segunda-feira, 22 de junho de 2026

John Elliot: à frente de duas bandas, dois discos e uma turnê pelo Brasil

Martin Vrigsjo - @martinvrigsjo

O vocalista do Confess e do Crashdïet fala à Road to Metal sobre os novos álbuns, suas inspirações, músicas favoritas e muito mais


Por Thais Navarro (@_thais_navarro)

Em meio a um dos momentos mais quentes para o Sleaze em anos, John Elliot conversou com a Road to Metal sobre estar à frente de duas das bandas mais relevantes da cena. Vocalista do Confess e do Crashdïet, ele vive um ano de lançamentos importantes (Metalmorphosis e Art of Chaos, respectivamente) e se prepara para desembarcar no Brasil em janeiro.

Na entrevista a seguir, Elliot fala sobre o momento atual do sleaze/glam/hard'n'heavy, as referências culturais que moldam as composições do Confess, a responsabilidade de assumir um legado como o do Crashdïet, as expectativas para a tão aguardada turnê brasileira e muito mais.

Confira a conversa completa abaixo!

Minha primeira pergunta é uma afirmação e uma pergunta ao mesmo tempo: você é o homem do momento, porque está em duas das maiores bandas de sleaze da cena atualmente, cada uma com sua própria identidade — Confess e Crashdïet — mas duas bandas realmente incríveis. Então, como tem sido essa experiência para você, estar nas duas bandas ao mesmo tempo, com dois grandes lançamentos também?

Elliot: Tem sido ótimo para mim. Obviamente é muito trabalho. Lançar dois discos ao mesmo tempo não é o ideal para a saúde mental, eu diria, mas ainda assim tem sido muito bom. Eu amo estar em turnê com as duas bandas. Eu comecei o Confess há quase 15 anos, então obviamente conheço melhor essa banda. Mas estou no Crashdïet há quase 3 anos, então sinto que realmente faço parte da banda no Crashdïet também.


Sim, e você realmente faz parte. Falando da cena sleaze/glam em geral, estamos em uma grande onda de lançamentos agora — tivemos Crashdïet, Confess, The Cruel Intentions… como você descreveria o estado atual da cena sleaze, e o que você espera para o futuro?

Elliot: As pessoas têm pontos de vista diferentes sobre o que realmente é sleaze, porque eu nunca considerei o Confess uma banda totalmente sleaze — sempre dizemos heavy metal ou hard rock. Acho que nos colocar como sleaze tem mais a ver com a imagem, o visual — sabe, cabelo longo, maquiagem, esse tipo de coisa, e as roupas. Mas quando você escuta o Confess, especialmente o novo álbum, tem muitos gêneros diferentes ali.

Mas para responder sua pergunta, acho que o estado do hard rock em geral parece estar voltando a crescer. Foram alguns anos difíceis, especialmente na Suécia e em Estocolmo. Quando o Crashdïet lançou "Rest in Sleaze", isso meio que começou tudo, especialmente na Suécia, e depois foi crescendo até mais ou menos 2013 — bandas surgindo em todo lugar, shows quase todas as noites.

Isso não desapareceu, mas houve menos daqueles shows underground todas as noites em Estocolmo, e muitas casas de show fecharam, especialmente depois da pandemia. Muitos locais desapareceram, e isso é muito triste, porque agora ou você toca em um clube ou bar bem pequeno, ou tem que ir para casas com 2.000 lugares. Não existe mais um meio-termo, pelo menos em Estocolmo, e isso afeta toda a cena, eu diria. Muitas bandas suecas vão para o exterior, para outros lugares da Europa, especialmente para tocar em festivais — há muitos festivais bons na Europa para o nosso tipo de música.

E há uma coisa curiosa — como estou em duas bandas que tocam um gênero parecido, é engraçado porque basicamente temos os mesmos fãs. As bandas suecas têm os mesmos fãs no mundo todo, então se torna como uma grande família do metal para todo mundo.


É verdade! Especialmente aqui no Brasil. Sobre o "Metalmorphosis" — eu tinha uma pergunta especificamente relacionada ao que você falou sobre o gênero. O álbum saiu há cerca de um mês e a crítica tem sido bem positiva, e a minha também — embora eu saiba que preciso ser imparcial como jornalista, minhas duas músicas mais ouvidas esse mês são "Pursuit of the Jenny Haniver" e "Colorvision". Bem, o próprio título do álbum, "Metalmorphosis", sugere transformação. Então, o que você diria que mudou no som do Confess em "Metalmorphosis" em comparação com discos anteriores?

Elliot: Não foi como se tivéssemos sentado e dito: "ok, vamos escrever um disco completamente diferente." Lançamos nosso álbum anterior, "Burn `em All", no início de 2020, e depois veio a pandemia. Tivemos que cancelar toda a turnê. O mundo todo parou e nós praticamente não nos vimos como banda por um ano ou dois.

Mas então, começamos a escrever músicas — eu e o Samuel começamos a escrever um pouco e mandar ideias um para o outro. Estávamos escrevendo para esse álbum desde 202. E sabe, quando você escreve por um período longo de tempo, como 3 anos, você está nessa zona criativa, e essa zona criativa muda muito durante esse tempo. Algumas das músicas do "Metalmorphosis" foram escritas em 2020, 2021, e algumas foram escritas em 2024. Isso obviamente vai afetar o som do disco, comparado a se você sentasse e escrevesse dez músicas para um álbum em um mês — então muitas músicas acabam ficando parecidas em termos de estilo.

Divulgação

Sim, elas são bem diferentes — "Beat of My Heart", por exemplo, é totalmente diferente de "Wicked Temptations," que é totalmente diferente das outras.

Elliot: "Beat of My Heart" é uma música que eu escrevi por volta da época em que tínhamos acabado de lançar nosso primeiro disco, "Jail" — eu escrevi essa música em 2014, então é uma faixa antiga.


E como surgiu o nome "Metalmorphosis"?

Elliot: Essa música, ou pelo menos o riff principal, o Samuel (baterista) também escreveu em 2014, e trabalhamos nessa música em todos os discos desde então: trabalhamos nela para o "Haunters," nosso segundo álbum, trabalhamos nela para o "Burn `em All," mas não conseguíamos acertar na música. Tínhamos o riff, a melodia, mas não conseguíamos escrever uma boa música em volta disso. Lutamos com essa música por quase 10 anos. E essa música originalmente se chamava "Metamorphosis" — a palavra real. E daí eu simplesmente disse: "Metalmorphosis, isso parece legal." Depois descobrimos que tinha outra banda lançando um disco chamado "Metalmorphosis."


Uma pergunta que acabei de lembrar, que eu não tinha planejado. Sobre a mariposa na capa. É a "Silvermalen"? Porque "mal" é mariposa em sueco, certo?

Elliot: Não intencionalmente, mas poderia ser!

Frontiers Records (Imp.)

Legal. Ainda falando sobre o álbum, vocês têm músicas muito elaboradas, algumas quase épicas, com muitas referências culturais — como "Jenny Haniver", a cultura pagã em "Silvermalen" e vocês já tinham feito isso em "Malleus" também. Onde vocês geralmente buscam suas referências culturais e musicais? Existe outra forma de arte que você gosta e que coloca nas suas músicas?

Elliot: No nosso primeiro álbum, tínhamos uns 20, 21 anos quando gravamos o "Jail", e muitas dessas músicas são sobre raiva adolescente, bebida, festa, esse tipo de coisa. Escrevemos músicas assim por um tempo, e é mais fácil escrever esse tipo de coisa quando você é mais jovem, quando você realmente vive aquela vida. Nenhum de nós vive mais aquela vida — somos quase homens velhos [risos]. Mas gostamos de História, então usamos isso como inspiração para muitas letras, especialmente nesse álbum — não que escrevamos algo historicamente preciso, mas usamos como inspiração.

O Samuel tem escrito a maioria das letras. Eu escrevi alguns pedaços — mandei algumas linhas para ele como ideias e ele voltou com quase uma música completa. Ele tem evoluído muito, escrevendo letras incríveis.

Realmente. Agora, eu gostaria de falar sobre o Crashdïet. Você entrou em 2024. "Art of Chaos" é seu primeiro álbum de estúdio com a banda. Como foi para você gravar este álbum, sabendo que esse era o álbum que ia te apresentar oficialmente como o novo vocalista do Crashdïet?

Elliot: Gravamos "Art of Chaos" em cerca de seis, sete meses — foi um período longo. Começamos com a bateria, depois colocamos os vocais, depois as guitarras e o baixo. Eu tinha guitarras-guia enquanto cantava, mas o Martin regravou tudo depois.

Mas eu não pensei muito sobre isso — foi mais como, "essas são músicas boas e eu vou fazer o meu melhor para entregar isso." Eu sempre tenho essa abordagem quando se trata de gravar — eu não consigo pensar muito sobre o produto final enquanto estou gravando, eu preciso estar presente no momento e sentir a música, e fazer o meu melhor. Então eu não pensei muito sobre isso na época. Foi mais quando começamos a mixar o álbum que você começa a pensar em querer mudar esse ou aquele som. Essa foi, na verdade, a parte que levou mais tempo com o Crashdïet — a gravação em si foi bem rápida, eu e o Martin gravamos os vocais fazendo duas músicas por dia, espalhadas, mas o processo de mixagem demorou um tempo.

Ninetone Group (Imp.)

Sobre o álbum em si — você e a banda o descreveram como "as dez faixas mais sleaze que vocês escreveram em muito tempo." Comparando "Art of Chaos" com os outros álbuns mais recentes do Crashdïet, você acha que ele representa um retorno a um som mais clássico, mais sleaze para a banda? Como você compara "Art of Chaos" com os outros álbuns?

Elliot: Eu amo todos os álbuns do Crashdïet. Quando o "Rest in Sleaze" saiu, eu tinha cerca de 15 anos e o comprei numa loja de discos em Estocolmo, então sempre guardo esse disco no coração. Eu acompanho o Crashdïet desde então — nos conhecemos há anos.

Acho que cada álbum tem algo diferente. O Crashdïet sempre foi muito bom em, sem mudar 100% seu estilo, fazer você realmente ouvir a diferença entre cada disco — nenhum dos discos parece uma cópia do anterior. Um pouco disso, claro, tem a ver com os diferentes vocalistas, mas mesmo os álbuns com o Simon Cruz — "Generation Wild" e "Savage Playground" — tem uma diferença enorme entre as músicas, a produção, tudo. E até os álbuns com o Gabriel Keyes — "Rust" e "Automaton" — são completamente diferentes.

Eu gosto de todos eles, e claro que, quando tocamos com o Crashdïet, temos muitas músicas para escolher para o setlist — e tentamos escolher pelo menos uma música de cada disco. Não acho que tenhamos feito um único show sem tocar algo de cada disco.

Para mim é um desafio, porque é uma mistura tão variada de vocalistas, em termos de extensão vocal — cada vocalista tem uma voz completamente diferente. Então as músicas mudam muito, e eu uso todo o meu registro vocal quando canto músicas do Crashdïet. Há uma grande diferença entre a voz do Gabriel e a voz do Oliver Twisted, por exemplo.

Divulgação

Eu estava conversando com o Chris (Young, baixista brasileiro do Crashdïet) sobre como a gente realmente gostaria de ouvir "Caught In Despair" ao vivo em um show.

Elliot: É uma boa música!


Tem alguma outra música demo que você gostaria de tocar?

Elliot: Sim, tem algumas demos que eu certamente gostaria de tentar tocar algum dia com o Crashdïet. "Miss Alright" é uma faixa ótima. Mas, como eu disse, tem tantas músicas para escolher, e também temos que considerar que precisamos tocar certas músicas que são hits óbvios. Precisamos tocar essas, e depois temos que descobrir quais músicas estamos dispostos a tirar do set para trazer outra coisa.


Qual é a sua música favorita do "Art of Chaos"? E do "Metalmorphosis"?

Elliot: É muito difícil escolher — meio que muda de dia para dia, quase. Não exatamente de dia para dia, porque eu não escuto minha própria música com tanta frequência, para sersincero.

Eu ouvi tanto durante a mixagem. Mas, dito isso, eu tenho tocado essas músicas em shows, e algumas parecem melhores ao vivo do que outras. Com o Confess, eu diria que "Colorvision" funciona muito bem ao vivo — temos aberto o show com essa música. E eu acho que "The Other Side" funciona muito bem também.

E com o Crashdïet, diria que "Chaos Magnetic" — só tocamos uma vez, no Sweden Rock Festival, mas acho que se continuarmos fazendo isso, vai ser ótima ao vivo no futuro, e "Quitter" também.

Realmente foi uma ótima abertura com "Chaos Magnetic". Bem, estamos chegando ao fim. Vamos falar sobre o Brasil agora — você vem em janeiro com o Crashdïet. Quais são suas expectativas para a visita? O que você já ouviu sobre o Brasil, o que o Chris te contou, quais são suas expectativas em geral?

Elliot: Eu sempre quis ir ao Brasil, nunca fui. Já fui à América do Sul uma vez, na Venezuela, quando era mais jovem. Eu ouvi que os fãs são ótimos — mas eu acho que os fãs são ótimos em todo lugar do mundo, para ser sincero. Muitas pessoas, não só o Chris, mas todas as bandas que conheço que já tocaram no Brasil, dizem que é uma loucura.

Mas sabe, provavelmente não poderemos ficar por muito tempo, então vai ser uma situação fly-in-fly-out, talvez um ou dois dias extras. Eu gosto de aproveitar o máximo possível da cultura. E eu ouvi que a comida é ótima.


O Chris já te ensinou alguma palavra em português?

Elliot: Sim, algumas palavras, mas não consigo lembrar agora — eu tenho que estudar um pouco de português antes de chegar.


Minha última pergunta é sobre o futuro. Depois desses dois álbuns incríveis, quais são seus planos de carreira para as bandas daqui para frente?

Elliot: Vamos tocar ao vivo por um tempo, e depois provavelmente vamos continuar lançando música com as bandas. Eu sei que há planos para os próximos anos.


Tem alguma coisa que eu não perguntei que você gostaria de dizer aos seus fãs brasileiros, ou aos fãs em geral?

Elliot: Comprem nossos álbuns! Eu sei que é meio difícil encontrá-los, mas continuem tentando. E sim, estou muito ansioso para vir ao Brasil no ano que vem!


Nenhum comentário: