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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Cobertura de Show: Savatage & Opeth – 21/04/2025 – Espaço Unimed/SP

Savatage e Opeth em São Paulo: uma noite histórica entre técnica, emoção e nostalgia

Na noite da última segunda-feira, 21 de abril, São Paulo recebeu mais um sideshow do Monsters of Rock — o segundo, após as apresentações solo de Judas Priest e Queensrÿche — reunindo duas bandas de peso: Opeth, responsável pela abertura, e o aguardado Savatage, em seu primeiro show solo desde 2003, em um encontro que ficou marcado tanto pela precisão musical quanto pela emoção que transbordou do palco para a plateia.


Opeth: um mergulho técnico e atmosférico pelo metal progressivo

Pontualmente às 19h30, o Opeth subiu ao palco para um público ainda em formação, mas já considerável. A abertura com" §1”, do seu trabalho mais recente The Last Will and Testament, empolgou imediatamente os fãs da banda, ainda que parte da audiência estivesse ali principalmente por conta do Savatage.

Na sequência, "Master's Apprentices", do clássico Deliverance (2002), fez o público alternar entre headbangings intensos e coros em uníssono, graças à sua combinação de vocais guturais e passagens limpas. Foi com "The Leper Affinity", do aclamado Blackwater Park (2001), que a banda conquistou até os desavisados: gritos entusiasmados ecoaram, e a plateia mergulhou de vez na apresentação.


Com uma execução impecável, o grupo — formado por Mikael Åkerfeldt (vocais e guitarra), Martin Axenrot (bateria), Martín Méndez (baixo), Fredrik Åkesson (guitarra) e Joakim Svalberg (teclados) — mostrou que não precisa de pirotecnias para prender a atenção: a técnica refinada de cada integrante é o grande espetáculo.

Mikael, como de costume, mesclou bom humor e sarcasmo entre as músicas. Após apresentar o tecladista, deu boas-vindas ao público e brincou: “Bem-vindos ao entretenimento da noite — Savatage. Mas antes, um pouco de death metal.” Também admitiu que alguns poderiam não gostar de seus gritos, arrancando risos antes de engatar "§7", outra faixa do último álbum, que teve a participação de Ian Anderson (Jethro Tull) em estúdio e que aqui foram auxiliados por um membro da equipe técnica.


Entre piadas, comparações com múmias e menções à idade da banda, Mikael chamou "In My Time of Need", pedida pelo público e entoada em coro, num dos momentos mais belos da noite. Um dos momentos mais bonitos do show veio quando a plateia cantou sozinha um dos refrões — cena de arrepiar.

O vocalista comentou sobre o Monsters of Rock, divertindo-se ao mencionar os colegas de festival como verdadeiros montros, mas que o Opeth seriam apenas os "gremlins do rock", além de mencionar sua confraternização com os membros do Europe.


Antes de "§3", mais uma do disco de 2024, Mikael alertou que o momento “estranho” no meio da faixa era intencional — avisou: “parece que estamos errando, mas é só porque mudamos a afinação no meio e depois afinamos de novo. Achamos que seria uma boa ideia...”.


A poderosa “Ghost of Perdition”, do álbum Ghost Reveries (2005), veio em seguida e foi acompanhada com empolgação pelos fãs. Após uma breve saída, a banda retornou para o bis com “Sorceress”, faixa-título do disco de 2016. O épico encerramento veio com "Deliverance", de mais de 14 minutos. Mikael, com ironia, disse nunca entender por que essa última ficou tão popular.


Mesmo com apenas nove músicas, o set foi robusto e consistente, agradando tanto os fãs devotos quanto os que aguardavam o headliner. O Opeth fez o que sabe melhor: entregou uma aula de musicalidade progressiva com carisma e personalidade.


Opeth – setlist: 

§1

Master's Apprentices

The Leper Affinity

§7

In My Time of Need

§3

Ghost of Perdition 

Bis

Sorceress

Deliverance


Savatage: o retorno triunfal de uma lenda

Às 21h30, os gritos unânimes confirmavam: Savatage estava de volta a São Paulo após décadas sem uma turnê solo. Desde 2003 a banda não fazia shows fora dos grandes festivais, e a noite prometia ser histórica para os fãs brasileiros. Com formação atual composta por Zak Stevens (vocais), Chris Caffery e Al Pitrelli (guitarras), Johnny Lee Middleton (baixo), Jeff Plate (bateria) e dois tecladistas, o colombiano Paulo Cuevas e o americano Shawn McNair (informação via site Igor Miranda), o grupo entrou em cena com tudo, dando início ao set com “The Ocean”, que incluiu um trecho de “City Beneath the Surface” — um aceno direto às origens da banda.

Logo na sequência, “Welcome” aqueceu os ânimos, seguida de “Jesus Saves”, recebida com entusiasmo. Zak saudou os fãs com um simpático “Olá, como vai? Faz barulho aí!” em português, arrancando aplausos e risos. Na introdução da próxima faixa, o vocalista acabou se atrapalhando ao anunciar “The Wake of Magellan”, mas a banda acabou tocando “Sirens” — clássico absoluto do primeiro álbum, que fez a plateia vibrar ainda mais.

O show seguiu com a rara “Another Way”, do álbum The Wake of Magellan, uma pérola para os fãs mais devotos, já que a música não vinha sendo executada ao vivo desde 2015. Após ela, aí sim veio “The Wake of Magellan”, dessa vez anunciada por Zak “Aqui está uma música que prometi a vocês há muito tempo!” e tocada corretamente — uma retificação bem-humorada e bem recebida.

Com tudo nos eixos, veio a sequência matadora com “Strange Wings” e “Taunting Cobras”, ambas com ótima resposta do público. Zak parecia surpreso com a energia da plateia, especialmente na segunda, e sorria visivelmente satisfeito. A intensidade aumentou com “Turns to Me”, mantendo o nível lá no alto.

A emocionante “Dead Winter Dead” veio na sequência, criando um clima mais contemplativo antes de dar espaço à instrumental “The Storm” (com solo de guitarra estendido), que funcionou como uma ponte para a linda “Handful of Rain” — cantada em coro pelo público do início ao fim, num dos momentos mais tocantes do show. O instrumental é um destaque à parte. Não apenas tudo parecia estar sendo executado perfeitamente como também os músicos estavam realmente se divertindo.

Logo depois, veio a épica “Chance”, com projeções de diversas bandeiras e relógios, até culminar na bandeira do Brasil estampada com o logo da banda no telão, arrancando aplausos e gritos da plateia. É muito satisfatorio ver os integrantes interagindo entre si, brincando e sorrindo. Mostra que eles estão felizes em estar de volta aos palcos e, sortudos são os brasileiros por receberem os primeiros shows do retorno. “Aqui vai algo legal…” antecedeu “This is the Time (1990)”, seguida por “Gutter Ballet”, que teve inclusive seus arranjos instrumentais entoados por fãs emocionados.

Quando “Edge of Thorns” começou, muitos já percebiam que o final se aproximava. Mas ainda havia mais. A densa e poderosa “The Hourglass”, também do The Wake of Magellan, preparou o público para o momento mais emocionante da noite: “Believe” foi apresentada como um tributo com a participação de Jon Oliva no telão — apesar de um pequeno atraso na exibição da imagem. 

Durante a música, a banda e Jon se alternaram, com o grupo entrando após o primeiro refrão e culminando em um ápice emocionante, onde todos tocavam e cantavam juntos. A performance também serviu como uma homenagem a Criss Oliva, falecido em 1993, que recebeu aplausos calorosos do público enquanto fotos suas eram exibidas no telão.

Sem pausa longa, o encore veio com “Power of the Night”, que levantou ainda mais os ânimos, culminando no grandioso encerramento com “Hall of the Mountain King”, clássico incontestável que pôs fim a uma noite inesquecível para todos os presentes.

Se no show do Monsters a banda já entregou um grande show, parece que a atmosfera mais intimista os deixou ainda mais à vontade. Acredito que a conexão de um público que está (em sua maioria) exclusivamente para ver a banda, faz toda a diferença na entrega. Poder presenciar a execução de músicas que não eram tocadas há 10, 20 anos é realmente um privilégio.

Após uma noite intensa e memorável, ficou claro que tanto o Opeth quanto o Savatage entregaram performances à altura de suas trajetórias. O encontro dessas duas potências do metal em uma mesma noite foi um presente para os fãs brasileiros — especialmente para aqueles que ainda estavam em clima de euforia após o Monsters of Rock.

Ambas as bandas seguem agora com apresentações em outros países da América Latina, levando seus shows para públicos igualmente apaixonados. No meio do ano, partem para a aguardada turnê europeia, que inclui participações em alguns dos maiores festivais do continente. Um momento especial na carreira de duas bandas que, mesmo com estilos distintos, compartilham a mesma devoção pela música e pelos fãs.



Texto: Jessica Tahnne Valentim


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts

Press: Catto Comunicação


Savatage – setlist: 

The Ocean (com snippet de "City Beneath the Surface")

Welcome

Jesus Saves

Sirens

Another Way (primeira vez desde 2015)

The Wake of Magellan

Strange Wings (primeira vez desde 2002)

Taunting Cobras (primeira vez desde 1998)

Turns to Me (primeira vez desde 2015)

Dead Winter Dead

The Storm (introdução estendida de solo de guitarra; primeira vez desde 2015)

Handful of Rain

Chance

This Is the Time (1990) (primeira vez desde 2002)

Gutter Ballet

Edge of Thorns

The Hourglass (primeira vez desde 2002)

Believe 

Bis

Power of the Night (primeira vez desde 2003)

Hall of the Mountain King

terça-feira, 29 de abril de 2025

Cobertura de Show: Monsters Of Rock – 19/04/2025 – Allianz Parque/SP

No dia 19 de abril, sábado, o Allianz Parque recebeu mais uma edição do Monsters Of Rock, festival considerado um dos maiores quando o assunto é Rock e Heavy Metal no Brasil. Ao longo de seus 30 anos de história, o evento já trouxe nomes de peso como Kiss, Black Sabbath, Slayer, Suicidal Tendencies e Ratt, além de representantes nacionais consagrados como Angra, Viper e Raimundos.

Mantendo a tradição e fazendo jus ao nome, a edição comemorativa de três décadas reuniu gigantes do Hard Rock, Heavy Metal, Power Metal e Prog Metal, com um line-up formado por Scorpions, Judas Priest, Europe, Savatage, Queensrÿche, Opeth e Stratovarius. Cada banda fez a alegria dos milhares que lotaram a arena com shows impecáveis, som de altíssima qualidade e uma pontualidade britânica que surpreendeu até os mais céticos.


Stratovarius

Quem se incumbiu de iniciar os trabalhos do dia foram os finlandeses do Stratovarius. Considerado um dos nomes mais respeitados do Power Metal – o ou Metal Melódico, como os brasileiros costumam dizer –, a banda conseguiu arrastar um bom público logo cedo. Nada surpreendente, já que o grupo possui uma legião de fãs no Brasil.

Depois de dois anos sem pisar no país, dava pra perceber que a maioria estava ansiosa para ver Timo Kotipelto – que continua dispensando comentários – e companhia, prontos para entregar os clássicos que marcaram o final da década de 90, como “Forever Free”, “World on Fire”, “Paradise” (a mais festejada desse começo de set) e “Eternity”, que fizeram os falantes vibrarem.

Além dos hits do passado, o repertório incluiu músicas do mais recente trabalho, entre elas “World on Fire” e a faixa-título “Survive”, que ao vivo ganharam ainda mais peso, mostrando que a atual formação – com Matias Kupiainen (guitarra), Lauri Porra (baixo), Rolf Pilve (bateria) e Jens Johansson (teclados) – está entrosada e encaixa perfeitamente no momento atual da banda. Os melhores momentos ficaram para o final, com a execução de “Black Diamond” e “Hunting High and Low”, antecedida por “Unbreakable”, na qual Timo pediu que todos cantassem o refrão com força, e foi exatamente o que aconteceu.

Um show excelente, que mostrou por que o Stratovarius segue sendo um dos pilares do gênero.




Opeth

Na sequência, os suecos do Opeth subiram ao palco com seu som dinâmico e cheio de nuances, flertando principalmente com o Death Metal e o Progressivo No entanto, entre as sete bandas escaladas, foi a que mais destoou das demais, o que rendeu até comentários bem-humorados de amigos próximos, como “o Oasis do Heavy Metal”. Nesse momento, muitos aproveitaram para se alimentar e recarregar as energias para as atrações seguintes.

Apesar das controvérsias, o público não deixou de reconhecer o empenho e a entrega da banda no palco. O vocalista e guitarrista Mikael Åkerfeldt, com um humor inigualável, chegou a notar a distração de parte da plateia em alguns momentos, brincando e se desculpando pelas músicas serem muito longas. Ainda assim, deixou claro o quanto estava feliz por dividir o palco com tantas lendas.

O setlist, enxuto e com apenas sete músicas, trouxe duas faixas do novo trabalho, The Last Will and Testament, lançado no ano passado: “§1”, que abriu o show, e “§3”, não empolgaram tanto quanto as famosas “Master’s Apprentices”, “In My Time of Need” e “Deliverance”, esta última considerada, segundo Mikael, o maior hit da carreira da banda. 

No fim das contas, foi um show primoroso em técnica, que talvez, por seu estilo mais introspectivo, não tenha empolgado tanto quanto os demais. Isso, no entanto, está longe de significar que foi uma apresentação ruim, muito pelo contrário.






Queensrÿche

Na opinião deste que vos escreve, os shows seguintes foram os grandes destaques do festival, não apenas pela saudade que essas bandas deixaram durante os anos longe dos palcos brasileiros, mas principalmente por mostrarem, com maestria, como se faz um verdadeiro espetaculo: resgatando o legado, a essência e o melhor de suas respectivas carreiras.

Com quatro décadas na ativa, os americanos de Seattle, Queensrÿche, estrearam sua atual formação no Brasil após 12 anos desde a última passagem pelo país. Naquela ocasião, a banda enfrentava situações lamentáveis, incluindo uma suposta agressão entre os antigos membros. Agora, com uma nova formação consolidada há 10 anos – contando com o competente Todd La Torre nos vocais – , o grupo vive um momento muito diferente do turbulento cenário da década passada.

O setlist reuniu músicas do primeiro e homônimo disco, The Warning, Rage for Order, Operation: Mindcrime e Empire, considerados os trabalhos mais importantes da carreira. Os destaques ficaram por conta das faixas da fase inicial da banda, como “Queen of the Reich” e “Warning”, que se juntaram às clássicas “Operation: Mindcrime”, “Walk the Shadows” e “I Don’t Believe in Love”, levando os fãs à euforia a cada execução.

Todd La Torre atraiu a atenção de todos não apenas pelo seu talento vocal – substituindo à altura o lendário Geoff Tate –, mas também por sua presença de palco magnética e carisma. Ele demonstrou estar visivelmente feliz por ver a banda de volta ao Brasil depois de tanto tempo e agradeceu pela receptividade calorosa do público.

Os demais integrantes também receberam seus merecidos aplausos. Casey Grillo deu uma nova dinâmica à bateria da banda. Já os veteranos Eddie Jackson (baixo) e Michael Wilton entregou riffs e solos afiados ao lado de Mike Stone, mantendo vivo o legado do Queensrÿche desde os primórdios.

O show do Queensrÿche se resume a três adjetivos: pesado, energético e animal, onde tem que ter no currículo de qualquer fã de Heavy Metal que se prece. Muitos esperavam, para o final, a execução de “Silent Lucidity” e “Jet City Woman”, mas a ausência dessas faixas não desanimou o público, que ainda teve o privilégio de ouvir obras-primas como “Empire”, “Screaming in Digital” e “Eyes of a Stranger”.





Savatage

A quarta atração da tarde deixou o público empolgado desde o momento do anúncio: Savatage. Após dez anos afastados dos palcos e atendendo a incansáveis pedidos dos fãs, a banda escolheu o Brasil como ponto de partida para essa tão aguardada volta. Muitos dos presentes vestiam camisetas da banda, o que só reforça a ansiedade e a devoção dos fãs por esse retorno histórico.

A única baixa desse retorno foi a ausência do vocalista e pianista Jon Oliva, que não pôde estar presente devido a problemas de saúde. No mais, a formação seguiu praticamente a mesma de sempre, com Zack Stevens (vocal), Chris Caffery e Al Pitrelli (guitarras), Jeff Plate (bateria), além de dois tecladistas cuja identidade não consegui confirmar até o fechamento deste texto.

O repertório foi um verdadeiro greatest hits, com direito a algumas surpresas, como a inclusão de “The Ocean” e “Welcome”, acompanhadas de “Jesus Saves” – que caiu muito bem com o clima pascoal – , e “The Wake of Magellan”, que não era tocada ao vivo há bastante tempo. Já nesse início, o público se entregou completamente, criando uma conexão imediata com a banda, que mostrou não ter perdido a força. Em “Handful Of Rain” contou com a presença de uma leve garoa para combinar com o clima da música. 

Caso fosse possível, a banda teria passado todo o tempo do show executando seus maiores clássicos. No entanto, por se tratar de um festival e haver um tempo estipulado para cada apresentação, o grupo precisou selecionar cuidadosamente o repertório. Entre os destaques, estiveram as icônicas “Gutter Ballet” e “Edge of Thorns”, acompanhadas por momentos de interação com Zak jogando bolas de futebol para a plateia e até a invasão de uma fã no palco. Contudo, foi durante a execução da balada “Believe” que o momento mais emocionante da tarde se deu: um vídeo com Jon Oliva cantando e tocando piano foi exibido, acompanhado de imagens de seu irmão, o saudoso Criss Oliva – falecido em 1993. Criss também foi homenageado pouco antes do início do show, com sua guitarra sendo mostrada nos telões, coberta por rosas. O encerramento ficou por conta de “Sirens” e “Hall of the Mountain King”, deixando no ar a expectativa por um retorno em breve. 





Europe 

A participação do Europe no festival foi um verdadeiro presente para os fãs de Hard Rock. Com quatro décadas de estrada, os suecos mostraram que, mesmo com o passar dos anos, continua relevante e poderosa ao vivo. Desde o começo com “On Broken Wings”, seguida de “Rock The Night” – primeiro hit do começo da noite – ficou claro que o grupo estava ali para entregar um show memorável.

O setlist trouxe uma boa seleção de tudo que a banda fez nos anos 80 e nos últimos anos desde que retornou a ativa em 2003, incluindo “Walk the Earth”, a rápida e pesada “Scream of Anger” e “Sign of the Times”, mas foi na clássica “Carrie” que o público entrou êxtase com um mar de celulares acessos e um coro cheio de emoção. Um público de todas as idades, emocionado, cantando esse hino atemporal – ver e sentir milhares de pessoas conectadas pelo mesmo sentimento foi surreal. Perceber que, mesmo depois de décadas, as bandas que fizeram nossos pais e avós vibrarem ainda despertam o mesmo entusiasmo na geração atual, trazendo uma sensação nostálgica e poderosa de que o rock, além de vivo, continua pulsando com força.

Com uma performance segura e carismática, o vocalista Joey Tempest conduziu o público com maestria, interagindo com os fãs e mostrando toda sua energia e domínio de palco. Os músicos demonstraram entrosamento e técnica, com destaque para os solos de guitarra de John Norum e os teclados marcantes de Mic Michaeli.

Cada canção foi recebida com entusiasmo pelo público. Antes do ápice, a banda ainda despojou “Ready or Not” e “Superstitious”, que teve um pequeno de trecho de “No Woman No Cry” do Bob Marley. Como era de se esperar, “The Final Countdown”, antecedida por “Cheroke”, transformou o Allianz Parque em um mar de vozes, encerrando o show de forma emocionante e com a certeza de que eles vão retornar, conforme dize Joey antes de deixar o palco.






Judas Priest

O Judas Priest, uma das maiores bandas de Heavy Metal da história, entregou mais do que um show, mas sim uma verdadeira aula. Desde 1991 que a banda visita o Brasil, e o que vimos nessa última passagem é mais uma lembrança histórica que ficara guardada na memória dos fãs brasileiros, principalmente dos paulistanos.

A formação atual traz o inconfundível Rob Halford nos vocais, Ritchie Faulkner e Andy Sneap nas guitarras, Ian Hill no baixo e Scott Travis na bateria. E a verdade é que eles já entraram com o jogo ganho. A conexão com o público, a entrega no palco e o peso do som mostraram que o Priest está mais vivo do que nunca.

Halford, com suas barbas brancas e marcas do tempo, provou que idade é apenas um número. Ele continua cantando como nunca, e sua presença de palco é simplesmente hipnotizante. Já a dupla de guitarristas mostrou que o peso de substituir K.K. Downing e Glenn Tipton é grande, mas Faulkner e Sneap fazem jus ao legado.

O repertório foi de tirar o fôlego. A abertura com "Panic Attack", do mais recente álbum Invincible Shield, já mostrou o que viria pela frente. Mas foi na sequência oitentista com "You’ve Got Another Thing Comin’", "Rapid Fire", "Breaking the Law", "Riding on the Wind", "Love Bites" e "Devil’s Child" – recebidas com gritos e punhos erguidos – que tudo explodiu. 

A chuva resolveu dar o ar da graça quando veio "Crown of Horns". Alguns se assustaram, outros nem ligaram, mas o que importa é que o show continuou firme. São Pedro só deu uma trégua em "Turbo Lover", que é minha favorita do Judas e, ao vivo, soa ainda mais grandiosa. Já "Victim of Changes" trouxe um momento especial: uma homenagem emocionante ao guitarrista Glenn Tipton, afastado dos palcos devido ao Parkinson. E o fechamento da primeira parte veio com a explosiva "Painkiller", que com a introdução arrebatadora de Scott Travis, levou todos ao delírio.

Mas não parou por aí. O bis veio com tudo: "Electric Eye", precedida pela clássica intro "The Hellion", abriu os trabalhos. Na sequência, "Hell Bent for Leather" marcou a entrada triunfal de Halford montado em uma Harley-Davidson, e o grand finale veio com "Living After Midnight", encerrando a noite de forma festiva, com um coro uníssono da plateia.






Scorpions

Encerrando o Monsters of Rock, o Scorpions transformou o Allianz Parque numa verdadeira celebração, vide o vídeo retrospectivo no começo relembrando os 60 anos de estrada de um dos maiores nomes do Hard Rock mundial. “Coming Home” tomou conta do palco e dos corações, abrindo o set com intensidade. “Gas in the Tank”, a única do mais recente álbum Rock Believer, veio logo depois, mostrando que o gás da banda está longe de acabar. “The Zoo” trouxe aquele peso característico, com solos estendidos e clima denso. 

Klaus Meine não tem mais o mesmo alcance vocal de décadas atrás, mas compensa com uma entrega sólida e um domínio de palco que só o tempo proporciona. Quem roubou a cena instrumentalmente foi a dupla de guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs com uma performance afiadíssima: riffs certeiros, solos bem desenhados e muita presença. Mikkey Dee brilhou com um solo de bateria pesado, relembrando seu legado com o Motörhead e mostrando que se encaixou perfeitamente na engrenagem do Scorpions. 

O set foi estrategicamente construído para equilibrar hits incontestáveis com momentos de surpresa. Um dos mais celebrados foi o medley matador reunindo “Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train”, uma verdadeira viagem à fase setentista que incendiou os fãs das antigas.

A sequência emocional veio logo depois de “Bad Boys Running Wild” com “Send Me an Angel” e “Wind of Change”. O estádio inteiro virou um coral iluminado, num dos momentos mais bonitos da noite. A partir daí, foi só pancada: “Loving You Sunday Morning”, que retornou ao set após anos, “Tease Me Please Me” e “Big City Nights” foram executadas com precisão e empolgação, mantendo o público em transe.

“Still Loving You” trouxe um ar de romantismo, preparando o terreno para um dos clímax visuais da noite: “Blackout”, que veio acompanhada pela aparição de um enorme escorpião inflável atrás do palco, arrancou arrepios. Para fechar, “Rock You Like a Hurricane” veio como uma tempestade, colocando um ponto de exclamação numa noite histórica, ou melhor, dia histórico. 

Com um line-up de respeito, estrutura impecável e público apaixonado, o Monsters of Rock de 2025 entrou para a história como uma edição emblemática. Mais do que uma simples reunião de grandes bandas, foi uma celebração de gerações, estilos e memórias. Na hora de ir embora, ficou a certeza de que, enquanto houver fãs de Rock, Heavy Metal e seus variados gêneros, o Monsters seguirá mais vivo do que nunca.








Texto: Gabriel Arruda


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Stratovarius – setlist: 

Forever Free

Eagleheart

World on Fire

Speed of Light

Paradise

Survive

Eternity

Black Diamond

Unbreakable

Hunting High and Low


Opeth – setlist: 

§1

Master's Apprentices

§3

In My Time of Need

Ghost of Perdition

Sorceress

Deliverance


Queensrÿche – setlist:

Queen of the Reich

Operation: Mindcrime

Walk in the Shadows

I Don't Believe in Love

Warning

The Needle Lies

The Mission

Nightrider

Take Hold of the Flame

Empire

Screaming in Digital

Eyes of a Stranger


Savatage – setlist:

The Ocean

Welcome

Jesus Saves

The Wake of Magellan

Dead Winter Dead

Handful of Rain

Chance

Gutter Ballet

Edge of Thorns

Believe

Sirens

Hall of the Mountain King


Europe – setlist:

On Broken Wings

Rock the Night

Walk the Earth

Scream of Anger

Sign of the Times

Hold Your Head Up

Carrie

Prelude

Last Look at Eden

Ready or Not

Superstitious

Cherokee

The Final Countdown


Judas Priest – setlist:

Panic Attack

You've Got Another Thing Comin'

Rapid Fire

Breaking the Law

Riding on the Wind

Love Bites

Devil's Child

Crown of Horns

Sinner

Turbo Lover

Invincible Shield

Victim of Changes

The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) (Fleetwood Mac cover) 

Painkiller

Bis

The Hellion

Electric Eye

Hell Bent for Leather

Living After Midnight


Scorpions – setlist:

Coming Home

Gas in the Tank

Make It Real

The Zoo

Coast to Coast

Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy's Coming / Catch Your Train

Bad Boys Running Wild

Send Me an Angel

Wind of Change

Loving You Sunday Morning

I'm Leaving You

New Vision

Tease Me Please Me

Big City Nights

Still Loving You

Bis

Blackout

Rock You Like a Hurricane