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terça-feira, 26 de agosto de 2025

Cobertura de Show: The Aristocrats – 22/08/2025 – Carioca Club/SP

 The Aristocrats retorna ao Brasil com técnica e humor no Carioca Club

Na sexta-feira, 22 de agosto, o Carioca Club, em Pinheiros, recebeu a volta do The Aristocrats ao Brasil após quase dez anos de ausência. O trio formado por Guthrie Govan (guitarra), Bryan Beller (baixo) e Marco Minnemann (bateria) trouxe a The Duck Tour para São Paulo em uma noite que mesclou virtuosismo, improviso, histórias curiosas e muito carisma no palco. A produção foi assinada pela Sellout Tour.

O público compareceu em peso. A casa estava cheia, embora não lotada, e a presença de tantos fãs evidenciou a força de uma banda instrumental que, mesmo fora do circuito mais conhecido, conquistou uma base fiel no país.

O repertório privilegiou o novo álbum Duck, lançado em 2024, com faixas como Hey, Where’s My Drink Package?, Aristoclub e Sittin’ With a Duck on a Bay. Também houve espaço para músicas do trabalho anterior, You Know What...? (2019), e para composições já consagradas, como Get It Like That e Desert Tornado.

Entre uma execução impecável e outra, a banda manteve constante diálogo com o público. Bryan Beller contou, por exemplo, a história por trás de The Ballad of Bonnie and Clyde. Após o fim de uma turnê pela América do Sul, teve instrumentos roubados nos Estados Unidos. Embora a polícia tenha prendido os responsáveis, nada foi recuperado, e dessa experiência nasceu a faixa. O público reagiu com vaias aos “bandidos” e risos diante do bom humor do baixista, que transformou uma perda em memória compartilhada.

O momento mais arrebatador da noite veio com o solo de bateria de Marco Minnemann, que emocionou ao misturar técnica, força e musicalidade, chegando a inserir a icônica 20th Century Fox Fanfare em meio à sua performance.

O The Aristocrats é reconhecido por seu ecletismo. Do rock progressivo ao jazz fusion, passando por pitadas de heavy metal e referências ao humor de Frank Zappa, o trio costura estilos de maneira natural, sem esforço aparente. A mistura, que poderia soar cerebral em outras mãos, ganha leveza e se apresenta como pura diversão.

Formada em 2011, a banda nasceu quase por acaso em uma jam session durante a NAMM Show, em Anaheim. De lá para cá, construiu uma discografia que reflete a soma das influências individuais dos três músicos, que já dividiram palco com nomes como Steve Vai, Joe Satriani, King Crimson e Steven Wilson. Ainda assim, suas composições são sempre apresentadas como “músicas dos Aristocrats”, com identidade própria e espaços abertos para improvisos.

Comparado à última passagem por São Paulo, quase dez anos atrás, o retorno mostrou um público maior e mais engajado. Quem saiu de casa em plena sexta-feira encontrou um espetáculo de altíssimo nível, divertido e inspirador. A noite transcendeu o virtuosismo, revelando a música em sua expressão mais livre e inventiva.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Sellout Tour 



The Aristocrats – setlist:

Swan's Splashdown (Perrey & Kingsley cover) 

Hey, Where’s My Drink Package?

Aristoclub

Sgt. Rockhopper

Sittin’ With a Duck on a Bay

Spanish Eddie

The Ballad of Bonnie and Clyde

Flatlands

Here Come the Builders

This Is Not Scrotum

Get It Like That

Desert Tornado

sábado, 28 de junho de 2025

Cobertura de Show: Best Of Blues And Rock – 07/06/2025 – Parque Ibirapuera/SP

Nem o frio e a chuva típicos de junho conseguiram esfriar os ânimos do público que lotou o Parque Ibirapuera no primeiro fim de semana do festival.

Entre riffs históricos e novos talentos promissores, o evento provou mais uma vez por que é um dos grandes marcos do calendário musical brasileiro. Um festival cheio de atitude  das bandas ao público presente – que não deixou a desejar quando o assunto é entretenimento de qualidade e música boa.

E não poderia haver escolha melhor para dar o pontapé inicial do que a Cachorro Grande. A banda gaúcha, conhecida por sua energia crua e potente, subiu ao palco com a missão de abrir o festival – e fez isso com a maestria de quem conhece bem o rock’n’roll. Foi uma entrada com o pé na porta: distorção no talo, carisma no palco e um repertório que fez até os mais jovens cantarem junto. Com hits como "Você Me Faz Continuar" e "Sinceramente", o grupo entregou um show vibrante e nostálgico, emocionando fãs antigos e reacendendo o espírito garageiro que marcou sua trajetória. A apresentação não só matou a saudade, como também provou que o rock nacional segue pulsando forte.

O céu de São Paulo escurecia e a temperatura caía, mas o clima no Parque Ibirapuera esquentava na mesma proporção  muito por conta da chegada de Richard Ashcroft ao palco. O ex-líder do The Verve, uma das vozes mais emblemáticas do britpop, entregou um show memorável, carregado de emoção, presença de palco e aquele toque agridoce que só ele sabe dosar.

Vestido com sua jaqueta característica e óculos escuros – que já se tornaram quase uma extensão da persona , Ashcroft conduziu o público por uma viagem intensa entre o lirismo melancólico e a grandiosidade sonora que marcaram sua carreira. Hits como "Sonnet", "Break the Night with Colour" e, claro, "Lucky Man" arrancaram coros apaixonados da multidão, que entoava cada verso como uma oração.

Um detalhe que chamou a atenção de muitos foi a camisa que Richard escolheu para o show: nada menos que uma camiseta do grande Ayrton Senna – uma bela homenagem aos fãs brasileiros, e que funcionou muito bem.

Sem surpresas, veio "Bitter Sweet Symphony". Quando os primeiros acordes ecoaram pelo parque, o público se transformou em um coral de milhares de vozes. Foi um daqueles momentos raros e intensos em que artista e plateia se fundem – uma catarse coletiva que, por si só, justificou o valor do ingresso (ainda que muito criticado). Na coletiva de imprensa, Richard comentou que gostaria de voltar ao Brasil em um show solo, pois, em festivais, não consegue ter noção do tamanho de sua base de fãs. Espero que ele realmente volte – e veja que tem muitos fãs ansiosos esperando por esse retorno. E posso afirmar: esta que vos fala é uma dessas pessoas.

Após uma sequência de grandes nomes, coube à Dave Matthews Band a missão de encerrar o primeiro dia do Best of Blues and Rock 2025.

Com seu formato único – que mistura rock, jazz, folk e improvisos quase psicodélicos , o grupo liderado por Dave Matthews entregou uma performance hipnótica e envolvente, fazendo o público oscilar entre momentos de pura contemplação e explosões de euforia. Confesso que não sabia que a banda tinha fãs tão fiéis e comprometidos! Conheci e conversei com gente de todos os cantos: membros de fã-clubes, casais que tiveram o relacionamento marcado pela banda, famílias inteiras... Foi uma das coisas mais lindas de se ver.

Canções como "Crash Into Me", "Walk Around the Moon" e "Ants Marching" ganharam longas passagens instrumentais e solos inspirados, evidenciando a absurda sintonia entre os músicos. Com seu carisma tranquilo e falas entre músicas que misturavam gratidão e brincadeiras com o público brasileiro, Dave parecia completamente à vontade. Ele realmente é muito carismático  e ainda contou com uma participação especial de um gaitista brasileiro Gabriel Grossi emocionando a plateia.

O encerramento veio sem pressa – como é típico da banda , com longos aplausos e aquele sentimento coletivo de não querer que acabe, fazendo com que todos aproveitassem cada segundo e ouvissem cada instrumento sem pressa.

A Dave Matthews Band não apenas fechou a noite: deixou uma assinatura musical delicada e poderosa no festival. Um final digno de um primeiro dia que foi, do começo ao fim, um tributo ao poder atemporal da música ao vivo. Um show que valeu cada minuto e cada centavo do ingresso. Foi um encerramento potente e emblemático  e uma escolha certeira ter a banda como headliner nos dois primeiros dias do Best of Blues and Rock.

OBS: O show do Vitor Kley não foi incluído nesta resenha por não estar alinhado à linha editorial do site.


Texto: Mayara Dantas

Fotos: Mariana Dantas

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dançar Marketing 

Press: Marra Comunicação


Richard Ashcroft – setlist: 

Sonnet

Space and Time

Weeping Willow

A Song for the Lovers

Break the Night With Colour

The Drugs Don't Work

Lucky Man

Bitter Sweet Symphony


Dave Matthews Band – setlist:

Don't Drink the Water

So Much to Say

Anyone Seen the Bridge

Too Much

You Never Know

Grace Is Gone

Satellite

Walk Around the Moon

You Might Die Trying

Gravedigger

What Would You Say (feat. Gabriel Grossi)

Crash Into Me

Jimi Thing

Everyday

Typical Situation

You & Me

Shake Me Like a Monkey

Tripping Billies

Bis

Peace on Earth

Ants Marching

domingo, 22 de setembro de 2013

Wael Daou: História dos Grandes Conquistadores Através da Música Instrumental


Um disco temperamental, instigante e variado. É isso que você encontrará no EP de estreia do guitarrista e compositor Wael Daou, que acabou de lançar de forma independente  "Ancient Conquerors".

Muitos podem pensar, e com certa razão, que discos de guitarristas são em muitas vezes chatos e enfadonhos, pois priorizam a técnica e não o feeling e muito menos se preocupam com a estrutura musical, se vai estar agradável ou não, ou simplesmente fazer música só para outros músicos (saudade da época grandiosa de Joe Satriani), mas o que Wael apresenta é algo diferente dos padrões, claro que ele é dotado de uma técnica invejável, porem sua prioridade não é o exibicionismo, mas sim o sentimento que a música irá passar.

"Ancient Conquerors" é bem variado e muda a todo instante, é um disco temático, onde cada faixa representa um dos grandes conquistadores da história contemporânea da humanidade, trazendo diversas influências e muita musicalidade. Influências essas que vão do Jazz ao Fusion e que se entrelaçam com o Heavy Metal.

A produção do disco está em um bom nível, em alguns momentos parece estar seca demais, algo que pode ser melhorado nos próximos lançamentos, mas tudo soa audível e equilibrado. A parte gráfica é um show a parte, méritos de Gustavo Sazes, fazendo uma belíssima capa, que condiz com o tema do álbum, e um encarte que a completa perfeitamente.


Musicalmente é um excelente trabalho instrumental, prezando pela emoção das composições, deixando-as com vida própria, como no caso de "Genghis Khan Rise", que abre o disco de forma agressiva e atemporal, trazendo destaque nos riffs e com baixo/bateria soando coeso e pesado, e chegando nos solos que prezam pelo feeling e não pela técnica exagerada.

"Salah El Dine Arabe" já muda totalmente, com seus acordes árabes que dividem espaço com pianos e violinos, numa faceta mais cadenciada e com solos envolventes, que ao decorrer ganha maior velocidade, mas se mantendo grandiosa; "Atilla the Hun" muda novamente o rumo do EP, deixando a guitarra de lado e ganhando destaque os demais instrumentos, tornando-se hipnótica; O épico "Xerxes I Fallen" (com seus mais de nove minutos), volta os holofotes à guitarra, com solos muito bem construídos, mostrando boa técnica e com um andamento ora cadenciado, ora mais rápido; Em "Domitian" temos um excelente duo de guitarra-teclado e um clima mais "alegre" e melodioso; e fechando os trabalhos a mais virtuosa "Hiram I", onde Wael mostra toda sua técnica, dando destaque as seis cordas de sua guitarra.

Um disco instrumental atípico, mostrando um bom diferencial, com composições fortes e marcantes. Mais uma grata surpresa, que tem tudo para ganhar reconhecimento além do território nacional.



Texto: Renato Sanson
Revisão:Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Ficha Técnica
Banda/Músico: Wael Daou
EP: Ancient Conquerors
Ano: 2013
Estilo: Música Instrumental


Formação:
Wael Sami Daou (Guitarra/Programação de Bateria)
Marcos Saraiva (Baixo)



Tracklist:
01 Genghis Khan Rise
02 Salah El Dine Arabe
03 Atilla the Hun
04 Xerxes I Fallen
05 Domitian
06 Hiram I


Acesse e conheça mais o músico: