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domingo, 28 de junho de 2026

Soturno, Maduro e Baudelairiano: Moonspell Reconquista a Essência do Metal Gótico em Far From God


Por: Michelle Santana
Fotos: Divulgação 
Selo: Napalm Records

A banda portuguesa de Gothic/Dark Metal formada em 1992, consolidou sua carreira através de composições marcadas por temas como ocultismo, poesia, melancolia e erotismo, tornando-se uma das maiores referências do gênero. Agora, o grupo chega ao seu 14º álbum de estúdio, "Far From God".

Embora as comparações com Irreligious (1997) sejam inevitáveis, "Far From God" está longe de ser uma mera cópia daquele clássico. As semelhanças aparecem principalmente na melancolia que permeia a obra e em suas temáticas sombrias, mas a execução segue um caminho próprio, marcado por uma abordagem mais sóbria e madura. 

Ao mesmo tempo, o álbum resgata parte da sensibilidade romântica e decadente que remete à poesia de Charles Baudelaire, influência que se revela tanto nas letras quanto na construção emocional das canções.

Em vez de apostar em grandes arranjos ou momentos excessivamente dramáticos, o Moonspell constrói sua identidade através de uma instrumentação cuidadosamente equilibrada. 

As guitarras de Ricardo Amorim ocupam posição de destaque, explorando afinações mais baixas e linhas minimalistas que acrescentam peso sem comprometer a elegância característica da banda. Os solos surgem com forte influência do gothic rock clássico, funcionando como extensões naturais das melodias e contribuindo para a paisagem sonora contemplativa que atravessa o disco.

A influência oitentista é perceptível ao longo de toda a obra, especialmente na forma como as composições priorizam clima e emoção em vez de impacto imediato. Ainda existem os teclados de Pedro Paixão, que dá o elemento atmosférico, enriquecendo os arranjos, mas eles são utilizados com moderação, sempre a serviço das canções e nunca como protagonistas.

Fernando Ribeiro entrega uma de suas performances mais consistentes dos últimos anos. Seu vocal soa mais controlado e introspectivo do que em alguns momentos de Irreligious, privilegiando interpretação e nuance em vez de teatralidade. Essa abordagem combina perfeitamente com o caráter do álbum, reforçando a sensação de maturidade presente em cada faixa.

"Far From God" demonstra a capacidade do Moonspell de revisitar aspectos fundamentais de sua identidade sem se tornar refém deles. O resultado é um trabalho que conversa com uma das fases mais celebradas da banda, mas encontra vigor suficiente para caminhar com personalidade própria.

Entre os destaques do álbum, "Cross Your Heart" é provavelmente uma das faixas que mais abraça a proposta do rock gótico oitentista. Guitarras carregadas de texturas e efeitos modulados, aliadas a bateria de Hugo Ribeiro, que dão contorno à composição e reforçam sua identidade. 

A letra já estabelece seu tom melancólico logo nos versos iniciais — "Crosses and flowers by the side of the road" — conduzindo o ouvinte a uma paisagem fúnebre e contemplativa. Uma passagem falada acrescenta profundidade à música, enquanto seu ritmo envolvente e levemente dançante faz dela uma forte candidata a se tornar um dos pontos altos das apresentações ao vivo.

A faixa-título, "Far From God", surge de forma intimista, com vocais falados e quase sussurrados acompanhados por teclados que estabelecem uma ambiência sombria desde os primeiros instantes. Fernando Ribeiro adota uma interpretação sóbria e controlada, enquanto o baixo de Aires Pereira, é marcante e característico do gothic rock, assume papel de destaque na construção da música. 

Liricamente, a faixa introduz com maestria a forte influência de Charles Baudelaire que permeia a obra. A composição transborda o conceito do amor baudelairiano, onde o afeto caminha lado a lado com a decadência, a culpa existencial e um romantismo sombrio. O resultado é uma canção nostálgica, fortemente ancorada na poesia maldita e nos elementos tradicionais do gênero.

Já "The Great Wolf in the Sky" representa o ponto alto do álbum. A faixa se desenvolve sobre uma ambientação soturna e densa, na qual instrumentos e vocais trabalham em perfeita sintonia para sustentar a proposta emocional da composição. Os teclados desempenham papel fundamental na construção do clima da música, enquanto uma passagem com vocais mais rasgados adiciona intensidade sem recorrer à teatralidade que marcou alguns trabalhos anteriores da banda. O violino presente nos momentos finais amplia ainda mais a carga dramática da faixa, encerrando-a de forma memorável.

"For the Love of Mortals" é, possivelmente, a composição mais atmosférica do disco, mergulhando de cabeça no romantismo trágico que define o conceito lírico do trabalho. A interpretação vocal permanece contida e melancólica, mas aqui são as guitarras que roubam a cena. Os solos carregam grande parte do peso emocional da música, enquanto a bateria atua de forma precisa, preenchendo os espaços e tornando a experiência ainda mais envolvente.

A mais pesada das composições é "Our Freedom to Fall", faixa que também remete de forma mais evidente à era Irreligious. Alternando vocais limpos e passagens guturais, a música apresenta uma intensidade emocional muito bem expressa por Fernando Ribeiro. Sua performance confere personalidade à faixa e amplifica o impacto de seus momentos mais sombrios.

O encerramento do álbum fica a cargo da faixa "Reconquista", que inicia com vocais rasgados que transmitem a revolta e a carga emocional exigidas pela composição. A atmosfera é densa, intensa e carregada de tensão, enquanto uma passagem falada em português acrescenta identidade e autenticidade à música. 

Trata-se de um recurso recorrente na trajetória do Moonspell, reafirmando que a banda jamais abandonou suas raízes portuguesas. O próprio título parece sugerir uma dupla missão: a reconquista do território sagrado do metal gótico clássico e a reafirmação de sua própria soberania cultural e identidade lusitana.

Segundo os próprios integrantes, Far From God foi concebido com simplicidade musical, mas grande complexidade emocional. Fernando Ribeiro comentou sobre as dificuldades criativas enfrentadas durante o período da pandemia, e esse peso emocional parece ecoar em cada faixa do álbum. Ao mesmo tempo, o trabalho soa como um verdadeiro manifesto em defesa do metal gótico, reafirmando a relevância de um gênero que raramente ocupa posição de destaque no cenário contemporâneo.

O resultado é um álbum profundamente nostálgico, mas que evita a armadilha da mera repetição. Carregado de melancolia, romantismo, decadência e imagética vampírica, Far From God abandona boa parte das reflexões filosóficas e sociais presentes em Hermitage (2021) para mergulhar de cabeça na estética gótica que ajudou a consagrar o Moonspell. 

Sóbrio, soturno e emocionalmente denso, o disco encontra um equilíbrio admirável entre tradição e maturidade, oferecendo aos fãs do gênero uma obra que honra o passado sem deixar de possuir identidade própria.



********ENGLISH VERSION*********


Gloomy, Mature, and Baudelairean: Moonspell Reclaims the Essence of Gothic Metal on Far From God



By: Michelle Santana
Photos: Courtesy
Label: Napalm Records


Moonspell, the Portuguese  Gothic/Dark Metal band formed in 1992, established its career through compositions marked by themes such as occultism, poetry, melancholy, and eroticism, becoming one of the most influential acts in the genre. Now, the group arrives with its fourteenth studio album, "Far From God".

While comparisons to Irreligious (1997) are inevitable, Far From God is far from being a mere copy of that classic. The similarities lie mainly in the melancholy that permeates the record and its dark themes, but the execution follows its own path, marked by a more restrained and mature approach. 

At the same time, the album revives part of the romantic and decadent sensibility associated with the poetry of Charles Baudelaire, an influence that reveals itself both in the lyrics and in the emotional construction of the songs.

Rather than relying on grand arrangements or excessively dramatic moments, Moonspell builds its identity through carefully balanced instrumentation. Ricardo Amorim's guitars take center stage, exploring lower tunings and minimalist lines that add weight without compromising the band's characteristic elegance. The solos draw heavily from classic gothic rock, functioning as natural extensions of the melodies and contributing to the contemplative sonic landscape that runs throughout the album.

The influence of the 1980s is evident across the entire record, particularly in the way the compositions prioritize atmosphere and emotion over immediate impact. Pedro Paixão's keyboards continue to provide the album's atmospheric dimension, enriching the arrangements while being used with restraint, always serving the songs rather than dominating them.

Fernando Ribeiro delivers one of his most consistent performances in years. His vocals sound more controlled and introspective than in certain moments of Irreligious, favoring interpretation and nuance over theatricality. This approach perfectly complements the character of the album, reinforcing the sense of maturity present in every track.

"Far From God" demonstrates Moonspell's ability to revisit fundamental aspects of its identity without becoming trapped by them. The result is a work that engages with one of the band's most celebrated eras while possessing enough vitality to move forward with a distinct personality of its own.

Among the album's highlights, "Cross Your Heart" is probably one of the tracks that most fully embraces the spirit of 1980s gothic rock. Textured guitars layered with modulation effects, combined with Hugo Ribeiro's drumming, help shape the composition and reinforce its identity. 

The lyrics establish their melancholic tone immediately with the opening line, "Crosses and flowers by the side of the road," leading the listener into a funeral-like and contemplative landscape. A spoken-word passage adds depth to the song, while its engaging and subtly danceable rhythm makes it a strong contender to become one of the highlights of the band's live performances.

The title track, "Far From God," unfolds in an intimate manner, with spoken and nearly whispered vocals accompanied by keyboards that establish a dark atmosphere from the very beginning. Fernando Ribeiro adopts a restrained and controlled performance, while Aires Pereira's bass, prominent and deeply rooted in gothic rock tradition, plays a key role in shaping the song. 

Lyrically, the track masterfully introduces the strong influence of Charles Baudelaire that permeates the album. The composition overflows with the concept of Baudelairean love, where affection walks hand in hand with decadence, existential guilt, and dark romanticism. The result is a nostalgic song firmly anchored in cursed poetry and the traditional elements of the genre.

"The Great Wolf in the Sky" stands as the album's high point. The song develops through a gloomy and dense atmosphere in which instruments and vocals work in perfect harmony to sustain its emotional purpose. 

The keyboards play a fundamental role in shaping the song's mood, while a passage featuring harsher vocals adds intensity without resorting to the theatricality that characterized some of the band's earlier works. The violin that emerges toward the end amplifies the song's dramatic impact even further, bringing it to a memorable conclusion.

"For the Love of Mortals" is arguably the most atmospheric composition on the album, diving headfirst into the tragic romanticism that defines its lyrical concept. The vocal performance remains restrained and melancholic, but here it is the guitars that steal the spotlight. The solos carry much of the song's emotional weight, while the drumming acts with precision, filling the spaces and making the experience even more immersive.

The heaviest composition on the album is "Our Freedom to Fall," a track that also bears the strongest resemblance to the Irreligious era. Alternating between clean vocals and guttural passages, the song presents an emotional intensity masterfully expressed by Fernando Ribeiro. His performance gives the track its personality and amplifies the impact of its darkest moments.

The album closes with "Reconquista," which opens with harsh vocals that convey the anger and emotional charge demanded by the composition. The atmosphere is dense, intense, and filled with tension, while a spoken passage in Portuguese adds identity and authenticity to the track. 

It is a recurring element throughout Moonspell's career, reaffirming that the band has never abandoned its Portuguese roots. The title itself seems to suggest a dual mission: the reconquest of gothic metal's sacred territory and the reaffirmation of its own cultural sovereignty and Lusitanian identity.

According to the band members themselves, Far From God was conceived with musical simplicity but emotional complexity. Fernando Ribeiro has spoken about the creative difficulties the band faced during the pandemic years, and that emotional burden seems to echo throughout the album. At the same time, the record feels like a true manifesto in defense of gothic metal, reaffirming the relevance of a genre that rarely occupies a prominent place in today's musical landscape.

The result is a deeply nostalgic album that avoids the trap of mere repetition. Filled with melancholy, romanticism, decadence, and vampiric imagery, Far From God leaves behind much of the philosophical and social reflection found on Hermitage (2021) and dives headfirst into the gothic aesthetic that helped establish Moonspell's legacy.

Restrained, gloomy, and emotionally dense, the album achieves an admirable balance between tradition and maturity, offering fans of the genre a work that honors the past while maintaining a strong identity of its own.

Moonspell Site 
Napalm Records 
Primotion All Noir





segunda-feira, 30 de março de 2026

Cobertura de Show: Moonspell – 22/03/2026 – Carioca Club/SP

Em um fim de semana repleto de shows em São Paulo, o Carioca Club se transformou em território português para uma celebração histórica: os 30 anos do álbum Wolfheart, do Moonspell, marco fundamental do gothic metal mundial. Para tornar a experiência ainda mais especial, a noite foi brindada com uma dobradinha lusitana, tendo a banda Sinistro como convidada de honra, que fez sua estreia no Brasil diante de uma alcateia brasileira fervorosa.

A abertura da noite ficou por conta dos conterrâneos do Sinistro, que abriram os trabalhos com uma performance pesada, atmosférica e visceral, típica do sludge/doom que fazem. O setlist, que incluiu “Ruas Desertas”, “Partida”, “Abismo”, “O Equivocado”, “Relíquia” e “Templo das Lágrimas”, imergiu o público em uma sonoridade que transitava entre o doom metal e o rock gótico, com Patrícia Andrade hipnotizando com seus vocais poderosos e melancólicos. A atmosfera sombria e os riffs arrastados prepararam perfeitamente o terreno para o headliner, conquistando o público que já chegava animado e provando que o underground português segue forte.

Pontualmente às 20h, os lendários Moonspell adentraram o palco, recebidos por uma ovação estrondosa. Com Fernando Ribeiro (vocais), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclados e guitarra), Aires Pereira (baixo) e Hugo Ribeiro (bateria), a banda portuguesa veio celebrar os 30 anos do icônico álbum Wolfheart. Fernando Ribeiro, com sua presença carismática, abriu a noite com um caloroso “Boa noite, Brasil, somos o Moonspell e estamos aqui para celebrar os 30 anos do Wolfheart”, antes de mergulhar de cabeça em “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, transportando a todos para a atmosfera sombria e mística do álbum que definiu uma era para o gothic metal.

Em seguida, executaram a envolvente “Love Crimes”, na qual os vocais líricos da convidada Eduarda Miss Blue, da banda Glasya, entrelaçaram-se de forma sublime com a voz gutural e expressiva de Fernando, criando um contraste vocal que adicionou uma camada extra de profundidade à performance. Na sequência, a banda entregou a densidade de “…of Dream and Drama (Midnight Ride)”, consolidando a imersão no universo de Wolfheart e mostrando a maestria dos músicos em recriar a atmosfera original do disco com uma energia renovada.

Fernando Ribeiro fez uma pausa para interagir com a plateia, expressando a honra de estar no Brasil em uma noite 100% portuguesa. Ele ressaltou que, apesar de ser domingo e de muitos terem compromissos no dia seguinte, a banda faria um setlist longo e completo, diferente da última vez em que tiveram que cortar músicas devido ao horário. Essa promessa foi recebida com entusiasmo, e a banda seguiu com a sombria “Tenebrarum Oratorium (Andamento I)”, mantendo a intensidade e a conexão com o público.

A diversidade musical do álbum foi explorada com a belíssima “Lua d’Inverno”, um momento instrumental que destacou o talento de Pedro Paixão nos teclados e Ricardo Amorim na guitarra, criando uma paisagem sonora hipnotizante. A seguir, “Trebaruna” trouxe à tona os ritmos e a melodia portuguesa, com a plateia acompanhando com palmas, criando um momento de intercâmbio cultural. Fernando então compartilhou uma curiosidade sobre “Ataegina”, explicando que a faixa havia sido inicialmente excluída do álbum pela gravadora por ter um “clima muito festivo”, que destoava do restante do material. No entanto, o sucesso estrondoso da música nos shows levou à sua inclusão em uma reedição do disco, uma prova da força e do apelo que a canção sempre teve junto aos fãs.

A atmosfera mística e sedutora retornou com “Vampiria”, uma das joias do álbum, que manteve a plateia em transe. Em “An Erotic Alchemy”, Eduarda Miss Blue voltou a brilhar, com seus vocais líricos ganhando destaque em um dueto bem à frente do palco, adicionando uma dimensão teatral à performance. O clímax da noite, no entanto, estava por vir. Antes de chamar o convidado especial, Fernando Ribeiro fez uma emocionante homenagem ao Brasil, afirmando que o país “criou o death metal” e relembrou sua admiração por bandas como The Mist, Sarcófago, Holocausto e, claro, Sepultura, destacando Jairo Guedz como um de seus integrantes favoritos. A casa veio abaixo com a entrada de Jairo, e, juntos, entregaram uma versão poderosa de “Alma Mater”, cantada em uníssono do início ao fim por uma plateia extasiada.

A surpresa da noite não parou por aí. A banda apresentou uma versão “dark” e arrepiante de “Lanterna dos Afogados”, clássico dos Paralamas do Sucesso. Essa releitura inusitada e brilhante demonstrou a versatilidade e a ousadia do Moonspell. A energia continuou alta com a execução de “Opium”, mantendo a plateia conectada e vibrante. O show seguiu com a energia contagiante de “Awake!”, seguida pela intensidade de “In Tremor Dei”. A banda não se limitou ao Wolfheart, presenteando os fãs com faixas de outros álbuns, como “Extinct”, “Scorpion Flower” e “Everything Invaded”, mostrando a diversidade de sua discografia e a evolução de sua sonoridade ao longo dos anos. Cada música foi executada com precisão e paixão, reafirmando o status do Moonspell como uma das maiores bandas de metal gótico do mundo.

Para encerrar a noite de quase duas horas de show, o Moonspell se despediu com a icônica “Full Moon Madness”, um hino que toca a alma de sua “alcateia”. Fernando Ribeiro aproveitou o momento para agradecer novamente a Jairo Guedz e a todas as bandas brasileiras que serviram de inspiração para o Moonspell, reforçando a profunda conexão e admiração mútua entre as cenas musicais dos dois países. O público, caloroso e receptivo do início ao fim, demonstrou que a fidelidade à banda portuguesa permanece inabalável, celebrando não apenas um álbum, mas uma trajetória de três décadas de música e paixão. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload Brasil



Sinistro – setlist:

Ruas Desertas

Partida

Abismo

O Equivocado

Reliquia

Templo das Lagrimas 


Moonspell – setlist:

Wolfshade 

Love Crimes 

 ...of Dream and Drama (Midnight Ride)

Tenebrarum Oratorium (Andamento I) 

Lua d'Inverno 

Trebaruna 

Ataegina

Vampiria

An Erotic Alchemy 

Alma Mater
 
Lanterna dos Afogados (Os Paralamas do Sucesso)

Opium

Awake!

In Tremor Dei

Extinct

Scorpion Flower

Everything Invaded

Full Moon Madness

sábado, 1 de abril de 2023

Interview - Fernando Ribeiro (Moonspell)

 


The greatest exponent of Metal in Portugal, Moonspell, completes 30 years of career. Since its inception, the band has shown that it would surprise with each album, always looking for new challenges, and step by step it has been conquering fans across continents. (Versão em português aqui)

The band is already on a tour to celebrate these 30 years, passing through Latin America, including Brazil, where they will present songs from their career, and from the last two and praised albums, "1755" and "Hermitage". We took the opportunity to talk with the iconic vocalist Fernando Ribeiro, who, with his usual chivalry, gave us the interview that you can read below.



RtM: "Hermitage" can already be considered a milestone for the band's career, and I believe that you also believe in that, because you realized this daring idea of playing the album in its entirety, and still in the Mira D'aire grotto.

Fernando Ribeiro: Thank you! Above all, Hermitage will always be a special record, due to the context in which it was recorded and released, and to a certain “confirmation” of several things that constitute the literary concept of the record.


RtM: Talk a little more about how this incredible idea of doing this concert and the choice of location came about.

FR: As we knew that this album, due to the pandemic, would not be supported by a promotion tour, we decided, from the outset, to document it live, complete and in its entirety, so that some justice could be done to the album.

The Mira D’Aire Caves are a natural “monument” that is part of the Portuguese imagination. During the pandemic, I visited it again with my son and niece and, as it were, joined the dots.

The natural scenery and the lighting, it looked like a geological work by Bosch or Caravaggio and I thought it was a great idea to bring music about hermits there... First, we did the photo shoot, then the video for Common Prayers and finally the live event.



RtM: And how was the preparation in terms of first obtaining authorization to perform at Mira D'aire? for I believe that there must be several cares and restrictions. And, of course, there was the preparation and care for sound capture, acoustics, image capture, everything must have been a very different experience.
FR: Yes. It had to be a silent event, that is, people listened to Moonspell through headphones, with a sound mix specially prepared for the fans.

Then there were the issues of permits (Portugal is very bureaucratic), electricity, problems with claustrophobia in the public, covid tests, social masks, and all the lighting and sound equipment that had to be thought out in the smallest detail because it was a small space , different and limited.

 


RtM: Moonspell never allowed itself to stagnate or limit itself musically, and "Hermitage" surprises after the wonderful and complex "1755", bringing a more progressive sound, sometimes cleaner and darker. Comment on what inspired the lyrical theme and sound of "Hermitage".

FR: I don't know if it's restlessness or simply the fact that we are never truly satisfied with what we do, at least I am never. In the case of Hermitage, the sound was inspired by progressive which has been a very clear influence on Metal and Moonspell, especially since records like "Wildhoney" by Tiamat.


In my case, I received a bag from my uncle with all of Pink Floyd's discography from the 70's and that ended up influencing me too.


The literary concept is related to the solitude to which the world is facing, the lack of communication and empathy between people, which leads many people to isolate themselves from the world for reasons different from the classic hermit saints, and in this counterpoint, the disco.


There was talk of social distancing, but without being enacted by law or a health emergency.

We are like hermits to ourselves and to each other.



RtM: Still on the sound of "Hermitage", I felt a lot of influence from the progressive of the 70s, even later with the release of "From Down Below", I also remembered that Pink Floyd did a show in Wembley the year after the release of "Dark Side of The Moon", playing the disc in its entirety. I would like you to comment on the influence of these classics and name some of your favorites.
FR: Well, as I mentioned before, I inherited the entire Pink Floyd discography on vinyl! I listened to a lot of things like Relics, I love the Set the Control to the Heart of the Sun theme, but also Piper at the Gates of Dawn and of course "Dark Side of the Moon" which is a masterpiece.

I also really like Emerson Lake and Palmer, for example, or post rock like Apse, A Perfect Circle or more metal stuff like Katatonia that makes great music.


RtM: "Hermitage" also features the new drummer Hugo Ribeiro. And regarding Hugo, how was his contact and adaptation so far, and what did he bring back to add to the band's sound?

FR: Hugo is the most talented and complete drummer that ever played in the band and we canevolve a lot in the complexity of the rhythmic parts and this confidence allowed us to have more imagination and go further. I think Hugo still has a lot to give to Moonspell and it's just getting started! And I think he started off on the right foot, as his performance at the Hermitage is excellent.

 


RtM: Mike Gaspar ended up leaving the band after all these years. What was it like to deal with this process of change? Of course, we understand that changes are part of it, but when it involves an original member, it can be a little more difficult.

FR: Very difficult. Personally, Mike was not only Moonspell's drummer, but also my best friend and I even considered not continuing without him. It was one of the toughest decisions of my life, but we had, in fact, reached a point that we could not resolve. I wish Mike and Seventh Storm, his new band, created in his image, all the best of luck.


RtM: About "1755", I consider it not only a milestone for world of Metal, but a complex work, rich in history and with a unique atmosphere. Full of epic and thought-provoking nuances. Taking emotion to high peaks. If possible, I would like you to comment on the importance of It for you and about the creative idea for such a powerful and thought-provoking album.

FR: It was a spur of the moment thing, although the ideas are rooted in my student background. The record was also born from the absence of a musical work that contemplated this event and all its social, political, artistic and philosophical consequences.


I explained the concept to my partners and they immediately understood that the sound would have to be big and epic, almost symphonic, and that it would have to be sung entirely in Portuguese.


For us it was very important, as it brought together two of Moonspell's passions: History of Portugal and Heavy Metal. And we really want to make another record in Portuguese, as soon as we find a theme.


 

RtM: As artists and a consolidated band, I believe that from the beginning you sought to bring something innovative, challenge yourself and still feel the commitment to bring messages and ideas to make your audience reflect, interpret, instigating curiosity.

I would like you to comment on this, and if you understand that every artist has to have this duty and also be careful to convey a message to their fans, because musicians/artists are a potential opinion maker.

FR: Each artist does what he wants and there is no judgment. There are several paths that can be followed and for me, I don't see why one path should be more legitimate than another. Whether you want to quote Feuerbach or have a giant rubber duck onstage, our mission is to entertain.

Nowadays with all the splits, crises and depression that exist, a musician who can make people think about something else and focus on the show and not on the problems they have, is an act of immense generosity and empathy.


Personally, I like the poetic, philosophical and intellectual part of Metal. I like to know that the Maiden theme "The Evil that men Do" is a Shakespearean quote. And I follow this path. But if another musician wants to make the audience pretend they're on a Viking ship, rowing, who am I to say it has to be my way and not his? There is room for everything and everyone.

 


RtM: Moonspell's discography is very strong and diversified. Because at each launch we have the characteristic elements, however, with different syntheses. You listen, you know it's Moonspell, but in a fresh and different way. How is the creative process in general for the band?

FR: We are a zeitgeist band, i.e., what is happening in the world, in our lives, what enters or is retrieved in our libraries and clubs and by the dissatisfaction with what we do and the enthusiasm in discovering new melodies and, who knows , add new Moonspell themes to people's daily lives.


If we had stopped at the first records, or repeated the formulas, we wouldn't have given the world themes like Nocturna, Scorpion Flower, Breathe or the whole of 1755.

 


RtM: You recently had to cancel your European tour due to the financial crisis that some countries are going through. In Brazil and South America in general, it wouldn't be so different, because crises come, the rulers neglect and the people unfortunately pay the price. In the view of those of you who have already traveled the world, what could be done to contain these mass crises that happen?

FR: The European tour has taken place. The US tour was canceled due to lack of transport and the UK tour didn't sell enough tickets in London, which was bizarre as London has always been one of the most important cities for Moonspell. What can be done? Absolutely nothing.

We just have to rely on the generosity of the fans and depend on the depth of their love for the music, and in our case for them to decide to spend their hard earned money and experience Moonspell. The world chose capitalism and liberalism, without rules, there is no balance, no basis for experimenting with regulation, so the burden will always be on top of the fans and bands and those who still invest in this kind of deal with people rather than numbers or algorithms.

In our case, Moonspell opted to lower conditions, fees/payments to the band, production, merch prices, so that we can still play for our fans. We are always working to give them the best.



RtM: Thank you for your time and for answering this interview, may the tour in Latin America be very successful, we will be there at Opinião in Porto Alegre, if the universe wants it that way. And finally, could you tell us something about what fans can expect from the next album?

FR: Very grateful for the opportunity. And for the votes! See you in Porto Alegre for a big night, under the spell.

We will work on a new album, without rushing, something simpler, less prog, returning to the most emblematic songs, something more intelligible at first listen and with the concept around the power of books and words. It will come out in 2024, or, in the worst case, in 2025.


Interview by: Carlos Garcia and Renato Sanson

Thanks: Erick Tedesco - Tedesco Mídia

IDL Entertainment

Visit: Moonspell.com







Entrevista - Fernando Ribeiro (Moonspell)

 


O maior expoente do Metal de Portugal, o Moonspell, completa 30 anos de carreira. A banda desde seu início mostrou que iria surpreender a cada álbum, buscando sempre novos desafios, e passo a passo foi conquistando fãs pelos continentes. (English Version Clic Here)

A banda está já em uma tour para comemorar esses 30 anos, passando pela América Latina, inclusive Brasil, tendo uma data em terras gaúchas no dia 07/04, onde apresentará músicas de destaque de sua carreira, e dos dois últimos e elogiados álbuns, "1755" e "Hermitage". 

Aproveitamos a ocasião para conversar com o icônico vocalista Fernando Ribeiro, que com seu habitual cavalheirismo nos concedeu a entrevista que vocês conferem a seguir.



RtM: "Hermitage" já pode ser considerado um marco para a carreira da banda, e creio que vocês também acreditam nisso, pois realizaram essa ousada Ideia de tocar o álbum na íntegra, e ainda na gruta Mira D'aire.
Fernando Ribeiro: Obrigado! Acima de tudo, o Hermitage será sempre um disco especial, devido ao contexto em que foi gravado e lançado, e a uma certa “confirmação” de várias coisas que constituem o conceito literário do disco.


RtM: Fale um pouco mais sobre como surgiu essa incrível ideia de fazer esse concerto e a escolha do local.
FR: Como sabíamos que este disco, devido à pandemia, não iria ser apoiado por uma turnê de promoção, decidimos, desde logo, documentá-lo ao vivo, completo e na íntegra para que assim se fizesse alguma justiça ao disco.

As Grutas de Mira D’Aire, são um “monumento” natural que faz parte do imaginário dos Portugueses. Durante a pandemia, tornei a visitar o sítio com o meu filho e sobrinha e, como que juntei os pontos.

O cenário natural e a iluminação, parecia uma obra geológica de Bosch ou Caravaggio e achei uma ótima ideia levar ali música sobre eremitas... Primeiro, fizemos sessão de fotos, depois o vídeo para o Common Prayers e finalmente o evento ao vivo.


 
RtM: E como foi a preparação na questão de, primeiramente conseguir autorização para realizar o show na Mira D'aire? pois acredito que devem haver vários cuidados e restrições. E, claro, teve a preparação e cuidados para captação de som, a acústica, a captação  de imagens, tudo deve ter sido uma experiência bem diferente.
FR: Sim. Teve de ser um silent event, isto é, as pessoas escutavam os Moonspell através de headphones, com uma mistura sonora especialmente preparada para os fãs.

Depois, havia as questões das autorizações (Portugal é muito burocrático), eletricidade, problemas de claustrofobia do público, testes de covid, máscaras sociais, e todo o aparato de luzes e som que teve de ser pensado ao menor detalhe porque era um espaço pequeno, diferente e limitado.  
 

RtM: O Moonspell jamais se permitiu estagnar ou se limitar musicalmente, e "Hermitage" surpreende depois do maravilhoso e complexo  "1755", trazendo uma sonoridade mais progressiva, por vezes mais limpa e soturna. Comente a respeito do que inspirou a temática das letras e a sonoridade de "Hermitage".
FR: Não sei se é inquietude ou simplesmente o fato de que nunca estamos verdadeiramente satisfeitos com o que fazemos, pelo menos eu, nunca estou. No caso do Hermitage, a sonoridade foi inspirada pelo progressivo que tem sido uma influência muita clara ao Metal e ao Moonspell, especialmente, desde discos como o "Wildhoney" do Tiamat.

No meu caso eu recebi uma sacola do meu tio com TODA a discografia do Pink Floyd dos anos 70 e isso acabou por me influenciar também.

O conceito literário prende-se com a solidão à qual o mundo está voltado, a falta de comunicação e empatia entre as pessoas, que leva muita gente a isolar-se do mundo por razões diversas dos santos clássicos eremitas, e nesse contraponto se fez o disco.
Falava-se de distanciamento social, mas sem ser decretado por lei ou por emergência sanitária.
Somos como que eremitas de nós mesmos e uns dos outros.



RtM: Ainda sobre a sonoridade de "Hermitage", eu senti bastante influência do progressivo dos anos 70, inclusive depois com o lançamento do "From Down Below",  lembrei também que o Pink Floyd fez um show em Wembley no ano seguinte ao lançamento do "Dark Side of The Moon", tocando o disco na íntegra. Gostaria que você comentasse a respeito da influência desses clássicos e citasse alguns de seus favoritos. 
FR: Bem, como me referi antes, herdei toda a discografia do Pink Floyd em vinil! Escutei muito coisas como Relics, adoro o tema Set the Control to the Heart of the Sun, mas também Piper at the Gates of Dawn e claro o "Dark Side of the Moon" que é uma obra-mestra.

Também gosto muito de Emerson Lake e Palmer, por exemplo, ou post rock como Apse, A Perfect Circle ou coisas mais metaleiras como Katatonia que fazem grande música.

 
RtM: "Hermitage" também apresenta o novo baterista Hugo Ribeiro.  E referente a Hugo, como foi o contato e adaptação dele até o momento, e o que ele trouxe de novo para acrescentar à sonoridade da banda?
FR: O Hugo é o baterista mais talentoso e completo que já tocou na banda e podemos evoluir muito na complexidade das partes rítmicas e essa segurança nos permitiu ter mais imaginação e ir mais longe. Penso que o Hugo ainda tem muito para dar ao Moonspell e apenas está começando! E creio que começou com o pé direito, já que a sua performance no Hermitage é excelente.
 

RtM: Mike Gaspar acabou deixando a banda depois de todos esses anos. Como foi lidar com esse processo de mudança? Claro, entendemos que mudanças fazem parte, mas quando envolve um membro original, pode ser um pouco mais difícil. 
FR: Muito difícil. Pessoalmente, o Mike era não só o baterista de Moonspell, mas também o meu melhor amigo e cheguei a equacionar não continuar sem ele. Foi das decisões mais duras da minha vida, mas tínhamos, de fato, chegado a um ponto que não podíamos resolver. Desejo toda a sorte ao Mike e aos Seventh Storm, a sua nova banda, criada à sua imagem.

RtM: Sobre o "1755", considero não só um marco para o Metal mundial, mas um trabalho complexo, rico em história e com um clima único. Cheio de nuances épicas e instigantes. Levando a emoção a picos altíssimos. Gostaria que se possível comentassem sobre a importância e ideia criativa para um álbum tão poderoso e instigante.
FR: Foi uma coisa do momento, embora as ideias radiquem no meu passado de estudante. O disco nasce também da ausência de uma obra musical que contemplasse esse evento e todas as suas consequências sociais, políticas, artísticas e filosóficas.

Expliquei o conceito aos meus parceiros e eles entenderam logo que o som teria de ser grande e épico, quase sinfónico, e que teria de ser cantado integralmente em Português. (N. do R.: O disco conta a história do terremoto, seguido por um tsunami, que devastou Lisboa no primeiro dia de novembro do ano de 1755.)

Para nós foi muito importante, pois juntou duas paixões do Moonspell: História de Portugal e Heavy Metal. E queremos muito fazer outro disco em Português, assim que se encontre um tema.
 

RtM: Como artistas e banda consolidada, creio que desde o início vocês buscaram trazer algo inovador, se desafiar e ainda sentirem o compromisso de trazer mensagens e ideias para fazerem o seu público refletir, interpretar, instigando a curiosidade. Gostaria que vocês comentassem a respeito, e se vocês entendem que todo artista, tem que ter esse dever e também o cuidado de levar uma mensagem aos seus fãs, pois é um potencial formador de opinião. 
FR: Cada artista faz o que quer e não há que haver julgamento. Existem diversos caminhos que se podem percorrer e para mim, não vejo porque um caminho deva ser mais legítimo que outro. Se quiser citar Feuerbach ou apresentar um pato de borracha gigante no palco, a nossa missão é entreter.

Hoje em dia com toda cisão, crise e depressão que existe, um músico que consiga com que a pessoa esteja a pensar noutra coisa e focada no show e não nos problemas que tem, é um ato de imensa generosidade e empatia.

Pessoalmente, gosto da parte poética, filosófica e intelectual do Metal. Gosto de saber que o tema de Maiden "The Evil that men Do" é uma citação shakespeariana. E sigo esse caminho. Mas se outro músico quiser colocar o público fingir que está num barco viking, remando, quem sou eu para dizer que deve ser do meu modo e não do dele? Há espaço para tudo e para todos.

 

RtM: A discografia do Moonspell se mostra muito forte e diversificada. Pois a cada lançamento temos os elementos característicos, porém, com sínteses diferentes. Você escuta, sabe que é o Moonspell, mas de uma maneira renovada e diferente. Como é o processo criativo de um modo geral da banda?
FR: Somos uma banda de zeitgeist, i.e., o que está acontecendo no mundo, nas nossa vidas, o que entra ou é recuperado nas nossas biblioteca e discotecas e pela insatisfação com o que fazemos e o entusiasmo em descobrir novas melodias e, quem sabe, adicionar novos temas do Moonspell ao quotidiano das pessoas. Se tivéssemos parado nos primeiros discos, ou repetido as fórmulas, não teríamos dado ao mundo temas como Nocturna, Scorpion Flower, Breathe ou todo o 1755.
 

RtM: Vocês recentemente tiveram que cancelar a turnê europeia pela crise financeira que alguns países vêm passando. No Brasil e América do Sul em geral, não seria tão diferente, pois as crises chegam, os governantes negligenciam e o povo paga o preço infelizmente. Na visão de vocês que já rodaram o mundo, o que poderia ser feito para conter essas crises em massa que acontecem?

FR: A turnê Europeia foi realizada. A turnê dos EUA foi cancelada por falta de transporte e a do Reino Unido não vendeu bilhetes suficientes em Londres, o que foi bizarro, pois Londres sempre foi uma das cidades mais importantes para Moonspell. O que pode ser feito? Absolutamente nada. 


Temos apenas de contar com a generosidade dos fãs e depender da profundidade do seu amor pela música, e, no nosso caso para que decidam gastar o seu duramente ganho dinheiro e viver uma experiência com o Moonspell. O mundo escolheu o capitalismo e o liberalismo, sem regras, não há equilíbrio, nem base para que se experimente regular, por isso a carga será sempre em cima dos fãs e das bandas e de quem ainda investe neste tipo de negócio com pessoas, em vez de números ou algoritmos.


No nosso caso, os Moonspell optaram por baixar condições, cachês/pagamentos à banda,produção, preços de merch, para que consigamos ainda tocar para os nossos fãs. Estamos sempre a trabalhar para lhes dar o melhor.


RtM: Obrigado pelo seu tempo e por nos responder esta entrevista, que a tour pela América Latina seja muito bem sucedida, estaremos lá no Opinião em Porto Alegre, se assim o universo quiser. E para finalizar poderia nos adiantar alguma coisa do que os fãs podem esperar do próximo álbum?

FR: Muito grato pela oportunidade. E pelos votos! Vemos-nos em Porto Alegre para uma grande noite, sob o feitiço.


Iremos trabalhar num novo disco, sem pressas, algo mais simples, menos prog, regresso às canções mais emblemáticas, algo mais inteligível à primeira escuta e com o conceito à volta do poder dos livros e das palavras. Sairá em 2024, ou, no pior dos casos, em 2025.


Entrevista por: Carlos Garcia e Renato Sanson

Agradecimentos: Erick Tedesco - Tedesco Mídia

IDL Entertainment


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