Fotos: Divulgação/Arquivo da banda e Vinny Vanoni
Formada em Porto Alegre RS, e com quase três décadas de história a Epitaph passa por um momento especial, lançando no final de junho seu segundo full-lenght, "Digital Screams", o qual vem sendo muito bem recebido por critica e público.
O álbum traz uma banda muito mais coesa, adicionando mais peso e novos elementos ao seu Heavy/Trash Metal.
Conversamos com um dos seus fundadores, o baterista César "Five", que nos contou mais detalhes do álbum e planos e expectativas para levar o nome da Epitaph cada vez mais longe.
RtM:"Digital Screams" chegou 17 anos depois de "Gettin' Down to Business". O que fez esse processo levar tanto tempo? Claro, há sempre as dificuldades enfrentadas por uma banda independente.
César Five: O "Digital Screams" teve seu processo de lançamento atrasado devido aos problemas que todas as bandas têm, como troca de integrantes, falta de recursos financeiros, de como o mercado do heavy metal estava e como as pessoas consomem música, além da pandemia e a enchentes aqui no RS, mas nunca pensamos em não lançar o álbum físico.
RtM: Realmente, mesmo com os custos e também com crescimento do streaming, sempre há público que prefere e gosta de ter o material físico.
César Five: Eu já estaria fora da música se não existisse meios de lançar o CD físico, pois é a realização material da tua obra, da tua música. As pessoas diziam que não existiriam mais livros e filmes, mas eles estão aí assim como LPs ,CDs e outras mídias físicas, pois sempre haverá quem prefira esse material. Esse atraso acabou por ajudar na qualidade final do trabalho, pois acertamos todos os detalhes que acabaram por tornar esse álbum como queríamos.
RtM: O álbum impressiona pela qualidade sonora, produção, arte gráfica e edição física. Em tempos de streaming, é louvável aa bandas independentes investirem em um CD físico, sabendo dos altos custos envolvidos, e o retorno geralmente mais lento.
César Five: Embora as despesas de fazer um álbum físico sejam grandes, decidimos fazer 200 cópias(comprem, pois vai virar raridade) que felizmente estão sendo vendidas rapidamente. Era fundamental para nós lançarmos o álbum físico, mesmo pressionados pelo tempo entre o primeiro álbum e esse, queríamos que essas músicas chegassem às pessoas como uma obra completa, e não aos pedaços, como singles espalhados pelas plataformas.
RtM: Que ótimo, recentemente vimos artigos falando sobre o aumento das vendas de CDs, então isso é satisfatório para quem seguiu acreditando no material físico.
César Five: Sim, isso é ótimo. E a espera e o esforço valeram a pena. Ter o material físico te coloca em outro patamar, até para negociar shows, e o fã pode ir no show e levar na hora a lembrança. Nesse momento você encontra as pessoas que gostam da tua música.
RtM: E complementando o que comentamos antes, muitas bandas independentes acabam lançando apenas singles por questões financeiras, mas a Epitaph apostou em um álbum completo, concebido como uma obra única, mesmo diante de tantos desafios.
RtM: Ao ouvir o álbum, fica evidente uma evolução em direção a um Heavy Metal mais pesado, com influências de Thrash, e ainda elementos de Hard, Southern e Classic Rock. Gostaria que você comentasse a respeito desses novos elementos e detalhes que você comentou antes, e evolução sonora da Epitaph.
RtM: A faixa-título aborda temas extremamente atuais, como polarização nas redes sociais e Inteligência Artificial, com a tecnologia aproximando as pessoas, mas também gera conflitos e desumanizando as relações. Gostaria que vocês comentassem a respeito dessa faixa, onde novamente vocês contaram com a colaboração de Gustavo Demarchi (Apocalypse).
César Five: O Gustavo Demarchi é um amigo de longa data, que hoje mora em Portugal, pedimos a ele na época para escrever a letra do que virou a "Digital Screams", pois ele sempre foi ótimo letrista, tanto na The Wise, Apocalypse e outros projetos dele. A música foi feita pelo Marlon Steindorff e eu, e ele gostou muito, e já escreveu as partes dele e as do Joe.
No dia da gravação foi muito divertido, pois ambos estavam preparados e deram um show de profissionalismo. Acho essa música sensacional, e o Canhoto colaborou com mais riffs depois. Acho que ela uma música de alto nível, temos muito orgulho dela.
RtM: “Loser’s Life” abre o álbum, e também se destaca, sendo uma excelente apresentação para quem vai ouvir a banda pela primeira vez, tendo uma pegada pesadíssima. Comentem também um pouco mais sobre essa faixa.
César Five: Na hora que estávamos construindo o tracklist do CD, colocamos a Loser´s Life como faixa de abertura pois ali resume o que é o Digital Screams: muitos riffs, paradinhas de bateria, thrash, e um refrão maravilhoso, tem várias levadas de bateria e solos sensacionais, e o Joe canta a letra com muita força.
RtM: E temos a “The Girl Who Loved the Dead”, que foi o primeiro single e vídeo do álbum, com uma temática bem interessante, e mostrando já alguns desses novos elementos do som da banda, provavelmente sendo esse um dos motivos que foi escolhida para a primeira amostra do trabalho. O que vocês podem nos falar mais a respeito dessa faixa e suas inspirações?
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| Cena do vídeo "The Girl Who Loved the Dead" |
RtM: As letras de Denis Winston Brum voltam a trazer críticas sociais, políticas e religiosas bastante contundentes. Como funciona essa parceria entre compositor e letrista? As músicas nascem primeiro ou a temática das letras acaba influenciando os arranjos?
César Five: A Epitaph sempre se preocupou com as letras. No primeiro álbum ele escreveu oito letras, eu a "Wrong Choice" e o Gustavo Demarchi a "Metal Wings". A música "Red White and Blue" é tão atual que só mudou o Bush e sua guerra do Afeganistão pelo Trump e o Irã, é atemporal pois o mundo infelizmente vive de guerras.
E para o "Digital Screams" mantivemos a equipe de compositores, com o Dênis com 5 letras, eu com a "Road of Fire" (adaptada pelo Dênis), Gustavo Demarchi com a faixa título e o Joe com a "Blue Cave". Os temas são ótimos e mantém a qualidade e fortalecem a parte musical.
RtM"Blue Cave" encerra o álbum com uma narrativa bastante humana, inspirada em uma realidade conhecida dos gaúchos. Como surgiu essa história e por que vocês escolheram fechar o disco justamente com essa música?
César Five: A Blue Cave, ou Gruta Azul, é o nome de uma famosa boate aqui de Porto Alegre, e o Joe F. Louder, fazia os trabalhos da parte gráfica da casa e das moças que trabalhavam lá, inclusive da hoje famosa Andressa Urach. A inspiração veio daí e ele transformou numa ótima letra, que seria interessante se chegasse a Andressa.
A parte instrumental que finalizou a música foi do Canhoto, pois achamos que deveria ter algo que fechasse o CD de forma diferente e ele trouxe aquele momento acústico que deu uma classe incrível ao álbum.
RtM: A produção de Lucas Santorum conseguiu preservar um som orgânico e pesado, algo que muitos fãs sentem falta em produções excessivamente digitais. Qual era a proposta sonora que vocês tinham em mente antes de entrar em estúdio?
RtM: O personagem da capa do primeiro álbum retorna em "Digital Screams", e o encarte traz diversas referências à cultura pop, Rock e Metal. Existe uma intenção de criar uma identidade visual contínua para a Epitaph, conectando passado e presente da banda?
César Five: O personagem da capa, é o mesmo que está no Getting Down To Business, ele é enigmático, e ainda vamos descobrir o que ele guarda na sua maleta. Mantivemos a ideia de ser ele o cara digitalizado no novo álbum, assim como um personagem relacionado a banda.
O encarte tem referências ao primeiro álbum como a gárgula e o relógio, e o trabalho gráfico da Juliana Louis foi incrível, pois eu ia pedindo referências que me marcaram e ela ia adaptando na foto do encarte...ali tem coisas de séries de TV, bandas, personagens históricos, frases clássicas enfim é um bom passatempo escutar o CD e ir procurando tais referências.
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| A foto do encarte traz várias referências marcantes para César e a banda. |
RtM: Finalizando, depois de um disco tão forte e de uma resposta que vem sendo bastante positiva da imprensa e do público, quais são os próximos passos da Epitaph? A ideia é intensificar os shows e diminuir o intervalo até o próximo álbum?
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