Muitos fãs de Metal, principalmente, e eu sou um desses, torce o nariz para a maioria do que se produziu nos anos 90, ainda mais se o rótulo "Alternative Rock" vem junto (pior, só "grunge"), por tanto, já fui meio que desconfiado ouvir o novo trabalho do MICKEY JUNKIES, banda que cheguei a ouvir nos anos 90, através da coletânea "No Major Babies", assim como algumas outras da época, como Killing Chainsaw, Pin Ups, Okotô (embora esta era mais Punk/HC do que "Alternative Rock") e Second Come, sendo que dessas duas últimas lembro de algumas coisas (Okotô era a banda da vocalista e guitarrista Cherry Taketani). Do Mickey Junkies lembrava apenas que era uma das bandas que mais eram citadas dessa leva, mas nada do som.
Os caras tiveram uma participação bem relevante na cena da época, ganhando muito elogios, gravaram várias demos, apareceram em compilações, e chegaram a gravar um full-lenght, "Stoned" (1995), mas logo em seguida parou as atividades, e segundo conferi no site do grupo, retornaram em 2007, tocando em vários festivais.
Show de lançamento do CD em SP
Final do ano passado, o grupo lança seu segundo full-lenght, "Since You've Benn Gone", de forma independente e com a distribuição da Shinigami Records. Rotular o grupo de "Alternative Rock" seria injusto, e ir ouvir com um conceito pré-concebido também, então coloquei o disco, apertei o play e tive uma agradável surpresa com o Rock Pesado e "gordo", trazendo muito do Rock setentista, assim como as boas bandas daquela safra dos 90, como Soundgarden e Alice In Chains, com groove e certa malícia.
O vocal grave de Rodrigo Carneiro me lembra algo de Hendrix, na abertura com"Nothing to Say", os riffs são cheios de groove e trazem um boa carga de peso, batera firme, sem grandes malabarismos, deixando a cargo do baixo a tarefa de contribuir mais com o groove; "Something About Destruction" também mantém a atenção, seguindo essa linha 70's com bastante groove, que você vai acompanhando a batida, batucando com as mãos ou no pé! Assim como na primeira, a guitarra tem algumas intervenções com sons mais psicodélicos, e o uso de pedais vintage, como flanger e wha-wha são uma constante.
"Since you've Been Gone", tem uma batida muito legal e cativante, e a harmônica colocada nesta canção dá um toque especial, a parte do refrão tem bastante peso, diria que um Stoner Rock tranquilamente. A Harmônica aparece também muito bem na acústica "A Tired Vampire", que tem muito de Southern Rock. Destaco também "Sweet Flower", com riffs pesados, andamento arrastado e guitarras carregadas de wha-wha, alternando momentos bem Stoner Rock e trechos psicodélicos e "Big Bad Wolves", com um riff marcante e uma pegada enérgica.
Há faixas mais diretas, algumas características que marcaram o Rock dito alternativo dos anos 90 (acho que a faixa "Alguma Coisa", é um exemplo), como aquela certa "sujeira" nas guitarras, solos econômicos, mas o que prolifera é o Rock setentista, riffs com doses generosas de peso, muito groove e doses generosas de criatividade. Surpreendeu-me muito positivamente.
Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Ficha Técnica
Banda: Mickey Junkies
Álbum: "Since You've Been Goone" (2016)
País: Brasil
Estilo: Alternative Rock, Stoner Rock
Produção: Michel Kuaker
Selo: Independente- Distribuição Shinigami Records
Curtiu? Adquira o álbum na Shinigami AQUI (digipack)
1. Nothing to Say 2. Something About Destruction 3. Since You’ve Been Gone 4. Use Me (to Move On) 5. Stoned 6. Tryin’ to Resist 7. Sweet Flower 8. Big Bad Wolves 9. Alguma Coisa 10. A Tired Vampire
Na ativa desde 1991, a Carniça já se tornou um estandarte para o Thrash metal nacional e um sinal vivo dentro do underground. É uma destas bandas da casa que nos trazem muito orgulho, e que demonstram a verdadeira identidade de quem está nesse caminho pelo amor a arte. Viver da arte em nosso País não é uma tarefa muito fácil para quem não se rende a pressão do sistema, agora imaginem essa situação para quem confronta diretamente o monstro, cara-a-cara. Trocamos algumas ideias com o baterista Marlo Lustosa em busca de relembrar momentos importantes da carreira e de como funciona o mecanismo que move a banda, confira: RtM: Durante os vinte e cinco anos de existência da Carniça, muitas
situações foram vividas. Entre o lançamento do Rotten Flesh (1999) e Temple's
Fall... Time to Reborn (2011), o que aconteceu com a banda?
Marlo Lustosa: Pós lançamento do “Rotten...” fizemos muitos shows,
naquela época festivais com muita gente mesmo... daí depois surgiu o convite
para participar do tributo ao Running Wild, gravamos e mandamos para a
gravadora (seria a Sanctuary Records) o próprio Rock and Rolf gostou e nos
respondeu por e-mail... tudo estava dando certo, haveria dois shows na Alemanha
para lançar o tributo, mas daí a gravadora decidiu lançar o tributo apenas com
bandas que faziam parte de seu cast e o tributo conosco e outras bandas do
mundo acabou saindo apenas no formato para download, está lá ate hoje na Page
dos caras para baixar. Ficamos bem frustrados na época, um dos membros teve
questões lances pessoais e no fim em 2005 fizemos uma parada. Para em 2008
retomamos e 2011 lançamos o “Temple’s...”
RtM: No trabalho mais recente, Nations of Few, a música escolhida para
ilustrar toda fúria do disco em um videoclipe foi a Corruption. Por que ela foi
escolhida?
Marlo: Cara, esse som era o mais “calmo” do disco e tem uns riffs
de guita dobrados, batidas cadenciadas que nos remetem a uma espécie de baile
(risos) mas a letra é direta, um soco na cara de todos políticos corruptos (99%)
desse país e mundo podre.
"A Carniça sempre procurou e procura fazer seu som próprio! Não me lembro de alguma vez tenhamos procurado seguir uma tendência ou moda da época... "
RtM: Como a banda enxerga a relação entre o consumo da música e os fãs
atualmente?
Marlo: Hoje em dia somos muito conhecidos pelo Brasil e até fora,
graças a internet. Temos uma galera que nos segue. Mas os tempos são outros, material
das bandas já foi mais vendido...
RtM: Percebe-se que a Carniça mantém a formação desde o nascimento, o
que não é muito comum em bandas. Pessoas diferentes trazem opiniões diferentes
até em grupos mais próximos (como família, por exemplo). Algum segredo especial
é utilizado como catalisador na hora de manter o trio unido?
Marlo: Cara... (muitos risos) a banda tem muitas brigas internas na
hora de compor, gravar, ensaiar e etc. Mas somos uma família realmente,
Mauriano e eu irmãos e Parahim nosso primo... nos criamos juntos e a amizade
está acima de tudo! Hoje em dia você pode pegar os melhores e mais virtuosos
músicos e formar uma banda... mas o lance de amizade e parceria dificilmente
vai existir.
RtM: A Carniça continua de olho no que acontece dentro do Thrash Metal
e ouvem bandas mais recentes?
Marlo: Cada um de nós escuta coisas diferentes um do outro, mas temos
muitos gostos parecidos... não seguimos tendências, como se vê por aí... essa
ou aquela banda que soam exatamente iguais, tanto nos riffs como na gravação. Você
fecha os olhos e soa igual. Tem muita banda foda por aí, aqui no Sul, no Brasil
e fora também. Eu particularmente tenho escutado muito metal anos 80, 90, mais
recentes black, thrash, death. Sem rótulos! Se o som é bom, eu escuto.
RtM: Quais as lembranças do processo de gravação da demo World Putrefation?
Marlo: Gravação tosca, na corrida, com poucos recursos financeiros
e técnicos hehehe mas foi massa porque faz parte da nossa história!
RtM: Considerando que os fãs sempre sustentam uma opinião de como a
banda deve soar, vocês levam isso em consideração na hora de compor ou é um
processo mais orgânico?
Marlo: A Carniça sempre procurou e procura fazer seu som próprio!
Não me lembro de alguma vez tenhamos procurado seguir uma tendência ou moda da
época... tem muita banda foda por aí... rápidas, ou técnicas ou muito pesadas e
agressivas... não queremos copiar ou competir com ninguém... queremos mostrar o
nosso trampo e fazer o que gostamos com a nossa identidade.
Desde criança, motivado pela música e pela cultura em
geral,através do ambiente familiar, Rafael Bittencourt sempre foi sinônimo de
ousadia e criatividade, que a três décadas de carreira, até chegar ao seu maior
patamar com o Angra, mostrou-se endiabrado pela guitarra, carregando o popular
reconhecimento diante do Rock/Heavy Metal (passando por outras virtudes
musicais) e nunca deixando esconder sua genialidade como compositor, que é uma de
suas principais posses como músico. Ainda almejando objetivos, eis que Rafael
realiza mais um sonho, lançando o primeiro DVD ao vivo do seu projeto solo,
BITTENCOURT PROJECT, “Live Brainworms In Brazil”.
Gravado no dia 13 de janeiro (2016), no Café Piu Piu (SP),
é fruto da aproximação que o Rafael possui junto aos fãs, experimentando a força
de cada um por meio do ‘crowdfunding’, junto também pela lei de incentivo do
PROAC (Secretaria da Cultura de São Paulo) e com patrocínio da Sociedade da
Cerveja, delongando certo tempo pra que tudo ficasse do jeito que muitos
esperavam, ou seja, grande produção e qualidade musical ímpar. E o resultado não deixou nada a desejar, pois aqui há um material muito proveitoso
e rico, dando o prazer de se deleitar com uma genuína performance ao vivo, um show intimista e divertido, recordando, aos que estiveram presentes no
dia, o momento histórico de um dos ícones do Heavy Metal nacional.
As imagens, captadas em alta definição, não deixam escapar
nenhum detalhe da apresentação, várias câmeras distribuídas por diferentes
ângulos, e eximia produção sonora,
acaudilhada pelo Rafael e pelo produtor Oscar Gonzáles, responsável pela mixagem
e masterização, não deixando protelar a exaltação do público. A capa exibe o
lado mais espiritual do Rafael, "decorada" de forma minuciosa com fotografias de cada pessoa que colaborou no financiamento coletivo.
Atentando-se ao show, percebemos que as ideias do
Rafael ultrapassam divisas, não precisando de muito para que
o espetáculo se torne uma verdadeira mágica. E como ele está cantando! Ano
após ano, o seu desempenho vocal cresce de forma absurda! E não poderiamos deixar
de focalizar os seus músicos apoio: Amon Lima (Violino), Fernando Nunes
(Baixo), Marcell Cardoso (Bateria), Nei Medeiros (Teclados) e Wellington Sancho
(Percussão), incumbindo à apresentação uma qualidade instrumental beirando a perfeição.
O repertório é dedicado somente às faixas do “Brainworms
I” (2008), exceção da música “Primeiro Amor”, que não esteve presente no set. A
instrumental “Comendo Melancia” abre o concerto tendo a participação do Núcleo
7 Esferas, com uma “Chinese Lion Dance” no centro do palco e do Rafael
Bittencourt Street Team, que puderam ver, especialmente, esse primeiro momento
de maneira exclusiva. Após isso, Rafael dá suas saudações, convidando-os para se
deliciarem na viagem que iria começar a partir dali, autorizando a abrir os
portões pra que todos entrassem, agradecendo a presença de todos, pregando
sobre motivação e alma, que é o que retrata a “Dedicate My Soul”.
Depois de falar sobre alma, dedicação e de melancia, é
hora de falar da emoção em “Holding Back The Fire”, que tem suas raias
melódicas, mas que explode com feitios cristalinos. Confiando no destino,
“Torment Of Fate” abrange passagens de música latina de inicio, com o Rafael
exibindo suas habilidades no “tango”, espantando todos com os riffs
cadenciados. Partindo pras dificuldades do amor, tendo um lado negro, é chegada a vez da balada “The Dark Side Of Fate”, com a participação do Alirio Netto,
acrescentando mais emoção à canção com a sua voz.
Olhando para o lado negro, de forma diferente,
encontramos um caminho mais fácil pra perdoar o outro, entendimento esse que
está na pesada “The Underworld”. Prontificando uma viagem intensa, a próxima
faixa, “Nightfly”, é uma das mais significativas do Rafael, que fala sobre sua
infância. Apesar de longa, ela é bem recebida pelo público, com todos cantando
os principais versos. “Faded”, trabalhada em harmonias minuciosas, demonstra
que não há culpados quando morre o amor.
“Santa Teresa” possui o lado folclórico, com o Rafael
entojando requintes acordes na viola caipira e usando um chapéu pra lá de
ilustre, o qual ganhou de um fã, seguida, sem meias palavras, da assombrosa “O Pastor”, que tem Felipe Andreoli
no baixo. Com o Rafael usando a camiseta do estado de Pernambuco e um chapéu de
cangaceiro, e o restante dos músicos com chapeis diferentes, “Nacib Véio”
encerra o show de um jeito humorado, tendo a participação do Marcello Pompeu(KORZUS).
De bônus, há uma versão bem interessante de “War Pigs”(BLACK SABBATH), adicionado por acordes de viola caipira e a letra totalmente
cantada em português, com participação do guitarrista Michel Leme, do baterista
Ricardo Confessori e do baixista Fabio Zaganin, e esta é marcada pela graça do Rafael, brincando com um cavalo de madeira, recitando um pequeno poema de um sujeito
que vive no sertão. E “O Calibre”, composta originalmente pelo Os Paralamas do
Sucesso, é uma homenagem ao Rock nacional, reelaborada com uma versão mais
pesada e técnica, comandado por Felipe Andreoli (Baixo), Bruno Valverde
(Bateria) e Edu Ardanuy (Guitarra).
Os extras mostram os bastidores e todos os preparativos
da apresentação, além do rápido vídeo com Rafael explicando os aspectos de cada
equipamento que usou no dia do show.
É certeza que não da pra assistir só uma vez, e que poderia
render mais que uma hora de história e música. Com certeza, “Live Brainworms In
Brazil” se tornou um dos melhores DVDs Rock/Heavy Metal nacional, valendo muito
a pena ter na sua videoteca básica.
Texto:
Gabriel
Arruda
Fotos:
Divulgação
Edição/Revisão:
Carlos
Garcia
Ficha
Técnica
Banda:
Bittencourt
Project
DVD:
Live
Brainworms In Brazil
Ano:
2017
País:
Brasil
Gravadora:
Independente
Formação
Rafael Bittencourt (Vocal/Guitarra)
Amon Lima (Violino)
Fernando Nunes (Baixo)
Marcell Cardoso (Bateria)
Nei Medeiros (Teclados)
Wellington Sancho (Percussão)
Set-List
1.Comendo
Melancia
2.DedicateMy
Soul
3.Holding
Back The Fire
4.TormenteOfFate
5.The
DarkSideOf Love (feat. Alirio Netto)
6.The
Underworld
7.Nightfly
8.Faded
9.Santa
Teresa
10.O
Pastor (feat. Felipe Andreoli)
11.NacibVéio
(feat. Marcello Pompeu)
Bonus-Tracks
1.War
Pigs da Porteira (feat. Michel Leme, Fabio Zaganin, Ricardo Confessori)
2.O
Cálibre (feat. Felipe Andreoli, Bruno Valverde, Edu Ardanuy)
A banda alemã XANDRIA está lançando o álbum “A Theater Of Dimensions”, via Napalm Records. Fundada em 1997, a banda já teve algumas mudanças de vocalista, e em 2013 foi anunciada a entrada de Dianne Van Giersbergen como nova vocalista.
Na faixa de abertura, “Where the Heart is Home”, Dianne já mostra todo seu potencial vocal, harmonizando de forma muito agradável com o coral e o instrumental. A épica “Death to the Holy”, tem uma pegada mais Power Metal, com riffs de guitarra bem trabalhados. A melodiosa “Forsaken Love”, é uma canção mais simples, com elementos folk a canção alterna entre a leveza dos teclados e instrumental mais leve. Em “Call of Destiny”, os vocais de Dianne transmitem um clima mais dramático.“We are Murderers” é uma das músicas mais agressivas do álbum, na primeira audição foi impossível não comparar com as canções do Epica, já que a faixa conta com a participação de Björn Strid da banda SOILWORK e seus vocais rasgados.
Mais uma bela balada, “Dark Night of the Soul”, mostra que Dianne Van Giersbergen não se limita apenas em vocais líricos, é uma das minhas canções favoritas. A sétima faixa do álbum, “When theWalls Came Down”, traz novamente uma orquestra bem arranjada e um belo vocal lírico no refrão. Quando começou o coro em “Ship of Doom” por um momento me senti transportada para uma capela de algum filme medieval, mas essa sensação é rapidamente quebrada, quando começa a instrumentação mais pesada. O toque especial da música é a participação de Ross Thompson, do VAN CANTO.
Logo em seguida, e para mim o momento mais inovador do álbum, a instrumental “Ceilí”, trazendo uma atmosfera bem irlandesa. Quando ouvi Song for “Sorrow and Owe” pela primeira vez fiquei muito incomodada, pois me lembrou em vários momentos “Deep Silent Complete” do Nightwish, tanto nos vocais quanto no instrumental, precisei ouvir algumas vezes até sentir que aquele era o XANDRIA e conseguir gostar da música.
Em “Burn Me” a banda apresenta um dueto interessante entre Dianne e Zaher Zorgati, da banda MYRATH. E finalmente minha música favorita “Queen of Hearts Reborn”, que merece um destaque especial para o solo de guitarra. A longa e teatral “Theater of Dimensions”, nos faz viajar à um ambiente circense, onde a suavidade reveza com o instrumental pesado a maior parte do tempo. Em seus 14 minutos de música, o ponto alto é a participação de Henning Basse do FIREWIND e seu vocal carregado de emoção.
Apesar de gostar de todas as fases do XANDRIA confesso que sinto falta dos tempos de Lisa Middelhauve. A cada álbum a banda vem apresentando trabalhos cada vez mais sinfônicos e perdendo um pouco a originalidade de seus primeiros álbuns. Mesmo assim, gradativamente tem alcançado seu espaço entre as outras bandas já consolidas no estilo, como EPICA e NIGHTWISH.
Texto: Raquel de Avelar
Revisão e Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação
Ficha Técnica:
Banda: Xandria
Álbum: "Theater of Dimensions" 2016
País: Alemanha
Estilo: Symphonic Metal
Selo: Napalm Records
Line-Up:
Dianne Van Giersbergen: Vocais
Marco Heubaum: Guitarras e Teclados
Gerit Lamn: Bateria
Philip Restemeier: Guitarra
Steven Wussow: Baixo
Track List:
1."Where the Heart is Home" 6:53
2."Death to the Holy"4:46
3."Forsaken Love"4:20
4."Call of Destiny"4:10
5."We Are Murderers (We All)"5:49
6."Dark Night of the Soul"5:21
7."When the Walls Came Down (Heartache Was Born)" 5:11
8."Ship of Doom" 4:50
9."Ceilí" 3:21
10."Song for Sorrow and Woe" 5:24
11."Burn Me" 4:42
12."Queen of Hearts Reborn" 5:16
13."A Theater of Dimensions" 14:20
Mais de 20 anos de história e um legado solido e cravado eternamente no underground nacional. Essa é a Sacrario e sua persistência em prol do Heavy Metal, tendo em sua discografia quatro discos oficiais, um EP e diversas Demos, criando assim uma solidez eficaz e evolutiva, chegando ao status de referencia nacional.
Confira nas linhas a seguir nosso bate papo com o guitarrista/vocalista Fabbio Webber:
Road to Metal: Quando se inicia um projeto duradouro, como a Sacrario,
muitos sentimentos rondam no começo. Conseguem listar como foi esse turbilhão
de sentimentos no inicio da banda e as expectativas na época?
Fabbio Webber: Quando começamos não pensávamos em voos mais altos,
apenas fazíamos o que gostávamos, sem qualquer tipo de preocupação, desde a
gravação de uma “demo” até shows no underground. Mas a vontade e as ideias em
fazer uma música de qualidade e profissionalismo foi se desenvolvendo ao longo
do tempo em que amadurecemos como músicos e como pessoas.
RtM: As letras da Sacrario abordam temas provocativos e diretamente
críticos. Como acontece o equilíbrio entre a crítica e a provocação na hora de
compor as músicas?
Fabbio: As nossas letras tiveram uma evolução bastante
significativa, pois no início sentíamos como se elas simplesmente fossem apenas
um complemento da música, porém essa postura mudou. Escrevemos sobre temas
reais, que ocorrem no dia a dia, entretanto não opinamos explicitamente nas
letras para que as pessoas possam pensar e refletirão seu modo. Cito como exemplo,
Neither God Nor Devil, pois aqui não está
explícita a nossa definição sobre o que pensamos a respeito, simplesmente
deixamos para que todos reflitam acerca da existência de Deus, do Diabo, de
apenas um deles, ou a inexistência de ambos.
RtM: Em todos esses anos de atuação da banda, qual foi o período de
maior agito?
Fabbio: No ano de 2011, com a nossa primeira tour fora do país, na
Argentina. Preparamos o álbum “Stigma of Delusion” no ano anterior para essa
tour. Logo depois, ao retornar ao Brasil, fizemos vários shows, e ainda
participamos do Metal Battle Festival, o qual fomos para a cidade de Varginha
participar da etapa final com mais 19 bandas. Nesse período, houve muita
correria entre gravação de um álbum, ensaios e tour, todavia foi ótimo e muito
gratificante, visto que a banda passou a ser mais conhecida. Além disso
conhecemos muitos músicos, fãs e pessoas ligadas ao metal, e de uma forma
geral, fizemos muitos contatos.
RtM: Hoje sabemos que a Sacrario já é uma referencia para a região e
para o País. Mas para os integrantes, o que a Sacrario significa?
Fabbio: Apesar de não vivermos de música, vemos e encaramos a banda
com seriedade, como um trabalho, e com compromisso. Amamos o que fazemos, somos
fãs de nós mesmos. E é na banda que podemos expressar não apenas nossa arte,
mas também os nossos sentimentos, já que além de sermos músicos, somos
artistas.
RtM: Como foi a chegada do baixista Cristiano Kappaun, na banda?
Fabbio: Não poderia ter sido melhor, pois o entrosamento foi
perfeito, tanto do lado pessoal quanto do lado musical. Temos muita coisa em
comum, desde gostos musicais até a maneira de compor. Ademais, o foco e os
objetivos são os mesmos, o que são fatores essenciais em uma banda onde há
várias mentes pensando e trabalhando ao mesmo tempo.
RtM: Quando a Sacrario compõe, as experiências dos trabalhos anteriores
são analisadas e levadas em conta?
Fabbio: Muito pouco, apenas procuramos não nos tornar repetitivos,
e no momento que finalizamos um álbum, já estamos pensando no próximo. Quando
estamos compondo, deixamos que tudo flua de forma natural e espontânea, sem
qualquer tipo de pressão. Particularmente, durante o período de composição,
procuro não ouvir nenhuma banda, evitando assim, influências diretas nas
composições.
RtM: Há pouco tempo à banda
excursionou pelo exterior. Poderiam nos comentar como foram os shows na turnê
Argentina? Qual o ponto positivo e quais as maiores dificuldades?
Fabbio: Essa foi a quarta vez que
excursionamos na Argentina, e desde a primeira vez até agora, as coisas sempre
tiveram uma evolução. Os shows por lá foram ótimos, o público é muito animal e
viciado em cerveja e metal; houve shows em que muitos cantavam partes de nossas
músicas, o que foi muito gratificante para nós. De positivo temos o bom público
que comparece aos shows, o enorme respeito com a banda; a forma como somos e
sempre fomos tratados e recepcionados, seja pelas pessoas e fãs, seja pelos
produtores, com profissionalismo e seriedade. Uma das maiores dificuldades é o
grande trabalho e tempo necessários para se agendar uma tour, pois implica
muitos detalhes, e para que isso ocorra perfeitamente, é relevante que as
pessoas envolvidas sejam sérias, honestas, comprometidas, e acima de tudo,
profissionais.
Formada nos início de 2016 pelos experientes Marcelo Mictian (UNEARTHLY) no baixo e vocais e R. Rassan, guitarra, (que passou por bandas como Imago Mortis e Ainur), e a revelação Jedy Najay nas baquetas, o AFFRONT não poupou esforços e já foi trabalhando para o lançamento do seu primeiro full-lenght, que foi precedido de vídeos para "Under Siege" e "Scum of the World", sempre procurando dar amostras do que estava por vir, com sua proposta sonora que visa unir o Thrash e Death de forma original e bem própria. (English Version)
Em dezembro de 2016 o grupo chega ao lançamento de seu debut, "Angry Voices", contendo 12 faixas, onde podemos ouvir um Thrash/Death que traz muito das raízes dos estilos, mas com uma sonoridade contemporânea e trazendo sutilezas e detalhes que dão um diferencial nas composições, e o mesmo podemos dizer da parte lírica, que dá seu recado, de certa forma direta, mas há um conceito maior que pode ser entendido de forma mais ampla, ou seja, "para bom entendedor, meia palavra basta" (M. Mictian discorre sobre cada música no release, o qual você pode ler ao final da resenha).
A banda vem andando em passos rápidos,e a experiência e competência dos músicos, a dedicação e trabalho é que são as grandes responsáveis, resultando já num primeiro álbum com muita solidez e personalidade, o que é o objetivo do AFFRONT, e é muito provável que essa proposta musical ainda evoluirá.
A avalanche sonora de "Scum of the World", já conhecida do lyric vídeo, abre o disco, vociferando sobre as maneiras sórdidas que a política e igrejas buscam lucros, e a proposta da banda já se torna clara ao ouvinte, na mescla entre riffs e alternância de andamentos típicas do Thrash, com a velocidade e agressividade do Death Metal, vocais urrados e instrumental agressivo e técnico, ressaltando a clareza dos instrumentos, proporcionada pela produção sonora de alto nível. "Angry Voices", é bem agressiva, e já podemos perceber o trabalho excelente do baterista Jedy Najay, que traz peso, agressividade, velocidade e técnica.
A mescla entre o Death e Thrash se mostra perfeita em faixas como "Under siege", que foi o primeiro clipe, e aqui aparece em duas versões, sendo a última faixa do álbum também, trazendo Marcelo Pompeu, do KORZUS, nos vocais. Esta faixa traz riffs típicos do Thrash mais contemporâneo, alternando passagens mais sombrias e graves, assim como "Carved in Stone", com um tempo mais lento, riffs em palm-mute, também elemento típico do Death, além de passagem bem viajante e melodiosa nas guitarras.
Além dessa mescla do Thrash e Death, alguns outros elementos aparecem, mais evidentes, como esses trechos acústicos e com mais melodia, que assim como em "Carved in Stone", também surgem em "Conflicts", em meio a avalanche sonora, há trecho acústico, que dá uma quebrada bem interessante, e na instrumental "Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)", M. Mictian gravou instrumentos indígenas; a faixa cantada em português "Mestre do Barro", homenageia o pernambucano Mestre Vitalino (1909-1963), artista popular escultor da arte no barro, que tem sua obra exposta até em museus da Europa. Esta faixa se destaca, não só pela temática e pela intro com pandeiro, e por conseguinte, por também trazer elementos brasileiros, mas inclusive pelo trampo excelente da guitarra. Uma música pesada, criativa e cativante.
Uma grande estreia e uma banda para seguir prestando muita atenção. Trabalho que traz músicas com peso e agressividade, mesclando momentos rápidos com outros mais trabalhados, algumas surpresas e alternância inteligente de nuances do Thrash e Death, resultando num álbum de composições sólidas, dinâmico e empolgante.
Saiba Mais A Respeito das Faixas, pelas palavras de M.Mictian (Baixo e vocais)
1-Scum Of The World (música do primeiro lyric video da banda) A música versa um pouco sobre o lado sujo da politica,igreja,e a maneira como conseguem dinheiro sujo a qualquer preço.
2-Angry Voices - forte e agressiva fala sobre o ódio e a raiva de personalidades que assolam o mundo como políticos, ditadores e suas crenças.
3-Affront - Como diria o grande Ratos de Porão "Velhos Decreptos" essa é a síntese desta canção falar dos "senhores" que se alimentam da miséria,com ganancia, passando por cima de todos.
4-Conflicts - Aqui falamos sobre as manifestações contra governos corruptos em todo mundo a indignação do povo com esses ratos do poder.
5-Terra Sem Males - Instrumental (baixo e instrumentos indígenas todos gravado por M.Mictian) uma homenagem a Guerra Guaranítica (... é o nome que se dá aos violentos conflitos que envolvem os índios guaranis e as tropas espanholas e portuguesas no sul do Brasil após a assinatura do Tratado de Madri, no dia 13 de janeiro de 1750. Os índios guaranis da região dos Sete Povos das Missões recusam-se a deixar suas terras no território do Rio Grande do Sul e a se transferir para o outro lado do rio Uruguai, conforme ficara acertado no acordo de limites entre Portugal e Espanha. Em decorrência do referido Tratado, o Império Português passou a exercer soberania também sobre os territórios de missões jesuíticas situadas a leste do Rio Uruguai. Ocorre que o Império Português permitia a escravização dos indígenas, que naquela região eram os guaranis, enquanto que, no Império Espanhol, todos os índios eram automaticamente súditos do Rei da Espanha, e, portanto, não podiam ser escravizados)
6-Mestre do Barro - Unica em Português do álbum - Thrash/Hardcore, Essa fala sobre o Mestre Vitalino (Escultor Nordestino) - Mestre Vitalino (1909-1963) foi um artista popular brasileiro, considerado um dos maiores artistas da história da arte do barro no Brasil. Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), conhecido como Mestre Vitalino, nasceu na cidade de Caruaru, Pernambuco, no dia 10 de julho de 1909. Filho de um lavrador e de uma artesã que fazia panelas de barro para vender na feira, desde seis anos de idade já fazia transparecer seu talento moldando pequenos animais com as sobras do barro.Sua arte está exposta não só em grandes museus brasileiros, mas também no Museu de Arte Popular de Viena, na Áustria e no Museu do Louvre, em Paris. No Brasil, grande parte de seu trabalho está nos museus Casa do Pontal e na Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, no Acervo Museológico da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, e no Alto do Moura, em Caruaru, onde o artista viveu.
7-Religions Cancer - Versando sobre todas as sujeiras da igreja e suas atitudes durante seculos, consumindo vidas,filosofias, tradições como uma doença.
8-Under Siege - Thrash/Death Metal ríspido, "Sob Cerco" a maneira que a grande maioria das pessoas se sentem diante de Governantes e Sistema de segurança (Policia) os tratam nas comunidades pobres, periferia etc...
9-Carved In Stone - A mais lenta e arrastada do álbum, a temática é algo sobre "EU" mesmo sobre minha condição no momento de ter q recomeçar com uma nova banda um novo trabalho assumindo novos desafios.
10-WarTime Conspiracy - Mais sobre velhos Descreptos que insistem em querer comandar o mundo com suas conspirações e criando guerras e sofrimento a todos.
11-Echoes Of The Insanity - Mais uma instrumental (baixo & violões) Nossa visão da decadência, da Insanidade e loucura da Humanidade.
12-Under Siege - Thrash/Death Metal ríspido, "Sob Cerco"; A maneira que a grande maioria das pessoas se sentem diante de Governantes e Sistema de segurança (Policia) os tratam nas comunidades pobres, periferia.abuso de autoridade, agressão e mortes de inocentes; AGORA com a presença do Marcelo Pompeu do Korzus me ajudando e fortalecendo a música.