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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Bloodhunter: Melodeath em Estado Máximo (Also In English)

ROAR (Imp.)

Bloodhunter une peso e maturidade em Sons of the Abandoned

Por Michelle F. Santana 

O Bloodhunter, banda espanhola de death metal melódico formada em 2008, chega ao seu quarto álbum de estúdio, Sons of the Abandoned, sucessor de Knowledge Was the Price (2022). Embora mantenha a identidade sonora consolidada no trabalho anterior, o novo disco surge mais agressivo, energético e dinâmico, evidenciando um amadurecimento notável na composição e na execução da banda. 

As temáticas também evoluem, afastando-se parcialmente dos elementos mitológicos que marcaram trabalhos anteriores para explorar questões mais psicológicas, abordando vulnerabilidades humanas, conflitos internos e dilemas existenciais de maneira mais profunda e introspectiva.

Musicalmente, o álbum apresenta menos espaço para solos extensos quando comparado aos dois primeiros trabalhos do grupo, priorizando a construção de atmosferas, riffs marcantes e uma dinâmica mais fluida entre agressividade e melodia.

A abertura com "The Devil's Own" deixa claro, desde os primeiros segundos, qual é a proposta do álbum. A faixa é explosiva, intensa e demonstra imediatamente a maturidade alcançada pela banda. Os riffs de Dani Arcos são agressivos, trabalhados e memoráveis, enquanto Diva Satánica entrega uma das performances vocais mais técnicas e brutais de sua carreira. 

A bateria de Adrián Perales é rápida e pesada, impulsionando a música com precisão e reforçando a agressividade das guitarras, evidenciando a forte influência do death metal melódico sueco presente em toda a composição.

Em "Threshold of Hell", o Bloodhunter conta com a participação especial de Fernando Ribeiro, vocalista do Moonspell. A música aborda temas como depressão e luta interna — conflitos inerentes à condição humana —, trazendo riffs mais cadenciados e melódicos. A voz grave, sombria e soturna de Fernando cria um contraste fascinante com os guturais rasgados de Diva Satánica. 

A faixa finaliza com uma sirene como recurso sonoro, ampliando a sensação de angústia e desespero transmitida pela composição, resultando em uma das músicas mais interessantes e atmosféricas do álbum.

A faixa-título, "Sons of the Abandoned", sintetiza grande parte da proposta do disco. Mantendo a forte influência da escola sueca de death metal melódico, a música acrescenta uma energia contagiante e um senso de grandiosidade. 

O refrão é explosivo e triunfante, sustentado por linhas melódicas marcantes que fazem da faixa uma forte candidata a se tornar um dos pontos altos das apresentações ao vivo da banda. O solo é envolvente e reforça o caráter épico da composição, remetendo aos grandes encerramentos de show.

Já "The Path That Never Ends" conta com a participação de Laura Guldemond e se destaca como uma das composições mais dinâmicas do disco. Embora comece de forma agressiva, a música transita com naturalidade entre o death metal melódico e elementos progressivos. 

A interpretação de Diva Satánica é impecável, mas é a combinação entre seus vocais extremos e a voz limpa, poderosa e melódica de Laura que eleva a faixa a outro nível, criando momentos verdadeiramente hipnóticos.

O encerramento fica por conta de "Human Insecticide", cover da clássica música do Annihilator. Aqui, a influência do thrash metal é evidente, mas o Bloodhunter consegue incorporar sua identidade melodeath sem descaracterizar a essência da composição original. 

O resultado é uma releitura pesada, intensa e extremamente eficiente, impulsionada por vocais mais agressivos e carregados de revolta, exatamente como a música exige.

Ao revisitar a trajetória da banda, torna-se evidente o crescimento gradual do Bloodhunter em todos os aspectos musicais. Sons of the Abandoned marca um novo patamar nessa evolução, reunindo peso, técnica, precisão e composições cada vez mais maduras. É um álbum envolvente do início ao fim, que revela novas nuances a cada audição e confirma o Bloodhunter como uma banda cada vez mais segura de sua identidade artística e de seu potencial criativo.




***ENGLISH VERSION***

Bloodhunter Reaches a New Level of Maturity with Sons of the Abandoned

Bloodhunter, the Spanish melodic death metal band formed in 2008, returns with its fourth studio album, Sons of the Abandoned, the successor to Knowledge Was the Price (2022). While retaining the sonic identity established on its predecessor, the new record emerges as a more aggressive, energetic, and dynamic effort, showcasing a remarkable evolution in both songwriting and performance. 

The lyrical themes have also matured, moving partially away from the mythological elements that characterized previous releases to explore more psychological territory, addressing human vulnerabilities, inner conflicts, and existential dilemmas in a deeper and more introspective manner.

Musically, the album places less emphasis on extended guitar solos compared to the band's first two records, favoring atmosphere-building, memorable riffs, and a more fluid balance between aggression and melody.

Opening track "The Devil's Own" makes the album's intentions clear from the very first seconds. Explosive and intense, the song immediately demonstrates the band's growth and maturity. Dani Arcos delivers aggressive, carefully crafted, and memorable riffs, while Diva Satánica turns in one of the most technical and brutal vocal performances of her career. Adrián Perales' drumming is fast and powerful, driving the song forward with precision and reinforcing the aggression of the guitars, while highlighting the strong influence of Swedish melodic death metal throughout the composition.

On "Threshold of Hell", Bloodhunter is joined by special guest Fernando Ribeiro, vocalist of Moonspell. The song tackles themes such as depression and internal struggle—conflicts inherent to the human condition—through more restrained and melodic riffing. Fernando's deep, dark, and somber voice creates a fascinating contrast with Diva Satánica's harsh growls. The track concludes with a siren effect that amplifies the sense of anguish and despair conveyed by the composition, resulting in one of the album's most compelling and atmospheric moments.

The title track, "Sons of the Abandoned", encapsulates much of the album's overall vision. Maintaining a strong influence from the Swedish melodic death metal school, the song adds an infectious energy and a sense of grandeur. Its explosive and triumphant chorus is supported by memorable melodic lines that make it a strong contender to become a live favorite. The guitar solo is captivating and reinforces the song's epic character, evoking the feeling of a grand concert finale.

Meanwhile, "The Path That Never Ends" features guest vocals from Laura Guldemond and stands out as one of the album's most dynamic compositions. Although it begins with pure aggression, the track naturally shifts between melodic death metal and progressive elements. Diva Satánica's performance is flawless, but it is the combination of her extreme vocals with Laura's powerful and melodic clean singing that elevates the song to another level, creating truly hypnotic moments.

The album closes with "Human Insecticide", a cover of the classic Annihilator track. Thrash metal influences are unmistakable here, yet Bloodhunter successfully injects its melodic death metal identity without compromising the essence of the original composition. The result is a heavy, intense, and highly effective reinterpretation, driven by more aggressive vocals that perfectly capture the anger and rebellion the song demands.

Looking back at the band's trajectory, Bloodhunter's gradual growth becomes evident in every aspect of its musicianship. Sons of the Abandoned marks a new milestone in that evolution, bringing together heaviness, technique, precision, and increasingly mature songwriting. It is an engaging album from beginning to end, one that reveals new layers with each listen and confirms Bloodhunter as a band growing ever more confident in its artistic identity and creative potential.

Beatriz Mariano

sábado, 7 de novembro de 2015

Dark Moor: "Project X" Definitivamente Marca uma Nova Era

 

English Version
Fundada em 1993, a banda espanhola Dark Moor chega ao seu décimo full-lenght, "Project X", álbum que marca definitivamente uma nova era, iniciada no álbum anterior, "Ars Musica" (2013), onde o grupo apresentou novos elementos e novas direções musicais, deixando o Power Metal praticamente de lado, mantendo as influências clássicas e sinfônicas, mas agora com sonoridade mais voltada as melodias, se aproximando ao Classic Rock e AOR.

Os novos caminhos surpreenderam muitos fãs das fases anteriores, com Elisa Marin nos vocais (que deixou a banda, junto com outros integrantes, em 2002, após a tour do álbum "The Gates of Oblivion"), e até da fase seguinte já com Alfred Romero, inclusive incluindo o aclamado álbum "Tarot"(2007) considerado por muito o melhor álbum do Dark Moor até então, mas acredito que, se alguns sentiram falta do Power e Symphonic mais "tradicional" de outrora, a maioria provou o álbum. Algo normal quando ocorrem mudanças, sempre vai-se perder alguns fãs, mas com certeza também conquistar novos.



Pessoalmente, aprovei as mudanças da banda, e sou favorável a que o artista não se dê limites, mesmo que isso possa imputar riscos, e é natural a necessidade de experimentar coisas novas, buscar evolução, porém sem perder a identidade.  São coisas necessária para manter-se relevante, e também para manter a própria motivação em criar. Veja quantas banda pararam no tempo, e não conseguiram uma evolução, não conseguindo produzir mais trabalhos que realmente empolguem (falando em bandas na linha do Power Metal, posso citar o Stratovarius e Gamma Ray, o primeiro não conseguiu evoluir sua proposta e o segundo segue fazendo o mesmo álbum há anos)

Se em "Ars Musica" ainda havia alguns traços do Power Metal de álbuns anteriores, em "Project X" o Dark Moor mergulha ainda mais na evolução iniciada no seu antecessor, e o que ouvimos é uma banda com ainda mais ênfase nas melodias, e agora executa um brilhante e "catchy" Melodic Metal, com nuances de Classic Rock, AOR, Rock Opera, repleto de grandes refrãos e melodias, onde encontramos referência de Queen, Meat Loaf e musicais naquele estilo Broadway.

Cena do vídeo "Gabriel"

Embora não seja um álbum conceitual, "Project X" aborda em suas 10 faixas um tema que fascina a humanidade há tempos, os mistérios relacionados ao espaço, se estamos sozinhos no universo, UFOs, Sci-fi em geral. Por exemplo, "Abduction" fala sobre um caso de abdução por alienígenas cinza (gray aliens), "The Secret Revealed", sobre a famosa Area 51, "Beyond the Stars", a respeito da pergunta "será que existe vida além da terra?" e "The Existence", sobre a origem da vida, de onde viemos. A capa do álbum também é fantástica, uma bela ilustração concebida por Gyula Havancsák (Stratovarius, Grave Digger, Destruction).

O álbum é um deleite para quem aprecia a boa música, cativantes melodias e arranjos orquestrais Uma das marcas do grupo), e me prendeu já na primeira audição, e fazem mais de três semanas que o álbum está no meu play list. A intro "November 3023" incia o álbum, emendando em "Abduction", e em ambas arranjos modernos de teclado dão um clima Sci-fi, com sons que lembram trilhas de filmes do gênero, abrindo o álbum de forma bem vibrante.

 "Beyond the Stars" inicia em clima de balada, com arranjos de piano (aliás, os teclados estão bem em evidência no álbum), e já dá pistas do que vem pela frente, pois nota-se já o que citei antes, o ênfase nas melodias, com cada instrumento trabalhando em prol da música, assim como as interpretações carregadas de feeling de Alfred Romero, e os coros, num estilo tipo musical da Brodway, meio Gospel também, que ficaram geniais (lembrei de Meat Loaf também), assim como o solo de Enrik, numa veia bem Queen;


"Conspiracy Revealed" é mais "rocker", novamente com refrão e melodias cativantes, além de corais também naquele estilo "Brodway", e destaque aqui para as melodias e o solo com wha wha de Enrik; "I Want to Belive", uma das melhores do álbum, uma balada carregada de emoção, que também traz esses elementos Gospel e de musicais, nos fazendo lembrar novamente de Queen e Meat Loaf. Destaque para a grande interpretação de Romero e o belíssimo refrão, com coros num estilo bem gospel.

"Bon Voyage", que fala sobre as loucas aventuras de um viajante do espaço, tem uma levada mais veloz e moderna, que logo se funde a referência Classic Rock, ótimas melodias ao teclado, do refrão nem precisaria falar, só tem refrão pegajoso neste disco!, mas este é muito legal, e tanto o refrão como o corais a referência é grande de Queen, assim como as melodias vocais e do teclado e o solo de Enrik, com timbres que remetem a lenda Brian May.

"The Existence" traz umas das melodias mais pegajosas do teclado e ótimo riff de Enrik, mesclando sonoridades do Melodic Metal moderno ao Classic Rock; destacando novamente o brilhante trabalho nas melodias vocais e coros, algo recorrente por todo o álbum; "Imperial Earth" tem um ar meio trilha sonora (no caso, de filmes Sci-fi), riff poderoso de Enrik, uma faixa com mais punch; "Gabriel", que foi o também escolhida para ser o primeiro vídeo de divulgação (trazendo a participação de Javier Botet, ator e diretor de  filmes como "Mama", "[REC]" e "Colina Scarlate" ), onde pudemos já ter uma prévia de que "Project X" traria um novo passo para a banda, a faixa traz riffs e melodias marcantes na guitarra, fantásticos arranjos de teclado, trazendo um clima bem sci-fi, e um refrão que gruda de imediato!



"There's Something in the Skies", fecha o álbum de forma épica, com seus mais de 8 minutos, cheia de variações, praticamente condensando tudo que podemos encontrar no álbum, grandes melodias, grandes refrãos, uma banda em excelente forma! A música tem um clima meio de trilha sonora, meio de musical, trazendo uma grande interpretação de Romero, e é uma faixa que evidencia mais ainda as influências de Classic Rock e Queen. A canção começa em ritmo de balada, para depois ir crescendo, tendo na sua parte central um trecho operístico (lembra aquele trecho da "Bohemian Rhapsody"?), para depois se transformar num "Rockaço" na parte final.



Um álbum que marca uma nova era para o Dark Moor, trazendo à tona suas influências no Classic Rock, adicionando novos elementos, soando atual, e acima de tudo, com música de extremo bom gosto, repleta de grandes e memoráveis melodias e refrãos. É ouvir e viciar!


Texto: Carlos Garcia

Banda: Dark Moor
Álbum: Project X
País: Espanha
Estilo: Symphonic Metal/MelodicMetal/Classic Rock
Produção: Luigi Stefanini (Rhapsody of Fire, Vision Divine, Etc) e Enrik Garcia
Gravadora: Scarlet Records

Canais Oficiais:
Official Web Site
Facebook
Youtube


Lineup:

Alfred Romero - Vocals

Enrik García - Guitars

Ricardo Moreno - Bass

Roberto Cappa - Drums
     



1. November 3023

2. Abduction

3. Beyond The Stars

4. Conspiracy Revealed

5. I Want To Believe

6. Bon Voyage!

7. The Existence

8. Imperial Earth

9. Gabriel

10. There's Something In The Skies

               







domingo, 29 de março de 2015

José Rubio's Nova Era: Metal com Melodia, Técnica e Poder


O que se iniciou como um projeto do conceituado guitarrista espanhol José Rubio (Warcry, Uroboros), quando do lançamento do seu álbum "Castles in the Moon", e a partir do segundo álbum, batizado "Nova Era", e o primeiro sob o nome "José Rúbio's Nova Era", que obteve excelente receptividade, com a banda tocando nos principais festivais da Espanha, além de realizar uma tour por todo o território.  (Read English Version Here)
Novembro do ano passado o JRNE  lança o terceiro full-lenght, "Fight", onde pretende dar mais passos e alcançar um público maior, algo que se depender do excelente Heavy Metal do grupo, que une técnica, melodia e peso em medidas bem equilibradas, uma ótima mescla entre e Heavy e Hard.

Riffs poderosos fazem contraponto a excelentes melodias dos teclados, técnica e melodia presentes, lembrando bandas que sempre mesclaram bem a técnica, o peso e poder do Heavy Metal Tradicional com a melodia e malícia do Hard, como Pretty Maids e The Poodles, e podemos citar também álbuns como "Sacred Heart" (Dio) e "Trilogy" (Malmsteen), que são bons exemplos de casamento perfeito entre Hard e Heavy, grandes refrãos e melodias, teclados na dose certa e ótimos vocais.


A técnica e o senso melódico de José Rubio são muito bem acompanhados por uma banda extremamente talentosa, destacando os vocais de Fran Vázquez, um cantor de muita pegada, que possui um timbre que lembra Ronnie Atkins (Pretty Maids) e Jakob (The Poodles), com uma voz rouca e "rasgada", mas também alcançando tons mais altos, sendo agressivo quando necessário, mas sabendo levar muito bem uma balada mais melodiosa.

Contendo 10 músicas de muita qualidade, "Fight" abre com "After All", puro Heavy Metal, som poderoso e atual, grandes refrãos e melodias, excelente cartão de visitas, o ouvinte já percebe que está diante de algo diferenciado; a faixa título vem em seguida, seguindo a mesma linha, com grandes coros, com uma cara de "hino", pra cantar de punhos cerrados!; "Walls of Rock" traz a veia Hard Rock mais evidente, mais melodiosa e refrão cativante.


Melodias cativantes, riffs marcantes e poderosos e grandes refrãos não faltam, e isso é algo que deve estar sempre presente em um bom álbum de Metal, enquanto que para algumas bandas como o JRNE parece algo tão natural, para alguns parece tão difícil construir boas músicas, é o que sempre enfatizo, feeling não é todo mundo que tem, não basta ter técnica e uma produção cara.

Destaque ainda para as faixas "Eagle of Blood", "Rebellion" e "New Era", nova versão da música instrumental do primeiro álbum, com orquestrações e  adicionando vocais, transformando-se numa poderosa balada.

Um álbum poderoso e de ótimo nível, Heavy e Hard, peso e melodia, técnica e feeling, tudo muito bem dosado, aliados a uma excelente produção, soando atual mas sem perder as raízes e a essência do Heavy Metal em seu sentido máximo. Uma Nova Era está vindo!


Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação



Line Up
José Rubio: Guitarras
Fran Vázquez: Vocais
Gustavo Segura: Drums
José Pineda: Bass
Francisco Gil: Keyboards
Miguel Araújo: Guitarras

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Track-List
01. After All
02. Fight
03. Walls of Rock
04. Shackles of Gold
05. Time after Time
06. Eagle of Blood
07. Rebellion
08. Time to Survive
09. So Deep Inside
10. New Era












sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mägo de Oz: Ilussia - Novos Tempos, Nova Viagem Heavy Metal/Hard/Folk/Sinfônica



Fundada em 1989, com certeza, uma das bandas mais bem sucedidas (Senão a mais bem) da Espanha, tendo uma grande legião de fãs em países de língua espanhola, como México, Argentina e Chile, depois de trocas de formação, problemas com gravadora (aliás, a banda sempre teve alguma rotatividade em suas fileiras, alguns apontam o fato do líder e fundador, Txus, ser  muito controlador), a banda se reestruturou e segue em busca de novos êxitos.

O Rompimento com José Andrea

A grande mudança, provavelmente, foi a saída do vocalista José Andrea, anunciada em 2011, e o último show da tour que marcou a despedida do vocalista foi no México, em agradecimento ao grande apoio dos fãs mexicanos. 
José fez parte dos grandes êxitos desta, que é a mais bem sucedida banda do Metal espanhol, estando presente em álbuns acima de qualquer suspeita como "La Leyenda de La Mancha" e "Finisterra", e a saída foi cercada de polêmica, com os dois lados falando que foi de forma amistosa, mas é fato que ninguém acreditou muito, e algumas entrevistas nos últimos anos dão pistas claras.

José declararou que com o passar dos anos algumas questões foram se tornando insuportáveis, e a convivência ficando mais difícil, e confundir um grupo de Rock com uma empresa foi o que mais lhe deixou insatisfeito, e, enquanto ele queria algumas mudanças, outros queriam seguir pelo mesmo rumo.

Txus e José: Amizade e parceria de sucesso foi abalada
Por outro lado, Txus chegou a alfinetar que José não estaria sendo profissional, que queria seguir levando uma vida de "Rock Star", chegando a citar Paul Stanley, e que deveria saber que há a hora de festejar e a hora de trabalhar, e que também deve-se saber seus limites, o peso da idade.
Em 2013, Txus publicou um comunicado, aparando arestas e aparentemente pedindo desculpa a José, afinal, foram muitos anos de companheirismo e sucesso, levando a banda a outro patamar.


Novo Vocal, Novo Álbum e Um Novo Mägo

Vida que segue, cada para seu lado (José Andrea segue carreira com seu grupo Uróboros) e Txus tratou de buscar um substituto, e Javier Zeta Dominguez foi o escolhido, com este, apesar de um registro de voz menos potente na questão das notas altas, encaixou muito bem, não trazendo mudanças gritantes.


"Hechizos, Pócimas y Brujeria" (2012), marca a estreia do novo vocal, com uma boa acietação do público, trazendo a tradicional sonoridade, aquela mescla de Hard/Heavy, Blues, Rock and Roll e ritmos Folk, mesclando as guitarras à flautas e violinos, além de bem cuidados arranjos vocais.


O Segundo Álbum da Nova Fase

2014 marca o segundo álbum da nova fase, "Ilussia", que segundo Txus traz uma trama em torno de um circo abandonado e maldito, em meio a um bosque, e que cobra vida, e é encontrado por um personagem, e segue-se a trama, que conta a história de um dos palhaços do circo. Soando mais coeso, até pela fase mais tranquila, depois das turbulências, e, apesar de não chegar a ser um álbum em um nível de um "Finisterra", traz bons momentos, trazendo uma evolução dessa nova era, além de não esquecer todos aqueles elementos que dão a personalidade e diversidade ao Mägo, e que levaram a banda ao sucesso.


Heavy Metal, Hard, aliás, o acento Hard e Heavy está bem mais evidente, deixando de lado as nunaces Power Metal mais veloz, que apresentaram em discos anteriores, principalmente na trilogia "Gaia",  com algumas canções flertando com o AOR, com muitos teclados, como em "Salvaje" e "De la Piel Del Diablo" (numa linha que lebra Whitesnake), e os tradicionais ritmos e elementos folclóricos, pontualmente presentes, sempre cativantes (dá vontade de sair pulando em pela floresta, ou em volta de uma fogueira hehehehe), destacando "Cadaveria", "Abracadabra" e "La Viuda de O'Brian" (cantada por Txus), que são alguns dos melhores momentos do disco; o Metal Melódico e mais veloz, com outra característica que sempre gostei neles, que são as guitarras dobradas, que vão se alternando com a flauta e o violino,  podem ser ouvidos em "Melodian".


Há espaço também para os demais elementos que os espanhóis flertam, como o Rock & Roll, música clássica e Blues, além de boas baladas, como "Constelacion Alpha DCI", na voz de Patrícia Tapia, desde 2007 efetivada na banda (e com bastante protagonismo neste álbum), e ainda a tradicional épica e longa faixa título, que tradicionalmente aparece nos discos do Mägo de Oz, "Ilussia" traz climas e passagens diversas, passeando por vários dos elementos que compõem a sonoridade do grupo, destacando a presença da cantora operística Pilar Jurado, mantendo o interesse até o final, uma verdadeira viagem Metal/Prog/Folk e Sinfônica.

Cantora de ópera, Pilar Jurado faz destacada participação em "Ilussia"
Embarque em mais uma viagem com os espanhóis, e, mesmo havendo algumas faixas com qualidade inferior, é mais um bom álbum, repleto de melodias e refrãos cativantes e boas doses da personalidade e originalidade do Mägo de Oz. Sempre a garantia de uma audição no mínimo agradável.

Texto e Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Patrícia Tapia

Mägo de Oz é:
Zeta: Vocais
Patricia Tapia: Vocais
Txus: Bateria e Vocais
Carlos Prieto: Violino
Frank: Guitarras
Carlitos: Guitarras
Josema Pizarro: Flautas
Javi Díez: Teclados e Piano
Fernando Mainer: Baixo

Site Oficial



Tracklist:
01. Pensatorium
02. Melodian
03. Abracadabra
04. Vuelta alto
05. Si supieras…
06. Pasen y beban
07. Salvaje
08. La viuda de O`Brian
09. Cadaveria
10. Constelaci¢n Alpha DCI
11. De la piel del Diablo
12. Ilussia

13. Morir‚ siendo de ti





quarta-feira, 17 de julho de 2013

Entrevista: Burning Kingdom (Feat. Seoane/Danny Vaughn) - Preparando-se para Escrever Definitivamente o Nome na Cena!


De uma banda formada pelo jovem guitar-hero espanhol Manuel Seoane, o fantástico vocalista Danny Vaughn (Tyketto), e mais grandes músicos da cena escandinava, como Johnny Benson (Bai Bang), Tobbe Tosigalen e Mikkel Henderson (Fate), podemos esperar, no mínimo, um grande álbum de Hard Rock, porém, desde a reformulação do grupo e de sua mudança para a Suécia, Manuel Seoane com certeza não medirá esforços para cravar o nome do Burning Kingdom em um lugar de destaque na cena.

Falamos com o guitarrista, que nos adiantou detalhes a respeito das gravações e produção do vindouro álbum, a parceria com Danny Vaughn, suas influências como guitarrista, seus planos futuros e mais! Confira abaixo: (Para leer esta entrevista en español click aquí)


RtM: Para que leitores não familiarizados com a "Burning Kingdom" conheçam um pouco mais do grupo, poderia fazer uma breve apresentação da banda?
Manuel Seoane: Olá, tudo ok!Bom , é um prazer  lhe conceder esta entrevista. Bem, Burning Kingdom é uma banda de hard rock que eu criei em 2009, enquanto eu estava nas fileiras do Ars Amandi. Até o momento lançamos dois álbuns, os quais tiveram muito êxito,  "Livin 'Now" , de 2009 e "Down To The Road", de 2011. No momento estamos terminando uma nova produção, que sairá em todo o mundo no mês de setembro e para o qual consegui reunir uma formação de luxo. O novo álbum vai encantar todos os nossos fãs e estamos ansiosos para encontra-los todos!

RtM: E a respeito da reformulação da banda e sua mudança para a Suécia? O que o levou a buscar essas mudanças?
MS: Quando eu decidi mudar toda a formação da banda depois de terminada a turnê de promoção do último álbum, eu me senti completamente livre para decidir que músicos queria e quais seriam mais adequados para a minha banda. Assim, viajei um par de meses pela Europa em busca desses músicos. Eu terminei minha turnê na Suécia, que, além de ser um país bonito, tem uma grande cultura musical e roqueira em geral. Há grandes músicos lá, e estão constantemente formando novas boas bandas por lá. Aos poucos eu comecei a conhecer pessoas na cena e foi assim que tudo começou.


RtM: E o contato com Danny Vaughn? Como surgiu a oportunidade de tê-lo ao seu lado na banda?
MS: O contato com Danny se deu através de Mario Ruiz e José Herera de Krea Productions. Eles têm trabalhado com artistas do porte de Gothard, TNT e Jeff Scott Soto. Além de serem produtores, também se dedicam à realização de videoclipes, tendo trabalhado com meus irmãos do Mago de Oz, Leo Jimenez, Tete Novoa, cantos do Saratoga. Minha relação com eles é muito boa e conseguiram me colocar em contato com Danny, com quem também tinham trabalhado anteriormente. 

Então, liguei para o Danny, conversamos longamente sobre o novo álbum, me pediu algumas demos das novas canções e depois aceitou. Devo dizer que para mim é uma honra contar com ele. Também está envolvido ativamente no novo álbum o que acaba por ser algo surpreendente e gratificante ao mesmo tempo. Além de ser um dos melhores cantores de hard rock e ser um grande profissional, é uma grande pessoa e nosso relacionamento é ótimo.


RtM: Poderia também dizer-nos um pouco mais dos outros membros do Burning Kingdom, que também têm um background musical de expressão!
MS: Claro! Johnny Benson ou JB como chamamos, é a bateria. Foi o primeiro que eu conheci. Ele também é atualmente o baterista do Bai Bang a lendária banda de hard rock e acaba de lançar o novo álbum também. Seu modo de tocar é incrível. É muito expressivo e sua atitude no palco é devastadora. 

Tobbe TosiGalen é o baixista, também da Suécia. Se encaixaria perfeitamente na linha de David Lee Roth. Sua imagem e seu comportamento no palco é simplesmente incrível. Enorme baixista!

Mikkel Henderson nos teclados. O conheci em alguns shows aqui na Espanha. Ele tocou com a sua banda, Fate, que também é uma lendária banda de rock a qual já passaram grandes músicos como Mattias IA Eklundh. É Dinamarca e é um tecladista muito experiente, pianista e produtor. A melhor coisa é que além de serem grandes músicos, são grandes pessoas, o que é importante, já que devemos considerar que passaremos muitas horas juntos de agora em diante. Estou extremamente satisfeito com o estado atual da banda.


RtM: O álbum está totalmente pronto? Qual é a previsão para o lançamento?
MS: Agora estamos no processo de mixagem. É realmente um dos momentos mais divertidos da produção de um álbum, porque é quando você começa a visualizar o resultado final das músicas e isso é algo muito emocionante. Posso dizer-vos que este novo trabalho vai soar como um tanque. São grandes canções com uma grande produção. Ele vai soar mais moderno do que os trabalhos anteriores, mas com a essência hard rock que a banda sempre manteve. Está agendado para ver a luz no mês de setembro ou outubro pela Avispa Music.

RtM: Aproveitando o gancho, nos conte um pouco sobre o o processo de composição e produção do álbum.
MS: Passei grande parte de 2012, a escrever, compor e compor. Esse tem sido o meu objetivo. Fazendo músicas sem pensar que tinha que ser para o meu grupo. Isto significa que é um trabalho completamente honesto, em que fui guiado apenas por minhas inquietudes, sem pensar se a música tinha que ser de uma forma ou de outra. Eu acho que isso vai refletir a cem por cento no disco. Uma vez que vestimos a camisa, Danny fez realmente um requintado trabalho, tendo cuidado de todas as letras e de uma grande porcentagem das melodias vocais. Foi uma equipe que realmente valeu a pena. Temos uma grande equipe trabalhando juntos,  e, claro, grande culpa de que as canções soem tão bem é dele.


A produção ficou a cargo do grande David Martinez. O álbum inteiro foi gravado no M20 da Avispa Music, que forneceu todas as facilidades para a realização desta nova fase da banda. David compreendeu perfeitamente o conceito original das canções e a ideia que eu tinha em mente. O resto é o seu trabalho e em breve você vai apreciar. Um grande profissional.

RtM: Agora eu gostaria que você falasse um pouco sobre o que podemos esperar do som deste novo álbum. O que o Burning Kingdom pode apresentar de novidade, e o que pode ser sua grande diferença neste cenário competitivo?
MS: Certo. Como eu disse antes, eu acho que você vai notar uma grande evolução em todos os sentidos. O trabalho anterior foi focado em direção a um som mais "oitentista", de alguma forma. Acho que as novas músicas soam mais atuais e modernas do ponto de vista da composição e execução, não esquecendo a produção. Tudo faz o álbum soar muito melhor e mais interessante. Soa como 2013, mas nada foi forçado. Imagino que todas as experiências durante a preparação do disco, os vários meses na Suécia e tem os músicos, todos esses fatores tiveram muito a ver com o resultado.


RtM: E sobre suas influências e inspirações como compositor e guitarrista? Que guitarristas e músicos poderia citar como suas principais influências?
MS: Esta questão sempre é um pouco complicada de responder. Acho que a minha principal influência ao compor é tudo e todos ao meu redor, no momento de escrever uma canção. Como músico não posso deixar de citar bandas como Skid Row, Whitesnake ... e inúmeros outros grupos. De guitarristas cito os dois que fizeram mudar a minha visão da guitarra moderna: Tony MacAlpine e Vinnie Moore. Ambos fizeram disco de "escola"!!
.
RtM: Se um dia você tiver a oportunidade de excursionar no estilo de "G3", com quais guitarristas que gostaria de dividir o palco?
MS: Bem, é muito interessante que você me pergunte, precisamente porque estou trabalhando em algo parecido com frente para o primeiro trimestre do próximo ano, em 2014. Será uma turnê sob o mesmo conceito que o G3, a ser realizado apenas na América do Sul. Além de mim, um dos participantes é um guitarrista americano conhecido. O terceiro componente ainda está para ser decidido. Isso é tudo que eu posso antecipar até que saiba minha resposta quando for a hora!! (risos).


RtM: Muito foi dito que vários grandes grupos estão chegando ao fim de seu ciclo, os anos passam, os ídolos estão envelhecendo, algumas bandas parando as atividades e questões permanecem se haverá uma nova geração capaz de obter conquistas de grupos como Led Zeppelin , Iron Maiden, Kiss, Scorpions, Metallica e outros. O que você acha? E as bandas que são a próxima geração possuirão capacidade de fazer o seu nome como esses ídolos?
MS: Bem ... a mudança de geração está lá e é lógico, até certo ponto. É verdade que eu acho que é cada vez mais difícil para as novas bandas encher estádios, ou até de obter um segundo ou mesmo um primeiro álbum como aconteceu com todos os grupos que você menciona. Ou, pelo menos na Europa. 

Desde então, o público americano é muito mais quente, apaixonado e corajoso do que na Europa, mas eu sei que o que eu digo é verdade. De qualquer maneira, o importante é que há novas bandas que estão lutando para levar o testemunho desse legado que todos esses gigantes lendários estão nos deixando. 

Eles têm trabalhado duro por muitos anos e deixaram um grande legado para a história da nossa música. Nossa tarefa não é apenas manter esse legado, e sim expandir e ainda trazer boas bandas. A cena rock vai continuar.


RtM: Obrigado Manuel, espero falarmos mais uma vez após o álbum ser lançado, e fica o espaço para você deixar um recado para os fãs e leitores do Road To metal.

MS: Muito obrigado a todos vocês. Feliz por atende-los quando quiser. Estou ansioso para mostrar a todo o público brasileiro o novo trabalho do Burning Kingdom. Vejo vocês em breve na "estrada para o Metal!"  (N. do R.: Yeah, on the ROAD TO METAL!)

Entrevista: Carlos Garcia
Edição/tradução: Carlos Garcia
Revisão: Axe Giant
Fotos: Divulgação

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