sábado, 7 de março de 2026

Hömeless: O mais novo Titã do Crossover brasileiro acaba de chegar com o seu primeiro álbum

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 09.0/10.0

A estreia da HÖMELESS com o álbum Obscuro Lado da Alma” chega naquele clima cru e sem firula que muita gente da cena underground prefere de verdade. A banda paulista está na ativa desde 2010 e aposta num Crossover raivoso, cheio de atitude punk e pegada direta. A presença do experiente baterista Spaghetti, conhecido por sua passagem pelo Ratos de Porão, junto do guitarrista e vocalista Vinícius Vak, já entrega logo de cara que a bolachinha vem com pedigree dentro para se destacar dentro da cena.

A produção do disco é suja na medida certa, sem aquele polimento exagerado que às vezes tira a alma do som. Aqui a ideia é outra: manter o clima cru e visceral que o estilo pede, com várias referências ao Thrash Metal, indo mais para o lado do Slayer. Nesse cenário, Spaghetti manda ver atrás da bateria, despejando velocidade e técnica sem perder o peso com muita intensidade. É aquele tipo de batera que segura a bronca do começo ao fim, deixando tudo com a pancadaria necessária para o disco funcionar.

Do outro lado, Vinícius Vak segura bem as pontas nos vocais e mostra versatilidade dentro da proposta da banda. O cara entrega interpretações intensas, combinando perfeitamente com as letras cantadas em português, que mergulham em temas pesados como violência, decadência social, cotidiano urbano e os lados mais sombrios da natureza humana. Entre as faixas, “Falsos Deuses, Falsos Profetas” chama muita atenção — talvez a mais perturbadora do álbum — enquanto “Frio da Morte” traz um clima denso que dá aquele nó na cabeça e faz refletir.

Outro momento que merece menção é “Formas de Acabar com a Vida”, que ainda conta com a participação de Alex Kafer, baixista e vocalista do The Troops of Doom. No fim das contas, “Obscuro Lado da Alma” chega como um debut honesto, direto e cheio de atitude. Não inventa moda, mas entrega exatamente o que promete: Crossover pesado, letras incômodas e aquela energia de garagem que faz o underground ser tão amado e idolatrado como ele é.

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