Mostrando postagens com marcador Cauldron. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cauldron. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de dezembro de 2013

Resenha de Show: Cauldron e Bandas Locais Fervem a Embaixada do Rock (São Leopoldo/RS)


Grupo canadense encerrou primeira turnê brasileira em solo gaúcho

Com a dificuldade de um domingo (01/12), São Leopoldo/RS foi palco de mais uma atração internacional que debutava em terras brasileiras, a banda canadense Cauldron. Mas, antes disso, 3 apresentações de bandas de Porto Alegre/RS: The Muckers, Sacrario e Leviaethan.

Fabbio Wbber comandou o massacre do quarteto Sacrario

Infelizmente, devido ao começo bastante cedo dos shows, perdemos a apresentação da The Muckers, mas conseguimos chegar a tempo de assistir a banda de Thrash Metal Sacrario desfilar sua sonoridade agressiva, de um grupo com duas décadas de história, experiência nos palcos de países como Argentina e Chile.

Sacrario parecia incendiar a Embaixada do Rock

O massacre foi total com as principais composições do grupo, como “Stigma of Delusion”, “Urban Chaos” e “Asesinos de Mentes” e “God Against God”, que fechou o curto set dos Thrashers gaúchos, além de rolar a obrigatória “Bonded By Blood” (Exodus), provavelmente o melhor cover desse clássico feito no Brasil. A Sacrario, apesar do baixo público e este ainda apático, fez um verdadeiro ritual de música pesada, provando, para quem ainda pudesse ter dúvidas, que é um dos grandes nomes brasileiros.

O grupo, que está preparando novo disco para 2014, destaca-se pela grande energia e técnica no palco. Fabbio Webber (vocal e guitarra) fica literalmente possuído pelo som, tanto que em certo momento desce do palco e vai no meio do público agitar, sempre com muita agressividade e energia. Gustavo Stuepp (baixo), assim como Ricardo Lemos (guitarra), que felizmente voltou à banda, mostram uma coesão sonora absurda, digna de músicos que já dividiram o palco inúmeras vezes. Por fim, Everson Krentz, baterista único e com grande talento, podendo ser considerado um dos grandes do Thrash Metal brasileiro.

Mais de 30 anos de história dedicados ao Thrash Metal

Outra aguardada atração era a Leaviaethan, com seus 30 anos de carreira, sempre tendo à frente a iminente figura de Flávio Soares (vocal e baixo). Baseando-se nos dois LPs que já são considerados clássicos (“Smile”, de 1989, e “Disturbed Mind”, de 1992), a banda, mesmo com desfalque de um dos guitarristas e com o baterista ainda se recuperando do acidente de trânsito sofrido pela banda meses atrás, mostrou toda sua experiência em executar o Thrash Metal oitentista, com uma maior participação do público, que já se concentrava um pouco mais perto do palco, e bateram cabeça com clássicos como “Drinking Death”, “A.I.D.S.”, “Echoes From The Past” e “Disturbed Mind”.

Jason Decay, jovem e inveterado, agitou o público que estava ansioso pelo show da banda

Cauldron – A tradução literal nos transporta para o artefato de ferro usado no cozimento de alimentos em grandes quantidades. Na mitologia Wicca, o caldeirão está atrelado sempre à fertilidade e a vida. Pois no passado era onde se cozia os alimentos para pequenos grupos ou aldeias, dessa forma se conectava a ele, a fonte de alimento, calor e vivacidade. Como modelo, sabemos que o caldeirão tem três pés, assim percepcionando a imagem da materna Deusa Tríplice.

No Heavy Metal essa conotação não muda muito, e aqui me refiro aos Canadenses da banda Cauldron que excursionaram pelo nosso país pelo último mês. Talvez eles não sejam a representação da fonte da vida, porém a energia que emana dos garotos é incrível. Assim como na representatividade da tríade divina no caldeirão, a Cauldron também é representada pelo tripé: Jason Decay (Baixo e Vocal), Ian Chains (Guitarra e Backing Vocal) e Myles Deck (Bateria e Backing Vocal). Um misto de talentos ao melhor estilo Power trio setentista.  O show aconteceu na cidade de São Leopoldo na casa Embaixada do Rock, já consagrado templo para quem curte um som mais pesado! Não falaremos do artefato de metal, discorreremos sobre o metal puro e vivo que escorre pelas notas dos instrumentos e na voz do Decay.

Jason detonando "Digital Bitch" (Black Sabbath)
Os garotos chegaram cedo ao local, em momento algum se opuseram em tirar fotos com os fãs e foram extremamente atenciosos com os que se aproximaram, permaneceram o tempo todo passeando entre os fãs e o bar da Embaixada (que provavelmente levou um susto no estoque, pois os 3 mostraram bastante simpatia pela cerveja regional).  Subiram ao palco logo após o Myles ter um pouco de dificuldades para ajustar a bateria. Um parafuso de um dos suportes acabou espanando a rosca, sem exaltar ânimos a pequena demora foi aceita regada a cerveja e boa conversa. Com ajuda importante do baterista da Sacrário (Everson Krentz) tudo ficou preparado para o show. 

Sem demora subiram ao palco, sem muita conversa a apresentação da banda foi ao som de “End Of Times” e na sequencia “Burning Fortune”, praticamente duas metralhadoras calibre. 50 na cara de quem estava colado ao palco. As duas pancadarias fazem parte do álbum "Tomorrow’s Lost", grande motivo da vinda deles ao País (Brazil Lost Tour) para a divulgação, e feitas as considerações iniciais a surpresa (de minha parte, pelo menos) ficou por conta da “Nitebreaker”, que cheguei a imaginar que seria uma das últimas a ser tocada. E ao começar a "Nitebreaker", abriu-se a sequência infindável de Stage Dive’s e mosh pit’s , teoricamente um termômetro indicando que o show havia atingido grau máximo de temperatura. Hora de colocar o metal pra fundir! Em seguida veio a (menos agitada, porém não menos esperada) “Queen Of Fire” e “Rapid City”do cd "Burning Fortune". Do cd "Chained To the Nite", veio a encantadora “The leaven/Fermenting Enchantress”, na “Miss You to Death” Jason se permite dar um descanso breve para a voz e canta de forma mais grave um pouco sem precisar abusar dos agudos. 

Apesar de pouco público, todos que estavam lá agitaram como nunca, num dos melhores shows da turnê

De forma quase que apoteótica inicia-se, de repente, os rifs de guitarra de “Digital Bicth” do Disco Born Again, lendário trabalho do Black Sabbath, e na realidade se tratava disto mesmo, um grande tributo a uma das maiores bandas de metal do mundo. Toda oportunidade que Ian Chains precisava para afirmar a todos os presentes que, não é por acaso que ele é o guitarrista da Cauldron. Capricho nos riffs, velocidade, virtuosidade e precisão. Talvez o público que esteve presente nesta noite, em números não tenha sido uma grande ode à banda, porém todos que estiveram na Embaixada do Rock na noite, mereceram estar lá e fizeram um show junto com a banda. Em algum momento ouvi alguém dizer: “Só tem fã aqui dentro hoje, e só fã entende quem são esses caras”. Friamente, concordo! A bilheteria poderia ter sido melhor para ajudar a casa, produtora e encher os olhos da banda, mas duvido que o público fosse melhor do que os headbangs que fizeram a noite inesquecível. Imagino que, por este motivo e somado à São Leo ser a última estacionada antes de rumar para casa no norte das Américas, o trio resolveu dar “alguns presentes” ao público. Um deles foi a “Frozen in Fire” que ao que parece não entrou no set dos shows anteriores, e na sequência acompanhada da enérgica “Into de Cauldron”, música que nomeia o primeiro (e nervoso) álbum da banda. Inesperados presentes, porém desejados e muito bem recebidos com headbangs e stage dives!

Missão cumprida, Cauldron sai do Brasil com a certeza de que mesmo poucos fãs, são muito fiéis

Como golpe de misericórdia ainda viria a “Die hard” do Venom pra fechar a noite em muito alto estilo e metal. Estes são alguns dos momentos vividos na noite quem que a Cauldron passou pelo nosso estado! Se boas lembranças nossas eles levaram, não dá para afirmar ao certo, porém certamente realizaram o sonho de muitos entusiastas presentes naquela noite e reafirmaram acesa o amor pelo Metal!

Texto: Eduardo Cadore (bandas locais)/Uillian Vargas (Cauldron)
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Uillian Vargas/Eduardo Cadore (Road to Metal)


Agradecimentos: Ao nosso amigo Uillian Vargas, sempre aí par ao que der e vier, à Embaixada do Rock, que sempre nos recebe com profissionalismo e amizade e, claro, Miky Ruta (Fame Enterprises), por acreditar no nosso trabalho. Keep on Heavy!!


sábado, 14 de dezembro de 2013

Resenha de Shows: Cauldron e Bandas Nacionais Incendeiam o Rio de Janeiro

Apesar do baixo público, Rio teve noite de puro Metal

Com os portões do Odisséia abrindo depois do previsto, as poucas pessoas que ali se encontravam se preparavam para ver a primeira das três bandas de abertura da noite: a Tamuya Thrash Tribe. Apesar do nome, a banda liricamente influenciada por cultura indígena tem um gênero musical indefinido, e talvez classificá-la apenas como “metal extremo” seja o mais eficiente, uma vez que os riffs, melodias e solos têm diferentes variações de velocidade, agressividade e clima, caracterizando um som puxado para o Thrash/Death, mas com muitas características de Black, Groove e Doom Metal. 

Tamuya Thrash Tribe iniciou as apresentações da noite com muito peso

Muito pesada, o som da banda foi tirado não apenas dos dois álbuns gravados da banda, mas também de inéditas que se farão presentes em um trabalho futuro. Começando com “Last Ball”, o curto setlist se estendeu com a melódica “Agonising and Insufferable”. “Aqui, deus do trovão não é Thor, é Tupã!”, anunciava-se, pouco antes da intro da música homônima à banda. Embora a bela “Immortal King” não tenha se feito presente, a banda impressionou o público, que lentamente crescia, terminando com a música “Zumbi”.

Forkill apresentou seu excelente disco "Breathing Hate"

O público crescia, mas de forma dolorosamente lenta, e ainda era um público tímido e pouco animado. Mesmo assim, subia no palco a Forkill, apresentando seu excelente disco “Breathing Hate” (2013). A banda trazia um Thrash muito rápido e pesado, e, ainda tendo uma pegada brasileira moderna em seu som, a banda faz um som com claras influências do Thrash americano dos anos oitenta... aquele que na época nem sequer era considerado Thrash, por ser demasiado rápido e denso.  A agressividade musical se evidenciou quando a banda chamou um amigo ao palco para assumir os vocais de um excelente clássico: “Seasons in the Abyss”! Ainda que a escolha pareça um pouco incomum, a banda executou perfeitamente uma das maiores pirações de Jeff Hanneman e Tom Araya (Slayer), com o som seguinte, ainda, tendo sido precedido pela intro de “Raining Blood”.

Still Alive contrastou com as demais bandas, apresentando Heavy Metal com melodia

Contrastando com as bandas extremas que precediam, subia então no palco a grandiosa do Power Metal carioca Still Alive. Apesar do contraste supracitado, a banda trazia vocais muito limpos, mais próximos aos da banda principal. Abusando de teclados e solos extra-melódicos, a banda trazia também influências diretas do Heavy tradicional, algo muito Maiden, principalmente nos vocais e contrabaixo, em uma excelente interpretação das músicas de seu disco, “Kyo”.

Primeira passagem da banda canadense em solo brasileiro

Cerca de meia-hora depois do previsto, o Cauldron entrou em cena, agora com um público maior – mas definitivamente decepcionante, tendo em vista a grandiosidade do show, com cara de mini-festival. Mas os canadenses ainda foram energéticos e furiosos, começando com a perfeita introdução que precedia a faixa-título do último disco, o ótimo “Tomorrow’s Lost”! Apesar de seu som marcar, para muitos, uma forma moderna do Heavy Metal tradicional, a velocidade de seus riffs era tão grande quanto à de muitas bandas de Speed Metal, com impressionantes solos que perfaziam boa parte da música como a música seguinte, ainda do “Tomorrow’s Lost”, “Burning Fortune”, uma faixa curta, mas com uma grandiosa intensidade. Mas se ainda havia pessoas que não estivessem batendo cabeça, a maior pedrada do último álbum estaria vindo: “Nitebreaker”, totalmente com cara de Metal tradicional, com seus riffs grudentos e solos melódicos e extensivos, fez todos os presentes descobrirem o porquê do Cauldron ser uma banda aclamada.

Apesar de um setlist que deixou de fora algumas ótimas composições, Cauldron tocou seus clássicos

Para descansar um pouco, a banda trouxe uma música muito mais lenta, com uma pegada quase Doom, do disco anterior, “Burning Fortune”: “Queen of Fire”. Foi um testamento para as habilidades na guitarra de Ian Chains. Já as habilidades na bateria de Myles Deck seriam provadas na faixa seguinte, a deveras veloz “Rapid City”. A faixa seguinte, voltando ao “Burning Fortune”, seria talvez a faixa que mais traz o aspecto de Metal tradicional à banda da noite: “Miss You to Death”, um petardo em velocidade moderada com vários riffs, um ritmo feito principalmente com o contrabaixo de Jason Decay, que canta aqui com uma voz mais grave que antes, às vezes deixando os backing vocals quase desnecessários. 

O que viria a seguir traria uma surpresa para os que não acompanham o repertório da banda: um cover da clássica “Digital Bitch”, do Black Sabbath, mais precisamente do disco com Ian Gillan, “Born Again”! Não é a toa que seja uma das faixas mais bem faladas do disco em questão, pois é completamente Heavy Metal, e combina com o som veloz e limpo do Cauldron – ainda que os riffs sejam incrivelmente densos combinados com a distorção de forma que só Tony Iommi sabe compor. E para continuar com um clima rápido e intenso, a música emendada fora nada menos que “All or Nothing”, um já clássico da banda, cheia de solos rapidíssimos, questionando aspectos da vida que a todos irritam, e tendo, de longe, o refrão mais grudento da história da banda.

A última faixa a ser tocada do “Tomorrow’s Lost” no show talvez fosse ser um pouco morna, já que não é uma das mais populares, mas “Fight For Day”, além de ser a faixa mais bem balanceada entre contrabaixo e guitarra do disco, trazia riffs excelentes que praticamente pediam abuso dos pratos por parte do baterista, o que até suavizava o grito no final, que logo antecedeu um som muito menos limpo: a clássica titular de um antigo EP, “Into the Cauldron”, usando riffs mais diretos e vocais rasgados, baseada em graves tons da bateria. Apesar dos solos menos técnicos e maduros, era definitivamente o melhor som da banda para preceder o cover que viria a seguinte, de uma das bandas que mais influenciavam a banda desde o início: a super clássica do Venom: “Die Hard”!

O Venom nunca foi uma banda técnica, fazendo com que seu som ao vivo sempre parecesse diferente a cada concerto, algo aberto a interpretações até mesmo de bandas de estilos diferentes, como o Cauldron. Com os mesmos vocais rasgados e distorções sujas de “Into the Cauldron”, a música foi claramente um dos picos do show, e mostrava que a banda não se limitava a influências menos pesadas. Muito embora a música que fecharia o show fosse diferente, tinha um clima muito pesado: “Chained Up in Chains” tem um ritmo comercial no refrão, mas ao vivo, a música passa de atmosférica a monstruosamente densa e pesada, uma das pérolas da noite. Com partes soladas que deixavam o ritmo pesado a trabalho do baixo e bateria, a relativamente depressiva mudança de temporização entre os riffs, uma música tão sentimental parece um grande mix de estilos. Por ser a última faixa de um setlist curto, deixou-se o público querendo mais, e isso se enfatizava pelo fato de que outros clássicos absolutos do “Chained to the Nite” não entraram pro repertório... e não apenas “Dreams Die Young” e a popular “Conjure the Mass” ficaram de fora, como “Taken By Desire” e a visceral “Frozen in Fire”, ambas do rancoroso “Burning Fortune”, também não tiveram seu lugar na noite.
O público mais do que diminuto talvez não tenha sido um tributo merecido à memorável noite, ainda mais considerando que parte dele estava com uma fria atuação diante de uma calorosa performance de um dos atos que melhor demonstram o reavivamento do Metal tradicional em tempos modernos.

Texto/fotos: Lucas Cottica
Edição/revisão: Eduardo Cadore

Nossos agradecimentos à pessoa da Miky Ruta (Fame Entreprises) pelo credenciamento do nosso redator e total profissionalismo. Agradecemos a confiança.

domingo, 24 de novembro de 2013

Entrevista: Cauldron – "Se Somos Metal Tradicional, Então é Isso aí!"



Embora um grupo relativamente novo, o Cauldron já se tornou um dos nomes de exportação da cena metálica do Canadá, que está repleta de boas bandas (para além do Rush e Anvil, nomes primeiros que vem à cabeça). Agora em 2013 a banda formada por Jason Decay (vocal e baixo), Ian Chains (baixo) e Myles Deck (bateria) dá um passo ousado, que é vir ao Brasil para sua primeira turnê em nossas terras, batizando a vinda como “Brazil’s Lost Tour”.

A turnê será composta de seis datas, espalhadas pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Os shows, incluindo os de Rio de Janeiro/RJ e São Leopoldo/RS, em que estaremos fazendo a cobertura oficial, prometem ser de grande energia e os fãs brasileiros do Cauldron prometem comparecer e lotar as casas de shows com muitas camisetas pretas, calças de couro, cabelos cumpridos e braços em riste!

Para falar sobre a trajetória da banda, futuro e, claro, os shows no Brasil, conversamos com Jason, num bate papo muito legal que você só confere aqui.

(Click out the English version here)

Jason Decay

Road to Metal: O Cauldron surgiu em 2006, e sua proposta de som é bem fora dos padrões atuais, fazendo um Heavy Metal bem ao estilo final dos anos 70, e com certas inclusões de Hard Rock e até mesmo Rock Progressivo. Poderia nos contar como tudo começou e como moldaram sua sonoridade?

Jason Decay: O Cauldron começou como uma extensão da minha banda anterior, Goat Horn. Tocávamos com o timbre e estilo que éramos fãs na época e tentávamos enfatizar bastante nas letras e composições. Isto inclui uma variedade enorme de influencias, de Sabbath e Priest até o massacre americano do Obsession, Trouble e Virgin Steeel, passando também por bandas da Alemanha como Stormwitch e Gravestone. Não nos limitávamos somente nessas influências, mas deve ter dado pra você sacar a ideia... e não podemos esquecer o Desmond Child!(conhecido compositor e criador de "hits", que já contribuiu com Kiss, Bon Jovi, Alice Cooper, Joss Stone, Roxette).

Nós temos bem em mente os três elementos ao qual penso ter nos ajudado a nos diferenciar dos outros. Também acho que prestamos bastante atenção ao que está esquecido ou menos comum em termos de valores na produção do nosso som.

RtM: Muitas pessoas e imprensa metálica tem falado sobre esta nova onda de Heavy Metal Tradicional, incluindo, além de vocês, bandas como White Wizzard, Enforcer, Skull Fist e outros. O que você pensa disso? Eu acho que as bandas que fazem o Metal tradicional nunca pararam, o que acontece é que uma ou outra sub-divisão apenas ganha mais destaque.

Jason: Não sou um grande fã deste movimento que você citou. Eu sinto que a gente acaba caindo no meio de um monte de bandas que não são tão boas. Isso foi um termo criado pelas gravadoras para ajudar a enfiar esse monte de bandas no mercado.

Se somos Metal tradicional, então é isso ai! Isso nunca parou. Nós já estamos na estrada muito antes desse monte de bandas e a diferença naquela época era que não tinham tantas bandas parecidas pra nos enfiarmos. No final das contas, de qualquer modo, eu não acho que soamos parecido com nenhuma outra dessas bandas. Nós não temos o mesmo som, estilo de composição e outros itens na produção, acho que temos um som bem mais pesado, rasgado e orgânico.

"Quando começam a confiar demais na tecnologia aí sim o problema começa"
RtM: Vocês lançaram em 2012 seu terceiro disco de estúdio, "Tomorrow's Lost", que comparado com os anteriores, mostra uma certa evolução, seja em termos melódicos ou até mesmo em certos momentos psicodélicos. Como se deu o processo de composição do mesmo?

Jason: O estilo de composição foi basicamente do mesmo jeito que sempre fizemos, a grande diferença foi que Ian está agora contribuindo mais nos riffs, e está mais envolvido na produção e composição.

Banda se apresenta, dentre as datas, no Rio de Janeiro/RJ (27/11) e São Leopoldo/RS (1/12) com cobertura do RtM

RtM: Nos meses de novembro e dezembro, vocês desembarcaram pela primeira vez no Brasil. Qual a expectativa para estes shows?

Jason: Eu não estou cheio de expectativas, eu aprendi isso há muito tempo, estou muito empolgado em levar nossa música para cada vez mais lugares diferentes, onde nunca estivemos. Estou ansioso para ver todas as lojas de CDs por ai!

RtM: E o que você sabe sobre a cena metal brasileira?

Jason: Não muito, acho que as únicas coisas que eu tenho são Sepultura e Sarcófago. Mas tô doido pra aprender mais sobre a cena quando eu chegar ai!

RtM: Ainda falando do novo lançamento. Como está sendo a recepção do público headbanger com "Tomorrow's Lost"? 

Jason: A recepção foi ótima tanto pela imprensa como pelos fãs, e pessoalmente, é meu favorito até agora, mas eu não acho que aconteceu nada de novo pra gente. Chegamos a tocar no festival do Metallica, o Orion Festival, e agora estamos indo pro Brasil, então creio que são "novas avenidas", mas não tenho tanta certeza que esteja diretamente relacionado com o "Tomorrows lost".

"Estou ansioso para ver todas as lojas de CDs por ai!"

RtM: Em algumas entrevistas que acompanhem da banda, teve uma citação em comum, sobre o clipe da música "All or Nothing", onde o guitarrista Ian Chains dizia ter algo bem em comum com sua vida. Poderia nos contar mais a respeito.

Jason: Bem nenhum desses foram realmente nossos empregos de verdade, mas ao mesmo tempo não eram apenas esporádicos. Naquela época eu estava trabalhando numa loja de departamentos no almoxarifado, Ian estava trabalhando numa loja de brinquedos e não tenho certeza se o Chris estava empregado na época, então acho que o vídeo demonstra bem a nossa frustração de estarmos presos num emprego medíocre a fim de fazer a banda engrenar. Acho que isso é algo que nós todos passamos.

RtM: Em pleno 2013 é sempre bom ver bandas que usam equipamentos analógicos, deixando o som bem real, e no caso de vocês isso parece ser essencial. Quais as principais influências da banda e como é para vocês não usarem a tecnologia e facilidades que hoje os estúdios oferecem?

Jason: Temos um jeito bem simples de lidar com gravações, nos gravamos a música juntos no ensaio, e depois fazemos o overdub dos vocais e guitarras solo. Acho que isso mantém música viva e o pulso humano nas gravações. Quando você começa a depender demais da tecnologia para fazer suas gravações, aí sim se torna um problema.

RtM: Seus compatriotas do Skull Fist estiveram no Brasil recentemente, o que eles falaram a vocês sobre nosso país?

Jason: Sim eles disseram que foi ótimo e bem divertido, eles também nos deram umas dicas sobre algumas coisas que temos que tomar cuidado.

RtM: Quando falamos sobre a cena canadense, provavelmente 9 em cada 10 pessoas se lembram do Rush! Eu gostaria que você falasse sobre a importância deles para você, e, assim como outras bandas canadenses da cena que tenham uma influência sobre vocês. E o que você pensa sobre o filme "Anvil-The Story of Anvil", lançado em 2008?

Jason: Eu amo Rush e Anvil é um filme incrível, você viu a minha cena batendo cabeça no aniversário de 50 anos do Lips? Muitas bandas têm historias bem parecidas com a do Anvil, eles tiveram a sorte de terem os amigos certos como Sascha para fazer seu documentário.

RtM: Gostaria de agradece-los pela entrevista, e peço que deixem uma mensagem aos fãs da banda aqui no Brasil.

Jason: Obrigado pela entrevista. Eu estou realmente ansioso para a nossa viagem para o Brasil, vejo vocês em breve!

Entrevista: Renato Sanson/Carlos Garcia
Edição/revisão: Eduardo Cadore/Carlos GArcia
Tradução: Wael Daou
Fotos: Divulgação
Produtora: Fame Enterprises



Interview: Cauldron - "If We're Traditional Metal, then yeah!"


Although a relatively new group , Cauldron has become one of the export names of canadian Metal scene , which is full of good bands ( besides Rush and Anvil , the first names that comes to mind ) . Now in 2013 the band formed by Jason Decay ( vocals and bass ) , Ian Chains ( bass) and Myles Deck (drums ) gives a bold step , which is to come to Brazil for their first tour in our lands , baptizing coming as " Brazil 's Lost Tour " .

The tour will consist of six dates spread over the states of São Paulo , Rio de Janeiro , Minas Gerais , Paraná and Rio Grande do Sul , including those of Rio de Janeiro / RJ and São Leopoldo / RS , where we will be doing the official cover , promise to be full of great energy , and Brazilian fans Cauldron promise to attend and fill the concert halls with many black T-shirts , leather pants , long hair and arms at the ready !

To talk about the band’s history, the future , and,  of course , the concerts in Brazil , we talked with Jason , a  really cool interview that you only check here!

(Confira em português clicando aqui).

Road to Metal: The band started in 2006, and playing a Heavy Metal in the vein of the 70’s and NWOBHM, and with certain inclusions of Hard Rock and even Progressive Rock. Could you tell us how it all began and how it shaped your sound?

Jason: Cauldron began as an extension of my previous band Goat Horn. We play the sound and style of what we are fans of and try to emphasize on strong songwriting. This includes a wide variety of influences from Sabbath and Priest to the US Metal Massacre of Obsession, Trouble and Virgin Steele to German stuff like Stormwitch and Gravestone. Not limited to but you get the idea… And let's not forget Desmond Child! We are quite set on the 3-piece element which I think helps set us apart. Also, I think we pay attention to a lot of forgotten or less common production values in our sound.


Road to Metal: Many people and Metal Press are talking about this New Wave Of Traditional Heavy Metal, including, besides Cauldron, bands like White Wizzard, Enforcer, Skull Fist and others. What do you think about? I think the bands that make the Traditional Metal never stopped, what happens is that one or another sub-division just gaining more prominence.

Jason: I'm not big on the NWOTHM tag. I feel we get lumped in with a lot of bands that aren't so good. It was a term created by the record labels to help market a bunch of bands. If we're traditional metal then yeah, it never stopped. We we're around before a lot of those bands and the difference back then was there was not enough similar bands to lump us in with. At the end of it all anyway, I don't think we sound like any of these bands. We don't have the same sound, songwriting style or production values. I thin we have a much more heavy and gritty organic sound.

Jason Decay
RtM: You released in 2012 your third studio album, "Tomorrow's Lost", which compared to the previous, a certain evolution, in terms melodic or even at times psychedelic. How was the album’s writing process?

Jason: The writing process was much the same as its always been, biggest difference would be that Ian is now contributing more riffs and is more involved in the songwriting and production now.


RtM: In the months of November and December, you will land for the first time in Brazil. What is the expectation for these shows?

Jason: I'm not full of expectations, I've learned from that in the past. I am very excited to take our music to another place far away that we haven't been to before. I'm looking forward to raiding the record shops!

RtM: And what do you know about Brazilian Metal scene?

Jason: Not much, I think the only Brazilian records I own are by Sepultura and Sarcofago. I look forward to learning when I'm there!

RtM: Still talking about the new release. How’s going the reception to "Tomorrow 's Lost"? Is it opening new doors for the band?

Jason: The reception was well both in the press and with the fans and it’s my personal favorite so far but I don't think it’s done anything new for us. We got to play Metallica's Orion festival and now we're going to Brazil so I guess those are new avenues but I'm not sure they we're directly related to Tomorrow's Lost.

RtM: In some interviews accompanying the band had in common a quote on the video for the song "All or Nothing" where guitarist Ian Chains have said something right in common with his life. Could you tell us more about it?

Jason: Well, none of those were our actual real jobs but at the same time they were not too far off. At the time I was working in a department store receiving area, Ian was working in a toy store stockroom and I'm not sure if Chris even had a job at the time so I guess the video represent the frustrations of being trapped in a shitty job in order to make the band work. I think it’s something we can all relate too.


RtM: In the midst of so much technology, so many studio resources, overdubs, etc.. It’s always so good to see bands that use analog equipment, leaving the sound really strong and sounding real! And in this case you seem to be essential. How is for you not to use the technology and facilities that today's studios offer?

Jason: We have a real simple approach to recording; we record the bed tracks live off the floor in the live room together and then we overdub the vocals and lead guitar.  I think this is what keeps the life and human pulse in our recordings. Its when you start relying on technology to make your record that it becomes a problem.

RtM: Your compatriots of Skull Fist were in Brazil recently, they talked to you about our country?

Jason: Yes! They said it was awesome and that they had a great time. They also warned us of a few things to watch out for.


RtM: When we talk about Canadian scene, probably 9 out of 10 people remember Rush! I would like you to talk about the importance of them for you, and as well as other Canadian bands of the scene that had an influence on you. And what you think about the movie “Anvil-The Story of Anvil”, released in 2008?

Jason: I love Rush and Anvil is a great movie. Did you see the shot of me head banging at Lips' 50th birthday bash in the movie? Many bands have a similar story to Anvil; they were fortunate enough to have the right old friend (Sascha) to document their's.

RtM: We would like to thank them for the interview and ask to leave a message to the brazilian fans.

Jason: Thanks for the interview. I'm really looking forward to our trip to Brazil, see you soon!

Interview: Renato Sanson/Carlos Garcia
Edition/revision: Eduardo Cadore/Carlos Garcia
Translation: Wael Daou
Photos: Disclosure
Production: Fame Enterprises