quarta-feira, 11 de março de 2026

Venue 5: O Avanço do Metal Feminino Europeu

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

A banda multinacional feminina Venus 5 retorna em 2026 com March of the Venus 5, seu segundo trabalho de estúdio e um claro passo adiante em relação ao debut autointitulado lançado em 2022. Formado por cinco vocalistas de diferentes países europeus — Karmen Klinc (Eslovênia), Jelena Milovanovic (Sérvia), Tezzi Persson (Suécia, também conhecida por seu trabalho com o Hell in the Club), Herma (Itália, do Sick N’ Beautiful) e Erina Seitllari (Albânia) — o projeto aprofunda sua identidade sonora ao apostar em uma abordagem mais pesada e próxima do metal tradicional, sem abandonar os elementos modernos e melódicos que definem sua proposta.

A produção volta a ficar nas mãos de Aldo Lonobile (Secret Sphere), enquanto a composição conta novamente com a participação de Jake E. (ex-Amaranthe, Cyhra). O resultado é um álbum que equilibra riffs contundentes, arranjos vocais elaborados e elementos eletrônicos e sinfônicos, dentro de uma estética que dialoga diretamente com o metal europeu contemporâneo.

A faixa-título “March of the Venus 5” abre o álbum de forma imponente, apresentando um poderoso coral de vozes femininas sustentado por guitarras pesadas e uma base rítmica sólida. O trabalho de guitarra de Gabriele Robotti se destaca ao criar a estrutura ideal para que as vocalistas alternem protagonismo ao longo da música.

Na sequência, “Like a Witch” aposta em uma combinação eficiente de metal melódico com elementos eletrônicos. As trocas de vozes funcionam com precisão, evidenciando as características individuais de cada cantora, enquanto o refrão em uníssono reforça a identidade coletiva do grupo.

“Far Away” surge com uma introdução épica e se desenvolve como uma power ballad de forte apelo melódico. A faixa se destaca pelos arranjos vocais elaborados e pela melodia marcante do refrão, além do inspirado trabalho de baixo de Andrea Buratto e de um solo de guitarra bastante expressivo.

Com “Set Me Free”, o álbum retoma o peso com maior intensidade. A escolha de timbres de teclado ajuda a construir a atmosfera da música, enquanto o refrão explosivo reforça sua vocação para momentos mais energéticos. Mais uma vez, o destaque fica para o desempenho vocal coletivo.

“Stereotypes” mergulha em uma sonoridade moderna claramente influenciada por nomes como Amaranthe e Follow the Cypher. Com forte presença de elementos eletrônicos, a faixa se destaca pelo equilíbrio entre peso e complexidade, apresentando um refrão poderoso que flerta com o power metal.

“Surrender” mantém essa linha contemporânea, abrindo com teclados épicos que remetem a bandas como Stratovarius. A música evolui para um refrão pesado e marcante, com destaque para os arranjos de teclado de Antonio Agate, que enriquecem a dinâmica da composição.

Em “Satellite”, o grupo apresenta mais um exemplo da consistência sonora do álbum. A faixa traz elementos eletrônicos que lembram a abordagem de bandas como Beast in Black, mas sem perder a identidade própria do Venus 5. O resultado é uma música cadenciada, reforçada por bons solos de guitarra e um refrão eficiente.

A pesada “Invincible” aposta em arranjos vocais diferenciados, especialmente nos versos, antes da entrada de um refrão poderoso interpretado coletivamente. A produção moderna e as batidas eletrônicas contribuem para ampliar o alcance sonoro da faixa sem comprometer a identidade do grupo.

“Winter On My Skin” é a power ballad mais tradicional do disco. A combinação entre versos cadenciados e um refrão forte cria um momento emocional dentro do álbum, reforçado por arranjos vocais bem construídos e por um belo solo de guitarra acústica.

Em “Take It From The Start”, o grupo volta a explorar a atmosfera épica das baladas do metal melódico. A faixa começa de forma delicada, quase como uma balada, antes de evoluir para um refrão grandioso que evidencia o potencial das cinco vocalistas cantando juntas.

Encerrando o álbum, “The Other Shore” aposta em uma abordagem mais sinfônica. A introdução orquestral dá espaço a um interessante revezamento vocal que culmina em um coro marcante, fechando o disco de forma elegante e imponente.

Com March of the Venus 5, o projeto consolida sua proposta ao equilibrar peso, melodias marcantes e arranjos vocais sofisticados. Ao se afastar parcialmente da abordagem mais pop do primeiro trabalho e investir em um metal mais robusto, o Venus 5 entrega um álbum coeso, moderno e extremamente cativante para fãs do metal melódico contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

The album opens in commanding fashion with the title track “March of the Venus 5.” A powerful chorus of female voices emerges over heavy guitars and a solid rhythmic foundation, immediately establishing the band’s dynamic vocal interplay. Guitarist Gabriele Robotti delivers a strong performance, crafting the perfect framework for the five singers to showcase their individual strengths.

“Like a Witch” follows with an effective mix of melodic metal and electronic elements. The vocal exchanges are precise and well-balanced, highlighting the unique tone of each singer while the unison chorus reinforces the collective identity of the group.

With its epic introduction, “Far Away” unfolds as a classic power ballad driven by an emotional vocal melody. The track stands out for its layered vocal arrangements, an expressive guitar solo, and the tasteful bass work of Andrea Buratto.

The energy rises again with “Set Me Free” where heavier guitar tones and well-chosen keyboard textures help create a vibrant atmosphere. The explosive chorus gives the track a strong live appeal, while the vocal performance remains the central focus.

“Stereotypes” dives deeper into a modern sound clearly inspired by bands such as Amaranthe and Follow the Cypher. Blending electronic elements with metal instrumentation, the track balances heaviness and complexity, culminating in a powerful chorus that flirts with power metal aesthetics.

Opening with epic keyboards reminiscent of Stratovarius, “Surrender” continues the contemporary approach while delivering a heavier and more dynamic chorus. The keyboard arrangements by Antonio Agate add an additional layer of depth to the composition.

“Satellite” further demonstrates the album’s sonic consistency. Electronic beats reminiscent of Beast in Black appear throughout the track, yet without overshadowing the band’s identity. The result is a well-paced melodic metal song enhanced by strong guitar solos and a memorable chorus.

The heavy “Invincible” introduces a slightly different vocal structure in its verses before exploding into a powerful collective chorus. Modern production and subtle electronic elements enrich the track without compromising the band’s core sound.

“Winter On My Skin” stands as the album’s most traditional power ballad. The contrast between restrained verses and a soaring chorus creates an emotional highlight, complemented by refined vocal arrangements and a tasteful acoustic guitar solo.

Another epic moment arrives with “Take It From The Start”. Beginning almost like a classic ballad, the song gradually builds toward a grand and emotional chorus that highlights the full potential of the five singers performing together.

Closing the album, “The Other Shore” embraces a more symphonic approach. Its orchestral introduction leads into alternating vocal lines before culminating in a powerful chorus, bringing the record to an elegant and memorable conclusion.

With March of the Venus 5, the project successfully refines its formula by balancing heaviness, melodic hooks and intricate vocal arrangements. By moving slightly away from the more pop-oriented approach of the debut and leaning toward a more robust metal sound, Venus 5 delivers a cohesive, modern and highly engaging album for fans of contemporary melodic metal.

Arianna Ceccarelli


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