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| Pride & Joy Music (Imp.) |
Por Gabriel Arruda
Se tem uma banda que me surpreendeu (e continua surpreendendo) nos últimos anos é o Nite Stinger. Fundada em 2019 pelo baixista Bento Mello ao lado do vocalista Jack Fahrer, o grupo prova que o hard rock continua mais vivo do que nunca. Isso ficou evidente com o lançamento de seu homônimo álbum de estreia, em 2021, que já figura no panteão dos melhores discos do estilo no país. Desde então, a banda vem abrindo shows para vários nomes importantes dessa esfera musical, o que deixa clara sua ascensão como um dos principais expoentes do hard rock nacional.
What The Nite Is All About, segundo e aguardado novo álbum, mantem o marcha engatada no quinto, ou seja, no mais alto pico. Se o debut já havia sido muito bem recebido, este novo trabalho tende a repetir — ou até superar — o feito. O hard rock oitentista, fortemente influenciado pela cena americana da Sunset Strip, permanece intacto, mas agora ganha uma dose extra de efervescência, diversão e empolgação. Tudo isso é regado a boa música, atitude e a atmosfera noturna que o próprio título do álbum sugere.
A produção, assinada pelo competente Henrique Baboom, extrai de cada membro o que eles têm de melhor. Jack Fahrer entrega dinamismo aos vocais, alternando entre interpretações mais envolventes e agressivas, conforme cada música pede. As guitarras, comandadas por Bruno Marx e pelo estreante Ivan Landgraf, são a cereja do álbum, trazendo riffs e solos de arrancar aplausos. O timbre alcançado pela dupla é realmente assombroso, já que são poucas as bandas hoje no planeta que conseguem resgatar com tanta propriedade o revival oitentista nas guitarras. A cozinha, formada pelo baixista Bento Mello e pelo baterista Leandro Araújo (outro estreante), é responsável por manter o coração do álbum pulsando. Dito tudo isso, não há por que não querer ouvir What The Nite Is All About.
Em seus 40 minutos, What The Nite Is All About traz composições que exalam vigor e intensidade, algo que já fica evidente na explosiva “You Know Why”. Mas o melhor vem na sequência com “Your Own Way To Be” (trazendo um riff que remete a “Miracle Man”, de Ozzy Osbourne) e “The Night Is Never Over”, cujos refrões, por sinal memoráveis, são daqueles feitos para cantar junto e que dificilmente saem da cabeça de quem ouve pela primeira vez. O mesmo vale para “Love Freedom”, uma das melhores desse início, mostrando que é possível unir peso e partes melódicas em uma única música. Já “Only You”, primeiro single, segue a mesma proposta, porém de maneira mais lúgubre, mas nada aflitivo; pelo contrário, soa mais bucólica, algo que casa muito bem com o título da faixa. Só por essas músicas, o álbum já valeria a audição, mas calma que há mais destaques pela frente.
A Dokkenana "Fantasy", a pesada faixa-título que conta com a participação do lendário vocalista Stevie Rachelle (Tüff, Tales From The Porn), a brilhante "High Above" e a hardzante "Highway Bound" conseguem atingir o fulgor criativo da banda e definir perfeitamente como é o álbum: pesado, coeso e incalculavelmente formidável. Dando uma acalmada nos ânimos, ainda temos a linda balada "All The Love That You Need", antes de encerrar com a cadenciada "Reach the Sky".
Se fosse definir em palavras, What The Nite Is All About é um álbum dinamite, perigoso e peçonhento, pois, uma vez que você o escuta, a vontade de ouvir novamente surge de imediato, de tão bom que é. Sim, 2026 já tem um forte candidato a melhor disco do ano.
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| Divulgação |


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