sábado, 13 de janeiro de 2018

Angra: União e Audácia! (Resenha do Novo Álbum "OMNI)



Na vida talvez o fundamento mais importante pra se manter produtivo e motivado é a união entre as pessoas, principalmente em engrenagens que precisam funcionar conjuntas, ligando convicções e ideias num elemento único, a fim de levar determinados trabalhos adiante e com sucesso. Ha sempre o risco de perder peças essenciais em uma equipe, sendo necessário acertar as novas peças para seguir ganhando. Totalmente pronto para buscar novas conquistas, mostrando-se não satisfeito pelo sublime passado, o Angra chega em mais uma nova fase em “ØMNI”, 9º lançamento da carreira da banda.
English Version

Em se tratando de uma banda com nome consolidado, muitos costumam esperar coisas semelhantes aos primeiros trabalhos até o “Temple Of Shadows” (2004). Sem desviar do que foi experimentado no passado, o exercito liderado pelo guitarrista e fundador Rafael Bittencourt (único membro original da banda) se submete a buscar a novidade, com doses de audácia, incrementando tudo o que a banda aprendeu ao longo dos seus 26 anos de carreira de maneira consciente, levando muito peso e diversas rotas progressivas em elogiosa harmonia.

O tema é conceitual, abordando histórias curtas de ficção científica, que acontecem em vários lugares no tempo simultaneamente. Uma ficção sobre um futuro, mais precisamente em 2046, onde a humanidade terá mudanças profundas causadas por uma inteligência artificial, o que possibilitará uma comunicação entre pessoas do presente e do futuro.



Mais uma vez, o quinteto foi levado para a Fascination Street Studios na Suécia para produzir o álbum com o produtor Jens Bogren, que também produziu o antecessor da banda, "Secret Garden" (2015). E a parte sonora do trabalho é cheia de qualidades vigorosas, de timbres claros, trazendo instrumental, orquestração e percussão em requintada mixagem e masterização.

A capa foi criada pelo artista americano Daniel Martin Diaz, especialista em esboços que abordam ciência e conceitos relacionados à biologia, recebendo a melhoria final de Gustavo Sazes, baseando a ilustração na parte lírica do álbum.

Digerir imediatamente "ØMNI" não é uma das aulas mais fáceis, porque cada música possui personalidades diferentes que o levam a diferentes rotas. Heavy Metal hoje tem muitas ramificações, tornando cada vez mais difícil manter um rótulo particular, mas posso dizer que a banda mistura o melhor do Prog e do Thrash Metal, sem deixar as influências da música clássica europeia, música típica brasileira e latina de lado.



E na questão de performance, a banda soa justa, partido das guitarras agressivas (Marcelo Barbosa caindo como uma luva) e da base rítmica quente, seguradas pela técnica do baixista Felipe Andreoli e da soberania de Bruno Valverde na bateria. E pra encerrar, nada mais integro do que destacar a magnifica interpretação de voz do mago Fabio Lione, que vem consolidando de vez sua permanência no grupo, onde se sente cada vez mais a vontade diante da proposta da banda.

As honras de abertura da bolacha são com “Light Of Transcendence”, a qual reflete o caráter único do Angra, realçado por um Speed Metal rápido, melodioso, mas com dose extra de peso nas guitarras, colorida também por elementos orquestrais; “Travelers Of Time” traz traços de música brasileira logo de começo, posicionado ponte e refrão em equilíbrio, seguido de nuances progressivas, sinfônicas e modernas, traz também bastante peso nas guitarras; “Black Widow’s Web” avança em um andamento em meio tempo, externando numa destra pegada rítmica e riffs cerrados, tornando-se estrondosos quando chega o refrão. Nela temos as participações das cantoras Alissa White-Gluz (Arch Enemy) – dividindo os seus vocais urrados em dueto com o Lione – e da brasileira Sandy, que inicia e termina a música modulando versos cristalinos.

“Insania” impacta logo de início por seus épicos corais, brindado-nos também com um refrão marcante e grudento. Marcada também pelas guitarras cadenciadas e as variantes levadas de bateria; “The Bottom Of My Soul” liga a elegância do Folk Metal com a carga das guitarras e solos envolventes, ocupada pela agradável voz de Rafael Bittencourt, que a cada dia vem evoluindo como vocalista.


“War Horns” é outra que apresenta ações abundantemente rápidas, usufruindo de fartas variações de tempo, ganhando o reforço de Kiko Loureiro, que esteve na linha de frente da banda por muitos anos, agora um convidado, nos solos; “Caveman” se desenha com substâncias de música brasileira, advindo de um clamoroso ritual, congeminando esses recursos em atmosferas suaves e únicas; “Magic Mirror” particiona timbres que ora são climatizantes e densos, seduzindo pelas transformações líricas do Lione, passando por vocais melódicos aos agressivos; o ar de graça vem à tona em “Always More”, a única balada do disco, permeada por cativantes harmonias doces e românticas.

A faixa título, “ØMNI” ("todas as coisas", em latim, um título simboliza a verdade universal de que tudo que aconteceu, leva ao que a banda é hoje) é dividida em duas partes. A primeira é para a longa peça “Silence Inside”, juntando múltiplos arranjos no que diz respeito à musicalidade da banda, partindo de grandes orquestrações e esmeras linhas de música latina, em perfeita coesão com o lado progressivo dos cinco integrantes. Lione e Rafael se alternam, dando um show de feeling nos vocais. E pra encerrar, “Infinite Nothing” resume todo o disco com lindos arranjos de cordas e orquestrações. Os fãs de “Temple Of Shadows” vão entender o que estou falando.

“ØMNI” mostra que o Angra passa por outro momento positivo de sua carreira, onde as coisas tendem a ficar cada vez melhores se eles manterem essa essência, união e força, independente de quem esteja integrando a banda.

Esperem muitas emoções e surpresas!

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão/informações adicionais: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Angra
Álbum: “ØMNI”
Ano: 2018  - data prevista de lançamento 16 de fevereiro
Estilo: Power/Progressive Metal
Gravadora: Shinigami Records (Nac.)/Ear-Music (Imp.)
Assessoria de Imprensa: Hoffman & O’ Brian


Formação:
Fabio Lione (Vocal)
Marcelo Barbosa (Guitarra)
Rafael Bittencourt (Guitarra/Vocal)
Felipe Andreoli (Baixo)
Bruno Valverde (Bateria)

Track-List
1.    Light of Transcendence
2.    Travelers of Time
3.    Black Widow’s Web (feat. Alissa White-Gluz & Sandy)
4.    Insania
5.    The Bottom of My Soul
6.    War Horns (feat. Kiko Loureiro)
7.    Caveman
8.    Magic Mirror
9.    Always More
10. ØMNI – Silence Inside
11. ØMNI – Infinite Nothing



     


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7 comentários:

Dener Ariani/House of Bootleg disse...

Parabéns Road To Metal e Gabriel Arruda, dando um show de cobertura, simplesmente muito boa.

Marcos Philipe Martins disse...

Nossa, muito ansioso por esse álbum ja, e a resenha aumentou mais ainda a ansiedade, só um comentário sobre o blog, poderiam pensar uma alternativa para fundo e letra, foi tipo muuuuuito difícil ler, por causa das letras brancas.

Anônimo disse...

Estou muito ansioso!

Leonardo Henrique disse...

Rafael vai cantar em quantas musicas ?

Anônimo disse...

Não acho que está ruim de ler por causa das letras brancas. Isto é só uma questão de costume.
Continuem com o ótimo trabalho jornalístico! Abraços, Lucas

Flash disse...

Uma única.

Ronaldo disse...

melhor analise do álbum até agora , parabéns e magic mirror é fantástica