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sábado, 12 de setembro de 2026

Cobertura de Show: Bloodbath, The Haunted, NervoChaos & Warshipper – 08/09/2026 – Carioca Club/SP

Warshipper, NervoChaos, The Haunted e Bloodbath em uma noite para entrar na história do metal extremo

A terça-feira começou diferente. Mesmo depois de um feriado prolongado, o relógio parecia correr em outra velocidade para quem sabia que, ao final daquele dia, algumas horas de sono seriam um preço pequeno diante do que estava por vir. O trabalho aconteceu com aquela sensação boa de contagem regressiva: havia uma noite histórica esperando no Carioca Club, em São Paulo. E, quando as luzes começaram a se apagar, a impressão era de que o dia finalmente tinha começado de verdade.

No palco, quatro nomes de pesos e momentos distintos da história do metal extremo se encontrariam. Warshipper, NervoChaos, The Haunted e Bloodbath construíram, cada um à sua maneira, uma noite que atravessou gerações, estilos e diferentes capítulos do Death Metal. O resultado foi um Carioca Club progressivamente tomado por fãs, rodas de mosh, gritos e uma energia que fez daquela terça-feira, 8 de setembro, muito mais do que uma simples data no calendário de shows.

Warshipper abre a noite olhando para o futuro

Ainda no início da noite, o Warshipper subiu ao palco diante de uma casa que ainda ganharia bastante movimento nas horas seguintes. Isso, porém, não diminuiu a intensidade da apresentação. Pelo contrário. A banda aproveitou cada minuto para mostrar por que ocupa um espaço importante na nova geração do metal extremo brasileiro.

O repertório passou por faixas como “All Hail The Metal of Death”, “Numb (Pleasures of Possession)”, “Shadows of Science”, “Respect!” e “Warshipper”, equilibrando agressividade, precisão e uma execução que nunca pareceu interessada em transformar técnica em demonstração vazia. A força do grupo está justamente nessa capacidade de fazer os instrumentos trabalharem a favor das músicas, mantendo o peso como elemento central.

Com 15 anos de carreira, quatro álbuns e experiências internacionais no currículo, o Warshipper atravessa um momento de maturidade. E isso ficou evidente no palco. A apresentação também funcionou como uma espécie de cartão de visitas para a próxima etapa da banda, que se prepara para o lançamento de mais um álbum. Se o objetivo era deixar uma prévia do que vem pela frente, a missão foi cumprida.

NervoChaos transforma três décadas de história em combustível

Se o Warshipper representou a força de uma geração que continua expandindo os limites da cena nacional, o NervoChaos entrou em cena para lembrar que existe uma história construída à base de persistência, estrada e caos. Celebrando 30 anos de carreira, a banda trouxe ao Carioca Club uma apresentação que não precisou recorrer à nostalgia para reafirmar sua relevância.

“Necroccult”, “Demonic Juggernaut”, “Ritualistic”, “Pazuzu Is Here” e “Total Satan” abriram caminho para uma sequência de músicas que percorreu diferentes momentos da trajetória do grupo. O repertório avançou por “Dragged to Hell”, “Feast of Cain”, “Shadows of Destruction”, “The Mark of the Beast”, “For Passion Not Fashion”, “Moloch Rise” e “To the Death”, mantendo a atmosfera brutal que acompanha o NervoChaos há três décadas.

E talvez seja justamente essa permanência que melhor defina a apresentação. Enquanto muita coisa muda ao redor, a banda segue encontrando maneiras de transformar peso em identidade. 

The Haunted: 18 anos depois, a espera finalmente termina

Particularmente para mim, havia um motivo a mais para esperar por aquela terça-feira. Entre todos os momentos programados para aquela noite, o show do The Haunted era, sem dúvida, o mais aguardado. Eu havia esperado muito tempo para ver Ola Englund pessoalmente. E existe uma diferença enorme entre acompanhar o trabalho de um músico, admirar sua técnica, consumir seu conteúdo e, finalmente, estar diante dele no palco.

Quando o The Haunted entrou em cena, essa espera deixou de ser expectativa e virou realidade. Foram 18 anos desde a última passagem da banda pelo Brasil. Dezoito anos são tempo suficiente para uma geração inteira descobrir uma banda, crescer ouvindo seus discos e, finalmente, ter a oportunidade de vê-la ao vivo. Por isso, o retorno carregava um significado que ia além de uma simples turnê internacional.

“Warhead” abriu o caminho para uma apresentação que atravessou diferentes fases da carreira, passando por “In Fire Reborn”, “99”, “Trespass”, “The Flood”, “The Medication”, “D.O.A.” e “Time (Will Not Heal)”. A banda também revisitou material mais recente, incluindo músicas de Songs of Last Resort, lançado em 2025, antes de avançar por “Hell Is Wasted on the Dead”, “To Bleed Out”, “No Compromise”, “In Vein” e “Death to the Crown”.

Marco Aro foi uma espécie de ponte permanente entre palco e pista. A comunicação com o público era constante, mas não se resumia a frases de efeito. Os pedidos para que as rodas de mosh se abrissem ajudaram a transformar a apresentação em uma experiência coletiva, enquanto Patrik Jensen, Ola Englund e Jonas Björler mantinham uma interação visual constante com a plateia.

E então existe a guitarra. Conhecido também pelo trabalho como criador de conteúdo sobre guitarra e como fundador da Solar Guitars, Ola ocupa um lugar que ultrapassa o universo do The Haunted. Para quem acompanha esse trabalho, observar de perto suas Solar em ação acrescenta uma camada completamente diferente à experiência. Naquela noite, porém, era o guitarrista do The Haunted que estava diante do público brasileiro. E ele entregou exatamente o que se esperava: presença, precisão e uma sonoridade que se encaixou perfeitamente na brutalidade da banda.

Ao lado dele, Jensen e Björler ajudaram a construir uma parede sonora que encontrou em Adrian Erlandsson seu motor. A bateria veio precisa, pesada e incansável, especialmente nos momentos em que os blast beats tomaram conta do Carioca Club.

Depois de “Undead”, “Hollow Ground”, “Dark Intentions”, “Bury Your Dead”, “Hate Song” e “All Against All”, “Bullet Hole” encerrou uma apresentação que não pareceu simplesmente cumprir a promessa de um retorno. Ela respondeu aos 18 anos de espera.

O mais bonito talvez tenha sido perceber que não havia apenas uma geração diante do palco. Havia quem tivesse esperado quase duas décadas por aquele reencontro e havia quem estivesse descobrindo o The Haunted naquele exato momento. A banda conseguiu fazer esses públicos diferentes ocuparem o mesmo espaço, cantarem juntos e dividirem a mesma pista.

Bloodbath e a estreia que São Paulo esperou

Se o The Haunted transformou uma espera antiga em realidade, o Bloodbath tinha uma missão ainda mais inédita: fazer sua primeira apresentação no Brasil.

O palco mergulhou em uma atmosfera mais sombria. As luzes predominantemente vermelhas ajudaram a construir o cenário perfeito para o Death Metal old school da banda, que chegou ao país com uma formação de peso: Nick Holmes, Anders Nyström, Martin “Axe” Axenrot e Joakim Antman.

E a banda não economizou. “So You Die” abriu o repertório, seguido por “Breeding Death”, “Carved”, “Soul Evisceration”, “Like Fire” e “Outnumbering the Day”. A apresentação avançou por “Putrefying Corpse”, “Cancer of the Soul”, “Brave New Hell”, “Mock the Cross”, “Fleischmann”, “Let the Stillborn Come to Me” e “Cry My Name”, mantendo uma combinação de brutalidade, atmosfera e precisão que fez jus à reputação construída pelo grupo.

Nick Holmes conduziu a apresentação com a experiência de quem sabe exatamente como ocupar um palco, enquanto Martin Axenrot se destacou pela precisão, especialmente nos momentos em que os blast beats aceleravam ainda mais a intensidade da apresentação. Em determinado momento, até um avião de papel feito com o setlist acabou voando em direção ao público, uma pequena interação que contrastou com a atmosfera fúnebre construída pela banda.

Para fechar a primeira passagem pelo país, “Eaten” não poderia ser uma escolha mais simbólica. A música colocou um ponto final em uma noite que já havia atravessado três décadas de metal brasileiro, um retorno esperado por 18 anos e, finalmente, uma estreia internacional aguardada por tantos fãs.

Uma noite que pertenceu ao metal extremo

No fim, a noite não precisou de grandes discursos para provar sua importância. Bastaram quatro bandas em momentos completamente diferentes de suas trajetórias, um público disposto a enfrentar uma terça-feira para estar ali e um palco que, durante algumas horas, concentrou diferentes gerações do metal extremo.

O mais interessante é que cada apresentação deixou uma marca diferente: o Warshipper apontando para frente, o NervoChaos carregando três décadas nas costas, o The Haunted finalmente desfazendo uma espera de 18 anos e o Bloodbath fazendo aquilo que ainda não havia feito: tocar no Brasil.

E talvez seja justamente essa a melhor medida de uma noite como essa. Não sair do Carioca Club pensando que viu quatro shows, mas perceber, horas depois, que assistiu a quatro momentos que dificilmente voltam a se repetir da mesma maneira.

Texto: Stephanie Ferreira

Fotos: André Tavares


Realização: Tumba Productions 


Bloodbath – setlist:

So You Die

Breeding Death

Carved

Soul Evisceration

Like Fire

Outnumbering the Day

Putrefying Corpse

Cancer of the Soul

Brave New Hell

Mock the Cross

Fleischmann

Let the Stillborn Come to Me

Bis 

Cry My Name

Eaten


The Haunted – setlist:

Warhead

In Fire Reborn

99

Trespass

Interlude

The Flood

The Medication

D.O.A.

Time (Will Not Heal)

Hell Is Wasted on the Dead

To Bleed Out

Interlude

No Compromise

In Vein

Death to the Crown

Undead

Hollow Ground

Dark Intentions

Bury Your Dead

Hate Song

Bis

All Against All

Bullet Hole

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cobertura de Show: Sanctuary – 30/08/2026 – Burning House/SP

Quando uma banda de metal dos anos 80 pisa no Brasil pela primeira vez, o evento pode ser considerado um marco histórico para o público que conseguiu presenciar aquele acontecimento. Foi isso que aconteceu no Burning House com a colaboração da Dark Dimensions ao trazer pela primeira vez o Sanctuary, lotando a casa e proporcionou uma noite memorável para os fãs após 40 anos de espera.

Não teve banda de abertura, mas poderiam ter encaixado alguém do underground como aconteceu em outros; sendo assim, o foco ficou voltado totalmente para o quinteto e o vocalista Joseph Michael (primo de Ronnie James Dio) que assumiu a difícil missão de substituir Warrel Dane (vocalista fundador falecido em 2017), foi essencial para celebrar toda atenção na continuidade consagrada da banda para quase uma geração inteira que acompanhava os clipes na falecida MTV nos anos 90 entre os discos Refuge Denied (1987) e Into the Mirror Black (1989).

O show abre com problemas na sonorização do microfone em “Arise and Purify” e “Frozen” do terceiro e último disco com Warrel Dane, “The Year The Sun Died (2014), o que não interferiu na performance da banda no palco e logo foi resolvido durante a apresentação. De cara, já se percebia o entusiasmo do palco e público, o som estava excelente vindo dos PAs, as guitarras de Lenny Rutledge – da formação original – e Will Wallner estavam bem pesadas com aquele som cadenciado característico de Heavy/Thrash Metal que a banda executava no passado ficou ainda melhor ao vivo. O baixista e também veterano George Hernandez ficou bem à vontade e impôs o baixo palhetado latente fazendo uma cozinha perfeita com o baterista Dave Budbill. Canhoto, descia o braço com mão pesada, também da formação original e se mostrando em plena forma durante todo o show.

Seguindo com “Die for My Sins”, “Seasons of Destruction” e “Veil of Disguise”, o vocalista Joseph Michael mostrou que não há dúvidas de estar entre um dos melhores vocais da atualidade no compromisso e continuidade na vida sonora do Sanctuary, manteve o timbre e agudos bem difíceis de serem executados ao vivo na afinação original das músicas, distribui carisma, conversou e cumprimentou por várias vezes o público, tomou vinho no palco junto com os integrantes e manteve sua voz com timbre muito parecido com o saudoso Warrel Dane. A expectativa em ouvir os clássicos “Future Tense” e “Taste Revenge” (cantada pelo público do começo ao fim) e “Long Since Dark” conectou todos com algo que vivemos no passado quando escutamos essas músicas pela primeira vez a exaustão com os amigos e cds emprestados (obrigado Luiz por dias memoráveis).


E pra surpresa de todos, um cover de “Breathe”, do Pink Floyd, colocou outro astral na casa mostrando um lado da banda com maestria e olhos atentos a cada detalhe da música e digna de aplau-sos. Momento especial que leva a banda de um extremo ao outro sem perder o respeito com os fãs numa homenagem a um clássico da música global. É algo que falta nas bandas de hoje, tocarem pelo menos um cover de alguém que os representam, que fica na memória e que eleva a qualidade musical de todos os integrantes; ainda embalaram com “White Rabbit”, do Jefferson Airplane.

Fecharam com “Soldiers of Steel” de supressa, mas não estava mais no local pois as luzes e o som mecânico haviam sido ligados sinalizando que havia acabado o show e dezenas de pessoas perderam essa música ao sair.

O Sanctuary deixou um exemplo de várias situações boas ao saímos do show, abre uma nova etapa da sua carreira no Brasil de forma grandiosa e reconhecimento merecido ao logo de todas essas décadas. Parecia que já estiveram aqui por várias vezes da forma como o show foi acontecendo. O memorável Warrel Dane foi lembrado por todos, cantado por todos e com certeza nunca será esquecido, tanto no Sanctuary quanto na carreira grandiosa do Nevermore. Exemplos corajosos assim de levar a continuidade a um legado tão brilhante dão oportunidade para os fãs resgatarem algo que viveram em algum momento de suas vidas, por isso Metal é tão generoso nessa empreitada de continuar a história para novos seguidores, novos ouvintes e novos amantes da música pesada. Tentar continuar é uma lição que o palco mostra para as pessoas que seguir em frente independente das mudanças que aconteceram no caminho, é a decisão mais consciente quando temos. 


Texto: Roberto Bertz



Realização: Dark Dimensions

Press: JZ Press


Sanctuary – setlist:

Arise and Purify

Frozen

Die for My Sins

Seasons of Destruction

Veil of Disguise

Future Tense

Taste Revenge

Long Since Dark

Epitaph

The Mirror Black

Breathe (Pink Floyd cover)

White Rabbit (Jefferson Airplane cover)

Battle Angels

Not of the Living

The Year the Sun Died

Bis

Soldiers of Steel

sábado, 22 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Swallow The Sun – 11/08/2026 – Hangar 110/SP

Na noite de 11 de agosto, o Hangar 110, em São Paulo, recebeu a terceira passagem do Swallow the Sun pelo Brasil, um dos nomes mais respeitados do doom/death metal finlandês, em uma apresentação marcada pela atmosfera sombria, introspectiva e profundamente melancólica. Um bom público compareceu para prestigiar a banda durante a passagem da turnê Shining Over Latin America e encontrou um espetáculo que privilegiou a música e a ambientação em detrimento da interação direta. Formado em Jyväskylä, em 2000, o grupo construiu, ao longo de mais de duas décadas, uma identidade baseada na combinação entre peso, melodia e atmosferas densas, características que se mostraram especialmente fortes ao vivo.

Com Mikko Kotamäki (vocal), Juha Raivio (guitarra), Juho Räihä (guitarra), Matti Honkonen (baixo) e Juuso Raatikainen (bateria) no palco, a apresentação teve início com "Innocence Was Long Forgotten", faixa do álbum Shining, de 2024, estabelecendo imediatamente o clima que dominaria toda a noite. Sem grandes discursos ou tentativas de transformar o show em um palanque, o Swallow the Sun deixou que suas próprias composições conduzissem a experiência. "Descending Winters" e "New Moon" deram sequência ao setlist, alternando passagens pesadas com momentos de maior delicadeza, enquanto "Under the Moon & Sun" reforçou o caráter contemplativo da apresentação. A sensação era de que o público não estava simplesmente assistindo a um show, mas sendo conduzido para dentro do universo sombrio criado pela banda. O repertório também funcionou como uma retrospectiva de diferentes fases da carreira, que começou com The Morning Never Came, em 2003, e chegou ao mais recente Shining.

A sequência formada por "Don't Fall Asleep (Horror, Part 2)", "Out of This Gloomy Light" e "November Dust" aprofundou ainda mais essa proposta. Em vez de buscar explosões constantes de energia, o Swallow the Sun trabalhou com contrastes, silêncios e longas construções instrumentais, permitindo que cada mudança de andamento tivesse seu impacto. "Out of This Gloomy Light", inclusive, remete aos primeiros anos da banda, já que a composição surgiu na demo homônima lançada antes do álbum de estreia e posteriormente foi lançada no álbum The Morning Never Came (2003). Já "Hope" trouxe uma das passagens mais emblemáticas da noite, recuperando o espírito do terceiro álbum do grupo, lançado em 2007 e conhecido justamente por transformar a ideia de esperança em matéria-prima para uma música carregada de desesperança.

Se havia pouca comunicação verbal entre banda e público, isso não significou falta de conexão. Pelo contrário: músicas como "MelancHoly" e "Falling World" encontraram um público imerso, que respondeu muito mais por meio do silêncio concentrado, dos aplausos e da entrega às canções do que por meio de uma participação ruidosa. A própria "Falling World", presente originalmente em New Moon, mostrou como o grupo consegue transformar melodia e peso em uma experiência quase cinematográfica. A apresentação ainda avançou para "These Woods Breathe Evil", encerrando o set principal de maneira densa, sombria e sem concessões, representando uma das fases mais importantes da trajetória da banda.

O bis trouxe "Deadly Nightshade" e "Swallow (Horror, Part 1)", duas escolhas particularmente adequadas para concluir uma noite tão carregada de sombras. A última faixa, originalmente presente em The Morning Never Came, ainda estabeleceu uma ligação direta entre o presente e os primeiros passos do grupo. O repertório apresentado em São Paulo, portanto, percorreu diferentes momentos da carreira sem abandonar aquilo que sempre esteve no centro da proposta do Swallow the Sun: a capacidade de transformar dor, solidão e melancolia em música.

Na apresentação, o quinteto mostrou que nem todo grande show precisa ser construído sobre discursos, brincadeiras ou interação constante. O Swallow the Sun fez justamente o contrário: criou uma espécie de bolha de isolamento dentro do Hangar 110, na qual peso, melancolia e introspecção falaram mais alto. Para quem estava disposto a mergulhar nessa atmosfera, foi uma experiência intensa e imersiva, fiel à essência de uma banda que transformou a tristeza em uma de suas mais poderosas formas de expressão. 


Texto: Marcelo Gomes



Realização: Overloard Brasil



Swallon The Sun – setlist:

Innocence Was Long Forgotten

Descending Winters

New Moon

Under the Moon & Sun

Don't Fall Asleep (Horror, Part 2)

Out of This Gloomy Light

November Dust

Hope

MelancHoly

Falling World

These Woods Breathe Evil

Deadly Nightshade

Swallow (Horror, Part 1)

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 15/08/2026 – Tokio Marine Hall/SP

Edu Falaschi transforma o Tokio Marine Hall em uma celebração de 35 anos de história, amizade e música

Finalmente chegou o tão esperado 15 de agosto, dia de Mi’raj & The Legacy Tour. Cheguei ao Tokio Marine Hall e, antes mesmo de o show começar, a atmosfera já dava pistas do tamanho da noite que estava por vir. Na fila, pais acompanhados dos filhos, jovens, casais e grupos de amigos confraternizavam enquanto aguardavam a abertura da casa. Lá dentro, a mesma sensação continuava. Entre encontros com amigos da vida e da imprensa, rostos familiares e alguns ídolos que eu jamais imaginaria encontrar naquele espaço, fui percebendo que aquela seria uma noite marcada por encontros. E o espetáculo sequer havia começado.

Fui para a frente do palco a tempo de acompanhar o show de Tito Falaschi. Multi-instrumentista, cantor, produtor e irmão de Edu, Tito carrega em sua trajetória parte importante das raízes que conduziram aquela noite. Foi baixista e vocalista do Symbols, dividindo os vocais com Edu nos primeiros anos da banda, além de ter participado de projetos como Almah e Soulspell Metal Opera e construído, ao longo dos anos, um trabalho próprio. Sua apresentação funcionou como uma espécie de ponto de partida para a retrospectiva que viria a seguir. Havia peso, técnica e uma familiaridade evidente com aquele público, enquanto sua presença já colocava em perspectiva o quanto a história dos irmãos Falaschi está ligada a diferentes capítulos do metal brasileiro.

Quando Edu entrou no palco, o espetáculo assumiu outra dimensão. A cenografia já anunciava que aquela seria uma apresentação pensada para além da execução das músicas: ao fundo, elementos diretamente relacionados ao universo de MI’RAJ, acompanhados por duas imponentes figuras de soldados, criavam uma atmosfera de batalha e jornada. O cenário ajudava a transportar o público para dentro da narrativa do álbum, capítulo final da trilogia iniciada em Vera Cruz (2021) e continuada em Eldorado (2023), concebida por Edu em parceria com o artista e escritor Fábio Caldeira. A trajetória de Jorge chega ao Oriente Médio em MI’RAJ e, nesse encerramento, a jornada externa começa a dar espaço para um processo de descoberta interior.

Essa ideia também está presente na identidade visual do disco. A capa criada por Carlos Fides coloca a Vidente no centro da composição, guardiã do Portal dos Doze Véus e responsável por conduzir Jorge durante sua travessia pelo deserto. O azul profundo, o dourado, a presença de Órion e o contraste entre luz e sombra traduzem visualmente o conflito entre as forças da Ordem de Cristo e da Cruz de Nero, ao mesmo tempo em que representam a batalha interna que conduz a narrativa até seu desfecho. No palco, essa estética ganhava uma dimensão física e ajudava a transformar o espetáculo em uma extensão da própria obra.

Edu apareceu acompanhado por uma banda extremamente coesa, formada por Victor Franco e Diogo Mafra nas guitarras, Raphael Dafras no baixo, Jean Gardinalli na bateria e Fábio Laguna nos teclados. A formação mostrou segurança para atravessar as diferentes linguagens presentes no repertório, passando pelo power metal e pelo progressivo, pelas atmosferas cinematográficas e pelos elementos étnicos que fazem parte da identidade de MI’RAJ. Entre os guitarristas, Victor Franco merece destaque especial. Se sua técnica já chama atenção em estúdio, ao vivo ela ganha ainda mais força justamente pela maneira como é utilizada. Victor não precisa transformar cada passagem em uma demonstração de velocidade para se destacar. Existe preocupação com construção melódica, escolha de timbres e musicalidade, características que fazem sentido quando lembramos que o próprio Edu já o definiu como um músico de extremo bom gosto e um verdadeiro gênio.

“Watchers of the Light” abriu a apresentação colocando imediatamente o público dentro da atmosfera de MI’RAJ. A entrada de “Ego Painted Grey”, do Angra, logo depois, mudou a perspectiva e deixou claro que o espetáculo seria construído em camadas, alternando o presente da carreira solo com diferentes períodos da trajetória de Edu. “Eyes in Flames”, do Symbols, foi um dos primeiros momentos realmente especiais. Ao lado de Tito Falaschi e Demian Tiguez, Edu revisitou uma parte muito anterior de sua história, reunindo no mesmo palco três músicos ligados a um capítulo iniciado ainda nos anos 1990. A força daquele encontro estava justamente na passagem do tempo: décadas depois, aquela formação voltava a se encontrar diante de milhares de pessoas.

O repertório seguiu por “Echoes of Vows”, “Running Alone”, do Angra, “Eyes of Time”, do Mitrium, e “Lease of Life”, costurando diferentes fases da carreira. A proposta da turnê era atravessar 35 anos de trajetória, e o setlist cumpriu essa missão com uma quantidade impressionante de referências. Em “The Ancestry”, Thiago Bianchi apareceu para acrescentar mais um capítulo a essa retrospectiva. Além de parceiro de longa data de Edu, Bianchi esteve diretamente envolvido na produção de MI’RAJ, realizado no Fusão Estúdio, repetindo a parceria iniciada em Vera Cruz.

“Unchained” trouxe Wagner Barbosa ao palco com o saxofone e também rendeu uma das brincadeiras mais inesperadas da noite. Antes de a música começar, um pequeno trecho de “Careless Whisper” foi suficiente para arrancar gritos e risadas do público. A referência funcionou como uma espécie de provocação antes de a banda mergulhar novamente na música, e quando o sax entrou de fato em “Unchained”, a atmosfera mudou completamente. O instrumento acrescentou uma camada diferente à composição e reforçou justamente uma das características mais interessantes de MI’RAJ, a disposição de Edu em incorporar elementos progressivos e soluções harmônicas menos convencionais ao power metal que sustenta boa parte de sua carreira solo.

“A Monster in Her Eyes” e “Arising Thunder”, do Angra, mantiveram a apresentação em alta velocidade até a chegada de Fábio Caldeira para “Land Ahoy” e “Eldorado”. A participação de Caldeira talvez seja uma das mais importantes para compreender a própria existência da trilogia. Vocalista, pianista, compositor e integrante do Maestrick, ele desenvolveu ao lado de Edu o universo literário que sustenta a saga de Jorge e chegou a escrever o livro de Vera Cruz. Sua entrada no palco carregava, portanto, uma dimensão quase metalinguística: o artista que ajudou a construir aquela narrativa estava agora interpretando parte dela diante do público.

Depois de “The Voice Commanding You”, Fernando Anitelli trouxe uma mudança completa de textura para o espetáculo. “Sintaxe à Vontade” e “Da Luta”, de O Teatro Mágico, ganharam uma interpretação solo do cantor, que ocupou o palco com uma linguagem baseada muito mais na palavra, na poesia e na teatralidade. A participação poderia parecer improvável em uma noite construída em torno do heavy metal, mas funcionou justamente porque existe uma aproximação conceitual entre os dois artistas. Edu e Anitelli construíram universos próprios em torno de suas obras e compreendem a música como narrativa e experiência. 

Edu então assumiu sozinho o palco para “Eternamente Azul”, versão brasileira de “Blue Forever”, do universo de Os Cavaleiros do Zodíaco. Foi um dos momentos mais afetivos da apresentação justamente pela simplicidade. Sem a banda completa ou uma grande estrutura cenográfica, a música colocou a voz de Edu em primeiro plano e acionou imediatamente a memória de uma geração que cresceu ouvindo seu trabalho também através da televisão. Sua relação com Saint Seiya é uma parte importante de sua trajetória e inclui ainda a versão brasileira de “Pegasus Fantasy”, que apareceria novamente mais adiante no setlist.

“Intuição” trouxe um dos momentos mais simbólicos da noite. Fernando Anitelli, Rafael Bittencourt e Tiago Mineiro se juntaram a Edu para executar a primeira música inédita do cantor em português em 24 anos. A escolha dos convidados já tornava a apresentação especial, mas o momento ganhou outra dimensão quando Edu e Rafael se abraçaram no palco. Não havia necessidade de transformar aquele gesto em discurso. Depois de tantos anos e de tantas mudanças na trajetória de ambos, ver os dois compartilhando novamente aquele espaço dizia bastante sobre o momento vivido pelo espetáculo e sobre a maneira como Edu decidiu olhar para sua própria história.

Na sequência, “Birds of Prey”, do Almah, recebeu Felipe Andreoli, outro músico diretamente ligado à trajetória de Edu. Felipe integrou o Angra durante o período em que Edu ocupava os vocais da banda, e sua presença funcionou como mais uma ponte entre diferentes momentos da carreira. Tecnicamente, Andreoli continua impressionante. Seu baixo se encaixou com precisão na banda, preenchendo os espaços e conversando com a bateria e as guitarras sem perder personalidade.

“Bleeding Heart” trouxe um dos momentos mais espontâneos da apresentação. Edu surpreendeu ao inserir no refrão um trecho da versão feita pelo Calcinha Preta para a música, e a resposta do público foi imediata. Quando os primeiros versos foram entoados, o Tokio Marine Hall inteiro cantou a plenos pulmões, transformando a música em um daqueles momentos coletivos que dificilmente podem ser reproduzidos fora de um show. A cena também dizia muito sobre a longevidade da composição e sobre a maneira como ela ultrapassou o próprio contexto em que foi originalmente lançada.

Veronica Bordacchini foi a convidada seguinte. Em “Spread Your Fire”, a soprano italiana, conhecida mundialmente por seu trabalho no Fleshgod Apocalypse, acrescentou uma dimensão operística à apresentação. Sua voz possui projeção suficiente para ocupar o espaço sem desaparecer diante da banda, característica essencial para uma música que exige justamente esse contraste entre força instrumental e interpretação lírica. Em “Ode to Art (de’ Sepolcri)”, Veronica permaneceu sozinha no palco e teve espaço para demonstrar toda essa potência vocal. Quando voltou ao lado de Edu para “Mi’raj”, o encontro entre os dois timbres produziu um dos momentos mais grandiosos da noite.

Pouco depois, Dino Jelusick entrou em cena. O croata construiu uma carreira que passa por Animal Drive, Trans-Siberian Orchestra, Whom Gods Destroy e Whitesnake, além de ter começado profissionalmente ainda criança e vencido a primeira edição do Junior Eurovision Song Contest. Em 2021, foi convidado por David Coverdale para integrar o Whitesnake. Em “Heroes of Sand”, sua participação ao lado de Edu mostrou imediatamente por que sua voz se encaixava tão bem naquele repertório. Dino possui potência, alcance e uma identidade vocal muito própria, mas também demonstra facilidade para transitar entre diferentes estilos. Em “Stand Up and Shout”, do Dio, essa característica ficou especialmente evidente, enquanto “Here I Go Again”, do Whitesnake, acrescentou uma camada simbólica à participação, considerando sua própria passagem pela banda.

“Pegasus Fantasy” trouxe novamente o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para o centro da apresentação, mas dessa vez de maneira completamente coletiva. O público assumiu a música com uma familiaridade impressionante, transformando a execução em um dos grandes momentos de participação da noite. Depois de tantas músicas ligadas à trajetória do próprio Edu, era interessante perceber como aquela canção também havia se tornado parte da memória de quem estava do outro lado do palco.

Ainda faltava, porém, um dos reencontros mais importantes da noite. “Rebirth” começou e, pouco depois, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli voltaram ao palco. Edu, Rafael e Felipe reunidos novamente para tocar Angra. A imagem carregava um peso histórico evidente. Os três músicos pertencem a um período fundamental da trajetória da banda e do próprio metal brasileiro, e vê-los novamente juntos era uma oportunidade rara de observar, no mesmo espaço, diferentes capítulos de uma história que ajudou a formar gerações de músicos e fãs.

Quando “Nova Era” veio na sequência, essa dimensão ficou ainda mais clara. A música pertence a um repertório que ultrapassou as fronteiras do Brasil e se tornou referência para uma geração inteira de músicos de metal. Ao longo das quase três horas de show, ficou evidente que ele não estava tentando reconstruir o passado exatamente como ele foi. A própria estrutura da apresentação mostrava outra intenção. Antigos companheiros dividiam espaço com músicos de gerações mais recentes; músicas do Angra apareciam ao lado de composições de MI’RAJ; referências ao Symbols conviviam com O Teatro Mágico, Fleshgod Apocalypse, Dio, Whitesnake e Cavaleiros do Zodíaco. O passado aparecia o tempo todo, mas sempre reorganizado a partir do artista que Edu é hoje.

Essa disposição também aparecia na própria postura do cantor. Edu passou o show inteiro em movimento, correndo pelo palco, interagindo com a plateia, brincando com os músicos e mantendo uma energia impressionante mesmo diante de um repertório extenso e fisicamente exigente. Não havia a sensação de alguém cumprindo uma obrigação comemorativa, pelo contrário, havia prazer evidente em revisitar aquelas músicas e dividir o palco com pessoas que fizeram parte de diferentes momentos de sua vida profissional.

Ao deixar o Tokio Marine Hall, a impressão que ficou foi a de ter acompanhado uma celebração de carreira construída a partir de encontros reais. Havia nostalgia, evidentemente, mas também havia espaço para o presente e para aquilo que ainda está sendo construído. Edu revisitou músicas fundamentais de sua trajetória, reencontrou músicos que fizeram parte dela, apresentou ao público uma formação atual extremamente competente e mostrou que seu legado não está restrito a um período específico.

Talvez seja justamente aí que esteja a força de The Legacy Tour. O espetáculo olha para trás sem transformar o passado em uma prisão. As histórias continuam sendo revisitadas, mas agora convivem com novas parcerias, novas músicas e novas possibilidades. No palco do Tokio Marine Hall, 35 anos de carreira foram apresentados como uma obra ainda em movimento. E, depois de quase três horas, a sensação era de que aquela história ainda está longe de terminar.

E que sorte a nossa por isso!


Texto: Stephanie Ferreira

Fotos: Roberto Sant'Anna


Realização: Agência Artística 

Press: TRM Press


Edu Falaschi – setlist:

Watchers of the Light

Ego Painted Grey

Eyes in Flames

Echoes of Vows

Running Alone

Eyes of Time

Lease of Life

The Ancestry

Unchained

A Monster in Her Eyes

Leaving the Light

Arising Thunder

Land Ahoy / Eldorado

The Voice Commanding You

Sintaxe à vontade / Da luta

Intuição

Birds of Prey

Bleeding Heart

Spread Your Fire

Ode to Art (de' Sepolcri)

Mi'raj

Heroes of Sand

Stand Up and Shout (Dio cover) 

Here I Go Again (Whitesnake cover) 

Pegasus Fantasy

Rebirth

Nova Era

sábado, 15 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Shawn James – 08/08/2026 – Hard Rock Café/CWB

Shawn James volta a Curitiba e prova que sua música é mais que uma trilha sonora

No último sábado, dia 08 de agosto de 2026, Curitiba recebeu novamente o cantor americano de blues, folk e rock Shawn James, com sua turnê "Flew Too Close to the Sun", e o local escolhido foi o famoso Hard Rock Café. Apesar de muitos acharem que esta era a primeira vez do cantor na cidade, na verdade ele já esteve por aqui com sua banda The Shapeshifters em 2023, tocando no Basement Cultural, um local mais intimista, e porque não dizer, menos suntuoso.

Primeiramente, esta resenha vai tomar um rumo um pouco diferente das demais que costumo escrever. Vamos falar de sentimentos aqui, e deixaremos os apontamentos mais objetivos para o final.

Importante falar aqui do talento deste artista, que teve seu primeiro EP lançado em 2013, e desde então, suas composições vêm figurando entre algumas trilhas sonoras conceituais, tanto de games, quanto de séries televisivas. Portanto, não é de hoje que o artista americano vem fazendo música de qualidade, mas somente de alguns poucos anos para cá, conseguiu atrair o público brasileiro para suas apresentações, não estou falando dos fãs de carteirinha, mas sim, dos apreciadores de boa música, abertos ao novo. Pois sabemos que muitos fãs de rock acabam ficando sempre nas mesmas bandas tradicionais, não dando muito espaço a outros estilos.

A música de Shawn James realmente impressiona, provoca sentimentos ao público, nostalgia, saudades, melancolia, enfim, durante toda a apresentação, um turbilhão de pensamentos atingiu pelo menos a metade dos presentes no local. Logo no início, uma história sobre um amigo que acabou falecendo e uma homenagem com a canção "That's Life" originalmente de Frank Sinatra, enchendo alguns olhos de lágrimas. Ressalto que esta música não está listada oficialmente, pois ela costuma aparecer de surpresa nas apresentações, portanto na lista oficial, ela ficou de fora. Entretanto, para quem estava lá, o momento foi real e inesquecível.

Durante a execução de "Burn the Witch" o público vibrou, mas também houve momentos de silêncio, onde só se ouvia a voz de James. O ponto alto, excetuando o hit do momento, foi a execução da música "Juliet", de seu novo álbum Passage que conforme o próprio é dedicada a sua esposa (que momento perfeito). O setlist conseguiu mesclar bem as músicas do novo álbum e os clássicos de outrora, ponto forte na escolha do mesmo.

O cantor nascido e criado na zona sul de Chicago é dono de uma das vozes mais belas que já pude presenciar em shows ao vivo, muito bem acompanhado pelo extraordinário Chris Overcash comandando o violino, em perfeita sincronia com os vocais. Todos os músicos pareciam ter uma sinergia ótima.

Ao longo da noite, muitas conversas com o público, pausas para alguns goles de cerveja, pois afinal somos todos humanos, agradecimentos à plateia, muita humildade e principalmente grandes canções. Logicamente teve a música do momento "Through The Valley", e nesta parte faz-se necessária uma reflexão, que acabei fazendo a partir dos comentários do próprio Shawn: "Após a notícia de sua participação na trilha sonora do jogo de videogame "The Last Of Us", com a faixa "Through The Valley" e que também recentemente virou série aclamada no canal HBO, ele começou a aparecer na mídia e a fazer muitas turnês, impulsionado pelo sucesso do game." Neste momento, preciso dizer que a sensação presente no jeito em que o cantor falou tais palavras passou a impressão de empolgação, mas ao mesmo tempo de um sentimento de tristeza imperceptível, pois o talento do músico é inegável e com certeza merecia uma maior presença em nossas playlists, independente do sucesso da canção (que, de fato, é realmente uma pérola). Mas, novamente, pode ter sido apenas a minha impressão ou uma empatia escondida dentro de mim por ver um artista tão bom reduzido a uma música por algumas pessoas.


Agora vamos para as observações gerais, primeiro, a questão do local escolhido para a apresentação e estrutura. Bem, é inegável a capacidade do Hard Rock Café de proporcionar a melhor experiência ao público/cliente, os funcionários são educados, todos extremamente corteses e prontos a resolver qualquer demanda, inclusive a imprensa, no meu caso, foi tratada muito bem. A decoração é linda, a parte técnica dispensa comentários, há uma infinidade de opções de comidas e bebidas, mas um alerta, não é barato, nem mesmo acessível a todos, um chopp, por exemplo, custa em torno de 22 reais o copo de 500ml, a comida gira em torno de 80 reais um lanche completo para uma pessoa. Ou seja, a experiência é premium e o preço também. E uma observação, percebi poucas pessoas consumindo algo durante o show, sejam bebidas ou comidas. A conclusão fica clara, o valor do ingresso consumiu todo o "ticket médio" do sábado. Provavelmente após o show, muitos foram procurar lugares mais acessíveis para terminar a noite.

Por fim, é inegável o ótimo show realizado na capital paranaense, um pouco mais frio do que os demais, mas mesmo assim, foi extremamente apreciado pelo público. Também finalizo com uma observação: o local poderia estar muito mais cheio do que realmente estava, me atrevo a colocar a culpa nos valores dos ingressos e na situação econômica do país. Principalmente nas capitais, onde a demanda de shows está muito alta e as pessoas não estão conseguindo acompanhar os valores cobrados pelos eventos. Este show de longe poderia ter sido apreciado por muito mais gente, então: "Shawn James, continue vindo ao Brasil!", para que mais fãs tenham acesso ao espetáculo que é sua música!


Texto: Paula Butter

Fotos: Vladimir Silverio 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Move Concerts / RW 7 Promoções Eventos


Shawn James – setlist:

The Curse of the Fold

I Want More

Burn the Witch

Icarus

Orpheus

Flow

The Thief and the Moon

The Guardian (Ellie's Song)

Through the Valley

Headed for the End

Peace of Mind

My Juliet

Tired of Trying

Burn

No Blood From a Stone

Haunted

The Devil's Daughters

Muerte mi amor

Let Me Go


Errata: A matéria inicial publicada pela Road To Metal, de minha autoria, sobre o anúncio do evento, descreveu a apresentação de Shawn James em Curitiba, no dia 8 de agosto, como show "inédito" e parte da "primeira turnê" do artista pelo Brasil. Na verdade, Shawn James já havia se apresentado na cidade em 14 de abril de 2023, no Basement Cultural, dentro de uma turnê brasileira que passou também por São Paulo e Rio de Janeiro.