Por Anderson Bellini
Às vésperas do lançamento do EP More Stereo Crush, o guitarrista Freddy Scherer conversou com a Road to Metal sobre os bastidores desta nova fase do Gotthard. Em uma entrevista franca, o músico relembrou o emocionante e desafiador primeiro show da banda após a perda de Steve Lee — realizado em Buenos Aires, na Argentina, marcando também a estreia de Nick Maeder nos palcos com o grupo —, falou sobre a forte ligação do Gotthard com o Brasil, refletiu sobre as mudanças na indústria musical em tempos de streaming e inteligência artificial e revelou os planos para o futuro. Entre memórias, curiosidades e reflexões sinceras, Freddy mostra que, após mais de três décadas de estrada, a paixão do Gotthard pela música e pelos palcos continua tão intensa quanto sempre foi.
Parabéns pelo álbum Got Us Left, pelo Stereo Crush (2025) e, claro, pelo EP More Stereo Crush (2026), que acabei de ouvir. Você pode nos contar sobre a origem das músicas deste EP? E nós sabemos que essas faixas não entraram no Stereo Crush. Por que elas ficaram de fora? Elas foram intencionalmente guardadas para este futuro lançamento?
FS: Bom, antes de tudo, quando escrevemos as músicas originalmente para o Stereo Crush, acho que chegamos a algo em torno de 18 faixas, ou até mais. E então acabamos cortando algumas. Mas, como sempre, tivemos aquelas discussões do tipo 'essas músicas ainda são boas, então não queremos simplesmente descartá-las.' Por outro lado, se você lança um álbum com umas 18 músicas, nós acreditamos que cada faixa individual acaba perdendo um pouco de atenção, porque, quando você tem 18 músicas na sua frente, é mais difícil formar uma opinião sobre tudo do que quando você tem, por exemplo, 12 músicas. Assim, cada faixa acaba se destacando mais. Então essa foi a principal razão pela qual dissemos 'ok, vamos ficar com 12 músicas e depois lançar um EP mais tarde.' Essa foi basicamente a ideia por trás de tudo. E, claro, você também quer que o álbum tenha mais ou menos uma identidade, uma atmosfera, um certo tema. E se houver duas ou três músicas que sejam um pouco parecidas — não necessariamente na composição, mas talvez no estilo — ou até baladas demais, você não quer ter cinco baladas em um álbum. Foi assim que fizemos a seleção de músicas para o Stereo Crush e depois para o More Stereo Crush. Essa é um pouco da história por trás disso.
| Reign Phoenix Music (Imp.) |
E nós sabemos que o Gotthard tem uma conexão muito forte com o Krokus, porque Mandy Meyer é guitarrista e ex-integrante do Gotthard, e o baterista Flavio também toca com vocês no Gotthard. Como surgiu o convite para Mark e Chris participarem em Liverpool? E como vocês decidiram qual versão cada um iria cantar em Liverpool?
FS: Antes de tudo, Chris Von Rohr, baixista do Krokus, foi por muitos e muitos anos produtor do Gotthard, lá no começo, nos primeiros dez anos ou até mais. Depois chegou um momento em que havia visões diferentes sobre as coisas, então acabou acontecendo uma separação. Agora, depois de tantos anos, pensamos que seria ótimo colaborar novamente em uma ou duas músicas. No fim das contas, acabou sendo apenas uma, Liverpool. E também tivemos alguns shows… já faz alguns anos que, de vez em quando, fazemos apresentações juntos na Suíça. E sempre fazemos um encore juntos tipo 'Gotthard e Krokus tocam juntos duas, três ou quatro músicas', o que for. Então pensamos 'por que não?, já que Chris Von Rohr já é coautor dessa música?' Aí tivemos a ideia de chamar Mark Storace para cantar algumas partes em uma nova versão. Depois, ao vivo, tivemos dois shows em dezembro, em Zurique e Berna, na Suíça, juntos. Então tocamos Liverpool com Marc e Nic no palco como uma versão especial. Acho que essa é a história por trás disso. Mas quando gravamos a primeira versão para o Stereo Crush — vamos chamar assim — essa ideia ainda não existia. Por isso fizemos uma segunda versão, que é muito parecida com a primeira, claro, mais como uma espécie de bônus, e a colocamos no álbum More Stereo Crush.
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| Luc Braissant |
FS: Nós ainda não tocamos essa música ao vivo, isso ainda vai entrar em discussão para o novo setlist. E a ideia básica foi, na verdade, do Leo. Foi uma ideia principalmente dele. Ele criou esses sons de guitarra bem atmosféricos, com delay. É uma atmosfera muito, muito bonita. Esse foi o começo da música, e todo mundo gostou. Então nós terminamos a faixa e ela acabou entrando no álbum. E eu acho que ela tem uma identidade muito especial, algo completamente diferente do restante das músicas dos dois álbuns, na verdade. Então foi assim que ela surgiu, foi assim que ele a criou. E sobre como vamos executá-la ao vivo, não há bateria nem baixo na música, então provavelmente você está certo sobre essa ideia. Mas vamos ver.
Como foi trabalhar novamente com Charlie Bauerfeind? Ele vem produzindo os álbuns de vocês desde Bang! (2014), certo?
FS: Desde Bang! (2014)
É interessante porque ele é muito conhecido por trabalhar com bandas de heavy metal como Helloween e Blind Guardian. O que ele traz para o som do Gotthard? Talvez um pouco dessa energia do heavy metal?
FS: Nós fizemos o Bang! (2014), depois fizemos o Silver (2017) e, no #13 (2020), trabalhamos com o produtor americano Paul Lani, mas depois voltamos a trabalhar com o Charlie. Antes de gravar um álbum, você sempre senta junto para discutir o que quer fazer: o que funcionou bem da última vez, o que não foi tão bom, para onde você quer ir… e também se o produtor tem tempo disponível ou se está ocupado demais. Nós sempre tivemos uma colaboração muito boa com o Charlie, e a grande qualidade dele é que ele sempre pensa: 'ok, este é um álbum novo, então o que vamos fazer agora?'. Ele não usa sempre o mesmo conjunto de ideias em todos os discos. É sempre algo como: 'esse álbum tem essa característica, então o que podemos fazer de diferente agora?'. E isso é algo legal. A banda está junta há 32, 33 ou até 34 anos, então é bom ter desafios e trabalhar com um produtor disposto a garantir que as coisas não soem sempre iguais. E, em segundo lugar, eu não diria que ele traz heavy metal para o nosso som, mas ele é muito focado em energia e em fazer a banda soar viva. Nós já não temos 20, nem 30 e nem 40 anos, mas ainda queremos soar como uma banda que realmente quer tocar e que se diverte fazendo isso. E é isso que ele tenta transmitir, o que eu considero muito importante, porque já existem vários álbuns do Gotthard no mercado, então você precisa tomar cuidado para não soar como se estivesse fazendo discos apenas por fazer. Para nós, cada álbum tem sua própria identidade, ele se sustenta sozinho. Não é simplesmente 'ah, esse é o álbum número 14? Ok, já fizemos tantos…'. Não, não é assim. Cada álbum ainda nos tira o sono. Se não estamos felizes com algo ou se alguma coisa não está clara, aquilo realmente nos afeta. Nós levamos isso muito a sério. Sempre temos muitas discussões, porque, claro, são músicos diferentes, todos na nossa idade, mais o produtor, e cada um tem sua visão. Então discutimos tudo até o fim, até encontrarmos a solução. E, pessoalmente, humanamente falando, nós nos damos muito bem com o Charlie. E isso é algo muito importante.
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| Divulgação |
Voltando um pouco no tempo, o primeiro show do Nic com o Gotthard foi em 2012, em Buenos Aires, na Argentina. Eu estava lá e consigo me lembrar da atmosfera entre vocês naquela noite. Foi o primeiro show sem o Steve, claro, e eu lembro de ver todos vocês reunidos antes de subir ao palco. Você pode compartilhar o que se lembra daquela noite em Buenos Aires? Foi a primeira vez que vocês tocaram aqui na América do Sul sem o Steve, e eu imagino que tenha sido um momento muito emocionante e inesquecível para todos vocês. Você pode nos contar o que se lembra daquela noite?
FS: Estávamos muito nervosos. Quer dizer, todo mundo estava nervoso: o Nic estava nervoso, a banda estava nervosa, e aquilo era um enorme desafio para nós. Não foi fácil, não era como se pudéssemos simplesmente subir ao palco e nos divertir. Não, definitivamente não. Era mais algo como: 'uau, o que está acontecendo? Como isso vai ser?'. Foram os primeiros shows com o Nick, e se você tivesse gravado aquele show e comparasse com uma gravação de hoje, seria uma banda completamente diferente. O Nic é praticamente outra pessoa hoje em dia — ainda tem a mesma cor de cabelo —, mas todo o resto mudou. Então, sim, eu diria que não foi exatamente divertido, mas foi muito importante. E nos primeiros shows, depois de cada apresentação, nós nos reuníamos e conversávamos: 'ok, como foi? Está bom o suficiente?”, porque ainda era o primeiro show, e ficávamos pensando: 'será que vai funcionar?' E a verdade é que você não tem certeza. Isso levou um tempo. Foi como se jogar na água gelada, sabe? No fim das contas, foi isso que fizemos: fechamos os olhos, pulamos e pensamos: 'vamos ver onde isso vai dar.' E para nós — e acho que para qualquer banda — tocar na América do Sul provavelmente é a experiência mais divertida possível, por causa dos fãs, da comida e das pessoas extremamente entusiasmadas. Sim, foi divertido, nós adoramos, mas também estávamos suando muito, não apenas por causa do calor.
Você comentou que hoje a banda é completamente diferente daquela época. Naquele tempo havia muitas comparações entre as vozes do Nic e do Steve. Isso ainda acontece nesta nova fase do Gotthard?
FS: Eu não acho mais isso. É lógico que alguns fãs ainda escutem um álbum com o Steve e pensem 'uau, esse era o Steve', e depois ouve um álbum com o Nic e façam comparações. Isso nunca vai desaparecer completamente, é algo com que você precisa aprender a conviver. Mas eu diria que essa fase já passou, também porque o Nick evoluiu muito nos últimos 10, 12, 13 anos. Hoje ele se sustenta por si só. Ele tem personalidade no palco e sabe falar com o público, algo que no começo não acontecia. Mas nós pensamos: 'ok, dane-se, vamos fazer isso funcionar', mesmo que levasse alguns anos. E realmente levou alguns anos. Hoje em dia ele chegou ao ponto em que as pessoas não vêm mais apenas comparando. Na verdade, quem não via a banda há muito tempo geralmente se surpreende e diz algo como 'uau, agora está muito legal. Naquela época não era bem a nossa praia, mas agora está muito bom'. Então hoje as pessoas realmente entraram nessa nova fase da banda. Atualmente o Gotthard é uma banda diferente.
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| Divulgação |
Agora falando sobre o Brasil, vocês já vieram aqui três vezes com o Gotthard. Acho que foram duas vezes com o Nick e uma vez com o Steve. E a última vez foi em 2014, já faz bastante tempo. O que você se lembra do nosso país, desses shows especificamente no Brasil, e por que a banda não voltou desde então? Existem planos de o Gotthard vir ao Brasil para tocar ainda este ano?
FS: Eu lembro. Acho que em 2014 foi aquela turnê com o Edguy e com o Hammerfall, certo?
Sim, sim, com Edguy e Hammerfall, isso mesmo.
FS: Foi um ótimo momento com as bandas, ótimo momento em todos os lugares. Acho, que eu me lembre corretamente, fizemos três shows no Brasil além de São Paulo, certo?
Acho que Curitiba e Porto Alegre talvez, não?
FS: Eu lembro das casas de show, lembro de como elas eram, e estava tudo lotado, completamente lotado. Foi incrível e muito, muito quente. Nós nos divertimos muito. Normalmente no Brasil — ou muitas vezes depois dos shows, quando tudo termina —, os produtores convidam você para comer alguma coisa, tipo ir a uma churrascaria à 1 da manhã, como uma espécie de segunda refeição depois do show. O público é incrível, realmente muito legal. São Paulo é enorme, quero dizer, é uma cidade gigantesca. Claro que você vê só um pouquinho: chega, vai para o hotel, mas o mais marcante acabam sendo as pessoas. Conhecer as pessoas é ótimo. Algumas aparecem depois do show, outras até vão ao hotel, e você pode conversar com elas no bar do hotel. Isso é sempre muito divertido. E sobre por que não estamos indo? Nossa equipe sabe que queremos voltar. Muitas vezes, no Brasil, para bandas como a nossa, é preciso montar pacotes com duas ou três bandas. Hoje em dia existem muitas bandas mais voltadas ao metal pesado, o que acaba sendo mais fácil de organizar. Nós ficamos no meio disso tudo, então encontrar o pacote certo não é tão simples. Mas a banda quer tocar no Brasil, isso a nossa equipe sabe. E não podemos fazer muito além de repetir para eles, de novo e de novo: 'cuidem disso, queremos ir para o Brasil', quero dizer, para a América do Sul em geral. Ainda esperamos que isso aconteça em breve, porque já faz muito tempo desde a última vez. Mas nunca se sabe, de repente surge uma proposta de show e tudo acontece muito rápido. Em poucos meses, você já está aí. Mas, no momento, infelizmente não posso dar nenhuma data e nem nada concreto. Estamos esperando notícias da América do Sul, notícias do Brasil.
Outra pergunta difícil. O Gotthard nunca lançou um DVD ou Blu-ray ao vivo dessa nova era da banda com o Nick. Isso alguma vez foi considerado? Fazer um DVD como vocês fizeram com o Steve em Made in Switzerland, algo assim, um grande DVD gravado em uma grande arena com o Nic?
FS: Sim, não por enquanto. Quer dizer, hoje em dia, claro, temos bastante material porque normalmente, quando você toca atualmente, há aqueles telões enormes na direita, esquerda e atrás da banda, então tudo acaba sendo gravado e projetado nas telas. Então existe muito material disponível, porque em praticamente todo show você tem gravações. Acho que hoje é uma época diferente, porque atualmente todo show tem telas e registros por todos os lados, então esses DVDs ao vivo já não são algo tão especial quanto antes. Com o Steve, por exemplo, foi em Zurique, no Hallenstadion, que é tipo a casa de shows mais importante da Suíça. E também foi a primeira vez que a banda tocou lá, então isso foi um motivo para pensarmos: 'ok, agora que chegamos aqui, vamos gravar isso'. Depois acabamos tocando lá mais algumas vezes. É difícil dizer… eu realmente não posso afirmar se vai existir algo diferente no futuro, talvez um show com orquestra sinfônica clássica, alguma colaboração, não sei. Mas um DVD ao vivo tradicional, no momento, não está nos planos. Embora, claro, nunca se sabe. Vamos ver.
Talvez no Brasil (risos).
FS: Muito boa ideia.
Agora falando sobre você, Freddy, o que você tem escutado ultimamente? Tem alguma banda ou artista específico?
FS: Uau, difícil dizer. Existem tantas bandas por aí. Acho que a última banda “nova” que realmente me marcou — embora hoje já nem seja tão nova assim — foi quando o Foo Fighters apareceu. Tinha algo ali que realmente me chamou atenção, porque para mim sempre soou mais como uma verdadeira banda de rock. Quero dizer, é muito rock mesmo, você consegue ouvir influências do Queen e de várias bandas clássicas no som deles, especialmente com o Dave Grohl. Mas hoje existem bandas demais por aí. E o problema atualmente é que às vezes eu fico na cama olhando coisas — nem uso tanto redes sociais hoje em dia — mas de vez em quando dou uma olhada e aparecem bandas novas. Aí eu salvo alguma coisa e no dia seguinte vou conferir melhor: primeiro, para ver se elas realmente existem ou se é só algo feito por IA, porque hoje em dia muita coisa soa parecida e eu fico pensando: 'Hmm, isso é real ou é só alguém em casa brincando de juntar coisas artificialmente?'. Mas sim, eu ainda gosto muito das bandas antigas, das bandas clássicas. Hoje mesmo ouvi uma música do Eddie Vedder no rádio. No começo eu não era tão fã de Pearl Jam, mas hoje, olhando para trás, eu adoro. E é uma banda que eu nunca vi ao vivo. Eu sempre tentei assistir a muitas bandas, já vi tantos shows na minha vida. E quando você toca em festivais como o Sweden Rock e outros desse tipo, literalmente todo mundo toca lá, então você acaba conhecendo muita coisa. Ano passado fui assistir ao Joe Bonamassa também. E, sim, existem muitas bandas, não consigo citar uma banda nova específica pela qual eu esteja completamente obcecado. Mas existem algumas, especialmente nos Estados Unidos, bandas jovens e muito interessantes, ainda com bastante aspereza e personalidade no som, o que é muito legal. Vamos ver onde elas vão chegar. Muito interessante, realmente.
O Gotthard ainda lança CDs físicos, mas ao mesmo tempo vocês estão se adaptando ao futuro ao lançar singles avulsos, como fizeram com “Mayday”, que saiu apenas digitalmente em 2023 e só agora está sendo lançado em formato físico. Como você vê o futuro da indústria musical? Você acha que o formato físico eventualmente vai desaparecer?
FS: Acho que isso é bem fácil de responder. Se os jovens não compram CDs e nem têm um aparelho de CD em casa, poucos descobriram o verdadeiro álbum em vinil, mas isso é algo muito pequeno hoje em dia. Existe ainda, claro, mas não é mais o mercado que já foi. Então, se os jovens nem conhecem o CD e sequer têm um aparelho para tocar, a resposta acaba sendo muito simples: eles vão crescer assim, e esse é o futuro. Daqui a 20 ou 30 anos teremos pessoas que nunca seguraram um CD nas mãos. Isso é ruim? Sim, eu acho que é, porque eu gostava disso. Eu cresci frequentando lojas de discos, especialmente as lojas físicas. E isso é uma pena, porque você conhecia o dono da loja, você chegava lá e dizia: 'Hey, você tem alguma novidade?'. Aí ele sumia e voltava com uma pilha de álbuns. E nós passávamos duas horas ouvindo aqueles discos. É triste que isso não aconteça mais. Hoje o mundo é completamente diferente. É melhor? É pior? Eu não sei. Para os jovens, eles não sabem como era antes, então não sentem falta, porque nunca viveram aquilo. Mas uma coisa que continua acontecendo são os shows ao vivo. Isso nunca mudou, não há dúvida nenhuma sobre isso. Não importa como as músicas novas são lançadas. Porém, para bandas mais antigas como nós — ou ainda mais antigas, como Aerosmith e outras — chega uma hora em que você cansa de gravar um álbum que praticamente não existe fisicamente no mercado e desaparece muito rápido. Você realmente começa a se perguntar duas ou três vezes: 'Vale a pena fazer um álbum novo?'. Por outro lado, quando você sai em turnê, é ótimo tocar músicas novas, tanto para você como músico quanto para os fãs. Então, lançar músicas novas de vez em quando? Sim, legal. Agora um álbum inteiro, eu já não sei. E também existe o fato de que a indústria musical ganha muito menos dinheiro com isso hoje em dia, então paga menos também. Acaba sendo mais barato lançar uma música de vez em quando. Então você meio que vira um prisioneiro da situação, mas é assim que as coisas são. Vamos ver para onde a história vai. Nós gostamos de escrever músicas. Obviamente escrevemos material suficiente no último disco para fazer outro, mas vamos ver para onde a indústria musical caminha. O que é claro é que os shows ao vivo estão mais fortes do que nunca. Acho que isso se tornou mais importante. E aí fica a questão: será que tudo vai virar apenas digital? Não sei. E ainda tem a IA… isso é algo preocupante para o consumidor comum de música: o que é real e o que não é? O que existe por trás disso? Porque hoje em dia qualquer pessoa que consiga juntar uma frase consegue fazer uma música. E isso é um pouco assustador, tenho que admitir. Bem assustador.
A última pergunta é: o que vem a seguir? Quais são os planos do Gotthard para o futuro próximo e o que os fãs podem esperar dessa nova era da banda?




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