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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: P.O.D. – 13/12/2025 – Carioca Club/SP

Assim que foi anunciada a turnê do P.O.D. em conjunto com o Demon Hunter pelo Brasil, os fãs reagiram de forma intensa, especialmente os de São Paulo, onde, em poucos dias, os ingressos quase se esgotaram, o que possibilitou a inclusão de uma data extra para atender à grande demanda. O Carioca Club ficou abarrotado para a data original, realizada no dia 13, a qual encerrou com chave de ouro a turnê pelo país.

A responsabilidade de aquecer o público para uma noite tão aguardada coube ao Demon Hunter, banda norte-americana conhecida por seu metalcore cristão, que mescla com maestria a agressividade do metal com passagens melódicas e letras introspectivas. Logo na abertura, com “Sorrow Light the Way”, a banda demonstrou sua voracidade, com o vocalista Ryan Clark destacando-se como o coração e a voz do grupo. Sua habilidade de transitar entre vocais guturais potentes e um canto limpo e emotivo constitui a espinha dorsal do som da banda, apresentada com precisão ao longo da performance. Músicas como “Collapsing” e “Not Ready to Die” foram executadas com intensidade, fazendo o chão do Carioca Club tremer e preparando o público para o que viria a seguir.

O setlist do Demon Hunter foi uma viagem intensa, equilibrando faixas mais pesadas com momentos de maior profundidade emocional. A banda apresentou uma sequência de faixas marcantes, incluindo a sombria “The Heart of a Graveyard”, a visceral “Infected” e a cativante “Cold Winter Sun”, todas acompanhadas em coro pelo público. A performance coesa da banda, aliada à presença de palco carismática de Ryan Clark, garantiu o total envolvimento dos fãs. O encerramento com a poderosa “Storm the Gates of Hell” contou com o vocalista cantando no pit, próximo ao público, celebrando um verdadeiro hino e elevando a energia ao máximo, além de aumentar a expectativa para a atração principal da noite.

Quando o P.O.D. subiu ao palco, a atmosfera no Carioca Club atingiu um novo patamar de histeria. A banda, pioneira do nu metal e fortemente influenciada por elementos de hip-hop e hardcore, é reconhecida por suas mensagens positivas e pela intensa energia em apresentações ao vivo. O vocalista Sonny Sandoval, figura central e carismática do grupo, mostrou-se o principal motor da banda, com sua voz inconfundível e sua capacidade de estabelecer conexão direta com o público. O show teve início com “Southtown”, seguida por “Rock the Party (Off the Hook)” e “Boom”, sequência que rapidamente formou uma roda na pista comum, evidenciando que a banda mantém sua força e relevância. Durante a apresentação, Sonny exibiu a bandeira do Brasil com o nome P.O.D. ao centro, presente de um fã, gesto que reforçou a recepção calorosa do público brasileiro.


A noite foi marcada por momentos memoráveis e surpresas. Um dos pontos altos foi a execução de “Drop”, que contou com a participação especial de Ryan Clark, do Demon Hunter, promovendo a união das duas bandas em uma performance eletrizante. Sonny destacou que “tudo tem sua primeira vez” e ressaltou a importância de esse momento ter ocorrido em São Paulo. O P.O.D. também presenteou os fãs com a estreia ao vivo de “Lay Me Down (Roo’s Song)”, faixa do recém-lançado álbum Veritas, demonstrando que ainda há muito a ser explorado em sua discografia. Além de seu próprio repertório, a banda apresentou uma versão marcante de “Don’t Let Me Down”, clássico dos Beatles, e convidou fãs para cantar no palco durante “Murdered Love”, reforçando que não existe barreira e que todos fazem parte de uma família.

A reta final do show foi um verdadeiro espetáculo de nostalgia e celebração. Após a apresentação dos integrantes antes de “Afraid to Die” e um falso começo em “Sleeping Awake”, o P.O.D. engatou uma sequência de clássicos que incendiou o público. “Youth of the Nation” destacou-se como um momento especialmente emocionante, com jovens fãs convidados ao palco para cantar junto, simbolizando que eles são o futuro. Com a energia elevada, o grupo encerrou a noite com “Satellite”, faixa que não havia sido executada na data extra, e com a emblemática “Alive”, deixando a sensação de dever cumprido e a certeza de que, mesmo após décadas de carreira, o P.O.D. permanece como uma força vital e inspiradora na música. 

Ao final da noite, ficou evidente que a passagem do P.O.D. e do Demon Hunter pelo Carioca Club representou um marco para os fãs brasileiros. A combinação de casa cheia, performances intensas e uma conexão genuína entre bandas e público transformou a data original do dia 13 em um encerramento à altura de toda a turnê pelo Brasil. O Demon Hunter destacou-se não apenas como banda de abertura, mas como uma atração imponente, enquanto o P.O.D. entregou um espetáculo longo, consistente e significativo, reforçando sua relevância e sua mensagem positiva. Foi uma noite que justificou o sold out, o anúncio da data extra e deixou a sensação de ter participado de um momento especial, capaz de permanecer vivo na memória muito além do último acorde. 

Texto: Marcelo Gomes 

Fotos: Gabriel Eustáquio (P.O.D., para o Rock Brazil) / Gustavo Diakov (Demon Hunter, para o Sonoridade Underground)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Estética Torta 

Press: Acesso Music 


Demon Hunter – setlist:

Sorrow Light the Way

Heaven Don't Cry

Collapsing

The Heart of a Graveyard

Infected

Not Ready to Die

Cut to Fit

Undying

Dead Flowers

Cold Winter Sun

My Heartstrings Come Undone

The Last One Alive

Storm the Gates of Hell 


P.O.D. – setlist:

Southtown

Rock the Party (Off the Hook)

Boom

Set It Off

Drop (com Ryan Clark do Demon Hunter)

I Got That

Lay Me Down (Roo’s Song) 

Soundboy Killa

Don't Let Me Down (The Beatles cover)

Murdered Love

Lost in Forever

I Won't Bow Down

Sleeping Awake 

Youth of the Nation 

Will You

Afraid to Die 

Satellite

Alive

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Cobertura de Show: Angra (RockFun Fest) – 13/07/2025 – Viaduto do Chá/SP

Na noite do Dia Mundial do Rock, 13 de julho, o Angra mostrou por que é um dos nomes mais respeitados do metal brasileiro. A banda subiu ao palco montado em frente ao imponente Theatro Municipal de São Paulo para uma apresentação gratuita, como parte do Rockfun Fest — um evento que, com entrada livre, vem consolidando sua importância na cena musical da cidade. Mas essa noite tinha um peso especial: foi a penúltima apresentação do Angra na capital antes de um hiato por tempo indeterminado. A despedida oficial dos palcos em São Paulo está marcada para 3 de agosto. Sabendo disso, o público lotou a Praça Ramos de Azevedo com a energia de quem sabe que está vendo a história acontecer.

Com sua formação atual — Fabio Lione (vocal), Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria) — o Angra entregou um setlist de respeito, equilibrando clássicos e músicas da fase mais recente da banda. A abertura com “Nothing to Say” foi explosiva; seu riff icônico já levantou o público, enquanto Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa duelavam nas guitarras com uma sincronia impecável, e Fabio Lione, com sua voz potente, conduzia o público com maestria.

Em seguida, "Millennium Sun" chegou com suas belas melodias, lembrando-nos o início dos anos 2000, quando a banda renasceu com o Edu Falaschi nos vocais. Com Felipe Andreoli à frente do palco, era hora de “Tide of Changes”, faixa do álbum Cycles of Pain, trabalho mais recente da banda. Com uma pegada mais progressiva, a canção trouxe um clima maior de introspecção para os fãs, que acompanhavam atentamente a performance da banda.

A seguir, a celebração dos 20 anos do disco Temple of Shadows, que faz parte dessa turnê de despedida. Nem precisa dizer muito sobre o álbum — é como chover no molhado falar de uma obra que é apreciada por 10 entre cada 10 fãs do estilo. A energia de "Spread Your Fire", uma das faixas mais rápidas do repertório, incendiou o público e mostrou que a banda vive um excelente momento. Impressiona a precisão dos músicos diante de tamanha velocidade. Não foi diferente em “Angels and Demons”, que reforçou a química afiada entre Valverde e Andreoli. Infelizmente, por conta de ser um festival, o disco não foi tocado na íntegra, como vem sendo feito na turnê. Fecharam essa parte com “Late Redemption”, anunciada como a preferida do vocalista. O público foi um show à parte: cantou maravilhosamente alto as partes em português, originalmente gravadas pelo cantor Milton Nascimento.

Com a recepção calorosa do público, Fabio Lione se empolgou e decidiu testar as habilidades dos presentes com praticamente um solo de vocal. Com a aprovação do vocalista, anunciaram a emblemática “Rebirth”. Nem precisa dizer que o lugar veio abaixo, mostrando a força do Angra. “Angels Cry”, sem anúncio, foi tocada em seguida, e mais uma vez o público se entregou completamente, cantando cada verso como se estivesse se despedindo de velhos amigos, encerrando com emoção esse momento épico.

No bis, a dobradinha “Carry On/Nova Era” foi simplesmente apoteótica. Clássicos absolutos, essas faixas fecharam o set não apenas revisitando os primórdios do Angra, mas também servindo como um lembrete poético do legado da banda. Certamente, um momento que será lembrado por muito tempo.

Vale destacar que essa apresentação no Rockfun Fest não foi apenas mais uma data na agenda: foi a penúltima vez que o Angra pisaria nos palcos de São Paulo, com a despedida marcada para 3 de agosto, anunciando um hiato por tempo indeterminado. Essa sombra de fim iminente adicionou um peso emocional extra ao show, transformando cada nota em um adeus temporário. Com uma formação tão coesa, o Angra provou mais uma vez porque conquistou fãs ao redor do globo, deixando todos ansiosos pelo que virá após o hiato — e esperançosos de que essa pausa seja apenas o prelúdio para um retorno ainda mais grandioso. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: RockFun Fest


Angra – setlist:

Nothing to Say

Millennium Sun

Tide of Changes - Part I

Tide of Changes - Part II

Spread Your Fire

Angels and Demons

Waiting Silence

Late Redemption

Rebirth

Angels Cry

Carry On/Nova Era

terça-feira, 10 de junho de 2025

Cobertura de Show: Carcass – 15/05/2025 – Carioca Club/SP

Que o mês de maio foi uma loucura para o metaleiro paulistano todos nos sabemos. Com muitos ainda se recuperando do absurdo que foi abril, que trouxe o Monsters of Rock, maio não ficou para trás, começando com os pés na porta, três dias de Bangers Open Air pós feriado, aí na semana seguinte simplesmente o retorno do System of a Down (além do Upfront Fest para os punks), respirar naquele mês estava difícil. Imediatamente após a aula de show que os armênio-americanos proferiram no autódromo de Interlagos, presenciaríamos mais uma aula, mas deste vez, de metal extremo, pois os lendários britânicos do Carcass estariam passando por São Paulo em uma quinta feira à noite, pouco mais de um ano depois de sua apresentação no Summer Breeze Open Air.

Chegando no Carioca Club, a casa estava bem mais cheia do que o esperado, considerando que era quinta, a quantidade insana de shows que rolaram na mesma época e tinham anunciado a apresentação apenas no final de março, os fãs haviam aparecido em peso, a fila dobrava a rua. Tudo isso não era à toa, visto que os outros garotos de Liverpool tem uma história extensa, tanto aqui no Brasil, quanto no metal no geral, totalizando 10 apresentações em nossas terras e sendo conhecidos como os inventores do goregrind e grande influência para o mundo do death metal melódico. Como sempre, deixo aqui meus parabéns à produção da Overload, que há anos vem trazendo eventos extremamente pontuais e organizados, e desta vez, não foi diferente.

O quarteto assumiu o palco (adornado com uma  faca do lado esquerdo e um garfo do direito) pontualmente às 20:30, e com precisão cirúrgica, Bill Steer tocou os acordes iniciais de “Unfit for Human Consumption”, faixa de seu álbum de retorno, “Surgical Steel”, que desde seu lançamento, nunca saiu do repertório dos shows. Uma roda punk de tamanho considerável dominou o meio da pista desde os primeiros segundos, e simplesmente não parou. Seguiram logo com “Buried Dreams”, uma das joias da coroa do brilhante “Heartwork”, que logo no primeiro riff já praticamente enfartou os fãs. Indo contra os padrões do death metal, o mestre Jeff Walker até conseguiu levar o público a bater palmas no ritmo; estava com a galera realmente na palma da mão. Mostrando as habilidades de Dan Wilding com as baquetas, veio “Kelly’s Meat Emporium”, primeira representante do seu trabalho mais recente, “Torn Arteries” (2021), introduzida com uma virada estonteante.

Pularem de era em era, trazendo “Incarnated Solvent Abuse”, de seu terceiro álbum, lançado 30 anos antes do mais recente. Vale ressaltar que independente da era da banda, o som sempre foi dinâmico, apresentando a mescla de peso e brutalidade que tornou os uma das maiores lendas do metal, e ao vivo, isto transparecia perfeitamente, o peso dos riffs era absurdo, mas Bull Steer também tinha uma finesse incrível nos solos, estavam realmente dando aulas de metal. “Heartwork” voltou com “No Love Lost”, e figurou novamente no bloco seguinte, quando juntaram “Tomorrow Belongs to Nobody” e “Death Certificate” em versões reduzidas, uma atrás da outra. “Dance of Ixtab” viu o retorno das palminhas, mas a energia era tanta que até rolaram alguns crowdsurfs. 

A casa não era das maiores, mas os fãs estavam usufruindo de cada milímetro do Carioca Club, como em “Keep on Rotting in the Free World”, emendada com “Black Star”, onde boa parte dos fãs pularam juntos, fazendo o bairro de pinheiros tremer.A interação direta com o público era pouca, não falavam entre uma música e outra, mas a conexão entre público e banda era mais que evidente, como ocorreu logo após “Rotting” com a casa dominada por gritos de “Carcass, Carcass, Carcass”. Jeff retribuiu arriscando um “obrigado”, rapidamente voltando ao inglês com um “how are you doing”, justificando que seu português era muito ruim. A nostalgia veio forte com a sequência da instrumental “Genital Grinder” com a clássica “Pyosisified (Rotten to the Gore)”, as duas vindas de seu disco de estreia, “Reek of Putrefaction”. 

“Pyosisified” também foi lançada como parte do EP “Tools of the Trade” 4 anos depois, ao lado da já contemplada “Incarnated”, que com a faixa-título compunham o lado A, além dela e “Hepatic Tissue Fermentation II” do lado oposto. Depois dos últimos acordes de “Tools”, a entrada sinistra de “The Scythe’s Remorseless Swing”, um dos destaques do último LP. Vale destacar o trabalho que fizeram com o fundo do palco, que estava adornado com um backdrop fino de uma caixa torácica, e em certas músicas, no telão aparecia o coração da capa de “Torn Arteries” justamente onde estaria posicionado um coração no corpo humano, e a iluminação era feita de um jeito que aparecesse o backdrop também. Fica difícil de explicar, mas na hora estava incrível. Fora isso, a iluminação era inconsistente, sendo difícil de ver a banda em certos momentos, mas nada que detraísse da experiência do show no geral.

Este bloco do show foi concluído com uma trinca de peso, simplesmente a pesadíssima “316L Grade Surgical Steel”, executada com precisão esperadamente cirúrgica, “This Mortal Coil”, praticamente um Iron Maiden em versão metal extremo, fechando com uma das mais icônicas da primeira fase da banda, “Corporal Jigsaw Quandary”. Antes de iniciar esta última, Walker jogou algumas águas para o público, provavelmente após flashbacks do que aconteceu com ele no Summer Breeze do ano passado. Para os que não lembram, pelo calor, o vocalista passou mal, e teve que fazer boa parte do show com um pacote de gelo em sua cabeça. Assim que desceram do palco, o público voltou a gritar o nome deles - havia passado aproximadamente uma hora e 10 de show, mas não havia nenhum sinal de cansaço. O “Carcass, Carcass, Carcass” rapidamente virou “olê, olê olê olê, Car-cass, Car-cass”, e atendendo aos pedidos de muitos, Walker ressurgiu, perguntando se queriam ouvir mais uma música.

Puxando o resto da banda, voltaram em definitivo para o palco, e Walker relatou que mesmo tendo viajado para um lugar há mais de 3 mil milhas de distância, ele estava se divertindo demais. “Querem uma música mais devagar, vamos fazer uma mais devagar.” Se “Captive Bolt Pistol” é devagar, não sei em que velocidade toca uma banda de doom metal, pois captive é vertiginosa, dando aquela sensação de ser atropelado por um trem. Se os corações já não estavam batendo mais fortes, seria com a última sequência que pulariam para fora do corpo de cada um dos fãs de lá, trouxeram um pouco da “old shit” com “Ruptured em Purulence”, que se assemelha a sensação de fazer wakeboard no chão de asfalto com a testa e simplesmente “Heartwork”. Quando aquele riff ecoou pelo sistema de PA do Carioca, parecia que São Paulo iria entrar em erupção, foi um momento de euforia pura. O público cantava cada nota da melodia a plenos pulmões, em uníssono, era algo grandioso, épico. Terminado o momento de catarse, soltaram um “we, Carcass, love you so much, make some fucking noise”, enquanto executavam o final de “Carneous Cacophony”, e foi ao som de “Have a Cigar” do Pink Floyd pelos alto-falantes que desceram do palco.

Não é todo dia que temos a oportunidade de ver uma das bandas mais influentes do metal extremo em uma casa intimista em uma quinta-feira à noite, especialmente fazendo um show praticamente impecável, como foi o caso da aula que os britânicos proferiram naquele dia 15. Quem viu, quem esteve presente, certamente não esquecerá desta apresentação, enquanto quem não foi, perdeu uma performance histórica. Agora, esperamos que o retorno deles seja em um final de semana, algo um pouco mais digno.



Fotos: Leandro Almeida (Rock Brigade)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload



Carcass – setlist:

Unfit for Human Consumption

Buried Dreams

Kelly’s Meat Emporium

Incarnated Solvent Abuse

No Love Lost

Tomorrow Belongs to Nobody/Death Certificate

Dance of Ixtab

Black Star/Keep on Rotting in the Free World

Genital Grinder

Pyosisified (Rotten to the Gore)

Tools of the Trade

The Scythe’s Remorseless Swing

316L Grade Surgical Steel

This Mortal Coil

Corporal Jigsaw Quandary

Bis

Captive Bolt Pistol

Ruptured in Purulence/Heartwork

Carneous Cacophony (final)

sábado, 7 de junho de 2025

Cobertura de Show: Tarja Turunen – 24/05/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Sábado, 24 de maio, foi marcado por uma noite cheia de surpresas na vinda de Tarja Turunen e Marko Hietala a São Paulo em sua turnê no Brasil. E quando falamos de surpresas, não é eufemismo, começando pela banda de abertura Madzilla, vinda de Las Vegas que nos trouxe um show pra cima, melódico e com a apresentação de sua nova guitarrista e de um arriscado português demonstrando seu respeito ao público brasileiro.




Infelizmente, ao final da abertura, tivemos a notícia de que Marko Hietala não poderia fazer seu show acústico devido a problemas médicos, mas quem decidiu desistir do show e receber o reembolso não esperava que Marko iria se recuperar a ponto de conseguir subir ao palco ao lado de Tarja na parte final e encerramento de seu show.

Tarja subiu ao palco junto a sua orquestra impecável fazendo o público vibrar com seu vocal potente e sua simpatia, sem falar de sua beleza impactante e sua desenvoltura em cima do palco relembrando clássicos de sua carreira solo. 

Para quem vêm acompanhando seus shows ao Brasil, já sabe que Tarja fez uma homenagem a Rita Lee cantando seu grande sucesso Ovelha negra, mas o que não estávamos esperando era a participação de seu amigo, Kiko loureiro, o que deixou fez o chão do Tokio Marine Hall tremer. Importante lembrar que Kiko Loureiro, já considerado um dos melhores guitarristas do mundo estará no mesmo palco no dia 7 de junho.

Após esse dueto Tarja volta ao seu show e o que todos esperavam aconteceu, Marco entra ao palco para fazer sua participação e nos surpreende cantando boa parte do show, incluindo sucessos do Nightwish da época em que estavam juntos na primeira formação.

Tarja encerra seu show com um dos seus maiores sucessos da carreira solo I Walk Alone e com um discurso emocionante se despedindo da sua turnê e de São Paulo. Não precisamos dizer o quanto tudo foi incrível, a orquestra, músicos, os duetos, mas nada próximo a luz e força que Tarja Turunen nos trouxe nesta noite.


Texto: Cristina De Mouras

Fotos: Rogério Talarico

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Tarja Turunen – setlist: 

Eye of the Storm

In for a Kill

Undertaker

Sing for Me

Deliverance

Demons in You

Victim of Ritual

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Acústico

Ovelha Negra (Rita Lee cover) (com Kiko Loureiro)

The Crying Moon / Feel for You / Eagle Eye (com Marko Hietala)

Higher Than Hope (com Marko Hietala)

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Left on Mars (com Marko Hietala)

Slaying the Dreamer (com Marko Hietala)

Silent Masquerade (com Marko Hietala)

Wishmaster (com Marko Hietala)

I Walk Alone

Bis

Dead Promises

Wish I Had an Angel (com Marko Hietala)

Until My Last Breath

terça-feira, 27 de maio de 2025

Cobertura de Show: UpFront Festival – 11/05/2025 – Carioca Club/SP

O que era para ser o último show do The Exploited em solo brasileiro acabou se tornando um capítulo à parte. 

Anunciado como parte da turnê de despedida que passou por Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, o encerramento em São Paulo, no Upfront Festival (realizado no Carioca Club), foi marcado por imprevistos, adaptações e uma grande demonstração de respeito coletivo à história da banda.

No dia anterior, durante o show no Rio de Janeiro, Wattie Buchan passou mal no palco e precisou ser socorrido após vomitar sangue em plena execução do set. A cena chocou o público, e a notícia logo correu entre os fãs. Assim, em São Paulo, a expectativa já era tensa: seria mesmo a última apresentação? E Wattie conseguiria se apresentar? A resposta veio ainda antes do início do show — um video publicado  nas redes sociais por Wattie foi exibido e o vocalista não subiu ao palco. A apresentação seguiu, mesmo sem seu líder histórico. E isso, de certa forma, mudou o tom da noite.

A abertura do festival foi feita com propriedade pelas bandas nacionais Escalpo, Urutu e Punho de Mahin. O Escalpo entregou um set rápido e direto, mostrando que o crust punk brasileiro ainda pulsa com força. O Urutu trouxe uma mistura de punk com metal extremo, fazendo a ponte entre agressividade e discurso político em canções como "Parasita" e "A Pátria que nos mata". Já o Punho de Mahin levantou o público com seu punk antifascista carregado de referências afrocentradas, com destaque para "Mãe África" e "Invasores".

O line-up internacional teve uma presença marcante antes do momento do Exploited: O The Chisel, representando o punk britânico atual, trouxe uma pegada mais Oi! e street punk que agradou os fãs mais jovens — "Retaliation" e "Not the Only One" foram cantadas em coro por uma boa parte da plateia.




O Ratos de Porão, uma das maiores instituições do punk/hardcore brasileiro, pegou o horario "nobre" - sendo a penultima banda da noite, com João Gordo ainda dando conta do recado mesmo após alguns shows "cansado demais". O grupo entregou a lista de quase sempre, "Crucificados pelo Sistema","Necropolitica", "Brasil"  e etc. A performance do Ratos serviu como preparação perfeita para o que viria a seguir.



Quando chegou o momento da entrada do The Exploited, já havia um burburinho no ar sobre como seria o show sem Wattie. O que aconteceu, no entanto, foi menos um show da banda e mais uma grande jam em tributo ao legado dela. Músicos convidados assumiram os vocais em diferentes momentos. João Gordo (Ratos de Porão) puxou "Cop Cars" e "Fuck the System" com propriedade e presença de palco, fazendo jus à crueza e energia exigidas por essas faixas. Outras músicas como "Army Life", "Dead Cities" e "Sex and Violence" foram distribuídas entre vocalistas como Jão (RDP), Mark (Fang) e membros do The Chisel e do Punho de Mahin.


A banda de apoio (formada pelos membros restantes da formação atual) segurou firme a base instrumental. Mesmo sem a figura icônica de Wattie, o público respondeu com respeito, entendendo o peso simbólico do momento. Os mosh pits não pararam, e a plateia — embora frustrada pela ausência do frontman — abraçou a proposta de um encerramento coletivo, improvisado, mas digno.


O que era para ser a despedida do The Exploited virou um tributo espontâneo. E talvez esse tenha sido o único jeito possível de encerrar uma trajetória tão marcada pela urgência, pela saúde frágil e pela entrega total ao palco. Wattie não esteve ali fisicamente, mas sua presença foi sentida em cada grito, em cada acorde e em cada roda que se abriu. Foi, ao mesmo tempo, despedida e homenagem. Um fim imperfeito — como deve ser no punk.


Texto: Filipe Moriarty 

Fotos: Raíssa Corrêa (Sonoridade Underground)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Sob Controle

Press: Tedesco Comunicação Mídia 


The Exploited – setlist:

Dead Cities

UK 82

Fight Back

Chaos Is My Life

Why Are You Doing This to Me

Alternative

Class War

Beat the Bastards

Never Sell Out

Fuck the System

Dogs of War

Rival Leaders

(Fuck the) U.S.A.

Punks Not Dead

Sex & Violence

sábado, 24 de maio de 2025

Cobertura de Show: Dogma – 24/05/2025 – Manifesto Bar/SP

Dogma encerra turnê brasileira com show explosivo em São Paulo

Após a comentada apresentação no festival Bangers Open Air e a passagem por diversas cidades e estados do país, a banda Dogma chegou a São Paulo para o encerramento da turnê brasileira, que ocorreu no Manifesto Bar no último dia 15. Com um setlist enérgico, o grupo não apenas demonstrou sua habilidade musical, como também conquistou ainda mais fãs com uma performance que mesclou uma sonoridade provocativa a elementos sensuais e transgressores. Foi uma celebração do pecado e da liberdade, em que a banda explorou temas como o desejo e a rebelião, deixando o público em êxtase.

A performance do Dogma constituiu um verdadeiro espetáculo teatral, repleto de momentos instigantes que intensificaram a atmosfera do Manifesto Bar. Formado por Lilith (voz), Lamia (guitarra), Rusalka (guitarra), Nixe (baixo) e Abrahel (bateria), o grupo iniciou a apresentação com as faixas “Forbidden Zone” e “Feel the Zeal”, que conquistaram o público de imediato com riffs pesados e uma energia arrebatadora. A balada “Be Free”, seguida de “My First Peak”, evidenciou a versatilidade da banda ao unir boas melodias a um hard rock cativante.

Canções como “Made Her Mine” e “Banned” foram executadas com tamanha intensidade que fizeram o público vibrar, provando que o Dogma não se destaca apenas pela estética performática, mas também pela inegável qualidade musical. O breve solo de bateria de Abrahel surgiu em momento oportuno, proporcionando um respiro ao público diante da apresentação intensa. Em seguida, a banda executou “Carnal Liberation”, que culminou em um ápice teatral no qual foram incorporados elementos visuais que reforçavam a temática do pecado. O cover de “Like a Prayer”, de Madonna, foi uma grata surpresa, adaptado com arranjos pesados que mantiveram o caráter provocativo da canção original.

É inegável que o Dogma sabe como oferecer um grande espetáculo. Durante a faixa “The Tribute” — um medley instrumental com trechos de “Walk” (Pantera), “The Trooper” (Iron Maiden), “Master of Puppets” (Metallica), “Symphony of Destruction” (Megadeth), “South of Heaven” (Slayer) e “Laid to Rest” (Lamb of God) —, a banda demonstrou habilidade técnica e energia contagiante. Cada nota foi executada com precisão, elevando as músicas a um patamar de excelência que impressionou até os fãs mais exigentes do metal. Na sequência, “Bare to the Bones” manteve a intensidade, enquanto “Make Us Proud” revelou um lado mais sombrio da banda, com influências que remetem ao Black Sabbath.

Durante uma das músicas, a vocalista e a guitarrista se beijaram, criando uma atmosfera carregada de tensão sexual e rebeldia, em consonância com a temática de pecado presente em faixas como “Pleasure from Pain”. Elas dançaram de forma provocativa, com movimentos coreografados e sensuais que transformaram o show em uma experiência quase ritualística. Essa ousadia não se tratava de mera exibição, mas de uma extensão das letras da banda, que exploram a libertação carnal e a transgressão, tornando cada momento do espetáculo uma declaração artística ousada e memorável.

No encerramento da apresentação, tornou-se evidente que o Dogma está consolidando uma base de fãs cada vez mais fiel. O público do Manifesto Bar respondeu com entusiasmo, cantando junto as faixas “Father I Have Sinned” e “The Dark Messiah”, demonstrando verdadeira devoção às suas “santidades”. Esses momentos finais, carregados de emoção e provocação, reforçaram o vínculo entre a banda e seus seguidores, muitos dos quais presenciaram pela primeira vez o fim dessa jornada iniciada no Bangers Open Air. É impressionante observar como o grupo transforma seus shows em experiências pessoais, conquistando novos admiradores a cada parada.

Com uma performance teatral que provoca e instiga, aliada a composições de qualidade, o Dogma não apenas encerrou sua turnê brasileira com excelência, como também solidificou sua presença na cena da música pesada, consolidando-se como um dos nomes mais promissores do gênero. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Dogma – setlist:

Forbidden Zone

Feel the Zeal

Be Free

My First Peak

Made Her Mine

Banned

Carnal Liberation

Free Yourself

Like a Prayer (Madonna cover)

Bare to the Bones

Make Us Proud

The Tribute (Metallica, Iron Maiden, Pantera, Slayer, Megadeth, Lamb Of God)

Pleasure From Pain

Bis

Father I Have Sinned

The Dark Messiah

sábado, 17 de maio de 2025

Cobertura de Show: Simple Minds – 04/05/2025 – Espaço Unimed/SP

Na noite do dia 4 de maio de 2025, o Simple Minds desembarcava em São Paulo para o show que aconteceria no Espaço Unimed, um de seus destinos na Global Tour.

Sendo uma das bandas mais icônicas e cheias de hits que embalaram os anos 80, o retorno do grupo à capital paulista foi muito aguardado por uma geração de fãs “veteranos”, que estavam ali desde o começo e viram os lançamentos acontecerem na época – e também pela nova geração, que redescobriu o som oitentista por meio de filmes, séries, playlists digitais ou até pela família com ótimo gosto musical.

O público estava visivelmente ansioso e emocionado: muitas famílias, pessoas de outros estados e até de países estrangeiros!

Logo no início do show, quando os primeiros acordes de "Waterfront" explodiram pelos alto-falantes, a banda já entrou totalmente enérgica e potente. Estava claro que eles queriam estar ali naquela noite – e o resultado foi um show incrível do início ao fim.

Além da presença magnética de Jim Kerr (vocal) e da entrega incrível de Charlie Burchill (guitarra), duas figuras que chamaram muita atenção do público, não só pelo carisma e dedicação, mas também pelo talento, foram a baterista Cherisse Osei e a backing vocal Sarah Brown. Duas energias incríveis juntas – foi realmente uma surpresa para todos ali e, com certeza, um show à parte. Muita entrega a todo momento, muita energia e emoção.

Nadando contra a maré e contrariando o que muitos pensam, apesar de ser uma banda tida como “antiga”, o Simple Minds provou que é extremamente atual, inclusivo e que, assim como tudo, soube se reinventar – mostrando que juntos fazem o show ser único e vibrante. Realmente uma experiência que vale muito a pena viver.

Os fãs também não deixaram a desejar, participando ativamente de cada música: dançando, cantando, batendo palmas e interagindo sempre com a banda. E, claro, ao se aproximar do fim do espetáculo, vieram os clássicos – e até quem não era superfã reconheceu os longos e estendidos acordes de “Don’t You (Forget About Me)”, a mais famosa canção da banda. Cada verso foi cantado com tanta força e vontade que, por um instante, o Simple Minds se tornou apenas coadjuvante. Jim, visivelmente comovido, apenas regia a plateia que entoava os tradicionais “la-la-la-la-la”... Ao fim da música, a banda se despede rapidamente – e, como em todo show, claro, vieram os bis.

O grupo volta ao palco e toca mais quatro músicas, entre elas os clássicos "Someone Somewhere (In Summertime)" e "Alive & Kicking", quase explodindo o coração de todo mundo e fechando o show com chave de ouro.

Jim, emocionado, agora se despede de verdade, mas deixa a promessa de que voltarão – e esperamos que seja o quanto antes.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Simple Minds – setlist:

Waterfront

The Signal and the Noise

Speed Your Love to Me

Big Sleep

Hypnotised

This Fear of Gods

She's a River

See the Lights

Once Upon a Time

I Wish You Were Here

All the Things She Said

Don't You (Forget About Me)

Ghost Dancing

Bis

Dolphins

Someone Somewhere in Summertime

Alive and Kicking

Sanctify Yourself