domingo, 30 de julho de 2017

Entrevista - Ruins of Elysium: "Metal extremamente Épico e de Arranjos Complexos"


Apesar de sua recente carreira, a promissora banda mineira Ruins of Elysium já lançou um EP e seu primeiro álbum full-lenght, “Seeds of Chaos and Serenity”, o qual traz inovações para o Symphonic Metal, além de conceitos líricos inspirados em temas como mangás e jogos de videogames, além de assuntos atuais como a luta da comunidade LGBT pela igualdade de direitos.

Conversamos com o vocalista Drake Chrisdensen que nos contou um pouco sobre suas influências musicais e suas inspirações na hora de compor, os conceitos do álbum e sua repercussão, e ainda nos deu uma prévia do que ainda podemos esperar para o próximo álbum. Confiram!! (English Version Here)


RtM: Oi Drake!! Parabéns a você e aos outros integrantes do Ruins of Elysium pelo belo trabalho do álbum “Seeds of Chaos and Serenity”. Qual é a sensação de ter o primeiro álbum full-lenght lançado? 
Drake: Oi Raquel, equipe da Road to Metal e leitores desse portal incrível, muito obrigado pela oportunidade de conceder essa entrevista! Bom, lançar um álbum como o "Seeds Of Chaos And Serenity" foi uma experiência no mínimo intensa. Desde o começo da Ruins Of Elysium eu sempre tive pra mim bem claro o tipo de som que eu gostaria de fazer: Metal extremamente épico, com arranjos orquestrais complexos, e o SoCaS é o epítomo de tudo o que eu aprecio como músico e como metalhead. 
Ouvir esses 75 minutos de puro Epic Symphonic Metal e ter o privilégio de compartilhar com vocês é algo muito emocionante porque eu sinto que o primeiro grande passo da carreira da Ruins of Elysium no cenário Metal foi dado e com louvor. 

RtM: A receptividade tem sido a esperada? Quais são os próximos passos para expandir a divulgação do álbum?
Drake: Eu me sinto muito agradecido, muito privilegiado de poder ter executado esse trabalho e estar recebendo reviews tão boas. Um portal americano disse que o "Seeds of Chaos And Serenity" é um dos melhores álbuns da história do metal brasileiro e ler aquilo me trouxe às lágrimas. Temos muito a crescer e sei que esse primeiro passo vai abrir caminho pra desenvolvermos um trabalho cada vez melhor! 

"Metal extremamente épico, com arranjos orquestrais complexos..."Seeds of Serenity and Chaos" é o epítomo de tudo o que eu aprecio como músico e como metalhead. "
RtM: Conte um pouco sobre a sua formação musical, como você se interessou pelo canto clássico? Você pretende expandir ainda mais seus horizontes?
Drake: Eu comecei a cantar no coral da minha escola, isso já fazem 15 anos. Eu sempre me interessei por música, meu pai tem excelente gosto musical e me apresentou músicos incríveis, então eu era bem criança e já escutava Queen, Sarah Brightman, Iron Maiden, Placido Domingo, Montserrat Caballe, dentre outros que me despertaram em mim a vontade de cantar. Estudei canto popular por um tempo mas foi no canto erudito onde me achei e me encontro até hoje, morei por uns tempos na Noruega, na Alemanha e nos Estados Unidos para estudar e tive a honra de ter professores incríveis como Melissa Ferlaak, Eliseth Gomes, Fernanda Giardini, MarishkaWierzbicki e Janet Williams. Sempre me perguntei o motivo de não existir uma banda de Symphonic Metal que contasse apenas com o vocal clássico de um Tenor. Era um som que eu queria escutar e, como não existia ninguém fazendo (e ainda não existe, eu acho), resolvi montar a minha banda.


RtM: Ainda sobre inspirações, quais bandas você gosta de ouvir, existe alguma que tenha forte influência em seus trabalhos?
Drake: Minhas cinco maiores influências, e sei que isso pode chocar algumas pessoas, são Cradle Of Filth, Dimmu Borgir, Septicflesh, Wintersun e Fleshgod Apocalypse. Eu sempre trago elementos desse quinteto nas músicas da Ruins of Elysium e acho que por isso nossas composições soam tão pesadas mesmo não sendo uma característica do estilo. Por incrível que pareça, eu mal escuto Symphonic "puro" ou Power Metal. Escutava muito Xandria, mas não curti o último álbum deles....Leaves Eyes, minha banda favorita, acabou ano passado...estou esperando Visions of Atlantis e Dark Moor lançarem material novo porque eu sou doente com aqueles caras, inclusive, gostaria de dizer pro Alfred Romero que estou solteiro e só esperando um inbox dele (risos)

O Icaro e o Vincenzo adoram prog metal, o que já não me atrai tanto, do mesmo jeito que Icaro não é muito chegado em Extreme Metal, que eu adoro, mas a gente consegue equilibrar nossas influências de uma forma que tem dado certo!


RtM: Você já declarou algumas vezes ser fã da banda Visions of Atlantis, conte-nos como foi ter aulas com Melissa Ferlaak.
Drake: Visions of Atlantis é uma banda que eu tenho um carinho imenso por vários motivos. Eu conheci o VoA quando eles estavam começando, ainda no primeiro álbum, e me apaixonei com o som deles. Eles sempre foram muito simpáticos com os fãs brasileiros e foi através deles que eu descobri que eu conseguia e podia cantar Metal, pois desde que comecei a estudar técnica vocal eu cantava as músicas deles pra desenvolver e crescer. Como tinha contato direto com a banda, conheci a Melissa Ferlaak, uma das vozes mais lindas do mundo na minha opinião, e comecei a tomar aulas com ela. Ter a Mel como professora de técnica foi mais que uma honra e uma oportunidade incrível, eu me sinto muito privilegiado de ter sido ensinado por uma das minhas cantoras favoritas e de poder chamá-la de amiga.

"Simplesmente tive essa epifania: 'Vou fazer uma Sinfonia/Opera Metal epica sobre Sailor Moon' "
RtM: Você poderia falar um pouco mais sobre o conceito da faixa título “Seeds of Chaos and Serenity”?
Drake: Bom, eu sou muito fã de Sailor Moon, inclusive ao ponto de tê-la tatuada no meu braço, então unir essa paixão com a paixão do Epic Symphonic Metal era uma questão de tempo. Eu não sei exatamente como surgiu a ideia, sei que em uma noite eu simplesmente tive essa epifania: "vou fazer uma sinfonia/opera Metal epica sobre Sailor Moon" e falei com um amigo muito querido imediatamente. Eu tinha escrito uma música chamada "Seeds Of Chaos And Serenity", que veio a se tornar o primeiro arco da sinfonia, e comecei a expandi-la para abranger todos os 5 arcos do anime/manga, daí foi nascendo essa sinfonia linda que deu nome ao nosso primeiro álbum. 

RtM: A arte da capa também é maravilhosa.
Drake: Wesley Souza, que é o artista responsável por todas as nossas artes da era "Seeds Of Chaos And Serenity", não conhecia nada de Sailor Moon, mas conversei com ele sobre a história (que é muito densa e detalhada, acho que muita gente não percebe o quão profundo Sailor Moon é) e ele veio com a ideia de uma Deusa da Lua criando e equilibrando o Universo. Bem como Sailor Cosmos faz no final do quinto arco, Stars. A arte casou perfeitamente com a proposta épica de "Seeds Of Chaos And Serenity".

RtM: Vocês pretendem produzir algum clipe ou lyric vídeo? Se sim qual faixa você gostaria de divulgar?
Drake: Existem duas faixas que eu gostaria muito de lançar como single/video. "Kama Sutra", por ser mais direta, envolvente e trazer bastante sensualidade sem deixar de ser rápida e pesada, e "The Birth Of A Goddess". Essa última é minha faixa favorita do álbum por ser uma celebração do orgulho LGBT, uma ode às cores da nossa comunidade e das nossas vitórias na busca por direitos igualitários. Ainda temos muito a lutar, mas o movimento LGBT está conquistando cada dia mais espaço e está na hora desse espaço ser também no Metal!

RtM: Você é o responsável por todas as composições? Conte-nos um pouco sobre o processo de orquestração do álbum.
Drake: "Seeds Of Chaos And Serenity" foi composto em sua maior parte por mim, mas eu tive muita ajuda do Ícaro (bateria/teclados) nos momentos finais da produção e na orquestração, arranjos, polimento em geral das músicas, sem falar na épica e agressiva "Beyond The Witching Hour", que foi quase toda composta por ele. Eu geralmente tenho uma linha vocal na minha cabeça que eu escrevo e começo a compor os outros instrumentos por cima, sei que é basicamente o oposto do que a maior parte das bandas fazem, mas é o que funciona bem pra mim. Como estudei muito sobre orquestração nos últimos anos, tivemos condições de ter quase toda orquestra do "Seeds Of Chaos and Serenity" feita diretamente pela banda.

" 'The Birth Of A Goddess' é minha faixa favorita do álbum por ser uma celebração do orgulho LGBT, uma ode às cores da nossa comunidade e das nossas vitórias na busca por direitos igualitários."
RtM: Aproveitando que você falou do trabalho do Ícaro, em outubro do ano passado vocês o anunciaram como novo membro da banda. Como aconteceu essa parceria? O que foi agregado com a chegada dele?
Drake: O Icaro é um excelente músico, um ótimo amigo e uma pessoa incrível de se trabalhar. Nos conhecemos por uma amiga em comum, trabalhamos algumas músicas em conjunto e foi muito natural que ele entrasse pra Ruins of Elysium. Como ele entrou em um momento em que o "Seeds Of Chaos And Serenity" estava quase todo "montado", não tivemos muitas composições originais dele naquele álbum, o que já está sendo acertado pro próximo! Icaro tem excelentes ideias e elas estão sendo usadas nas músicas que estarão em nosso álbum de 2018, já adianto que são as melhores músicas que fizemos até hoje! Vocês vão adorar!

RtM: “Shadow of the Colossus “ foi inspirado no jogo de vídeo game, você acha que existe algum jogo mais que também tenha um enredo inspirador para uma futura música?
Drake: Nossa, vários! Jogos me inspiram muito pois são minha forma de arte favorita, é meu escape do mundo real que tem estado um verdadeiro lixo. Já tivemos músicas sobre Dragon Quest, Final Fantasy, "Shadow Of  The Colossus" e, para o próximo álbum, uma das músicas é baseada em uma das minhas franquias favoritas, Bayonetta. Zelda, outra de minhas paixões, também inspirou algumas músicas bem épicas que vocês ouvirão em breve. Eu gostaria muito de escrever algo sobre Xenoblade, mas é uma série tão complexa e fantástica que ainda não acho que estou no nível de escrever algo baseado nela, mas espero poder no futuro! Inclusive, Zelda foi uma inspiração pra Iris, que tem um ar de "música tema de castelo", o que foi ideia do Ícaro.

"Alguns dizem que "menos é mais", mas eu, pessoalmente, acredito no "mais é mais" e levo isso à risca com a Ruins Of Elysium!"
RtM: Recentemente você divulgou no Facebook que o material para o próximo álbum já está pronto. O que podemos esperar do novo trabalho da Ruins of Elysium?
Drake: Bom, tenho ótimas notícias sobre isso! O álbum de 2018 já está todo montado e estamos agora na fase de polimento das harmonias, orquestração e em breve vamos iniciar o processo de gravação. São 12 músicas no total e estamos fazendo algo totalmente novo nesse trabalho: uma volta ao mundo musical! A sonoridade está muito mais puxada pro Folk Metal, mas não apenas o céltico já "clichê" do estilo. Sim, teremos umas gaitas de fole e uns duendes dançantes, mas podem esperar instrumentos étnicos japoneses, chineses, escalas típicas do oriente médio, muita percussão africana e ritmos tipicamente brasileiros em conjunto com a grandiosidade monstruosa das músicas da Ruins of Elysium. Alguns dizem que "menos é mais", mas eu, pessoalmente, acredito no "mais é mais" e levo isso à risca com a Ruins Of Elysium!

Entrevista: Raquel de Avelar
Edição: Carlos Garcia

Mais Ruins of Elysium:
Facebook
Youtube
Spotify
iTunes
Bandcamp


     


     


     

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Cellar Darling: Novos Rumos para o Folk Rock


Acredito que muitos fãs do Eluveitie não esperavam quando Merlin Sutter, Ivo Henzi e Anna Murphy anunciaram que estavam saindo da banda e que lançariam um novo projeto musical, o Cellar Darling. No dia 30 de Junho foi lançado via Nuclear Blast o álbum “This is the Sound”, com uma sonoridade bem diferente da antiga banda, agora com Anna assumindo completamente os vocais de todas as músicas, com uma pegada mais pop, mas sem perder alguns elementos Folk/Celtic.

Começando com “Avalanche”, a faixa inicia lentamente e adiciona outros instrumentos conforme a música progride, é uma composição bonita e marcante. “Black Moon” é uma das canções mais fortes do álbum, tendo sido muito bem escolhida para a gravação de um vídeo clipe, apesar de uma composição simples transmite muita paixão. “Challenge” é daquelas músicas que simplesmente ficam presas em sua cabeça, com o título do álbum sendo repetido diversas vezes durante o refrão, aliás essa parece ser uma característica do álbum inteiro, refrões "chicletudos", mas que não chegam a torna-lo enjoativo.


“Hullaballoo” é muito boa, a suavidadedos vocais de Anna contrastando com o peso do arranjo é sensacional. Em “Six Days” parece que a banda tentou experimentar algo realmente novo, a flauta se destaca, sem soar irritante, muito pelo contrário, chega a ser relaxante.

“The Hermit” é bonita e encantadora, com equilíbrio entre a melodia e o peso, me apaixonei instantaneamente. As músicas tem um som diversificado uma das outras, a curta e calma “Water” deixa qualquer um fascinado como se fosse enfeitiçado pelos vocais de Anna. “Fire, Wind & Earth” é uma das minhas músicas favoritas, cheia de energia possui um contraste entre os firmes riffs de Ivo Henzi e a suavidade da voz de Anna, realmente é algo muito bonito de se ouvir. 

Eu não tenho palavras para descrever perfeitamente o impacto que “Rebels” me causou logo na primeira audição, é um casamento perfeito entre a melodia instrumental e os vocais, tenho vontade de ouvir essa música em looping, me fez sentir vontade de me aventurar mais nos sons celtas. Em seguida a deslumbrante “Underthe Oak Tree...” com bastante influência folk, destacando toda a mistura de guitarras pesadas, a bateria, a voz suave e o hurdygurdy de Anna. “...High Above These Crowns” nos leva em uma breve viagem através de seus 2 minutos e 46 segundos.


Mais uma vez fiquei surpresa com a versatilidade sonora do álbum em “Starcrusher”, mais pesada, com alguns vocais mais rasgados, simplesmente quebrou de uma forma muito interessante a tranquilidade da música anterior. Difícil não se apaixonar por “Hedonia”, os vocais de Anna no início nos levam a um a jornada espiritual. Encerrando com a obra-prima “Redemption”, onde toda a beleza da voz de Anna rouba a cena nessa música.

Eu realmente me empolguei ouvindo este álbum, por enquanto arrisco dizer que está na minha lista de melhores álbuns do ano.


É admirável como o Cellar Darling seguiu em frente diante das adversidades e tiveram a coragem de seguir novos rumos musicais, com os músicos ousando fazer um trabalho diferente de sua banda anterior, o Eluveitie. As músicas são muito mais fáceis de digerir, mas ainda assim percebe-se que o resultado é cheio de personalidade. Espero que a banda siga em frente e lance outros trabalhos, pois provaram que potencial o trio tem de sobra. E a boa notícia aos fãs é que o álbum sairá no Brasil via parceria Nuclear Blast e Shinigami Records.

Texto: Raquel de Avelar
Revisão e Edição: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Cellar Darling
Álbum: "This is the Sound" (2017)
Estilo: "Heavy" Folk Rock
País: Suíça
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Line-Up:
Anna Murphy: Vocais e Hurdy-Gurdy
Merlin Sutter: Bateria
Ivo Henzi: Baixo

Tracklist
01. Avalanche 4:08
02. Black Moon 4:12
03. Challenge 3:38
04. Hullaballoo 3:35
05. Six Days 5:49
06. The Hermit 3:15
07. Water 1:54
08. Fire Wind & Earth 4:41
09. Rebels 5:34
10. Under The Oak Tree 4:13
11. High Above These Crowns 2:45
12. Starcrusher 3:20
13. Hedonia 7:28
14. Redemption 5:19

Canais Oficiais:
Site Oficial
Facebook


   

   

segunda-feira, 24 de julho de 2017

The Dead Daisies: Resgatando o Prazer de Ouvir um Álbum ao Vivo



Formado em 2012, na Austrália, pelo guitarrista David Lowy (Red Phenix, Mink) e pelo vocalista Jon Stevens (Noiseworks, INXS), que acabou dando lugar a John Coraby (Mötley Crüe) em 2015, a banda veio sofrendo várias alterações de line-up, mas David sempre teve ao seu lado músicos de talento e reconhecimento, nessa ideia de fazer do seu Dead Daisies um grupo de sucesso, com seu Hard Rock carregado de energia e com influências dos anos 70.
 
O line-up atual, além de Lowy e Corabi, conta com o baixista Marco Mendonza (Thin Lizzy, Whitesnake), o guitar-hero Doug Aldrich (Dio, Whitesnake) e o batera Brian Tichy (Whitesnake, Foreigner, Ozzy), uma turma dessas dá pra chamar de supergrupo! E passo a passo o Dead Daisies começa a ganhar mais notoriedade, principalmente a partir dessa nova formação e do excelente terceiro álbum, "Make Some Noise" e a adição de Doug Aldrich, transformando as apresentações ao vivo ainda mais explosivas, e o que vem sendo o grande trunfo do grupo.


Aproveitando o embalo desse momento de alta, inclusive as bem sucedidas tours como banda de apoio de Kiss e Whitesnake, o The Dead Daisies solta "Live & Louder", álbum que resgata aquele prazer de ouvirmos um disco ao vivo, pois capta toda a energia da banda, e, segundo eles, sem over-dubs ou outras mexidas de estúdio. Realmente, pode até ter uma ou outra mexida, mas que soa autentico soa, inclusive podemos notar pequenas falhas e imperfeições, nos trazendo o clima do show, bem orgânico mesmo e cheio de energia. Recentemente a banda passou por aqui pelo Brasil e outros países da América do Sul, e a Shinigami Records soltou no mercado nacional este ao vivo e o mais recente álbum de estúdio, “Make Some Noise”.

"Live & Louder" traz 16 músicas gravadas durante a tour europeia ano passado, trazendo toda a energia e qualidade do Hard Rock do grupo. Falei da adição de Aldrich, mas Corabi também faz um trabalho espetacular, com sua voz rasgada, com aquele estilo bem clássico, meio bluesy, encaixando perfeito na sonoridade da banda.

Em faixas como a abertura explosiva com “Long Way to Go” e a talhada para apresentações ao vivo, “Make Some Noise”, faixa título do mais recente disco de estúdio, que tem aquela levada indicada para a banda chamar a galera pra cantar junto (assim como em "Join Together"), e é o que eles fazem; o jeitão 70’s se mistura a pegada mais atual e melódica, como em  “Song and a Prayer” e seu refrão irresistível.


Temos a parede sonora e os Wha-Whas de “We all Fall Down”a dobradinha com as baladas "Lock and Load", e seu refrão e melodias grudentas, onde Doug apresenta toda sua classe, e "Something I Said", que traz uma melodias meio Country e Blues; ou a cadenciada  “With you and I”,  ou ainda a veloz e enérgica “Mainline”, são pauladas atrás de pauladas, que não deixam você recuperar o fôlego.

Temos até a tradicional apresentação dos membros da banda, com cada um tendo seu momento, tocando trechos de clássicos como “Highway to Hell”,  “Voodoo Chile” e “Living After Midnight”, e a galera acompanhando! Uma festa!

Temos também as versões explosivas para “Fortunate Son”, do Creedence, onde Doug Aldrich debulha sua guitarra em um solo matador, "We're an American Band" (do Grand Funk, grande versão!) e “Helter Skelter”, o Heavy Metal dos Beatles (também “coverizado” por Mötley Crüe no "Shout at Devil"), numa versão ainda mais pesada (tem espaço até para uma citaçãozinha de Led).



Se você ainda não conhece o trabalho dos caras, está aí uma bela oportunidade de experimentar o Hard Rock enérgico do The Dead Daisies em estado bruto. E se você curte aqueles tradicionais álbuns ao vivo que eram obrigação lá nos anos 70 e 80, tenho certeza que também ficará satisfeito. Uma dose de Hard e Rock and Roll para levantar o ânimo de qualquer um!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: The Dead Daisies
Álbum: "Live & Louder" (2017)
Estilo: Hard Rock, Classic Rock
Selo: AFM/Shinigami Records


Line-Up:
John Corabi: Vocais
David Lowy: Guitarras
Doug Aldrich: Guitarras
Marco Mendonza: Baixo
Brian Tychi: Bateria


Tracklist
1. Long Way To Go 4:47
2. Mexico 5:15
3. Make Some Noise 02:59
4. Song And A Prayer 3:39
5. Fortunate Son 4:01
6. We All Fall Down 3:43
7. Lock ' N' Load 5:12
8. Something I Said 5:19
9. Last Time I Saw The Sun 5:13
10. Join Together 6:30
11. With You And I 5:06
12. Band Intros 5:05
13. Mainline 4:54
14. Helter Skelter 6:57
15. American Band 3:27
16. Midnight Moses 5:31

Canais Oficiais:


   

   

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nervochaos: Imprimindo o Caos!


Em duas décadas regadas a peso e brutalidade, o Nervochaos desembuça a sua lógica como uma das principais instituições do Death Metal brasileiro, algo notório pelo que produziu nos discos lançados nos últimos anos, além de turnês feitas pelos principais continentes. Mas, quem costuma acompanhar a banda, sabe que as mudanças de formação é algo já quase corriqueiro, sendo Edu Lane (bateria), único membro a se manter desde o começo. Com um novo e encorpado line-up, “Nyctophilia”, 7º disco da carreira, chega pra mostrar essa nova metamorfose, estabelecendo coisas novas e mantendo as principais fontes.

Condicionado pelos aspectos clássicos do Death Metal, transposto desde o “Battalions Of Hate” (2010), “Nyctophilia” integra unidades viçosas, reforçando uma sonância sombria e arrastada, buscando experimentar dosagens de Thrash Metal, Doom e Cross-over, e mantendo sempre a pegada brusca que todos já conhecem somado por passagens soturnas. Os novos integrantes: Lauro Nightrealm (vocais e guitarra, ex-Queiron), Cherry (guitarras, Hellsakura e ex-Okotô) e Thiago Anduscias (baixo, ex-Creptum e Amazarak), contribuíram com suas experiências.


O disco também é marcado por ser gravado, pela primeira vez, fora do país, pois partiram pra Itália pra produzir o álbum junto ao produtor Alex Azzali, encarregado também de fazer a mixagem e masterização. E a sonoridade impõem camadas agressivas, tencionada por uma forma clara e sedenta. A capa, criada pelo artista Alcides Burn (Acheron, Headhunter D.C., Iconoclasm), funde em exatos detalhes o que se passa no disco, desenvolvida por um ar bastante sinistro.

Trilhando nuances ora arrastadas, ora obscuras, o Nervochaos não perde a linha com seu Death Metal cheio de energia e garra, entregando um disco com músicas que já fixam em nossa mente, contando com a ajuda e das ideias dos novos membros, que trouxeram novos elementos e influências para a banda, não esquecendo das importantes participações de Sebastian L. (Into Darkness) e Leandro P. (R.N.S), e também do Bolverk (Ragnarok) em “Vampiric Cannibal Goddess”.

Chegando com os 2 pés, “Moloch Rise” atribui elementos tradicionais do grupo, cingida por riffs violentos e variantes; “Ritualistic” acende pontos mais cadenciados, regida pelo peso e brutalidade rítmica. A díspar “Ad Majorem Satanae Gloriam” segue numa linha mais ríspida e azeda, marcada por um refrão pronunciante e sinistro; “Season of theWitch” é digerida pela violência, degradando linhas de Black Metal e vocais alternados, juntando por contornos guturais e rasgados em concordância. Em “Waters of Chaos” e “The Midinight Hunter” possui a marca tradicional da banda, dominada pelo caos infernal e bravio. 


“Rise of the 13 Cemeteries” é permeada por tempos mais rápidos e cativantes, remetendo à fisionomia clássica do Death Metal dos anos 80 e 90; “Vampiric Cannibal Goddess” roteia caminhos lineares, trazendo rapidez e levadas de Thrash Metal; “Stained With Blood”, novamente, é toada de passagens diferentes, com riscas não tão intensas, mas sim arrastadas e sórdidas; “Lord Of Death” passa um ar mais direto, ostentada por um peso abismal nas guitarras; “Dead End” apresenta ligações agastadas e complexas, colocando técnica nas partes rítmicas, principalmente no baixo, encerrando com a eversiva e demolidora “Live Like Suicide”.

Mais uma vez o Nervochaos nos impõem respeito, levando a nos curvar literalmente a este, que é uma das principais lendas do Death Metal nacional.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Nervochaos
Ano: 2017
País: Brasil
Tipo: Death Metal
Gravadora: Cogumelo Records
Assessoria de Imprensa: Metal Media

Formação
Lauro Nightrealm (Vocal/Guitarra)
Cherry (Guitarra)
Thiago Anduscias (Baixo)
Edu Lane (Bateria)

Track-List
1. Moloch Rise
2. Ritualistic
3. Ad Majorem Satanae Gloriam
4. Season of the Witch
5. Waters of Chaos
6. The Midnight Hunter
7. Ritesof 13 Cemeteries
8. Vampiric Cannibal Goddess
9. Stained With Blood
10. Lord Death
11. Dead End
12. World Aborted
13. Live Like Suicide

Contatos

   


   

terça-feira, 18 de julho de 2017

Avatarium: Soando Clássico e Novo ao Mesmo Tempo


 

Essa banda me empolga mais a cada álbum! Nascido da genialidade de Leif Edling (Candlemass), o Avatarium chega ao seu terceiro full-lenght, e a cada novo trabalho, evoluem e podemos dizer que moldou uma personalidade bem própria e marcante. 

Lá em 2012, quando começou a fazer a s primeiras demos, chegando a fazer o convite a Mikael Arkerfeldt (Opeth) para se juntar ao novo projeto, felizmente, devido as agendas, Mikael não pode aceitar. Digo felizmente, porque talvez o Avatarium corresse o risco de se tornar uma banda chata e autoindulgente como a banda titular de Akerfeldt. 

Quando a coisa é para dar certo, o universo conspira, e Marcus Jidell (Soen, Evergrey, Royal Hunt) entrou na jogada, e trouxe sua esposa Jennie-Ann Smith para os vocais. A mistura dos riffs Doom e influências 70's com os elogiáveis dotes vocais de Jennie-Ann fundiram-se em uma alquimia fantástica, trazendo uma sonoridade clássica, mas ao mesmo tempo soando nova!


"Hurricane And Halos", traz uma banda ainda mais livre e criativa, e daquelas que começa a ser difícil rotular. As influências Doom Metal ainda estão presentes em riffs e em momentos de mais peso, como na abertura "Into the Fire/Into the Storm", onde os riffs de guitarra se fundem ao Hammond, trazendo a mente os clássicos Sabbath e Purple.

"The Starless Sleep" vem com timbres 70's e nuances psicodélicas, com absoluto destaque para as linhas vocais e a levada cativante; "Road to Jerusalem" tem um clima meio oriental, com elementos do progressivo setentista, bluesy e folk. Percussões e a guitarra nessa linha bem bluesy dão um clima viajante, destacando mais uma vez as linhas vocais profundas e carregadas de feeling de Jennie-Ann. 

Você vai percebendo que a banda transita por momentos que beiram a genialidade, nessa sua fórmula de criar músicas, que mesmo em peças mais longas e com viagens instrumentais, é de fácil assimilação, justamente pela facilidade em tecer melodias marcantes e empolgantes, e claro, toda a paixão dos vocais de Jennie-Ann. "Medusa Child", com suas intervenções Doom e Progressivas, é banhada com doses de psicodelia, e nos mergulha em uma trip de surpresas, pois estamos envolvidos em riffs Doom e teclados bem 70's, quando de repente entra um coral com vozes de crianças, e depois nos pegamos flutuando em um mar formado pelos teclados, que vai crescendo, até vir a padecer lentamente.


Depois do mergulho em "Medusa Child", somos despertados pela levada dinâmica de "The Sky at the Bottom of the Sea", com o Hammond em destaque ao lado dos riffs de guitarra, tem algo de Uriah Heep, inclusive em algumas linhas melódicas no vocal, que remetem a clássica "Easy Living". Puro 70's soando atual. Grande canção, onde tenho que fazer abrir parênteses para elogiar os riffs e solos de Marcus Jidell, sempre com aquela aura 70's, sem exageros e com muito feeling.

"When Breath Turns to Air" (que Marcus compôs em homenagem ao pai) é uma balada climática e profunda, e como não poderia deixar de ser, com a aura 70's a flor da pele. As guitarras viajantes de Marcus brilham e deixam o espaço para a voz e os teclados também ficarem sob os holofotes nesta melancólica e profunda balada; "A Kiss From the End of the World" começa com um violão folk pra em seguida dar espaço ao peso das guitarras e da cozinha, devidamente acompanhadas pelo Hammond. 


A banda cria climas únicos com suas nuances 70's, Doom Metal e  doses de psicodelia; A instrumental melancólica e viajante "Hurricane and Halos" fecha mais um grande trabalho dos suécos, e me deixou a certeza que é uma das minhas bandas preferidas da atualidade, e uma das melhores coisas que apareceram na cena nos últimos anos.

Avatarium é clássico, viajante, refinado, pesado e traz o frescor criativo e liberdade que a música de hoje precisa, com tantos soando iguais e sem alma. Não sei bem o que eles bebem lá na Suécia, mas poderiam dividir com o resto do mundo, porque é impressionante a quantidade e qualidade da música que vem de lá. E tenho que aplaudir a mão de Leif para compor, sendo que assina 6 das 8 músicas, e a performance irrepreensível de seus companheiros, e um dos grandes diferenciais da banda, Jennie-Ann (e o seu nome me lembra uma de minhas cantoras favoritas, Jenny Haan, do Babe Ruth).

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Avatarium
Álbum: "Hurricane and Halos" 2017
Estilo: Heavy Metal/Hard Rock 70's/Doom Metal
País: Suécia 
Produção: Marcus Jidell
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Mais Avatarium:

 Line-up:
Jennie-Ann Smith: Vocais
Marcus Jidell: Guitarras
Leif Edling: Baixo
Lars Skold: Bateria
Rikard Nilsson: Teclados
Percussões: Michael Blair

Tracklist:
Into the Fire/Into the Storm
The Starless Sleep
Road to Jerusalem
Medusa Child
The Sky at the Bottom of the Sea
When Breath Turns to Air
A Kiss (From the End of the World)
Hurricanes and Halos