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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Entrevista - Spleenful: Metal Extremo, Sinfonias e Poesias Dark e Expectativa pelo Full-Lenght




A banda Gaúcha Spleenful foi formada em 2012 com a proposta de fazer um Metal diferenciado e sem se prender a rótulos. Com influêcias que passam pelo Gothic e Dark Metal, Black, Death e até mesmo o Prog Metal e Djent. Sinfonias obscuras sob a perspectiva da poesia maldita, do oculto e de contos de horror também são elementos que constituem o universo musical criado pela Spleenful.

Depois de EPs, singles e vídeos que obteram uma resposta muito boa de público e crítica, além de vários shows, inclusive como suporting act para nomes como Moonspell e Therion, a banda passou por um período de reformulação e agora em 2021, com um novo line-up, está produzindo seu primeiro full-lenght.

Com certeza uma estreia bastante aguardada por quem acompanha o grupo, e que abrirará novas portas para esta original e ótima banda do Sul do país, que sempre revela nomes de peso no cenário do Metal brasileiro.

Conversamos com a banda para saber mais deste importante passo, que é a produção do álbum, o andamento da produção e alguns dos planos a curto e médio prazo. Confira!

 
RtM: Dizem que tudo tem a hora certa, então finalmente chegou o momento do Spleenful lançar seu full-lenght? Além da experiência adquirida através dos anos, que fatores mais vocês colocariam como fundamentais para a realização deste debut?

Bia Giovanella: Na minha opinião, como co-fundadora da banda, acredito que o fundamental foi encontrar pessoas que tivessem os mesmos ideias que nós, é difícil ter numa banda ou até mesmo numa família pessoas que pensam iguais, é impossível, mas no Spleenful isso aconteceu.

Encontramos pessoas boas não só como músicos, mas também pessoas humildes e que querem levar a nossa música pra frente, pensam no futuro da banda, no que é melhor pra todos, mesmo as vezes tendo desentendimentos, entramos num consenso e isso fortaleceu muito o Spleenful no que é hoje.

Elias: Acreditamos que existe o momento certo e hora certa para as coisas acontecerem, mas que, principalmente, com planejamento, muito trabalho e com todos com o mesmo propósito.


 
RtM: A banda está com line-up, e acredito também com o fôlego renovado, falem-nos  um pouco sobre esse novo momento.

Elias: Os novos integrantes surgiram mais ou menos no segundo semestre de 2020. Logo demos início a produção e criação das novas músicas, que na verdade já existiam,  haviam prés de guitarras, linhas de teclado e vocais.

Drax: Ficou na minha mão, e do baixista, que entramos agora na banda, fazermos nossas partes e compor as nossas linhas nas músicas. E todo o processo foi se tornando muito animador, nos incentivou tanto que mesmo com a saída de um dos guitarristas nós seguimos em frente compondo e trabalhando no material novo. Sempre com foco, fazendo reuniões para pontuar e acertar detalhes dos trabalhos, tanto como prazos.

Elias: Este é um detalhe muito importante, ter metas e prazos pra que tudo funcione e não seja simplesmente deixado de lado.

 
RtM: Nesta época de pandemia, em que tivemos que nos resguardar mais, além de várias restrições e atividades que estão ainda paradas, inclusive os shows ao vivo, vocês acham que pode atrapalhar a divulgação do trabalho? Que estratégias vocês pretendem utilizar para uma boa promoção do disco?
 
Elias: Pode sim e atrapalha. O artista vive de shows, ele precisa do palco. Tanto pela natureza da arte quanto pelo retorno financeiro, ainda mais na era tecnológica em que o pessoal vive no mundo virtual e tem tudo praticamente de graça. Então os shows compõem boa parte dos rendimentos de uma banda. 

Mas claro, a internet tem seus pontos positivos e negativos. Inclusive muitos artistas estão sobrevivendo por causa da internet, e a estratégia é justamente essa: produzir conteúdo digital, trabalhar nas redes sociais com vídeos, fotos, etc. Investir no marketing digital, e assim que possível, trabalhar pra fazer um show de lançamento do novo trabalho, com a qualidade que sempre mantivemos, investir no merchandising, CDS físicos, camisetas, que no metal gera um bom retorno.
 
 
 
RtM: Por outro lado, quem teve mais tempo para ficar em casa, e também não tendo muitas opções de lazer ou viagens, e até mesmo de tocar ao vivo devido as restrições, pode dedicar esse tempo para compor ou expandir o trabalho através das redes sociais. Contem-nos como foram essas atividades nesse último ano e se vocês aproveitaram para criar ou desenvolver composições.

Drax: Com certeza, o home office e o isolamento contribuíram de forma positiva nesse sentido.
Nós conseguimos fazer uma boa imersão criativa e trabalhar num bom material que vocês vão conferir assim que for lançado.

Praticamente, o Elias trabalhava nas guitarras em casa e mandava pra gente os GuitarPro antes de gravar a guia oficial, e enviava vídeos tocando as composições e eu fazia minha parte em casa também. Escutava tudo, colocando minhas linhas de bateria em cima, gravava com celular mesmo, mandava para o pessoal e a gente trocava ideias sobre tudo de forma bem democrática.

Elias: E o mesmo acontecia com os outros instrumentos. Em seguida o baixista também colocava a linha de baixo, isso tudo nas prés, os vocais de certa forma eram mais tranquilos, usávamos mais o GuitarPro pra fazer os arranjos de  teclados. Enfim, com a junção das partes de instrumentos, os vocalistas tinham uma visão do todo, a partir disso trabalhavam nos vocais. Com exceção da batera, todos gravaram suas prés em casa mesmo.

Drax: No último mês antes do início das gravações das baterias, eu e o Elias fizemos ensaios semanais somente guitarra e bateria, para finalizarmos as linhas de bateras, trabalhando os detalhes para chegarmos o mais pronto possível na hora da gravação oficial.
 

RtM: E como tem funcionado a maneira de compor na banda?
 
Elias: As composições desse álbum foram feitas por mim e pelo Tiago, mas todos podem colaborar tanto com composições e também arranjos. Tudo é escrito antes em partituras, antes da pré ser gravada. 
Temos dois músicos com formação acadêmica, a Bia o Draxl, mas todos os integrantes dominam a parte teórica, o que facilita muito todo o processo.
Não nos prendemos a conceitos, buscamos sempre fugir do comum, não seguindo clichês existentes no Metal.

Bia Giovanella: A maneira de compor na banda evoluiu muito, antigamente o Tiago criava as músicas, eu adicionava meus vocais e o restante da banda seguia a partitura, hoje já é diferente, a banda se tornou mais unida a partir do momento que temos uma ideia e evoluímos a partir dela, escrever as músicas utilizando programas como guitar pro e musescore ajudou muito, pois temos o Lucas por exemplo, que mora em Bagé e ajuda muito na composição.
 
Sem contar que, cada um adiciona sua característica musical, seja eu, mesclando lírico com belting, o Elias unindo o technical death metal com o dark, o Drax unindo o metal progressivo. Eu como musicista vejo que as composições estão em outro nível, pois cada um de nós adicionou um pouco de si nelas.



RtM: E quanto ao andamento da produção e gravação, o que vocês podem nos adiantar a respeito? Já possuem uma previsão de conclusão do álbum?

Drax: Gravamos as baterias em janeiro, em fevereiro foi ,a vez das guitarras, vamos gravar os baixos em abril, depois ainda tem que agendar teclados, vocais e por fim, mixagem e masterização. 

Quem sabe alguma coisa adicional depois, se sentirmos que possa agregar a composição do material. Mas falando em prazo real, acreditamos que no final do primeiro semestre deste ano, talvez início do segundo, mas até lá ainda tem muita coisa pra rolar.

 
 
RtM: No álbum vão entrar somente músicas inéditas ou teremos novas versões das faixas do EP e singles?

Drax: Somente músicas inéditas, uma ou outra nem tão inédita. Tem a “Noir” que é uma faixa que inclusive já foi tocada em shows, mas como não foi gravada oficialmente, fizemos um novo arranjo e e vai estar no novo álbum.

As músicas inéditas estão muito boas, estamos com uma grande expectativa para o lançamento desse material, foi tudo feito com muito cuidado e paixão pela música, cada um acrescentando um pouco da sua bagagem.
 

RtM: A Spleenful surgiu com o intuito de fazer Metal sem se prender a um rótulo específico, e o EP e singles da banda mostram essa diversidade, com uma sonoridade que transita por elementos do Dark, Gothic, Death e Symphonic. E as composições atuais? Vocês conseguiriam descrever um pouco do que os ouvintes podem esperar?

Elias: Esse foi o fator que me fez ingressar no Spleenful seis anos atrás, não se prender a rótulos. E isso se mantém com a entrada do Draxl na bateria e do Lucas no baixo.

As composições novas terão elementos de Industrial e até de Djent, bem técnicas, mantendo brutalidade e melodia.



RtM: Quais seriam atualmente as influências mais fortes que compõem a sonoridade da banda?

Drax: Com certeza, Scepticflesh e Gojira, o pessoal que compõe as melodias tem muita influência de Devin Townsend.



RTM: E você Bia, como musicista e compositora, além de co-fundadora da banda, nesta atual fase, o que você destacaria de novos elementos e técnicas que você utilizou nas novas composições?

Bia Giovanella: Uma parte que está sendo desafiadora pra mim, é que assumi as teclas, como sou formada em música, minha formação é de piano popular, mas nunca toquei Metal e está sendo um experiência super legal, estou aprendendo e também adicionando detalhes da música popular nas músicas, como somos brasileiros por que não adicionar trechos de bossa nova? É uma influência da maior parte da banda, então terá no nosso álbum, coisas novas, mas vamos continuar fazendo o dark metal que sempre fizemos, mas de cara nova.


 
RtM: E Bia, falando na parte dos vocais, o que você citaria também de novidades técnicas e influências que você agregou ao seu conhecimento e adicionou na sonoridade da banda?

Bia Giovanella: Como musicista, adicionei mais detalhes do belting e também me aprofundei nas notas graves, antes as músicas eram medianas ou muito agudas, dessa vez estou tentando brincar um pouco mais e mostrar para as pessoas que vão nos ouvir, o meu lado mais técnico, que é do lírico ao popular.


RtM: E quanto a parte lírica? Que temas a banda abordará? Esses tempos quase que caóticos trouxeram algum tipo de inspiração?

Elias: As novas músicas ainda abordam temas como ocultismo e literatura de horror como antigamente, mas dessa vez possuem uma abordagem bem mais pessoal e aberta a interpretações. O Tiago que escreve as letras e ele tem inserido temas como psicanálise, astronomia e política de maneira bem metafórica.

Por exemplo, temos uma música nova chamada “Zeitgeist” que é a nossa maneira de expressar um protesto contra a desvalorização da arte e da cultura nesses tempos sombrios em que vivemos.
 
 
 
RtM: Para o lançamento do álbum, vocês planejam lançar em formato físico e digital? De forma independente ou com parceria de algum selo?

Elias: Sim, a ideia é fazer físico, em formato digipack, estamos fechando a arte com um grande artista, mas ainda não podemos divulgar.
Vamos buscar não só um selo, mas sim uma gravadora, estará nas plataformas digitais, mas pretendemos deixar algo exclusivo para os formatos físicos.
 
 
 
RtM: E o que vocês veriam como mais desafiador para a banda neste momento atual?

Elias: Toda essa questão econômica, que para os artistas e bandas é ainda a pior,  todo o staff de profissionais do setor de shows e eventos. 

Drax: Acreditamos que que quando normalizar a situação não é uma boa ideia sair fazendo turnês e shows, pois a oferta será muito grande, podendo atrapalhar, então iniciaremos esse processo com calma.

Bia: No momento, o desafio está sendo o tempo, nem todos trabalham somente de música ou como músicos e nos encontrar para as gravações tem sido puxado, temos que acertar horários até mesmo para reuniões, pois nem sempre alguém pode, por conta do trabalho.
 

RtM: Pessoal, obrigado pela entrevista fica o espaço para suas considerações finais, e ficaremos de olho nas atualizações sobre o álbum, que ele logo esteja disponível e também estejamos em tempos melhores!

Elias: Agradecemos o espaço do Road To Metal, espero poder rever os amigos nos shows e festivais, apesar do momento caótico estamos conseguindo gravar nosso álbum,  e que terá uma sonoridade única, o que nos deixa em êxtase.

Drax: Peço para que os leitores mantenham o distanciamento e usem máscara.

Bia: O Spleenful está com uma nova cara, acredito que quem ouvir o novo álbum, vai experimentar algo diferente do que já havíamos feito. Estamos felizes com os resultados que estamos construindo e empolgados para mostrar para os nossos fãs o novo Spleenful.


Entrevista: Carlos Garcia

Line-up:
Tiago Alano: Vocais
Bia Giovanella: Vocais
Elias Mendes: Guitarras
Drax the Ax: Bateria
Lucas Ollé: Baixo



Siga a banda:






domingo, 20 de maio de 2018

Cobertura de Show: Therion - Teatro AMRIGS Porto Alegre RS (09 de Maio)


E a espera dos fãs sulistas valeu a pena! Depois de quase 17 anos, em um evento da Mitnel Produções, o Therion retornou a Porto Alegre, divulgando o novo álbum, a ópera "Beloved Antichrist". A primeira vinda foi em 2001, durante a tour do "Secret of the Runes", e daquele line-up, apenas o mentor e criador da banda, Christofer Johnsson, e o baterista Sami Karpinnen, que retornou recentemente ao grupo, restaram. O line-up atual, que já possui um grupo que vem atuando junto desde 2012, com Thomas Vikström (vocais), Linnéa Vikström (vocais), Nalle Pahlsson (baixo) e Christian Vidal (guitarras), recebeu em 2015 a adição da fantástica soprano Chiara Malvestiti, substituindo a não menos incrível Lori Lewis. Um excelente e bem entrosado line-up, que entregou um show carregado de energia e emoções. Vamos contar um pouquinho do que foi a noite a seguir.


Primeiramente tecendo sobre a organização do evento, praticamente só temos elogios, pois o local escolhido, o teatro AMRIGS, possui uma excelente estrutura, proporcionando muito conforto ao público, e o mais importante, a qualidade do som, certamento o quesito mais importante, ainda mais se tratando de uma banda que possui tantos detalhes em sua música. Pudemos perceber no início e ao final do show, a satisfação dos fãs com a qualidade do evento, agradecendo à produção pela realização, pois muitos já estavam dispostos a ir a outros estados para conferir a banda. 

O próprio Christofer Johnson elogiou a organização, dizendo que estava tudo perfeito, somente tendo reticências quanto à algumas falhas do engenheiro de iluminação. Bom, não é fácil, com todos aquele pessoal no palco e movimentando-se e, principalmente os vocalistas, que se revezam nos vocais principais e secundários. No mais, somente vimos algumas reclamações quanto a um benefício que a produção iria entregar aos compradores do setor VIP, que, segundo o produtor informou, a empresa responsável pela produção não entregou a tempo.


Os Convidados, Spleenful (Brasil) e The Devil (Inglaterra), abrem o espetáculo com méritos!

Praticamente pontuais, outro ponto positivo, os shows das bandas convidadas se iniciaram, já com um bom público, e coube a Spleenful e seu Dark Metal repleto de trechos sinfônicos e elementos atuais, logo chamou a atenção do público, com uma atuação bem segura e interagindo bastante com a plateia, que embora, na maioria, permanecesse sentada, aplaudiu bastante a banda.


A banda caprichou no visual e algumas surpresas, como na abertura da apresentação, durante a intro a banda foi chegando e também uma bruxa tratava já de "enfeitiçar" o local. O grande final com "Winter Solstice Dream", também foi abrilhantado pela performance de dança do ventre, pela bailarina Viih Alves. Formada em 2012 em Porto Alegre, a banda atualmente conta com 
Tiago Alano (vocais), Bia Giovanella (vocais), Elias Mendes (guitarra), Carlos Ricardo (baixo), Everton Manso (teclados), Yuri Porto (bateria) e Marcelo Campos (guitarra).


Após a aplaudida Spleenful, era a vez da curiosa The Devil adentrar o palco. O quarteto inglês utiliza máscaras, e proclama-se como inovador, trazendo uma proposta cinematográfica e dark, buscando trazer emoções diversas. O som é instrumental, tem peso, e são colocados telões com imagens de fatos históricos, com a sonoridade servindo de trilha para essas imagens. São usados samples ao invés de um vocalista, e as mensagens, segundo eles, tudo possui uma mensagem codificada, que expõem um grande segredo, uma grande conspiração... Bom...é preciso mais audições para digerir, e ás vezes a sonoridade torna-se um pouco cansativa, mas foi uma experiência interessante e realmente diferente. O The Devil é formado por...bom, não posso dizer! ha ha ha

Therion: Porto Alegre's Second Coming!

A espera chegava ao fim, e diante de um público ansioso e feliz, que já ocupava boa parte do teatro ( embora ainda aquém do esperado para um show deste nível e com ótima estrutura, depois o pessoal reclama que não há shows para ir), logo surge a intro com Nalle Pahlsson entrando no palco, para delírio dos fãs, e seguido pelo Sr. Therion, Christofer, Vidal e Sami, para iniciarem com "Theme of Antichrist". Logo, Thomas, Chiara e Linnéa tomam também o palco, recebendo também o calor do público, onde podíamos notar os olhares e manifestações de felicidade.


A banda, como sempre, para quem acompanha as apresentações ao vivo nas plataformas, não decepcionou, em uma performance técnica e carregada de energia. E claro, com aqueles elementos teatrais, os quais tiveram maior atenção nas músicas do novo álbum, a ópera "Beloved Antichrist".
Sem tempo do público tomar um fôlego, "Blood of Kingu", sempre um destaque, toma de assalto com seus riffs matadores e vocais altos de Thomas Vikström, este, com certeza um dos melhores frontmans e vocalistas do Metal atual. 49 anos, mas com energia de 19!


Para orgulho de seu pai, Linnéa Vikström toma o papel principal em "Din", correndo por todos os lados, fazendo os vocais limpos e guturais, indo a beira do palco chamando o público, chegando em um momento a se jogar no chão, como se para tomar um fôlego e retomar sua ensandecida performance! A menina que entrou na banda aos 18 anos, hoje é uma frontwoman e vocalista que cresce em qualidade a cada ano. Comentando com Nalle sobre Linnéa, este disse "She's my idol".


Em seguida, uma dobradinha do novo álbum, "Bring Her Home" e "Night Reborn", dois dos destaques do novo álbum, com atuações impecáveis de Thomas e Chiara. "Nifelheim", sempre esperada, traz aquele belíssimo trabalho de vozes, com praticamente todos participando. Temos que louvar a todo momento o entrosamento e o prazer com que a banda executa seu show, e isso chega ao público. Além dos vocalistas, que esbanjam simpatia, os demais interagem a todo momento uns com os outros, e claro, com o público.


Quem vê Christofer Johnsson, aquele cara magricela, voz calma, e depois vê no palco, se impressiona com o carisma e energia. Apesar de devido a alguns problemas na sua cervical terem ameaçado sua carreira, e ter que tomar mais cuidados, estava bem solto. Forma uma grande dupla com o argentino Vidal, o qual esbanja técnica, feeling e pegada! Que grande músico. Nalle Pahlsson e Sami Karpinenn não deixam por menos, com uma cozinha técnica e precisa!


Para não nos alongarmos, somente destacarei mais alguns momentos desta grande performance, como por exemplo a belíssima "Lemuria", do álbum homônimo, outra que com certeza sempre é esperada. O público foi ao delírio com a já tradicional performance de joelhos de Chiara, que encantou a todos com sua enorme voz e simpatia. O final já se tornou épico, onde Chiara substituiu as notas de flauta na gravação original pela sua voz. Realmente, essa música ela pegou pra ela. Difícil né, apontar só destaques, porque a sequência é matadora, e o Therion tem muitas músicas esplêndidas. Pessoalmente, gostaria de um dia ouvir a "The Beauty in Black" ao vivo.


Destacando ainda mais duas do "Beloved Antichrist" tivemos a parte final arrebatadora, sendo que já em determinado momento o público já agitava muito mais, ficando em pé e respondendo a cada chamado da banda para acompanhar as músicas, refrãos e tradicionais brincadeiras, como a que Christofer fez, desafiando os brasileiros a gritarem mais alto que os fãs argentinos (na noite anterior, a banda se apresentou em Buenos Aires), lembrando a rivalidade Brasil x Argentina no futebol, e apontando para Vidal, argentino, torcedor do River e fã de futebol.


"Son of Staves of Time" foi a "última", e logo a banda voltou, para delírio dos fãs, agora todos em pé, alguns agitando no corredor, para a dobradinha "The Rise of Sodom and Gomorrah" e "To Mega Therion"! Sem palavras! Ainda após a banda ter deixado o palco, não antes sem agradecer o público, cumprimentar as pessoas que chegavam perto do palco, ainda pudemos ouvir alguns fãs fazendo um coro de "one more song! one more song!" ha ha ha! Claro, sabíamos todos que havia acabado, mas com certeza queríamos mais!


Que a banda não precise esperar mais outros 17 anos para retornar, e que tenhamos um público ainda maior e condizente com a qualidade do espetáculo, então, somente temos que louvar a iniciativa da Mitnel produções e todos os envolvidos de alguma forma (inclusive a Heavy & Hell e Road to Metal), que entregou um belo espetáculo. Memorável dia 9 de maio!


Texto: Carlos Garcia
Fotos: Diogo Nunes


Drops:
- Em um momento, Christofer falou sobre a satisfação de estar de volta à Porto Alegre após tanto tempo, e perguntou quem esteve no show em 2001. Alguns fãs responderam, e ele apontou para um deles, já com o cabelo ralo, assim como o seu, e disse "ah, estamos envelhecemos juntos".

- Nota-se o entrosamento e boa relação entre os membros, que fazem brincadeiras e movimentos ensaiados durante o show, como Linnéa indo "ajudar" Vidal a solar, e oferecer para que ele assuma o microfone; os movimentos combinados de pai e filha, Linnéa e Thomas, em vários momentos; as coreografias a la Kiss de Christofer e Nalle, lembrando que o baixista é fã e colecionador de material dos mascarados.

- O público ia ao delírio com as brincadeiras e encenações de Thomas, principalmente quando fingiu morder o pescoço de Chiara, saindo limpando a boca, no melhor estilo Drácula!

- Enquanto acompanhávamos a banda após o almoço, junto com a produção, paramos para esperar o sinal fechar, e dois fãs, vendo alguns outros caras de camiseta de banda, alguns de cabelo comprido, perguntaram "vocês vão ao show hoje?", e não notaram que ao nosso lado estava o Vidal e logo a frente o Christofer, de bonézinho e casaco, bem estilo tiozinho! ha ha! levaram um susto quando perceberam! Brinquei com eles "não é sempre que se vem à um show de uma banda, e dá de cara com ela atravessando a rua com você!" A dupla veio de Santa Catarina ver o Therion. E teve gente de Porto Alegre que perdeu!



Set List:

Theme of Antichrist
The Blood of Kingu
Din
Bring Her Home
Night Reborn
Nifelheim
Ginnungagap
Typhon
Temple of New Jerusalem
An Arrow from the Sun
Wine of Aluqah
Lemuria
Cults of the Shadow
The Khlysti Evangelist
My Voyage Carries On
The Invincible
Der Mitternachtslöwe
Son of the Staves of Time

Encore Final
The Rise of Sodom and Gomorrah
To Mega Therion


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Cobertura de Show - Moonspell: Lua de Sangue em São Leopoldo! (27/09/15 - Sociedade Orpheu - São Leopoldo/RS)


“A primeira:

Estratégica e sublime, fortificada de infame veludilho, roxa, espancada e íntima...”. *

Noite de 27 de setembro de 2015, um domingo que encerrou um ciclo chuvoso, mofado e úmido que banhou a região. As condições ainda não eram totalmente favoráveis e o tempo ainda não havia proporcionado uma boa receptividade para o grande fenômeno que estava para acontecer. No céu era anunciada uma super Lua, alinhado a um eclipse lunar que traria coloração vermelha à Lua: Lua de Sangue. Justamente logo na mesma noite em que o Moonspell se apresentou em São Leopoldo, coincidência pura (será mesmo?).

Enquanto a Spleenful (banda que abriu o espetáculo) se posicionava ao palco e acertava os últimos detalhes, o frontman da Moonspell recebeu cuidadosa e educadamente boa parte do público que adquiriu o seu livro de poesias chamado: “Purgatorial”. Trocou rápidas palavras, autografou o livro (e algumas capas de CD) e tirou fotos. Foi algo bem rápido mesmo, o tempo era curto e a banda de abertura estava prestes a começar a qualquer momento. Mas o que impressionou desde o começo, foi à simpatia e a educação com a qual, Fernando Ribeiro recebeu os fãs que conseguiram ser atendidos antes do show.


Tudo acertado no salão principal da Sociedade Orpheu e a noite tinha que começar, havia uma pequena multidão sedenta pelas negras invocações sonoras. O ritual profano teve início através das melodias da banda porto-alegrense Spleenful. Abrir a noite para um show internacional não é uma tarefa muito fácil, e essa dificuldade potencializa ao máximo, quando a banda de abertura, é fã da banda principal. Mas a Spleenful pisou firme no palco, e pra não deixar dúvidas disso, abriu a noite com “Burleske Liebesträum”. Rápida e precisa no começo, logo após alguns minutos, se transforma em compassada e apaixonante execução. Há antíteses entre os vocais, e ela compõe a perfeição dos opositores: o bom e o ruim, o alto e o baixo, a terra e o ar... Céu e inferno! 


A Spleenful não ousou em um set numeroso, mas conquistou cada segundo que lhe valeu, um dos pontos altos aconteceu durante “Absinthe Love Affairs”, momento em que Aline Mallmann (Tribal Fusion Bellydance) subiu ao palco e embriagou o público em um sedutor e suave bailar. De fato, a apresentação da Spleenful superou as expectativas e deixou bem claro a razão de ter sido convidada para abrir o show do Moonspell. Sonoridade coesa e equilibrada a banda consolidou uma apresentação impecável e nos trouxe músicas com uma presença maior do que a representam no disco. Tiago Alano emplacou a noite e mostrou ao público que faz jus ao posto, sem utilizar pedal para o vocal e nem distorção (um reverb leve na mesa de som, e mais nada), vociferou seu gutural fraseado. Ainda como um presente ao estilo “première session” para os que estiveram no Orpheu domingo, a banda trouxe duas músicas ainda não lançadas: “Noir” e “Winter Solstice Dream”.


Durante a apresentação, a Spleenful aproveitou para coletar material de vídeo, que irá compor o próximo clipe da banda, Parabéns!

Spleenful:
Tiago Alano - Vocals
Bia Giovanella - Vocals
Desmond Quevedo – Guitars
Elias Mendes – Guitars
Carlos Ricardo – Bass
Everton Soares Manso – Keyboard
Daniel Vilanova – Drums

Setlist:
01 – Burleske Liebesträum + Bittersweet
02 – Noir
03 – Absinthe Love Affairs
04 – Winter Solstice Dream

“Quem souber falar em silêncio, Andar sem deixar rastros, Viver nos intervalos da chuva...
...Sabe que pode chegar aqui e ser bem recebido” *


Após um rápido Setup de palco, é chegada a hora da atração principal. A intro de “La Baphomette” irrompe o silencio da Sociedade Orpheu, ao primeiro batucar da música, o som fez parecer que o peito iria rachar ao meio. Mike Garcia foi o primeiro a pisar o palco e posicionado à bateria, lançou o olhar aos demais como se estivesse falando em pensamento:

 - “Tudo pronto podem vir!”

Um a um os integrantes da banda foram assumindo seus lugares, Fernando Ribeiro foi o último a escalar os três degraus até o palco. Como de costume, vestia seu casaco negro e no rosto usava um semblante infernal, como se fosse um vampiro que habita um castelo do vale do D’ouro. Hora do show!


Respire (fundo) e expire... Chega “Breathe (Until We Are No More)” para dar início ao banquete sonoro. Todo o carinho e educação que foi vista durante o autógrafo dos livros, antes do show começar, foi continuado enquanto a banda estava no palco. A terceira execução da noite, já foi um convite ao clássico, do “Memorial” (2006) veio “Finisterra”. O que parece ser “Neologismo” na realidade tem explicação na idade média, tempo em que se pensava que Portugal era o “fim da terra” (e era mesmo! Época em que a geografia só conhecia a Europa). Com pescoço “formigando” chega “Nigth Eternal”, pra validar o início da contusão. Algumas noites antes (tarde, para falar a verdade), o Moonspell havia se apresentado no Rio de Janeiro, palco do Rock in Rio, certamente perceberam um público de encher os olhos. Mas duvido extremamente que tenha enchido o coração da banda, como aconteceu em São Leo (São Hell, como disse o próprio Fernando). Em lusitanas frases o vocalista deixou nítido o quanto estavam felizes com o retorno que estavam recebendo dos fãs, o quanto é bom tocar para um público que sabe exatamente o que está acontecendo no palco e, principalmente, como é bom tocar no Rio Grande do Sul! Imaginava-se que o álbum “Extinct” (2015) seria mais favorecido nessa noite, mas a verdade foi outra. Os álbuns mais visitados durante a noite foram o “Irreligious” (1996) e o “Wolfheart” (1995). Clássicos certamente muito esperados na apresentação, claro que o trabalho novo figurou no set, mas foi uma aparição bem controlada.


Alegria de uns, muita alegria para a maioria! Mesmo neste instante percebemos que a banda teve essa preocupação e saciar essa "sede" dos fãs. E se caso fossem questionados, os fãs ainda diriam que faltou muita coisa no set (provavelmente faltou mesmo), pois o histórico, tradicionalismo e repertório da banda, renderiam um show de 3 horas, tranquilamente (já pensou um show de aniversário do “Wolfheart”, tocado na integra?).  Aconteceram algumas surpresas muito agradáveis durante a noite, uma delas foi o surgimento da “Scorpion Flower” passeando pelo set. Mesmo sem o acompanhamento da Anneke van Giersbergen, a versão foi matadora. Outra foi a presença da inesperada “An Eurotic Alchemy”, teclado marcante em sua intro e groovada da metade em diante, momentos em que Aires Pereira (se) fez perceber o poderoso baixo. E como outro momento de surpresa, mais próximo do final do show o vocalista da banda veste a camiseta do Clube Esportivo Aimoré, que alguém alcançou para o Fernando. Fantástico, te cuida Cerâmica Futebol Clube! 


Antes de fechar a noite, Fernando desceu do palco e passeou entre o palco e o público e apertou mãos, ganhou (e distribuiu) curtos abraços e jorrou simpatia. Para encerrar os encantos da noite, a trinca matadora que veio para inflamar a apresentação: “Ataegina” (com direito a dança folk no palco), “An Eurotic Alchemy” e “Alma Mater”. Ainda na volta do encore rolou “Everything Invaded” e “Full Moon Madness” para não deixar pedra sobre pedra.

Pontos especiais que merecem ressalte: A iluminação quase apresentou um show à parte, não fosse a absurda sincronia com o show e o som que esteve em um volume bem desejável (+ou- 110 db na “Finisterra”) e não “embolou” em nada as músicas. Parabéns a todos envolvidos entre produção, promoção e técnica do show, certamente os fãs tiveram uma noite e tanto. Após o show, havia um ônibus disponível para os fãs que precisassem deslocamento até Porto Alegre, totalmente grátis!


Aguardamos uma nova chance de poder presenciar esse momento mágico, mais uma vez. E lembrem-se: “You’re all welcome under the moonspell!”.


Cobertura por: Uillian Vargas
Fotos: Diogo Nunes
Revisão/edição: Renato Sanson


Moonspell:
Fernando Ribeiro - Vocal
Ricardo Amorim - Guitar
Pedro Paixão – Keyboard, Sampler, guitar
Aires Pereira - Bass
Mike Gaspar – Drums

Setlist:
Breathe (Until We Are No More) (Extinct)
Extinct (Extinct)
Finisterra (Memorial)
Night Eternal (Night Eternal)
Opium (Irreligious)
Awake! (Irreligious)
The Last of Us (Extinct)
Raven Claws (Irreligious)
Scorpion Flower (Night Eternal)
Em Nome do Medo (Alpha Noir)
Vampiria (Wolfheart)
Mephisto (Irreligious)
Ataegina (Wolfheart)
An Eurotic Alchemy (Wolfheart)
Alma Mater (Wolfheart)
Everything Invaded (The Antidote)
Full Moon Madness (Irreligious)

*Trechos de poesias retiradas do livro “Purgatorial”.

O que: Show da Banda Moonspell – Road To Extinction Brazil
Local: Sociedade Orpheu – São Leopoldo/RS
Data: 27/09/2015