica se torne um mero exibicionismo. Dentro desse medley de mais de 20 minutos, Paul passeou por sua carreira solo, mas o destaque ficou quando tocou "Scarified", do Racer X, e lembrou de dois clássicos do Mr. Big: "Green-Tinted Sixties Mind" e "To Be With You", na qual o guitarrista chegou a cantar um trecho. Nem precisa dizer que os foran foram à loucura. "Let Thy Carriage", "Spark of Celestial Fire", "Every Action Done in Company" e "Maintain a Sweet and Cheerful Countenance" deram sequência à apresentação, revelando diferentes facetas do guitarrista. O som do Fabrique Club colaborou bastante para o resultado. Instrumentos perfeitamente definidos e uma guitarra cristalina permitiram acompanhar cada detalhe da execução, desde as passagens mais delicadas até os momentos em que Gilbert simplesmente acelerava as mãos e fazia parecer fácil aquilo que, para qualquer outro músico, seria uma tarefa quase impossível.

Outro momento interessante foi quando o guitarrista deixou um pouco de lado o peso para explorar outras referências que ajudaram a formar sua identidade musical. "Mother, Father", do Journey, apareceu em uma interpretação que valorizou sua bela melodia com emoção. O jogo já estava ganho, mas Paul resolveu que também destrói com o violão. O que já parecia absurdo na guitarra se tornou surreal no instrumento acústico. Foi aquele momento em que o público ficou hipnotizado diante de tamanha destreza. Na sequência, "Thunderbird", do ZZ Top, e "Last Child", do Aerosmith, trouxeram aquele espírito clássico do rock norte-americano. A escolha das versões deixou claro que, por trás do shredder que ficou conhecido pela velocidade e precisão, existe um músico profundamente conectado às raízes do rock.

A nova fase da carreira também ganhou bastante espaço. "If You Soak Bread in the Sauce", "Orderly and Distinctly" e "Keep Your Feet Firm and Even" mostraram que Paul Gilbert não está interessado apenas em revisitar o passado. Havia muitos músicos presentes, alguns estavam até com seus instrumentos no local, que puderam apreciar Paul cantando e solando como se estivesse dando uma aula particular para cada guitarrista presente. A jam entre Paul e Doug culminou com a clássica "Baba O'Riley", do The Who, e a versão avassaladora de "Rock and Roll", do Led Zeppelin, fizeram o Fabrique Club tremer. Mesmo com o público reduzido, a resposta foi calorosa: gritos, aplausos e aquela reverência nos momentos de maior virtuosismo.

Para fechar, Gilbert executou "Show Not Yourself Glad (at the Misfortune of Another)" e "Go Not Thither", encerrando a noite com a mesma elegância e técnica com que começou. Não houve hits óbvios do Mr. Big ou Racer X em formato completo, e isso foi proposital: o show era sobre o Paul Gilbert de agora, o compositor e performer que continua reinventando o próprio jogo. Para quem esteve no Fabrique Club naquela terça-feira, a quantidade de pessoas dentro da casa pouco importou diante do que aconteceu no palco. Paul Gilbert entregou uma apresentação tecnicamente impecável, com excelente qualidade sonora, repertório diversificado e uma banda que correspondeu à altura. O guitarrista provou que, mesmo depois do encerramento das atividades do Mr. Big, sua história está longe de terminar. Entre solos virtuosos, momentos acústicos, covers certeiros e músicas nas quais também assume o microfone, Gilbert ofereceu muito mais do que um simples show: proporcionou uma verdadeira aula de guitarra, rock e musicalidade.

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Amanda Vasconcelos


Realização: IDL Entertainment

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Paul Gilbert – setlist:

Crazy PG Medley

Let Thy Carriage

Spark of Celestial Fire / Every Action

Maintain a Sweet and Cheerful Countenance

Mother, Father (Journey cover)

Thunderbird (ZZ Top cover)

Last Child (Aerosmith cover)

If You Soak Bread in the Sauce

Orderly and Distinctly

Keep Your Feet Firm and Even

Baba O'Riley (The Who cover)

Rock and Roll (Led Zeppelin cover)

Show Not Yourself Glad (at the Misfortune of Another)

Go Not Thither

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