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sábado, 28 de junho de 2025

Cobertura de Show: Best Of Blues And Rock – 08/06/2025 – Parque Ibirapuera/SP

O domingo, 8 de junho, amanheceu com céu limpo e uma expectativa vibrante no ar. Foi ao som de soul, funk e brasilidade que o segundo dia do Best of Blues and Rock 2025 deu início a mais uma jornada musical no Parque Ibirapuera.

Quem teve a honra (e a responsabilidade) de abrir os trabalhos foi a poderosa Paula Lima, em um show especial com o projeto batizado de Soul Lee  uma homenagem vibrante, cheia de afeto e atitude à lendária Rita Lee. Com sua voz potente, presença cativante e um repertório que celebrou o legado de Rita com alma e personalidade, Paula transformou a tarde em um ritual de amor à música brasileira.

O setlist trouxe versões cheias de suingue e sofisticação de clássicos como "Agora Só Falta Você" e "Mania de Você", tudo com o tempero próprio de Paula, que costurou cada música com histórias, reverência e energia. Acompanhada por uma banda afiada e dançante, ela deu novo corpo às canções de Rita, sem perder a essência original, a ousadia e a liberdade. Foi uma abertura afetiva e poderosa dessas que já chegam dizendo a que vieram. O festival começou o segundo dia não só celebrando o rock, mas também reconhecendo suas raízes múltiplas, fortes, femininas e cheias de cor.

Quando o céu escureceu, o Barão Vermelho subiu ao palco  e, em segundos, transformou o festival numa máquina do tempo, onde cada riff parecia abrir uma janela para a história do rock brasileiro. Sem cerimônia, a banda chegou com o peso de quem carrega décadas de estrada e a leveza de quem ainda tem muito a dizer. Foi um show que misturou memória e uma energia crua que só o Barão sabe entregar. O público, que já lotava a área diante do palco, respondeu à altura: braços erguidos, olhos brilhando e vozes entregues em cada refrão de "De Puro Êxtase" e "Pro Dia Nascer Feliz".

Como grande fã da banda em todas as suas formações, não poderia estar mais satisfeita: um show vibrante, enérgico e completo. Todos da banda estavam completamente entregues e felizes por estarem ali. Ao final, o Barão provou mais uma vez por que continua relevante mesmo depois de quatro décadas de estrada. Não é só pela história  é pela presença, pela entrega e pela verdade que colocam em cada acorde.

Richard Ashcroft, ex-líder do The Verve, veio para a penúltima apresentação do dia com sua camiseta amarela da Seleção Brasileira de Futebol. A atmosfera do parque mudou assim que os primeiros acordes de "Sonnet" ecoaram. O público, que já havia cantado e dançado o dia inteiro, mergulhou em um estado quase hipnótico, embalado pelas melodias melancólicas e pelas letras carregadas de sentimento.

Entre as faixas de sua carreira solo, como "A Song for the Lovers" e "Break the Night with Colour", e os aguardados clássicos do The Verve, Richard mostrou por que é uma das vozes mais singulares da música alternativa.

Sempre muito carinhoso, Richard parecia mais à vontade no segundo dia: dançava pelo palco, corria, interagia mais com a banda. Sempre segurando o símbolo da camisa com a bandeira do Brasil, beijava, mordia, sempre entusiasmado. Ashcroft encerrou seu show com classe, reverência e alma  sem exageros, sem pressa. Apenas deixando a música falar por si  e ela falou alto.

O segundo dia do Best of Blues and Rock 2025 foi encerrado com uma verdadeira aula de musicalidade e conexão ao vivo. A Dave Matthews Band, um dos nomes mais aguardados do festival, subiu ao palco quando a noite já tomava conta do Parque Ibirapuera  e entregou um show hipnótico, vibrante e emocionalmente expansivo. Logo nos primeiros minutos, ficou claro: não seria apenas uma apresentação, mas uma experiência sonora completa. Com sua formação plural  que une rock, jazz, folk e improvisos virtuosos , a banda guiou o público por um repertório repleto de surpresas, transições inesperadas e momentos de pura contemplação.

Clássicos como "Don’t Drink the Water" surgiram em versões estendidas, com solos criativos e interações espontâneas entre os músicos. O palco virou um organismo vivo, em constante transformação, com cada integrante trazendo sua identidade para o coletivo  do violino ao saxofone, da percussão ao groove do baixo.

Dave Matthews, sempre carismático em sua simplicidade, falou com o público com o sotaque arrastado e o sorriso tímido que o tornaram um ícone. Fez piadas, interagiu com o público, e suas expressões faciais marcaram o show do começo ao fim.

Em algumas músicas, as pessoas dançavam de olhos fechados, como se estivessem em outro tempo. Em outras, batiam palmas em uníssono, criando momentos coletivos de arrepiar. Houve até um cover de "Just Breathe", do Pearl Jam – e, na minha opinião, eles podiam gravar e lançar essa versão. Ficou incrível e emocionante!

A Dave Matthews Band encerrou o primeiro final de semana do festival não com uma explosão, mas com uma elevação. Um final que não gritou  sussurrou alto. Um encerramento à altura de dois dias intensos de música e emoção. Um lembrete de que, no fim das contas, o que fica é aquilo que toca fundo  como só a música ao vivo consegue fazer

Texto: Mayara Dantas

Fotos: Mariana Dantas 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dançar Marketing 

Press: Marra Comunicação


Barão Vermelho – setlist:

Maior Abandonado

Por que A Gente é Assim?

Bete Balanço

Tente Outra Vez (Raul Seixas cover)

Pense e Dance

O Tempo Não Para (Cazuza cover)

Meus Bons Amigos

Down em Mim (Cazuza cover)

Por Você

Codinome Beija-Flor (Cazuza cover)

Malandragem Dá Um Tempo (Bezerra da Silva cover) 

Puro Êxtase

Amor pra Recomeçar (Frejat cover ) 

Pro Dia Nascer Feliz


Richard Ashcroft - setlist:

Weeping Willow

Music Is Power

Lover

Sonnet

Break the Night With Colour

The Drugs Don't Work

Lucky Man

Bitter Sweet Symphony


Dave Matthews Band - setlist: 

Warehouse

Dancing Nancies

The Best of What's Around

Why I Am

Lie in Our Graves (com "Wonderful Tonight")

Pantala Naga Pampa

Pig

Rapunzel

Lover Lay Down

Idea of You

#41 (feat Gabriel Grossi)

Say Goodbye

The Space Between

Madman's Eyes

Crush

Grey Street

All Along the Watchtower (Bob Dylan cover) (com "Stairway to Heaven" )

Bis

Just Breathe (Pearl Jam cover)

Two Step

Cobertura de Show: Best Of Blues And Rock – 07/06/2025 – Parque Ibirapuera/SP

Nem o frio e a chuva típicos de junho conseguiram esfriar os ânimos do público que lotou o Parque Ibirapuera no primeiro fim de semana do festival.

Entre riffs históricos e novos talentos promissores, o evento provou mais uma vez por que é um dos grandes marcos do calendário musical brasileiro. Um festival cheio de atitude  das bandas ao público presente – que não deixou a desejar quando o assunto é entretenimento de qualidade e música boa.

E não poderia haver escolha melhor para dar o pontapé inicial do que a Cachorro Grande. A banda gaúcha, conhecida por sua energia crua e potente, subiu ao palco com a missão de abrir o festival – e fez isso com a maestria de quem conhece bem o rock’n’roll. Foi uma entrada com o pé na porta: distorção no talo, carisma no palco e um repertório que fez até os mais jovens cantarem junto. Com hits como "Você Me Faz Continuar" e "Sinceramente", o grupo entregou um show vibrante e nostálgico, emocionando fãs antigos e reacendendo o espírito garageiro que marcou sua trajetória. A apresentação não só matou a saudade, como também provou que o rock nacional segue pulsando forte.

O céu de São Paulo escurecia e a temperatura caía, mas o clima no Parque Ibirapuera esquentava na mesma proporção  muito por conta da chegada de Richard Ashcroft ao palco. O ex-líder do The Verve, uma das vozes mais emblemáticas do britpop, entregou um show memorável, carregado de emoção, presença de palco e aquele toque agridoce que só ele sabe dosar.

Vestido com sua jaqueta característica e óculos escuros – que já se tornaram quase uma extensão da persona , Ashcroft conduziu o público por uma viagem intensa entre o lirismo melancólico e a grandiosidade sonora que marcaram sua carreira. Hits como "Sonnet", "Break the Night with Colour" e, claro, "Lucky Man" arrancaram coros apaixonados da multidão, que entoava cada verso como uma oração.

Um detalhe que chamou a atenção de muitos foi a camisa que Richard escolheu para o show: nada menos que uma camiseta do grande Ayrton Senna – uma bela homenagem aos fãs brasileiros, e que funcionou muito bem.

Sem surpresas, veio "Bitter Sweet Symphony". Quando os primeiros acordes ecoaram pelo parque, o público se transformou em um coral de milhares de vozes. Foi um daqueles momentos raros e intensos em que artista e plateia se fundem – uma catarse coletiva que, por si só, justificou o valor do ingresso (ainda que muito criticado). Na coletiva de imprensa, Richard comentou que gostaria de voltar ao Brasil em um show solo, pois, em festivais, não consegue ter noção do tamanho de sua base de fãs. Espero que ele realmente volte – e veja que tem muitos fãs ansiosos esperando por esse retorno. E posso afirmar: esta que vos fala é uma dessas pessoas.

Após uma sequência de grandes nomes, coube à Dave Matthews Band a missão de encerrar o primeiro dia do Best of Blues and Rock 2025.

Com seu formato único – que mistura rock, jazz, folk e improvisos quase psicodélicos , o grupo liderado por Dave Matthews entregou uma performance hipnótica e envolvente, fazendo o público oscilar entre momentos de pura contemplação e explosões de euforia. Confesso que não sabia que a banda tinha fãs tão fiéis e comprometidos! Conheci e conversei com gente de todos os cantos: membros de fã-clubes, casais que tiveram o relacionamento marcado pela banda, famílias inteiras... Foi uma das coisas mais lindas de se ver.

Canções como "Crash Into Me", "Walk Around the Moon" e "Ants Marching" ganharam longas passagens instrumentais e solos inspirados, evidenciando a absurda sintonia entre os músicos. Com seu carisma tranquilo e falas entre músicas que misturavam gratidão e brincadeiras com o público brasileiro, Dave parecia completamente à vontade. Ele realmente é muito carismático  e ainda contou com uma participação especial de um gaitista brasileiro Gabriel Grossi emocionando a plateia.

O encerramento veio sem pressa – como é típico da banda , com longos aplausos e aquele sentimento coletivo de não querer que acabe, fazendo com que todos aproveitassem cada segundo e ouvissem cada instrumento sem pressa.

A Dave Matthews Band não apenas fechou a noite: deixou uma assinatura musical delicada e poderosa no festival. Um final digno de um primeiro dia que foi, do começo ao fim, um tributo ao poder atemporal da música ao vivo. Um show que valeu cada minuto e cada centavo do ingresso. Foi um encerramento potente e emblemático  e uma escolha certeira ter a banda como headliner nos dois primeiros dias do Best of Blues and Rock.

OBS: O show do Vitor Kley não foi incluído nesta resenha por não estar alinhado à linha editorial do site.


Texto: Mayara Dantas

Fotos: Mariana Dantas

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dançar Marketing 

Press: Marra Comunicação


Richard Ashcroft – setlist: 

Sonnet

Space and Time

Weeping Willow

A Song for the Lovers

Break the Night With Colour

The Drugs Don't Work

Lucky Man

Bitter Sweet Symphony


Dave Matthews Band – setlist:

Don't Drink the Water

So Much to Say

Anyone Seen the Bridge

Too Much

You Never Know

Grace Is Gone

Satellite

Walk Around the Moon

You Might Die Trying

Gravedigger

What Would You Say (feat. Gabriel Grossi)

Crash Into Me

Jimi Thing

Everyday

Typical Situation

You & Me

Shake Me Like a Monkey

Tripping Billies

Bis

Peace on Earth

Ants Marching