Mostrando postagens com marcador Shawn James. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Shawn James. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Shawn James – 08/08/2026 – Hard Rock Café/CWB

Shawn James volta a Curitiba e prova que sua música é mais que uma trilha sonora

No último sábado, dia 08 de agosto de 2026, Curitiba recebeu novamente o cantor americano de blues, folk e rock Shawn James, com sua turnê "Flew Too Close to the Sun", e o local escolhido foi o famoso Hard Rock Café. Apesar de muitos acharem que esta era a primeira vez do cantor na cidade, na verdade ele já esteve por aqui com sua banda The Shapeshifters em 2023, tocando no Basement Cultural, um local mais intimista, e porque não dizer, menos suntuoso.

Primeiramente, esta resenha vai tomar um rumo um pouco diferente das demais que costumo escrever. Vamos falar de sentimentos aqui, e deixaremos os apontamentos mais objetivos para o final.

Importante falar aqui do talento deste artista, que teve seu primeiro EP lançado em 2013, e desde então, suas composições vêm figurando entre algumas trilhas sonoras conceituais, tanto de games, quanto de séries televisivas. Portanto, não é de hoje que o artista americano vem fazendo música de qualidade, mas somente de alguns poucos anos para cá, conseguiu atrair o público brasileiro para suas apresentações, não estou falando dos fãs de carteirinha, mas sim, dos apreciadores de boa música, abertos ao novo. Pois sabemos que muitos fãs de rock acabam ficando sempre nas mesmas bandas tradicionais, não dando muito espaço a outros estilos.

A música de Shawn James realmente impressiona, provoca sentimentos ao público, nostalgia, saudades, melancolia, enfim, durante toda a apresentação, um turbilhão de pensamentos atingiu pelo menos a metade dos presentes no local. Logo no início, uma história sobre um amigo que acabou falecendo e uma homenagem com a canção "That's Life" originalmente de Frank Sinatra, enchendo alguns olhos de lágrimas. Ressalto que esta música não está listada oficialmente, pois ela costuma aparecer de surpresa nas apresentações, portanto na lista oficial, ela ficou de fora. Entretanto, para quem estava lá, o momento foi real e inesquecível.

Durante a execução de "Burn the Witch" o público vibrou, mas também houve momentos de silêncio, onde só se ouvia a voz de James. O ponto alto, excetuando o hit do momento, foi a execução da música "Juliet", de seu novo álbum Passage que conforme o próprio é dedicada a sua esposa (que momento perfeito). O setlist conseguiu mesclar bem as músicas do novo álbum e os clássicos de outrora, ponto forte na escolha do mesmo.

O cantor nascido e criado na zona sul de Chicago é dono de uma das vozes mais belas que já pude presenciar em shows ao vivo, muito bem acompanhado pelo extraordinário Chris Overcash comandando o violino, em perfeita sincronia com os vocais. Todos os músicos pareciam ter uma sinergia ótima.

Ao longo da noite, muitas conversas com o público, pausas para alguns goles de cerveja, pois afinal somos todos humanos, agradecimentos à plateia, muita humildade e principalmente grandes canções. Logicamente teve a música do momento "Through The Valley", e nesta parte faz-se necessária uma reflexão, que acabei fazendo a partir dos comentários do próprio Shawn: "Após a notícia de sua participação na trilha sonora do jogo de videogame "The Last Of Us", com a faixa "Through The Valley" e que também recentemente virou série aclamada no canal HBO, ele começou a aparecer na mídia e a fazer muitas turnês, impulsionado pelo sucesso do game." Neste momento, preciso dizer que a sensação presente no jeito em que o cantor falou tais palavras passou a impressão de empolgação, mas ao mesmo tempo de um sentimento de tristeza imperceptível, pois o talento do músico é inegável e com certeza merecia uma maior presença em nossas playlists, independente do sucesso da canção (que, de fato, é realmente uma pérola). Mas, novamente, pode ter sido apenas a minha impressão ou uma empatia escondida dentro de mim por ver um artista tão bom reduzido a uma música por algumas pessoas.


Agora vamos para as observações gerais, primeiro, a questão do local escolhido para a apresentação e estrutura. Bem, é inegável a capacidade do Hard Rock Café de proporcionar a melhor experiência ao público/cliente, os funcionários são educados, todos extremamente corteses e prontos a resolver qualquer demanda, inclusive a imprensa, no meu caso, foi tratada muito bem. A decoração é linda, a parte técnica dispensa comentários, há uma infinidade de opções de comidas e bebidas, mas um alerta, não é barato, nem mesmo acessível a todos, um chopp, por exemplo, custa em torno de 22 reais o copo de 500ml, a comida gira em torno de 80 reais um lanche completo para uma pessoa. Ou seja, a experiência é premium e o preço também. E uma observação, percebi poucas pessoas consumindo algo durante o show, sejam bebidas ou comidas. A conclusão fica clara, o valor do ingresso consumiu todo o "ticket médio" do sábado. Provavelmente após o show, muitos foram procurar lugares mais acessíveis para terminar a noite.

Por fim, é inegável o ótimo show realizado na capital paranaense, um pouco mais frio do que os demais, mas mesmo assim, foi extremamente apreciado pelo público. Também finalizo com uma observação: o local poderia estar muito mais cheio do que realmente estava, me atrevo a colocar a culpa nos valores dos ingressos e na situação econômica do país. Principalmente nas capitais, onde a demanda de shows está muito alta e as pessoas não estão conseguindo acompanhar os valores cobrados pelos eventos. Este show de longe poderia ter sido apreciado por muito mais gente, então: "Shawn James, continue vindo ao Brasil!", para que mais fãs tenham acesso ao espetáculo que é sua música!


Texto: Paula Butter

Fotos: Vladimir Silverio 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Move Concerts / RW 7 Promoções Eventos


Shawn James – setlist:

The Curse of the Fold

I Want More

Burn the Witch

Icarus

Orpheus

Flow

The Thief and the Moon

The Guardian (Ellie's Song)

Through the Valley

Headed for the End

Peace of Mind

My Juliet

Tired of Trying

Burn

No Blood From a Stone

Haunted

The Devil's Daughters

Muerte mi amor

Let Me Go


Errata: A matéria inicial publicada pela Road To Metal, de minha autoria, sobre o anúncio do evento, descreveu a apresentação de Shawn James em Curitiba, no dia 8 de agosto, como show "inédito" e parte da "primeira turnê" do artista pelo Brasil. Na verdade, Shawn James já havia se apresentado na cidade em 14 de abril de 2023, no Basement Cultural, dentro de uma turnê brasileira que passou também por São Paulo e Rio de Janeiro. 

domingo, 9 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Shawn James – 07/08/2026 – Cine Joia/SP

A seleção do Blues-Rock jogou em casa: Shawn James incendeia o Cine Joia 

Era para ser mais uma sexta-feira fria (graças à mudança maluca de tempo) em São Paulo, se não fosse por um detalhe: era dia de show do Shawn James no Cine Joia. Inicialmente, todo o meu conhecimento sobre ele vinha da minha paixão pelos games e da voz inconfundível e absurdamente inacreditável, que saía da trilha de The Last of Us Part II. Mas, para minha sorte, ele me faria ficar de boca aberta inúmeras vezes ao longo daquela noite.

Para quem ainda não conhece a fundo essa figura, Shawn James é um cantor e compositor americano, nascido em Chicago, que transita com perfeição entre o blues, o folk, o soul e o rock pesado. Com um alcance vocal impressionante e letras cruas que parecem sair direto da alma, ele vem construindo uma carreira sólida e visceral desde meados de 2012. E o público paulistano estava com saudade: fazia dois anos que Shawn não pisava em solo brasileiro, o que só ajudava a acumular a energia represada daquela noite.

Mas, vamos começar do início. Cheguei à casa de shows, localizada no coração da Liberdade, pontualmente para o credenciamento. Enquanto aguardava a pulseira, vi parte dos músicos descendo e pude sentir uma animação que de pronto me contagiou. Entrei, peguei um bom lugar, vi fãs devotos com camisetas de diferentes modelos e tipografias e aguardei o início. Deu 21h e, pontualmente, a introdução começou. Aos gritos, os músicos subiram ao palco e, logo em seguida, sob uma ovação que eu nem achava possível para o tamanho daquele local, Shawn apareceu e mandou logo Curse of the World.

Em anos de shows e coberturas, poucas vezes na vida vi fãs cantarem tão alto a ponto de me fazer sentir em um festival para mais de 50 mil pessoas. Eles sabiam cada letra e vibravam como se a seleção brasileira estivesse fazendo um gol na final da Copa. E, de fato, era. A seleção deles estava bem ali, na frente de cada um. Na sequência, ele emendou I Want More e Burn The Witch, com um público que simplesmente não parava de cantar.

Aliás, vale fazer uma pausa obrigatória aqui para falar de Sage, o violonista da banda. Eu simplesmente não consegui tirar os olhos dele o show inteiro. A entrega, a animação e o amor visível pelo que faz são coisas das quais nunca vou me esquecer, principalmente no momento em que ele perdeu totalmente a cabeça e se jogou no público, caindo nos braços da galera. Foi épico!

No intervalo para a próxima música, Shawn comentou que estavam filmando o show e que o motivo de terem escolhido São Paulo era justamente por sermos a melhor plateia do mundo. Fomos o experimento mais legal do projeto, já que era a primeira vez que faziam um registro audiovisual desse tipo.

Na sequência, tivemos Icarus, Orpheus, Flow e Thief And The Moon. Após o final dessa última, os músicos deixaram o palco, dando lugar ao momento acústico de Shawn. Foi quando ele contou que um fã foi ao meet & greet e fez uma "pinky promise" (aquela promessa de dedinho) para convencê-lo a tocar uma música que ele pedia há anos, intitulada When I’m Gone. Shawn brincou que, se ele errasse tudo, a culpa seria desse fã (o que ele disse caindo na risada, claro, já que tocou e cantou majestosamente). Na sequência, contando um pouco sobre como surgiu o convite da produção para vir ao Brasil, engatou American Hearts e The Guardian.

Então, chegou a hora da catarse. Shawn começou a falar sobre a época em que tocava em bares e que, naqueles dias, compôs uma música que teve de deixar de lado para tocar mais covers e sons que mantivessem a atenção das pessoas, já que ninguém queria ouvir baladas. Isso o chateou bastante na época, pois era algo muito visceral dele. Até que, quando o procuraram para inserir uma faixa em The Last of Us Part II, pediram justamente a menos popular: Through The Valley. Nesse momento, o Cine Joia veio abaixo. Todo mundo cantando ainda mais alto, mãos para cima, preenchendo cada centímetro do espaço com uma energia surreal.

Depois desse momento mágico, veio o restante do setlist: Headed for the End, Peace of Mind e My Juliet, entre muita animação, um Shawn extremamente grato e bem no estilo "mestre cervejeiro" que chegou até a provar o drink de uma pessoa da plateia.

Mais à frente, ele compartilhou que, pelo bem da sua saúde mental, teve que dar uma pausa no ano passado para respirar e sair da correria das turnês, o que lhe fez um bem enorme. Contou que, no México, perguntaram se ele estava bem por conta da música forte que cantaria a seguir, e ele respondeu que sim, pois a música era a sua terapia, o lugar onde ele colocava as dores e as deixava ir. Veio então Tired Of Trying, seguida por No Blood e Haunted, na qual ele dividiu a plateia para cantar junto, provando mais uma vez por que a gravação tinha que ser ali.

Em Devil’s Daughters, ele anunciou que seria a última música, arrancando na hora um coro demorado de "Eu não vou embora!" do público. E não foram mesmo. Shawn e a banda voltaram para o bis com Muerte Mi Amor e Let Me Go, encerrando uma noite simplesmente inesquecível.

Saí do Cine Joia com a certeza de que uma troca pura e honesta de energia entre artista e público. O frio de São Paulo ficou do lado de fora; do lado de dentro, Shawn James e sua banda provaram que a música feita com a alma ainda tem o poder de lavar a nossa. Que ele não demore tanto tempo para voltar!





Realização: Move Concerts

Press: ForMusic 


Shawn James – setlist:

The Curse of the Fold

I Want More

Burn the Witch

Icarus

Orpheus

Flow

The Thief and the Moon

When I'm Gone

American Hearts

Son of the Wolf

The Guardian (Ellie's Song)

Through the Valley

Headed for the End

Peace of Mind

My Juliet

Tired of Trying

Burn

No Blood From a Stone

Haunted

The Devil's Daughters

Bis

Muerte mi amor

Let Me Go

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Cobertura de Show: Shawn James – 11/10/24 – Carioca Clube/SP

Muitos o conheceram depois da inclusão de sua música “Through the Valley” no jogo Last Of Us Part II, no começo da pandemia, mas o Shawn James, cantor de blues/folk nativo de Chicago, Illinois têm estado na ativa desde 2012, impressionando tanto fãs quanto críticos ao redor do mundo com sua voz incrível. Aqui no Brasil, sua primeira apresentação veio em 2022, voltando em abril do ano passado, no Fabrique Clube. Agora, em outubro de 2024, o americano voltou para terras tupiniquins, trazendo 6 de 12 apresentações da perna latinoamericana de sua nova turnê, “Muerte Mi Amor Tour” para a nação verde-amarela, passando por São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte e pelo Rio de Janeiro. A “gira” começou em São Paulo, em uma sexta-feira, dia 11, no Carioca Clube. Veja como foi.

Perto das 19:00, horário de abertura das portas, já havia uma fila decente do lado de fora da casa, dobrando a Cardeal Arcoverde. Dentro da casa, pessoas corriam de um lado para o outro, tentando garantir um lugar perto do palco. Mais ou menos umas 19:40, a luz começou a pipocar, ficar meio instável. Em várias regiões da cidade, começou uma chuva forte, derrubando a energia de vários lugares. Quase uma hora depois, nada do Shawn no palco. Ele só foi subir às 20:45, mais de uma hora depois de acabar a luz.

Logo de cara, os fãs enlouqueceram, gritando e batendo palmas, mas assim que Shawn pegou no violão, dava para ouvir até um cílio cair no chão. Foi só o nativo de Chicago começar “Six Shells (The Outlaw’s Anthem)”, com sua voz poderosa ecoando pelo Carioca como fortes trovoadas que a galera acordou de novo. Inicialmente, até havia um coro singelo o acompanhando, mas acabaram deixando a cantoria só para James. O músico até tentou agradecer o público no final na música, mas não deu nem para ouvir o que ele tinha a dizer, por conta do volume absurdo dos gritos dos fãs.

“The Curse of the Fold”, por sua vez, foi cantada inteira a plenos pulmões, por uma massa de fãs que estava claramente maravilhada, estavam vidrados pelo Shawn. Esse apreço foi retribuído pelo cantor, que disse que “não há lugar melhor no mundo que São Paulo”, logo antes de iniciar “When the Stones Cried Out”, que também foi recebida de maneira tão calorosa quanto a sua antecessora. 

Shawn mostrou estar incrivelmente grato pelo apoio dos Brasileiros, apontando que o show que fez na capital paulista no ano passado, no Fabrique, havia sido o maior de sua carreira, então, com o show daquele domingo, São Paulo estaria quebrando seu próprio recorde. Ele falou que não tinha palavras para descrever o apoio que recebia do pessoal daqui, dizendo que genuinamente adora o país. Seria chover no molhado dizer que vindo dele, parecia ser algo verdadeiramente genuíno, diferente de muitos artistas. “The Thief and the Moon” e “Eating Like Kings” deram sequência ao show, cada uma ocasionando um mar de aplausos. A sintonia entre James e o Carioca Club, quase lotado, era espetacular, ele tocava com um sorriso no rosto, pulando pelo palco, e os fãs iam verdadeiramente à loucura. “Eating Like Kings” veio com a história comovente de sua origem: composta originalmente por Baker (Gravedancer), um dos melhores amigos de James, ela é o resultado emocionante de estar lutando no Afeganistão pelo exército americano.

Entre conversas com quem estava lá, destacou também “I Want More”, de seu mais novo álbum, “Honor and Vengance”, de novembro de 2023 e tocou “Pendulum Swing”, de “Deliverance” (2014). Era incrível que não importava a música, os fãs cantavam junto. Honrando o halloween, a chamada “spooky season”, foi executada “Burn the Witch”, que o cantor admitiu ser uma de suas favoritas. Mostrando seu carisma, soltou um “vamo, caralho!” e chamou alguém (que este que vos escreve não identificou) de arrombado. Troçando os xingamentos por elogios, introduziu sua banda de apoio e todo o time por trás dessa turnê, tour managers, técnicos de som e até sua mulher, que aparentemente estava encarregada de fazer sua segurança.

O bloco “plugado” de seu show foi encerrado com “Orpheus”, que abriu as portas para “Muerte Mi Amor”, faixa que dá nome à turnê e foi a primeira de 6 consecutivas a ser tocada de maneira acústica. “Muerte” foi prefaciada com um discurso um tanto deprimente, com Shawn falando que já havia terminado o último disco, quando começou a pensar sobre sua própria morte, criando a letra da música. No palco, havia só ele e o baixista, que havia assumido o violão, criando um clima um pouco mais intimista. O baixista saiu do palco, deixando só James, claramente surpreso com o apoio do público, falou que tocaria mais algumas músicas que não estavam no setlist. A primeira dela foi “That’s Life”, clássico do Frank Sinatra.

Para realmente enfartar seus fãs, Shawn tirou uma dobradinha absurda da manga, “The Guardian (Ellie’s Song)”, famosa por conta de sua inclusão na segunda parte do The Last of Us e um cover arrepiante do “The Number of the Beast”, hino absoluto do heavy metal. A energia naquele momento foi indescritível. Não há como fazer jus à o que foram aquelas duas músicas, especialmente escutar um clássico do metal na voz de Shawn James. Veja:


“Midnight Dove”, composta para sua irmã, que à época batalhava contra o câncer, foi seguida por “Through The Valley”, e desculpe meu palavreado, mas puta que pariu, caralho, porra, vai tomar no cu, que música bonita. Veja também. Não tem nem porque tentar descrever. Mantendo a energia lá no alto, os fãs gritavam “Shawn, eu te amo! Shawn, eu te amo!” e ele, segurando uma dose de cachaça, trazida pelo baixista, que voltava ao palco, virou como se não tivesse amanhã.


Continuando com a sequência de hits, Bill Withers foi homenageado com “Ain’t no Sunshine”, novamente linda, com uma energia indescritível. Shawn até estendendo a parte do “I know, I know, I know”, vendo o ânimo dos fãs. O violinista já estava pra lá de maluco, virando uma lata de cerveja, soltando o cabelo e batendo cabeça que nem louco. Estava um clima de festa mesmo, bem descontraído. Com a banda toda já no palco e seu bloco acústico para trás, tocou “Flow”, uma das favoritas dos fãs, julgando pelo número de celulares que foram ao ar para registrar o momento.

O Chris Cornell é um dos melhores vocalistas da história, ele tinha um timbre de voz único, uma intensidade ímpar, e nunca, ninguém vai chegar no nível dele, nem sequer superá-lo. Mesmo assim, (desculpe minha vulgaridade), puta merda, como esse Shawn James canta. “Like a Stone” coube na voz dele como uma luva. Ele tem um pouco da mesma intensidade e do drive natural do Cornell. Ouvir uma música tão clássica, em uma versão tão diferente ser cantada a plenos pulmões por mil fãs apaixonados não tem preço, é mais que especial. Sei que parece que estou com preguiça de escrever, mas nada faz jus à performance de Shawn James, veja só você:


Deixando um pouco do melhor para o “final” - como se o show inteiro já não estivesse um arregaço de bom - executou as enérgicas “The Wanderer” e “Blood From a Stoner”, ambas incrivelmente enérgicas, dava quase para abrir mosh. Transbordando carisma, pegou novamente a garrafa de cachaça e virou um pouco na goela de cada músico de apoio.

Para o Bis, o americano nem saiu do palco, só soltou o violão e pegou, pouco tempo depois. “Voltaram” com uma versão de “Bad Moon Rising”, do Creedence Clearwater Revival, ainda não lançada, que estão tocando só nessa turnê e 2 autorais, “Hellhound” e “Haunted” de “On the Shoulders of Giants” (2016) e “The Dark & The Light” (2019). “Hellhound” foi introduzida com uma pequena amostra das habilidades do baterista irlandês, acompanhado do violinista, já doidasso das ideias. James, incentivando o público a “enlouquecer” naquela sexta à noite, começou o riff, banhado em distorção, criando um peso até inesperado. Apesar de uma falta de cantoria, seria chover no molhado dizer que quem esteve lá se divertiu, batendo palmas, trocando “oooos” no refrão e até batendo cabeça.


Com uma lata de cerveja na mão e o público na outra, gritou “one more”! Levando a galera à loucura, “Haunted” foi a faixa que teoricamente fecharia a noite. Foi um frenesi generalizado, gente pulando, copos de cerveja indo ao ar e “o caralho a quatro” - a energia estava animal, justifica mais um último palavrão, vai. Agradecendo a presença e energia de todos, ao som de gritos de “mais um! mais um!”, anunciou “Hunger”, música originalmente do projeto dele com sua banda, Shawn James and the Shapeshifters. “Hunger” tem dois pés fincados no southern rock, com partes que quase beiram o punk. Foi certamente um ponto alto da noite e o melhor jeito de fechar o show, com a energia lá em cima. Acentuando ainda mais o espírito punk, o violinista nem esperou a música terminar para “meter o louco” e moshar do palco, recebido pelos braços do público.


Vou falar a verdade, não estava esperando que fosse um show incrível. Vi um monte de vídeos dele ao vivo, em estúdio, todo material Shawn Jamestico que tinha para consumir, eu consumi. Um dos comentários que eu mais vi nos vídeos do YouTube foi “his voice turned me gay” (a voz dele me fez virar gay), e mesmo com os comentários sendo 100% na zoeira, dá para entender tranquilamente. A potência que o Shawn James tem é algo para ser estudado pela NASA. A presença de palco dele nem se fala. O repertório, perfeito, sem erros. Quem não foi, perdeu um dos shows do ano, e olha que sou metaleiro chato.





Realização: Agência Powerline



Shawn James - setlist:

Six Shells (The Outlaw’s Anthem)

The Curse of the Fold

The Stones Cried Out

The Thief and the Moon

Eating Like Kings

I Want More

Pendulum Swing

Burn the Witch

Orpheus

Muerte Mi Amor*

That’s Life*

The Guardian (Ellie’s Song)*

The Number of the Beast*

Midnight Dove*

Through the Valley*

Ain’t No Sunshine

Flow

Like a Stone

The Wanderer

No Blood From a Stone

Bis

Bad Moon Rising

Hellhound

Haunted

Hunger