quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Kreator: Brutalidade, Melodia e Maturidade Implacável

Shinigami Records (Imp.) / Nuclear Blast (Imp.)

Por Paula Butter

Janeiro chega com mais um ótimo lançamento, agora na seara do Thrash Metal, com os alemães do Kreator, trazendo sua maestria musical em Krushers Of The World, o aguardado 16º álbum de estúdio. Inclusive, com um título que impõe respeito, um reflexo da consciência histórica, orgulho e da confiança conquistada pela banda ao longo de décadas de estrada.

Musicalmente, Krushers Of The World comprova que o grupo mantém intacta sua essência, porém se aventura em mares mais melódicos e disruptivos, sem perder a brutalidade e energia. Um exemplo dessa pegada aparece na faixa de abertura “Seven Serpents”, que estabelece o tom agressivo, mas também apresenta uma instrumentalidade mais trabalhada na introdução e pinceladas de gótico/mitológico nas letras, escapando um pouco do tradicional. Entretanto as pedaleiras duplas ensurdecedoras aparecem com tudo em  “Satanic Anarchy”, bem como os famosos riff compassados, e a voz poderosa de Mille Petrozza, puro Thrash Metal. Inclusive com uma referência que acalentou o coração dos fãs de horror, o clássico Hellraiser, do diretor Clive Baker, lançado em 1987. 

Destaque para o tom épico e envolvente da música “Krushers Of The World”, não esperava nada menos, em se tratando de Kreator. Temos também “Deathscream”, cujo nome já entrega tudo, energia gritante para ouvidos treinados, uma ótima música para voltar às origens. Em contrapartida, chega  “Blood Of Our Blood”, bem trabalhada nas linhas de baixo e guitarra, com refrões bem acessíveis, com muita melodia, outra prova da versatilidade destes alemães em se tratando de inovar. 

Agora, temos um lado mais tradicional da banda, mas com a qualidade e agressividade extrema de outrora, com “Barbarian” e “Psychotic Imperator”, duas pérolas que ao vivo podem ser perfeitos convites aos famosos mosh pits. E a propósito, quem ainda não teve o prazer de estar no calor humano em um show do Kreator, já coloque a façanha em sua Bucket list.

Na sequência da audição, temos a faixa “Tränenpalast”, com atmosferas sombrias e mais referências ao terror cult sobrenatural, no caso, ao filme Suspiria, original de Dario Argento, lançado em 1977, e que também possui uma releitura mais moderna, do diretor Luca Guadagnino, lançada em 2018. A canção também conta com a participação vocal de Britta Görtz, que casou perfeitamente com o contexto da obra. Inclusive, podemos apreciar a participação da cantora e elementos do filme, que apesar dos flashes impactantes, ficou belíssimo no videoclipe disponibilizado anteriormente ao lançamento do álbum. 

Visualmente, o álbum também se destaca. Inclusive, em um momento onde tudo é criado e porque não, recriado por meio da Inteligência Artificial, a arte de Zbigniew Bielak revisita elementos icônicos da estética clássica do Kreator e os reorganiza em uma composição densa, simbólica e contemporânea. 

Por fim, temos “Loyal To The Grave”, décima e última música do disco, em tom grandioso e sensação de batalhas épicas por vir, que se inicia com vozes de coral ao fundo, para na sequência, dar andamento ao peso ritmado do baixo, bateria em riste, riffs a postos e vocais nervosos. Merece destaque para a audácia criativa, que inclui traços de Metal tradicional e Thrash.

Mais uma vez, o Kreator conseguiu um resultado de qualidade acima da média, tornando Krushers Of The World um trabalho feroz, sólido e criativo, sustentado por uma excelente produção e por composições maduras, que revelam uma banda plenamente consciente de seu legado, sem receio para avançar sem concessões. O Kreator segue implacável, reafirmando seu lugar entre os gigantes do metal extremo enquanto continua a expandir seus próprios limites.

Divulgação



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