terça-feira, 24 de março de 2026

Entrevista – Roy Khan: "Estar no palco é a primeira coisa que me vem à mente quando penso em felicidade"

"O Brasil é meu principal destino quando o assunto é tocar ao vivo" (Roy Khan)

Por Paula Butter

Roy Khan está de volta, e o Brasil é, de novo, o palco escolhido. O vocalista norueguês que marcou gerações à frente do Kamelot, gravando discos que viraram referência do Power Metal como Karma, Epica e The Black Halo, vive hoje um momento de pura efervescência criativa. Depois de deixar o grupo em 2011 por esgotamento e passar anos longe dos holofotes, ele foi encontrando o caminho de volta à música pelo Conception, banda que integrava antes do Kamelot. 

A partir daí, o músico acabou reencontrando no Brasil um público que nunca esqueceu sua voz. Em 2024, subiu ao palco como convidado de Edu Falaschi; em 2025, lotou o Tokio Marine Hall com uma performance épica celebrando os 20 anos de The Black Halo, com orquestra sinfônica no palco e convidados para lá de especiais.

E para a alegria da nação headbanger, em abril de 2026, Roy Khan volta ao Brasil pela terceira vez em pouco mais de um ano para o Bangers Open Air, o maior festival de Heavy Metal do país, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Roy toca no Sunday Stage no dia 26 e ainda aparece como convidado especial do Seven Spires na Pré-Party do festival, no dia 24. 

Nessa entrevista exclusiva, concedida para a Road To Metal, o vocalista conta o que os fãs podem esperar do show de abril, fala sobre o primeiro álbum solo da carreira, que está sendo produzido por Sascha Paeth (Sim, o mesmo cara dos discos do Kamelot) e reflete sobre a vida, a felicidade e por que o Brasil virou, nas palavras dele, o seu "principal destino" quando o assunto é tocar ao vivo.

Agradecimentos à agência Taga e à produção do Bangers Open Air no Brasil.


Você está vivendo um dos períodos mais ativos da sua carreira, foram muitos shows em 2025, muita coisa acontecendo. O que mudou em você, artística e pessoalmente, desde que voltou aos palcos?

RK: Bem, voltei com o Conception já em 2018, e foi um momento muito estranho. Quando subi ao palco pela primeira vez, foi esquisito, eu conseguia sentir claramente os anos que tinham passado. Em termos de personalidade, acho que continuo sendo o mesmo. Certas partes da sua personalidade simplesmente fazem parte de quem você é. Como artista, houve experiências na minha vida que mudaram um pouco os conceitos das minhas letras, embora eu ainda esteja lidando com grandes questões e grandes perguntas. Talvez de forma um pouco mais ligada à experiência real da vida do que antes. Mas quando estou no palco, parece qualquer outro show dos velhos tempos. Eu comentei isso com um jornalista antes de você, que quando você está no palco, aquele momento é tudo. Eu simplesmente desapareço. Estávamos discutindo o conceito de felicidade, e ele me perguntou o que felicidade significa para mim. Estar no palco é provavelmente a primeira coisa que me vem à mente quando penso em descrever felicidade como um estado de espírito.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Brasil e o show de Aniversário do álbum The Black Halo

Falando sobre o show do ano passado, você esteve em São Paulo para um grande concerto solo, mas já havia estado no palco com Edu Falaschi e Kai Hansen antes. Como foi a experiência de dividir o palco com tantas pessoas que têm significado para você ao longo dos anos?

RK: Sim, foi incrível. Eu estava no show do Edu em 2024, mas tocamos apenas uma música do Kamelot, uma do Conception, e depois cantamos Heroes of Sand juntos. Então conversamos sobre eu voltar no ano seguinte com um set um pouco maior, um set completo meu antes do Edu. E foi aí que surgiu a ideia da orquestra sinfônica. Essa foi, na verdade, ideia do Edu. Do jeito que fizemos, com aquele palco enorme e 60 pessoas nele, foi simplesmente incrível. Tokio Marine Hall completamente lotado. Não tem como dar errado. Foi fantástico.

O Brasil continua aparecendo como palco central no seu renascimento artístico. O que explica essa conexão tão profunda com o público brasileiro?

RK: Bom, tenho que agradecer ao Edu por me trazer para aquele primeiro show. O Brasil sempre foi um mercado muito importante, tanto para o Conception quanto para o Kamelot. Fizemos shows enormes em São Paulo, acho que tocamos num lugar chamado Via Funchal, embora o nome possa ter mudado. Mas sim, o Brasil sempre foi importante. E agora, o Bangers em abril será a terceira vez que vou ao Brasil como artista solo. Acho que isso faz do Brasil o principal destino para mim quando se trata de shows ao vivo.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Bangers Open Air 2026

Você está confirmado no Bangers Open Air. Quais são as suas expectativas para o show?

RK: Já estive no Brasil duas vezes nos últimos dois anos, e estou ansiosíssimo para voltar em abril, dia 26 de abril, acho que é um domingo. O público brasileiro é realmente algo especial. Poder ir lá e tocar num show ao ar livre como o Bangers vai ser um momento super divertido, acho eu, para todo mundo, (Muito animado) inclusive para mim.

O que você pode contar para os fãs que vão ao Bangers Open Air? O que eles podem esperar do seu setlist?

RK: Vão ter algumas músicas que não foram tocadas no show de julho (2025). E talvez haja alguns convidados, mas ainda não decidi completamente isso. Pode até ter uma música nova, mas não acho que vai rolar, porque ainda não chegamos longe o suficiente no processo e os ensaios só começam no início de abril. Mas também vou voltar ao Brasil mais tarde, provavelmente antes do disco sair. Então, a gente vai ver.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Álbum Solo e  Sascha Paeth

Este álbum está sendo produzido por Sascha Paeth. Como é reconectar-se com ele num momento tão diferente da sua vida?

RK: Bem, não houve bem um processo. Não estávamos em contato esses anos todos. Mas a Adrienne Cowan (Seven Spires) trabalha com o Sascha, e também canta na banda dele, a Masters of Ceremony, e claro no Avantasia também. Então começamos a conversar sobre fazer algo com o Sascha novamente. Ligamos para ele e ele topou, e cá estamos.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Equilibrando o Conception e o Projeto Solo

Como você equilibra o Conception com o seu novo projeto solo e todas essas performances especiais acontecendo ao mesmo tempo?

RK: Bem, este é meu trabalho em tempo integral, ser músico e compositor. É desafiador, porque agora estamos trabalhando em paralelo no meu álbum solo e no próximo álbum do Conception. Mas você precisa separar tempo, certos períodos em que você foca em uma coisa, definir pequenas metas ao longo do caminho e dar um passo de cada vez. É desafiador, mas também é muito bom estar realmente ocupado com algo pelo qual você é genuinamente apaixonado.

Está no Instagram que você já tem algumas ideias para um novo álbum do Conception. É verdade?

RK: Sim, sim. Como eu disse, estamos trabalhando em paralelo, mas os álbuns vão ser lançados em momentos diferentes porque não queremos um conflito de divulgação com dois discos ao mesmo tempo. Provavelmente vai ser o meu álbum solo primeiro, e depois o álbum do Conception.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Reunião com o Kamelot

Alguma novidade sobre uma possível reunião com o Kamelot?

RK: Nenhuma novidade sobre isso. Não.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

The Black Halo ao Vivo: Emoções e Legado

The Black Halo é um álbum tão importante. Como foi tocá-lo ao vivo no ano passado (2026) em São Paulo e no Japão? Assisti alguns vídeos e percebi que havia muita emoção naqueles shows.

RK: É incrível. Realmente acredito que nasci para estar no palco e fazer música, voltando ao conceito de felicidade que mencionamos antes. Inclusive, cantar e compor é algo para o qual fui feito. E tocar aquelas músicas, que talvez representem o auge da minha carreira de alguma forma... Sim, ainda tenho muito orgulho daquele álbum e daquelas músicas. É muito bom sair de novo e tocá-las para fãs antigos e novos. É ótimo.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Cuidados com a Voz e Técnica Vocal

Sua voz está em uma forma incrível. O que você faz para cuidar dela e mantê-la num nível tão alto? Quais são os seus segredos?

RK: Não tenho certeza se faço algo muito especial ou fora do comum. Mas na minha idade, é realmente importante estar em boa forma física. Me exercito bastante, tanto para a capacidade pulmonar quanto para conseguir fazer os movimentos que quero quando estou cantando. E aí claro tem o canto em si, suas cordas vocais também são um músculo. Você precisa ter cuidado com o aquecimento. Sempre bebo muita água antes de entrar numa sessão de canto mais longa, seja no estúdio, ao vivo ou em ensaios. Tenho meus exercícios de aquecimento normais e um pequeno aparelho no qual sopro. Na verdade, adoro tocar clarinete, ou essa corneta, que é  uma espécie de sereia que tenho no meu estúdio. Mas sim: mantenha-se aquecido, beba muita água e certifique-se de estar em boa forma.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Mensagem Final

Você pode deixar uma mensagem final para os fãs?

RK: Como havíamos conversado, o Brasil tem um lugar muito especial no meu coração. Já estive lá duas vezes em pouco mais de um ano. Estou ansiosíssimo para voltar ao Bangers no dia 26 de abril. Vamos nos divertir muito. Até lá.


Serviço:

Bangers Open Air 2026

Local: Memorial da América Latina - São Paulo

Datas: 24 (Pré-Party), 25 e 26 de Abril de 2026

Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenairbrasil2026-pass



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