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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cobertura de Show: Corrosion Of Conformity – 17/01/2026 – Burning House/SP

O Corrosion of Conformity é uma das principais bandas de stoner rock já criadas. Tiveram seu início em 1982, com músicas mais voltadas ao hardcore punk, com álbuns como “Animosity”, mas com o tempo, foram ficando cada vez mais lentos e mais pesados, gravando alguns dos principais álbuns de stoner, como “Deliverance” e “Wiseblood”.

E com mais de 40 anos de carreira é fácil de imaginar que a banda já passou por diversas mudanças de line-up. Membros importantes pra história da banda como Mike Dean, baixista e vocalista, saiu da banda e Reed Mulin, baterista, infelizmente morreu. A formação atual conta com Woody Weatherman, guitarrista fundador e único membro constante, Pepper Keenan, guitarrista e vocalista, Stanton Moore na bateria, e Bobby Landgraff no baixo.

A banda já pisou no Brasil algumas vezes, com shows em 2013 e em 2018. E agora, em 2026, voltaram para fazer mais um show, em São Paulo, na Burning House, um pouco antes do primeiro aniversário da casa. O show era pra ter acontecido em setembro de 2025, mas devido a uma oferta irrecusável de abrir shows para Judas Priest e Alice Cooper nas mesmas datas, adiaram para janeiro.

O evento não contou com banda de abertura, sendo apenas o COC, e foi completamente sold out. Ao entrar na casa, já era possível ver os instrumentos de todos eles no palco, e ver as marcas de uso nas guitarras de Pepper e Woody, que provavelmente estão com esses instrumentos há uns belos anos.

O show foi marcado para começar as 20 horas, e a produtora Dark Dimensions fez questão de dizer que iria começar as 20 em ponto. E, com uma pontualidade difícil de acontecer no Brasil, as 20 horas começa a introdução do show vindo das caixas de som, enquanto um a um seus integrantes sobem ao palco.

Logo de cara todos os integrantes já demonstram um enorme carisma em palco, com eles entrando todos sorridentes e brincando com a plateia que aguardava ansiosamente pelo show. Então, começaram a tocar, com a sequência “Bottom Feeder” e “Paranoid Opioid”, sendo a primeira tocada apenas parcialmente. E desde o começo, o COC já incendiou a Burning House.

E, pra aumentar ainda mais o ar lendário da banda, Woody estava bem na frente do ventilador da casa, que fez seu cabelo voar durante todo o show, parecendo um mago enquanto tocava sua guitarra.

Pra quem ouve os álbuns da banda, já deve considerar a banda extremamente pesada, mas ao vivo o peso é ainda maior, com todas as músicas surpreendendo até os maiores fãs com sua brutalidade.

Com toda a energia da plateia e dos amplificadores da Orange do COC, e a casa completamente lotada, a Burning House começou a queimar mesmo, com bastante gente comentando do calor, ao ponto de Pepper comentar no palco que eles aguentavam o calor, afinal, eles eram do sul dos EUA, já estavam acostumados com isso, e apenas pediu pra plateia se hidratar bem.

Após isso, seguiram com possivelmente uma das músicas mais pesadas da história, a “Broken Man”, do “Deliverance”, e na sequência “Wiseblood”, do álbum com o mesmo nome. Foram algumas das músicas mais amadas pelo público.

Pouco antes de tocarem “Who’s got the fire?”, do “America’s Volume Dealer”, alguém disse ao Pepper que o amava, e ele brincou dizendo que era mentira, ninguém o amava. E na sequência, tocaram “My Grain”, onde toda a casa começou a bater palmas no ritmo da música, enquanto o Corrosion começava uma jam improvisada no palco, começando com solos alternados de guitarra, solo de bateria, e riffs de baixo. Uma viagem perfeita pra quem quisesse levar o sentido da palavra “stoner” ao pé da letra durante o show. 

Por mais que a plateia estivesse animada, muitas das músicas eram bem lentas, mas a sequência “final” contou com 3 músicas que começaram a rolar mosh. “Shake like you”, “King of the Rotten” e a clássica “Vote With a Bullet”. A última, sendo do primeiro álbum com Pepper, “Blind”, é uma crítica a políticos que são corruptos, e diz que ao invés de desperdiçar seus votos, ele iria votar com uma bala. Com toda a situação política atual, Keenan até brinca que atualmente nem sabe mais em quem ele deve atirar. Após a “Vote”, saíram do palco para “finalizar” o show. Mas todos sabiam que iria ter um Bis.

O COC tem um novo single lançado, “Gimme Some Moore”, do próximo álbum da banda, planejado para lançar em abril. E por mais que estava marcado no setlist, e que estivessem vendendo o compacto do single no merch do show, cortaram a música do set, junto com a “Is it that way”, do álbum “In the Arms of God”.

Ao voltarem pro palco para o bis, vemos que a banda voltou atrás na fala de que aguentariam o calor, com eles brincando que estava quente até demais, e Woody soltando um “calor” em português. Então, apresentaram a primeira música do bis, que é do álbum “Animosity”, que seria “Mad World”, com Pepper elogiando Weatherman pela sua longa história com a banda. E como ele ainda não estava na banda na época, passou o microfone para Woody. Por ser a música mais hardcore do show, foi também a que teve o maior mosh de todos, com porradaria por todo lado.

Em seguida, tocaram uma das músicas mais aguardadas do show, a clássica “Albatross”, onde todos presentes cantaram a música junto do COC, com Bobby até elogiando o público pela sua energia. E, antes de iniciarem a última música, Keenan agradeceu a todos por terem ido ao show, e disse que pretende voltar na tour do novo álbum da banda, e fez apenas um pedido: que seus fãs levem ventiladores para o show da próxima vez.

Então, para a alegria de todos, começaram a tocar “Clean My Wounds” para finalizar o show. A música também contou com uma outra jam improvisada no meio, onde cada um teve o seu momento de brilhar no palco, enquanto Pepper os introduzia. Até Stanton e Bobby, que são membros que tem menos história com a banda, tiveram seus momentos, e mostraram o motivo de terem sido escolhidos como novas partes fundamentais do quarteto. Durante toda a jam, Woody estava fazendo uma dancinha de vaqueiro no palco, que parecia que estava num show de sertanejo. Ao se apresentar pra plateia, Keenan se apresentou a todo mundo como “dickhead”, e finalizaram a música, e por consequência, o show.

O show do COC mostrou que, ainda que não sejam uma banda tão grande no Brasil, ainda tem um público forte, que continuou aguardando ansiosamente o show, mesmo após ser adiado. A banda também mostra que mesmo com tanto tempo de carreira, ainda consegue entregar alguns dos melhores shows atualmente, abrangendo sua carreira inteira no set, e com carisma difícil de ver em artistas. Esperamos que a volta da banda não demore mais 8 anos, como foi essa última vez.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions

Press: JZ Press


Corrosion Of Conformity – setlist:

Bottom Feeder (El que come abajo)

Paranoid Opioid

Seven Days

Broken Man

Wiseblood

Born Again for the Last Time

Stonebreaker

Who's Got the Fire

My Grain

Shake Like You

King of the Rotten

Vote With a Bullet

Bis 

Mad World 

Albatross

Clean My Wounds

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Siena Root – 02/12/2025 – La Iglesia/SP

O cenário underground da música psicodélica e stoner rock ganhou mais um capítulo inesquecível quando o La Iglesia, em São Paulo, recebeu a banda sueca Siena Root. Dois dias após sua apresentação como abertura para a banda japonesa Boris, eles fizeram sua estreia como atração principal na capital paulista. 

Antes de os nórdicos subirem ao palco, o protagonismo ficou por conta da banda brasileira Hammerhead Blues, um trio que tem se destacado no cenário nacional por sua mistura pesada de riffs psicodélicos e grooves marcantes. 

Formado por Otavio Cintra no baixo e nos vocais, Luiz Cardim na guitarra e William Paiva na bateria, o Hammerhead Blues entregou uma performance que serviu não só como aquecimento para o show principal, mas como um resgate de uma era especial da música. 

No setlist de oito faixas, o grupo mergulhou o público em uma viagem desde os primeiros acordes de “Hero / Roger's Cannabis Confusion”, uma abertura dupla que misturou riffs pesados e linhas de baixo groovy, com Otavio Cintra demonstrando um vocal expressivo e envolvente que comandou a noite. 

As canções “Age of Void” e “Traveller” seguiram em uma progressão crescente, destacando o trabalho preciso de Luiz Cardim na guitarra, cujos solos psicodélicos evocaram viagens, enquanto William Paiva mantinha o ritmo firme na bateria, criando uma base sólida que reverberou pelas paredes do La Iglesia. 


Destaques como “Windmill's Kiss” e “Moontale” trouxeram momentos alucinantes e jams que destacaram sua química no palco. Já “Around The Sun”, “Drifter” e o encerramento com “Thrill of The Moonrise” elevaram a intensidade, transformando o show em um momento inesquecível que deixou o público eufórico e ansioso pelo que viria a seguir com Siena Root.

Foi uma apresentação cheia de energia e impactante; a banda entregou tudo e ficou clara sua fome de palco, o que reforçou a qualidade do Hammerhead Blues.

Na sequência, o Siena Root entrou no palco já em clima de festa. A atual formação, com Zubaida Solid (vocais e teclados), Johan Borgström (guitarra), Sam Riffer (baixo) e Love Forsberg (bateria), entregou o melhor rock psicodélico e stoner, contagiando o público e estabelecendo uma conexão imediata com os fãs. 

Desde a abertura com “We (Over the Mountains)”, já ficava claro que a banda sueca estava em plena forma, trazendo seu rock vintage carregado de groove e feeling. Não foi diferente em faixas como “Tales of Independence”, “Organic Intelligence” e “There and Back Again”, que ganharam versões cheias de nuances, mostrando tanto a força instrumental quanto o entrosamento impecável entre os integrantes.

Passeando pelo seu catálogo, foi a vez de “Dusty Roads”, uma bela balada que trouxe paz e contemplação em meio à viagem quase lisérgica que os suecos proporcionavam. Durou pouco.

“Into The Woods” chegou com muita psicodelia e improvisos, fazendo a cabeça da galera. E tinha para todos os gostos: “Keeper of the Flame” e “Above the Trees” carregavam aquela vibe mais bluesy, criando uma dinâmica perfeita para a apresentação.

E o que dizer da trinca que veio a seguir? “Wishing for More”, “Time Will Tell” e “Coming Home” não deixaram pedra sobre pedra na parte mais pesada do show, trazendo à tona toda a sua influência do hard rock setentista e não deixando ninguém parado. 

O clímax veio com “Imaginary Borders” e “Root Rock Pioneers”. Esta última contou com a apresentação dos integrantes e encerrou de maneira apoteótica o show, com um duelo de teclado e guitarra ao estilo de “Lazy”, do Deep Purple.

A reação fervorosa do público, que pedia mais e mais, foi a prova do sucesso da apresentação, demonstrando o quanto a música do Siena Root ressoa com o público brasileiro. A retribuição da banda à recepção calorosa foi um dos pontos altos da noite. 

Visivelmente emocionados com o carinho e a energia trocada, os suecos decidiram estender a apresentação, presenteando os fãs com duas músicas extras que não estavam no setlist. A primeira foi “Outlander”, já conhecida pelos fãs mais dedicados e recebida com euforia. Contudo, foi a surpresa final, “Waiting for the Sun”, tocada sem aviso prévio, que selou a apresentação como lendária. 

São momentos assim que fazem uma apresentação deixar de ser apenas excelente para se tornar de fato espetacular, tudo acontecendo ali, em tempo real, diante de seus olhos. 

Em suma, o show do Siena Root foi uma aula de performance ao vivo, em que a excelência musical se uniu a uma entrega genuína com a audiência. A banda sueca mostrou ser uma força vital no cenário do rock contemporâneo, proporcionando um espetáculo que equilibra virtuosismo e alma. 

A felicidade evidente dos músicos, que se traduziu em um bis estendido, deixou claro o agradecimento sincero pela noite memorável proporcionada pelos fãs brasileiros.



Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 

Realização: Abraxas



Hammerhead Blues – setlist:

Hero / Roger's Cannabis Confusion
Age of Void
Traveller
Windmill´s Kiss
Moontale
Around Th Sun
Drifter
Thrill of The Moonrise

Siena Root – setlist: 

We (Over the Mountains)
Tales of Independence
Organic Intelligence
There and Back Again
Dusty Roads
Into the Woods
Keeper of the Flame
Above the Trees
Wishing for More
Time Will Tell
Coming Home
Imaginary Borders
Root Rock Pioneers

Bis

Outlander
Waiting for the Sun 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Cobertura de Show: Stoned Jesus – 25/10/2025 – Jai Club/SP

Stoned Jesus celebra 15 anos de banda com show impecável em São Paulo

Evento, que contou com abertura dos brasileiros do Pesta, fez parte da turnê latino-americana e marcou o retorno da banda ucraniana à capital paulista após oito anos

Oito anos se passaram desde a última vinda do Stoned Jesus, banda ucraniana de Stoner Metal e Doom Metal, ao Brasil. Desta vez, a apresentação em São Paulo, realizada no último dia 25 de outubro na Jai Club, localizada na Zona Sul, fez parte da “Latin American Tour 2025”, turnê que celebra os 15 anos de banda e, ao mesmo tempo, divulga o mais recente álbum do trio, “Songs to Sun”, lançado em 19 de setembro deste ano. A apresentação contou com a abertura da banda belo-horizontina Pesta e foi produzida pela Solid Music Entertainment e a Caveira Velha Produções.

A turnê em questão abrangeu, além de São Paulo, outras cinco cidades brasileiras: Rio de Janeiro (21), Porto Alegre (22), Florianópolis (23), Curitiba (24) e Belo Horizonte (26). A extensão se deu com Buenos Aires, na Argentina (28), Santiago, no Chile (29), e Cidade do México, no México (31). São Paulo, que foi a quinta da turnê, contou com uma Jai Club cheia desde a banda de abertura e que, no show principal, lotou a pista praticamente por um todo, deixando pouquíssimos espaços de circulação.

O Pesta, também em ritmo de divulgação de lançamento recente, o álbum “The Craft of Pain” (outubro de 2025), fez uma apresentação impactante, com quatro faixas consolidadas de seu repertório geral e duas do disco novo, sendo uma delas a estreante ao vivo. O quarteto foi amplamente elogiado pelo público, que viu um show impactante e muito bem executado pelos músicos por um todo.

Já o Stoned Jesus, que desta vez veio como atração principal, fez uma terceira passagem pela capital paulista digna de headliner, com um repertório de 11 músicas com todas as fases dos 15 anos de carreira da banda. Yurii Kononov, baterista que entrou no lugar de Dmitry Zinchenko em 2024, foi a novidade e teve impacto positivo ao vivo, dominando as faixas tanto nos ritmos mais lentos quanto nos mais intensos, parecendo um baterista de Heavy Metal e de Jazz ao mesmo tempo e em momentos distintos por conta da forma que toca no palco. Da mesma forma, o peso do baixo de Andrew, que também entrou para o Stoned Jesus em 2024, no lugar de Sid, foi notável em diversas faixas e ambientações 

Por último e não menos importante, o frontman Igor Sidorenko foi impecável em todos os momentos e funções possíveis: do vocal aos riffs e solos de guitarra, dos alertas engraçados para ajustes instrumentais às interações com os fãs na pista. Foi por conta dele que a galera ecoou coros líricos e das letras das músicas e, no melhor dos momentos, gerou um mosh pit no meio de uma Jai Club lotada, garantindo a diversão ainda maior de boa parte dos que participaram da roda. O susto que tomou na última música, “Electric Mistress”, ou certas exigências de som, iluminação e do pedido contra fumaças em geral, de nada mudou seu comportamento no palco, que garantiu, junto com os demais, uma noite memorável na capital paulista.


Pesta

A banda mineira de Stoner Metal e Doom Metal Pesta fez seu retorno a São Paulo após sete meses, quando abriram para o Pentagram junto com o Weedevil. O grupo, que se apresentou em quarteto, teve como fator novo o lançamento do terceiro álbum de estúdio, “The Craft of Pain” (2025), contando com duas das faixas - uma delas tocada ao vivo pela primeira vez - entre as seis tocadas na noite. 

Thiago Cruz (vocal), Marcos Resende (guitarra), Anderson Vaca (baixo) e Flávio Freitas (bateria) começaram pontualmente e, com uma Jai bem ocupada, começaram o show com “Moloch’s Children”, do álbum “Faith Bathed in Blood” (2019), e a estreia de “Mirror Maze”, do novo álbum - e que conta com participação do guitarrista Scott "Wino" Weinrich na versão de estúdio -, ao vivo. Enquanto a primeira teve um ritmo mais lento e sombrio, a segunda puxou um Stoned Metal mais agitado.

“Black Death”, do disco de estreia “Bring Out Your Dead” (2016), veio na sequência e agitou o público, seja pelo início marcado pela sequência de repetições do riff com três fortes batidas da bateria (que aumentaram na terceira vez), seja pelo ritmo envolvente no restante da faixa, com Thiago Cruz focando em um bom vocal lírico ao longo da faixa. A dobradinha do primeiro álbum se formou com “Words of a madman”, marcado por um bom refrão e a cadência suave e impactante dos músicos que foi o suficiente para puxar não só a atenção do público, como os primeiros balanços de cabeça da noite. 

O show prosseguiu após um pequeno discurso de agradecimento de Thiago, que reforçou o prazer que ele e a banda têm ao tocar em São Paulo. “Shadows of a Desire”, single do álbum mais recente do Pesta, veio com a mesma pegada sombria da sonoridade, com ritmo calmo ao longo da faixa e com uma aceleração de ritmo nos minutos finais, contando com bom solo de Marcos Resende. 

O guitarrista do Pesta também trouxe ótimas distorções da guitarra após o riff da última faixa da noite, “Witches’ Sabbath”, assim como outro bom solo dentro da faixa que apresentou um exemplo primordial da inspiração vocal e sonora em bandas de Doom Metal dos anos 1970 e 80. Foi com o poderio desta música, na reta final, que uma espécie de Jam aconteceu para finalizar o show e sacramentar uma abertura que trouxe os sinceros aplausos de um público que, seja pela primeira vez ou além da segunda, apreciou e se impactou positivamente com um grande nome do Doom  e do Stoner Metal nacional atual.

Stoned Jesus

A rápida configuração dos instrumentos do trio ucraniano deu a eles um tempo maior para a passagem de som no palco. Isso se deu principalmente pela adaptação que, aparentemente, foi feita no kit de bateria de Flávio Freitas, trazendo algumas adições de pratos que se adaptassem à sonoridade do Stoned Jesus.

Cada acorde testado era comemorado por um fã diferente na pista da Jai Club que, cada vez mais cheia, tinha poucos espaços de circulação que não fossem no corredor que direcionava aos banheiros. Fãs arriscaram alguma interação com a banda, com gritos esporádicos de “Jesus Chapado” ou elogios com palavrões (“f*da pra c*ralho!”, “Do c*ralho” e afins) aos testes da banda. A situação resultou em uma resposta mais que engraçada do vocalista Igor Sidorenko, que respondeu um deles: “Don't use that kind of language, or i’m gona ‘kick your c*zinho’” - “Não use esse tipo de linguagem, ou eu vou chutar o seu c*zinho”, em tradução livre.

Os testes seguiram até 20h30, contando até mesmo com trechos de músicas da banda mais extensos. Às 20h32, o show começou de fato, com os acordes calmos e simples de “Bright Like the Morning”, faixa do disco “Seven Thunders Roar”, que abriu o setlist de 11 faixas da turnê. Junto a Igor Sidorenko (vocal, guitarra), também estavam Andrew Rodin (vocal, baixo) e Yurii Kononov (bateria), que começaram a tocar aos poucos dentro da faixa e, numa questão de 2 minutos, entrelaçaram com o vocalista e guitarrista o ritmo introdutório da faixa, após pedidos de aumento do volume do microfone. E quando a música em questão foi para seu ritmo mais intenso, o público acompanhou fortemente com coros que ecoaram principalmente nos refrões da faixa.

O tom brincalhão de Igor reapareceu na música seguinte, "Porcelain”, que começou sob linhas de baixo de Andrew. No caso, um fã mais exaltado da parte da frente comemorou por mais tempo que os demais e o frontman do Stoned Jesus fingiu uma irritação e gesticulou tanto para que ele ficasse quieto, quanto apontando para o companheiro de banda para que o fã escutasse os acordes que ecoaram a Jai Club. A graça, claro, se converteu em risos rápidos das pessoas na pista, que francamente admiraram a progressão instrumental do trio. Yurii Kononov, como em diversos outros momentos do show, mostrou calma e precisão em suas linhas, principalmente com os pratos, o que ajudava no ambiente misterioso da primeira parte da música. Da mesma forma, nos momentos mais intensos, soube dosar pratos e caixas de forma primorosa.

“Shadowland” foi a primeira das duas faixas do mais recente álbum do Stoned Jesus, “Songs to Sun”, a tocar no setlist. Parte dos presentes na Jai Club começaram a balançar as cabeças desde o início da faixa e se envolveram no misto envolvente entre os riffs de Igor e o ritmo de Yurii, ora acompanhando a guitarra, ora com viradas poderosas e porradas nos pratos para a faixa. 

Em seguida, “Thessalia”, única faixa do álbum “Pilgrims” (2018), veio em seguida com uma proposta semelhante de início calmo, baseado na condução de Yurii e Andrew, porém rapidamente transitado para um ritmo mais agitado após o grito de “São Paulo, are You ready?”, ao estilo Korn, puxado por Igor e incrementado com a guitarra potente. Foi o suficiente para tirar alguns fãs do chão, que arriscaram pulos no mínimo espaço que tinham, assim como fez com que outros voltassem a balançar a cabeça com intensidade ao longo da faixa. Já “Thoughts and Prayers” veio na sequência, antecedida de um discurso de Igor em relação à guerra entre a Ucrânia, país de origem do trio, e a Rússia, e sobre como buscam arrecadações para os afetados no país do Leste Europeu. A faixa, referente ao álbum de 2023 “Father Light”, é justamente um clamor por esperança e resolução, ao mesmo tempo que uma crítica ao contexto de guerra, com ritmo que tem uma pequena pegada Blues Rock sem comprometer com a base Stoner e Doom da banda e que, na Jai Club, contou com coros líricos do público em determinados momentos e um ótimo solo por parte do guitarrista e vocalista do Stoned Jesus.

Igor também fez alguns alertas sobre a fumaça na Jai, por conta de possíveis pessoas que estavam fumando no local e quanto a como aquilo poderia prejudicá-lo. O pedido foi atendido e, aparentemente, foi um ponto que ajudou o vocalista e guitarrista a ficar mais à vontade durante o restante da apresentação, que prosseguiu com “Silkworm Confessions”, do álbum “The Harvest” (2015), numa das performances mais enérgicas da noite, encabeçada por um riff e ritmos potentes ao longo da faixa, mudanças de ritmo periódicas e uma tonalidade vocal “à la Ozzy” de Igor, que também colocou um chapéu de um fã pela primeira vez na noite. Ele também protagonizou uma regência lírica com as vozes do público, assim como teve, perto da reta final da música, um solo rápido e bem “palhetado” durante sua execução.

“Black Woods” foi amplamente comemorada após as primeiras notas tocadas por Igor Sidorenko. O músico chegou a tirar seus óculos - e não os colocou mais - para a faixa em questão. Quando o instrumental completo veio, múltiplas cabeças balançaram por toda a pista da Jai Club por todos os minutos do riff inicial e além dele. O líder do Stoned Jesus fez um solo poderoso no meio da faixa e conduziu muito bem a faixa, que só mudou de ambientação e ritmo nos três minutos finais, contando com os gritos de hey do público a pedido de Igor e, no final, com o poderio do pedal duplo e dos pratos de Yurii para um encerramento apoteótico. Ou o início do caos na Jai Club.

E este caos se deu justamente porque a faixa seguinte foi “Here Come the Robots”, outra do disco “The Harvest”, com ritmo agitado e contagiante o suficiente para diversas camadas de agitação da banda e do público presente no show: a comemoração generalizada a partir do riff, os pulos na sequência, o coro que ocorreu durante toda a letra e, principalmente, o mosh pit pedido por Sidorenko no meio para o final da faixa, executado por boa parte do público que estava entre a frente e o meio, além dos que também se deslocaram do fundo para o bate-cabeça. Teve espaço para isso? Teve, porém, comprometendo o corredor do canto da pista e, talvez, as leis da impenetrabilidade. De todo modo, o momento foi único e marcou o grande ápice da noite.

Os ânimos do público e da banda logo deram espaço para o silêncio pedido pelo frontman do Stoned Jesus e a calmaria dos acordes iniciais da também comemorada “I’m the Mountain”. Além destas linhas e do instrumental pesado ao longo da parte inicial, houve outro coro do público em cima da letra da música, com os primeiros versos ecoados sem o suporte do vocalista e com a ênfase nos versos que tinham o nome da música em destaque. Junto a isso, as variações de ritmo ao longo dos pouco mais de 13 minutos de música, contaram muito com a condução de Yurii Kononov e Andrew que, seja nos momentos mais calmos, seja nos mais intensos, foram grandes destaques junto aos solos e acordes gerais de Igor, de modo que a banda foi amplamente ovacionada ao final.

A pequena pausa que a banda deu, em direção ao camarim, foi rápida a ponto de os três integrantes voltarem após dois minutos, rumo ao bis. Os gritos do público ecoavam na Jai Club, com tentativas de puxar um coro em nome da banda e outros elogios. De todo modo, Igor, Yurii e Andrew logo iniciaram “Low” que, apesar de ter uma temática sensível e melancólica na letra, trouxe um ritmo de Stoner Metal poderoso e conciso o suficiente para levantar o público novamente. A faixa também teve um “momento Black Metal”, onde toda a sonoridade do trecho lembrava músicas do subgênero do Heavy Metal, com blast beats, e palhetadas rápidas, somadas a um grito estridente de Igor. O retorno para o ritmo Stoner se deu com uma boa condução de pedais de Yurii, nem muito rápidos, nem muito lentos, até os momentos finais da faixa.

“Electric Mistress” fechou a noite com mais um riff impactante, somado com um último “Are You ready?” conjunto de Igor e Andrew, desaguando em uma sonoridade contagiante da banda. Os versos do refrão, todos iniciados com o nome da faixa em questão, foram gritados pelo público. E essa dinâmica foi ainda mais explorada por Igor Sidorenko em dois momentos distintos da faixa, mais “parados”, em que ele contou até cinco antes de o público, em coro conjunto e intenso, gritar “Electric Mistress” e ele complementar com o restante dos versos. Tudo foi muito bem dinamizado e, quando voltou para o instrumental geral da banda na segunda vez, Sudorenko ainda tomou um susto por algo que aconteceu na parte da frente do palco - e que não deu para ver, precisamente, se envolveu apenas o equipamento e os pedais, ou se pode ter sido algo em relação a um fã das primeiras fileiras -, todavia se recompôs para um final com sonoridade explosiva e digna de um encerramento apoteótico.

As quase uma hora e 20 minutos de show do Stoned Jesus passaram muito rápido, mesmo com músicas que tinham mais de dez minutos. E isso tudo graças a um conjunto de fatores já citados que tornaram a apresentação memorável para os que esperaram tanto tempo pela volta da banda ao solo brasileiro: sonoridade impecável - mesmo com os mínimos problemas rapidamente corrigidos, sob a condução de Igor Sudorenko -, uma banda que executou todas as músicas de forma primorosa, o cuidado com os detalhes de cada membro e um público que, seja para cantar, aplaudir ou para moshar, entreteu e foi entretido da melhor forma junto ao trio. Foi uma apresentação digna de headliner de evento e que, com certeza, deixou o desejo por mais do Stoned Jesus em breve.


Texto: Tiago Pereira 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 



Pesta – setlist:

Moloch’s Children

Mirror Maze

Black Death

Words of a Madman

Shadows of a Desire

Witches’ Sabbath


Stoned Jesus – setlist:

Bright Like the Morning

Porcelain

Shadowland

Thessalia

Thoughts and Prayers

Silkworm Confessions

Black Woods

Here Comes the Robots

I'm the Mountain

Bis

Low

Electric Mistress

domingo, 25 de agosto de 2024

Cobertura de Show: Clutch – 18/07/2024 – Fabrique Club/SP

O Fabrique Club foi cenário de um evento há tempos aguardado e com muitas expectativas (atendidas, obviamente): o retorno dos norte-americanos do Clutch ao Brasil. Após um período de quatro anos desde o lançamento de seu último álbum, Book of Bad Decisions, e com uma pandemia que forçou o cancelamento de sua última turnê no país, o quarteto de Maryland voltou aos palcos brasileiros com a energia renovada. O que era pra ser uma quinta-feira comum, tornou-se um deleite para os fãs que ali estavam.

O show, que faz parte da turnê do álbum Sunrise on Slaughter Beach, contou com a abertura da Fuzz Sagrado, banda liderada por Chris Peters, ex-membro do icônico Samsara Blues Experiment. Formada em 2021 como um projeto solo de estúdio, a Fuzz Sagrado evoluiu em 2024 para uma banda completa, contando com Guilherme Bordin no baixo e Lucas Fursy na bateria. Mesmo que o público ainda estivesse chegando e a casa estivesse longe de sua capacidade total, a banda cativou com sua mistura de blues psicodélico e stoner rock, fortemente presentes em suas músicas.

Um momento divertido durante a apresentação da Fuzz foi quando o vocalista interagiu com a plateia pronunciando a palavra "gambiarra", referindo-se ao ajuste de cabos que estava sendo realizado pelo baixista durante a troca de faixas. Interação esta que aproximou a banda do público, pois mostrou um pouco da adaptação de Peters ao nosso país, logo que emigrou para cá ao fim de sua antiga banda. Embora o set tenha sido curto, foi suficiente para comprovar o talento dos músicos, entregando um show de abertura competente e virtuoso.

Logo que a Fuzz Sagrado finalizou seu show, houve um intervalo considerável enquanto o palco era preparado para o show principal pela equipe técnica. Diria que foi mais longo do que o normal, uma vez que os fãs, extremamente agitados, ansiavam pela entrada do Clutch. 

Quando finalmente o Clutch subiu ao palco, a energia atingiu outro patamar. A banda, que já provou ao longo de treze álbuns estar em sua potência máxima, não decepcionou em absolutamente nada. O Fabrique Club, agora completamente lotado, exalava a essência do Clutch: aquela ironia com uma verdadeira expressão de força e vitalidade, algo que poucas bandas conseguem manter após tantos anos na estrada. 

O vocalista Neil Fallon, com sua onipresença no palco foi um show à parte, comandando a plateia com maestria. A banda performou de maneira vigorosa, músicas de seu mais recente álbum, como "Slaughter Beach" e "We Strive for Excellence".  Quanto aos hits, sons como "A Shogun Named Marcus", "The Regulator" e "X-Ray Visions" levaram o público, eufórico, à loucura, assim como os encores, que foram escolhidos à dedo. As músicas "Eletric Worry" e o cover digníssimo de "Fortunate Son", concederam um desfecho épico e de tirar o fôlego.

A conexão do público com o quarteto transformou a apresentação em uma experiência inesquecível para fã nenhum botar defeito. Fallon, com sua entrega e voz poderosa , foi o destaque da noite, mas a banda como um todo mostrou porque é tão venerada por quem os acompanha em cada uma de suas fases.

Ficou evidente que cada minuto de espera havia valido a pena. O Clutch conseguiu, novamente, entregar um espetáculo à altura das expectativas, comprovando que a banda ainda tem muito a oferecer.


Texto & Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Agência Powerline

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Clutch

The Mob Goes Wild

Earth Rocker

A Shogun Named Marcus

Sucker for the Witch

Cypress Grove

Subtle Hustle

D.C. Sound Attack!

Escape From the Prison Planet

Spacegrass

Binge and Purge

A Quick Death in Texas

X-Ray Visions

Firebirds!

Slaughter Beach

We Strive for Excellence

The Regulator

***Encore***

Electric Worry

Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival Cover)

sábado, 26 de setembro de 2020

Paradise: Canadenses Retornam Incorporando Influências Contemporâneas



Passados uns 15 anos de break, o canadense Paradise reacende suas atividades acompanhado do terceiro registro intitulado apenas com o nome do conjunto. A line-up sofre uma terceira formação cujos esforços aterrissam na velha divisa do hard rock e heavy metal, havendo uma certa pitada de stoner.

Sua música escora-se em riffs básicos expressivos, frases de guitarra dispersas, bateria cadenciada e a melodia raivosa de RL Black incubida de energizar as canções.
Os assuntos cantados exploram relacionamentos conturbados, vida em gradativo colapso, graças aos conflitos internos ceifando o restante da sanidade mental.

O fundador da banda Frank Kelly e o recente Fred Crew Grr dão todo o protagonismo para as suas guitarras. Constroem riffs cools estruturados em simples power chords ao lado de trechos cavalgados com palm mute. Frases básicas na penta menor e bends preenchem satisfatoriamente as canções. A bateria e voz ecoam feito fantasmas frente as guitarras usando timbres sólidos.


"Straight From Hell" sob uma base abafada, RL Black rouba a atenção em grande parte da música apenas entrecortado por boas frases na guitarra.

"Hitting On All Sixies" uma das mais agitadas, constantemente emite solos, carrega um riff dinâmico também. A voz soturna explode no refrão.

"Who Do You Wanne Be" possui melodia próxima do metal industrial e às vezes a bateria reaparece com um ritmo atípico oriundo do começo.

"One of a Kind" é densa, tanto atmosfera quanto a ira meio reflexiva de Black, contém bons solos lamurientos. 

"Never Cry Again" tem uns toques de groove metal, mantém seu fôlego satisfatoriamente  ao longo da faixa.

Dá para recomendar também as faixas "Away from You" e "Free In Exile". 

É um disco de heavy rock meio disfarçado no stoner ainda que apare muitos elementos dessa subvertente. Evitaram excesso de psicodelia e tornaram enxutas a duração das canções.

Essa realização poderia arriscar mais, poucas faixas soam distinguíveis umas das outras. Senti falta total do baixo e a bateria gerava a falsa expectativa em tomar de assalto alguns momentos.

Para um grupo desativado há anos, realizaram um bom disco comercial de rock pesado reprocessado no metal contemporâneo. 

Texto: Alex Matos (Canal Rock Idol)

Banda: Paradise
Álbum: "Paradise" 2020
País: Canadá
Estilo: Hard Rock, Stoner
Assessoria: Asher Media





terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Kadavar - "Rough Times": Mais Peso e Experimentação ao Retro-Rock do Trio Alemão



Formado em 2010 em Berlin, o Kadavar logo chamou atenção com seu Retro-Rock, trazendo as influências do Hard Rock dos anos 70, além de ir agregando elementos psicodélicos, Stoner e Doom. Fato é que a banda tem muita liberdade criativa dentro desse seu estilo "vintage", com sua sonoridade inspirada no Rock pesado do final dos anos 60 e anos 70, refletindo também no visual e nas técnicas de gravações, utilizando-se de equipamentos analógicos, buscando fidelidade ao que era feito naquela época, porém, trazendo para os dias atuais, e isso que torna o Kadavar tão especial, pois passam esse sentimento de que estão fazendo uma música verdadeira. 

Uma curiosidade interessante é também a utilização de técnica em estúdio a qual gravam a guitarra no canal esquerdo, baixo no direito, bateria por dentro e vocais no meio, reproduzindo a sonoridade da banda ao vivo. 

"Rough Times" é o quarto full-lenght do trio, seguindo com seu Retro-Rock, mas com algumas novidades e experimentações, como uma sonoridade um pouco mais direta e pesada, inclusive com elementos Doom e Stoner mais evidentes. O álbum possui 11 faixas na versão lançada aqui no Brasil pela Shinigami, sendo a última uma versão para "Helter Skelter" dos Beatles.


A faixa título "Rough Times" já demonstra logo de início que o trio caprichou mais no peso e nos graves. O baixo soa como se fosse estourar os alto-falantes, enquanto que a os pratos são massacrados sem dó, assim como no andamento cadenciado, marcado e "sujo" de "Into the Wormhole".

A porrada continua em "Skeleton Blues", destacando o trabalho da guitarra nos riffs e bases, e é impossível não lembrar do Sabbath dos anos 70. O clima meio psicodélico, meio Space Rock no refrão traz um colorido diferente; na faixa "Die Baby Die" o peso e "sujeira" aliviam um pouco, e nos prende em um Stoner de riff e refrão marcantes. É muito interessante também o vídeo para essa música, num estilo bem retrô mesmo, com apenas a banda tocando e truques simples de câmera, como sobreposição de imagens. Lembra bastante aqueles clipes dos anos 70 de Led Zeppelin, Purple e Sabbath por exemplo.

"Vampires" soa cativante, um órgão complementando o clima, mais melodia, mas cresce no refrão; "Tribulation Nation" inicia com alguns efeitos, trazendo um clima "lisérgico", avassaladora, de ritmo e refrão cativantes!


Dentro de sua proposta o trio é criativo, e além do peso do Stoner e Hard 70's da vibrante e mais direta "Words of Evil", temos os flertes com aquela sonoridade do fim dos anos 60, um pouco de psicodelismo, como em "The Lost Child", que com os teclados, traz ainda mais forte o clima nostálgico e retrô; ou um algo de Southern Rock na balada "You Found the Best in Me", Classic Rock de primeira linha! "Á L'ombre du Temps" (In the Shadows of Time"), narrativa em francês, fecha o álbum, lembrando que esta versão nacional traz uma versão "Kadavar" para a "Helter Skelter" (Beatles).

Lembro de uma chamada na época do primeiro álbum do trio: "Não se pode reinventar a roda, mas pode-se colocá-la para rodar", ou seja, o Kadavar não tem a pretensão de inventar um novo estilo, mas sim fazer a música que gostam e os influenciou, trazendo-a para os dias atuais. O grupo é um grande achado para quem gosta dessa sonoridade, e é uma das que mais se destaca dentre muitas bandas que também seguem essa tendência, pela criatividade e naturalidade que compõem suas músicas. 

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Kadavar
Álbum: "Rough Times" 2017
País: Alemanha
Estilo: Classic Rock/Stoner Rock/Retro Rock
Produção/Mixagem: Tiger Bartelt e Richard Behrens no Blue Wall Studio
Masterização: Nene Baratto e Tiger no Big Snuff Studio
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Line-Up:
Tiger Bartelt: Bateria
Lupus Lindemann: Guitarra e Vocais
Simon "Dragon" Bouteloup: Baixo

Track List:
Rough Times
Into the Wormhole
Skeleton Blues
Die Baby Die
Vampires
Tribulation Nation
Words of Evil
The Lost Child
You Found the Best in Me
Á L'ombre du Temps
Helter Skelter


       

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MIckey Junkies: Os anos 90 Também Deixaram Boas Coisas



Muitos fãs de Metal, principalmente, e eu sou um desses, torce o nariz para a maioria do que se produziu nos anos 90, ainda mais se o rótulo "Alternative Rock" vem junto (pior, só "grunge"), por tanto, já fui meio que desconfiado ouvir o novo trabalho do MICKEY JUNKIES, banda que cheguei a ouvir nos anos 90, através da coletânea "No Major Babies", assim como algumas outras da época, como Killing Chainsaw, Pin Ups, Okotô (embora esta era mais Punk/HC do que "Alternative Rock") e Second Come, sendo que dessas duas últimas lembro de algumas coisas (Okotô era a banda da vocalista e guitarrista Cherry Taketani). Do Mickey Junkies lembrava apenas que era uma das bandas que mais eram citadas dessa leva, mas nada do som.

Os caras tiveram uma participação bem relevante na cena da época, ganhando muito elogios, gravaram várias demos, apareceram em compilações, e chegaram a gravar um full-lenght, "Stoned" (1995), mas logo em seguida parou as atividades, e segundo conferi no site do grupo, retornaram em 2007, tocando em vários festivais.

Show de lançamento do CD em SP
Final do ano passado, o grupo lança seu segundo full-lenght, "Since You've Benn Gone", de forma independente e com a distribuição da Shinigami Records. Rotular o grupo de "Alternative Rock" seria injusto, e ir ouvir com um conceito pré-concebido também, então coloquei o disco, apertei o play e tive uma agradável surpresa com o Rock Pesado e "gordo", trazendo muito do Rock setentista, assim como as boas bandas daquela safra dos 90, como Soundgarden e Alice In Chains, com groove e certa malícia.

O vocal grave de Rodrigo Carneiro me lembra algo de Hendrix, na abertura com "Nothing to Say", os riffs são cheios de groove e trazem um boa carga de peso, batera firme, sem grandes malabarismos, deixando a cargo do baixo a tarefa de contribuir mais com o groove; "Something About Destruction" também mantém a atenção, seguindo essa linha 70's com bastante groove, que você vai acompanhando a batida, batucando com as mãos ou no pé! Assim como na primeira, a guitarra tem algumas intervenções com sons mais psicodélicos, e o uso de pedais vintage, como flanger e wha-wha são uma constante.


"Since you've Been Gone", tem uma batida muito legal e cativante, e a harmônica colocada nesta canção dá um toque especial, a parte do refrão tem bastante peso, diria que um Stoner Rock tranquilamente. A Harmônica aparece também muito bem na acústica "A Tired Vampire", que tem muito de Southern Rock. Destaco também "Sweet Flower", com riffs pesados, andamento arrastado e guitarras carregadas de wha-wha, alternando momentos bem Stoner Rock e trechos psicodélicos e "Big Bad Wolves", com um riff marcante e uma pegada enérgica.

Há faixas mais diretas, algumas características que marcaram o Rock dito alternativo dos anos 90 (acho que a faixa "Alguma Coisa", é um exemplo), como aquela certa "sujeira" nas guitarras, solos econômicos, mas o que prolifera é o Rock setentista, riffs com doses generosas de peso, muito groove e doses generosas de criatividade. Surpreendeu-me muito positivamente.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Mickey Junkies
Álbum: "Since You've Been Goone" (2016)
País: Brasil
Estilo: Alternative Rock, Stoner Rock
Produção: Michel Kuaker
Selo: Independente- Distribuição Shinigami Records

Curtiu? Adquira o álbum na Shinigami AQUI (digipack)

Canais Oficiais:
Youtube
Facebook

1. Nothing to Say
2. Something About Destruction
3. Since You’ve Been Gone
4. Use Me (to Move On)
5. Stoned
6. Tryin’ to Resist
7. Sweet Flower
8. Big Bad Wolves
9. Alguma Coisa
10. A Tired Vampire


   

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Cobertura de Show: Truckfighters incendiando Porto Alegre! (18/05/16 - Obra Club)


Começar esse texto com as palavras de Josh Homme - Queens of The Stone Age/Kyuss

A melhor banda que já ouvi na minha vida!

Realmente faz todo sentido, pois durante a apresentação, Ozo (baixo e voz) e Dango (guitarra), núcleo principal e remanescentes desde o início da formação, confirmaram a fama de que, ao vivo, a banda se destaca pela execução de qualidade e vivacidade de atuação. A energia sonora e performance que a banda possui em cima do palco realmente é algo que me deixou hipnotizado.

Mas vamos lá, pois a estreia do Truckfighters em Porto Alegre, na quarta-feira (18/05), no Obra Club, veio com a carga de peso que se espera do trio sueco. Mas, o caminhão desgovernado, abastecido com graves inflamados, passou pela capital gaúcha com velocidade acima da média. Foram apenas cinco músicas, algo em torno de 33min, de acordo com um videomaker que registrou toda a apresentação. O motivo da correria foi porque a banda tinha de embarcar para o Uruguai, onde continuaria a tour pela América do Sul, logo após tocar. O evento estava previsto para iniciar, originalmente, às 20h, com dois grupos fazendo a abertura: Muñoz (MG) e Cattarse (RS). Porém, desde o dia anterior aos shows, a organização usou as redes sociais para avisar que o horário seria antecipado e que a atração principal tocaria entre os conjuntos brasileiros, com previsão de dar os primeiros acordes às 20h.


Contudo, o cronograma alternativo para facilitar a viagem dos Truckers não funcionou como o previsto. Algo que estamos acostumados de presenciar em shows pequenos de bandas locais, que muitas vezes é usado para “esperar público”, porém não foi esse o caso, já que o Truckfigthers não é uma banda local e o público já estava em peso desde cedo esperando a abertura da casa. A Muñoz, primeira banda da noite, deveria iniciar os trabalhos às 18h40min, e subiu ao palco só depois das 19h30min, pouco após a abertura da casa. O duo entrou em cena com o público ainda chegando no espaço para mostrar seu stoner blueseiro à base de bateria, guitarra e voz. No começo, a dupla não chamou tanto a atenção, talvez pelo frenesi da entrada ou os contratempos de atraso. Só que, na sequência, com sons mais arrastados e/ou com groove extra, mostrou-se interessante. O set dos mineiros durou até umas 20h20min. Logo que a Muñoz anunciou o fim do repertório, enquanto recolhiam seus equipamentos, os próprios músicos da Truckfighters entraram no palco para agilizar o início da performance.

Em menos de 10min, lascaram “Mind Control” e começaram a jornada por uma estrada de riffs consistentes, batidas concisas e graves intensos. As músicas escolhidas para a ocasião foram pinçadas, basicamente, do disco mais recente (“Universe”, de 2014) e do primeiro álbum (“Gravity X”, de 2005). O show seguiu com “Monte Gargano”, “Manhattan Project” e “The Chairman”, faixas que mostram a versatilidade do Truckfighters com partes mais pegadas, outras mais lentas, momentos de instrumental lisérgico e, até, e as clássicas que caracterizam o gênero de stoner rock. Foi então que anunciaram a última música, seguido com o espanto da galera que estava sedenta por mais riffs e pedradas stoner, eis que rolou a clássica “Desert Cruiser”, composição que abre o primeiro registro dos caras e das que causa mais agitação na plateia.


Mesmo com o tempo restrito, eles não perderam a oportunidade de instigar a plateia e até ensinar expressões em sueco. Ao encerrar o espetáculo, aparentemente com pressa, o trio botou a mão na massa novamente para otimizar a desmontagem. Na pista, a choradeira em razão do pouco tempo de show dividia espaço com reclamações pela falta de cerveja na casa, que precisou de alguns minutos para repor o estoque.

Logo após a Cattarse, trio porto-alegrense formado em 2013, já tem certo prestígio no cenário independente, fechou a noite, com uma performance impressionante, segurando o público até o final e com uma interação que não se vê muito em bandas locais. No meio de seu repertório já estão presentes músicas do seu 2° álbum, que está para ser lançando em breve.


Enfim, foi uma noite incrível que quem esteve presente não vai se esquecer, tanto pela energia e um show destruidor dos “Trucks”, quanto pelo gostinho de quero mais, afinal, foi a primeira vez da banda com um show extremamente curto, parecendo mais repertório de banda de abertura do que banda principal.


Cobertura por: Billy Valdez/Homero Pivotto
Fotos: Billy Valdez
Revisão/edição: Renato Sanson