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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 15/08/2026 – Tokio Marine Hall/SP

Edu Falaschi transforma o Tokio Marine Hall em uma celebração de 35 anos de história, amizade e música

Finalmente chegou o tão esperado 15 de agosto, dia de Mi’raj & The Legacy Tour. Cheguei ao Tokio Marine Hall e, antes mesmo de o show começar, a atmosfera já dava pistas do tamanho da noite que estava por vir. Na fila, pais acompanhados dos filhos, jovens, casais e grupos de amigos confraternizavam enquanto aguardavam a abertura da casa. Lá dentro, a mesma sensação continuava. Entre encontros com amigos da vida e da imprensa, rostos familiares e alguns ídolos que eu jamais imaginaria encontrar naquele espaço, fui percebendo que aquela seria uma noite marcada por encontros. E o espetáculo sequer havia começado.

Fui para a frente do palco a tempo de acompanhar o show de Tito Falaschi. Multi-instrumentista, cantor, produtor e irmão de Edu, Tito carrega em sua trajetória parte importante das raízes que conduziram aquela noite. Foi baixista e vocalista do Symbols, dividindo os vocais com Edu nos primeiros anos da banda, além de ter participado de projetos como Almah e Soulspell Metal Opera e construído, ao longo dos anos, um trabalho próprio. Sua apresentação funcionou como uma espécie de ponto de partida para a retrospectiva que viria a seguir. Havia peso, técnica e uma familiaridade evidente com aquele público, enquanto sua presença já colocava em perspectiva o quanto a história dos irmãos Falaschi está ligada a diferentes capítulos do metal brasileiro.

Quando Edu entrou no palco, o espetáculo assumiu outra dimensão. A cenografia já anunciava que aquela seria uma apresentação pensada para além da execução das músicas: ao fundo, elementos diretamente relacionados ao universo de MI’RAJ, acompanhados por duas imponentes figuras de soldados, criavam uma atmosfera de batalha e jornada. O cenário ajudava a transportar o público para dentro da narrativa do álbum, capítulo final da trilogia iniciada em Vera Cruz (2021) e continuada em Eldorado (2023), concebida por Edu em parceria com o artista e escritor Fábio Caldeira. A trajetória de Jorge chega ao Oriente Médio em MI’RAJ e, nesse encerramento, a jornada externa começa a dar espaço para um processo de descoberta interior.

Essa ideia também está presente na identidade visual do disco. A capa criada por Carlos Fides coloca a Vidente no centro da composição, guardiã do Portal dos Doze Véus e responsável por conduzir Jorge durante sua travessia pelo deserto. O azul profundo, o dourado, a presença de Órion e o contraste entre luz e sombra traduzem visualmente o conflito entre as forças da Ordem de Cristo e da Cruz de Nero, ao mesmo tempo em que representam a batalha interna que conduz a narrativa até seu desfecho. No palco, essa estética ganhava uma dimensão física e ajudava a transformar o espetáculo em uma extensão da própria obra.

Edu apareceu acompanhado por uma banda extremamente coesa, formada por Victor Franco e Diogo Mafra nas guitarras, Raphael Dafras no baixo, Jean Gardinalli na bateria e Fábio Laguna nos teclados. A formação mostrou segurança para atravessar as diferentes linguagens presentes no repertório, passando pelo power metal e pelo progressivo, pelas atmosferas cinematográficas e pelos elementos étnicos que fazem parte da identidade de MI’RAJ. Entre os guitarristas, Victor Franco merece destaque especial. Se sua técnica já chama atenção em estúdio, ao vivo ela ganha ainda mais força justamente pela maneira como é utilizada. Victor não precisa transformar cada passagem em uma demonstração de velocidade para se destacar. Existe preocupação com construção melódica, escolha de timbres e musicalidade, características que fazem sentido quando lembramos que o próprio Edu já o definiu como um músico de extremo bom gosto e um verdadeiro gênio.

“Watchers of the Light” abriu a apresentação colocando imediatamente o público dentro da atmosfera de MI’RAJ. A entrada de “Ego Painted Grey”, do Angra, logo depois, mudou a perspectiva e deixou claro que o espetáculo seria construído em camadas, alternando o presente da carreira solo com diferentes períodos da trajetória de Edu. “Eyes in Flames”, do Symbols, foi um dos primeiros momentos realmente especiais. Ao lado de Tito Falaschi e Demian Tiguez, Edu revisitou uma parte muito anterior de sua história, reunindo no mesmo palco três músicos ligados a um capítulo iniciado ainda nos anos 1990. A força daquele encontro estava justamente na passagem do tempo: décadas depois, aquela formação voltava a se encontrar diante de milhares de pessoas.

O repertório seguiu por “Echoes of Vows”, “Running Alone”, do Angra, “Eyes of Time”, do Mitrium, e “Lease of Life”, costurando diferentes fases da carreira. A proposta da turnê era atravessar 35 anos de trajetória, e o setlist cumpriu essa missão com uma quantidade impressionante de referências. Em “The Ancestry”, Thiago Bianchi apareceu para acrescentar mais um capítulo a essa retrospectiva. Além de parceiro de longa data de Edu, Bianchi esteve diretamente envolvido na produção de MI’RAJ, realizado no Fusão Estúdio, repetindo a parceria iniciada em Vera Cruz.

“Unchained” trouxe Wagner Barbosa ao palco com o saxofone e também rendeu uma das brincadeiras mais inesperadas da noite. Antes de a música começar, um pequeno trecho de “Careless Whisper” foi suficiente para arrancar gritos e risadas do público. A referência funcionou como uma espécie de provocação antes de a banda mergulhar novamente na música, e quando o sax entrou de fato em “Unchained”, a atmosfera mudou completamente. O instrumento acrescentou uma camada diferente à composição e reforçou justamente uma das características mais interessantes de MI’RAJ, a disposição de Edu em incorporar elementos progressivos e soluções harmônicas menos convencionais ao power metal que sustenta boa parte de sua carreira solo.

“A Monster in Her Eyes” e “Arising Thunder”, do Angra, mantiveram a apresentação em alta velocidade até a chegada de Fábio Caldeira para “Land Ahoy” e “Eldorado”. A participação de Caldeira talvez seja uma das mais importantes para compreender a própria existência da trilogia. Vocalista, pianista, compositor e integrante do Maestrick, ele desenvolveu ao lado de Edu o universo literário que sustenta a saga de Jorge e chegou a escrever o livro de Vera Cruz. Sua entrada no palco carregava, portanto, uma dimensão quase metalinguística: o artista que ajudou a construir aquela narrativa estava agora interpretando parte dela diante do público.

Depois de “The Voice Commanding You”, Fernando Anitelli trouxe uma mudança completa de textura para o espetáculo. “Sintaxe à Vontade” e “Da Luta”, de O Teatro Mágico, ganharam uma interpretação solo do cantor, que ocupou o palco com uma linguagem baseada muito mais na palavra, na poesia e na teatralidade. A participação poderia parecer improvável em uma noite construída em torno do heavy metal, mas funcionou justamente porque existe uma aproximação conceitual entre os dois artistas. Edu e Anitelli construíram universos próprios em torno de suas obras e compreendem a música como narrativa e experiência. 

Edu então assumiu sozinho o palco para “Eternamente Azul”, versão brasileira de “Blue Forever”, do universo de Os Cavaleiros do Zodíaco. Foi um dos momentos mais afetivos da apresentação justamente pela simplicidade. Sem a banda completa ou uma grande estrutura cenográfica, a música colocou a voz de Edu em primeiro plano e acionou imediatamente a memória de uma geração que cresceu ouvindo seu trabalho também através da televisão. Sua relação com Saint Seiya é uma parte importante de sua trajetória e inclui ainda a versão brasileira de “Pegasus Fantasy”, que apareceria novamente mais adiante no setlist.

“Intuição” trouxe um dos momentos mais simbólicos da noite. Fernando Anitelli, Rafael Bittencourt e Tiago Mineiro se juntaram a Edu para executar a primeira música inédita do cantor em português em 24 anos. A escolha dos convidados já tornava a apresentação especial, mas o momento ganhou outra dimensão quando Edu e Rafael se abraçaram no palco. Não havia necessidade de transformar aquele gesto em discurso. Depois de tantos anos e de tantas mudanças na trajetória de ambos, ver os dois compartilhando novamente aquele espaço dizia bastante sobre o momento vivido pelo espetáculo e sobre a maneira como Edu decidiu olhar para sua própria história.

Na sequência, “Birds of Prey”, do Almah, recebeu Felipe Andreoli, outro músico diretamente ligado à trajetória de Edu. Felipe integrou o Angra durante o período em que Edu ocupava os vocais da banda, e sua presença funcionou como mais uma ponte entre diferentes momentos da carreira. Tecnicamente, Andreoli continua impressionante. Seu baixo se encaixou com precisão na banda, preenchendo os espaços e conversando com a bateria e as guitarras sem perder personalidade.

“Bleeding Heart” trouxe um dos momentos mais espontâneos da apresentação. Edu surpreendeu ao inserir no refrão um trecho da versão feita pelo Calcinha Preta para a música, e a resposta do público foi imediata. Quando os primeiros versos foram entoados, o Tokio Marine Hall inteiro cantou a plenos pulmões, transformando a música em um daqueles momentos coletivos que dificilmente podem ser reproduzidos fora de um show. A cena também dizia muito sobre a longevidade da composição e sobre a maneira como ela ultrapassou o próprio contexto em que foi originalmente lançada.

Veronica Bordacchini foi a convidada seguinte. Em “Spread Your Fire”, a soprano italiana, conhecida mundialmente por seu trabalho no Fleshgod Apocalypse, acrescentou uma dimensão operística à apresentação. Sua voz possui projeção suficiente para ocupar o espaço sem desaparecer diante da banda, característica essencial para uma música que exige justamente esse contraste entre força instrumental e interpretação lírica. Em “Ode to Art (de’ Sepolcri)”, Veronica permaneceu sozinha no palco e teve espaço para demonstrar toda essa potência vocal. Quando voltou ao lado de Edu para “Mi’raj”, o encontro entre os dois timbres produziu um dos momentos mais grandiosos da noite.

Pouco depois, Dino Jelusick entrou em cena. O croata construiu uma carreira que passa por Animal Drive, Trans-Siberian Orchestra, Whom Gods Destroy e Whitesnake, além de ter começado profissionalmente ainda criança e vencido a primeira edição do Junior Eurovision Song Contest. Em 2021, foi convidado por David Coverdale para integrar o Whitesnake. Em “Heroes of Sand”, sua participação ao lado de Edu mostrou imediatamente por que sua voz se encaixava tão bem naquele repertório. Dino possui potência, alcance e uma identidade vocal muito própria, mas também demonstra facilidade para transitar entre diferentes estilos. Em “Stand Up and Shout”, do Dio, essa característica ficou especialmente evidente, enquanto “Here I Go Again”, do Whitesnake, acrescentou uma camada simbólica à participação, considerando sua própria passagem pela banda.

“Pegasus Fantasy” trouxe novamente o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para o centro da apresentação, mas dessa vez de maneira completamente coletiva. O público assumiu a música com uma familiaridade impressionante, transformando a execução em um dos grandes momentos de participação da noite. Depois de tantas músicas ligadas à trajetória do próprio Edu, era interessante perceber como aquela canção também havia se tornado parte da memória de quem estava do outro lado do palco.

Ainda faltava, porém, um dos reencontros mais importantes da noite. “Rebirth” começou e, pouco depois, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli voltaram ao palco. Edu, Rafael e Felipe reunidos novamente para tocar Angra. A imagem carregava um peso histórico evidente. Os três músicos pertencem a um período fundamental da trajetória da banda e do próprio metal brasileiro, e vê-los novamente juntos era uma oportunidade rara de observar, no mesmo espaço, diferentes capítulos de uma história que ajudou a formar gerações de músicos e fãs.

Quando “Nova Era” veio na sequência, essa dimensão ficou ainda mais clara. A música pertence a um repertório que ultrapassou as fronteiras do Brasil e se tornou referência para uma geração inteira de músicos de metal. Ao longo das quase três horas de show, ficou evidente que ele não estava tentando reconstruir o passado exatamente como ele foi. A própria estrutura da apresentação mostrava outra intenção. Antigos companheiros dividiam espaço com músicos de gerações mais recentes; músicas do Angra apareciam ao lado de composições de MI’RAJ; referências ao Symbols conviviam com O Teatro Mágico, Fleshgod Apocalypse, Dio, Whitesnake e Cavaleiros do Zodíaco. O passado aparecia o tempo todo, mas sempre reorganizado a partir do artista que Edu é hoje.

Essa disposição também aparecia na própria postura do cantor. Edu passou o show inteiro em movimento, correndo pelo palco, interagindo com a plateia, brincando com os músicos e mantendo uma energia impressionante mesmo diante de um repertório extenso e fisicamente exigente. Não havia a sensação de alguém cumprindo uma obrigação comemorativa, pelo contrário, havia prazer evidente em revisitar aquelas músicas e dividir o palco com pessoas que fizeram parte de diferentes momentos de sua vida profissional.

Ao deixar o Tokio Marine Hall, a impressão que ficou foi a de ter acompanhado uma celebração de carreira construída a partir de encontros reais. Havia nostalgia, evidentemente, mas também havia espaço para o presente e para aquilo que ainda está sendo construído. Edu revisitou músicas fundamentais de sua trajetória, reencontrou músicos que fizeram parte dela, apresentou ao público uma formação atual extremamente competente e mostrou que seu legado não está restrito a um período específico.

Talvez seja justamente aí que esteja a força de The Legacy Tour. O espetáculo olha para trás sem transformar o passado em uma prisão. As histórias continuam sendo revisitadas, mas agora convivem com novas parcerias, novas músicas e novas possibilidades. No palco do Tokio Marine Hall, 35 anos de carreira foram apresentados como uma obra ainda em movimento. E, depois de quase três horas, a sensação era de que aquela história ainda está longe de terminar.

E que sorte a nossa por isso!


Texto: Stephanie Ferreira

Fotos: Roberto Sant'Anna


Realização: Agência Artística 

Press: TRM Press


Edu Falaschi – setlist:

Watchers of the Light

Ego Painted Grey

Eyes in Flames

Echoes of Vows

Running Alone

Eyes of Time

Lease of Life

The Ancestry

Unchained

A Monster in Her Eyes

Leaving the Light

Arising Thunder

Land Ahoy / Eldorado

The Voice Commanding You

Sintaxe à vontade / Da luta

Intuição

Birds of Prey

Bleeding Heart

Spread Your Fire

Ode to Art (de' Sepolcri)

Mi'raj

Heroes of Sand

Stand Up and Shout (Dio cover) 

Here I Go Again (Whitesnake cover) 

Pegasus Fantasy

Rebirth

Nova Era

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Cobertura de Show: Angra – 29/04/2026 – Espaço Unimed/SP

No dia 29 de abril aconteceu o segundo show da turnê Angra Réunion, uma data que ficará marcada na memória dos fãs. Depois de uma bela apresentação no Bangers Open Air, que ainda contou com a participação do vocalista Fabio Lione, desta vez a banda se apresentou na icônica casa Espaço Unimed, já sem Lione e agora comandada nos vocais por Alirio Netto.

O show começou exatamente no horário programado, às 21h, e os telões exibiram fotos e momentos de todas as fases do Angra. Foi um belo começo para o espetáculo que estava por vir. Rafael Bittencourt subiu ao palco levando o público à euforia e iniciando a apresentação com "Nothing to Say". Logo atrás dele, o restante da banda – que além do Rafael e do Alirio, conta com Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa (guitarra) e Bruno Valverde (bateria) – tomou seus lugares, e então o novo vocalista assumiu seu posto.

Apesar de um pequeno problema com o microfone de Alirio nos primeiros segundos do show, ele, com toda sua experiência, não se abalou e seguiu firme em sua ótima apresentação. Com muita energia, puxando a galera para cima e mostrando o porquê de ser o novo frontman do Angra.

O show seguiu com "Angels Cry", sem deixar a empolgação do público cair por um minuto sequer. A banda, como sempre, mostrou todo seu talento e a postura de uma das mais importantes do metal nacional e mundial. Em "Tides of Change", Felipe Andreoli mostrou seu talento executando o solo de baixo no final da passarela, bem próximo dos fãs. Logo depois vieram a belíssima "Lisbon" e a mais recente "Vida Seca", única música cantada em português, mesmo que em poucos minutos, no repertório da banda.

Na sequência, uma das músicas mais esperadas da noite: "Wuthering Heights". Aqui, Alirio mostrou toda sua potência vocal e provou que também consegue alcançar notas tão altas quanto ao do saudoso maestro Andre Matos. Com certeza, o público ficou muito satisfeito e feliz com sua performance.

Logo depois, tivemos Bruno Valverde demonstrando todo seu talento em um grande solo de bateria, já deixando um gostinho de quero mais, pois mais tarde teríamos Aquiles "Polvo" Priester se juntando a ele no palco. E foi exatamente o que aconteceu em seguida: a tão querida formação com Rafael Bittencourt, Felippe Andreoli, Aquiles Priester, Edu Falaschi e Kiko Loureiro finalmente subiu ao palco. O público foi à loucura de vez. O que parecia que nunca mais aconteceria estava ali, bem à frente de todos.

Talvez esta tenha sido uma das últimas oportunidades de ouvir o álbum "Rebirth" executado na íntegra ao vivo. E logo de cara veio "Nova Era", com Aquiles simplesmente destruindo tudo atrás dos tambores. Toda aquela magia e carisma de 20 anos atrás estavam de volta ao palco e pareciam ainda melhores. Kiko Loureiro entregou uma de suas maiores performances junto ao Angra. Não parou um minuto sequer, demonstrando energia e enorme vontade durante toda a apresentação.

Pouco tempo depois, Edu Falaschi dirigiu algumas palavras ao público sobre estar ali novamente, sobre o quanto aquele momento era emocionante para eles e sobre a importância de os fãs poderem presenciar aquela formação reunida. Ele perguntou quantos ali já haviam visto aquela formação ao vivo, e a resposta da maioria foi negativa, o que tornou a noite ainda mais especial.

Após "Heroes of Sand", Rafael falou sobre o renascimento do Angra e sobre o sonho que era conseguir reunir todos eles no palco. E não poderia haver música mais apropriada para aquele momento do que "Rebirth", levando todos os presentes à emoção.

Em seguida, tivemos um solo de bateria do monstro Aquiles Priester em sua bateria gigantesca de três bumbos. Então foi a vez de Edu Falaschi comentar como acha incrível que uma música do Angra tenha ultrapassado as barreiras do metal e se espalhado pelo Brasil em outros ritmos. Na mesma hora, a galera entendeu a referência e começou a gritar "Calcinha Preta", grupo de forró que fez uma versão de "Bleeding Heart" e que inclusive contou com a participação do próprio Edu em algumas apresentações. É claro que ele não deixou faltar um trechinho da música em português.

Depois de "Spread Your Fire", a banda agradeceu ao público e somente Rafael permaneceu no palco. Ele tocou "Reaching Horizons" no violão, que apresentou alguns problemas técnicos. Primeiro parecia desafinado, depois surgiram chiados e, por fim, o som chegou a parar. Mas Rafael, com toda sua experiência e elegância, conduziu o momento com tranquilidade e conseguiu executar sua bela música.

Na sequência vieram "Silence and Distance", com uma linda homenagem a Andre Matos. A introdução contou com um vídeo do saudoso músico tocando teclado e cantando. Logo depois, a banda assumiu a música ao vivo, desta vez com Edu e Alirio dividindo os vocais. Foi realmente emocionante para todos que estavam presentes.

Em seguida, rolou "Late Redemption" e, para encerrar, nada melhor do que "Carry On", com a presença de todos os músicos no palco. Um fechamento digno para a noite histórica que presenciamos. Após o encerramento, os músicos permaneceram no palco para agradecer aos fãs. E assim se encerrou essa noite mágica para os fãs do Angra e do metal nacional.


Texto: Wagner Guiladucci

Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Bangers Open Air / Honorsounds 

Press: Agência Taga 


Angra – setlist:

Nothing to Say

Angels Cry

Tide of Changes - Part I e II

Lisbon

Vida seca

Wuthering Heights

Carolina IV

Make Believe

Waiting Silenc

In Excelsis/Nova Era

Millennium Sun

Acid Rain

Heroes of Sand

Unholy Wars

Rebirth

Judgement Day

Running Alone

Bleeding Heart

Ego Painted Grey

Spread Your Fire

Reaching Horizons

Silence and Distance

Late Redemption

Carry On

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 26/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

O segundo e último dia, domingo, chegou prometendo tanto quanto o primeiro, ou seja, muita gente para prestigiar mais 12 horas dos mais diferentes estilos dentro do metal, além de um sol forte como sempre, sem ameaças de chuva. Para quem chegou mais cedo, felizmente não houve problemas para entrar, conseguindo assistir às primeiras atrações do Ice e do Sun sem maiores transtornos. Ponto para os organizadores que, após as reclamações do dia anterior, decidiram liberar a entrada do público geral mais cedo.

Dessa vez, não consegui ter muito tempo para conferir as feiras e outras atrações que o festival oferece, como a feira geek, de tatuagem e gastronômica, nem mesmo a tão disputada signing session, com destaque para a do Within Temptation, onde a simpática e super receptiva Sharon den Adel fez questão de atender todos que não conseguiram pegar senha.

Outra coisa legal é ver a molecada – que até certa idade não paga – curtindo os shows ao lado de seus pais. E havia muitas presentes, ainda bem, pois é sinal de que o estilo estará mais vivo do que nunca daqui a alguns anos.

Infelizmente, eu, Gabriel Arruda, não consegui ver os piratas do Visions of Atlantis devido a problemas com o transporte público para chegar ao local do festival. Por sorte, consegui pegar os momentos finais dos alemães do Primal Fear, que sempre dão uma aula de como fazer um show de heavy metal. O destaque sempre vai para o excelente Ralf Scheepers, com seus incríveis agudos, e para Thalía Bellazecca, que vem assumindo muito bem o posto de guitarrista ao lado de Magnus Karlsson não só pela sua competência, mas também por ser uma das poucas mulheres negras dentro do estilo. Que, através dela, isso possa mudar. Mais uma vez não tivemos a presença do Matt Sinner devido a um acidente na sua perna. Dirk Schlächter, do Gamma Ray, acabou assumindo a missão. 

NEVERMORE HONRA O LEGADO DE WARREL DANE EM APRESENTAÇÃO MEMORÁVEL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Depois de alguns minutos, era vez de pular para o palco Ice para ver um dos shows mais aguardados desta quarta edição. Jamais imaginaria que o Nevermore fosse retomar as atividades por conta da ausência de Warrel Dane, um de seus fundadores, falecido em 2017, e do baixista James Sheppard, que se aposentou há alguns anos.

Com prós e contras – mais prós, ainda bem – o guitarrista Jeff Loomis, junto com o baterista Van Williams, os únicos da formação original, decidiu voltar com uma nova formação para honrar o legado da banda, que foi muito importante no metal no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Esse retorno também permite conquistar uma nova geração de fãs e se apresentar para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver a banda no passado, como foi o caso de muitas pessoas que estiveram no Bangers e também no side show, que aconteceu dois dias depois no Carioca Club. Vale lembrar que a banda já havia tido uma experiência em festivais no Brasil, se apresentando no extinto Live 'n Louder, em 2006. Ou seja, sabiam bem o que fazer.

Logo na abertura com Narcosynthesis, que também abre o estupendo Dead Heart in a Dead World (2000), já mostravam que não estavam para brincadeira. A banda estava muito bem ensaiada: Jeff – ao lado do jovem Jack Cattor – despejava riffs esmagadores, enquanto Van Williams, junto ao baixista Semir Özerkan, mantinha a versatilidade rítmica intacta. E, claro, o vocalista Berzan Önen mostrou que vem sendo a escolha certa para assumir o posto do saudoso Warrel, conseguindo emular suas características, mas também apresentando sua própria personalidade.

Por ser um festival, onde os shows são mais curtos e cronometrados, a banda precisou escolher bem as músicas do setlist. Mesmo com pouco tempo, fizeram bonito. Trouxeram músicas do This Godless Endeavor (1999), como My Acid Words e Born, tocadas mais para o final e grandes destaques do show. Até mesmo o pouco lembrado Enemies of Reality (2003) marcou presença com a faixa-título. No entanto, foram as músicas de Dead Heart in a Dead World (2000) que mais empolgaram os fãs: além de Narcosynthesis, vieram The River Dragon Has Come, Inside Four Walls e Engines of Hate, mostrando que o quinteto de Seattle ainda tem muito a oferecer. Sem dúvidas, um dos melhores shows do dia, fazendo valer a pena a espera.

EXPLOSÃO MODERNA SOB O SOL: AMARANTHE ENTREGA ENERGIA E CONEXÃO NO BANGERS OPEN AIR 2026 

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Sob um sol escaldante de aproximadamente 30 °C, às 15h em ponto no Hot Stage, o Amaranthe transformou a tarde do segundo dia de Bangers Open Air em um verdadeiro espetáculo de energia e intensidade. Formada em 2008, na Suécia, a banda se consolidou como um dos nomes mais marcantes do metal moderno, apostando em uma proposta pouco convencional: três vocalistas dividindo o protagonismo, Elize Ryd nos vocais limpos, Nils Molin também no limpo e Mikael Sehlin trazendo o peso gutural. Essa combinação, que poderia soar arriscada, ao vivo se mostra extremamente coesa e poderosa. Mesmo sob condições adversas, a banda entregou presença de palco impecável, performance carregada de paixão, conexão e explosão.

Conhecida por transitar entre diferentes vertentes sonoras, Amaranthe encontrou um público completamente entregue, diverso em idade, mas harmônico na intensidade. Era possível ver fãs cantando cada faixa com entusiasmo, transformando o show em uma experiência coletiva. A abertura já veio como um impacto direto, com “Fearless”, “Viral” e “Digital World” levando o público ao limite da euforia. No meio desse turbilhão, “Amaranthine” surgiu como um respiro emocional, delicada, luminosa, arrancando um coro forte e carregado de sentimento. No palco, Elize se mostrou extremamente carinhosa e conectada com o público, enquanto Nils trouxe uma energia visceral e Mikael sustentou o peso com brutalidade precisa, criando um equilíbrio que define a identidade da banda.

Com qualidade sonora consistente e vocais impecáveis, o Amaranthe entregou um show que alterna entre o intenso e o sensível, muito impulsionado pela suavidade e brilho da voz de Elize. Em sua segunda passagem pelo Brasil, a banda deixou claro que não veio para ser passageira. Ao contrário, reforçou sua força dentro do metal contemporâneo, mostrando que o gênero segue evoluindo, conquistando espaço e quebrando barreiras. Foi um show marcante, daqueles que não apenas entretêm, mas ficam, pulsando na memória de quem esteve ali, sob o mesmo sol, vivendo o espetáculo.

WINGER SE DESPEDE DO BRASIL COM SHOW CARREGADO DE CLÁSSICOS

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

A tarde foi reservada para as bandas de hard rock. Em comparação às edições anteriores, este ano contou com a presença de poucas bandas do gênero, mas que acertaram na escolha, mesmo com essa “minimalização". Infelizmente, não foi possível assistir a todo o show dos suecos do Crazy Lixx, já que o Winger tocou praticamente no mesmo horário, o que gerou muitas reclamações por parte dos fãs que curtem ambas as bandas. Por conta da longa espera e, muito provavelmente, por ser a última chance de vê-los ao vivo no Brasil, muitos optaram pelo Winger, o que já era esperado.

Kip Winger, que dispensa apresentações, junto com os renomados Reb Beach (guitarra), Paul Taylor (teclado/guitarra), Rod Morgenstein (bateria) e o recém-chegado Howie Simon (guitarra), mostraram que a banda resistiu ao tempo, mesmo enfrentando certa rejeição e chacota — vide o caso da animação Beavis and Butt-Head e o famoso episódio do dardo arremessado por Lars Ulrich, baterista do Metallica, na foto de Kip.

Mesmo sem ter ensaiado e com pequenos problemas técnicos no início – que deixaram Kip e Reb visivelmente irritados – a banda conseguiu conquistar não só os fãs devotos, mas também aqueles que não são tão familiarizados com o grupo e passaram a apreciá-lo depois do que viram, contribuindo para tornar o show (repleto de clássicos) ainda melhor. E clássicos é o que não faltou. O setlist foi concentrado no primeiro álbum, homônimo, e no "In the Heart of the Young" (1990), com músicas como Seventeen, Can’t Get Enough, Miles Away, Rainbow in the Rose, Time to Surrender, Headed for a Heartbreak, Easy Come Easy Go e Madalaine. Do Pull (1993), apenas Down Incognito marcou presença, além de Stick the Knife In and Twist, do recente Seven (2023), que abriu o show de forma tímida. Uma pena a banda decidir encerrar as atividades, pois ainda se mostra em plena forma.

SMITH/KOTZEN TRANSFORMA ESTREIA EM UM DOS GRANDES MOMENTOS DO BANGERS OPEN AIR

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O penúltimo show do palco Ice foi um dos mais aguardados desde o anúncio, principalmente por se tratar de uma estreia. Estou falando, é claro, do Smith/Kotzen, talvez o melhor duo surgido nos últimos anos. Quem, em sã consciência, imaginaria Ritchie Kotzen ao lado do grande Adrian Smith, do Iron Maiden, criando um projeto que unisse suas influências em comum. O resultado foi um excelente disco de estreia, lançado durante a pandemia, que traz fortes influências do hard rock setentista e do blues, ou seja, um classic rock de primeira, que ao vivo soa ainda melhor. 

O mais interessante é ver que os dois, ao lado dos brasileiros Bruno Valverde (bateria) e Julia Lage (baixo), não seguem um protocolo rígido no palco. É simplesmente uma banda tocando como se estivesse em um ensaio: fazendo jams, trocando sorrisos e olhares de forma espontânea, como em um show intimista. Outro destaque é o lado vocal do Adrian, que surpreende com um timbre muito marcante. Já Bruno e Julia impressionam pela energia e maestria, reforçando ainda mais o peso e a qualidade da banda com toda a experiência que carregam.

O setlist não trouxe muitas surpresas, apesar do mistério criado por Bruno e Julia em entrevista aqui na Road To Metal. Ainda assim, músicas como Life Unchained, Black Light e Blindsided se destacaram logo de cara, ao lado de Taking My Chances e Darkside, que conta com um solo maravilhoso de Adrian. Got a Hold on Me, um hard/blues fulminante, também empolgou o público.  Por mais previsível que fosse, Wasted Years, composição de Adrian no Iron Maiden, marcou presença no set. E, no fim das contas, tinha que ser ela para encerrar um dos melhores shows do dia.

ENTRE NOSTALGIA E INTENSIDADE: WITHIN TEMPTATION TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR 2026 EM UM ESPETÁCULO EMOCIONAL



No segundo dia de festival, pontualmente às 18h25, no Ice Stage do Bangers Open Air 2026, o Within Temptation subiu ao palco e fez mais do que um show, construiu uma experiência emocional que atravessou gerações. Formada em 1995, na Holanda, e liderada pela icônica Sharon den Adel, a banda entregou um setlist profundamente nostálgico, costurando diferentes fases da carreira com precisão e sensibilidade. A abertura com “Go to War”, faixa do álbum Bleed Out (2023) que curiosamente ficou de fora da última passagem pelo Brasil, já indicava o tom da apresentação. Em seguida, clássicos como “The Howling”, “Stand My Ground” e “Bleed Out” incendiou o público, que se entregou a um coro potente, guiado pela voz lírica de Sharon em contraste com o peso das guitarras. Em “Ritual”, Sharon dedicou às mulheres, a banda reforçou sua mensagem de empoderamento, ecoando forte em uma plateia diversa e conectada.

Sharon brilhou com uma presença magnética, com suas danças, conduzindo o público com naturalidade e emoção. Na primeira metade do show, sua voz parecia guardar força, como se preparasse o terreno para o que viria e veio. Após mencionar o calor intenso, mesmo no início da noite, a apresentação ganhou outra dimensão a partir de “In the Middle of the Night” e “Forsaken”, elevando a energia a um nível quase catártico. A inclusão de “Paradise (What About Us?)”, eternizada na colaboração com Tarja Turunen, intensificou ainda mais o clima épico. Era impossível não notar a quantidade de fãs vestindo camisetas da banda pelo festival, um reflexo claro de sua relevância e conexão com o público ao longo dos anos.

Na reta final, o Within Temptation transformou emoção em memória viva com as músicas “Ice Queen” e "Mother Earth", que em um dos momentos mais simbólicos do show, Sharon dedicou “Mother Earth” ao Brasil, destacando o país como uma nação de riquezas naturais imensas, o que deu à música um peso emocional ainda maior ao vivo, trouxe lágrimas e um coro carregado de nostalgia, reafirmando o impacto duradouro da banda. Mais do que técnica impecável, o grupo entrega significado: suas músicas transitam entre o íntimo e o político, denunciando mazelas do mundo enquanto criam um espaço de pertencimento. O resultado foi um espetáculo intenso, diverso e profundamente humano um daqueles momentos que ultrapassam o palco e se instalam na memória de quem esteve presente. Within Temptation não é apenas uma banda; é parte da história afetiva de seus fãs. E, naquela noite, escreveu mais um capítulo inesquecível.


COM UMA REUNIÃO HISTÓRICA, ANGRA ENTREGA O SHOW MAIS SIMBÓLICO DE SUA CARREIRA


Enfim, chegamos ao último show do dia. Normalmente, em festivais grandes como o Bangers, uma banda internacional de grande porte é escolhida como headliner. Para a surpresa de muita gente, o Angra foi o nome escolhido para encerrar essa quarta edição. Mas não seria um show comum, como os fãs estão acostumados a ver. Na ocasião, a organização, junto com o management da banda, idealizou uma reunião histórica: Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) se juntaram aos remanescentes Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para um encontro que muitos, como eu, achava improvável. Além disso, o show marcou o encerramento de um ciclo e o início de outro, com a saída de Fabio Lione e a entrada de Alírio Netto como seu substituto.

Tudo aconteceu conforme prometido, até mais. O show passeou por todas as fases da banda ao longo de seus 35 anos, com uma produção de palco surpreendente com pirotecnia e uma passarela que aproximava ainda mais os músicos do público. Nesse quesito, foi, sem dúvida, a melhor experiência visual ao vivo da história da banda.

Mesmo com pouco tempo de ensaio, todos entregaram o máximo de seu potencial — com destaque para Bruno, que ensaiou apenas uma vez devido à sua agenda com o projeto Smith/Kotzen. Apesar do nervosismo, Alírio fez uma boa estreia ao cantar músicas da fase do saudoso Andre Matos, começando por Nothing to Say e Angels Cry, demonstrando personalidade e competência. Impressiona não só sua presença de palco — muito influenciada por sua experiência no teatro —, mas também sua coragem. Após muito tempo fora do repertório, “Wuthering Heights” voltou ao set sem depender de convidados, mostrando que ele está pronto para encarar esse desafio.

Era visível a emoção de Alírio durante o show. Vale lembrar que ele quase integrou a banda no passado, após a saída de Edu Falaschi. Esse sentimento ajudou a encerrar o primeiro ato com Carolina IV, do Holy Land (1996), e que não era executada há bastante tempo. Ainda sobre esse primeiro ato, tivemos a última participação de Fabio Lione como vocalista do Angra, interpretando Tides of Changes (Part I & II), Lisbon e Vida Seca. No entanto, sua participação poderia ter sido mais extensa, incluindo mais músicas de sua fase. Fica a impressão de que houve certo desconforto: o volume de seu microfone parecia mais baixo em comparação ao de Alírio e Edu. Ainda assim, o Mago, como é conhecido, mostrou por que é uma força da natureza, superando qualquer adversidade com sua performance consistente. Segundo relatos de amigos que estavam presentes, Fabio não permaneceu no palco durante todo o restante do show, preferindo ficar no meio do público, tirando fotos e aproveitando o momento, retornando apenas no final – o que pode ajudar a explicar essa percepção.

O segundo e principal ato do show foi o mais comemorado da noite. Afinal, depois de dezenove anos, Rafael, Felipe, Kiko, Edu e Aquiles estavam ali juntos novamente. Não importavam deslizes, erros ou mesmo ausências – o que realmente importava era que todos estavam reunidos outra vez, em paz entre si e com os rancores do passado deixados de lado. Foi uma verdadeira reunião, como o próprio espetáculo se propõe, privilegiando os clássicos de Rebirth, que neste ano completa 25 anos. O público pôde celebrar músicas como Nova Era, Millennium Sun, Heroes of Sand, Acid Rain e a faixa-título, além de outros clássicos dessa fase, como Waiting Silence, Ego Painted Grey, a mais pop Bleeding Heart – embalada por um mar de luzes que parecia alcançar até a estação Barra Funda do metrô – e Spread Your Fire.

Já o terceiro e último ato começou de forma emocionante, com uma homenagem ao saudoso Andre Matos. Um vídeo foi exibido mostrando o vocalista na época em que ainda integrava a banda, durante um show no Japão, acompanhado da primeira parte de Silence and Distance, inicialmente executada de forma mecânica, antes de Alírio Netto e Edu Falaschi – que dividiram os vocais –, ao lado de Marcelo Barbosa, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt – protagonizando a primeira aparição do grupo com três guitarristas, algo muito aguardado pelos fãs –, Felipe Andreoli e Bruno Valverde darem continuidade à música. Ainda houve tempo para a formação Nova Era – como é conhecida o line-up responsável pelos álbuns Rebirth (2001), Temple of Shadows (2004) e Aurora Consurgens (2006) – retornar ao palco em Late Redemption, com Alírio dividindo os vocais novamente com Edu. A célebre Carry On, com todos reunidos no palco, encerrou um show que, mesmo antes de acontecer, já havia entrado para a história, deixando a expectativa de que essa reunião volte a acontecer mais vezes.


O Bangers Open Air vem, ano após ano, se consolidando como um dos principais festivais de música do país. Isso simboliza um sentimento de orgulho, pois o heavy metal segue mostrando seu devido valor em uma terra onde, muitas vezes, estilos mais fúteis recebem maior atenção.

Em especial nesta edição, tanto o público que acompanha o festival desde a primeira realização quanto aqueles que tiveram a oportunidade de vivenciar essa experiência pela primeira vez demonstraram um apoio incomensurável. Afinal, esta quarta edição foi uma das mais difíceis de ser realizada devido a algumas baixas na organização, mas, felizmente, resistiu a todas as adversidades graças ao apoio massivo do público, que compareceu em peso nos dois dias e quase levou o festival ao sold out, algo inédito em relação às edições anteriores.

Agora, resta a expectativa e a ansiedade para 2027, que certamente promete ser novamente uma experiência memorável para os fãs de música pesada.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Nevermore – setlist:

Narcosynthesis

Enemies of Reality

The River Dragon Has Come

Beyond Within

Inside Four Walls

Engines of Hate

My Acid Words

Born


Amaranthe – setlist:

Fearless

Viral

Digital World

Damnation Flame

Maximize

Strong

PvP

The Catalyst

Chaos Theory

Amaranthine

The Nexus

Call Out My Name

Archangel

That Song

Drop Dead Cynical


Winger – setlist:

Stick the Knife In and Twist

Seventeen

Can't Get Enuff

Down Incognito

Miles Away

Rainbow in the Rose

Time to Surrender

Headed for a Heartbreak

Easy Come Easy Go

Madalaine


Smith/Kotzen – setlist:

Life Unchained

Black Light

Wraith

Blindsided

Taking My Chances

Darkside

Got a Hold on Me


Within Temptation – setlist:

We Go to War

The Howling

Stand My Ground

Bleed Out

Ritual

In the Middle of the Night

The Heart of Everything

Faster

Wireless

Lost

Forsaken

Paradise (What About Us?)

Don't Pray for Me

Ice Queen

Mother Earth

White Noise

Scars

Running

Wasted Years


Angra – setlist:

Ato I

Nothing to Say

Angels Cry

Tide of Changes - Part I e Part II

Lisbon

Vida seca

Wuthering Heights

Carolina IV


Ato II

Nova Era

Waiting Silence

Millennium Sun

Heroes of Sand

Ego Painted Grey

Bleeding Heart

Spread Your Fire

Acid Rain

Rebirth


Ato III

Silence and Distance

Late Redemption

Carry On