domingo, 31 de março de 2019

Ataque ao Fígado V: os portões do inferno se abrem novamente



Era chegado a hora do primeiro show da banda mais old school do Brasil em solo gaúcho, os cariocas do Apokalyptic Raids desembarcam no RS para o Festival “Ataque ao Fígado V” que aconteceu na cidade de São Leopoldo na Embaixada do Rock.


Mas o dia 16/03 não ficou marcado só pela vinda do Apokalyptic Raids, pois tínhamos ainda o show de 35 anos de estrada do Leviaethan e grandes bandas de abertura para enaltecer ainda mais a qualidade do nosso querido underground.

Devido a questões de deslocamento não conseguimos acompanhar os dois primeiros shows da noite, com as bandas Sömbriö e Atomic Roar.


Ao chegar ao local os gaúchos do Leviaethan já se preparavam para sua destruição sonora, e não demora muito para o couro comer sem limites com seu Thrash Metal visceral, apresentando as composições clássicas dos seus dois primeiros álbuns (“Smile” e “Disturbed Mind”) e presenteando os fãs com uma composição inédita. São 35 anos de história que dispensam comentários e apresentações, sempre é bom ver os dinossauros do Metal em forma e mostrando que ainda tem muita lenha para queimar.




Em seguida era chegada a estreia do Apokalyptic Raids no Rio Grande do Sul, trazendo a tour de seu novo álbum, “The Pentagram”, e o que presenciamos foi um show animal, mostrando o porquê de serem uma das bandas mais respeitadas do underground nacional. Uma banda coesa e muito precisa ao vivo, em um setlist que passou por toda sua discografia, mas privilegiando seu novo trabalho, que mantém a mesma qualidade old school e insana dos anteriores. Agitando os presentes tendo mosh, rodas e muita “bateção” de cabeça, não dando espaço para respirar. Um show antológico de uma banda antológica, que voltem o quanto antes!


Algo que gostaria de ressaltar é o pouco público que compareceu nesta edição do “Ataque ao Fígado”, infelizmente uma constante em qualquer evento underground da atualidade, onde os ditos “headbangers” não comparecem e deixam de presenciar shows fantásticos, seja dos grandes ou das bandas novas que surgem e mantêm a chama do som pesado acesa.


Fechando a noite tivemos os gaúchos da Evilcult e o seu Speed/Black Metal no meu melhor estilo Sarcófago e Hellhammer. Mesmo madrugada a dentro seus admiradores ficaram até o final, e proporcionaram mais moshs e rodas insanas, enquanto a Evilcult despeja seu culto maligno de forma empolgante e agressiva, não deixando ninguém parado. Um show que passou dos 40 minutos tendo a participação de Leon Manssur e com os bangers clamando por mais um som ao final da apresentação. Mais um sangue novo na cena, e que mostra que vieram para incendiar e manter o underground ainda mais vivo.



Os portões do inferno se fecham novamente em São Hell e fica o nosso agradecimento a produção do “Ataque ao Fígado”, que nada contra a maré e nos brinda com excelentes bandas de diversas partes do país enaltecendo o Metal old school.


Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Uillian Vargas


sábado, 23 de março de 2019

Saxon: Porto Alegre 13/03 - Finalmente a Águia Pousou no RS!


 A espera foi longa, e depois de algumas expectativas frustradas em anos anteriores, quando shows da lenda britânica Saxon foram cogitados no Rio Grande do Sul, mas infelizmente não se concretizaram, desta vez, em evento promovido pela produtora Abstratti, a águia pousou em solo gaúcho!

Dia 13 de março, e no mesmo dia em que havia um jogo da libertadores no estádio Beira-Rio ( inclusive haviam alguns fãs de camiseta do Inter, pois a paixão pelo Heavy Metal foi maior do que a pelo clube do coração), um Bar Opinião recebeu um excelente público, ávido por finalmente ver Biff Byford e cia no RS, a maioria, provavelmente, assistindo a banda pela primeira vez.

Em um espetáculo onde a banda mostrou toda sua experiência e qualidade, com a parte técnica de som e luz praticamente perfeitos, e com muito gás, pois tiveram dois dias de descanso antes deste show em Porto Alegre, os ingleses levaram os fãs ao êxtase com um set-list recheado de clássicos de várias fases da vasta discografia. Algo que ficou bem evidente é o quanto a banda soa atual, não parou no tempo, e mesmo as canções dos primeiros discos e com aquela levada mais rock and roll soam frescas.


Outro fator que temos que louvar é o tempo que este line-up atual está junto, claro, houve um período em que Nigel esteve afastado devido a problemas de saúde, mas felizmente retornou e segue sendo parte importantíssima da banda. O quinteto tem um entrosamento perfeito, e parecem estar ainda mais afiados. 

Doug Scarratt elevou a qualidade do grupo no quesito guitarrístico, e Nibbs é uma usina de energia, o cara não para um segundo de agitar. E a dupla Biff e Paul Quinn (que naquele dia havia recebido a notícia do falecimento de seu pai), membros fundadores, são verdadeiras lendas. Biff cantando muito bem, e com experiência, dosa sua voz de forma a ter uma performance em alto nível por quase duas horas de show! Quinn, com seu estilo comedido de sempre, mas com a mesma classe e carisma.


Momentos altos não faltaram, com Biff incentivando a plateia a interagir a todo momento, sem precisar muito esforço, pois o público estava muito empolgado, e com a atuação irreparável e enérgica da banda, foi uma simbiose imediata, com todos respondendo aos chamados do vocalista, cantando os refrãos e até entregando alguns discos para Biff autografar.

A faixa título do álbum mais recente, "Thunderbolt", iniciou já o show de forma explosiva, acendendo o público aos primeiros acordes! Emendam logo em seguida "Sacrifice", faixa título do álbum de 2013, mantendo o nível de energia no pico. Duas músicas que ilustram muito bem o que eu falei a respeito da banda não ter parado no tempo.


Logo em seguida, se já não era emoção suficiente, muitos fãs mais "veteranos" (me incluo aí também) certamente foram as lágrimas com "Wheels of Steel" e "Strong Arm of the Law", hinos da fase dos anos 80, e que possuem aquela pegada mais rock n' roll e completando "Denim and Leather", outro clássico que foi cantando a plenos pulmões. Mais uma da fase mais atual, "Battering Ram" vem em seguida, elevando ainda mais o nível de adrenalina. Em uma postura absolutamente perfeita de palco, Biff interagia a todo momento com o público, que respondia prontamente ao menos gesto do icônico vocalista.

Por falar em emoção, certamente a próxima canção quando anunciada também levou muitos às lágrimas, "Frozen Rainbow", baladaça carregada de emoção! Um dos tantos pontos altos. A esta altura, já se notava que todos ali estavam cientes que presenciavam um dos melhores shows da sua vida. Uma banda lendária, um line-up, muito entrosado e com certeza o melhor da história do grupo, sem desmerecer a contribuição dos membros anteriores.


Do "Thunderbolt" tivemos somente mais a "They Played Rock n' Roll", que Biff fez questão de ressaltar, é em homenagem à Lemmy e o Motörhead, e logo após a paulada "Power and Glory".

Chegou um momento em que Biff perguntou ao público o que eles gostariam de ouvir, mastigou o set-list, e iniciou uma votação, e aí acabaram entrando alguns outros clássicos ao invés de músicas de álbuns das fases mais pesadas e atuais, como a ótima "Dogs of War", mas em compensação tivemos "Broken Heroes", confesso que eu esperava muito ouvir essa ao vivo, e estava na expectativa, pois eles vinham tocando ela novamente em alguns shows! Grande momento! E ainda, dessa pegada mais "Hard", tivemos a ótima "Ride Like the Wind", também muito pedida pelos fãs.


Mas tinha ainda muito mais, fomos presenteados todos com um set-list magnífico, pois com tantos clássicos e como a banda seguiu produzindo muito, e com qualidade, é aquele típico show que sempre alguém vai comentar "ah, poderiam ter tocado tal música". Destaco ainda como grandes momentos, entre tantos desta grande noite a "Motorcycle Man" e  "747 (Strangers in the Night)", mais umas daquelas de arrancar lágrimas dos fãs mais antigos. E o que dizer da emoção e o estado de euforia com os riffs iniciais de Paul Quinn, que anunciavam "And The Bands Played On"? Demais! Aí você vê a importância da trinca de álbuns clássicos "Wheels of Steel", "Denim and Leather" e "Strong Arm of the Law", pela quantidade de músicas desses discos que entram nos set-lists.


Chegando perto, infelizmente, do fim do espetáculo, depois do tradicional "falso final" com a épica "Crusader", música título de um dos mais aclamados álbuns da banda - e com certeza uma das mais belas capas - os ingleses retornam para o encore final com "Heavy Metal Thunder", "Never Surrender" e fechando com "Princess of the Night", esta já era esperada para fechar a grande noite, e que em meio a tantos clássicos, é obrigatória!

A banda foi demoradamente ovacionada pela plateia, sobrando ainda um tempinho para que alguns conseguissem pegar ainda alguns autógrafos, palhetas e baquetas, ou simplesmente trocar um aperto de mão com seus ídolos, agradecendo pelo legado de mais de 40 anos de Heavy Metal, pela humildade e respeito aos fãs, e claro, por darem tudo de si no palco, proporcionando uma noite inesquecível.


Para os que teimaram em não ir embora logo, foram surpreendidos com Nibbs Carter e Doug Scarratt, que desceram até onde estava um grupo de fãs para tirar fotos, autografar ou simplesmente trocar algumas palavras e receber abraços e apertos de mão de um público muito satisfeito com a noite mágica, presenciando uma lenda do Heavy Metal mundial. Finalizando, nota máxima à produtora, tornando praxe a ótima organização e grandes eventos.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Diogo Nunes
Promotora: Abstratti
Local: Bar Opinião - Porto Alegre RS

Saxon Site Oficial


Set-list inicial, que depois foi mastigado por Biff!

Set-List:
Thunderbolt
Sacrifice
Wheels of Steel
Strong Arm of the Law
Denim and Leather
Battering Ram
Fronzen Rainbow
Backs to the Wall
They Played Rock and Roll
Power and Glory
Ride like the Wind
Broken Heroes
Motorcycle Man
747
And the Bands Played On
Lion Heart
To Hell and Back Again
Dallas 1 PM
Crusader


ENCORE
Heavy Metal Thunder
Never Surrender
Princess of the Night


segunda-feira, 18 de março de 2019

Queiron: Qualidade e o Peso da Experiência



Em matéria de Metal Extremo o Brasil merece um lugar alto no pódio, e com certeza se tivéssemos, estrutura e suporte que as bandas europeias possuem, ou pelo menos algo próximo, muitos nomes mais estariam figurando entre os nomes mais venerados do estilo.

Formado em 1994, na cidade de Capivari (SP), o Queiron é um destes nomes que está há muito tempo pronto para disputar um espaço de maior destaque. Com sua sonoridade inspirada nos nomes clássicos do estilo, mas também nas raízes, ou seja o Heavy Metal tradicional, o grupo lançou recentemente, via Heavy Metal Rock, seu mais novo trabalho, "Endless Potential of a Renegade Vanguard".

A brutalidade, velocidade e blast-beats, além dos vocais guturais, são características óbvias ao estilo, porém o Queiron faz isso com maestria e muito boa técnica, mixando entre esse turbilhão sonoro, influências do Metal tradicional e incursões de melodias marcantes. Sim, não bastam baterias e riffs velozes, é preciso competência e experiência para forjar Metal Extremo com qualidade e não ficar no limbo do lugar comum.


Descrevo a seguir apenas um pouco mais do que você, ouvinte, encontrará no álbum, e "Impera Caedes" é brutalidade pura, abrindo o trabalho metralhando os ouvidos com o Death Metal brutal, veloz e técnico da banda; entre riffs cortantes e velozes e blast-beats temos um dos destaques, "Denial Upon the Heavenly Scorn", onde também temos mudanças de tempo e variações excelentes, em riffs que passam por sonoridades mais orientais ao Heavy Metal clássico.

"Iussu Caelest Negabut" dá alguns momentos de alento e trégua, mostrando o poder criativo da banda, que mostra que nunca para de evoluir com a poderosa e caótica faixa título “Endless Potential Of A Renegade Vanguard”.

Peso, agressividade, velocidade, mas com muito bom domínio técnico e nuances das raízes clássicas do Heavy Metal, além de uma produção muito bem feita, tornam "Endless Potential..." em um petardo obrigatório aos fãs de Death Metal e corroboram o que já sabemos há tempos, que o Brasil é um dos maiores celeiros do Metal.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Queiron
Álbum: “Endless Potential Of A Renegade Vanguard”
País: Brasil
Estilo: Death Metal, Brutal Death
Selo: Heavy Metal Rock


Line-up:
Marcelo Grous – Vocals, Guitars
Oscar M. Vision – Drums
Luciano Fernandes - Guitars
Luís Hellthorn - Bass

Tracklist:
01 – Imperia Caedes
02 – Pestis Pain
03 – Denial Upon The Heavenly Scorn
04 – Iussu Caelest Negabunt ( instrumental )
05 – Misleading Mission
06 – King Of Damned Proclamation
07 – Unholy Perverse Rapture
08 – Tombs I Desecrate
09 – Endless Potential Of A Renegade Vanguard


       

sexta-feira, 15 de março de 2019

Ladies In Black: o underground vive e resistirá!



Se no dia 08 de março se comemora a data histórica do dia mundial da mulher, nada melhor que a cena gaúcha underground prestar sua homenagem. Foi exatamente o que presenciamos sábado passado (09/03) na tradicional Embaixada do Rock em São Leopoldo/RS, no “Ladies In Black” capitaneado pela lenda do underground nacional, Flávio Soares (Leviaethan).

Quatro bandas onde em todas tinham pelo menos uma integrante mulher, mostrando a força das meninas no Heavy Metal.


Para incendiar a noite que iria madrugada a dentro, tivemos o grande show da Soul Torment, que tem em sua frente a vocalista Deisi Wolff, onde apresentam um Thrash Metal com pitadas mais extremadas de alto nível, não deixando os bangers parados, já que a “pauleira” comeu solta em seu setlist composto por suas composições autorais. Tendo como destaque a primeira faixa em português “A Praga do Mundo”, apresentando todo seu potencial em um grupo que tem muita experiência de palco e com ótima presença, faltando apenas o lançamento do seu Debut para brindar está ótima fase.




Seguindo a frenética noite era hora da Psycophobia com seu Death/Black Metal old school, sem frescuras e extremamente direto tendo em suas lacunas Évora Morgana (guitarra) uma das percussoras do Heavy Metal no Brasil. Sem enrolação e delongas após uma pequena passagem de som, a Psycophobia despeja toda sua podridão e agressividade no público, não dando espaço para respirar e jogando seu arsenal autoral um atrás do outro, levando os bangers aos primeiros moshpits da noite. Um show correto e incessante.



Algo que vale sempre ressaltar, mas não como crítica negativa, mas sim construtiva é a qualidade de som que a Embaixada apresenta, que varia muito entre o bom e o médio. Pois em certos momentos as bandas sentiram certa dificuldade com este quesito e como estamos falando de um dos principais redutos do underground gaúcho, esse upgrade poderia ser dado, assim como na estrutura com melhor acessibilidade.


Seguindo o baile metálico tivemos a estreia das caxienses da Hatomic, quarteto feminino desembarcando pela primeira vez na região metropolitana de Porto Alegre. Empolgando os presentes com uma série de covers muito bem executados, variando entre: Sepultura, Metallica, Pantera e etc. Mas a grande surpresa da noite foi a composição autoral do quarteto, “Disorder”, mostrando o sangue novo da cena gaúcha com um poderio sonoro de muita qualidade com um Heavy Metal agressivo e diversificado. Claro que aquele cozimento de palco ainda é preciso, mas no que se propõem estão de parabéns e mostram que o futuro é promissor.




Fechando os portões do inferno um dos trios mais infernais do Brasil, Losna e seu Thrash Metal mais que gabaritado, tendo Fernanda (baixo/vocal) e Débora (guitarra) a sua frente, completando a destruição com o monstro Marcelo na bateria. Falar da Losna e sua qualidade é chover no molhado, um show empolgante, visceral e com uma banda soltando fogo pelas ventas, nos enchendo de orgulho e escancarando que os mais antigos ainda têm muita lenha para queimar. A presença de palco de Fernanda e Débora impressionam, assim como a técnica apurada de Marcelo. Uma apresentação monstruosa deixando os presentes inquietos e agitando até o último minuto.



Mais uma grande noite chegava ao fim em São Hell, onde o underground vive e não morrerá!

Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Indy Witch

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Tuatha de Danann: "Queremos nos manter relevantes e capazes de nos desafiar"



O Tuatha de Danann surgiu em Varginha, Minas Gerais, em 1994, ainda sob o nome Pendragon, mudando para o nome atual pouco tempo depois, pois procuravam algo que melhor se encaixava às inspirações do grupo na música e culturas celta. Tuatha de Danann era o povo da deusa Danu, raça de seres encantados da Irlanda mítica. A banda foi forjando uma identidade musical muito forte e original, mesclando o Heavy Metal às nuances celtas, folk e medievais, além de outros ingredientes. O certo é que no Tuatha de Danann a liberdade criativa é a palavra de ordem.  (Read the english version)

Com seis trabalhos de estúdio lançados, sem contar a regravação de 2016 do primeiro EP, o Tuatha de Danann sempre se colocou entre as principais e mais originais bandas do cenário brasileiro, inclusive conquistando muitos fãs e bons resultados em diversos países da Europa, tendo se apresentado no Wacken em 2005, durante a divulgação de "Trova di Danu" (2004), álbum lançado por um grande selo, e que alçou a banda a um patamar maior, inclusive proporcionando a gravação do DVD acústico "Acoustic Live" (2009), porém alguns desgastes, atrasos e descumprimentos de prazos pela gravadora, além de outros fatores, levaram a dissolução da banda em 2010.

Mas em 2013 a banda retorna disposta a recuperar o tempo perdido, e lançam em 2015 o elogiado "Dawn of a New Sun". Agora em 2019 o Tuatha de Danann apresenta seu álbum mais diversificado, "The Tribes of Witching Souls", trazendo as características marcantes de sua sonoridade, como as melodias celtas e medievais, canções com climas festivos e empolgantes, mas também com temáticas mais sérias e atuais, e até fatos históricos de Minas Gerais.


Conversamos com o fundador, vocalista e multi-instrumentista Bruno Maia para saber um pouco mais sobre o novo álbum, a parceria com Martin Walkyer (Ex-Skyclad), o posicionamento firme da banda contra injustiças, ganância, racismo, e fascismo, ou seja, elementos tóxicos que têm crescido preocupantemente. Confira!


Road to Metal: Para começar, gostaria que você falasse a respeito da atual fase da banda, desde o retorno com “Dawn of a New Sun” após um hiato, e agora com este novo trabalho, “The Tribes of Witching Souls”. Gostaria que você falasse sobre o que aquele hiato e as mudanças na formação representaram para a banda. 
Bruno Maia: Houve um hiato de 3 anos sem banda. Isso foi de dezembro de 2010 até meados de 2013. Voltamos em 2013 para alguns shows esporádicos e daí lançamos o “Dawn” em 2015. O “Dawn” foi um disco que gostei demais de fazer e lançar, pois pessoalmente meus últimos 2 lançamentos até o “Dawn” tinham sido bem complexos, bem progressivos, que foram o disco do Braia e do Kernunna, e o “Dawn” veio mais direto, sem tanta viagem, do jeito que precisava. Adoro esse disco e o som dele. Depois disso, lançamos em 2016 uma nova versão de nosso primeiro disco, daí o guitarrista saiu em 2017, e em 2018, bem no início do ano, foi a vez do Rodrigo baterista; ambos saíram por conta própria e nós, nunca pensamos em parar.  


RtM: Vocês seguiram então somente com 3 membros oficiais.
Bruno: Hoje, de membros fundadores estou eu e o Giovani na formação, já o Edgard está conosco oficialmente há apenas 15 anos e nosso relacionamento é muito legal, positivo e sem fissuras. Temos todo o clima e amizade necessários para continuar com o Tuatha por muito tempo ainda e pra mim, sinceramente, a banda vive um ótimo momento repleto de leveza, vontade e positividade. As coisas não acontecem por acaso, foi necessário isso tudo acontecer pra banda estar aqui ainda e o fato de termos lançado um trabalho novo com tanta relevância agora é a prova disso que falo.


RtM; Você  já vinha falando que este novo álbum seria o mais diversificado da banda. Algo que percebi foi uma atmosfera mais “séria”, digamos, com menos temas fantástico e “festivos”. Quais elementos você acredita que são os mais diferentes e surpreendentes que o ouvinte vai encontrar?
Bruno: O disco é bem diversificado mesmo, pode sacar que as músicas não tem nada a ver uma com a outra, mas todas carregam um elemento Tuatha. Temos uma carga identitária muito forte que foi moldada ao longo dos anos, uma marca composicional que possuímos que só o Tuatha tem, ou no máximo alguma coisa do Braia ou Kernunna. Os elementos mais festivos e alto astral você encontrará apenas na faixa título (talvez até demais, uma vez que essa música é uma das mais positivas e pra cima que já ouvi), já as outras tem elementos diversos que vêm de fontes variadas de inspiração.

"O motivo de continuarmos a criar é ser relevantes pra nós mesmos e nossa música ser capaz de nos desafiar e encantar."
RtM: O Tuatha é uma daquelas bandas que possuem uma sonoridade própria, algo difícil, principalmente em tempos atuais, e também, acredito, proporciona uma liberdade musical ampla, permitindo ousar, e neste álbum ficou demonstrada ainda mais essa liberdade, e a sensação de que a banda pode ir ainda muito mais além. Gostaria que você comentasse a respeito.
Bruno: Que legal você captar isso! É gratificante que alguém fora do núcleo criador perceba isso e aponte. Mas eu acredito que este é o motivo e o porquê de continuarmos a fazer música: ser relevantes pra nós mesmos e nossa música ser capaz de nos desafiar e encantar ainda. Não faria sentido fazer o mesmo som sempre. E o mais legal é que conseguimos isso sem abandonar nossos elementos próprios e tão característicos. Creio que estamos vestidos de nós mesmos e sem medo de seguir adiante.


RtM: Sim, justamente, se o músico não buscar se desafiar, ousar, acredito que, tanto ele como o público perderão o interesse! Bom, você já citou antes a faixa título, que também foi o primeiro single, e ela trouxe os elementos já familiares aos fãs da banda, uma típica música do Tuatha. Vocês escolheram já a canção principal justamente por isso? Gostaria também que você falasse um pouco mais sobre ela.
Bruno: Exatamente, a “Tribes…” foi lançada primeiro até pra galera que nos acompanha sacar que a banda continuava firme e forte. Esse som é um trem 100% Tuatha de Danann . . . ela tem a levada típica de nossas aberturas de disco, o clima pra cima, com abafadas legais de guitarra, uma melodia bem Beatles e os temas celtas perpassando toda a canção. Sem contar com a participação dos duendes e tudo mais. 


RtM: Já o segundo single, “Your Wall Shall Fall”, traz elementos diferentes, tratando um tema bem atual e forte, saindo das temáticas mais fantasiosas. E tem um convidado bem especial, Martin Walkyier, ex-Skyclad, e grande influência do Tuatha. Gostaria que você falasse um pouco mais a respeito dessa canção e claro, da participação do Martin.
Bruno: Cara, essa música a gente tinha feito em 2017, da última vez que ele esteve aqui no Brasil, mas ele nunca ficava satisfeito com a letra, sempre a mudava, o que foi, inclusive, um dos motivos desse lançamento atrasar . . . MAS, é uma canção muito forte, muito pesada e direta, se comparada a outras do Tuatha de Danann, e a letra do Martin é fabulosa, como sempre. A gente ficou muito amigo ao longo dos anos e ficou muito natural as participações. Hoje em dia soa natural, mas há 15 anos isso  (ser parceiro do Martin) seria um sonho. Um sonho alcançado!


"Creio que estamos vestidos de nós mesmos e sem medo de seguir adiante."
RtM: O vídeo para essa música também ficou muito legal, inclusive houve uma campanha da banda para que os fãs, admiradores e amigos enviassem vídeos, os quais alguns seriam usados na edição do clipe. Fale-nos mais a respeito dessa ideia e sua avaliação sobre o resultado final, e se as reações, ao vídeo e canção, foram os esperados.
Bruno: Foi muito legal essa coisa! Foi ideia do próprio Martin, pois pessoas de qualquer lugar do mundo poderiam comprar essa ideia. A letra, embora faça alusões ao “famigerado” muro do Trump, questiona a ganância, a tirania do mercado, os governos autoritários, beligerantes e critica  tudo que divide e oprime o ser humano. É um tema anti tirania e fascismo. Gente dos EUA, Irlanda, Rússia, França, México e vários outros locais enviaram vídeo.


RtM: Aproveitando o tema, parabéns a você e a banda por tocar em assuntos mais delicados, e por posicionamento importante em momento complicado, tanto da humanidade em geral, quanto no nosso país. E gostaria de saber sua opinião quanto ao papel dos músicos, mesmo sofrendo críticas de algumas pessoas, em mostrar um posicionamento claro e firme contra injustiças e desigualdades sociais.
Bruno: O mundo inteiro está experimentando um tipo de guinada à direita e à violência (seja esta no nível discursivo ou físico). Não é só aqui no Brasil, infelizmente. Vivemos numa época que, em teoria, é a que mais temos acesso a informação, a conteúdos, a obras inteiras, trabalhos científicos de universidades do mundo todo e que, mesmo assim, sinistramente, existe muita gente que se informa pelo telefone através de vídeos ou memes quaisquer produzidos por sabe-se lá quem, sabe-se lá por quais motivos e sabe-se lá financiado por quem. 

Aqui no Brasil a coisa ficou tão noia que há muitos  seguidores de astrólogos, de músicos crentes frustrados, tem gente que acha que tortura é algo besta, que é coisa pouca. Muita gente relativizando a desumanidade, a crueldade e a ternura. Quanto ao papel do músico, não acho que ninguém é obrigado a fazer música ativista ou política, mas acho de uma contraditoriedade  doente o tal do headbanger conservador.


RtM: Prosseguindo com os temas do álbum, “Conjura” é uma de minhas preferidas, e traz uma tema histórico, sobre a Inconfidência Mineira. Gostaria que você comentasse mais a respeito dessa canção e a ideia de falar sobre esse tema.
Bruno: Pois é, pode soar como uma grande e fabulosa quimera, uma banda brasileira que canta em inglês, tem um nome celta, influências da música tradicional irlandesa tratar de um assunto tão brasileiro em uma canção. Mas é isso! Eu sou um estudioso da história de Minas Gerais, seu período colonial, seu povoamento e formação sobre vários aspectos. Somos de Minas Gerais e temos uma história muito peculiar aqui no estado graças aos achados do ouro e de diamantes. A chamada Febre do Ouro fez com que Minas efetuasse a maior migração de gente da Europa pra cá, todo mundo atrás do enriquecimento rápido pelo ouro e pedras preciosas. 

Os europeus e sertanistas  enfrentaram serras altíssimas, feras desconhecidas, índios ferozes e muitas outras adversidades pra encontrar seus tesouros nas bandas de cá; eram aventureiros destemidos e gananciosos, muitas vezes fugidos ou exilados de Portugal. Somou-se a este ideário da riqueza rápida um número absurdo de escravos trazidos da África e todos os horrores da escravidão, a alta religiosidade dos jesuítas e das irmandades e ainda o despotismos de régulos donos do sertão. Pronto! Temos todos os ingredientes pra mais sangrenta e estranha história possível. Minas viveu um período que faria os faroestes americanos parecerem Ursinhos Puff. (Muito boa! hahaha)




RtM: Um tema muito Rico!
Bruno: Quero ainda, um dia, fazer um disco conceitual sobre este épico mineiro, vamos ver! Sobre a “Conjura”, queríamos de alguma  forma tratar desse movimento rebelde que vivemos no final do século XVIII, que ficou conhecido como a Inconfidência Mineira e que teve como mártir o alferes Silva Xavier, Tiradentes, que foi o único executado e teve seus membros espalhados pelo Caminho Novo da Estrada Real. Essa conjuração mineira é ainda muito estudada e vem sido desvendada ano a ano pela Historiografia. Não se tratou apenas de, como muito se falou, de uma  “Revolução dos Poetas”;  foi, sim,  um movimento heterogêneo e importante que reuniu intelectuais ilustrados (alguns poetas de renome e talento), fazendeiros, militares, homens poderosos e alguns desgraçados que vieram a trair o movimento como a hoje tão celebrada “Delação Premiada”, que pretendiam uma revolução anti colonialista e republicana, livrar a colônia da metrópole. Infelizmente essa tema nos soa atual, pois vemos o país se sublevando a interesses do IMPÉRIO e entregando suas riquezas, energia e muito do setor estratégico ao capital internacional e mesmo a governos imperiais.



RtM: “Turn” foi uma das que achei mais novidades com relação à suas composições anteriores, e é uma ótima canção, trazendo uma atmosfera mais suave, melodiosa, elementos Folk/Pop, que também percebi no projeto Auri, do Tuomas Holopainen e Troy Donockley. A letra também é muito bonita “Esta vida é uma tela em preto e branco, e cabe a você preenche-la com cores que você gosta...”, e o refrão fala em “Construir novas pontes fora das muralhas”. Nos fale um pouco mais a respeito dessa canção e sobre a letra dela.
Bruno: Eu não conheço esse som que você citou, embora conheça os caras. A “Turn” é uma peça diferenciada dentro do nosso cancioneiro, ela tem um groove bem empolgante, uns elementos talvez “pop” como você disse, mas tem seu peso também. A letra trata mais da omissão de que muitas vezes nos deixamos dominar, sabe? Quando não tomamos partido ou quando deixamos o lado mau vencer e preferimos não nos envolver. Muitas vezes o mal acontece porque o bom não se manifestou, e outras vezes, por achar que não precisamos nos envolver um fato isolado pode crescer em escala e se tornar situação. Acho que a letra  trata disso, ter de  pensar mais, não ser pensado por outros e não sermos omissos, conformados e permissivos.


RtM: “Warrior Queen” soa épica e dramática, com as melodias de flauta e bandolim em destaque, me transportou para uma cena da série Vikings! Ha ha! Conte-nos um pouco mais sobre essa faixa e as inspirações para compô-la.
Bruno: Essa aí foi a última música a entrar no disco. Um amigo queria uma trilha pra uma lutadora de MMA e queria algo bem bélico, medieval, celta, viking, essas coisas. Eu brinquei com ele mostrando um amontoado de clichês e ele adorou….daí eu me convenci que podia ficar legal sim se trabalhasse melhor essa inspiração que me veio meio que de brincadeira….deu no que deu. A letra é inspirada em grandes guerreiras e rainhas guerreiras celtas, como a Boudicca. É uma letra que enaltece a bravura de muitas mulheres, sua dignidade e protagonismo.



RtM: “Outcry”, originalmente gravada no "Dawn of a New Sun", ganhou uma versão mais folk/medieval, e pelo que pude ouvir, acredito que seja, se não 100%, quase totalmente acústica. E que pegada e força nas melodias marcantes e refrão!
Bruno: Adoramos fazer essa versão da Outcry, ficou bem folk mesmo! A letra, infelizmente, é um retrato do Brasil desde a época das descobertas até hoje em dia com essa situação colonial e de entrega ao capital estrangeiro que começou com Pau Brasil, Cana de Açucar, Ouro/Diamante, Café até chegar hoje em dia com o capital estrangeiro por trás das movimentações financeiras e nossos tesouros privatizados, vimos Mariana, Brumadinho e deve vir mais por aí, pois a mentalidade do capital é essa, a rapina: leva-se o lucro e deixa a miséria.


RtM: Outra que aparece em nova versão é “Tan Pinga Ra Tan” (gravada no álbum "Tingaralatingadun" de 2001), com arranjos orquestrais ficou com uma atmosfera incrível. Você teve a intenção de dar uma nova vida a esta importante canção?
Bruno: "Tan Pinga Ra Tan" (N. do R.: a terra da alegria e dos prazeres, criação do Tuatha, baseada nas mitologias que os inpiram) é uma de nossas músicas mais cantadas e queridas. Ela tem uma linda melodia que é forte e parece ser a trilha de um sonho. Queríamos abordá-la de uma outra forma e ficou muito legal assim.


RtM: E como você tem sentido as primeiras reações do público à novas canções nesses primeiros shows da tour?
Bruno: Cara, as pessoas que compraram o disco e falaram conosco tem gostado muito. Até agora as criticas tem sido bem positivas e melhor, eles apontam esses novidades que colocamos nas músicas como potências….Tá demais!!!

"Enquanto tiver gente respondendo a nossa música teremos estímulo pra continuar."
RtM: Finalizando, diga-nos quais as expectativas para este ano e o que vocês almejam para a banda, que possui as qualidades suficientes para alcançar um público maior mundialmente. Você acredita que tenham perdido um pouco de tempo também com o hiato até o lançamento de “Dawn of a New Sun”?
Bruno: Com certeza, ficamos muito tempo sem lançar nada novo. Em 2004, lançamos o “Trova di Danú”. Porém, se bobear, dados os problemas que tivemos com a gravadora naquele ano, o disco foi lançado mesmo  em 2005. Depois disso, lançamos o DVD acústico em 2009, o que foi muito massa até por sermos, acredito, a primeira banda brasileira de Metal a lançar um DVD acústico oficial.

Sofremos muito com atrasos de selos àquela época, o que acabou nos desmotivando, a mim principalmente, tanto que me fez lançar um disco solo ainda em 2007. Somou-se a a isso problemas internos e pessoais, e a banda parou em 2010 quando eu saí no fim do ano. Voltamos pouco tempo depois, mas foi sim muito tempo perdido. Sobre conquistar público maior mundo afora, esperamos que sim. Ávidos e cheios de vontade nós estamos, nunca foi tão legal o clima na banda e isso nos motiva a seguir em frente . . . enquanto tiver gente respondendo a nossa música teremos estímulo pra continuar.

Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Arquivo da banda

Line-Up:
Bruno Maia - vocais, flauta, guitarra, bandolim
Giovani Gomes - baixo, vocais
Edgard Britto - teclados 


Discografia:

2001 - Tingaralatingadun
2002 - The Delirium has Just Began
2004 - Trova di Danú
2015 - Dawn of a New Sun
2019 - The Tribes of Witching Souls
EPs
1999 - Tuatha de Danann
2016 - Tuatha de Danann (Relançamento do EP com 6 faixas bônus regravadas)
DVDs
2009 – Acoustic Live
Demos
1995 - The Last Pendragon (Primeira demo, lançada quando a banda se chamava Pendragon)
1998 - Faeryage (Segunda demo, agora com o nome 'Tuatha de Danann')

O álbum "The Tribe of Witching Souls" pode ser adquirido nos links abaixo:
Heavy Metal Rock Label/Store
Site Oficial da Banda
CD Baby
Die Hard Store


       


         


       


     




(Interview) Tuatha de Danann: Brazilian Celtic Dwarves Are Coming Back!



The brazilian band Tuatha de Danann appeared in Varginha, Minas Gerais, in 1994, still under the name Pendragon, changing to the present name, because they looked for something that better fit to the inspirations of the group in Celtic music and cultures. Tuatha de Danann was the people of the goddess Danu, race of enchanted beings of mythical Ireland. The band was forging a very strong and original musical identity, mixing Heavy Metal with Celtic, folk and medieval nuances, as well as other ingredients. The truth is that in the Tuatha of Danann creative freedom is the watchword. (Leia a versão em português)

With six studio works released, not counting the re-recording of the first EP in 2016, Tuatha de Danann has always been among the most original and original bands in the Brazilian scene, including winning many fans and good results in several European countries. Presented at Wacken in 2005, during the release of "Trova di Danu" (2004), album released by a great label, and that raised the band to a higher level, including providing the recording of the acoustic DVD "Acoustic Live" (2009) But delays and lack of deadlines for the label, internal issues and other factors, led to the dissolution of the band in 2010.

But in 2013 the band returns willing to make up for lost time, and they launch in 2015 the praised "Dawn of a New Sun". Now in 2019 Tuatha of Danann presents their most diverse album, "The Tribes of Witching Souls", bringing the remarkable characteristics of its sonority, such as Celtic and medieval melodies, songs with festive, triping and exciting climates, but also with more serious and current themes, and even historical facts of the state of Minas Gerais.

We have talked with founder, vocalist and multi-instrumentalist Bruno Maia to know more about the new album, the partnership with Martin Walkyer (Ex-Skyclad), the band's firm stance against injustice, greed, racism, and fascism, toxic elements that has grown worryingly. Check out!


Road to Metal: To begin with, I'd like you to talk about the current phase of the band, since returning with "Dawn of a New Sun" after a hiatus, and now with this new work, "The Tribes of Witching Souls." I would like you to talk about what that hiatus and the changes in the line-up represented for the band.
Bruno Maia: There was a 3 year hiatus without a band. That was from December 2010 until mid 2013. We came back in 2013 for some sporadic shows and then we released "Dawn of a New Sun" in 2015. "Dawn" was a record that I enjoyed doing and releasing, because personally my last 2 releases until the "Dawn" had been very complex, very progressive, which were the disc of Braia (Bruno's solo album) and Kernunna (project with Tuatha's former members), and "Dawn" came more direct, without so much "triping sounds", as it needed. I love this record and the sound of it. After that, in 2016 we released a new version of our first album, from which the guitarist left in 2017, and in 2018, well at the beginning of the year, it was the turn of Rodrigo, the drummer; both left on their own and we never thought about stopping.


RtM: You followed then only with 3 official members.
Bruno: Today, of founding members, Giovani and I are in the line-up, Edgard has been with us officially for only 15 years and our relationship is very cool, positive and without cracks. We have all the atmosphere and friendship necessary to continue with the Tuatha for a long time still and for me, sincerely, the band lives a great moment full of lightness, will and positivity. Things do not happen by chance, it had to happen so the band was still here, and the fact that we launched a new album with so much relevance is now proof of that.


RtM; You've been saying that this new album would be the most diversified of the band. Something I noticed was a more "serious" atmosphere, let's say, with less fantastic and "festive" themes. What elements do you believe are the most different and amazing that the listener will find?
Bruno: The album is very diversified, you can say that the songs have nothing to do with each other, but they all carry Tuatha's elements. We have a very strong identity load that has been shaped over the years, a compositional brand that we possess that only the Tuatha has, or at most something of Braia or Kernunna. The most festive and high-spirited elements you will find only in the title track (maybe even too much, since this song is one of the most positive and up-to-date I've heard), while the others have diverse elements that come from varied sources of inspiration.


"We want to be relevant to ourselves and our music."
RtM: Tuatha is one of those bands that have their own sonority, something difficult, especially in current times, and also, I believe, provides a broad musical freedom, allowing for daring, and in this album this freedom was demonstrated even more, and the sensation of that the band can go even further. I'd like you to comment on that.
Bruno: How cool of you to catch that! It is gratifying that someone outside the creative core realizes this and points. But I believe that this is the reason and why we continue to make music: to be relevant to ourselves and our music to be able to challenge and still enchant us. It would not make sense to make the same sound forever. And the cool thing is that we have achieved this without abandoning our own characteristic elements. I believe we are clothed of ourselves and not afraid to move on.


RtM: Yes, exactly, if the musician does not seek to challenge himself, dare, I believe that both he and the public will lose interest! Well, you've already quoted the title track, which was also the first single, and it brought the elements already familiar to the band's fans, a typical Tuatha song. Have you already chosen the main song just for this? I would also like you to talk a little more about it.
Bruno: Exactly, the "Tribes ..." was first released until the guys who accompanied us realized that the band was still strong. This sound is a 100% Tuatha Danann train. . . it has the typical lead of our disco openings, the mood up, cool guitar muffles, a Beatles melody and Celtic themes running through the song. Not to mention the participation of the elves and everything.


RtM: Already the second single, "Your Wall Shall Fall", brings different elements, treating a very current and strong theme, leaving the most fanciful themes. And there is a very special guest, Martin Walkyier, former Skyclad, and great influence for Tuatha. I would like you to say a little more about this song and, of course, about Martin's participation.
Bruno: Man, this song we had done in 2017, the last time he was here in Brazil, but he was never satisfied with the lyrics, always changing it, which was also one of the reasons for this release delay. . . BUT, it's a very strong song, very heavy and direct compared to other Tuatha de Danann songs, and Martin's lyrics are as fabulous as ever. We became very close friends over the years and the participation was very natural. Nowadays it sounds natural, but for 15 years this (being Martin's partner) would be a dream. A dream come true!


RtM: The video for this song was also very cool, including a campaign of the band for fans, admirers and friends to send videos, some of which would be used in the editing of the clip. Tell us more about this idea and your assessment of the end result, and whether the reactions, the video and the song, were as expected.
Bruno: That thing was really cool! It was Martin's own idea, because people from anywhere in the world could buy this idea. The lyrics, while alluding to the "notorious" Trump Wall, question greed, market tyranny, authoritarian, belligerent governments and criticizes everything that divides and oppresses the human being. It is a theme of anti tyranny and fascism. People from the USA, Ireland, Russia, France, Mexico and several other places sent videos to the clip.


RtM: Taking advantage of the theme, congratulations to you and the band for touching on more delicate issues, and for important positioning in a complicated moment, both of humanity in general and in our country. And I would like to know your opinion about the role of musicians, even if they are criticized by some people, in showing a clear and firm position against injustices and social inequalities.
Bruno: The whole world is experiencing a kind of right turn and violence (whether at the discursive or physical level). It's not just here in Brazil, unfortunately. We live in a time that, in theory, is the one that most has access to information, content, entire works, scientific works of universities around the world and yet, sinisterly, there are many people who report on the phone through videos or any memes produced by who knows who, who knows for what reasons and who knows who financed by whom.

Here in Brazil the thing got so old that there are many followers of astrologers, of frustrated believing musicians, there are people who think that torture is something stupid, which is a little thing. Lots of people relativizing inhumanity, cruelty and tenderness. As for the role of the musician, I do not think anyone is obliged to make activist or political music, but I think from a sick contradiction such a conservative headbanger.


RtM: Continuing with the album's themes, "Conjura" is one of my favorites, and it brings a historical theme, about "Inconfidência Mineira" (conspiracy of a separatist nature that occurred in the then captaincy of Minas Gerais, in 1789). I would like you to comment more about this song and the idea of ​​talking about it.
Bruno: Well, it may sound like a great and fabulous chimera, a Brazilian band that sings in English, has a Celtic name, influences of traditional Irish music dealing with such a Brazilian subject in a song (laughs!). But that's it! I am a scholar of the history of Minas Gerais, its colonial period, its settlement and formation on various aspects. We are from Minas Gerais and we have a very peculiar history here in the state thanks to the findings of gold and diamonds. The so-called Gold Fever made Minas carry out the greatest migration of people from Europe here, everyone behind the rapid enrichment of gold and precious stones.

The Europeans and the locals faced sierra highlands, unknown beasts, ferocious Indians and many other adversities to find their treasures in the bands of here; were fearless and greedy adventurers, often escaped or exiled from Portugal. An absurd number of slaves brought from Africa and all the horrors of slavery, the high religiosity of the Jesuits and the brotherhoods, and the despotismos of self proclaimed owners of the hinterland were added to this idea of ​​rapid wealth. Ready! We have all the ingredients for the bloodiest and oddest story possible. Minas Gerais lived a period that would make American westerners look like Pooh Bear stories. (Laughs! Very good! hahaha)


RtM: A Very Rich Theme of our history!
Bruno: I still want one day to make a concept album about this epic, let's see! About the "Conjura", we wanted to deal with this rebel movement that we lived in the late eighteenth century, which became known as the Inconfidencia Mineira and which had as martyr the lieutenant Silva Xavier, Tiradentes, who was the only one executed and had its members spread along the New Road of the Royal Road. This mining conspiracy is still much studied and has been unveiled year by year by Historiography. 

It was not just a question of a "Revolution of the Poets"; was a rather heterogeneous and important movement that brought together learned intellectuals (some poets of renown and talent), farmers, military men, powerful men and some wretches who came to betray the movement, as today's celebrated "Award Winning", which wanted a anti-colonialist and republican revolution, ridding the colony of the metropolis. Unfortunately this theme sounds to us today, as we see the country revolting to the interests of the EMPIRE and delivering its wealth, energy and much of the strategic sector to international capital and even to imperial governments.


RtM: "Turn" was one of those that I found more news about their previous compositions, and it's a great song, bringing a softer, melodic atmosphere, Folk/Pop elements, which I also noticed in the Auri project by Tuomas Holopainen and Troy Donockley. The lyrics are also very beautiful. "This life is a black and white canvas, and it's up to you to fill it with colors you like ...", and the chorus talks about "Building new bridges - off the walls". Tell us a little more about this song and about the lyrics.
Bruno: I do not know the sound you mentioned, even though you know the guys. "Turn" is a distinct piece within our songbook, it has a very exciting groove, some elements maybe "pop" like you said, but it has its weight as well. The lyrics are more about the omission that we often let ourselves be mastered, you know? When we do not take sides or when we let the bad side win and we prefer not to get involved. Often evil happens because the good has not manifested itself, and other times, because we feel we do not need to be involved in an isolated fact, it can grow in scale and become a situation. I think the lyrics are about it, having to think more, not being thought of by others and not being omission, conformed and permissive.


RtM: "Warrior Queen" sounds epic and dramatic, with the flute and mandolin melodies featured, transported me to a scene from the Vikings series! Ha ha! Tell us a little more about this track and the inspirations to compose it.
Bruno: That was the last song to come on the album. A friend wanted a trail for an MMA fighter and wanted something very warlike, medieval, Celtic, Viking, those things. I played with him showing a clutter of cliches and he adored ... .there I convinced myself that it could be nice if it worked better this inspiration that came to me kind of joking ... .deed what he gave. The lyrics are inspired by great warriors and warrior Celtic queens, such as the Boudicca. It is a lyric that praises the bravery of many women, their dignity and protagonism.


RtM: "Outcry", originally recorded in "Dawn of a New Sun", won a more folk/medieval version, and from what I could hear, I believe it is, if not 100%, almost totally acoustic. And had remarkable melodies and chorus!
Bruno: We love doing this version of  "Outcry", it was really folk! The lyrics, unfortunately, are a portrait of Brazil from the time of discovery until today with this colonial situation and delivery to the foreign capital that began with Pau Brazil, Sugar Cane, Gold/Diamond, Coffee until arriving today with the foreign capital behind the financial movements and our privatized treasures, we have seen Mariana, Brumadinho and must come more, because the mentality of capitalism is this, the prey: it takes the profit and leaves the misery.


RtM: Another that appears in new version is "Tan Pinga Ra Tan" (recorded on the 2001 album "Tingaralatingadun"), with orchestral arrangements got an incredible atmosphere. Did you intend to give this important song a new life?
Bruno: "Tan Pinga Ra Tan" is one of our most chanted and beloved songs. It has a beautiful melody that is strong and seems to be the trail of a dream. We wanted to approach it in a different way and it was really cool.


RtM: And how have you felt the first public reactions to the new songs in those first gigs of the tour?
Bruno: Dude, the people who bought the record and talked to us have really liked it. So far the critics have been very positive! And better, they point out these new elements that we have put on the new songs as highlights... It's great!!!

 "As long as there are people responding to our music we will have the incentive to continue."
RtM: Finally, tell us what are the expectations for this year and what you want for the band, which has the qualities to reach a wider audience worldwide. Do you believe that you lost a little time with the hiatus until the release of "Dawn of a New Sun"?
Bruno: Sure enough, we stayed for a long time without pitching anything new. In 2004, we launched the "Trova di Danú". However, silly, given the problems we had with the label that year, the album was released even in 2005. After that, we released the acoustic DVD in 2009, which was very massive even for we are, I believe, the first Brazilian Metal band to release an official acoustic DVD.

We suffered a lot with delays of labels at that time, which ended up discouraging me, especially me, so much that it made me release a solo album in 2007. There was also some internal and personal problems, and the band stopped in 2010 when I left at the end of the year. We came back a short time later, but it was a lot of time lost. About winning more audiences around the world, we hope so. Greedy and full of will we are, never been so cool the mood in the band and this motivates us to move on. . . As long as there are people responding to our music we will have the incentive to continue.

Interview by: Carlos Garcia

Tuatha de Danann are:
Bruno Maia - vocals, flute, guitar, mandolin, Bouzouki
Giovani Gomes - bass, vocals
Edgard Britto - keyboards


Discography
2001 - Tingaralatingadun
2002 - The Delirium has Just Began
2004 - Trova di Danú
2015 - Dawn of a New Sun
2019 - The Tribes of Witching Souls
EPs
1999 - Tuatha de Danann
2016 - Tuatha de Danann (Re-release of the first EP with 6 bonus tracks re-recorded)
DVDs
2009 – Acoustic Live
Demos
1995 - The Last Pendragon (under the name Pendragon)
1998 - Faeryage

Order at:
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