domingo, 27 de setembro de 2026

Cobertura de Show: Helloween – 19/09/2026 – Suhai Music Hall/SP

A turnê de 40 anos do Helloween chegou ao Suhai Music Hall, em São Paulo, no dia 19, com a força de quem ainda tem muito a dizer. A banda alemã apresentou tanto os clássicos que moldaram o power metal quanto o material recente do álbum "Giants & Monsters", de 2025. Trinta anos depois da estreia brasileira, em 1996, o público continua sendo um dos mais fiéis do planeta: gritou, cantou e respondeu a cada provocação dos músicos com uma energia que só quem acompanha o estilo entende. Foi uma celebração de legado e presente, sem nostalgia barata.

A formação atual, composta por Michael Kiske (vocal), Andi Deris (vocal), Kai Hansen (guitarra e vocal), Michael Weikath e Sascha Gerstner nas guitarras, Markus Grosskopf no baixo e Dani Löble na bateria, funciona como uma engrenagem sofisticada. A alternância entre os três vocalistas não é só um recurso artístico: ela dá descanso real a vozes que enfrentam melodias extremamente exigentes. Enquanto um recupera o fôlego, o outro entra em cena e mantém a intensidade. O resultado é um show que respira, ganha dinâmica e nunca perde o fôlego.

Instrumentalmente, a banda mostrou que o tempo foi generoso. Os riffs continuam afiados, os solos conversam com precisão e a cozinha de Grosskopf e Löble empurra tudo para frente com a mesma força de décadas atrás. Depois de 30 anos visitando o Brasil, os músicos ainda soam em excelente forma: sem excessos, sem relaxamento, com a confiança de quem domina o próprio repertório.

O setlist abriu com o clássico "March of Time" e logo mergulhou em "The King for a 1000 Years", ganhando o público rapidamente. Andi Deris lembrou que aquele era o último show da turnê e provocou o público para fazer o maior barulho possível. A resposta veio à altura, antes de Kai Hansen assumir o centro do palco para introduzir um dos maiores clássicos da banda, "Future World". "This Is Tokyo", de "Giants & Monsters", trouxe a fase atual para o centro do palco e, logo em seguida, a banda resgatou "We Burn". A música foi apresentada no Brasil somente uma vez, em 1996. Cantada exclusivamente por Deris, o momento ganhou um significado especial para quem acompanha a banda desde aquela época.

A sequência continuou equilibrando eras. "Twilight of the Gods" ficou por conta de Kiske, com apoio de Kai no refrão; "Ride the Sky" devolveu Hansen aos vocais do petardo dos primeiros anos. O equilíbrio entre passado e presente continuou sendo um dos pontos altos da apresentação. "Into the Sun" proporcionou um dos momentos mais emocionantes da noite ao colocar Andi e Kiske lado a lado. Uma das grandes surpresas do setlist foi "I'm Alive", que voltou ao repertório somente nesse show, transformando o Suhai Music Hall em uma verdadeira festa. Teve até um pequeno deslize de Kiske, que se empolgou demais e voltou antes do solo terminar, mas ninguém ligou. Depois, Andi retornou para "Hey Lord!", apontando para cima antes de anunciar que aquela era "para Ele". "Universe (Gravity for Hearts)", também do álbum de 2025, teve uma recepção mais discreta, mas serviu para mostrar que o Helloween não está simplesmente vivendo de suas glórias passadas, continua criando e promovendo seu material recente no palco.

O solo de bateria de Löble, com as tradicionais pausas para a participação do público, preparou o terreno para "I Want Out", um daqueles clássicos absolutos capazes de transformar qualquer casa de shows em um gigantesco karaokê. Cantada por Andi e Kiske, com a participação maciça dos fãs e uma chuva de papel picado no final, a música foi um dos momentos mais grandiosos da noite. A seguir, "A Tale That Wasn't Right", que, segundo Deris, trouxe a calmaria antes da tempestade. Kiske pegou o violão, arriscou trechos de "Suspicious Minds", de Elvis Presley, e "Yesterday", dos Beatles, acompanhado pelo público, antes de Andi assumir o instrumento para iniciar a canção do Helloween. Quando toda a banda retornou durante o solo, sob um verdadeiro mar de celulares, o resultado foi simplesmente emocionante e sensacional.

A reta final começou com Andi pregando uma peça na plateia ao anunciar que "A Little Is a Little Too Much" seria a última música, fazendo uma pausa dramática antes de revelar que, na verdade, seria a última representante de "Giants & Monsters". O susto rapidamente deu lugar a mais uma sequência histórica: Kai Hansen voltou aos vocais para "Heavy Metal (Is the Law)", resgatando novamente os primórdios do Helloween, e depois a banda encarou a longa e épica "Halloween", uma T viagem por diferentes climas e passagens musicais que ultrapassa os dez minutos. O bis começou com Michael Kiske sozinho em "Eagle Fly Free". Depois de se perder brevemente após o primeiro refrão, ele entregou o trecho para a plateia, que evidentemente não se importou nem um pouco com a pequena derrapada e continuou cantando em alto e bom som. Andi então assumiu "Power", fazendo novamente o público participar em massa, antes dos dois vocalistas dividirem os vocais em "Dr. Stein", que praticamente colocou o Suhai Music Hall abaixo. Para encerrar a noite que funcionou como uma verdadeira retrospectiva viva da trajetória do Helloween, ainda houve espaço para um pequeno trecho de "Keeper of the Seven Keys", apenas o suficiente para matar a saudade e deixar no ar uma última lembrança de uma das obras mais importantes da história do power metal.

Desde aquela primeira apresentação brasileira, em 1996, o vínculo entre Helloween e seus fãs no país atravessou mudanças de formação, diferentes fases musicais e três décadas de história, mas permanece intacto. A atual formação mostrou que a banda encontrou uma maneira particularmente eficiente de unir experiência, técnica e energia. A alternância dos vocais, a força instrumental e um repertório que passeia pelos primórdios da carreira até "Giants & Monsters" fizeram da apresentação muito mais do que uma comemoração de aniversário: foi uma demonstração de que, após 40 anos de Helloween e 30 anos de encontros com o público brasileiro, os Pumpkins ainda sabem exatamente como transformar suas histórias em uma grande noite de heavy metal. 


Texto: Marcelo Gomes




Realização: Mercury Concerts




 March of Time

 The King for a 1000 Years

 Future World

 This Is Tokyo

 We Burn

 Twilight of the Gods

 Ride the Sky

 Into the Sun

 I'm Alive

 Hey Lord!

 Universe (Gravity for Hearts)

 I Want Out

 A Tale That Wasn't Right

 A Little Is a Little Too Much

 Heavy Metal (Is the Law)

 Halloween

 Eagle Fly Free

 Power

 Dr. Stein

 Keeper of the Seven Keys  

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