Muitos acreditam que a chave do sucesso é confiar no seu potencial e, costumadamente, com um pouco de boa sorte. Mas é ai que eu pergunto: onde há
sorte se não vamos atrás do que almejamos? E é nessa lição que ligamos o lema
de buscar pelos nossos desejos. No caso dos paulistanos do Armored Dawn, o
trabalho duro premiou-os com o reconhecimento relevante não só na cena Metal nacional,
mas também fora do Brasil, e o tão esperado
segundo álbum, “Barbarians In Black”, será lançado mundialmente via AFM
Records.
Rotulado por muitos de
Viking Metal, o sexteto congrega sua eufonia em carregadas consistências sem
possuir amarras em único vinculo musical. Apesar de toda temática nórdica que
dirige o conceito lírico, “Barbarians In Black” busca fugir dos estereótipos. E esquecem fábulas e fantasias, porque a musicalidade do álbum é
associada às virtudes do Classic Heavy Metal e também do Thrash dentro de uma
moção moderna, resultando em músicas exuberantes e pesadas do começo ao fim.
Habituado a outros gêneros e sem experiências no Heavy
Metal, Kato Khandwala (The Pretty Reckless, Papa Roach) conseguiu condensar a
asserção do grupo através da sua experiência com auxílio do co-produtor Bruno
Agra, mas todo impoluto está presente na mixagem e masterização de Sebastian “Seeb” Levermann, que acertou a mão numa sonoridade
devastadora, garantindo energia e intensidade a cada signo.
A capa tem como figura estampada um soldado bárbaro perdido
num campo obscuro e devastado, epilogando a história passada nas letras na
visceral arte.
Talvez a espera por esse novo registro não cause tanta
apreensão, pois quem compareceu nos últimos shows da banda pode conferir as
faixas em primeira mão. E quem teve a chance de conferir às músicas (executadas
ao vivo) em algumas dessas apresentações podem esperar coisa ainda melhor, pois
“Barbarians In Black” está gananciado de bravura e sangue nos olhos, engajando peso
e harmonia em aglomeradas adições.
Depois de uma introdução nobre e sublime, “Beware The
Dragon” chega pra romper barreiras com riffs cobertos de peso; “Bloodstone” verte um Power Metal agressivo e esmurrado, mas sem
deixar a melodia dos teclados de lado; “Men Of Odin” descende momentos épicos,
apresentando meios climatizantes e mais cadenciados; “Change to Live”
eleva o nível de intensidade, com riffs azedos e vocais ríspidos.
“Eyes
Behind The Crow” surge com linhas profundas, e logo se desperta com guitarras
cadenciadas; “Sail Way” – primeiro single do álbum – é uma balada de encher os
olhos, recebendo 1 milhão de acessos no Youtube com o clip cinematográfico (a AFM postou o vídeo no seu canal do youtube);
“Gods Of Metal” e “Survivor” imprimem características clássicas do Heavy Metal,
dosando bastante groove e melodia nas proporções exatas.
O Armored Dawn firma sua relevância no Metal nacional com um álbum viciante e bárbaro, e que continue correndo este caminho de evolução.
Ainda em ritmo de ‘gostosuras ou travessuras’, procedido pela celebração do Halloween, a noite do dia 1 de novembro, advindo pela véspera de feriado, ferveram os falantes do Tropical Butantã de muito peso e bom som. Quem esteve presente no local teve a experiência e o lazer de apreciar grandes ícones do Metal da atualidade: De La Tierra, Armored Dawn e os novatos do Karburaalcool, contando mais uma vez com a organização do projetoHonorsounds, que trabalha em prol da cultura ligada por meio de ações sociais.
Bandas Convidadas Abrilhantam a Noite
Quase que atrasados (nós, não a banda), pegamos, por volta das 19h30, os primeiros momentos da atração que abria a noite: o Karburaalcool, vencedora do concurso “Bandas Independentes”. Felizmente, perdi somente o começo do show com a “Kaos” e os primeiros minutos da paulada “Seja Bem Vindo”. Composto por Ricardo Girardi (Vocal), Bruno Lima (guitarra), Lucas Mesquita (baixo) e Marcelo Ferri (bateria), a banda arrancou o foco do público presente no momento, que ainda não era muito, com sua mescla de Rock clássico e Heavy Metal.
Devidamente alocados no local, o set prosseguiu com a Thrash “Intolerância”, presente no mais recente disco “Kaos” (2016).“Defeitos Humanos” remeteu às influências de Black Sabbath, onde Ricardo chamou atenção com os vocais cheios de drives e do seu pedestal banhado à prata, adornado por uma inusitada caveira. “Em Busca do Que Se Perdeu” contou com a participação do renomado vocalista Rogério Fernandes (Carro Bomba, ex-Golpe de Estado), e o interessante foi perceber a semelhança de voz dele com a do Ricardo, possuindo timbres idênticos.
A cáustica “Patrulha Social” homenageou o guitarrista Silvio Lopes (King Bird), que esteve presente no show, demonstrando indignação pelas pessoas que pregam idiotices e besteiras nas redes sociais na letra da música. Remetendo a fase inicial da banda, o quarteto, de Presidente Prudente, encerrou o rápido show com a faixa que denomina o grupo, a frenética “Karburaalcool”, do álbum de mesmo nome.
Mesmo com a chegada de algumas pessoas, a casa ainda restava muitos espaços e liberdade para ficar em qualquer canto da pista, pois não havia grades que separasse pista normal e pista premium. E antes do Armored Dawn subir no palco, fãs da banda chamavam a atenção de todos vestidos com as roupas da idade média, temática que a banda carrega desde o começo da carreira. E Eduardo Parras (Vocal), Timo Kaarkoski e Tiago De Moura (Guitarras), Fernando Giovannetti (Baixo), Rafael Agostino (Teclados) e Rodrigo Oliveira (Bateria), encantou os fieis fãs às 20h46 com o repertorio dedicado às músicas do novo álbum, "Barbarians In Black”, há ser lançado em fevereiro do ano que vem.
Depois da triunfante intro, a batalha dos 6 guerreiros foi iniciada com a enérgica “Change to Live Again”, colocando muita dor no pescoço com a visceral “Eyes Behind the Crow”. “Bloodstone” arrancou muita interação no refrão operante. A única falha foi o teclado ter apresentando um volume muito baixo, mas aumentou o grau nas partes finais. A melódica “Men of Sin” parecia fixa na cabeça dos fãs, onde a maioria arriscava cantar os versos da canção sem saber a letras. E o Eduardo sempre levantava os presentes com sua energia.
“Viking Soul” foi a única do atual disco, “Power Of Warrior” (2016), ultrapassando o limite de performance da banda, principalmente do Eduardo, que não poupou as suas cordas vocais para atingir notas mais altas. O solo de baixo do Fernando antecipou a pulsante “Survivor”, que espalhou diversão e calorosas palmas.
A próxima faixa já era conhecida por muitos. Quem costuma ouvir a Kiss Fm deve ter ouvido ela algumas vezes, e a balada “Sail Way” (com 1 milhão de acessos no Youtube) sacou emoção e delírio pelas comovente letra.O desfile de peso e versatilidade não parou em “Gods Of Metal” (não, não é a do Manowar), pondo fim no empolgante show com a azeda “Beware The Dragon”, antecedido pelo requintado solo de teclado de Rafael Agostino.
Chega a Hora da Atração Principal: De La Tierra Incendiando o Palco!
A atração final da noite entrou em ação às 22h12. Divulgando seu segundo álbum, “II”, os latinos do De La Tierra, formado por Andrés Gimenez (Vocal e Guitarra, A.N.I.M.A.L), Andreas Kisser (guitarra, Sepultura), Sr. Flavio (baixo, Los Fabulosos Cadillacs) e Alex Gonzáles (bateria, Maná), estremeceu o Tropical Butantã com o Groove Metal praticado pelo supergrupo. A intro só aumentou a ansiedade, para logo o grupo despejar músicas de cada álbum: a memorável “Maldita Historia”, do primeiro disco, e da cadenciada “Señales”, do mais recente. “Rostros” se destacou pela pegada infernal, ganhando suavidade no refrão e sendo bem recepcionada.
Com muito fôlego e moral, Gimenez deu seus rápidos agradecimentos através do seu portunhol, onde o Andreas ficava tirando onda com o companheiro dizendo que não entendia nada. E com ares de Sepultura que foi a vez de “Valor Interior”, tendo versos cantados em português pelo Andreas. E o próprio se mostrava bastante participativo e intimo com o público.
“San Asesino” balançou a casa, abrindo alas para as
tradicionais rodas e pulos para sacudir o chão. E Sr. Flavio se encaixou
perfeitamente na banda, presenteando a ferocidade do seu baixo com a técnica
coesa de Alex.
A pureza chegou à tona com “Puro”, que programou impacto
e emoção ao mesmo tempo, com as rodas criando diferentes rotações. “Detonar”,
fazendo um trocadilho, detonou tudo com timbres chocantes, emendada pela
carregada “Dois Portais”, voltando a ter aquela mescla de versos castelhanos e
português, além do refrão que alude à música Reggae, partindo para a agressiva
“Somos Uno”.
Dando uma rápida abastecida, Andreas tomou o microfone
para dar um “Boa Noite”, apresentando todos da banda e reativando o ânimo com a
adrenalina “Sin Límites”. A dose de Sepultura reapareceu novamente em “Chaman de
Manaus”, que tem sinais que lembra o álbum “Roots” (1996), utilizando afinações
bem baixas pra dar aquele som mais groovado.
Estando próximo do Bis, Gimenez tomou a frente do palco
novamente para dizer que estava muito feliz em tocar no Brasil, transparecendo
a importância de unir as culturas Latino-Americanas, e mantendo o assunto que o
Andreas perguntou ao argentino de quem é o melhor: Pelé ou Maradona? De maneira
curta, Gimenez logo respondeu: "Messi". Mas também deu créditos ao Neymar. Ainda
na onda do futebol, o argentino saudou todos os Corintianos (deixando o São
Paulino Andreas de cara feia), Palmeirenses e São Paulinos, agradecendo a
presença do amigo e ex-zagueiro da Seleção Argentina, Juan Pablo Sorín, que
estava no palco assistindo o show da banda.Sem querer (ou por brincadeira), Andreas acabou
executando riffs de uma música do Sepultura, mas logo pediu desculpas e começou
a suja e Old School “Ciénagas de Odio”, terminando a primeira part do set com a
canibal “Fome”.
Devidamente repousados, a banda voltou do Bis com um
rápido elogio de Gimenez para a organização do Honorsounds, dizendo que é muito
legal realizar shows com o intuito de arrecadar alimentos e ajudar quem mais
precisa. E sem mais conversas que escarraram os momentos finais da noite com “Sangramos
al Resistir” e “Cosmonauta Quechua”, onde Gimenez largou a
guitarra para se interagir com o público e exaltar seus companheiros de bandas,
indo pro meio da galera no ponto final do show.
Mais uma conquista desse projeto que cresce a cada dia, resultando
em uma noite inesquecível. Pena que o número de público foi abaixo do esperado.
Texto:
Gabriel
Arruda
Fotos:
Dener
Ariani
Edição/Revisão:
Carlos
Garcia
Karburaalcool
1.Kaos
2.Seja
Bem Vindo
3.Intolerância
4.Defeitos
Humanos
5.Em
Busca do Que Se Perdeu (feat. Rogério Fernandes)
Quando uma coisa chama a atenção, prontamente já não esperamos muito para sondar de onde está vindo aquilo.Tratando-se de tradições e culturas típicas de outros países, apelamos a ir atrás de livros, sites, fotos e filmes que nos trazem um aprendizado sobre referido assunto não comum a cultura brasileira. Graças à música é possível criar a sensação de se teletransportar para lugares inimagináveis, usufruindo da etnia medieval com “Power Of Warrior”, dos paulistas do Armored Dawn.
O disco embarca numa história que carrega o clima da Idade Média, nos jogando num circuito de lutas, batalhas e de aventuras relacionadas àquela época, com letras associadas ao que se passava naqueles tempos. E a melhor maneira de entrar nesse mundo é por meio do Heavy Metal, no caso o praticado pelo Armored Dawn, o qual é conduzido por vestígios mais Power, onde guitarra, baixo e bateria exibem o seu poder de classe, agregando timbres fascinantes e pontos carregados de peso, preenchido por vocais graves e agradáveis linhas de teclado, deixando as músicas com uma atmosfera mais clássica.
A produção é dada pelo qualificado Tommy Hansen e do baixista Fernando Giovannetti, onde ambos planearam uma linguagem sonora sofisticada e nítida, instalando primorosas melodias e caminhos mais densos nas suas adequadas etapas, onde todo acabamento final é personificado pelos engenheiros Peter Tägtgren (mixagem) e Jonas Kjellgren (masterização), contribuindo para que a soma final fosse grandiosa. A arte da capa é representada por um guerreiro em forma de um lobo, cabível ao titulo do álbum, incorporando panoramas paradisíacos ao fundo.
É difícil unir a paixão do Heavy Metal com a graça dos antepassados, volvendo combinações que já são de praxe dentro do gênero. Mas a banda consegue impor modulações diferenciadas, basta apreciar o que se passa em cada música e poder mergulhar no contexto através delas. E graças ao Eduardo Parras, após findar o Mad Old Lady, o direcionamento musical ganhou mais integridade e força, e completando o line-up, o baterista Rodrigo Olivera (Korzus) e o guitarrista Timo Kaarkoski, finlandês residido no Brasil.
Abrindo o disco, “Viking Soul” possui bases épicas, o que logo é mostrado na introdução, puxada por riffs em palm mute e boas doses de melodia; “To Blind to See” cinge levadas moderadas, podendo classificar como um Thrash Metal maciço com linhas vocais variantes, que passeiam por elementos graves e limpos; “Prison” introduz um começo "aprisionador", como o próprio nome sugere, mas que depois cresce com fases cadenciadas, perceptíveis nos riffs ganchudos, sincronizados perfeitamente nas partes rítmicas (prestem atenção na interação entre guitarra e bateria).
“My Heart” é uma balada que cabe bem ao vivo, daquelas de levantar o celular durante o show, sustentado pelo feeling dos teclados, elevando o grau com os riffs flexíveis e um solo pomposo; a faixa-título, “Power Of Warrior”, é principiada de nuances triunfantes, prontificada por riffs impactantes e vocais raivosos, embalando de um refrão cantarolante; “Far Away” é aberta com linhas destruidoras de baixo, tornado num versátil Hard Rock pegado e dinâmico, encontrando traços de hammond a-la Jon Lord, recebendo a ordem de partida (com o trem cheio carga) para “Mad Train”.
“King” abrange climas traumatizantes, fardados por vozes coradas e melodias suspensivas; “Someone” engloba tempos trovejantes, juntado pelas guitarras sintetizadas e de envolventes harmonias de teclado, somando as influências de Iron Maiden e Deep Purple numa só música; “William Fly” traz a sensação que o disco foi retrocedido, pois poderia ser facilmente a faixa de abertura pela energia que é transmita, além de haver uma narrativa em português em um dos versos da música.
O Armored Dawn passou facilmente da prova de fogo que é o primeiro disco, expondo melhorias e transformações para uma banda com ideias renovadas e efetivas.
Aguardando as surpresas pro segundo disco, há ser lançado nesse segundo semestre.