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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Dominum: O Horror Nunca Foi Tão Contagiante (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Em poucos anos de existência, o Dominum conseguiu algo que muitas bandas levam uma carreira inteira para alcançar: criar uma identidade facilmente reconhecível. Liderado pelo irreverente Dr. Dead, o grupo alemão transformou o imaginário dos filmes de horror em sua principal assinatura, misturando power metal moderno, hard rock, elementos cinematográficos e uma estética inspirada em monstros clássicos do cinema. Em The Night Is Calling, a banda não reinventa sua fórmula — e nem precisa. O grande mérito do terceiro álbum está justamente em aperfeiçoá-la, entregando o trabalho mais refinado, coeso e envolvente de sua discografia.

Essa evolução fica evidente logo na produção. O álbum apresenta um equilíbrio muito maior entre o peso das guitarras, os arranjos orquestrais e os elementos eletrônicos, criando uma atmosfera cinematográfica sem perder a agressividade característica da banda. A mixagem é limpa e encorpada, permitindo que cada instrumento encontre seu espaço com naturalidade. As guitarras alternam riffs pesados, harmonizações melódicas e solos muito bem construídos, enquanto baixo e bateria sustentam as composições com precisão e impacto. Nos vocais, Dr. Dead continua sendo o grande diferencial do Dominum, explorando timbres limpos, passagens rasgadas e uma interpretação extremamente teatral, capaz de dar personalidade a cada faixa. O resultado é um disco que soa maior, mais confiante e tecnicamente mais sólido do que seus antecessores.

Se os trabalhos anteriores já mostravam uma banda com enorme facilidade para criar refrões memoráveis, The Night Is Calling demonstra que o Dominum também evoluiu na construção das músicas. Os arranjos são mais ricos, as transições acontecem de forma mais natural e existe um cuidado maior em desenvolver as atmosferas antes de explodir em refrões gigantescos. Tudo parece pensado para transformar cada faixa em uma pequena experiência cinematográfica.

A experiência começa em clima de espetáculo com "The Circus Is In Town", que abre o álbum como se as cortinas de um circo macabro estivessem se abrindo diante do ouvinte. Entre riffs marcantes e uma ambientação digna de um filme de terror, a música entrega um dos refrões mais fortes do disco logo de cara. 

Na sequência, "Doctor Doctor" mantém a energia em alta com uma pegada contagiante e mais um refrão que permanece na cabeça muito depois que a música termina. Aliás, essa talvez seja a maior qualidade de The Night Is Calling: praticamente todas as faixas possuem melodias incrivelmente grudentas, daquelas que fazem o ouvinte voltar ao álbum assim que ele termina.

Em "Nosferatu", o Dominum presta homenagem a um dos maiores ícones do horror com uma composição que equilibra peso, melodia e atmosfera de maneira muito eficiente. 

Já a faixa-título "The Night Is Calling" ganha um brilho especial com a participação da brasileira Marina La Torraca da banda Beattle Beast. Sua interpretação acrescenta um contraste melódico muito bonito à voz de Dr. Dead, tornando a música ainda mais grandiosa e emocional.

Outro dos grandes momentos do álbum é a releitura de "Thriller", clássico imortal de Michael Jackson. Em vez de simplesmente reproduzir a versão original em formato metal, o Dominum faz a música parecer parte de seu próprio universo. A homenagem é divertida, pesada, cheia de personalidade e combina perfeitamente com a proposta estética da banda, tornando-se uma das versões mais criativas do disco.

O encerramento com "Hey Living People (Acoustic)" mostra uma faceta diferente do grupo. Ao reduzir o peso e apostar em uma abordagem mais intimista, a banda evidencia a força da composição e encerra o álbum de maneira elegante, provando que suas músicas continuam funcionando mesmo sem toda a grandiosidade da produção.

The Night Is Calling talvez não seja um álbum revolucionário, mas também nunca teve essa pretensão. Seu objetivo é divertir, transportar o ouvinte para um universo inspirado no horror clássico e entregar uma coleção de músicas que permanecem na memória graças aos refrões explosivos e às melodias extremamente viciantes. Mais refinado que seus antecessores, com produção impecável e uma execução segura de toda a banda, o novo trabalho confirma que o Dominum encontrou sua identidade e continua evoluindo sem perder a essência.

The Night Is Calling é daqueles discos que recompensam cada nova audição. Quanto mais se ouve, mais detalhes aparecem — e mais difícil fica tirar seus refrões da cabeça.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

In just a few years, Dominum has accomplished something many bands spend an entire career striving for: creating an instantly recognizable identity. Led by the irreverent Dr. Dead, the German outfit has turned the imagery of classic horror films into its defining trademark, blending modern power metal, hard rock, cinematic elements, and an aesthetic inspired by legendary movie monsters. With The Night Is Calling, the band doesn't reinvent its formula—and it doesn't need to. The album's greatest strength lies in refining every aspect of it, resulting in the most polished, cohesive, and engaging release in the band's discography.

That evolution becomes apparent from the very beginning with the album's production. It achieves a far more balanced interplay between crushing guitar work, orchestral arrangements, and electronic elements, creating a cinematic atmosphere without sacrificing the band's trademark heaviness. The mix is clear, powerful, and well-balanced, allowing every instrument to breathe naturally. The guitars shift effortlessly between heavy riffs, melodic harmonies, and expertly crafted solos, while the bass and drums provide a solid, impactful foundation throughout the record. On vocals, Dr. Dead remains Dominum's greatest asset, moving seamlessly between clean singing, gritty passages, and an intensely theatrical performance that gives each song its own unique personality. The result is an album that feels bigger, more confident, and technically stronger than anything the band has released before.

While the previous albums already proved Dominum's remarkable ability to write unforgettable choruses, The Night Is Calling also showcases significant growth in songwriting. The arrangements are richer, transitions flow more naturally, and there's a stronger emphasis on building atmosphere before exploding into massive, arena-ready refrains. Every track feels carefully crafted to deliver its own miniature cinematic experience.

That experience begins spectacularly with "The Circus Is In Town" which opens the album as though the curtains of a sinister carnival are rising before the listener. Driven by memorable riffs and a horror movie-worthy atmosphere, the song immediately delivers one of the album's strongest choruses.

Next comes "Doctor Doctor" keeping the momentum alive with infectious energy and yet another chorus that lingers long after the song ends. In fact, this may be The Night Is Calling's greatest strength: nearly every track features irresistibly catchy melodies that make listeners want to start the album all over again as soon as it finishes.

On "Nosferatu" Dominum pays tribute to one of horror's greatest icons with a composition that masterfully balances heaviness, melody, and atmosphere.

The title track "The Night Is Calling" shines even brighter thanks to the guest appearance of Brazilian singer Marina La Torraca from the band Battle Beast . Her performance creates a beautiful melodic contrast with Dr. Dead's voice, making the song even more grandiose and emotionally compelling.

Another standout moment is the band's reinterpretation of Michael Jackson immortal classic "Thriller". Rather than simply transforming the original into a metal version, Dominum makes the song feel like a natural part of its own universe. The result is fun, heavy, full of personality, and perfectly aligned with the band's horror-inspired aesthetic, making it one of the album's most creative highlights.

The record closes with "Hey Living People (Acoustic)" revealing a different side of the band. By stripping away the heaviness in favor of a more intimate approach, Dominum highlights the strength of the songwriting and brings the album to an elegant conclusion, proving that its compositions remain compelling even without the full weight of the production.

The Night Is Calling may not be a revolutionary album, but it never sets out to be one. Its mission is to entertain, immerse listeners in a world inspired by classic horror, and deliver a collection of songs that remain unforgettable thanks to explosive choruses and irresistibly addictive melodies. More refined than its predecessors, backed by impeccable production and confident performances across the board, the band's latest effort confirms that Dominum has found its identity and continues to evolve without losing the essence that makes it so distinctive.

The Night Is Calling is one of those albums that rewards every repeat listen. The more you hear it, the more details emerge—and the harder it becomes to get its massive choruses out of your head.

Divulgação


domingo, 7 de abril de 2024

Entrevista - Alchemia: Despontando para o cenário mundial

 Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Victor Piiroja (vocal)

Em 2021 chegava ao mercado nacional “Inception”. Com um som bem peculiar e recheado de influencias de horror. Musicalmente teatral. Como foi construir esta ideia?

O desenvolvimento do “ Ïnception” foi um processo meticuloso. Eu sempre fui fascinado por filmes de horror, as trilhas sonoras com atmosferas sombrias e orquestrações grandiosas, isto me inspira como compositor, o impacto sonoro com o impacto visual. o Alchemia é uma mistura de muitas influências dentro do heavy metal com a dramaticidade da música clássica. Essa busca por um som único nos levou ao conceito de Horror Metal.

Teatral não só musicalmente, mas ao vivo também. Soando bem impactante visualmente. O que engrandece a apresentação. Mostrando que o Alchemia é uma banda de palco, certo?

Sim, somos uma banda de palco, acreditamos que um show deve ser uma experiência completa, envolvendo os sentidos do público. Por isso trabalhamos com elementos cênicos, figurinos e efeitos visuais que complementam a música e criam uma atmosfera.

Vocês foram anunciados para a segunda edição do Summer Breeze Brasil. Qual a expectativa para este grande evento?

Estamos extremamente entusiasmados, tocaremos no maior festival de heavy metal do Brasil, mostrando nossa música para milhares de pessoas, este é um ano muito especial para o Alchemia!

Seguindo o ótimo momento, vocês também estarão no Summer Breeze alemão. Como foram as negociações para o mesmo?

Recebemos um convite para tocarmos na edição de 25 anos do Summer Breeze Germany, o que nos deixa extremamente honrados, ambos festivais são referências no mundo do heavy metal e esses shows são marcos importantes na trajetória do Alchemia. 

Após o anúncio do show no Summer Breeze Brasil começamos a receber mais atenção por parte da imprensa local e internacional e dos promotores de eventos. Eu moro atualmente na Alemanha e estamos desenvolvendo a banda na Europa, participando mais ativamente da cena musical local.

Já existe a ideia de um sucessor para “Inception”?

Já estamos na fase final da pré-produção do sucessor que se chamará “Become Human”, escrevi mais de 70 músicas novas para escolhermos as 10 melhores que estarão no álbum, posso adiantar que este álbum será mais pesado, mais orquestral e mais rápido do que o nosso primeiro.

Ainda sobre as participações em ambas as edições do Summer Breeze, teremos alguma surpresa ao vivo ou o set vai ser totalmente baseado no debut?

Vamos tocar o debut e o show de São Paulo será gravado em vídeo na íntegra, estamos preparando apresentações especiais para ambas às edições do Summer Breeze.

Seria exagero dizer que algumas influências da banda seria King Diamond, Rob Zombie e Judas Priest?

São grandes influências, King Diamond teve um grande impacto na minha vida, quando eu era adolescente fui ao Monsters of Rock e ali descobri que ele sozinho cantava as linhas agudas e os vocais graves em drive, antes eu achava que eram duas pessoas cantando e que aquilo não era possível, eu tinha feito aulas de canto com professores eruditos que me falavam que eu deveria escolher entre cantar limpo ou cantar rasgado, a partir deste show decidi que queria fazer aquilo também e passei a estudar formas de desenvolver minha voz, hoje eu misturo muitos timbres e formas distintas de cantar.

Judas Priest pra mim é uma grande referência, considero “Painkiller” a música que define a essência do Heavy Metal, Rob Zombie tem um peso sonoro e visual que influencia nossa música, além de Dimmu Borgir com suas orquestrações, Cradle of Filth, entre muitos outros.

Quais os planos do Alchemia pós Summer Breeze Alemanha? 2024 já está planejado?

No segundo semestre estamos com uma agenda pesada, teremos tour na Europa e na sequência tocaremos na China e na América Latina. Estamos em negociação com vários festivais para a temporada 2024/2025 e em paralelo vamos gravar o novo álbum, muita estrada pela frente, Road to Horror Metal pelo mundo!

 






domingo, 6 de março de 2022

Final Disaster: Horror Metal Enérgico e Promissor



Recentemente a banda paulistana de Horror Metal, Final Disaster, lançou seu primeiro álbum “Halls of Despair” de forma independente. O trabalho traz um história conceitual, contando a trajetória de um serial killer chamado Mr Joe.

Conforme eles foram lançando vários singles, fui acompanhando e fiquei ansiosa por ouvir o trabalho completo. 

Pois agora que “Halls of Despair” está disponível vou falar das minhas impressões sobre o álbum. A abertura ficou por conta de “Another Victim”, com uma ótima combinação dos vocais de Kitto Vallim e Deborah Moraes.


Em seguida, a faixa “Turn It Off”, merece um destaque pela versatilidade vocal de Kitto mostrando um estilo mais agressivo. “Dark Delight” apresenta um instrumental sensacional e muita energia nos vocais de Deborah e Kitto.

“Quiet Now” é uma das minhas músicas favoritas, os vocais arrasam mais uma vez e trazem realmente o desespero de uma vítima fugindo e tentando se esconder de seu perseguidor. 

Em “Creatures from the Underground”, eu gostaria de destacar o desempenho de Bruno Garcia na bateria, a banda como um todo parece muito bem entrosada, mas nessa música em específico ele roubou toda minha atenção. 


Outra música que merece destaque é a “Blood Red Creation”, o violão na introdução consegue criar uma certa tensão para a narrativa da canção que se inicia a seguir, além disso o refrão é daqueles que grudam na cabeça. 

Acho que “Things to Come” é uma das mais pesadas do disco e está na minha lista de favoritas. “Resonance Within” é a música mais longa do álbum, mas isso não quer dizer que seja monótona, mais uma vez há bastante entrosamento entre os vocais de Kitto e Deborah. 

Em seguida temos a densa e pesada “Despair”. Em “Broken Glass (Invisible)”, os vocalistas mais uma vez dão um show de interpretação. “Silent Sacrifice” deveria ser proibida de ser ouvida em volume baixo. 

Em “Final Disaster”, os riffs criam uma atmosfera muito interessante na introdução, mais uma vez muito entrosamento entre os vocais e um refrão fantástico. “Inner Reveries” é mais uma faixa de altíssima qualidade. 


E para encerrar, a energica “Beware the Children”, a perfeita combinação de peso e harmonia. De modo geral, a pandemia trouxe muitos desafios a todos e muitas bandas precisaram “se virar no trinta” para se manter na ativa. Mesmo assim, muitas como a Final Disaster conseguiram realizar um trabalho excelente, apesar das dificuldades.

Eles me surpreenderam muito com esse álbum e atualmente são uma das minhas bandas nacionais favoritas. Vale muito apena dar uma conferida, eles têm qualidade o suficiente para se tornarem uma potência no metal nacional, mas claro, como qualquer outra banda, precisam de apoio.

Texto: Raquel de Avelar
Fotos: Divulgação


Line-up

Kito Vallim – Vocal
Deborah Moraes– Vocal
Lucas Mendes – Guitarra
Rodrigo Alves – Guitarra
Felipe Kbça – Baixo
Bruno Garcia – Bateria

Tracklist:

1 – Another Victim
2 – Turn it Off
3 – Dark Delight
4 – Quiet Now
5 – Creatures From The Underground
6 – Blood Red Creation
7 – Things To Come
8 – Resonance Within
9 – Despair
10 – Broken Glass (Invisible)
11 – Silent Sacrifice
12 – Final Disaster
13 – Inner Reveries (Outro)
14 – Beware The Children (2021)* [Bonus da versão digital]