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terça-feira, 20 de maio de 2025

Cobertura de Show: Saxon – 06/05/2025 – Bar Opinião/RS

Cobertura por: Renato Sanson

Fotos: Giovanni Maglia

O Saxon retornava a capital gaúcha após seis anos e desta vez trouxe a tour comemorativa do clássico “Wheels of Steel” de 1980, que seria executado na íntegra! As vezes que passou por POA não consegui assisti-los, mas no final de semana anterior pude conferir o show dos britânicos no Bangers Open Air e já estava ansioso por está apresentação, já que, no festival não foi possível tocar “Wheels of Steel” na íntegra. Em um set mais compacto, mas não menos poderoso.

Uma verdadeira instituição do Heavy Metal mundial ali diante dos nossos olhos!

Mas antes de iniciarmos dois pontos precisam ser salientados: a questão acessibilidade do Bar Opinião que de fato parou no tempo e segue péssima. O local escolhido pela casa para os PCD’s poderem assistir o show beira o ridículo (já mencionei isso em coberturas anteriores e seguirei insistindo). Péssimo localizado e horrível para se enxergar o palco se a casa já está com certo número de presentes e no caso de um show que lotou como o desta noite, piora e muito.

Pois ficamos encobertos pelos os demais fãs e só enxergamos camisetas pretas à frente. Isso tudo por quê? Porque o local não tem a estrutura necessária e nem a padronização de altura para que se possa ver o palco. No meu caso, sou da velha escola e consigo dar o meu jeito de assistir o show, mas neste dia notei que as pessoas ao meu redor que estavam neste péssimo local, mal enxergavam o palco. Um desrespeito total, pois essas pessoas pagaram para estar ali e sabemos que o valor dos ingressos são elevados e você pagar para não ver nada é sacanagem.

Outro ponto em questão que beira o ridículo é a tal da “pista vip” em um local como o Bar Opinião, que, não tem uma estrutura para ter essa manobra de lucrar mais. O local em si já é uma grande pista com mezanino. Mas mesmo assim trazem a tal “vip” e os fãs vão lá e pagam por uma estrutura que deixa a desejar.

Voltando a noite metálica, além do Saxon tivemos as suíças do Burning Witches e a abertura da banda paulista URDZA de São Paulo.

Por volta das 19h30min os paulistas iniciam seu show e apresentam aquele típico Heavy Metal tradicional, guiado por melodias e bons riffs. Porém, as bandas de abertura sofrem sempre do mesmo mal, o som que não é satisfatório e isso prejudicou o URDZA que sofreu bastante, principalmente as guitarras que em muitos casos não se ouvia e também os vocais, que transitavam entre estar presente ou não. Uma pena, pois talento e personalidade mostraram que tem e muito jogo de cintura, pois mesmo com o mundo desabando não perderam a postura e entregaram um bom show dentre as possibilidades apresentadas.

Com o palco já montado e usando a estrutura do URDZA a Burning Witches chega a capital com seu Heavy mais melodioso e épico, com as meninas esbanjando simpatia e entrosamento. O som também não estava bom, parecia que tudo estava em mono, sem força, sem pressão, sem peso. Inclusive a abertura com “Unleash the Beast” não tínhamos as guitarras da dupla Courtney Cox e Simone Van Straten, que eram inexistentes e isso se refletia no palco, pois a bela frontwoman Laura Guldemond berrava para poder se ouvir.

Sem muitas melhoras sonoras o show seguiu e mostrou uma banda já polida ao vivo, trazendo muita energia e com ótimas musicistas. Mas de fato, a péssima qualidade de som tirou o brilho da apresentação das meninas que poderia ser muito mais impactante.

Após a curta apresentação da BW estávamos com um Bar Opinião lotado e meio apreensivos no quesito qualidade sonora, mas que foi embora logo de cara com a abertura de “Hell, Fire and Damnation” um som limpo, pesado e muito bem equalizado saiam dos PA’s e mostrava que os velhinhos que estão na “terceira idade” continuam tendo muita lenha para queimar.

É impressionante pensar que: Biff Byford (vocal - 74 anos), Doug Scarrat (guitarra - 65 anos), Brian Tatler (guitarra, (Diamond Head) - 65 anos), Nibbs Carter (baixo - 58 anos) e Nigel Glockler (bateria - 72 anos) entregam mais que um show, mas sim um épico! Seja em desempenho, seja em não usando partes pré-gravadas (como muitas bandas por aí que nem veteranas são), não usando a famosa telinha para o vocalista ler as letras...

É simplesmente o bom e velho Saxon destilando veneno sem artifícios. Cru, pesado e rico em melodias. Faltam elogios!

Então imagina para um show de 22 músicas! Isso mesmo, 22 músicas foram executadas nesta noite inesquecível em Porto Alegre e fez muito marmanjo chorar.

Dentre elas “Power and Glory”, “Backs to the Wall”, “Heavy Metal Thunder”, “The Eagle Has Landed”...

Isso somente para citar algumas da primeira parte, já que, a segunda parte do show tivemos o clássico “Wheels of Steel” em sua totalidade e falar o que de um álbum que só tem pedrada? “Motorcycle Man”, “Stand Up and Be Counted”, “Freeway Mad”, a faixa titulo e por ai vai...

Um show único e que fez a alegria dos headbangers mais antigos e fez muitos reviverem suas adolescências estando ali diante de seus ídolos.

Uma banda entrosada, sem espaço para falhas e muito comunicativos com os fãs. Biff é um dos maiores frontmans do mundo e uma das melhores vozes do Rock, interage, agita e leva emoção a plateia com suas interpretações únicas. A dupla Doug e Brian parecem que já tocam a séculos juntos e fazem tudo com precisão em uma chuva de riffs e solos memoráveis. O peso da cozinha cuidada por Nibbs e Nigel traz a agressividade e a diversificação necessária.

Os velhinhos voltam para o ato final de seu show, mas sem antes com mais um momento marcante, onde dois fãs atiram seus coletes em palco e Biff e Doug os veste para encerrar essa noite única em que tivemos a honra de presenciar.

Um encerramento digno de soluçar com: “Crusader”, “Denim and Leather”, “And the Bands Played On” e “Princess of the Night”. Alma lavada e penso ser difícil nos próximos vinte anos ter um show que supere esse do Saxon em terras gaúchas!

 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 03/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

Após um bom aquecimento, o sábado prometia atrações imperdíveis. Dessa forma, o segundo dia do festival teve um foco maior nas bandas de metal, ao contrário do dia anterior, que priorizou o Hard Rock. Para os admiradores de power metal, foi um dia e tanto, já que a maioria das bandas pertencia a esse subgênero.

Os outros dois palcos, o Sun Stage e o Waves Stage – este último retornando ao espaço interno do Memorial e dedicado às bandas nacionais – também foram abertos. 

Começando pelas primeiras atrações no Sun Stage, conferi os brasileiros do Viper, que este ano celebram 40 anos de carreira. Mesmo após a perda de um de seus fundadores, Pit Passarell, a banda segue firme a sua trajetória, entregando ótimas performances com seus clássicos e faixas do mais recente álbum Timeless, e foi justamente com a faixa-título que Leandro Caçoilo (vocais), Felipe Machado e Kiko Shred (guitarras), Daniel Matos (baixo e irmão do saudoso Andre Matos) e Guilherme Martin (bateria) agitaram o público logo cedo. Como de costume, não faltaram homenagens aos eternos Andre Matos e o citado Pit Passarell, especialmente em “The Spreading Soul” e “Rebel Maniac”, respectivamente.

Ao mesmo tempo em que o Viper se apresentava no Sun Stage, as suíças do Burning Witches incendiavam o Ice Stage com seu Heavy Metal tradicional. Com uma formação consolidada e tendo a vocalista Laura Guldemond como centro das atenções – uma das melhores da atualidade em se tratando de front-woman do gênero –, a banda fez todos os presentes baterem cabeça nas faixas “Wings of Steel”, “Hexenhammer” e “The Dark Tower”, além de “The Spell of the Skill”, a única faixa inédita do set, que deve integrar o próximo álbum.

Burning Witches – setlist:

Unleash the Beast

Dance With the Devil

Maiden of Steel

Nine Worlds

Wings of Steel

Hexenhammer

The Spell of the Skull

The Dark Tower

Lucid Nightmare

Burning Witches





Como eu disse no início, o dia acabou sendo mais voltado ao Metal, mas o H.E.A.T foi a exceção. Considerada por muitos a melhor banda de Hard Rock da atualidade, os suecos já haviam deixado sua marca na primeira edição do festival, quando foram apontados como um dos melhores shows daquele ano. 

Recentemente, a banda lançou seu novo álbum, Welcome to the Future, e foi com a faixa de abertura desse trabalho, “Disaster”, que o show começou com força total. Mas, claro, sem deixar de lado os clássicos da carreira, como “Dangerous Ground”, “Hollywood” e “Back to the Rhythm”.

Apesar da recepção calorosa, da banda tinindo no palco e de um repertório impecável, alguns sinais de preocupação surgiram durante "Rise" e "Beg Beg Beg". O guitarrista Dave Dalone precisou se ausentar do palco por conta da temperatura alta que fazia a tarde na capital, mas isso não comprometeu o nível da apresentação, que foi explosiva e superando a primeira em que fizeram em solo brasileiro. Kenny Leckremo, que a cada dia se mostra um vocalista ainda mais impressionante, não parou de agitar por um segundo sequer.

H.E.A.T – setlist:

Disaster

Emergency

Dangerous Ground

Hollywood

Rise

Beg Beg Beg

Back to the Rhythm

Bad Time for Love

1000 Miles

One by One

Living on the Run





Uma das coisas mais legais em um festival é poder escolher quais bandas assistir. O Municipal Waste é uma excelente banda de Thrash Metal, com músicas bem legais e divertidas. No entanto, como tenho uma paixão pelas bandas suecas, fui atraído a ver o pessoal do Dynazty. E olha, que show. Eles me impressionaram da primeira à última música.

A banda mudou bastante nos últimos anos; os dois primeiros discos têm uma pegada mais voltada ao Hard Rock, enquanto ao vivo, eles entregaram uma performance avassaladora! O vocalista Nils Molin tem uma presença de palco absurda, e a dupla de guitarristas - Rob Love Magnusson e Mike Lavér – foi fantástica, com riffs e solos certeiros. Ou seja, não tenho do que reclamar. Foi uma grande surpresa e considero esse um dos melhores shows do festival.

Dynazty – setlist: 

In the Arms of a Devil

Game of Faces

Natural Born Killer

The Grey

Waterfall

Yours

Call of the Night

Presence of Mind

The Human Paradox

Heartless Madness





Depois disso, resolvi andar pelo festival, observando as feiras, o merchandising e vendo se cruzava com algum artista. Enquanto fazia isso, o Sonata Arctica se apresentava no Hot Stage. Optei por não assistir ao Sonata Arctica por não ter tanta familiaridade com seu trabalho. Ainda assim, reconheço o valor deles dentro do Power Metal. Acabei vendo mais o final do show e percebi que havia muita gente os recepcionando, o que só comprova a admiração dos brasileiros pelos finlandeses, que com certeza fizeram uma ótima apresentação, como das outras vezes em que vieram ao Brasil.

Sonata Arctica – setlist: 

First in Line

Dark Empath

I Have a Right

San Sebastian

Replica

My Land

FullMoon

Wolf & Raven

Don't Say a Word

Vodka





Outra banda que me atraiu foi o Kamelot. Há um bom tempo eles vivem uma nova fase da carreira com o vocalista Tommy Karevik, que está na banda desde 2012 e interpretou com maestria clássicos como “Rule the World”, “When the Lights Are Down” e “Forever”, sem deixar nada a dever ao lendário Roy Khan.

O repertório também contou com faixas mais recentes, como “Veil of Elysium”, que abriu o show de forma arrebatadora, e “New Babylon”, ambas com a participação marcante da cantora Melissa Bonny. Outro ponto alto da apresentação foi o solo de bateria, que incluiu um trecho de “Tom Sawyer”, do Rush.

Kamelot – setlist: 

Veil of Elysium

Rule the World

Insomnia

When the Lights Are Down

New Babylon

Karma

March of Mephisto

Forever

One More Flag in the Ground

Liar Liar (Wasteland Monarchy)





Faltando poucos minutos para o fim do show do Kamelot, já havia muita gente apostas no palco vizinho aguardando a chegada do Saxon. Lenda da N.W.O.B.H.M, o Saxon é uma daquelas bandas que nunca faz um show ruim. Ao lado do Iron Maiden e do Judas Priest, eles formam a trinca de ferro do Heavy Metal britânico. E, quanto mais velhos ficam, menos incansáveis parecem.

Do Hell, Fire and Damnation, disco mais recente da banda, apenas duas músicas foram executadas: a faixa-título e Madame Guillotine. Mas, em todos os shows - mesmo quando estão promovendo um novo lançamento – eles nunca deixam de tocar os clássicos. E não tinha uma pessoa sequer que não cantasse, levantasse os punhos ou batesse cabeça com obras-primas como “Power and the Glory”, “Motorcycle Man”, “Heavy Metal Thunder”, “Strong Arm of the Law” e tantas outras. 

Saxon – setlist:

Hell, Fire and Damnation

Power and the Glory

Motorcycle Man

Madame Guillotine

Heavy Metal Thunder

Strong Arm of the Law

1066

And the Bands Played On

Denim and Leather

747 (Strangers in the Night)

Wheels of Steel

Crusader

Princess of the Night




Outra apresentação muito aguardada do dia foi a do Dark Angel, uma das principais bandas de Thrash Metal da história. Mesmo que não tenha a mesma visibilidade das bandas do chamado Big 4 americano, o grupo ainda continua tendo fãs que acompanham. Um de seus integrantes mais notáveis é o baterista Gene Hoglan, que dispensa apresentações e é uma verdadeira referência no estilo.

Apesar do desfalque do guitarrista Eric Meyer, a banda incendiou o público com rodas e moshes ao som de músicas como “Never to Rise Again”, “Darkness Descends”, “The Burning of Sodom” e “Extinction Level Event”, esta última dedicada a Jim Durkin.

Antes tarde do que nunca, deu tempo de conferir a apresentação do Powerwolf, uma banda que vem se destacando bastante no cenário atual do Power Metal. Apesar de já ter rodado o mundo a fora, muita gente ainda considera o grupo como "novo". Por um lado, isso é bom, pois acaba despertando a curiosidade de quem ainda não conhece muito bem, como foi o meu caso.

Pelo pouco que eu assisti deles ao vivo, já deu pra ver que não é uma banda qualquer. Claro, apesar de ser classificada como uma banda de Power Metal, eles fogem bastante dos estereótipos do gênero. O som é bem mais pesado, e a abordagem das letras também é diferente do que a gente costuma ver nas bandas clássicas. Eles apostam em temas mais religiosos e coisas semelhantes, o que dá um diferencial.

A produção do palco é outro ponto que me surpreendeu, sendo a melhor cenografia desta edição. Só de olhar, já dá pra entender todo o contexto lírico da banda. E o visual também chama atenção, com todos os integrantes com o rosto pintado. Aliás, falando nisso, desde cedo já dava pra ver gente caracterizada igual aos membros da banda, o que já mostra o impacto deles no público. O show foi um verdadeiro sucesso.

Powerwolf – setlist:

Bless ’em With the Blade

Incense & Iron

Army of the Night

Sinners of the Seven Seas

Amen & Attack

Dancing With the Dead

Armata Strigoi

Sainted by the Storm

Heretic Hunters

Fire and Forgive

Werewolves of Armenia

Demons Are a Girl's Best Friend

Blood for Blood (Faoladh)

Sanctified With Dynamite

We Drink Your Blood





Por fim, os suecos do Sabaton encerraram o segundo dia de festival de forma apoteótica. Muitos chegaram a comparar a banda com a atração anterior, contudo, não é bem o caso. O Sabaton aposta numa sonoridade mais tradicional dentro do Heavy Metal, com riffs marcantes e refrões feitos para o público cantar junto, e foi exatamente isso que aconteceu desde o início com "Ghost Division", música que abriu a apresentação da banda sueca e conhecida por abordar temas sobre guerra nas suas letras.

Nos shows em seu país natal, eles costumam apresentar uma grande estrutura de palco, mas aqui no Brasil essa montagem completa não foi possível. Apesar disso, mesmo com uma produção mais enxuta, a banda investiu em diversos efeitos especiais, como pirotecnia, explosões, fumaça e outros elementos visuais. O repertório passou praticamente por toda a trajetória da banda, que está na ativa desde 1999.

Entre as músicas mais aguardadas estavam “The Last Stand”, “Carolus Rex” (cantada em sueco) e “Smoking Snakes”, que homenageia três soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Um dos momentos mais engraçados da noite foi antes de tocarem “Resist and Bite”, quando o vocalista Joakim Brodén apareceu no palco com uma guitarra da Hello Kitty, tocando o riff de “Master of Puppets”, do Metallica.






Sinceramente, estava bem cético em relação ao segundo dia do festival, já que não tinha muitas atrações dentro do meu perfil musical, que é mais voltado para o Heavy Metal tradicional, Thrash Metal e o Hard Rock. Mas acabei me surpreendendo e despertando a curiosidade de conhecer bandas que eu não costumava ouvir tanto. No fim, foi um dia bastante agradável e enriquecedor para o meu background. Um sábado realmente proveitoso, sem sombra de dúvida!


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga


Sabaton – setlist:

Ghost Division

The Last Stand

The Red Baron

Bismarck

Stormtroopers

Carolus Rex

Night Witches

The Attack of the Dead Men

Fields of Verdun

The Art of War

Resist and Bite

Soldier of Heaven

Christmas Truce

Smoking Snakes

Primo Victoria

Swedish Pagans

To Hell and Back

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Cobertura de Show: Saxon – 15/11/2023 – Tokio Marine Hall/SP

Muitos devem se recordar que, em abril deste ano, o Saxon estava confirmado para se apresentar no Monsters Of Rock, e uma parte significativa dos ingressos vendidos foi adquirida com o desejo de vê-los ao vivo. No entanto, para a frustração de muitos, a banda anunciou o cancelamento de sua participação apenas um mês antes do festival, em decorrência da aposentadoria do guitarrista Paul Quinn. Na minha opinião, essa razão não justificava o cancelamento. O lado positivo é que a espera pela nova apresentação não foi longa, e ela ocorreu neste mês de novembro. Para ocupar o lugar deixado por Paul, foi convidado uma verdadeira lenda do Heavy Rock britânico: Brian Tatler, do Diamond Head.

Intitulada Seize The Day, a turnê passou por quatro capitais do Brasil: Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Em São Paulo, a expectativa era de casa cheia, uma vez que 70% dos ingressos já haviam sido vendidos nos dias que antecederam o show. Muitos fãs, algumas horas antes da abertura dos portões, já dominavam os arredores do Tokio Marine Hall. Porém, poucos mostraram interesse em conferir a apresentação do Madzilla, banda de apoio dessa turnê latina.

Natural de Las Vegas, David Cabezas (vocal/guitarra), Ian Garcia (guitarra), Daniel Gortaire (baixo/vocal) e Luiz Zevallos (bateria) entraram no palco às 19h10 demonstrando talento e habilidade no som contemporâneo que oferecem. Toda atenção foi atraída não apenas pela composições, mas também pela empatia, especialmente de David, que se comunicou em bom português com todos os presentes. Daniel, que também arriscou a falar nosso idioma, não parou um instante de vibrar com seu baixo estilizado.

A banda apresentou alguns singles e faixas de seu álbum de estreia, “Asphyxiating Cries” (2021), diante de uma audiência tímida, bem diferente do que viria a seguir. Muitos, inclusive este que vos escreve, ainda não tinham ouvido falar deles. Aqueles que decidiram assistir ao show tiveram uma resposta muito positiva em relação ao quarteto, que entregou uma apresentação carregada de peso e agressividade.

Com a casa lotada, a expectativa para a entrada de Biff Byford (vocal), Doug Scarratt e o já mencionado Brian Tatler (guitarras), Nibs Carter (baixo) e Nigel Gloker (bateria) no palco crescia a cada instante. Muitos nem perceberam o pequeno atraso, pois todos estavam com os olhos vidrados no palco, decorado com um fundo vermelho exibindo o logótipo da banda em dourado e a icónica águia em volta do espaço onde a bateria estava posicionada.

Finalmente, às 20h45, a icônica banda da NWOBHM deu início ao espetáculo de maneira impactante com “Carpe Diem (Seize the Day)”, música que intitula seu álbum mais recente, ideal para esquentar o clima antes de apresentarem os clássicos, começando com “Motorcycle Man”. 

Antes de seguir com mais sucessos, a banda apresentou "Age of Steam", também presente no último trabalho, e em seguida trouxe uma sequência matadora com “Power and The Glory”, “Dallas 1 PM” e “Heavy Metal Thunder”, todas recebidas com grande entusiasmo pelo público, a maioria na casa do 40 e 50 anos. O setlist ainda incluiu “Dambusters” e a atmosférica “The Pilgrimage”.

O Saxon nunca apresenta um show abaixo das expectativas, pois quando entram no palco, já entram com a vitória garantida, entregando exatamente o que se espera de um show autêntico de Heavy Metal. Aqueles que tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo nas outras vezes em que estiveram no Brasil compreendem perfeitamente o que quero dizer.

O público não deixou de fazer a sua parte. Como mencionado anteriormente, todos aproveitaram cada momento as músicas incrivelmente executadas, acompanhadas do potente som que saia dos PAs. O volume elevado, por vezes, pode ser visto como uma crítica, mas isso não representa um problema quando se trata do Saxon, pois suas performances ao vivo são ainda mais impactantes com o som no máximo.

Os músicos, que hoje estão na faixa dos 60 a 70 anos, ainda possuem energia de sobra para encarar um show de duas horas. Brian Tatler, acompanhado do excepcional Doug Scarratt, executou todas as composições com maestria; Nibs Carter, que exibe um espírito mais jovial que os demais, animou e se movimentou no palco incansavelmente; Nigel Glockler,  baterista que deveria ser mais reconhecido, arrebentou em seu kit de bateria. E o grande Biff Byford, claro, continua com uma voz impressionante! Ele não apenas interagiu com o público, mas também distribuiu água para os fãs que estavam próximos ao palco e fez questão de vestir um colete com 'patches' do Saxon e de bandas da época, recebido de um fã que estava perto do palco.

O show continuou com "Sacrifice", faixa título do álbum lançado em 2013. Sem qualquer aviso prévio, "Ride Like the Wind" trouxe a participação de Fabio Lione, vocalista do Angra, que apresentou uma abordagem mais intensa ao canta-la. Antes dela teve “Crusader”, que  proporcionou um dos momentos mais memoráveis da noite quando a plateia entoou um belo ‘Oh, Oh, Oh’ enquanto Brian iniciava as melodias. Biff tinha a intenção de substituir essa música por “Broken Heroes”, mas após uma rápida votação, “Crusader” foi a que gerou a melhor resposta da audiência. 

E as surpresas não pararam por aí! "Dogs of War" foi um grande presente para os fãs de São Paulo, uma vez que não havia sido apresentada na noite anterior em Curitiba. A primeira nota da canção fez o Tokio Marine vibrar intensamente, provando que os britânicos produziram trabalhos de alta qualidade na década de 90. Continuando em território noventista, ainda teve "Solid Ball of Rock", que, na opinião deste autor, é a melhor música da trajetória do Saxon. Os riffs e solos dela são impecáveis e conseguem deixar qualquer fã de Heavy Metal agitado.

Para os aficionados pelo álbum “Denim and Leather”, houve uma dobradinha especial com “And the Bands Played On” e “Never Surrender”, que, por sinal, não foi tocada em Curitiba. “Wheels Of Steel”, visto como o marco inicial (muitos subestimam o álbum homônimo de 1979), finalizou a primeira parte do show, antes do primeiro bis, enquanto Biff se queixava constantemente do calor, que estava realmente insuportável. 

A partida já estava ganha, mas a banda decidiu adicionar mais músicas nas últimos momentos. Em “747 (Strangers In The Night)”, teve a breve participação do vocalista Tim “Ripper” Owens, que concluiu a sua digressão pelo Brasil no último dia 12, em Goiânia. Para os que não sabem, a letra aborda o voo 911 da Scandinavia Air Line, onde Biff fez questão de imitar um avião para ilustrar o conceito. 

“Denim and Leather” (com todos dando socos para o ar e a gritar ‘Hey’ durante os riffs) e “Princess of the Night” sinalizaram que o fim estava próximo, uma vez que esta última é a que habitualmente encerra todos os concertos. Contudo, após os gritos de ‘mais um’, a banda regressou ao palco para tocar mais uma, e “Strong Arm of Law”, que ocupa um lugar destacado no set, fechou a noite que poderia ser descrito em palavras simples: memorável e histórico.


Para quem já assistiu a shows dos Iron Maiden e Judas Priest três vezes, faltava ver um do Saxon, que considero o terceiro pilar daquilo que chamo de ‘A Tríade do Heavy Metal Inglês’. Juntamente com esses ícones da música pesada, a banda proporciona exatamente o que todo headbanger anseia: um autêntico espetáculo de Heavy Metal recheado de energia, harmonia e bastante peso.

Estou certo de que todos os presentes no Tokio Marine, durante o feriado nacional, saíram com a sensação de missão cumprida, uma vez que há rumores de que esta poderá ter sido a última visita deles a São Paulo e aos outros locais em que se apresentaram no Brasil. Vamos torcer para que isso não aconteça e que continuem a produzir mais álbuns e realizar turnês pelo mundo afora.

 

Texto: Gabriel Arruda (@gabrielarruda07)

Fotos: André Tedim (@andretedimphotography)

 

Realização: Top Link Music (@toplinkmusic)

 

Saxon

Carpe Diem (Seize the Day)

Motorcycle Man

Age Of Steam

Power and the Glory

Dambusters

Dallas 1 PM

Heavy Metal Thunder

Sacrifice

Crusader

Ride Like the Wind (participação especial do Fabio Lione)

Dogs Of War / Solid Ball of Rock

And the Bands Played On

Never Surrender

Wheels Of Steel

***Encorre***

The Pilgrimage

747 (Strangers In The Night) (com aparição do Tim “Ripper” Owens)

***Encore 2***

Denim and Leather

Princess of the Night

***Encore 3***

Strong Arm of the Law