Mostrando postagens com marcador Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rock. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de maio de 2025

Cobertura de Show: Foreigner – 10/05/2025 – Espaço Unimed/SP

O tempo frio, nublado e chuvoso de sábado, dia 10 de maio, não deixou as pessoas sossegadas em casa. Muito pelo contrário: as ruas e os comércios estavam tomados por gente comprando, de última hora, o presente das mães para o dia seguinte. Mas, além disso, muitos rumaram ao bairro da Barra Funda para assistir a dois shows. Não, não fui ver o System of a Down, que foi a escolha da maioria. Sendo diferente de todos, optei, é claro, pelo show do Foreigner.

Formada em 1976, com nove álbuns de estúdio e cerca de 80 milhões de discos vendidos, a banda é uma das mais bem-sucedidas da história do rock. Além disso, ajudou a definir o estilo AOR ao lado de nomes como Journey e Toto. Quer mais? Eles também são responsáveis por uma das músicas mais famosas do mundo, “I Want to Know What Love Is”, que, tenho certeza, você já ouviu em algum lugar – numa festa, na rádio ou até no ambiente de uma loja.

A última vez que o Foreigner veio ao Brasil foi em 2013, ou seja, quase 12 anos sem a presença deles por aqui. O Espaço Unimed, local escolhido para essa tão esperada volta, não atingiu sua lotação máxima, mas recebeu um público bem expressivo. Como se trata de uma banda de outra época, arrisco dizer que a maioria das pessoas ali tinha entre 50 e 60 anos. Poucos eram menores de 30 ou estavam por volta dessa idade. Ainda assim, havia gente de todas as gerações na plateia, mostrando que o grupo conseguiu conquistar novos fãs ao longo do tempo. E a grande surpresa da noite foi a participação de Lou Gramm, vocalista original da banda, que se afastou dos palcos por motivos de saúde.

Os vocalistas Eric Martin e Jeff Scott Soto, muito queridos pelos brasileiros, trouxeram o melhor de suas carreiras como uma forma rápida de recarregar as energias antes do grande momento da noite.

Acompanhados por BJ (que fez backing vocal, guitarra e teclado), Leo Mancini (guitarra), Henrique Canale (baixo) e Edu Cominato (bateria) – integrantes do Spektra –, Eric foi o primeiro a reviver alguns dos momentos mais marcantes ao lado do Mr. Big. Começou com a animada “Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)”, seguida por “Take Cover”, uma faixa mais calma. Esse clima mais introspectivo permaneceu até o final do show, com baladas como “Wild World”, “Shine” e “Green-Tinted Sixties Mind”.

Comparando com a última vez em que vi Eric com o Mr. Big – no último show da banda no Brasil durante o Summer Breeze – ele se saiu melhor desta vez. Naquele momento, achei sua voz abaixo do esperado. Agora, com o apoio do Spektra (como mencionado), ele conseguiu dar um gás extra às músicas. Para Edu Cominato, foi como estar em casa: ele teve a oportunidade de tocar com o Mr. Big nos últimos shows da banda. No geral, foi uma participação agradável e bastante proveitosa.


Se Eric trouxe uma atmosfera mais calma, Jeff Scott Soto foi o oposto. Sua entrada com “This House Is on Fire”, faixa do novo álbum do W.E.T., APEX – lançado em março –  deixou todo mundo empolgado. Depois veio “I’ll Be Waiting”, do Talisman, um dos maiores hits dele, que fez todo mundo cantar junto na hora do refrão. Ainda rolou um medley incrível com “Warrior” e “Fool, Fool”, relembrando os tempos em que Jeff fazia parte da banda do guitarrista Axel Rudi Pell.

É impressionante pensar que, quase chegando aos 60 anos, Jeff ainda mantém uma voz impecável. Prova disso foi a clássica “Crazy”, cover de Seal, que mostrou toda sua versatilidade e como consegue encaixar seu talento em diferentes estilos musicais. Depois veio “Alive”, do Sons of Apollo; no entanto, por algum motivo – talvez uma brincadeira – Jeff e seus parceiros do Spektra não conseguiram executá-la após três tentativas frustradas. No lugar dela entrou “Separate Ways”, do Journey.

O encerramento ficou por conta de dois duetos entre Jeff e Eric, cada um cantando uma música marcante de suas carreiras. “Livin' the Life”, que fez parte da trilha sonora do filme Rock Star, chegou a levantar suspeitas de uma participação de Jeff Pilson no palco antes de finalizar com “To Be with You”, sucesso nas rádios e um verdadeiro clássico.

Exatamente às 22h em ponto, sob uma iluminação pulsante, o Foreigner entrou no palco com força total. Começaram com hits dos anos 70: “Double Vision” e “Head Games”, que receberam uma recepção calorosa graças à performance impecável dos músicos, dando para perceber como seria a noite.

Atualmente, ninguém na banda faz parte da formação original. A dupla de guitarristas, contendo Bruce Watson e mais um que não consegui identificar o nome, está entre os pontos altos dessa fase atual, entregando riffs e solos incríveis – até mais pesados e impactantes do que nas versões originais.

E o baixista Jeff Pilson? Conhecido pelos trabalhos com Dokken e Dio, ele foi praticamente o maestro da noite: circulava pelo palco interagindo com os colegas e mostrou ser muito mais do que um excelente baixista, mas também um ótimo pianista. Sua participação em “Cold as Ice”, um dos maiores sucessos da banda nessa noite, foi um bom exemplo disso, fazendo que muitas vozes começassem a se levantar.

Mas quem realmente roubou a cena foi Luis Maldonado, responsável pelos vocais principais nesta turnê devido à impossibilidade de Kelly Hansen sair dos EUA por problemas com visto. E esse cara cantou demais! Foi algo fora do comum.

O setlist seguiu com a famosa “Waiting for a Girl Like You”, trazendo um clima mais romântico e aconchegante naquela noite fria. Depois veio “That Was Yesterday”, com seus teclados marcantes que deixaram todo mundo em transe, preparando o terreno para as divertidas “Dirty White Boy” e “Feels Like the First Time”, que fizeram muita gente dançar.

Em “Urgent”, o palco foi tomado por um espetáculo de luzes vibrantes e explosões de fumaça. Logo em seguida, o tecladista Michael Bluestein e o baterista Chris Frazier assumiram o centro das atenções com seus respectivos solos.

Com a banda completa novamente no palco, “Juke Box Hero” foi a deixa não só para os momentos finais do show, mas também para a entrada do grande convidado da noite. Bastou Lucas pegar mais um microfone e posicionar um pedestal ao seu lado para que o público começasse a chamar por Lou Gramm, e ele apareceu para cantar os versos finais da música.

Ao adentrar no palco, já deu para notar sua dificuldade de locomoção. Sua voz até soou bem, embora distante dos tempos áureos, o que já era de se esperar. Mas só o fato de vê-lo ali, mesmo que por alguns instantes, já fez tudo valer a pena.

“Long, Long Way From Home” foi o pedágio para o grande momento da noite, com a nada menos que “I Want to Know What Love Is”. Vê-la cantada ao vivo pela voz original arrancou prantos da maioria dos presentes. “Hot Blooded” encerrou a apresentação de forma animada.

O show foi uma parte importante da turnê de despedida da banda. É uma decisão compreensível, embora também cause uma certa tristeza, já que foi a última oportunidade de assistir ao vivo aos clássicos que fizeram parte desse espetáculo e que marcaram época. Daqui por diante, só nos resta guardar com carinho essa noite inesquecível na memória e continuar celebrando o legado deles através das músicas que nos conquistaram ao longo do tempo.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Wild World

Shine

Green-Tinted Sixties Mind


Jeff Scott Soto – setlist:

This House Is on Fire / I'll Be Waiting

Warrior / Fool Fool

Crazy (Seal cover)

Separate Ways (Worlds Apart) (Journey cover)


Jeff Scott Soto / Eric Martin – setlist:

Livin' the Life

To Be With You


Foreigner – setlist:

Double Vision

Head Games

Cold as Ice

Waiting for a Girl Like You

That Was Yesterday

Dirty White Boy

Feels Like the First Time

Urgent

Juke Box Hero (com Lou Gramm)

Long, Long Way From Home (com Lou Gramm)

I Want to Know What Love Is (com Lou Gramm)

Hot Blooded (com Lou Gramm)

Cobertura de Show: BEAT – 09/05/2025 – Espaço Unimed/SP

Fui ao show da BEAT sem saber exatamente o que esperar, e saí com a certeza de ter testemunhado algo raro, poderoso e memorável.

A formação do grupo já impressiona por si só: Adrian Belew (guitarra) e Tony Levin (baixo), pilares da icônica fase oitentista do King Crimson, se unem a dois gigantes da música – Steve Vai (guitarra, ex-Alcatrazz, ex-David Lee Roth e ex-Whitesnake) e Danny Carey (bateria, Tool) – para reinterpretar, com brilho e respeito, uma das fases mais ousadas do rock progressivo.

Mais do que um tributo, o BEAT é uma celebração viva do legado do King Crimson dos anos 80. Belew e Levin trouxeram autenticidade e alma, enquanto Vai e Carey assumiram – com maestria e personalidade – os desafiadores papéis de Robert Fripp e Bill Bruford. O resultado foi uma performance tecnicamente impecável, carregada de energia, emoção e uma fidelidade impressionante ao som original sem soar engessada ou nostálgica demais.

O repertório percorreu a trilogia Discipline, Beat e Three of a Perfect Pair, alternando momentos densos e experimentais com canções mais acessíveis e cativantes. A construção do setlist foi cirúrgica, com os grandes destaques reservados para a segunda metade, como um lado B que explode de intensidade e recompensa.

O clima da apresentação era hipnótico – uma atmosfera psicodélica envolvente do começo ao fim. Mesmo com sua sonoridade nada convencional, a banda conseguiu prender a atenção do público com facilidade. Cada música parecia crescer em camadas, revelando a complexidade das composições e o entrosamento absurdo entre os músicos.

Aplaudidos de pé, o BEAT entregou mais que um show: foi uma experiência única, um encontro de mestres que transformaram nostalgia em vanguarda. Saí de lá com a sensação de ter participado de algo histórico – e, sinceramente, já torcendo para que essa turnê ganhe vida longa


Texto: Leticia Spizirri

Fotos: Reinaldo Canato / Ricardo Matsukawa

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Mercury Concerts

Press: Catto Comunicação


BEAT – setlist 1:

Neurotica

Neal and Jack and Me

Heartbeat

Sartori in Tangier

Model Man

Dig Me

Man With an Open Heart

Industry

Larks' Tongues in Aspic (Part III)


BEAT – setlist 2:

Waiting Man

The Sheltering Sky

Sleepless

Frame by Frame

Matte Kudasai

Elephant Talk

Three of a Perfect Pair

Indiscipline

Bis

Red

Thela Hun Ginjeet

sexta-feira, 14 de março de 2025

Cobertura de Show: The Cult – 23/02/2025 – Vibra/SP



No domingo, 23 de fevereiro, São Paulo recebeu os gigantes do The Cult com a turnê comemorativa de 40 anos da banda, a 8525. Antes da capital paulista, o grupo havia passado pelo Rio de Janeiro no dia anterior e encerraria sua passagem pelo Brasil em Curitiba, no dia 25.

Foram oito longos anos de espera. A última vinda do The Cult ao país havia sido em 2017, durante a turnê do álbum Hidden City, lançado em 2016. Com uma leve mudança na formação, a banda liderada por Ian Astbury (voz) e Billy Duffy (guitarra) veio acompanhada por John Tempesta (bateria), o integrante mais longevo além dos fundadores, Charlie Jones (baixo) e um membro pouco mencionado: Matt McKenna, responsável pelos teclados e pela guitarra base. Sua presença faz diferença, já que os arranjos das gravações costumam contar com mais de uma guitarra, embora ele fique discretamente posicionado na lateral do palco, fora do campo de visão principal.


Baroness: peso, técnica e energia antes da celebração do The Cult

Escalados para a abertura dos shows poucas semanas antes do início da turnê, os americanos do Baroness aqueceram o público que lotou o Vibra São Paulo. Formada por John Baizley (guitarra/vocal, que também assina as artes das capas dos discos da banda), Gina Gleason (guitarra/backing vocal), Nick Jost (baixo) e Sebastian Thomson (bateria), a banda apresentou um set de dez músicas que percorreu praticamente toda sua discografia.

Seu som, que mistura elementos de sludge, rock progressivo e outras influências, pode não ter uma conexão direta com o The Cult, mas foi bem recebido pelo público. John, extremamente enérgico e carismático, contornou eventuais problemas de som (comuns para bandas de abertura) com simpatia e bom humor. Vale destacar também a performance intensa e dinâmica do baterista Sebastian Thomson, que manteve a energia do show sempre em alta. Em alguns momentos é notável a influência de bandas como Tool e Mastodon, mas com a identidade do Baroness, um exemplo perfeito de influência bem aproveitada e não uma cópia propriamente dita.

A participação do Baroness como banda de abertura aconteceu exclusivamente na passagem brasileira da turnê. Após o show em Curitiba, no dia 25, cada banda seguiu seu

próprio caminho pela América Latina, com o The Cult dando sequência à sua celebração de 40 anos e o Baroness promovendo seu mais recente álbum.

Baroness - Setlist:

Last Word

Under the Wheel

A Horse Called Golgotha

March to the Sea

Shock Me

Chlorine & Wine

Swollen and Halo

Tourniquet

Isak

Take My Bones Away


Sem maiores delongas, o Baroness encerrou seu set e deixou o palco para que a equipe técnica preparasse tudo para a atração principal da noite. Enquanto a montagem avançava, o som mecânico ajudava a criar a atmosfera perfeita para o que estava por vir, com músicas de artistas que, em algum momento, se conectaram — pelo menos em termos de sonoridade — com a fase clássica do The Cult. Entre eles, Nick Cave, The Cure, Depeche Mode e Siouxsie and the Banshees.

A troca é rápida e, como Ian Astbury mencionou em entrevista ao jornalista Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, "o The Cult não é entretenimento". Não há backdrops, telões ou grandes elementos visuais. O palco é montado de forma simples, com a ambientação do show sendo conduzida apenas pela iluminação.

Um detalhe curioso que chamou a atenção dos fãs aconteceu no final da preparação do palco: um dos integrantes da equipe técnica percorreu o espaço “defumando” os instrumentos, os colegas de equipe e até o público próximo à grade com algo que parecia ser sage (sálvia, em tradução literal). O gesto, quase ritualístico, deu início à atmosfera mística da apresentação. Isso é puro Ian Astbury.

Com o show marcado para as 21h30, um atraso sem motivos óbvios ou visíveis começou a deixar o público impaciente. A situação se tornou constrangedora quando, após 15 minutos, vaias já podiam ser ouvidas na plateia. Cada nova música no som mecânico era recebida com mais sinais de insatisfação. O que aconteceu nos bastidores, jamais saberemos.


The Cult: um ritual intenso, mas desperdiçado pelos pseudo-fãs

A Marcha das Valquírias, de Wagner, anunciava o início do culto (sem trocadilhos intencionais). Apesar da casa cheia, desde o começo era possível perceber um certo descontentamento no ar.

Algo que vale destacar é que o The Cult só não é maior porque não quis. Os primeiros álbuns foram sucessos consecutivos, culminando no auge comercial com Sonic Temple, de 1989. No entanto, ao longo da carreira, a banda se recusou a “se vender”, mesmo que isso significasse não lotar arenas ou vender milhões de discos.

Costumo dividir os fãs em três grupos: os que acompanharam a fase pós-punk/gótica do Dreamtime e do Love; os fãs de hard rock, atraídos principalmente pelo Electric e Sonic Temple, talvez até chegando ao Ceremony; e aqueles que, como esta que vos escreve, seguem a banda em todas as suas fases e sempre estiveram lá para apoiar.

Os primeiros a se posicionar no palco são John e Charlie, seguidos por Billy Duffy, sempre à direita. Os primeiros acordes de In the Clouds — faixa que ficou de fora do álbum homônimo de 1994 (ou, como os fãs chamam, o “disco do bode”) e que está presente na coletânea Pure Cult — ecoam pelo Vibra. Em meio a saudações calorosas, a entidade Ian Astbury faz sua entrada.

Essa música reflete bem a sonoridade atual da banda. Na verdade, ouso dizer que o The Cult faz desde 1994 já era “moderno” para a época e continua soando atual. Ainda assim, as origens da banda sempre se fazem presentes nos detalhes.

Sem pausa, Rise, do ótimo Beyond Good and Evil, deu sequência ao set. A recepção foi um pouco mais calorosa — seu riff marcante e refrão enérgico dificilmente deixam alguém parado, nem que seja apenas acompanhando as batidas de Tempesta com a cabeça. Mas foi na terceira música que até os mais tímidos se entregaram e devolveram a energia que a banda oferecia. Wildflower, hit do Electric, foi cantada por quase todos os presentes. Afinal, ir a um show do The Cult e não conhecer esse hino é, no mínimo, peculiar — salvo os curiosos, é claro.

É difícil escrever sem ser tendenciosa, já que o The Cult é minha banda favorita. Mas o setlist, no geral, faz todo o sentido — é a essência da banda, passando por praticamente todas as suas fases (com exceção de Ceremony, Born Into This e Hidden City que não tiveram músicas incluídas nas apresentações).

Foi aqui, porém, que a energia do público despencou. Não por culpa da banda, de forma alguma, mas porque a maioria dos presentes parecia pertencer aos tipos 1 e 2 que mencionei anteriormente.

Star, um dos singles do “disco do bode”, veio na sequência, com um arranjo excepcional. Em seguida, The Witch, single produzido por Rick Rubin e que nunca entrou em um álbum de estúdio, apenas na coletânea Pure Cult. Nessa faixa, ficou evidente a importância de ter um baixista de alto nível na banda — o arranjo ficou fenomenal, destacando uma parte instrumental extremamente bem ensaiada.

Ian, como já disse, é uma entidade. Seus movimentos de artes marciais, danças, giros de microfone, além do ritmo marcado com maracas e pandeirola, fazem com que seja impossível desviar o olhar. Mas um público desinteressado em retribuir essa energia acaba não aproveitando o show por completo. Pena deles.

Mirror, do mais recente Under the Midnight Sun, talvez seja minha única ressalva no setlist. Honestamente, há músicas melhores nesse excelente disco. Faixas como Give Me Mercy, Vendetta X ou Impermanence talvez encaixassem melhor e até ajudassem a abrir a cabeça daqueles que se recusam a ouvir material novo.

Uma ótima surpresa foi War (The Process), do Beyond Good and Evil. Com sua atmosfera sombria e letra pesada, foi um presente para os fãs que nunca tiveram a chance de ouvi-la ao vivo — algo que se repetiu com outras músicas ao longo da noite.

Para agradar os mais tradicionais, uma versão reduzida — e incrivelmente hipnotizante — de Edie (Ciao Baby) trouxe o público de volta ao canto. Com um início quase a capella, apenas com Billy e Ian, certamente seria um momento para levantar isqueiros. Mas, em uma casa fechada e lotada, talvez não fosse uma boa ideia.

Em uma transição perfeitamente executada, a banda seguiu para Revolution, adicionada especialmente para a turnê no Brasil. Aqui, era impossível alguém não cantar — afinal, essa música tocou (e ainda toca) bastante nas rádios. O clima seguiu no alto com o hit Sweet Soul Sister, mas logo voltou a dividir opiniões com Resurrection Joe.

Ah, se as pessoas soubessem o privilégio que é ouvir essa música ao vivo… Assim como The Witch, ela nunca saiu em um álbum de estúdio, apenas no EP de mesmo nome. Quem aproveitou, aproveitou.

Daqui para frente, viriam apenas os grandes clássicos (ou quase isso). A iluminação faz toda a diferença, com cores que se transformam e se harmonizam com cada música. Rain foi um sucesso absoluto, cantada por todos — mas como não cantar? Essa é uma das grandes músicas da banda.

Ian está cantando muito bem. Nem sempre segue à risca a melodia das versões de estúdio, mas é justamente aí que reside a beleza: no feeling do momento, na troca de energia. Spiritwalker, do álbum de estreia Dreamtime (um dos pontos altos da noite), e o mega hit radiofônico Fire Woman encerraram a primeira parte do set.

O encore começou com Brother Wolf, Sister Moon, do Love. Talvez esse tenha sido um dos momentos musicais mais bonitos que já presenciei. Uma música intensa, de significado profundo, envolta em uma ambientação quase mística — capaz de emocionar até o coração mais fechado. O solo, em especial, foi simplesmente inesquecível.

Sem delongas, veio a música que nunca pode faltar e que já indicava o desfecho do show: She Sells Sanctuary. Aqui, a nostalgia toma conta. Seja qual for o significado da canção — relacionamentos amorosos ou não —, é inegável que ela carrega uma forte memória afetiva para os fãs.

Com a apoteótica Love Removal Machine, o The Cult encerrou sua soberba apresentação em São Paulo. Antes de deixar o palco, Ian apresentou os integrantes da banda e foi ovacionado pelo público ao ter seu nome gritado em coro. Agradeceu aos céus, à terra e à plateia antes de se retirar.

Talvez por conta do atraso, o set de São Paulo não teve Lucifer (ao contrário do Rio e Curitiba), do álbum Choice of Weapon. Uma lástima.

Pude comparecer aos três shows da turnê, e cada um teve seus diferenciais. No Rio de Janeiro, a banda estava "zerada", e, embora o Vivo Rio não estivesse lotado, o público correspondeu aos estímulos da apresentação, deixando a banda visivelmente feliz e mais interativa com os fãs.

Em São Paulo, a performance foi impecável, mas a plateia pareceu um pouco apática. Já em Curitiba, a casa estava cheia, o público engajado, mas a rotina de aeroportos e viagens já mostrava uma banda talvez um pouco mais cansada.

O que acontece, ao meu ver, é que o The Cult não conquistou uma nova base de fãs significativa nos últimos anos, o que faz com que seu público envelheça junto com a banda. Portanto, caro leitor, dê uma chance aos discos menos comerciais. Apresente a banda aos amigos. E, se o som não for do seu agrado, ao menos vá a um show com o coração e os ouvidos abertos. Podemos ter presenciado as últimas apresentações do The Cult no Brasil.

Sorte a nossa se não for.


Texto: Jessica Tahnne Valentim

Fotos: Amanda Vasconcelos


Realização: Liberation MC

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


The Cult - Setlist:

Ride of the Valkiries - Richard Wagner (som mecânico)

In the Clouds

Rise

Wild Flower

Star

The Witch

Mirror

War (The Process)

Edie (Ciao Baby)

Revolution

Sweet Soul Sister

Resurrection Joe

Rain

Spiritwalker

Fire Woman

Bis

Brother Wolf, Sister Moon

She Sells Sanctuary

Love Removal Machine

sábado, 1 de março de 2025

Cobertura de Show: Sting – 16/02/2025 – Parque Ibirapuera/SP

Sting desfila hits da carreira solo e clássicos do The Police em São Paulo 

Após oito anos sem se apresentar no Brasil, Sting desembarcou em São Paulo com sua turnê "Sting 3.0". No último domingo (16 de fevereiro), o lendário músico britânico trouxe ao Parque do Ibirapuera um espetáculo repleto de clássicos, tanto de sua carreira solo quanto da icônica banda The Police. Com um palco minimalista e uma iluminação elegante, Sting mostrou mais uma vez sua maestria, deixando claro por que continua sendo um dos artistas mais respeitados da música mundial. O público, que lotou o espaço ao ar livre, acompanhou cada canção com entusiasmo e emoção, transformando o show em uma grande celebração.

Acompanhado do virtuoso guitarrista Dominic Miller e do excelente baterista Chris Maas, a apresentação começou com um dos maiores sucessos do The Police, "Message in a Bottle", e desde os primeiros acordes, o público se entregou à performance. O refrão foi acompanhado pelo público, criando um momento mágico logo de início. Em seguida, "If I Ever Lose My Faith in You", um dos maiores hits da carreira solo de Sting, manteve a energia lá no alto, enquanto "Englishman in New York" trouxe um clima sofisticado e moderno, com a plateia cantando cada verso com entusiasmo. O carisma de Sting e sua voz impecável fizeram dessas primeiras músicas um verdadeiro espetáculo à parte.

O show seguiu com uma sequência de sucessos que deixou os fãs extasiados. "Every Little Thing She Does Is Magic", um dos hinos do The Police, fez o público dançar e cantar em uníssono, enquanto "Fields of Gold" trouxe a primeira interação com o público com um "muito obrigado, estou muito feliz de estar aqui com vocês" falado em português. Os fãs vibraram, mas aparentemente não conheciam a canção. O mesmo aconteceu com a sensacional "Never Coming Home", faixa cheia de climas e com um tapping interessante de Dominic que passou despercebido pelos fãs que se demonstravam mais interessados em fazer selfies do que apreciar o momento. No entanto, Sting tirou uma carta da manga e levou os fãs de volta ao universo do The Police com a poderosa "Synchronicity II", que foi uma grata surpresa, já que não estava sendo executada na turnê e incendiou a plateia.

O clima intimista retornou com "Mad About You" e "Seven Days", ambas recebidas com carinho pelos fãs mais atentos à carreira solo do artista. "All This Time" manteve a vibração envolvente, preparando o terreno para um dos momentos mais esperados da noite: "Wrapped Around Your Finger". A canção, com seu instrumental refinado e atmosfera cativante, foi uma das mais aplaudidas. Já "Driven to Tears" trouxe um tom mais reflexivo, com Sting demonstrando toda sua habilidade no baixo. Quando ele iniciou "Can’t Stand Losing You", a plateia voltou a se animar, especialmente quando incorporou trechos de "Reggatta de Blanc", transformando a performance em uma celebração rítmica contagiante.

Na reta final, a fantástica "Shape of My Heart" emocionou profundamente o público, que cantou com devoção cada verso dessa que é uma das músicas mais icônicas de Sting. A nova "I Wrote Your Name (Upon My Heart)" foi recebida com curiosidade, mostrando que o artista ainda tem muito a oferecer. O clássico "Walking on the Moon" fez o público dançar e relaxar, enquanto "So Lonely" fez a galera se agitar. Já "Desert Rose", com sua fusão de influências árabes e pop, foi um verdadeiro espetáculo, com o parque inteiro hipnotizado pela performance exótica. As clássicas "King of Pain" e "Every Breath You Take" encerraram o set principal de forma triunfal, com Sting conduzindo a multidão em um dos maiores refrões da história do rock.

No encore, Sting retornou para um dos momentos mais aguardados da noite: "Roxanne". A plateia enlouqueceu ao ouvir os primeiros acordes do clássico do The Police, cantando cada palavra com paixão. Por fim, "Fragile" encerrou o show de maneira sublime, com Sting dedilhando seu violão com forte influência da MPB e bossa nova, deixando um clima de gratidão e emoção no Ibirapuera. Foi uma noite inesquecível, onde um dos maiores artistas da música contemporânea reafirmou seu talento e sua conexão única com o público brasileiro. 



Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant'Anna (Roadie Crew) 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Live Nation Brasil

Press: Motisuki PR


Sing – setlist: 

Message in a Bottle 

If I Ever Lose My Faith in You 

Englishman in New York 

Every Little Thing She Does Is Magic 

Fields of Gold 

Never Coming Home 

Synchronicity II 

Mad About You 

Seven Days 

All This Time 

Wrapped Around Your Finger 

Driven to Tears 

Can't Stand Losing You / Reggatta de Blanc 

Shape of My Heart 

I Wrote Your Name (Upon My Heart) 

Walking on the Moon 

So Lonely 

Desert Rose 

King of Pain 

Every Breath You Take 

Bis

Roxanne 

Fragile

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Static-X – 07/11/2024 – Terra/SP

Na último dia 07/11 (quinta-feira), São Paulo foi por algumas horas tomada de assalto por duas bandas estreantes, mas com longas carreiras e que inexplicavelmente nunca estiveram em terras brasileiras, que trouxeram o Metal Industrial/Nu Metal para os fãs presentes no Terra SP.

A honra de iniciar a festa coube ao Dope, formada no final dos anos 90 na cidade de Nova Iorque. A apresentação foi curta, mas foi intensa e explosiva, um desfile de vários sucessos da banda, destacando-se as enérgicas "Blood Money", "Die Motherfucker Die" e "Debonaire" com o vocalista Edsel Dope comandando a plateia como poucos frontman e aquecendo a todos para a atração principal da noite.

O "jogo" já estava ganho antes mesmo do Static-X subir ao palco, isso é certo, tal a vibração e ansiedade presente no público. A banda formada pelos membros originais, Koichi Fukuda na guitarra, a cozinha formada por Tony Campos e Ken Jay, baixo e bateria respectivamente, e liderada pelo guitarrista e vocalista Xer0, uma reencarnação robótica/fantasma do falecido Wayne Static, subiu ao palco ovacionada.

A entrada do Static-X foi uma apoteose, e a apresentação correspondeu inteiramente ao que todos os fãs da banda esperavam, primeiro com uma sequência de hits mais recentes, vibrantes e poderosos, como "Hollow" e "Terminator Oscillator", e músicas do inicio arrasador da carreira como "Love Dump","Wisconsim Dead Trip", "Fix" e "Bled for Days", todas acompanhadas em coro pelos fãs. Para muitos ali foi a realização de um sonho, afinal por vários motivos a banda nunca veio ao Brasil, e, depois da morte do líder da banda em 2014, muitos acreditavam que nunca os veriam tocando ao vivo.

Como toda banda que conhece a força da sua discografia, a melhor parte, e a mais emocionante, ficou para o fim da apresentação: "Cold" foi uma linda e tocante homenagem ao fundador da banda, o lendário Wayne Static, cuja morte completa 10 anos em 2024; e fechando a apresentação vieram na sequência a pedrada "I'm With a Stupid e por último seu maior sucesso,"Push It". A banda ganhou a partida de goleada.


Texto: Eduardo Okubo Junior

Fotos: Rogério Talarico 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Rider2

Mídia Press: Catto Comunicação


Dope – setlist: 

Blood Money

Bring it On

Bitch

Debonair

Die Motherfucker Die, Boom, Bang, Burn

You Spin Me Round


Static X – setlist: 

Intro / Evil Disco

Hollow

Terminator Oscillator

Love Dump

Sweat of the Bud

Wisconsim Death Trip

Fix

Bled for Days

Black and White

Z0mbie

Get to the Gone

I am

Cold

I'm With Stupid

Push It

sábado, 2 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Paul McCartney – 16/10/2024 – Allianz Parque/SP

Em 1970, os Beatles comunicaram o encerramento da sua carreira. Cinquenta anos depois, a banda continua atraindo fãs em todo o mundo com suas músicas, que até hoje permanecem relevantes. É fascinante imaginar como seria um reencontro se John Lennon e George Harrison estivessem vivos, mas essa ideia ficará apenas na nossa imaginação.

Paul McCartney, um dos ex-membros sobreviventes ao lado do baterista Ringo Starr, continua exibindo uma energia notável ao reviver o legado da banda nos seus shows. No último mês de outubro, ele regressou ao Brasil para realizar dois espetáculos em São Paulo, onde o primeiro teve todos os ingressos esgotados. Em terra brasilis, ele também passou por Florianópolis e finalizou os três últimos shows da Got Back Tour pela América Latina na Argentina, Peru e Colômbia.

A atmosfera no Allianz Parque era bastante agradável, permitindo que os presentes esquecessem dos problemas provocados pela falta de eletricidade que afetou a cidade após uma tempestade na semana anterior. Ao entrar no estádio, por volta das 19hrs, já se via uma grande quantidade de pessoas de diversas idades, animadas ao som de remixes dos Beatles tocados pelo DJ Chris Holmes, que deixou o palco às 20hrs para dar início a um vídeo sobre a vida de Paul desde o seu nascimento até os dias atuais.

É fácil fazer previsões sobre o que esperar durante as quase três horas de show do Paul, resultantes de comentários desnecessários como “ah, pra que ir novamente se vai ser sempre a mesma coisa?”. No final das contas, aqueles dizem isso acabam indo de qualquer forma. Afinal, é sempre bom ter mais uma experiência para recordar. E para quem nunca teve a oportunidade de vê-lo ao vivo, é sempre preferível ver uma vez do que nunca, não é mesmo? 

Vinte e duas das trinta e seis músicas do repertório pertenciam aos Beatles, óbvio. Logo nos primeiros minutos, Paul evocou os tempos gloriosos da Beatlemania com "Can’t Buy Me Love", "All My Loving" e "Got to Get You into My Life", embaladas com as excelentes "Juniors Farm" e "Letting Go" (ambas do Wings), que fizeram o público agitar e dançar nos espaços que tinham na pista. 

Além da impressionante seleção musical, merece destaque o cuidado colocado na questão de produção, com telões interativos exibindo vídeos que harmonizavam com a atmosfera de cada música. Um exemplo claro disto foi durante "Let Me In", onde o ritmo marcial da música combinou perfeitamente com o vídeo dos guardas ingleses apresentado nos telões.

Outra coisa surpreendente é a tamanha disposição de Paul McCartney, que não demonstra sinais de cansaço e nem sequer parava para tomar água. E olha que estamos falando de um mero senhor no auge dos seus 82 anos. As pausas ocorreram apenas quando ele interagia com o público, na maioria das vezes em português, claro.

Entre as mais recentes destacou-se "Come On To Me", que foi muito apreciada pela plateia, que acompanhava ritmicamente com gestos corporais. “Let Me Roll It” teve uma breve conexão com "Foxy Lady", em tributo a Jimi Hendrix e com direito a um bom solo de guitarra vindo da Les Paul colorida de McCartney.

Umas das qualidades que Paul carrega na sua trajetória como musico é a sua habilidade como multi-instrumentista. No piano ele mandou a citada "Let Me In", "My Valentine", "Nineteen Hundred and Eighty-Five" e "Maybe I’m Amazed", esta última sendo seu primeiro sucesso a solo. Dedicada à sua esposa Nancy Shevell, que estava no meio da plateia, “My Valentine” trouxe um toque romântico à noite.

Paul e banda abaixaram um pouco os ânimos quando chegou a vez de “I've Just Seen a Face”, "In Spite of All the Danger” (a primeira canção gravada pelos Beatles, quando ainda se chamava The Quarrymen) e “Love Me Do”, trazendo um formato mais intimista e climático. Essa tranquilidade só refletiu na parte estética, pois as quase quarenta mil pessoas cantaram com fervor ambas e faziam aquele tradicional movimento com as mãos como se estivessem limpando janela, mas que na verdade foi para iluminar o ambiente escuro que foi instaurado nesse momento.

“Dance Tonight” é outra que é indispensável devido à famosa dancinha do Abe Laboriel Jr, que além de excelente baterista, também é um fantástico vocalista, assim como Rusty Anderson (guitarra), Paul Wickens (teclados, violão, gaita) e Brian Ray (guitarra e baixo), que vem dando o devido apoio ao Paul ao vivo há décadas. Além deles, também teve a presença do trio de metais Hot City Horns, que deram um brilho especial para algumas músicas.

Paul também não deixou de prestar a sua saudade pelos seus saudosos amigos durante "Blackbird", dedicada ao “parça” George Harrison, e "Here Today", dedicada ao “mano” John Lennon. Neste momento só ele ficou no palco para canta-las sobre uma plataforma elevada.

A única novidade foi “Now And Then”, guardada durante anos e que foi lançada esse ano. Se ela já ficou ótima em estúdio, ao vivo ficou mais ainda. Durante ela, o telão central mostrou Paul e Ringo ao lado do John e do George novamente graças a inteligência artificial, que com certeza deve ter deixado muita gente emocionado. 

“Lady Madonna”, “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, “Something” (calmamente iniciada com acordes de Ukulele) e “Ob-La-Di Ob-La-Da”, unidas a “Jet” e “Band On The Run” (maior hit da carreira do solo do Paul com os Wings), preparou em grande estilo o momento Greatest Hits da noite com “Get Back”, “Let It Be”, “Live And Let Die” e “Hey Jude”. Estas composições fazem parte da vida de muitas pessoas e, certamente, muitos deve ter tido contato com elas através do pai, mãe, tio ou avô. O destaque deste bloco ficará sempre para “Live And Let Die” por conta dos seus impressionantes efeitos pirotécnicos. “Hey Jude”, por si só, possui um poder imenso capaz de tocar qualquer coração peludo. Nesse momento houve uma bela união entre os “manos” e “minas” cantando juntos o famoso “na-na”.

Antes de começar o bis, Paul e os outros músicos desfilaram no palco segurando bandeiras do Brasil, Reino Unido e da LGBTQI+ (aceitem ou não). Em português, Paul disse que era “hora de ir embora”, mas o público respondeu “não” em coro. Contudo, antes do encerramento houve mais clássicos, começando com“ I’ve Got A Feeling”, que trouxe um dueto especial entre John (com voz isolada mostrando-o no último show dos Beatles no terraço da Apple Corps) e Paul.

"Day Tripper" e "Helter Skelter" falam por si mesmas, pois certamente encantaram os fãs da guitarra com os seus riffs memoráveis. "Golden Slumbers", "Carry That Weight" e "The End", trinca que encerra o aclamado “Abbey Road” (último disco gravado pelos Beatles), como também encerrou o incrível show.

É sempre um privilégio assistir a um show do Paul McCartney, seja uma, duas, três ou mil vezes, pois estamos diante de uma lenda viva que moldou aquilo que conhecemos hoje como Rock e influenciou inúmeras bandas e músicos dentro deste género. Este show foi particularmente especial para este vos escreve, pois foi a primeira oportunidade de vê-lo ao vivo, testemunhando uma celebração “foda”, como ele mesmo definiu. 

Para aqueles menos interessados em vê-lo ao vivo alegando ser sempre a mesma coisa, lembrem-se que o “pai tá on” e mandou um “até à próxima” antes de sair do palco.


Texto: Gabriel Arruda 

Fotos: Paty Sigiliano 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Bonus Track 

Mídia Press: Fleishman Hillard Brasil


Paul McCartney – setlist: 

Can't Buy Me Love

Junior's Farm

Letting Go

All My Loving

Got to Get You Into My Life

Come On to Me

Let Me Roll It

Getting Better

Let 'Em In

My Valentine

Nineteen Hundred and Eighty-Five

Maybe I'm Amazed

I've Just Seen a Face

In Spite of All the Danger

Love Me Do

Dance Tonight

Blackbird

Here Today

Now and Then

New

Lady Madonna

Jet

Being for the Benefit of Mr. Kite!

Something

Ob-La-Di, Ob-La-Da

Band on the Run

Get Back

Let It Be

Live and Let Die

Hey Jude

Bis

I've Got a Feeling

Day Tripper

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)

Helter Skelter

Golden Slumbers