sexta-feira, 14 de março de 2025

Cobertura de Show: The Cult – 23/02/2025 – Vibra/SP



No domingo, 23 de fevereiro, São Paulo recebeu os gigantes do The Cult com a turnê comemorativa de 40 anos da banda, a 8525. Antes da capital paulista, o grupo havia passado pelo Rio de Janeiro no dia anterior e encerraria sua passagem pelo Brasil em Curitiba, no dia 25.

Foram oito longos anos de espera. A última vinda do The Cult ao país havia sido em 2017, durante a turnê do álbum Hidden City, lançado em 2016. Com uma leve mudança na formação, a banda liderada por Ian Astbury (voz) e Billy Duffy (guitarra) veio acompanhada por John Tempesta (bateria), o integrante mais longevo além dos fundadores, Charlie Jones (baixo) e um membro pouco mencionado: Matt McKenna, responsável pelos teclados e pela guitarra base. Sua presença faz diferença, já que os arranjos das gravações costumam contar com mais de uma guitarra, embora ele fique discretamente posicionado na lateral do palco, fora do campo de visão principal.


Baroness: peso, técnica e energia antes da celebração do The Cult

Escalados para a abertura dos shows poucas semanas antes do início da turnê, os americanos do Baroness aqueceram o público que lotou o Vibra São Paulo. Formada por John Baizley (guitarra/vocal, que também assina as artes das capas dos discos da banda), Gina Gleason (guitarra/backing vocal), Nick Jost (baixo) e Sebastian Thomson (bateria), a banda apresentou um set de dez músicas que percorreu praticamente toda sua discografia.

Seu som, que mistura elementos de sludge, rock progressivo e outras influências, pode não ter uma conexão direta com o The Cult, mas foi bem recebido pelo público. John, extremamente enérgico e carismático, contornou eventuais problemas de som (comuns para bandas de abertura) com simpatia e bom humor. Vale destacar também a performance intensa e dinâmica do baterista Sebastian Thomson, que manteve a energia do show sempre em alta. Em alguns momentos é notável a influência de bandas como Tool e Mastodon, mas com a identidade do Baroness, um exemplo perfeito de influência bem aproveitada e não uma cópia propriamente dita.

A participação do Baroness como banda de abertura aconteceu exclusivamente na passagem brasileira da turnê. Após o show em Curitiba, no dia 25, cada banda seguiu seu

próprio caminho pela América Latina, com o The Cult dando sequência à sua celebração de 40 anos e o Baroness promovendo seu mais recente álbum.

Baroness - Setlist:

Last Word

Under the Wheel

A Horse Called Golgotha

March to the Sea

Shock Me

Chlorine & Wine

Swollen and Halo

Tourniquet

Isak

Take My Bones Away


Sem maiores delongas, o Baroness encerrou seu set e deixou o palco para que a equipe técnica preparasse tudo para a atração principal da noite. Enquanto a montagem avançava, o som mecânico ajudava a criar a atmosfera perfeita para o que estava por vir, com músicas de artistas que, em algum momento, se conectaram — pelo menos em termos de sonoridade — com a fase clássica do The Cult. Entre eles, Nick Cave, The Cure, Depeche Mode e Siouxsie and the Banshees.

A troca é rápida e, como Ian Astbury mencionou em entrevista ao jornalista Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, "o The Cult não é entretenimento". Não há backdrops, telões ou grandes elementos visuais. O palco é montado de forma simples, com a ambientação do show sendo conduzida apenas pela iluminação.

Um detalhe curioso que chamou a atenção dos fãs aconteceu no final da preparação do palco: um dos integrantes da equipe técnica percorreu o espaço “defumando” os instrumentos, os colegas de equipe e até o público próximo à grade com algo que parecia ser sage (sálvia, em tradução literal). O gesto, quase ritualístico, deu início à atmosfera mística da apresentação. Isso é puro Ian Astbury.

Com o show marcado para as 21h30, um atraso sem motivos óbvios ou visíveis começou a deixar o público impaciente. A situação se tornou constrangedora quando, após 15 minutos, vaias já podiam ser ouvidas na plateia. Cada nova música no som mecânico era recebida com mais sinais de insatisfação. O que aconteceu nos bastidores, jamais saberemos.


The Cult: um ritual intenso, mas desperdiçado pelos pseudo-fãs

A Marcha das Valquírias, de Wagner, anunciava o início do culto (sem trocadilhos intencionais). Apesar da casa cheia, desde o começo era possível perceber um certo descontentamento no ar.

Algo que vale destacar é que o The Cult só não é maior porque não quis. Os primeiros álbuns foram sucessos consecutivos, culminando no auge comercial com Sonic Temple, de 1989. No entanto, ao longo da carreira, a banda se recusou a “se vender”, mesmo que isso significasse não lotar arenas ou vender milhões de discos.

Costumo dividir os fãs em três grupos: os que acompanharam a fase pós-punk/gótica do Dreamtime e do Love; os fãs de hard rock, atraídos principalmente pelo Electric e Sonic Temple, talvez até chegando ao Ceremony; e aqueles que, como esta que vos escreve, seguem a banda em todas as suas fases e sempre estiveram lá para apoiar.

Os primeiros a se posicionar no palco são John e Charlie, seguidos por Billy Duffy, sempre à direita. Os primeiros acordes de In the Clouds — faixa que ficou de fora do álbum homônimo de 1994 (ou, como os fãs chamam, o “disco do bode”) e que está presente na coletânea Pure Cult — ecoam pelo Vibra. Em meio a saudações calorosas, a entidade Ian Astbury faz sua entrada.

Essa música reflete bem a sonoridade atual da banda. Na verdade, ouso dizer que o The Cult faz desde 1994 já era “moderno” para a época e continua soando atual. Ainda assim, as origens da banda sempre se fazem presentes nos detalhes.

Sem pausa, Rise, do ótimo Beyond Good and Evil, deu sequência ao set. A recepção foi um pouco mais calorosa — seu riff marcante e refrão enérgico dificilmente deixam alguém parado, nem que seja apenas acompanhando as batidas de Tempesta com a cabeça. Mas foi na terceira música que até os mais tímidos se entregaram e devolveram a energia que a banda oferecia. Wildflower, hit do Electric, foi cantada por quase todos os presentes. Afinal, ir a um show do The Cult e não conhecer esse hino é, no mínimo, peculiar — salvo os curiosos, é claro.

É difícil escrever sem ser tendenciosa, já que o The Cult é minha banda favorita. Mas o setlist, no geral, faz todo o sentido — é a essência da banda, passando por praticamente todas as suas fases (com exceção de Ceremony, Born Into This e Hidden City que não tiveram músicas incluídas nas apresentações).

Foi aqui, porém, que a energia do público despencou. Não por culpa da banda, de forma alguma, mas porque a maioria dos presentes parecia pertencer aos tipos 1 e 2 que mencionei anteriormente.

Star, um dos singles do “disco do bode”, veio na sequência, com um arranjo excepcional. Em seguida, The Witch, single produzido por Rick Rubin e que nunca entrou em um álbum de estúdio, apenas na coletânea Pure Cult. Nessa faixa, ficou evidente a importância de ter um baixista de alto nível na banda — o arranjo ficou fenomenal, destacando uma parte instrumental extremamente bem ensaiada.

Ian, como já disse, é uma entidade. Seus movimentos de artes marciais, danças, giros de microfone, além do ritmo marcado com maracas e pandeirola, fazem com que seja impossível desviar o olhar. Mas um público desinteressado em retribuir essa energia acaba não aproveitando o show por completo. Pena deles.

Mirror, do mais recente Under the Midnight Sun, talvez seja minha única ressalva no setlist. Honestamente, há músicas melhores nesse excelente disco. Faixas como Give Me Mercy, Vendetta X ou Impermanence talvez encaixassem melhor e até ajudassem a abrir a cabeça daqueles que se recusam a ouvir material novo.

Uma ótima surpresa foi War (The Process), do Beyond Good and Evil. Com sua atmosfera sombria e letra pesada, foi um presente para os fãs que nunca tiveram a chance de ouvi-la ao vivo — algo que se repetiu com outras músicas ao longo da noite.

Para agradar os mais tradicionais, uma versão reduzida — e incrivelmente hipnotizante — de Edie (Ciao Baby) trouxe o público de volta ao canto. Com um início quase a capella, apenas com Billy e Ian, certamente seria um momento para levantar isqueiros. Mas, em uma casa fechada e lotada, talvez não fosse uma boa ideia.

Em uma transição perfeitamente executada, a banda seguiu para Revolution, adicionada especialmente para a turnê no Brasil. Aqui, era impossível alguém não cantar — afinal, essa música tocou (e ainda toca) bastante nas rádios. O clima seguiu no alto com o hit Sweet Soul Sister, mas logo voltou a dividir opiniões com Resurrection Joe.

Ah, se as pessoas soubessem o privilégio que é ouvir essa música ao vivo… Assim como The Witch, ela nunca saiu em um álbum de estúdio, apenas no EP de mesmo nome. Quem aproveitou, aproveitou.

Daqui para frente, viriam apenas os grandes clássicos (ou quase isso). A iluminação faz toda a diferença, com cores que se transformam e se harmonizam com cada música. Rain foi um sucesso absoluto, cantada por todos — mas como não cantar? Essa é uma das grandes músicas da banda.

Ian está cantando muito bem. Nem sempre segue à risca a melodia das versões de estúdio, mas é justamente aí que reside a beleza: no feeling do momento, na troca de energia. Spiritwalker, do álbum de estreia Dreamtime (um dos pontos altos da noite), e o mega hit radiofônico Fire Woman encerraram a primeira parte do set.

O encore começou com Brother Wolf, Sister Moon, do Love. Talvez esse tenha sido um dos momentos musicais mais bonitos que já presenciei. Uma música intensa, de significado profundo, envolta em uma ambientação quase mística — capaz de emocionar até o coração mais fechado. O solo, em especial, foi simplesmente inesquecível.

Sem delongas, veio a música que nunca pode faltar e que já indicava o desfecho do show: She Sells Sanctuary. Aqui, a nostalgia toma conta. Seja qual for o significado da canção — relacionamentos amorosos ou não —, é inegável que ela carrega uma forte memória afetiva para os fãs.

Com a apoteótica Love Removal Machine, o The Cult encerrou sua soberba apresentação em São Paulo. Antes de deixar o palco, Ian apresentou os integrantes da banda e foi ovacionado pelo público ao ter seu nome gritado em coro. Agradeceu aos céus, à terra e à plateia antes de se retirar.

Talvez por conta do atraso, o set de São Paulo não teve Lucifer (ao contrário do Rio e Curitiba), do álbum Choice of Weapon. Uma lástima.

Pude comparecer aos três shows da turnê, e cada um teve seus diferenciais. No Rio de Janeiro, a banda estava "zerada", e, embora o Vivo Rio não estivesse lotado, o público correspondeu aos estímulos da apresentação, deixando a banda visivelmente feliz e mais interativa com os fãs.

Em São Paulo, a performance foi impecável, mas a plateia pareceu um pouco apática. Já em Curitiba, a casa estava cheia, o público engajado, mas a rotina de aeroportos e viagens já mostrava uma banda talvez um pouco mais cansada.

O que acontece, ao meu ver, é que o The Cult não conquistou uma nova base de fãs significativa nos últimos anos, o que faz com que seu público envelheça junto com a banda. Portanto, caro leitor, dê uma chance aos discos menos comerciais. Apresente a banda aos amigos. E, se o som não for do seu agrado, ao menos vá a um show com o coração e os ouvidos abertos. Podemos ter presenciado as últimas apresentações do The Cult no Brasil.

Sorte a nossa se não for.


Texto: Jessica Tahnne Valentim

Fotos: Amanda Vasconcelos


Realização: Liberation MC

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


The Cult - Setlist:

Ride of the Valkiries - Richard Wagner (som mecânico)

In the Clouds

Rise

Wild Flower

Star

The Witch

Mirror

War (The Process)

Edie (Ciao Baby)

Revolution

Sweet Soul Sister

Resurrection Joe

Rain

Spiritwalker

Fire Woman

Bis

Brother Wolf, Sister Moon

She Sells Sanctuary

Love Removal Machine

sábado, 8 de março de 2025

Cobertura de Show: Rotting Christ – 08/02/2025 – Carioca Club/SP

O Rotting Christ é uma banda de death metal grega, formada em 1987. Desde o surgimento da banda, foram responsáveis por criar e apoiar a cena de black metal e metal underground de toda a Europa. A banda, tão importante para a cena, se apresentou no Carioca Club, no dia 8 de feveiro.

A tour que fizeram é a “Pro Xristou”, em divulgação do álbum de estúdio mais recente da banda, que possui o mesmo nome da tour.

O show contou com Miasthenia como banda de abertura, banda brasileira de black metal. Por mais que a casa ainda estivesse meio vazia durante o horário do Miasthenia, não deixaram de entregar um show carregado e animado. Todos os que já estavam dentro da casa foram tomados pela música da banda.

Mas, mesmo com um show cativante, tocaram apenas 5 músicas. É triste que não tenham dado mais tempo para o Miasthenia, pois o show acabou em meia hora, deixando por volta de uma hora vazia para os gregos da banda principal subirem no palco. A setlist foi focada no álbum mais recente de estúdio da banda, "Espíritos Rupestres", lançado em outubro do ano passado.

Então, as 19:30, depois de uma hora, a música de introdução começou a tocar nas caixas de som, e o Rotting Christ subiu ao palco, iniciando o show com a música “Aealo”, faixa título de seu décimo álbum.

A banda mudou a formação diversas vezes ao longo da carreira, sendo os únicos membros constantes os irmãos Tolis: Sakis, guitarrista e vocalista, e Themis, baterista. Contam atualmente com Kostas Heliotis no baixo e Kostis Foukarakis como guitarrista solo.

Em seguida, tocaram “Pretty World, Pretty Dies”, do último álbum. As duas primeiras músicas foram mais mornas, com a plateia meio parada, e foi assim durante todo o início do show, mas, quando entraram com uma outra música mais animada, como “Demonon Vrosis”, o público começou a gradualmente ficar mais agitado. Até que, após “Elthe Kyrie”, Sakis anunciou que ia tocar algumas músicas de álbuns mais antigos, o que fez todo mundo começar a ganhar mais energia. A casa se animou tanto, que contou com a plateia cantando e cantando em coro de “Oh-oh” com os riffs poderosos da “King of a Stellar War”, de seu terceiro álbum, “Triarchy of the Lost Lovers”.

Logo em seguida, chamaram Armando, do Mystifier, para tocar baixo na “The Sign of Evil Existence”, e a partir daí que o público começou a ficar cada vez mais animado com cada música que passava. Se iniciaram até pequenos moshs pelo Carioca, especialmente na “In Yumen-Xibalba”.

A banda, durante todo o show, estava bastante precisa, tocando as músicas perfeitamente. Sakis estava doente no dia, mas isso não o impediu de cantar bem e animar pelo palco. Destaque vai para o baixista Kostas, que não parava de correr e agitar o público pelo palco.

Fizeram a finalização falsa do show com “The Raven”, e após alguns minutos, Sakis retorna ao palco dizendo que iria tocar mais uma música, em português mesmo, e finalizaram o show com “Noctis Era”.

O Rotting Christ é uma banda lendária, e para todos os ouvintes de black metal, é realmente uma banda necessária de assistir ao vivo pelo menos uma vez. Esperamos que voltem ao Brasil em menos de um ano de novo.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Estética Torta



Miasthenia – setlist:

Evocação

Bruxa Xamã

Espíritos rupestres

Tapuia marcha

Transmutação


Rotting Christ – setlist:

Aealo

Pretty World, Pretty Dies

Demonon Vrosis

Kata Ton Daimona Eaytoy

Like Father, Like Son

Elthe Kyrie

King of a Stellar War

The Sign of Evil Existence
(with Beelzeebubth)

Non Serviam

Societas Satanas
(Thou Art Lord cover)

In Yumen-Xibalba

Grandis Spiritus Diavolos

The Raven

Bis

Noctis Era

quarta-feira, 5 de março de 2025

Lacuna Coil: Progredindo Sem Esquecer Suas Origens


Por Eduardo Okubo Junior

O Lacuna Coil é uma banda que, ao longo de 10 álbuns, sempre teve o seu som em evolução. Esse constante realinhamento da sua sonoridade divide a carreira dos italianos em três eras distintas: a primeira, uma banda cheia de melancolia, com arranjos lentos e polidos e flertando com o gótico, que culminou no clássico terceiro álbum, Comalies. 

Com o Karmacode , o Lacuna Coil modernizou sua música inspirado nas bandas novas (New/Nu Metal) que tomaram de assalto meados dos anos 2000 (Korn, Meshuggah) e deixando um pouco de lado sua personalidade meio Doom/Gótica. Essa fase do meio durou por quase uma década, até o mais sombrio Broken Crown Halo . 

Dessa fase atual, com um som mais fresco e energético, chegou ao seu auge com o incrível Black Anima , atingindo o equilíbrio entre o Groove da fase do meio e o peso gótico e melodia de suas origens. O Sleepless Empire logo é uma continuação evolutiva do seu antecessor, mais pesado, com flertes ao passado (eu imaginava essa possibilidade com a gravação do Comalies XX) e se voltando para o futuro da banda.

Todas as 11 músicas do novo álbum funcionam incrivelmente bem juntas, como um conjunto coeso. Recomendo ouvi-lo a primeira vez de cabo a rabo, engrandece a experiência sonora."The Siege" mantém uma tradição da banda, abrindo sempre com uma ótima música, e aqui já podemos perceber um dos destaques das novas composições: o rosnado gutural de Andrea Ferro é denso, feroz, brilha... Ou melhor, amedronta! Quando contrastado com a linda voz melódica de Cristina Scabbia, temos uma receita que é única e perfeita no Metal, é quase sobrenatural.

"Gravity", "Oxygen" e "Scarecrow" são extremamente pesadas, a primeira mais melódica, com uma introdução que é puro Lacuna Coil do Velho Testamento, um dos pontos altos dessa jornada; a segunda é um show de interpretação de Andrea e Cristina, e os riffs são gigantescos. E aqui tem que se destacar o trabalho do Marco Coti Zelati, que assumiu as guitarras além das habituais funções como baixista, compositor e produtor; a terceira é pesada, hipnótica e seus teclados criam uma atmosfera sombria.

Aí temos "I Wish You Were Dead", divertida, animada e... dançante! É Glam Rock, é puro Ghost para mim. E no bom sentido, até porque adoro a banda do Tobias Forge. São menos de três minutos delicioso, e tem um vídeo musical que desde já é um clássico. Ah, as dancinhas, as dancinhas, veremos o que acontece nos shows que irão acontecer no Brasil, começando no dia 15 de março em São Paulo no Carioca Club e passando por Curitiba, Belo Horizonte e Brasília, nos dias 16, 18 e 19 de março respectivamente.

E temos as participações de Randy Blythe, do Lamb Of God, e Ash Costello, do New Years Day, respectivamente em "Hosting The Shadow" e "In The Mean Time", mas são músicas do Lacuna, e a primeira realmente é melhor que a segunda e me dá uma vontade imensa de algum dia vê-los juntos no palco performando essa paulada.

"In Nomine Patris", "Sleepless Empire" e "Sleep Paralysis" são visitas ao passado da banda nos anos 2000, num ótimo album não são as melhores composições, mas novamente, dentro da temática do album, funcionam bem.

E fechando esse novo trabalho temos "Never Dawn", que já havia sido lançada a algum tempo, um belo fechamento.

Sleepless Empire é um passo para o futuro, com um olho no passado. E deixa a banda no lugar exato que precisa estar em 2025. Longa Vida Lacuna Coil.






Avatarium: O Doom Entre o Divino e o Profano


Por Jessica Tahnne Valentim
Colaborou: Carlos Garcia 
Fotos: Divulgação


A banda sueca de doom metal Avatarium lançou seu mais novo trabalho, “Between You, God, the Devil and the Dead”, no dia 24 de janeiro de 2025. Em entrevista exclusiva ao Road to Metal, os músicos Jennie-Ann Smith e Marcus Jidell conversaram com nossa colaboradora Jessica Valentim sobre as inspirações para este álbum, as influências da banda e o que os fãs podem esperar do futuro.


Entre Deus e o Diabo: As Inspirações do Novo Álbum

Desde seu início, o Avatarium sempre explorou a dualidade entre o sombrio e o belo, e seu mais novo disco aprofunda ainda mais essa abordagem. 

Jennie-Ann compartilhou sua visão sobre a faixa título do álbum: "Queríamos falar sobre os conflitos internos que todos enfrentamos. A relação entre luz e escuridão, fé e dúvida, vida e morte. É um tema eterno no doom metal, mas buscamos dar nossa própria interpretação."

Marcus complementou a ideia, destacando a importância da narrativa dentro do trabalho: "Cada música conta uma história, e queríamos que a atmosfera do álbum refletisse essa batalha constante entre forças opostas."

A ideia do título veio cedo no processo criativo, como explicou Jennie-Ann: "Foi a primeira música que escrevemos para o álbum. Estávamos na costa oeste da Suécia, em pleno inverno, com tempestades e neve. O refrão veio primeiro e sentimos que esse era o título perfeito, pois amarrava todo o conceito."

A Influência de Leif Edling e a Evolução da Banda

Ao longo dos anos, o Avatarium passou por transformações naturais, especialmente após a saída de Leif Edling do processo criativo ativo da banda. Ao ser questionado sobre essa mudança, Marcus explicou: "Claro que há diferenças. Quando você escreve a música, inevitavelmente coloca sua própria identidade nela. Mas ainda seguimos a tradição que ajudamos a construir."

Jennie-Ann complementou: "Cada pessoa que se envolve na criação da nossa música deixa sua marca. Trabalhar com Leif foi uma experiência enriquecedora, pois ele foi um mentor para nós, mesmo que de forma não intencional. Aprendemos muito com ele, e sua influência ainda está presente."


Influências e Sonoridade

Musicalmente, Between You, God, the Devil and the Dead mantém a identidade doom do Avatarium, mas traz nuances novas. Segundo Marcus, "Há influências do blues e do rock clássico, além do peso característico do doom. Procuramos criar um som que seja denso, mas também emocional."

Jennie-Ann destacou sua abordagem vocal no disco: "Sempre busco trazer emoção para minha interpretação, e este álbum me desafiou a explorar diferentes nuances. Há momentos de pura melancolia e outros de uma intensidade quase teatral."

Quanto ao álbum ter uma sonoridade mais pesada em comparação aos anteriores, Marcus respondeu: "Sim, queríamos um som que funcionasse bem ao vivo. As músicas precisavam ser baseadas em riffs marcantes, mas sem perder a autenticidade."

Sobre a identidade da banda ao longo dos anos, Marcus comentou: "Não nos preocupamos em rotular nossa música. Desde o início, estabelecemos que Avatarium deveria soar 'sombrio, pesado e poético'. Isso nos permite explorar diferentes direções, sem perder nossa essência."

Marcus acrescentou: "Sempre voltamos ao Black Sabbath, que foi uma grande influência. Mas ouvimos de tudo: de Beethoven a Sex Pistols. Isso influencia nosso som de maneira orgânica."

Foto: Alex Hinchcliffe

O Futuro do Avatarium

Ao serem questionados sobre o futuro da banda, os músicos demonstraram entusiasmo. "Gostamos de evoluir a cada álbum, e esse sempre será nosso objetivo," disse Marcus.

Jennie-Ann completou: "A turnê será muito especial, pois estamos ansiosos para ver como as músicas serão recebidas ao vivo. Há algo mágico em levar essas canções para o palco."

Sobre turnês, os músicos mencionaram que adorariam tocar no Brasil: "Vemos muitos fãs pedindo nos comentários: 'Venham para o Brasil!'. Seria incrível trocar o inverno sueco pelo calor brasileiro!" brincou Jennie-Ann. Marcus revelou que já esteve em São Paulo e adoraria voltar com a banda.

Quando perguntados sobre o próximo passo da banda, Jennie-Ann disse que ainda está absorvendo o novo álbum, mas espera continuar explorando novas ideias. Marcus, por outro lado, brincou: "Dessa vez, não tenho um plano definido. Mas quem sabe? Talvez tenhamos mais um disco pela frente."

Com um álbum que promete emocionar e aprofundar ainda mais a sonoridade única do Avatarium, a banda segue firme na sua jornada entre o divino e o profano. “Between You, God, the Devil and the Dead” já está disponível, e os fãs podem esperar uma experiência intensa e introspectiva.





Thanks To:
Mona Miluski From All Noir PR
AFM Records 





segunda-feira, 3 de março de 2025

Cobertura de Show: Lionheart – 28/02/2025 – City Lights/SP

Este ano, o carnaval demorou um pouco mais para começar, com a semana de carnaval em si se concentrando em Março. Mesmo assim, como já é de se esperar, as festividades se estenderam por semanas e semanas antes da data. Para alguns paulistanos, a primeira celebração “oficial” não foi um dos típicos bloquinhos de rua, mas sim um show que trouxe um pouco do bom e do melhor do beatdown hardcore americano, o Lionheart, diretamente de Oakland, na Califórnia. Os fãs mais atentos do estilo podem lembrar que esta não foi a primeira data deste show, pois estava originalmente marcado para ocorrer no dia 6 de dezembro do ano anterior, dia que também contou com performances do Iron Maiden e do Insomnium, mas por conta de um convite de turnê com o Body Count, a América Latina teria que esperar um pouco mais.

Os nativos de Oakland não seriam os únicos que tocaram naquela noite, pois dois nomes de peso do HxC nacional também se apresentariam naquela noite. Por volta das 19:10 (atraso compreensível, atrasaram 20 minutos para abrir a casa), o Sujera assumiu o palco. Surgindo há alguns anos nas profundezas da zona leste de São Paulo, eles têm se tornado um dos nomes mais importantes da cena underground nos últimos anos, apresentando uma fusão eletrizante do hardcore com o rap, capturando a essência real da cultura de rua paulistana. A conexão do Sujera com os headliners vai bem mais longe do que só serem convidados para abrir o show, já que lançaram uma música juntos, a “Out of the Cage”. Bati um papo com o Marcel Serra, vocalista, que me contou a história da música, e ela você acha aqui. Além disso, seria a primeira performance deles com a nova formação; ao todo, uma noite histórica para o Sujera. 

Com Rappa Nui nos vocais ao lado de Serra, Claudinei Ferreira na guitarra e Felipe Promus no baixo, subiram no palco ao som da brutal introdução “Dois Zero Dois Cinco” pelo PA. Logo de cara, ficou claro que seria um daqueles shows que contariam com todo o apoio do público desde o primeiro acorde da primeira banda. Iniciaram o baile com “Não Fica Um”, de seu primeiro álbum, “East Side Bomba”, último trabalho lançado com a formação “clássica” da banda. Os fãs faziam um “U” ao redor do palco, deixando um espaço para o caos do mosh comer solto, e pode colocar caos nisso. Quando deram sequência com “Matilha Vira-Lata”, também do mesmo álbum, o meio da pista estava tomado por um mar de não só two-steps, mas aquela capoeira brutal que já vem de praxe nos shows de hardcore.

Não deixaram a peteca cair, emendando logo “Sensaki”, single que em sua versão original, conta com a participação do grupo bonaerense de hardcore Punición. Sendo lançada em novembro de 2023, se tornou um dos grandes hits da banda, demonstrado claramente pelo tanto de fãs que se aproximou do palco para cantar junto à banda. No final da música, Serra fez um pedido simples aos fãs: “vamos mostrar como que faz um carnaval de verdade”. Ambos os vocalistas rapidamente discursaram sobre o estado atual da banda, dizendo que apesar das várias tentativas de derrubar a banda, o Sujera segue de pé, os “de verdade” permaneceram na banda. Rappa Nui, por sua vez, comentou que era uma honra estar no palco com eles, começando esta nova fase da banda. Falando em hits, durante o resto do show, enfileiraram um clássico atrás do outro, começando pela trinca absurda de “Calle Hood Quebrada”, “Nego Drama” e “Terror Zero Onze”.

Havia uma música que todos, sem exceção alguma, queriam ver, “Out of the Cage”. Como já era esperado, ela foi contemplada no repertório, e de forma já não tão esperada, contou até com uma participação especial do próprio Rob Watson subindo no palco para gritar seus versos que agora são icônicos. Quando o californiano apareceu, só faltou o City Lights desabar, a cena parecia aquela pintura renascentista, “A Liberdade guiando o povo”, só que ao som de um HxC furioso. Outra música do Sujera que tem participação em estúdio - que seria possível replicar naquela noite - que foi contemplada pelo setlist foi “Zoião”, com algumas palavras de Monstrinho, do Worst. Desta vez, foi executada só pela banda. Fecharam com a fortíssima “Original da Vila”, onde Serra pediu para “fazer um barulho aí para vocês”, dizendo que são os fãs que mantém o estilo vivo, e ao som da insanamente brutal “Bye Bye Bye” do *NSYNC ecoando pelo PA, fecharam a apresentação com chave de ouro, tirando uma foto com os fãs.

São poucas as bandas atuais de hardcore que conseguem puxar tanto público quanto Worst. Formada em 2011 pelo lendário Fernando Schaefer e pelo inigualável Monstrinho, eles têm se tornado um dos maiores nomes do hardcore nacional. O caos estava instaurado desde o começo, estava mais que evidente que todos que estavam lá eram fãs de todas as bandas, mas com eles, a conexão foi instantânea. No primeiro “seu olhar de pau no cu e sorriso de arrombado” - “Desenterrado” - que o Monstrinho soltou, o ódio do City Lights inteiro foi canalizando e a casa toda gritou a plenos pulmões. Se começaram com “Desenterrado”, só havia uma maneira de seguir, “Enterrado”, a música que inicialmente descreve o detentor do “olhar de pau no cu e sorriso de arrombado”. A terceira música foi uma com um título um tanto óbvio, mas que carrega um peso absurdo de qualquer maneira, “Transbordando Ódio”.

Um dos diferenciais do Worst é o seu sucesso internacional, contando com diversas turnês pelo velho mundo. Esta foi uma das razões para o show do Lionheart ter acontecido. Com isso em mente, contam com um grande repertório de músicas em inglês, sendo uma delas “Draining Me”, daquelas para cair no soco com uma senhorinha na rua. Depois da "Draining", Monstrinho falou com os fãs: “cadê o Bruno Genaro? Vamos fazer barulho pra ele, fez tudo acontecer! Daniel, dono do City Lights, cabuloso! Os gringos tão tudo feliz, São Paulo tá representando, bagulho é sério, SPHC tá foda!”. Durante a “Vencedores”, o próprio Bruno apareceu para dar um stage dive, sempre muito envolvido com os próprios eventos. 

Sei que é meio fora do assunto, mas é incrível como a NDP é uma daquelas produtoras que esbanjam paixão pelas bandas, pelo cenário. Dá para ver que tudo com eles vem do coração, é algo muito genuíno. O vocalista também tirou um tempo para dar aquele discurso que não pode faltar em show, agradeceu a presença de todos os fãs, disse que tinha muitos amigos de todo o Brasil naquela noite, mas que também estava feliz de ver muitos rostos novos, falou da sua história com o Lionheart, o de sempre. Seguiram com os destaques de “Instinto Ruim”, executando “Left for Shit”, e antes de fechar o show, tocaram “A Verdade” e “Não Pode ver Paz”.

Agora, deixo vocês, caros leitores, com as doces palavras de Thiago Monstrinho: “Você quer a positividade, eu o outro lado, aqui é ódio, caralho. Levanta a mão quem tem ódio - casa inteira levantou - Tá feliz? Problema é seu!” Antes de continuar. “cadê o mano de amarelo, machucou? Machucou sério? Faz barulho se quebrou a costela!” Como se já não estivesse o caos completo, apareceu na mão do vocalista uma sola de all star perdida. Acabaram com a pesadíssima “Sem Dó”, um arrastão musicado, praticamente. Depois que saíram do palco, a galera incessantemente pediu bis, mas, infelizmente, não foi dessa vez.

Após uma breve intro pelos alto-falantes, o Lionheart subiu no palco e pinheiros virou a Califórnia, a energia do público estava fora de mão, um absurdo, a pista borbulhava, o caos estava prestes a se instaurar. Deram início com a curta “Cali Stomp”, abertura do segundo “Welcome to the West Coast”. Apesar de durar pouco mais de um minuto, é como um soco no estômago rápido e direto, inconcebivelmente pesada. Uma coisa era óbvia, estavam com o público na mão desde o primeiro acorde. A primeira música “de verdade” foi “Death Comes in 3’s”, colaboração com o Jamey Jasta do Hatebreed, presente no novo álbum dos nativos de Oakland. O mosh, que já tinha sido praticamente incendiado pelo Worst, agora estava realmente fora de controle, eram estrelinhas para todo lado, pessoas saindo na mão - se um vídeo chegasse em alguém que não conhece o hardcore, achariam que era uma briga generalizada.

Depois veio “Vultures” e sua linha de baixo furiosa, fazendo não só os “vultures circle back”, mas também os fãs abrirem circle-pit, “again, and again, and again”. Sexta-feira geralmente não é dia de culto, mas rolou um “I pray to God” com a pesadíssima “Hail Mary”. O público estava tão envolvido que realmente só faltava louvar a banda. Para esquentar as coisas, veio uma dobradinha flamejante, a positiva “Trial By Fire” e “Burn”, que não é a do Deep Purple, mas a terra realmente estava tremendo. Em “Keep Talkin’”, subiu no palco a mesma vocalista que cantou com o Worst, novamente com uma presença de palco elétrica e voz que dispensa comentários.

No final da música, Rob disse: “Podemos fazer um barulho aí para o Sujera e para o Worst?” Antes mesmo de começar a cantar, já havia dito que iria dedicar o show às bandas.. “É uma loucura finalmente estar tocando aqui, troco ideia com esses caras há anos, alguns há mais de uma década, mas nunca consegui vê-los tocar ao vivo, nunca consegui tocar com eles. Muito obrigado por nos receber tão calorosamente em sua cidade natal, em seu país, é realmente louco estar aqui. Durante essas falas, havia uma fã em especial que estava gritando enlouquecidamente, ocasionando uma reação até um pouco engraçada do vocalista, “o que é isso, o Black Dahlia Murder? O que está acontecendo?” Coincidentemente, se não houvesse sido adiado para dezembro, o Black Dahlia Murder tocaria em São Paulo no dia seguinte.

Não deixaram a peteca cair com “Hell On Earth”, e com uma breve pausa para ler o setlist, Watson perguntou se queriam ouvir uma música mais velha, e com uma resposta estrondosa iniciaram “Love Don’t Live Here”, que contou com a presença de Marcel Serra dando uma força nos vocais. Mantendo um clima positivo, Rob tirou um tempo para agradecer àqueles que “fazem essa porra acontecer”: “nunca sonhei em tocar no Brasil, nem em um milhão de anos.” Ele continuou interagindo com os fãs, antes de “Born Feet First”, humildemente pediu para que pulassem, aquele simples “jump, jump”. Dito e feito, pularam como se não houvesse amanhã, realmente fizeram inveja em todo e qualquer bloquinho de carnaval. 

Fevereiro foi um mês cheio, complicado, cheio de coisas para fazer, só um daqueles meses em que você não quer acordar, está tudo fodido. Com aqueles acordes que ou você ama ou odeia, surpreenderam com um cover “hardcorezado” da “Break Stuff”, do Limp Bizkit, novamente com Serra. O público não se segurou, veio uma avalanche de stagedivers, o mosh ficou vertiginoso, a casa estava explodindo. Vendo o engajamento incondicional de quem estava lá, perguntou: “Querem mais? Já são 21:30, passou da minha hora de dormir. Sou um senhor de idade, estão vendo estes cabelos brancos? Estou na cama às 21:00 em ponto! Estão prontos para continuar mesmo? Essa é uma nova, ‘Live by the Gun’” .

Infelizmente chegando no final do show, disse: “Temos só mais um ou outro som…” Indignados, os fãs começaram a gritar, com um até pedindo mais dez, com o vocalista respondendo: “Mais dez! Nem sabemos tocar mais dez. Na real, nem sabemos tocar direito as que já tocamos, não percebeu?” Mais uma música virou mais três, fechando o show com “Lifer” e um cover de “Fight for Your Right”, dos Beastie Boys, que serviu de trilha sonora para a introdução dos integrantes da banda e alguns solos breves. No meio da primeira, com o Monstrinho no palco, Rob não conteve sua emoção: “amo o Worst, amo o Sujera, amo São Paulo!” Já imaginou um show do Black Sabbath em que não tocam “Black Sabbath”? Um show do Iron Maiden sem “Iron Maiden”? Seria tão absurdo quanto se o Lionheart não tocasse “LHHC”, e foi assim que fecharam, com um momento de catarse pura.

Acabo a matéria com a mesma frase que Rob Watson disse logo antes de descer do palco: “São Paulo, this was one of the best shows we’ve had in a while.”


Texto: Daniel Agapito

Fotos: Gabriel Eustáquio

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: New Direction Productions

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Sujera - setlist:

Pesadelo 2025 (pelo PA)

Não Fica Um

Matilha Vira-Lata

Sensaki

Calle Hood Quebrada

Nego Drama

Terror Zero Onze

Out of the Cage (c/ Rob Watson)

Zoião

Original da Vila


Worst - setlist:

Desenterrado

Enterrado

Transbordando Ódio

Draining Me

Vencedores

Que Se Foda

Left For Shit

A Verdade

Não Pode Ver Paz

Sem Dó


Lionheart - setlist:

Intro (pelo PA)

Cali Stomp

Death Comes in 3’s

Vultures

Hail Mary

Trial By Fire

Burn

Keep Talking

Hell On Earth

Love Don’t Live Here

Born Feet First

Break Stuff (Limp Bizkit)

Live by the Gun

Lifer

Beastie

LHHC

sábado, 1 de março de 2025

Cobertura de Show: Sting – 16/02/2025 – Parque Ibirapuera/SP

Sting desfila hits da carreira solo e clássicos do The Police em São Paulo 

Após oito anos sem se apresentar no Brasil, Sting desembarcou em São Paulo com sua turnê "Sting 3.0". No último domingo (16 de fevereiro), o lendário músico britânico trouxe ao Parque do Ibirapuera um espetáculo repleto de clássicos, tanto de sua carreira solo quanto da icônica banda The Police. Com um palco minimalista e uma iluminação elegante, Sting mostrou mais uma vez sua maestria, deixando claro por que continua sendo um dos artistas mais respeitados da música mundial. O público, que lotou o espaço ao ar livre, acompanhou cada canção com entusiasmo e emoção, transformando o show em uma grande celebração.

Acompanhado do virtuoso guitarrista Dominic Miller e do excelente baterista Chris Maas, a apresentação começou com um dos maiores sucessos do The Police, "Message in a Bottle", e desde os primeiros acordes, o público se entregou à performance. O refrão foi acompanhado pelo público, criando um momento mágico logo de início. Em seguida, "If I Ever Lose My Faith in You", um dos maiores hits da carreira solo de Sting, manteve a energia lá no alto, enquanto "Englishman in New York" trouxe um clima sofisticado e moderno, com a plateia cantando cada verso com entusiasmo. O carisma de Sting e sua voz impecável fizeram dessas primeiras músicas um verdadeiro espetáculo à parte.

O show seguiu com uma sequência de sucessos que deixou os fãs extasiados. "Every Little Thing She Does Is Magic", um dos hinos do The Police, fez o público dançar e cantar em uníssono, enquanto "Fields of Gold" trouxe a primeira interação com o público com um "muito obrigado, estou muito feliz de estar aqui com vocês" falado em português. Os fãs vibraram, mas aparentemente não conheciam a canção. O mesmo aconteceu com a sensacional "Never Coming Home", faixa cheia de climas e com um tapping interessante de Dominic que passou despercebido pelos fãs que se demonstravam mais interessados em fazer selfies do que apreciar o momento. No entanto, Sting tirou uma carta da manga e levou os fãs de volta ao universo do The Police com a poderosa "Synchronicity II", que foi uma grata surpresa, já que não estava sendo executada na turnê e incendiou a plateia.

O clima intimista retornou com "Mad About You" e "Seven Days", ambas recebidas com carinho pelos fãs mais atentos à carreira solo do artista. "All This Time" manteve a vibração envolvente, preparando o terreno para um dos momentos mais esperados da noite: "Wrapped Around Your Finger". A canção, com seu instrumental refinado e atmosfera cativante, foi uma das mais aplaudidas. Já "Driven to Tears" trouxe um tom mais reflexivo, com Sting demonstrando toda sua habilidade no baixo. Quando ele iniciou "Can’t Stand Losing You", a plateia voltou a se animar, especialmente quando incorporou trechos de "Reggatta de Blanc", transformando a performance em uma celebração rítmica contagiante.

Na reta final, a fantástica "Shape of My Heart" emocionou profundamente o público, que cantou com devoção cada verso dessa que é uma das músicas mais icônicas de Sting. A nova "I Wrote Your Name (Upon My Heart)" foi recebida com curiosidade, mostrando que o artista ainda tem muito a oferecer. O clássico "Walking on the Moon" fez o público dançar e relaxar, enquanto "So Lonely" fez a galera se agitar. Já "Desert Rose", com sua fusão de influências árabes e pop, foi um verdadeiro espetáculo, com o parque inteiro hipnotizado pela performance exótica. As clássicas "King of Pain" e "Every Breath You Take" encerraram o set principal de forma triunfal, com Sting conduzindo a multidão em um dos maiores refrões da história do rock.

No encore, Sting retornou para um dos momentos mais aguardados da noite: "Roxanne". A plateia enlouqueceu ao ouvir os primeiros acordes do clássico do The Police, cantando cada palavra com paixão. Por fim, "Fragile" encerrou o show de maneira sublime, com Sting dedilhando seu violão com forte influência da MPB e bossa nova, deixando um clima de gratidão e emoção no Ibirapuera. Foi uma noite inesquecível, onde um dos maiores artistas da música contemporânea reafirmou seu talento e sua conexão única com o público brasileiro. 



Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant'Anna (Roadie Crew) 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Live Nation Brasil

Press: Motisuki PR


Sing – setlist: 

Message in a Bottle 

If I Ever Lose My Faith in You 

Englishman in New York 

Every Little Thing She Does Is Magic 

Fields of Gold 

Never Coming Home 

Synchronicity II 

Mad About You 

Seven Days 

All This Time 

Wrapped Around Your Finger 

Driven to Tears 

Can't Stand Losing You / Reggatta de Blanc 

Shape of My Heart 

I Wrote Your Name (Upon My Heart) 

Walking on the Moon 

So Lonely 

Desert Rose 

King of Pain 

Every Breath You Take 

Bis

Roxanne 

Fragile