terça-feira, 31 de março de 2026

Entrevista - UDO: "Wolf tem um bom cantor, mas não a voz original"

Com uma trajetória marcada por clássicos eternos, turnês mundiais e uma identidade sonora única, Udo segue ativo, relevante e fiel às raízes que ajudou a consolidar dentro do metal tradicional. 

Em nossa conversa exclusiva, o músico revisita momentos importantes de sua carreira, deixa claro seu posicionamento para uma reunião com o Accept e compartilha suas expectativas para o aguardado show no Bangers Open Air, que promete ser um dos grandes encontros do ano para os fãs brasileiros.

Prepare-se para mergulhar em um bate-papo direto, sincero e carregado de história com um dos maiores nomes do heavy metal mundial.


Por: Renato Sanson 

Quais as expectativas para o show no Bangers Open Air?

UDO: Ainda estamos celebrando o 40º aniversário de Balls to the Wall. Vamos tocar o álbum na íntegra e, além disso, incluir alguns clássicos do Accept. Teremos 90 minutos de show, ou seja, praticamente um set de headliner. Estou realmente ansioso para isso.


Depois de muitos anos, você e o Peter estão tocando juntos. Como é essa sensação?

UDO: É uma sensação muito boa estar com o Peter novamente. Ele está curtindo, eu também, e estamos felizes. É como algo antigo voltando aos palcos.

Há um tempo atrás, você disse que não toca mais músicas do Accept ao vivo.

UDO: Sim, isso foi há muito tempo. Quer dizer, em 2015 começamos com o Dirkschneider, e muita gente perguntava: 'por que você não toca músicas do Accept?'. Então pensamos: 'ok, vamos fazer o Dirkschneider tocando apenas músicas do Accept'. Fizemos isso por quase três anos. Depois disso, talvez eu tenha falado cedo demais, mas disse: 'pronto, chega de músicas do Accept.' Quer dizer, temos material suficiente do U.D.O. para tocar ao vivo. Acho que foi um pouco precipitado. Agora estamos celebrando os 40 anos de Balls to the Wall, então aqui estamos nós, tocando Accept novamente.

Por que produtores e fãs tendem a resistir a músicas novas, preferindo os clássicos nos shows? Qual é a sua opinião sobre isso?

UDO: Quando falamos de músicas novas? 

Sim.

Claro que sim, pelo menos para mim. Acabamos de finalizar um novo álbum do U.D.O. E temos músicos mais jovens na banda. O que eu gosto no momento é que estamos criando algo como uma mistura entre o antigo e o novo, e isso é muito interessante para mim. Ou seja, não estamos seguindo apenas com os clássicos antigos — também há muitos arranjos novos ali. Claro, os músicos mais jovens têm uma forma de pensar diferente. 


E na sua carreira solo você já soma mais de 50 álbuns, sem contar a fase com o Accept. De onde vem tanta criatividade e energia para produzir tanto?

Não sei bem, é que geralmente a gente lança um álbum novo a cada dois anos e em seguida sai em turnê. Às vezes fazemos uma pausa curta, rapidinha mesmo. Só que, com o novo disco do U.D.O., houve uma interrupção de três anos. Evidentemente já se passaram quase dois anos sem lançamentos nossos, e quando a turnê do Ball to the Wall terminar agora em novembro, na prática teremos ficado cerca de dois anos na estrada com o Dirkschneider. Por isso, não foi tão fácil compor e gravar um lançamento novo do U.D.O. nesse intervalo. Sempre foi um balanço entre as turnês, ida e volta. Mas, de certa forma, eu gosto de fazer música e criar coisas novas também, e é por isso que continuo. Ou seja, agora tenho este que será o 20º álbum de estúdio, que sai no ano que vem. Então é bastante coisa.

Para o festival Bangers Open Air, vocês prepararam um setlist especial?

O que é realmente especial é que vamos tocar o álbum Ball to the Wall na íntegra. Nunca fizemos isso na América do Sul, então estou realmente ansioso por isso. E acho que já ouvimos muitos fãs dizendo que também estão muito empolgados para ouvir músicas que nunca tiveram a chance de ver ao vivo. Então, sim, estou muito animado também, e acredito que será um grande show. É isso, vamos nessa.


Há alguma possibilidade de uma reunião com Wolf Hoffmann novamente?

Não. Para mim, isso não faz sentido. De qualquer forma, eu sempre digo: o Wolf está fazendo suas próprias coisas com o Accept, sob o nome Accept, mas agora só resta um cara da formação original, o Wolf. E eu faço o U.D.O., mas também de uma maneira que acho mais confortável. Se eu quiser, posso dizer 'ok, vou tocar com o Dirkschneider, com a voz original, e tocar só músicas do Accept com a voz original.' Mas ele não tem a voz original, é um bom cantor, mas não é a voz original. E agora, com o Peter Baltes, temos dois membros do Accept antigo no palco. Para mim, não faz sentido fazer uma reunião, não há razão para isso. Ele faz o que faz, eu faço o que faço, e é isso.

Desculpa pela pergunta (risos). Mais uma pergunta: você prefere a era do Accept ou a era do Udo?

Isso é difícil. O Accept, claro, foi realmente enorme nos anos 80. Mas, de certa forma, os anos 80 já passaram, talvez não para o Metallica, AC/DC, Iron Maiden e bandas assim. Mas eu também aproveito muito, muito mesmo com o U.D.O. Temos uma grande base de fãs no mundo todo. Então, os dois… Eu não posso dizer que gosto mais de um ou de outro, é como se fossem iguais. É a mesma coisa.

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